Legami Di Amore

30 Desiderare


Notas iniciais
OIEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE! Tudo bem com vocês, pessoal? Espero que sim ♥ Não tenho PALAVRAS para agradecer todo o carinho de vocês! Os comentários, as mensagens, tudo, tudo, tudo! Muito obrigado a todos que estão acompanhando essa história ♥ ♥ ♥ Esse capítulo é um pouco tenso. Vamos ver um pouco a perspectiva do Scorpius e uma personagem querida vai aparecer para quebrar alguns paradigmas, coitada! Hmmmmm..... E teremos um depoimento importante, é claro! Espero que gostem! Boa leitura ♥ ► PLAYLIST https://www.youtube.com/watch?v=tNx1y8AXZxw&list=PLm_bv0SbG68UdaGyxvje2S6Vyd79Z5tmc *Desiderare = Querer

Scorpius pôs o balde verde que segurava no chão, jogou a esponja e o pano dentro dele e sentou-se na beirada da calçada ao lado do Ford Anglia que lavava fora da garagem; sua camiseta estava suja, os pés molhados e parecia que havia lavado um trem, não um automóvel — mesmo que não tivesse certeza se o havia feito certo. Ronald havia lhe deixado algumas instruções básicas e, bem, ele não tinha tanta coisa assim para fazer e decidiu que poderia ser algo bom. Até que foi. Finalmente, sentia-se cansado.

Os Weasley moravam num sobrado branco, com um jardim agradável na frente e os vizinhos pareciam ser normais. Ele sempre ouvia Hermione conversando com um garoto baixinho que morava ao lado, via uma senhora passeando com seu yorkshire cardíaco e algumas crianças andando de bicicleta; era um bairro normal, mais ou menos nobre segundo sua concepção, numa Londres um pouco pacata e melancólica. Mas, naquela tarde em específico, gostou de ficar olhando o sol que já estava prestes a começar se esconder na rua que parecia não ter fim. Suspirou, abraçando seus joelhos e repousando a cabeça sobre eles. Não queria pensar em nada. Não queria sentir nada. Queria dormir e acordar num tempo em que tudo pudesse fazer sentido de novo.

Rose estava lá dentro junto com Roxanne, que se empenhava todos os dias em distraí-la da… Realidade? Scorpius não sabia a finalidade, pois se via incapaz de deixar de se preocupar com as coisas. O que faria depois que Leo nascesse? Rose continuaria para sempre como estava? Qual seria a probabilidade de tudo ser uma grande prova de que eles não nasceram para ficarem juntos? Por que ele estava ali? Não deveria estar fazendo algo? Estudando? Trabalhando? Sendo útil de algum jeito? Mal sabia lavar um carro, como iria sobreviver tendo que aguentar o mundo e, já que não tinha opções viáveis, aguentar seu próprio eu?

Sem respostas, ficou por um bom tempo na calçada, esperando um milagre. Quando ouviu o cachorro da casa da frente latir, ergueu os olhos para lhe fitar e percebeu que talvez devesse guardar o carro para que não corresse o risco de ficar menos limpo. Levantando-se da calçada, apoiou-se no capô fechando os olhos enquanto respirava fundo e tentava, com todas as suas forças, permanecer ali, não aparatar em sua casa, trancar-se no seu quarto e seguir sua vida sozinho. Ergueu a cabeça, com lágrimas escorrendo pelo seu rosto e uma tremenda dificuldade de respirar; encarou a quase infinitude da rua com o desejo de sair andando, de deixar tudo para trás.

— Está com medo? — uma voz familiar lhe fez desabar em lágrimas que faziam seu coração arder. Seu choro poderia ser escutado no quarteirão da frente, no do lado também, e até de dentro do sobrado branco. — Eu também estaria — ele sentiu o calor da mão quente que lhe fez carinho nos ombros, passou a mão pelas suas costas e pelo seu cabelo suado, sentiu o perfume que lhe lembrava o que era lar e foi confortado por um amor que transbordava.

— Eu não sei o que vou fazer, mãe — Scorpius fungou, passando o dorso da mão em seus olhos. Astoria lhe abraçou.

— O que quer fazer?

— Viver em paz seria um bom começo.

