Legami Di Amore

35 Legami Di Amore


Notas iniciais
Olá, olá, olá! ♥ Nesses cinco anos de história, nunca pensei que o fim seria numa segunda-feira de manhã. Talvez sexta à noite, sábado pela tarde, mas segunda? -qq Quero usar as notas iniciais para avisar que as notas finais podem ficar maiores do que o próprio capítulo porque tenho tantas coisas para dizer... Por hora, quero agradecer a todos os comentários — e apoio moral — que recebi no último capítulo. Fiquei feliz por me fazer clara depois de tanto tempo e, também, por vocês reconhecerem que a coitada da Dominique nada tinha a ver com o peixe KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK fada injustiçada o nome!! Além disso, me comove como vocês adoraram o McLanche apanhando e, também, o choque pelo Adam — estava bem debaixo dos narizes de vocês, eu AVISEI kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Desde que eu comecei LDA eu tinha o final bem claro na minha cabeça, mas o problema é que cinco anos depois ele não me pareceu satisfatório. Foi por volta do capítulo 12 que eu decidi mudar os rumos da história e, a partir de então, fiquei mais concentrada em tecer uma rede de mistérios (mediana, mas misteriosa kkkkk) do que em pensar sobre o final que, para mim, seria. Fiz vários planejamentos e não segui nenhum porque sempre mudava de ideia conforme escrevia os capítulos; o esqueleto norteador sempre presente, mas o restante simplesmente veio de forma espontânea depois de alguns momentos de falta de inspiração. Nesse capítulo, não foi diferente. Meses de falta de inspiração, tristeza por estar acabando e incertezas. Espero que gostem desse capítulo ♥ Boa leitura ♥ ► PLAYLIST https://www.youtube.com/watch?v=tNx1y8AXZxw&list=PLm_bv0SbG68UdaGyxvje2S6Vyd79Z5tmc *Legami Di Amore = Laço de Amor

— Vou ficar aqui — foi o que Scorpius disse à Hermione quando beirava às três horas da manhã. Estavam inevitavelmente acordados, sentindo os efeitos colaterais do desfecho que aos poucos acalmava suas mentes agitadas e empenhadas em elaborar tudo o que havia passado.

Leo dormia quietinho no berço, os finos lábios esboçando um sorriso tranquilo. Scorpius o observava do chão, encostado à poltrona onde Rose havia se sentado há alguns dias; apenas um abajur iluminava o cômodo e, sem dúvidas, era ali onde ele precisava estar. Não queria entrar no quarto de Rose, não queria vê-la deitada naquela cama como se estivesse morrendo, não queria se atormentar com a possibilidade de um futuro sem ela. Mas seu corpo mostrava como era impossível negar tal alternativa; suas mãos ainda estavam doloridas pelos socos desferidos, as orbes cinzentas transbordavam em lágrimas, os pulmões pareciam incapazes de aguentar mais horas de um choro pesado. Tentava respirar fundo, tentava se concentrar na calmaria de seu bebê, tentava se agarrar à mais vã expectativa de que toda a tormenta havia chegado ao fim, mesmo tendo consigo uma estranha sensação entorpecente. O coração batia acelerado num ritmo até então desconhecido; embora fosse uma ocasião propícia para um absoluto alívio, se viu atordoado entre os opostos de realidade e idealização que há tanto tempo vinha alimentando em sua mente.

Scorpius só fora vencido pelo sono quando o dia estava prestes a amanhecer; dormiu torto no chão, com o rosto escorado no assento, os braços largados sobre o tapete, uma perna esticada e a outra dobrada. Parecia estar num sono pesado, não sendo despertado nem mesmo pelo choro agudo de seu filho; a respiração era profunda, e tinha a expressão de quem estava rendido ao próprio mundo onírico onde realizava, sem restrições, suas maiores alternativas para aquele desfecho. Pôde acordar somente quando percebeu que tudo aquilo era bom demais para ser verdade. Mas, ao abrir os olhos sonolentos, teve o sangue gelando pelo toque suave em seus cabelos, exatamente como nunca havia sentido, apenas desejado.

Tentou se defender das armadilhas de sua mente turva quando notou a presença de alguém na poltrona, quando percebeu seu corpo sendo tomado pelos efeitos daquele perfume característico, quando sua respiração falhou pelas batidas fortes de seu coração.

— Bom dia — a voz dela soou num tom não muito alto. Scorpius se afastou na poltrona, fitando-a desacreditado. Rose estava ali, acordada, segurando Leo nos braços e acariciando seu cabelo. Passou a mão pelo rosto, coçando os olhos, e, mesmo assim, tudo pareceu estranhamente normal. — Está com dor no pescoço?

— ‘D-dia, eu… Sim, dor no pescoço — à medida em que sua vista embaçou pelo súbito arder que tomava conta de sua face, engoliu em seco, tentando não dar o pontapé inicial para bagunçar de vez tudo aquilo que estava retido há meses. Em vão, é claro. — Não deveria estar deitada? Descansando?

— Foi o que eu mais fiz todos esses dias — os cantos de seus lábios começaram a formar um sorriso brando.

