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1 [Volume I - Demácia] - O Poder
Notas iniciais
Um silencio cortante inundava os espaços livres entre as gigantescas árvores de tronco rígido e folhas extremamente verdes que balançavam com o toque suave do vento soprante, que, oriundo do norte, trazia um aroma suavemente agridoce das plantações de hortelã localizada à poucos metros dali; Não se ouvia nem o piar de alguma ave, nem sequer o roçar das patas de um roedor. Naquele momento, qualquer um que passasse por ali, jamais imaginaria que muito sangue havia sido derramado sobre os gramíneos férteis do envolto.
O passar rígido de um cavalheiro fez-se romper a sonolência oculta de uma preguiçosa raposa, adentrada no intimo de um orifício oval localizada à base de um dos arvoredos. Amedrontada com a figura gigantesca do jovem pálido, teve ao peito seu pequenino coração disparar, partindo em uma escalada fixa sobre sua, até então, moradia; sumindo entre os galhos folhados.
O nobre demaciano, tendo ao corpo vestes fortes, pesadas e de ferro, carregava ao palmo direito sua espada que, banhada a ouro, era arrastada pela terra por seu tamanho desnecessariamente grande; Enquanto marcava o solo por seu rastro, parecia observar até aquele silencioso movimento do pobre animal, mas mantinha à faceta feições duras e um olhar marcante.
"Ora, ora, ora... Meus olhos estão me enganando, ou realmente vejo um demaciano fora de seu castelinho de contos de fadas?" — O, até então silêncio, fora tomado por aquela voz rouca e ao mesmo tempo sensual dentre as folhas.
"Realmente não imaginaria que houvesse prostitutas tão afastadas de seus bordeis." — Cuspiu, estranhamente entretido com aquele bate-papo. Mesmo atento nas falas da jovem, Garen manteve-se em seu caminho, sem vê-la.
"Que pensamentos medíocres. Acha que qualquer mulher andando na floresta sozinha procura por um homem para lhe satisfazer?"
"Satisfazer não, mas por um punhado de ouro, quem sabe?" — Seus lábios se esticaram aos cantos, porém seus olhos continuaram fixos na trilha.
"Ouro? Este eu consigo de um modo mais fácil e eficaz..." — Um flash vermelho planou em frente ao cavalheiro, desnorteando-o por um breve segundo. Impulsionada de uma das árvores, a ruiva chocou seus solados aos gramíneos esverdeados, seguindo ao seu lado em passadas curtas.
"Roubando, é claro." — A voz rouca e robusta do homem demonstrava seriedade e deboche.
"Depende do ponto de vista de quem vê." — Rebateu a garota enquanto alisava suas madeixas com uma de suas adagas.
"Roubar, é sempre roubar." — Apesar de rude, um brilho incomum havia em seu olhar.
"Jura? Bem, então quando Demácia adentra um território que não lhe pertence e saqueia os vilarejos e usufrui de uma terra que não é sua, logo, isso seria roubar?" — Um sorriso irônico despontou no canto de seus lábios.
"Depende do ponto de vista de quem vê... Chamaria isso de justiça." — Por algum motivo, para aqueles dois, o envolto não importava mais. Mesmo que andassem quilômetros, continuariam ali, presos naquela discussão, que não era a primeira vez criada. Parecia que se conheciam a anos, e bem, talvez se conhecessem.
Continuavam a argumentar e expor suas idéias de mundo, um ao outro. E mesmo que, tão diferentes, os dois se conectavam como um rio se conecta a sua nascente. No decorrer de distâncias homéricas, novos trechos nesse manto d'água seriam criados e novas nascentes alimentariam aquele pobre riacho, mas, ainda assim, este no entanto estaria preso ao primeiro pingo que lhe deu vida, apesar de talvez não se encaixar mais ao que um dia fora.
"Eu não entendo você, diz ser uma justiceira, mas seu talento é matar." — Garen trocou sua grande espada de punho enquanto falava.
"Durante toda minha vida fui assim!" — Declarou a ruiva, entretanto, não era verdade. Katarina aos olhos do povo teve sempre um intenso espirito mortífero, onde derramar sangue, era seu hobbie favorito. Mas, na verdade, ela fora condicionada a uma vida baseada em um violento treinamento, onde seu coração bondoso fora esmagado por um pai extremamente rígido. Afinal, era um proeminente general noxiano que visava a destruição de seu inimigo maior: Demácia.
Certa vez, aos dez anos de idade, Katarina fora obrigada a degolar um guerreiro demaciano, que tivera ido a Noxus buscar informações sobre estratégias noxianas. Rapidamente enfiou lâminas na garganta do pobre homem, para provar-se digna do respeito de sua nação; Durante a gravidez de sua mãe, seu pai sonhava em ter um menino, seu sucessor, aquele que mataria sem dó qualquer um que cruzasse seu caminho, mas, em vez disso, viera Kat, uma menina tão pequenina de cabelos cor de fogo, que trouxera a morte de sua progenitora, que teve hemorragia com seu nascimento complicado.
Ao reparar que Katarina não lhe dava atenção, Garen estalou seus dedos causando alguns ruídos; Encarando-o, Kat esticou seus lábios numa linha torta, e se ele pudesse jurar, suas bochechas tomaram a cor de seus cabelos.
"Está tudo bem?" — Seus olhos piscaram mais de uma vez.
"Por que não estaria?" — Recobrando a consciência, Katarina voltou a si. — "Cof!" — Tossiu a garota. "Deveria manter seus olhos mais abertos capitão." — A garota gargalhava.
"O que?" — Indagou, mas ao fitá-la após uma rápida piscada, teve a visão de sua pequena sacola de ouro, que uma vez estivera pendurada em sua cintura, e agora, estava em mãos de sua "inimiga". Confuso, só conseguia focar em seu sorriso sarcástico.
"Se continuar com esta atenção... Realmente... Não durará em guerra." — Pausadamente, aproximou-se de Garen, atenta em seus movimentos. Dirigiu-se aos seus lábios lentamente, fixada aos olhos dele. Ao reparar que suas pálpebras se fechavam, e seu coração esperava desesperado por sua boca, uma rajada de vento atingiu os cabelos castanhos dele, atordoando-o.
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