— Uma hora ela vai chegar… Essa paz… A felicidade também chega, mas vai embora, assim como a tristeza, o cansaço, a fome, a saciedade, tudo na vida é assim. Tudo vem, tudo vai, e nós ficamos à mercê do acaso, das nossas escolhas, dos pequenos momentos que vivemos e que gostaríamos que se repetissem. Não tem outro jeito.

Scorpius assentiu, endireitando-se para poder respirar fundo e ver que, embora parecesse uma miragem, sua mãe estava ali com um sorriso terno e expressão de preocupada, passando os dedos pela bochecha de seu garotinho.

— O que está fazendo aqui?

— Vim fazer uma visita para a mãe do meu neto, é claro, e ver se o meu filho está bem, já que não me manda mais sinal de vida — ele rolou os olhos, rindo da careta que Astoria fez. Os dois se encostaram no carro. — Seu pai me conta como estão as coisas por aqui, comentou sobre o inquérito e sobre o colar. E, sendo sincera, não havia percebido a ausência dele, embora me recorde muito bem de quando o seu pai me deu. Ele não sabia muito bem como dizer que havia caído no meu charme irresistível — deu ombros —, e me presenteou com ele. Fiquei consideravelmente feliz quando descobri que você o deu para Rose, o que me levou a pensar que talvez eu devesse conhecê-la, de fato, e me desculpar pela minha postura na formatura de vocês.

— Seu filho está vivo, e ela está lá dentro — apontou para o sobrado. — Quer que eu te acompanhe?

— Hm, embora você esteja muito bonito com essa camiseta suja e cabelo pingando suor, Scorpius, eu prefiro casualmente tocar a campainha e dizer que você, bem sem educação, falou que eu poderia entrar.

— Tá bom, então.

— Não quero que você faça sala, entende?

— Perfeitamente. Vou guardar esse carro na garagem.

— Vai me dizer que aprendeu a dirigir essa coisa?

— Claro que não — ele cruzou os braços, dando um sorrisinho de canto. — Meu querido sogro enfeitiçou essa beleza para que eu não corra o risco de fazê-lo atravessar a parede da casa.

— Sogro? Então eu vim visitar a minha nora.

— Ah, não. Estamos numa relação unilateral por enquanto — Scorpius suspirou, pegando a mão de Astoria para depositar um beijo. — Ignore qualquer rispidez dela, não tem sido fácil.

Astoria assentiu, acariciando o ombro do filho antes de ir até a porta de entrada da casa.

Tocou a campainha, deu um passo para trás, e uma garota de cabelos cacheados lhe atendeu. Ela tinha grandes olhos castanhos, uma expressão suave no rosto e, por algum motivo, sorriu.

— Oi — prontamente, a garota lhe estendeu a mão. Astoria demorou um pouco para apertá-la, rendendo-se depois de alguns instantes. — Você deve ser a mãe do Scorpius.

— Astoria.

— Isso. Eu sou a Roxanne, prima da Rose… Imagino que queira vê-la — Roxanne abriu a porta para que a mulher entrasse. — Scorpius não estava aqui na frente?

— Parece que vai guardar o carro.

— Hm, acho que vou ajudá-lo, então — ela deixou a porta entreaberta para guiar Astoria até a sala, onde Rose estava sentada no sofá comendo o que parecia ser um pudim. Ao perceber quem estava ali, a garota ruiva se endireitou e colocou o pratinho na mesa de centro.

— Por favor, não precisa se levantar — Astoria interrompeu seu movimento.

— Eu vou lá ajudar o Scorpius antes que seja tarde — Roxanne disse já a caminho da porta. Imediatamente, o silêncio preencheu a suposta paz que Rose havia recém-adquirido naquela tarde.

Era uma situação bastante estranha. Astoria imaginou que Rose estivesse pensando nisso enquanto encarava o chão porque… Sim, era complicado. Nunca haviam se falado, Rose não havia sido apresentada como uma namorada ou sequer citada uma vez como suposta paquera. Na verdade, Astoria descobriu quem era Rose Weasley por causa de seu marido.

