Notas iniciais
Bom pessoal, desculpas nas notas finais. Boa leitura.

Em outra parte da cidade...

O silêncio ecoa no meu quarto, como uma música relaxante para meus ouvidos. O chão frio não me importava nem um pouco, e a brisa gélida vinha de encontro com meu corpo. O que estou fazendo? Meditando. É a melhor coisa no mundo que se tem a fazer. Hoje é um dia qualquer em que levantei me arrumei pra escola e como estou aqui sem fazer nada, resolvi separar um tempo para pensar na minha vida. Me chamo Kaêde, sou descendente de oriental e emigrante do Japão. Tenho uma irmã legal que me ajuda sempre quando pode, como ela é mais nova que eu, ajudar significa não me atrapalhar quando estou fazendo algo importante. E assim eu também ajudo ela, em comparação as minha amigas, posso dizer que sou a única que não sofre com esse problema de irmãos.

Na escola não falo muito, apenas fico na minha prestando atenção na aula. Tiro notas boas, e eu sou o que muitos podem classificar como a nerd santinha, ou queridinha do professor, mas pessoalmente não gosto quando eles ficam puxando meu saco. A escola pra mim é apenas um lugar onde temos que aprender, nada de mais. Mas, a minha escola é parecida com o inferno, às pessoas gritam de mais, e a sala em que eu to é considerada a pior da escola. Eu tenho apenas três amigas, que são as únicas que verdadeiramente me entendem, são amigas incríveis.

Não sou muito a fim de esportes, mas gosto de vôlei e sou capitã do time de vôlei da escola. Pessoalmente não gosto de nenhuma matéria, mas acho ciências bem interessante. Não sou muito afim de coisas gordurosas, nem doces. Tenho um humor bem gentil com minhas amigas, mas para os outros apenas digo um bom dia. Considero boa parte da sala falsa de mais que apenas querem minha amizade, pois pensam que vou fazer a lição de casa deles (frase irônica). Simplificando minha vida é isso. Hoje, muito diferente dos outros dias, me sinto como se... Se alguém estivesse me observando. É estranho, mas vou tentar esquecer isso por um tempo, se não vou começar a duvidar da minha sanidade mental.

Os meus pais são bem ausentes, de vez em quando os vejo. Esse eles se resume na minha mãe, pois raramente vejo meu pai. Eles trabalham como médicos e quase nunca estão em casa. Mas, eu já nem me importo muito com isso, apenas já me acostumei. Claro, na minha infância sentia muita falta deles, mas agora já entendi que minha opinião não importa muito por aqui (outra frase irônica). Com certeza hoje acordei com o pé esquerdo. Como adolescente não gosto de rosa nem de games, nem de novela, nem de bagunça. Gosto de meditar, gosto de chuva, o frio, comidas saudáveis, roxo, e minhas amigas sem dúvida. Diferente de muitas pessoas, não necessito muito da tecnologia, apenas detenho de um celular para emergências, e um computador para pesquisas.

“Ah, isso me lembra uma coisa, tenho que ir pra escola agora se não irei me atrasar, e odeio me atrasar.” – pensei levantando pegando minha mochila e me pondo a andar no mesmo caminho que faço todos os dias. O caminho pro hospício.

Em um lugar com uma péssima energia negativa...

Hoje, o pior dia da face da Terra. Fiz meu trabalho de história, mas não faço idéia de onde o tinha colocado. Então eu fiz outro porque não era impresso e sim manuscrito. Quando terminei de escrever a última palavra, já estava praticamente atrasada. Fui correndo me arrumar pra escola e adivinhem o que eu encontro de baixo da cama? Meu primeiro trabalho de história.

Resumindo, eu passei a manhã toda escrevendo um trabalho, mas foi extremamente inútil, pois eu achei o primeiro. Eu sou Ana, descendente de chinês. Apenas mais uma pessoa nesse mundo que é obrigada a ir pra escola todos os dias. A escola é um lugar muito chato. Agora mesmo estou correndo pelos quarteirões que nem uma louca varrida que escapou do hospício. Porque? Porque faltam menos de dois minutos para o sinal bater, ou seja todos já estão na sala e se eu não conseguir chegar a tempo, o professor vai fechar a porta, eu vou ficar pra fora, e perder a primeira aula. E isso não é nada bom.