Ela tinha razão, é claro, e Scorpius sentiu as bochechas esquentarem com esse fato. Era estranho o que estava sentindo naquele momento de silêncio. Eles estiveram juntos durante todo o tempo. Entre trancos e barrancos, mas juntos; só que a sensação de que alguém havia retornado de uma longa viagem era persistente, tanto quanto a ideia de que tinham voltado no tempo, mesmo o óbvio estando na frente de seus olhos. Scorpius não achou palavras, apenas a encarava como se aquilo fosse demais para ele, muito além de sua compreensão de dezessete anos.

Por isso, saiu do quarto, ligeiramente desorientado, em direção ao banheiro. Trancou a porta antes de soltar a respiração, relaxar os ombros e fitar o próprio reflexo. Lavou o rosto, duas ou três vezes, ouvindo uma voz reverberar dentro de si, chamando-o pelo nome, talvez para que pudesse começar a mobilizar suas energias em torno de respostas ainda quiméricas. Com as mãos apoiadas na pia, respirou fundo, evitando sucumbir ao súbito desejo de amaldiçoar-se por ansiar tanto pelo inalcançável. Ninguém — e ele estava incluso nisso — poderia pensar em algo que ultrapassasse vinte e quatro horas. Aquela manhã seria um reencontro, um começo, um ponto de paz numa cronologia adulterada. Ou não. Scorpius, aos poucos, parecia ter se tornado adepto à história de destino. Não por espontânea crença, mas por falta de outras opções; qual outro motivo poderia validar uma sucessão de infortúnios cujas promessas plácidas aconchegam dores de tempos?

Não seria capaz de negar os diversos momentos que sentira vontade de fugir; de tomar uma reta sem rumo para um lugar distante da bagunça que não queria admitir ter causado, mesmo que de forma tão ingênua. Agarrado a uma espera demorada por algo melhor, ele permaneceu, apenas se esquecendo de entender a baixa probabilidade de tudo se resolver por pura mágica. Tinha pendências, e o fim era apenas uma ilusão para prolongar o tempo de espera por um futuro melhor. Rose era apenas o começo de um longo novelo prestes a começar a se desenrolar. Estava, sim, abrandado por sentir-se seguro, por Leo estar bem, por ser tempo das tulipas morrerem, mas não conseguia sequer considerar o próximo passo. E pensar que ele não precisaria de nenhum plano, apenas a coragem para seguir adiante seguindo impulsos inerentes de seu coração, parecia totalmente imberbe.

Durante dias, Scorpius preferiu o silêncio de suas incertezas. Ocupou-se em sentir a maciez de cada pedacinho de pele do seu bebê, ouvir sua respiração enquanto dormia, dar seu dedo para ele segurar, balançá-lo no colo durante as madrugadas. Era difícil encarar Rose, ficar no mesmo cômodo que ela, processar tudo o que havia acontecido tão rápido, mas não teve como se isolar por muito mais tempo. Estava na calçada em frente à casa dos Weasley, observando o céu nublado na esperança de que pudesse vê-lo com alguma cor diferente, quando uma sutil brisa trouxe o perfume da garota pela qual ainda se encontrava perdidamente apaixonado. Não precisou olhar para trás para senti-la ao seu lado, escolheu virar o rosto para encontrar as orbes cintilantes. Pensou em dizer algo, pensou em desviar a atenção para a rua vazia, pensou em dar meia volta para longe daquele precipício. Sentia em seu estômago a queda, o vento que lhe arrepiava por inteiro, a garganta secando conforme uma estranha sensação asfixiante disparava seu coração.

Tentou não pensar em demasia ao passar o braço pelos ombros dela, inclinando-se para deixar um beijo nos cabelos ruivos. Só pôde sorrir quando ela enlaçou sua cintura antes de lhe abraçar, dissipando qualquer resquício de rejeição dos últimos meses.

— Também está sentindo tudo diferente? — Rose perguntou, aconchegando o rosto no tórax do rapaz que, embasbacado, mal conseguia processar o que acabara de escutar. — Como se alguma peça tivesse sido encaixada…

Scorpius, sem pretensões de responder, permaneceu em silêncio. Fechou os olhos com o rosto encostado ao dela, tentou desvencilhar-se da angústia que parecia ficar mais forte a cada instante. Não sabia se era por tudo o que tinham ou não tinham, mas queriam, ter vivido. Ou melhor, tinha, não tinha e queria. Apesar de em nenhum momento ter deixado de pensar em Rose, não poderia pensar por ela, não poderia afirmar com convicção o que aconteceria dali para frente em nome dos dois. Sua única incerteza era que, naquele momento, tudo estava em ordem. Por isso, sentiu-se ainda mais desesperançoso.

Afastou-se um pouco de Rose para poder tocar-lhe o rosto, desenhar o contorno de sua boca com o polegar, levar a mão por debaixo dos cabelos ruivos e segurar a sua nuca.

— Eu sinto como se... — engoliu em seco, segurando sua cintura com a mão livre. Ela lhe fitava com atenção, esgueirando os braços por seu pescoço para mexer no cabelo loiro. — Como se isso não fosse real.

