Notas iniciais
Espero que todos gostem. Os primeiros capítulos (até o 3º), vai ser uma breve apresentação de cada uma das protagonistas. Desejo a todos uma boa leitura.

Hana pov´s on

O que eu estou sentindo agora? Tédio. Misturado com raiva, desânimo, um pouco de preguiça, e... Sono. Porque eu estou assim? Simples, eu tive que me mudar da minha antiga escola, da minha antiga casa, e da minha antiga vida e vim parar aqui nesse fim de mundo. Quem sou eu? Sou Hana uma pobre garota, que sofreu uma imigração forçada através de seus pais, ou pelo menos pessoas que me suportam, por que não acho que eles sejam meus pais, embora nunca tenham admitido minha adoção, ou tenha encontrado nenhuma prova concreta. Na verdade já deram muitos indícios que afinal sou filha deles. Eu e a pessoa que diz ser minha mãe temos olhos castanhos claro, e eu e a pessoa que diz ser meu pai temos cabelos nem liso nem cacheado e no tom castanho escuro. Hozuki até tem fotos dela grávida, ultra-som e pré-natal de uma menina aproximadamente no período que nasci, fotos da minha pessoa de todas as idades, e muitas outras coisas. Ou seja, sou filha dela e do meu pai Yosuke. Bom, posso dizer que nossa família é bem equilibrada, eu sou irônica, meu pai reservado, minha mãe sorridente, meu irmão irritante, e meu cachorro compreensivo.

Agora nesse exato momento estou deitada na minha cama no qual gastei horas para montá-la. E como estava muito cansada joguei o colchão desajeitadamente por cima da cama recém preparada, e me joguei nela sem ter provas concretas que ela estava montada corretamente e suportaria meu peso. Embora meu orgulho seja muito grande, e eu não tenha ido pedir ajuda para o meu irmão, por que não estava pronta para sofrer essa humilhação a tal ponto e ainda dever um favor a ele, eu me considerava bastante competente ao ponto de conseguir montar um móvel inanimado conhecido como cama. A minha era nas cores preta e branca, na verdade preta com alguns detalhes em branco e sendo toda de casal, com um tipo de escrivaninha atrás dela, e com uma gaveta enorme de baixo dela que na verdade era onde tinha guardado um colchão extra para visitas, e também em muitas noites servia como extensão da minha cama, caso eu caísse dela não atingiria o chão, o que prevenia contra catástrofes físicas.

Já podem ter percebido que não sou muito social, vivo em meu mundo apenas. Na verdade nem sempre sou assim, setenta e duas horas atrás (ou quatro dias atrás) eu era a líder de torcidas, com a amizade de todas as pessoas da escola inclusive o time de futebol inteiro, era capitã do time de vôlei, e ainda por cima era uma das pessoas que tirava a nota mais alta da sala, mas o que não me fazia uma nerd, por que sempre que via uma brecha, conversava com as outras pessoas sobre algo banal tentando aliviar o tédio de ter que suportar a torturas diárias de ter que ficar sentada em uma cadeira desconfortável e nada macia por cinco horas escrevendo tudo que uma pessoa estava falando. E agora me transformei em uma pessoa completamente anti-social, trocando toda a minha alegria por tédio. Sinceramente, isso é quase impossível de acreditar, eu sei. Todos nós queremos um espaço nesse mundo, e quando finalmente eu conquisto o meu, meus pais simplesmente resolvem se mudar. Eles não tinham esse direito, e é por isso que os estou ignorando completamente desde a mudança. Por isso não tinha descido para o café e nem para o almoço, na real estou tentando me matar de fome. Eu estou com toda a razão se todos pensarmos racionalmente, eu tinha construído um castelinho de sonhos feitos de cartas, que eram realidade e eles foram lá e ligaram o ventilador para acabar com tudo. Isso é deprimente, e se eu estou certa eles estão errados.

Voltando ao meu “maravilhoso dia”, tinha ficado tentando organizar meu quarto, ou seja ainda estou com meu pijama que é um short que pode ser considerado um pouco curto preto, e uma camiseta simples de alçinhas branca com algumas estrelinhas pretas fazendo conjunto com o short. Estou descalça e meu cabelo esta verdadeiramente um lixo, todo despenteado e desarrumado apenas preso por um simples prendedor. Tínhamos viajado na sexta feira de noite, eu tinha recebido a noticia sexta feira de tarde, na verdade quando cheguei grande parte das minhas coisas já estavam em caixas no caminhão de mudança, ou em caixas no lixo, pois meus pais não davam muita importância para o que eles não sabiam pra que servia. Por exemplo, uma bolinha verde brilhante e velha pra eles não significam nada, pra mim significa a minha festa de quinze anos. Simplificando eles tinham jogado metade do meu quarto fora sem o meu consentimento. Por falta de tempo não consegui me despedir de nenhuma das minhas amigas do colégio, nenhuma. Apenas lhe dei uma despedida triste antes de embarcarmos no carro já à noite.