Sou o que muitos consideram uma pessoa normal. Na verdade nem todos. Digamos apenas que eu tenho um normal muito diferente dos demais (?). Ou seja isso não é normal, e eu sou estranha. Mas acreditem ser estranha é o menor de todos os meus problemas. Gosto e me orgulho de ser quem sou, ignoro pessoas chatas, adoro pessoas legais e minha vida resume-se nisso. Tenho um irmão super chato, meus pais são legais, gosto de todas as cores, e... Como disse antes sou apenas mais uma pessoa normal que tem um normal diferente.

... E que está seriamente atrasada.

Na escola...

(Hana on)

Nos últimos minutos cheguei à escola, que é uma escola comum. Tem patricinhas, playboys, nerds, góticos, esportistas, pessoas que não se enquadram, gente estranha, grupos a parte, e gente da aula de teatro. Quando passei pelo portão principal todo mundo começou a me olhar como se eu fosse um et. Mas, eu com a minha super personalidade alternativa nem liguei. Talvez se fosse há alguns dias atrás eu começasse a chorar por não me acharem legal e nem popular, mas sou uma nova pessoa.

Mais anti-social, fria, o que aperfeiçôo meu lado egocêntrico e gótico. Passei a odiar rosa e amar preto, e creio que se dissesse isso há dias atrás me prenderiam em um hospício. Passei direto por todos, e fui direto pra secretária. Para a minha surpresa, a secretária era uma paty sem noção. Não que eu fique reparando muito no estilo de moda das outras pessoas, mas ela arrasou de mais na noção básica de tudo. Tava com uma saia preta absurdamente curta, uma blusa branca com um decote enorme, e seu rosto tinha mais maquiagem que um salão de beleza inteirinho. Nunca em toda minha vida passaria um terço da quantidade de maquiagem que ela tem no rosto agora. Abandonei meus princípios de nunca falar com pessoas assim e encostei-me ao balcão em que ela estava.

Posso ajudar? – maluco a garota falou como se já me conhecesse há séculos e soubesse que não gosto de patricinhas.

“Se não puder não vai ser surpresa” – pensei em meu interior, pois sabia que não podia falar isso, se não era capaz de eu não conseguir a informação que queria.

Sou aluna nova. Vim pegar meu horário.

Ela não falou nada. Apenas imprimiu alguma coisa no computador e jogou na minha direção com uma cara mais ou menos assim; Vaza daqui, não fui com a sua cara. Antes de sair mandei uma resposta via telepatia; Também não fui com a sua piruá. Ignorei seja lá o que ela fosse responder. Não tava nem ai para o que ela achava ou pensava de mim. Comecei a encarar meu horário, e minha primeira aula era de Biologia, na sala 52b. Depois eu mesma me achei estranha por desenvolver um sistema via telepatia para conversar mentalmente com outras pessoas. Isso realmente foi meu ato mais grandioso até agora. Mas, voltando ao horário.

Contando que eu estava no primeiro andar e a sala á minha esquerda era número 27, matematicamente falando tinha grandes circunstâncias da minha sala ser em outro andar. Claro eu não iria pedir ajuda, meu orgulho estava grandiosamente perturbado a partir de quando me mudei, e não pisaria nele para conseguir informações. Eu ainda tinha bastante tempo até o sinal tocar, e se não achasse minha sala o monitor dos corredores provavelmente me ajudaria. O único problema, é que...

“Falta muito tempo ainda pro sinal bater, e eu vou ficar aqui sem fazer nada”

É, sem dúvida se o dia da mudança foi ruim, hoje seria bem pior. Pra começar eu pude capitar pelo meu rastreador mental que o grupo das patricinhas já estavam na minha cola, falando da minha pessoa sem nem ao menos me conhecer. Isso é horrível eu queria ir lá e arrebentar a cara delas. Minha raiva estava quase explodindo da minha cabeça, nem eu reconhecia eu mesma. Provavelmente estariam falando do meu estilo de moda, do meu corte de cabelo, da cor das minhas unhas, da minha mochila e de muitas outras coisas, mas eu nem ligava. Provavelmente queriam ser como eu, se é que não são e tem medo de fazer sua própria moda.