— Talvez tudo isso seja real demais em visto tudo o que passamos. Parece que ficamos longe por muito tempo — ele assentiu, encostando suas testas. Respirou fundo, não sentindo os pulmões encherem completamente de ar. — Ainda sabe que te amo?

Por mais fácil que parecesse dizer que sim, não foi uma missão fácil para Scorpius acreditar na tentativa de colocar mais uma peça do quebra-cabeça no lugar. Sem pestanejar, ele a amava e isso estava mais do que óbvio; mas Rose? Havia sobrado algum estilhaço?

Ele riu para calar o próprio coração, os lábios deram asilo para um sorriso furtivo cheio de expectativas frustradas, a mente procurou outro foco além de queixas impossíveis de serem resolvidas, e a carne enfim cedeu ao desejo de ter de volta o que lhe fora roubado. Ao fim das contas, mesmo que Rose não sentisse uma paixão tão vívida lhe arder a pele, Scorpius estaria disposto a conquistá-la quantas vezes fosse necessário, porque beijar-lhe a boca, sentir o calor que ela emanava, poder incluí-la num futuro dubitável e permanecer ao seu lado era, independentemente das consequências que a juventude lhe impedia de enxergar de forma tão clara, o que ele ansiava. A única coisa que continuava desordenada, embora pudesse encontrar diversas justificativas, era o arder de seus olhos, o desespero de que tudo aquilo não passasse de uma miragem, o sufoco que aos poucos comprimia sua caixa toráxica. Quando encostou seus lábios nos de Rose, suas mãos gelaram à medida que seu coração pareceu tropeçar nas próprias batidas. De fato parecia um sonho o privilégio de ver-se rendido àquele emaranhado de sentimentos cujo início já não se via mais capaz de achar.

Não tiveram nem pressa, mas o mundo ao redor parecia começar a se agitar aos poucos num evidente protesto contra mais um ato de amor, ou numa reclamação para que este de fato acontecesse. A inofensiva brisa havia se tornado um vento forte que arrastava as folhas das árvores e das calçadas ao redor deles, como se sua intenção fosse realmente provar que algo poderia distanciá-los mais uma vez. Scorpius quebrou o beijo para tentar entender o que acontecia; acariciou a bochecha de Rose com o polegar ao ver seus cabelos bagunçados flutuarem, causando um dos sorrisos mais dóceis que poderia, um dia, ver. Preocupou-se, porém, quando teve certeza de ver a imagem da garota começar a ficar mais opaca.

— Por que parece que você vai desaparecer? — selando seus lábios mais uma vez, Scorpius tentou controlar a ardência de seus olhos. Ela negou com a cabeça, envolvendo-o pelo pescoço num abraço apertado. — Rose, eu acho que-

'Tá bom, chega, você já olhou demais. Seja lá o que estiver vendo, Scorpius, é a minha vez — a voz de Alvo reverberou pela rua. Pela expressão tranquila de Rose, parecia não ter ouvido nada, o que era ligeiramente estranho.

— Você ouviu isso? — com a sobrancelha arqueada, ela negou. Selou seus lábios mais uma vez, desvencilhando-se dele. — Mesmo?

— Mesmo. Leo deve estar te chamando em pensamento. Vou ver como ele está — ela deu alguns passos, demorando para desentrelaçar os dedos. — Não demore ou esse vento pode te fazer sair voando...

Scorpius, porra! O que está vendo aí?

Passando a mão pelo rosto, ele imaginou que tudo só poderia ser uma brincadeira de muito mau gosto. Olhou para cima mecanicamente, começando a sentir mais uma vez a sensação de queda mexer com seu estômago. Através das nuvens e das folhas que flutuavam, pôde enxergar as próprias orbes cinzentas atentas, vazias e aparentemente em transe. Ao abaixar o rosto, viu que Rose desaparecia conforme se aproximava da casa branca dos Weasley.

— Rose! — ele gritou fazendo-a se virar, a feição ainda tranquila. — Ainda sabe que te amo?

Ele a viu sorrir, mas não pôde ouvir sua resposta porque, num piscar de olhos, estava dentro da sala de adivinhação, em Hogwarts, com uma bola de cristal em sua frente e uma insistente sensação de vazio dentro de si. Alvo, aparentemente entediado, o encarava um pouco curioso, mas o que havia permanecido em sua mente não era suficiente para acabar com a ânsia de futuro de adolescentes à beira da vida adulta. Scorpius relaxou os ombros ao olhar ao redor e ver que estava a salvo do vendaval que havia presenciado.

— Isso foi muito louco — disse após alguns instantes, esforçando-se para conectar algumas imagens aleatórias que zanzavam pela sua consciência.

— Seja mais específico — o Potter pediu, escorando o rosto na mão. — Normalmente quando isso dá certo as pessoas têm algo concreto para dizer. Por exemplo, “eu escutei o que o seu irmão vai falar quando você apresentar a sua namorada para a família no natal” ou “eu vi que o Adam e a Lily estão ficando e escondendo de você” ou “amarre os seus cadarços na próxima quarta-feira porque você pode tropeçar e cair do quarto andar”. O que você viu?