Tentei falar com uma voz indiferente e vazia, e consegui segurar as lágrimas até quando entramos no carro, foi a partir daí que troquei o sorriso por uma cara de nada, e quando passei a nutrir uma grande mágoa dos meus pais. Na real eles nem me explicaram direito o real motivo de nos mudarmos, apenas me jogaram dentro do carro, e fecharam à porta. Ficamos no carro por dois dias e no domingo ás duas da manhã chegamos aqui, no fim do mundo onde descobri que vai ser minha nova residência. Meu quarto é grande, mas se comparado ao antigo um pouco menor, as paredes estão pintadas de um rosa escuro quase vinho, com detalhes em preto como estrelinhas, tem uma ampla janela um tanto baixa que dava para passar dela pra fora e de fora pra dentro. Tem o banheiro que é como todo o banheiro deve ser, e a porta de saída que tem trancas e uma chave, e é preta com detalhes em branco combinando com a minha cama. O chão é de marfim castanho, e no centro do quarto se encontra uma luminária meio branca em um tom amarelado.

Todo o quarto está lotado de caixas, de todos os tipos e tamanhos, mas tinha um pouco de lugar para eu me mexer. Tinha dormido (lê-se sofrido de insônia a madrugada toda com muito tédio tentando dormir) em um saco de acampamento totalmente minúsculo, pois era infantil e o tinha usado a mais ou menos sete anos. O cheiro forte de mofo e a temperatura baixa dele fizeram com que eu não dormisse nem um pouco. Da hora em que eu levantei até agora, já limpei todo o chão arrumando as caixas de forma que as que continham coisas mais importantes ficassem completamente a salvo de qualquer tragédia que pudesse acontecer, tipo eu esbarrar em uma caixa grande e todas as outras que estavam sobre ela caírem bruscamente no chão espatifando tudo que tinha dentro. Também tinha colocado minha cortinha na janela que é na cor vinho mais puxado pra rosa. E tinha montado e limpado o guarda-roupa (que assim como a cama, e a porta era preta com detalhes brancos) e a cama, que é onde me encontro agora.

Estou sem palavras para descrever como estou me sentindo agora. Já disse no começo que é mistura de raiva, ódio, desânimo e tédio. Mas, apenas essas palavras mesmo juntas não descrevem corretamente o que sinto agora. Hump... (suspiros cansados) minha cabeça esta latejando, e meu estomago roncando desesperadamente tentando me conformar em engolir o orgulho e ir lá em baixo na cozinha, ingerir algo. Mas, apenas o ignorei. Ouvi batidas nada gentis na minha porta, e logo ela foi entreaberta entre as milhares de caixas que estavam na frente propositalmente fechando a passagem.

Está ai Hana? – perguntou uma voz séria que ecoou no ar chegando até meus ouvidos, a voz era nada mais nada menos que a do meu irmão.

Não estou na China. – pensei por ter que responder algo tão óbvio.

Hn. – respondi essa única onomatopéia ignorando seja lá o que ele fosse falar, e assim notando minha presença ele fechou a porta me deixando em paz. Provavelmente estava querendo saber se eu não tinha evaporado. Mas, infelizmente ainda não consigo fazer isso, mas se pudesse com toda e máxima certeza já teria o feito.

Juntando os últimos resquícios de coragem que ainda detinha, tornei a tentar organizar meu quarto. Me levantei ainda com vontade de dormir para compensar a noite mal dormida, e então fui limpando e arrumando todas as coisas, abrindo caixa por caixa e classificando tudo em seu devido lugar. Com certeza a pessoa que foi designada para empacotar as minhas coisas (irmão, pai, e mãe), não possuía nenhum senso de noção, as roupas estavam dividias em várias caixas misturadas com fotos, retratos, e livros. Era tão mais fácil colocar todas juntinhas em uma só. Isso demonstra que essa pessoa sofre de problemas mentais. Na verdade, eu até poderia esperar eles virem aqui e arrumar, mais simplesmente sentia necessidade de arrumar o que é meu, e não deixar mais ninguém bisbilhotar a minha vida. Assim, o tempo foi passando e passando, e em horas e horas de trabalho, roupas já estavam em cabides penduradas e dobradas no guarda-roupa, calçados em gavetas, livros na estante que é extensão do guarda-roupa, minha tv já estava em seu devido lugar assim como o playstation e o dvd, e mais algumas outras coisas eu ainda estava arrumando.

Como agora têm um monte de coisas que não consigo classificá-las corretamente como deveria, e apenas estou arrumando e relembrando bons momentos, e velhas lembranças que para mim parecia que tinha acontecido há décadas, séculos, ou milênios. Fotos de todos os meus amigos, todos, tinha fotos na casa da Juju, da Viki, da Renata, da Yumi, de todos, em muitos lugares, de muitas formas, e de muitas maneiras, a única coisa que tinha em todas elas em comum era a felicidade de todos. Todos aproveitando a adolescência com os amigos. Uma em especial me chamou atenção, que era de todos os alunos reunidos me abraçando e eu estava vestida de líder de torcidas, nesse dia nem me recordava direito que era meu aniversário, e essa foi uma grande surpresa, e para mim foi um grande dia. Separei todas essas fotos em dois montes, os mais particulares e os menos particulares.