Olhei pro meu celular e vi uma foto automaticamente de mim com meus amigos. Claro foi muito nostálgico, mas eu superei ou a menos fingi fazer isso, porque não estava em casa. Tinha uma nova lei na minha cabeça que só podia ficar incrivelmente triste, e chorar por horas a fio lembrando da minha vida, em casa. Em outros lugares era praticamente proibido, porque eu não poderia dar chilique no meio de tantas pessoas. As horas marcavam 12:45, faltavam trinta minutos pras aulas começarem, e por mais ruim que pudesse ser as aulas, era melhor do que ficar sem fazer nada. Fui para o jardim no pátio principal. Caminhei despreocupada com todos os meus problemas, como se já tivesse solucionado a todos. Eu merecia um descanso psicológico, claro todos merecem.

Me joguei de baixo de uma árvore, que me protegia do sol que queimava meu rosto. Abracei minhas pernas jogando a bolsa perto de mim, e fechando os olhos apreciando a brisa gostosa. Não tinha a mínima idéia de como iria chegar a minha sala, mas não me importava muito, por mim nem estaria ali, então pra mim o mundo podia acabar que eu não ligava. Muitas pessoas podem considerar minha reação como uma desistência de viver, mas não é nada disso. Eu não desisti de viver, não em termos. Por mim, nada ou tudo pode acontecer, como se fosse um camaleão que se molda a partir da cor do ambiente, isso era eu. Se estivéssemos na luta greco-romana, os romanos perguntariam “Está do nosso lado?”, eu responderia “Não sou nem contra, nem a favor”.

É, literalmente desisti de viver. Cada um reage de uma forma, e essa foi a minha de reagir a uma mudança de vida. Tudo isso deve se dar em conta que eu não queria isso né? Provavelmente se estivesse na minha antiga escola, não lembraria que hoje era meu aniversário. Enquanto estivesse conversando com a Yuki, e a Carla, ganharia um chuva de ovos e bombas de farinha. Iria ficar brava e depois rir com todo mundo. A essa hora todos devem estar se perguntando onde eu estou, e conhecendo a Lúcia como conheço acho que ela ligou pra policia, pro FBI, pro esquadrão de seqüestro, e até pra nasa procurando por mim.

“É, tenho uma nova lei pra mim mesma. Devo parar de ficar pensando como seria se ainda tivesse minha vida de volta, isso vai me deixar maluquinha”. –pensei.

E eu mais uma vez estava absolutamente certa. Pensar como deveria ser se eu não fosse o que sou agora e sim o que era antes de tudo acontecer, só vai fazer com que eu ganhe uma passagem só de ida pro hospício o mais rápido possível. E é claro, que por mais neutra que eu seja, e também que o manicômio e minha casa não tem quase nenhuma diferença, eu gosto de morar em uma casa.

Minha linha de pensamentos. Semelhanças entre casa e hospício,

Casa Hospício

Minha mãe faz uma péssima comida Péssima comida.

Meu pai não liga pra mim Ninguém vai ligar pra mim.

Meu irmão me irrita Irá ter alguém pra me irritar.

Com meu último pensamento não deixei de soltar inúmeras gargalhadas. Estava ficando boa em ser melodramática, isso sem dúvida é um dom. E assim no segundo seguinte, pensei em uma frase incrível “Minha ignorância me diverte”. Ri mais ainda com a frase que pensei. Não era muito de rir, mas quando acho alguma coisa divertida, quase desmaio de tanto rir.

Parei de rir momentaneamente, no mesmo segundo abri os olhos encarando a escola a minha frente. Um vento gélido percorreu todo o meu corpo me fazendo tremer levemente, o que era estranho, pois estava morrendo de calor a poucos minutos com o sol escaldante. No momento seguinte fiquei com uma forte dor de cabeça, como se fosse uma enxaqueca clássica. O que não era nada bom.

xxx

Em um lugar perto dali...

Sentiu?

Claro. O cheiro dela é muito forte. Sentiria a quarteirões.

O que fazemos?

Ficamos de olho nela... Por enquanto.

Notas finais
Gente, não tenho culpa pela demora do capitulo. Estou sem ideias. Sem contar que tenha apenas duas leitoras, e tenho outras fics em andamento. OK? Postarei outro capitulo quando o mesmo ficar pronto.
Sobre a fic, o clima vai esquentar geral agora. Vai vir a parte do suspense, pra deixar vocês pensando no que vai acontecer. Todas as apresentações já foram feitas, parcialmente são cinco personagens principais, mas a principal e que mais vai narrar a historia sera a Hana. Quando não aparecer nada quando mudar de narração sera porque e uma pessoa oculta e misteriosa. Espero reviews, kissus.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.