— Uma casa branca.

— Fala sério — revirou os olhos. — Você ficou pálido desse jeito porque viu uma casa? Pensei que tinha visto Voldemort. Não lembra de mais nada?

— Hã, uma constelação.

— Constelação?

— É, constelação de leão.

— Você é um trasgo, Scorpius, sério — negou com a cabeça. — Como, diabos, a gente vai fazer esse trabalho? A não ser que eu veja uma profecia nessa porcaria, estamos fodidos. Por que eu aceitei fazer essa matéria com você? Eu nem sou bom em questões de… De…

— Questões de vida? — foi Roxanne quem sugeriu, sentando-se ao lado de Scorpius com um largo sorriso. — Precisam de ajuda?

— Não, porque não tem nenhuma possibilidade de conseguirmos fazer essa merda. Como vamos fazer o trabalho se não conseguimos ver nada?! — com os braços cruzados, Alvo bufou.

— Você ainda nem tentou. E eu vi, apenas não lembro muito bem — Scorpius se defendeu, aproximando-se do cristal para ver se conseguia enxergar a garota com quem falava.

— Não é nada muito elaborado. A professora só quer um relato de experiência para tentar ter uma noção da habilidade de cada um. No próximo semestre vai acontecer uma seleção para estágios no Ministério, talvez até para o Departamento de Mistérios. Ninguém sabe ainda — deu ombros, enrolando os cabelos encaracolados de um lado do ombro. — E o Scorpius esquecer é um bom sinal.

— É? — os dois falaram juntos, meio desconfiados. Roxanne assentiu.

— Ver o futuro de outra pessoa é uma coisa, ver o nosso próprio é outra. Você precisaria de muita magia para quebrar a barreira de introspecção. Se serve de consolo, o que está lembrando pode servir de… Direção ou algo do tipo.

— Uma casa branca e a constelação de leão não parecem boas direções. Fáceis demais de serem confundidas — Scorpius não teve como refutar o amigo, embora não estivesse muito disposto para tal. Uma sensação estranha lhe apertava a garganta, como se algo houvesse escapado pelos vãos dos dedos.

— Não dá para confundir o futuro — Roxanne se levantou, dando dois toques na bola de cristal com a ponta da unha.

— Tem certeza? — apesar do tom incrédulo de Alvo, a Weasley sorriu.

— Ele está dentro de nós.

Scorpius apoiou o braço sobre a mesa quando Roxanne se afastou e Alvo começou a falar sobre como ela parecia mais poética do que a vida jamais seria. Seu amigo precisou de várias chances para conseguir se concentrar naquele cristal mágico, resmungou incontáveis vezes sobre como aquilo era ridículo e enfatizou que o futuro não parecia estar dentro de si. Não viu nenhum cadarço desamarrado, possíveis piadas do seu irmão durante o Natal e nem teve dicas se Adam e Lily estavam ou não ficando. O que ficou ressoando dentro de si foi a própria voz num grunhido de profundo amargor, dizendo: me faça o favor de nunca mais olhar para mim, esqueça ela e siga a porra da sua vida, porque pra mim isso se chama traição, filho da puta. Contudo, com o passar dos dias, as palavras deixavam de ser tão claras e quando foi para casa durante o recesso a sua única preocupação era ir na festa dos Scamander, apresentar Alice como sua namorada e convencer Scorpius a passar a véspera na Toca. Nada mais importava, tampouco lhe traria uma sensação mais profunda do que um mero déjà vu.

Numa escala de prioridades, o Malfoy não tinha muito a enumerar também. Havia terminado um relacionamento há um tempo, não via a necessidade ou a mínima perspectiva de ser levado a sério por alguém e, ainda, se pegava olhando para o céu encoberto para achar alguma estrela da constelação de leão. Na noite anterior em que partiriam, Alvo o encobriu para que pudessem ir cada um para um lado do castelo fazer o que bem entendessem. Scorpius nem perguntou o que ele faria na sala de poções que Slughorn o deixava usar, tampouco disse o motivo de querer se exilar na Torre de Astronomia. Àquela altura do ano letivo, tomar um pouco de ar fresco não parecia ser algo de outro mundo. ele percebeu que talvez fosse uma necessidade coletiva quando deu de topo com Rose Weasley, tão feliz quanto ele, andando de um lado para o outro com calças de pijamas, pantufas e um suéter muito parecido com o do Potter, mas com a letra R estampada.

— Weasley — saudou um pouco alto, interrompendo a caminhada existencial dela. Rose levou a mão ao coração antes de passar a mão pelo rosto.

— Quer me matar de susto? — grunhiu em tom baixo. Não era uma grande novidade ela estar irritada.

— Não seria uma má ideia — deu ombros, aproximando-se em passos lentos. — O que faz aqui? Está esperando o Wood?

— Apesar de não ser da sua conta, por que eu estaria esperando o Brian? — ela cruzou os braços conforme franziu o cenho.

— Por que ele é o seu namorado? — a expressão de desentendida o fez rir e encará-la mais de perto. — Por que é o último dia antes do recesso? Por que namorados saem dos dormitórios para darem uns amassos?