Quando terminei, os menos particulares foram para o meu qüinquagésimo sétimo álbum de fotos. E as outras eu pendurei no meu quadro de fotos com pequenos alfinetes. E li duas palavras que para mim não têm mais sentido, “minhas aventuras”. Elas simplesmente ecoaram em minha cabeça, e bem no fundo uma certa quantidade irreconhecível de tristeza me consumiu. Ficar ali olhando a foto de todos os meus amigos, era nostálgico de mais, como se eu tivesse morrido. Mas de fato morri mesmo, afinal nunca teria mais as mesmas aventuras que costumava ter, e quem sabe se um dia voltarei a ter aventura de algum tipo. Literalmente minha vida estava acabada, não só tinha ficado sem chão, como tinha ficado sem nada. Naquela hora estava à beira de três opções, primeira; ter um colapso nervoso, segunda; ter um AVC, terceira me suicidar. Ou poderia partir para o time dos que entendem que tudo que é bom acaba rápido de mais, que você nunca terá de volta, e se deu conta que não aproveitou o suficiente tarde de mais.

Sentei na cama fechando os olhos, tentando esquecer tudo, esquecer todos, esquecer tudo que teria que enfrentar, tudo aquilo que infelizmente agora era a minha vida. Meu celular com seu toc super fofo e personalizado me tirou do meu transe. E logo passei a procurar por ele que vibrava e tocava com uma música qualquer da Madonna. Logo que peguei vi que minha caixa de mensagens estava com mais de 200. Não me impressionei nem um pouco com o número, e sim com a quantidade de mensagens que provavelmente já estavam todas completamente encalhadas no Thuwiter, msn, orkut, e facebook. Fui até a minha porta onde estava minha lista de afazeres, e coloquei em uma linha com uma caneta qualquer que estava no chão “ler e responder as mensagens”, mas o que na verdade eu ia fazer era deletar todas elas sem dó nem piedade.

Depois disso, voltei minha atenção para a hora do meu celular que marcava 23:50 sem dó da minha pessoa. Não me importando muito do jeito em que me encontrava, vesti meu hobby vermelho por cima da roupa e calcei uma rasteirinha abrindo a porta do meu quarto e saindo dele. A minha frente tinha um corredor com três portas, uma delas era o quarto do meus pais, outra o quarto do meu irmão, e a outra era um banheiro. Não dei muita atenção para isso e segui direto para a sala onde vi minha adorável família conversando alegremente. Eles pararam o sei lá que eles estavam falando e me encararam como se eu fosse um marciano. Meu pai em especial pedia explicações por eu ter ficado no meu quarto o dia todo, mas simplesmente o ignorei.

Onde estava? – perguntou.

No meu quarto. – dãããããããã

Fazendo?

Arrumando ele.

Poderia ter pedido ajuda, estamos aqui para isso filha. – suplicou minha mãe de uma forma amável e gentil. Mas que não me comoveu ou me fez esquecer o que eles fizeram.

Não precisava, vocês “já fizeram muito por mim”. – tentei não ironizar o final da frase como gostaria.

Amanhã já tem escola. – por fim meu irmão se pronunciou.

Hn. – custei a responder

Vou deixar tudo que você precisa em cima da mesa. Seu irmão vai estudar de manhã, e eu e sua mãe teremos que resolver alguns assuntos pendentes. Não se atrase. – ordenou.

Não respondi nada ao que ele falou, tentei parecer indiferente. Continuei seguindo reto até a cozinha onde bebi uma garrafa inteira de dois litros de água bem gelada de uma só vez, e depois comi uma maça sem nenhuma vontade. Mas infelizmente ainda não tinha coragem de me matar realmente de fome. Depois voltei para o meu quarto, e quando passei pela sala novamente não havia ninguém lá. Senti uma brisa gelada encontrar a minha pele, me fazendo arrepiar pelo frio. No escuro mesmo, fui até a janela e olhei para fora, e não vi nada de estranho por sorte. Fechei a janela, e tentei ignorar a sensação de que estava sendo observada por alguém. Voltei ao meu quarto me dirigindo ao banheiro e fazendo minha higiene bocal. Depois me joguei na cama me cobrindo por um fino lençol. A temperatura estava gostosa, uma deliciosa brisa entrava pela janela (muito diferente da, da sala) que estava entreaberta. Por estar muito cansada, peguei no sono rapidamente.

Notas finais
Não esqueçam de deixar um reviews expressando sua opinião, não dói e faz bem ao meu coração. =)