— Você acha que eu tenho cara de quem sai para dar uns amassos?

— Hm, não — ele endireitou a postura, enfiando os dedos nos bolsos da calça de moletom. — Por isso tem essa cara de azeda.

— E qual é a sua desculpa?

— Ver você me deixa azedo, Weasley — sorriu cínico, desviando o olhar para o céu nublado. Apesar de ligeiramente frustrado, voltou a fitar a ruiva. — E afinal de contas, o que está fazendo aqui se não vai encontrar o Wood?

— Não se pode mais respirar um ar fresco em paz?

— Parece que não. Se importa se eu ficar?

— Você vai calar a boca?

Scorpius assentiu antes de passar por ela em direção ao parapeito. Rose Weasley não era a sua pessoa favorita no mundo e nem tinha nada muito específico contra ela — mesmo que a considerasse uma pessoa exageradamente séria —, por isso que não seria tão torturante assim tê-la quase fazendo um buraco no chão logo atrás de si. Não se importou em ficar ali tentando achar estrelas no céu, às vezes ouvindo alguns suspiros longos e murmúrios baixos demais para serem compreendidos. Ela não parecia estar nos melhores dias, mas não seria ele quem perguntaria o motivo; não eram amigos, apenas se divertiam às custas um do outro quando engatavam em debates sem sentido.

Eles tiveram a oportunidade de se encontrarem novamente na festa dos Scamander, alguns dias depois.

— Weasley — ele respirou fundo, tomando coragem para se aproximar dela —, eu realmente não esperava te encontrar aqui — tentou sorrir ao ocupar o lugar vago no sofá. Deixou a garrafa em cima da mesa de centro e recostou no estofado antes de erguer os olhos para fitá-la, um tanto incerto quanto o que deveria dizer. Não tinham muito assunto, no final das contas. — Pensei que estaria ocupada com o seu querido Wood.

— Digo o mesmo, Malfoy — sem tirar a atenção dos próprios sapatos, resmungou, dando um belo fim à tentativa dele de ser, pelo menos, cordial. — Mas para você ver como a vida é engraçada. Uma hora estamos por cima e outra estamos por baixo. Ou você acha que estava nos meus planos vir para essa festa?

— Você não tem cara de quem faz coisa sem pensar, então… Talvez em algum nível você tenha considerado a ideia — deu ombros. Ela ergueu o olhar, apoiando braços na perna cruzada. — Mas eu entendo o que quer dizer. Meu plano era tentar me reconciliar com a minha ex, mas acho que o universo ou sei lá o que não aprovou muito a ideia.

— Britney? — ele assentiu a contragosto enquanto pegava dois copos para colocar um pouco de firewhisky. — Vocês ainda estão... Indo e voltando?

— Não mais — sorriu ao lhe estender a bebida. Tomou um gole e, em seguida, acrescentou: — Ela quis terminar. Depois de um ano atormentando a minha vida ela decidiu que “seria melhor para nós darmos um tempo”.

— Entendo. Brian me disse a mesma coisa hoje, a diferença é que ele não tem motivos suficientemente satisfatórios para tal… Atitude.

— Ela também não tem, Weasley. Eu sou um excelente namorado.

— Era — corrigiu Rose, contendo a risada. Scorpius negou com a cabeça, estendendo o braço pelo sofá; os lábios começando a formar um sorriso.

— Acho que o grande problema foi que ela não me leva muito a sério e, por isso, acha que a recíproca é verdadeira. Sendo que… Eu fiz minha parte. Não demos certo e… Tudo bem, acontece.

— Eu também não te levaria a sério — Scorpius jogou a cabeça para trás, incrédulo.

— Fala sério, Weasley. Cinco meses de puro compromisso e…

— Amor? — tentou concluir por ele. Quando Scorpius ficou quieto por longos segundos, tudo pareceu fazer sentido na cabeça da ruiva. — Você não ama ela — Scorpius negou veemente. — E nem é apaixonado.

— Eu cheguei em um ponto que eu quero ter uma namorada de verdade, sabe, Weasley, mas não dá para eu forçar um sentimento — suspirou. Rose meneou a cabeça antes de tomar a bebida e fechou os olhos ao sentir, provavelmente, a ardência na garganta. — Você também não ama o Wood.

— Nem um pouco.

— Temos dezessete anos, não dá para amarmos ninguém da noite pro dia.

— Acho que é a primeira coisa sensata que sai da sua boca, Malfoy — ele concordou com uma risada.

— Às vezes isso acontece... — Rose sorriu, relaxando os ombros ao se aconchegar melhor no sofá. — E o que houve com você e ele?

— Digamos que tivemos um grande desentendimento — ele arqueou as sobrancelhas.

— E aí você decidiu vir para uma festa — ela assentiu. — Sem ele saber, imagino.

— Talvez eu esteja choramingando no ombro da minha mãe enquanto como um pote de sorvete inteiro nesse exato momento — suspirou. — Ele nem gosta dos Scamander.

— Entendo.

Scorpius não soube se deveria continuar a conversa ou não. Rose nunca parecia tão disposta a falar sobre as próprias fraquezas e longe dele querer algo do tipo; era apenas uma festa para poderem relaxar a cabeça depois de um semestre aterrorizante, não queria arrumar encrenca com ela nem nada do tipo. Apenas estava disposto a ter uma conversa decente. E mesmo que isso não acontecesse com tanta frequência, não estava tão animado para acompanhar Zabini em delírios adolescentes. Talvez teria sido melhor ficar em casa para, simplesmente, descansar.

Rose ficou olhando para o estofado com as orbes bem atentas durante um bom tempo sem dizer nada. O silêncio entre eles parecia insignificante perto da música estrondosa da casa e nada impediria que um dos dois se levantasse e fosse dar um volta para nunca mais voltar. Contudo, Scorpius estava bem confortável, mesmo que perdido sobre o que poderiam conversar. Ele não era o melhor quando o assunto era Rose Weasley. Já havia aceitado o fato que ela se dava bem em mais matérias do que ele, de que as pessoas poderiam preferir a companhia dela pela sua seriedade e, além do mais, ela era bonita. Um pouco chata, mas bonita, e ele não sabia como agir perto dela. Não queria soar arrogante, chato, nem acabar ofendendo ela de alguma forma estúpida. Por isso, ficou quieto, até o momento em que ela começou a rir sozinha.

— Eu… — sem conseguir controlar a risada nervosa, ela passou a mão pelos cabelos. Scorpius ergueu os olhos, curioso, com o canto dos lábios formando um sorriso. — Eu e o Brian brigamos. Sabe, apesar de ter uma pequena chance de eu estar errada e ter entendido tudo errado… Eu… Eu acho que nós não estamos mais dando certo. No começo ele foi muito atencioso e até tentou me entender e fazer as coisas funcionarem. Depois de alguns meses começou a implicância comigo, essa história de mudanças e sei lá o que.

Scorpius pendeu a cabeça. É claro que Wood apontaria milhões de mudanças em Rose; ele era patético, nunca aguentaria ter uma garota como ela ao lado. Não havia absolutamente nada de errado com ela. Nem com a forma de ser, nem com qualquer outra futilidade; era um pouco nervosa sim, ficar brava e atingir novas nuances de vermelho era apenas um charme. Foi a vez dele deixar escapar uma risada, sem saber muito o que responder enquanto pensava que, no final das contas, a estupidez de Wood poderia se provar como sendo algo bom.

Chacoalhou a cabeça, afastando a remota possibilidade que sua mente parecia lhe mostrar; provavelmente era o efeito do álcool.

— Eu me cansei disso e tivemos uma discussão que… Sei lá — ela deu ombros. — Não me faz bem ficar com ele, porque sempre nos desentendemos pelo mesmo motivo. Sendo sincera, não vejo motivos para insistir.

— Pensei que você fosse mais resistente... — a ruiva abriu a boca, incrédula, e ele logo tratou de se retificar para aliviar o clima: — Digo, nós brigamos toda hora pelo mesmo motivo. Você insiste em não aceitar a ideia de que eu sou muito melhor do que você na maioria das matérias. Eu diria que sou o melhor aluno.

— Exatamente por isso que você está quase como trasgo em adivinhação, não é?

— É um argumento inválido. Você não faz adivinhação.

— Mas vou muito bem em aritmância avan-

— Aritmância avançada — ele a remedou, revirando os olhos, fazendo-a rir. — Inválido. Para todos os efeitos, acho que estamos na mesma, Weasley.

— Estamos?

— É claro. Por que não brindamos por essa semelhança?

Pareceu uma ideia excelente. Os dois estavam meio tristonhos, então não haveria motivos para competirem ou acharem motivos para ficarem gastando saliva à toa. Estavam precisando de uma trégua do cruel mundo da desilusão amorosa. E pior do que estava definitivamente não ficaria.

Sorriram em cumplicidade — algo novo para ambos — e começaram a falar de assuntos não tão pesados enquanto as horas se passavam. Apesar de nunca terem tido uma conversa para descobrirem alguns detalhes como a cor favorita ou o que mais gostava, aprenderam bastante com os anos que passaram discordando sobre futilidades pelos corredores de Hogwarts. Inclusive como a voz de Rose era potente quando ficava nervosa com ele e Albus. Depois de duas horas conversando naquele sofá, os ombros de ambos pareciam estar livres de qualquer peso, nada mais fazia tanto sentido e as emoções, que antes pareciam apocalípticas, tomaram proporções mais simples.

Aos poucos e sorrateiramente, ambos tinham se aproximado um do outro com a possível justificativa de que seria mais fácil de ouvir o que tanto conversavam se estivessem mais próximos. Contudo, nenhuma explicação caberia para a mecha de cabelo enrolada nos dedos de Scorpius por trás da nuca de Rose, ou dos pés dela que tocavam a perna do rapaz.

— É, você tem razão, Scorpius, eu preciso desencanar — ponderou num suspiro, sustentando o olhar demorado que trocavam. Era como se, naquele momento, qualquer palavra fosse mera trivialidade.

Foi Scorpius quem primeiro cedeu, descendo a atenção para os lábios entreabertos da garota. O batom escuro ainda estava intacto. Sentindo vontade de ficar ainda mais perto, soltou a mecha que enrolava para tocar sua nuca por debaixo do cabelo; a reação de Rose foi inspirar todo o ar dos pulmões, piscando algumas vezes ao sentir o polegar acariciar sua bochecha e parar bem no canto de sua boca.

— Acho que vou pegar um pouco de água de gilly. Você quer? — ela disse de repente, atraindo a atenção dele para seus olhos.

Scorpius não teria concordado caso soubesse que ela se levantaria naquele mesmo instante. Praguejou ao vê-la andar em direção a cozinha,] e se apressou em segui-la, puxando-a pela mão antes que se metesse no meio das pessoas que deixavam aquele pequeno cômodo ainda menor. Ele conhecia bem a casa dos Scamander, embora não fosse tão próximo de Lorcan e Lysander, mas o suficiente para desbravar um corredor escuro no segundo andar. Rose nem pôde se fazer de desentendida quando ele parou de andar e se virou para segurar sua cintura com as duas mãos e beijá-la; fez questão de dar passos até a parede, envolver os braços em volta do pescoço de Scorpius e ficar entre suas pernas. Com a respiração um pouco comprometida, se esforçava para não se distanciar dele, do gosto de firewhisky, do perfume amadeirado que ele exalava, mas foi difícil não se dar uma pausa para suspirar ao sentir as mãos dele descerem pelas suas costas em direção a sua bunda, trazendo-a para ainda mais perto de si.

Não dava nem para calcular há quanto tempo não se viam imersos num turbilhão daquele, respirando um ar mais denso, procurando o calor de outra pessoa e o recebendo. Embora soubessem que algumas pessoas poderiam estar passando por aquele corredor, não se importaram. Só se distanciaram quando Scorpius inverteu suas posições, erguendo Rose do chão, sustentando-a na parede com a pressão do próprio corpo. Aproveitou para beijar seu pescoço, descer com beijos sem muito pudor pelo decote comportado. Levando a mão para o seio da garota, ainda por cima da blusa, a ouviu gemer e foi puxado de volta para a realidade: precisavam e queriam mais privacidade.

Entraram na primeira porta que viram, onde por sorte parecia ser uma sala de leitura ou algo do tipo. Scorpius sentou-se no sofá, puxou Rose para sentar-se em cima da ereção já evidente enquanto ía com a mão por debaixo do tecido preto, alcançando a pele perto do sutiã. Ela segurou seus cabelos com força, beijando-o como nunca antes havia sequer imaginado. Só foram abrir os olhos quando começaram a sentir um calor ainda maior e uma vontade inexplicável de avançar o estágio; num ato de apelo, tiveram uma ideia que, na hora, parecia ser a melhor. Arrumaram-se como melhor puderam antes de sair às pressas da sala e irem até a lareira para, em questão de instantes, estarem na casa da Weasley. Subiram as escadas sem muita cautela; Ronald e Hermione haviam saído, Hugo estava na festa e eles desesperados para chegarem logo ao quarto de Rose. Enfeitiçaram o cômodo para que ninguém pudesse ouvi-los e quando se sentiram enfim seguros, Scorpius não mediu esforços para manter Rose entre seus braços.

Na manhã seguinte, Scorpius ainda conseguia sentir os resquícios de tudo o que havia acontecido. Acordou ao ouvir um sussurro muito vívido bem perto de si e uma certa movimentação na cama.

Meu Merlin… — mesmo com a claridade dificultando sua visão, pôde ver que Rose já não estava mais deitada ao seu lado. Mexeu-se na cama, tentando ficar com os olhos abertos para ver o que ela estava fazendo, coberta com apenas um pedaço do edredom que dividiam.

Como de costume, Rose praguejava baixinho e Scorpius mal conseguia entender o que ela dizia. Porém, ao vê-la pegar um aparelho retangular trouxa que chamavam de celular, ele pareceu entender a situação.

— Muitas mensagens? — ele perguntou sonolento, enfiando o rosto entre os travesseiros. Não houve resposta.

Demorou um pouco para que ele tivesse forças para sentar-se direito e, quem sabe, tentar trocar algumas palavras com ela para ver o quão desastrosa era a situação na qual tinham se metido. Quando o fez, Rose deu meia volta, encarando-o com uma expressão impassível e respirando penosamente.

— Você está bem? — ele resolveu perguntar, coçando os olhos. Rose assentiu sem muita convicção. — As mensagens são do Wood? — ela repetiu o gesto. — Está se sentindo... Como está se sentindo?

O silêncio foi a grande resposta enquanto ela voltava para a cama, enfiando-se por baixo dos cobertores. Recostou a cabeça na cabeceira, fechou os olhos e fez algumas caretas que, definitivamente, escapavam à compreensão de Scorpius. Dez, quinze ou vinte minutos se passaram sem que trocassem uma palavra, até que a realidade bateu à porta, literalmente.

Rose? Já acordou, querida? — era Hermione, como fazia em todas as manhãs. Rose apenas permaneceu calada, esperando ouvir os passos se distanciando pelo corredor. Suspirou aliviada por ela não ter tentado entrar.

Foi a deixa que Scorpius precisava para se levantar e ir atrás de suas roupas jogadas no chão. Por sorte estava de cueca, o que não os deixaria ainda mais constrangidos. Vestiu-se em frente ao espelho, distraindo-se um pouco com a neve fina que podia ver através da janela. Uma estranha sensação de queda o fez perder o ar ao assistir as árvores serem atingidas violentamente pelo forte vento que direcionava a neve. Aproximou-se um pouco mais da vidraça na tentativa de enxergar melhor aquela rua; parecia estranhamente familiar, embora tivesse certeza de que nunca pisara na casa dos Weasley.

— Então... — pigarreou ao voltar sua atenção para o espelho. Fitou o reflexo de Rose, ponderando sobre o que deveria dizer. — Essa noite foi-

— Estranha — ela completou sem muita dificuldade. — E não vai se repetir, se é o que está pensando.

— Não estou pensando em nada. Apenas ia dizer que foi boa, mas não posso negar que foi um pouco inusitado — sorriu tentando descontrair o clima. — Normalmente não sou bom adivinhando coisas, mas... — virou-se para ela, passando as mãos pelo cabelo. — Acho que está assim porque... Quer fingir que nada aconteceu ou algo do tipo?

— Seria ótimo, se você concordar — prontamente ele assentiu enquanto colocava os sapatos, causando um longo suspirar por parte dela.

— Então… — disse Scorpius, ajeitando o sobretudo. Ele deu meia volta para ir até a cama e inclinou-se para beijar a bochecha dela antes de aparatar. — Até mais, Weasley.

Com os corações genuinamente descompassados e os pensamentos instáveis pelo turbilhão de incertezas, despediram-se para que a história deles pudesse, enfim, começar, embora não houvesse uma possibilidade sequer de imaginarem a sequência de acontecimentos que sucederia a festa dos Scamander ou vivenciá-las como se não fosse a primeira vez, mesmo que ilógica e insensata, inevitavelmente à mercê de duas linhas inseparáveis: o destino, que se incumbiria de fazer qualquer contorcionismo para vê-los juntos, e o amor, que lhes daria um final feliz quando pudessem compreender que o melhor remédio para curar suas dores seria a coragem de enfrentar o mundo de frente por uma razão incandescente dentro do peito, e que viver tudo outra vez não era apenas uma declaração ultrapassada.

Teriam que reviver para poderem se lançar de uma vez em direção ao destino adorável que já lhes pertencia, seguros que o amor era o que os unia e os esperava na linha de chegada.

FIM

Notas finais
Talvez essa seja a scorose com menos scorose que vocês já leram — mas pelo menos não foi uma scorly disfarçada! kkkkkkkkkkkkk. Pensei e repensei sobre esse capítulo várias vezes, porque o que eu tinha pensado há anos não cabia mais para essa história. Não ornaria em nada um final convencional. Vamos aos esclarecimentos: *A visão do Scorpius aconteceu antes do recesso de inverno, período em que teve a festa dos Scamander e o início da história (o prólogo começa com eles acordando juntos, mas no ponto de vista da Rose) *Como já viram, o Scorpius não se lembrou da visão e apenas alguns resquícios permaneceram: a casa branca e a constelação de leão. No prólogo está escrito que ele olhou pela janela por um tempo, e isso casa com ele olhando aqui no final, tendo um certo déjà vu *Possivelmente a história se repete. Na verdade, acontece. *O final deles pode seguir a teoria de cada um de vocês. Leo realmente estava chorando e, por isso, Rose entrou? Scorpius a seguiu? Tudo recomeçou? Ou o final ideal seria uma festinha de aniversário do Leo? Olhem as bolas de cristais de vocês para enxergarem o final. Não sei se vocês esperavam por isso, mas não posso dizer que não estou satisfeita. Um final fechado não combinaria com LDA, definitivamente. Quando olho para esses 35 capítulos, nem sei o que pensar. No prólogo, 15 anos. No último, 21. Com a visão de hoje, eu mudaria muitas coisas na escrita, no plot, em tudo. Porém, seria inválido ignorar a minha construção de anos por mero capricho do meu ego. Quero agradecer de coração a todo mundo que acompanhou essa história comigo todo esse tempo, a todos os comentários, favoritos e recomendações; surtos no twitter, críticas, elogios, gentilezas e carinho. Obrigada aos que não desistiram, obrigada aos que formularam teorias maravilhosas, obrigada aos que me deram apoio e tanto carinho ♥ Aqui nos despedimos, porém não para sempre. Como uma boa scorosete, sempre estou escrevendo e lendo sobre eles. Juro que a partir de agora vou me empenhar mais nas comédias românticas para aliviar essa barra que é ser scorosete kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk sempre estou no twitter @itstahii surtando por eles hihihi Novamente, MUITO OBRIGADA por TUDO! ♥ Um grande beijo para vocês com muito amor, Tahii ♥ ♥ ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!