O ano novo de Draco e Astoria havia sido junto com Daphne e sua família na Austrália. Foi consideravelmente difícil convencer Lucius e Narcisa a saírem de Wiltshire, ainda mais depois que Scorpius pediu se podia passar o fim de ano com Alvo na casa de seus avós. Draco adorava o menino Potter e Astoria, bom, costumava se render aos desejos do filho, o que resultou num recesso em que ficaram bem distantes. Porém, ela não imaginaria que seria algo além de uma questão física.

Ela e Scorpius tinham uma boa relação, Narcisa vivia apontando comportamentos de Scorpius que eram exclusivamente culpa dela. Scorpius sempre foi um garoto aberto, risonho, um pouco inconsequente e deliberadamente apaixonado, fazia as coisas com vontade — embora fosse muito preguiçoso, às vezes, principalmente para arrumar seu quarto — e não costumava reclamar das situações, além de que gostava de tirar Draco do sério apenas por questões de hobby. Só que as coisas se provaram ser um pouco diferentes do que Astoria achou que fosse.

Se a coisa ficasse séria, ou feia, Draco sempre seria o primeiro socorro de Scorpius, assim como foi quando Scorpius fez amizade com Alvo no primeiro ano, quando teve sua primeira briga em Hogwarts, a primeira namorada e quando quase explodiu a sala de Slughorn fazendo uma poção. Scorpius se abria completamente para o pai, independentemente se estivesse sentindo medo, raiva, amor, felicidade, tanto faz. Sempre era Draco. Astoria não achava isso ruim, apenas sentia que estava distante do filho. Não foi uma novidade quando Draco disse que tinham que conversar sobre algo que Scorpius havia lhe contado, sobre uma possível gravidez e possíveis desdobramentos disso. Astoria não sabia quem era Rose Weasley, havia tantos deles e…

— Não se devo me apresentar, ou-

— Eu sei quem você é, senhora Malfoy — Rose disse, cabisbaixa. — Nos vimos na formatura e não faz muito tempo.

— Gostaria que não tivéssemos nos visto, para ser franca — não foram palavras agradáveis, mas suficientes para que a garota tirasse seus lindos olhos verdes do chão. Astoria deu um sorriso de canto, continuando com sua postura ereta.

— E por que pensou que seria bom nos vermos de novo?

— Para recomeçar, é claro. Não acertamos o tempo todo, às vezes é necessário parar, procurar onde estamos errando e consertar. Nesse caso, precisamos recomeçar — Rose respirava compassadamente, sem nenhum indício de algo além de uma indiferença a qual já havia sido apresentada. Astoria deu alguns passos, ficando mais próxima da garota. — Eu não sou uma megera e você não é uma qualquer.

— Não precisa fazer isso só porque estou grávida do seu filho.

— Isso não é algo pequeno, Rose, não é insignificante. Mas devo dizer que o que me trouxe aqui foi o desejo de conhecer e de me desculpar pelo meu comportamento com a mulher que está não apenas carregando um bebê do meu filho, mas também seu coração — Rose assentiu, respirando profundamente. — Me desculpe, Rose, pela minha conduta.

— Não está sendo fácil para ninguém, senhora Malfoy.

— Eu sei que não.

— Não vai se sentar? — Rose perguntou, apontando o lugar ao seu lado. Astoria assentiu.

— Me chame de Astoria, a não ser que queira que eu te chame de senhorita Weasley — um sorriso nasceu nos lábios da garota. — Eu gostaria de te dizer que eu fiquei perdida quando Draco me deu a notícia, no dia em que Scorpius mandou a carta falando sobre o envenenamento e pedindo ajuda. Foi muita coisa. E sei que as coisas não têm sido fáceis para vocês.

— De forma alguma.

— Como você tem se sentido?

— Perdida, também. Extremamente confusa, com medo… E agora com essa história de inquérito não consigo parar de pensar em quem seria capaz de fazer isso e o que poderia tirar de vantagem.

— Às vezes não é questão de ganhar, apenas de ver o outro perder.

— Me ver perdendo meu filho?

— Já pensou que alguém pode querer que Scorpius te perca? — era uma questão que Rose não havia cogitado nem em seus pensamentos mais remotos, pelo simples fato de que às vezes a montanha russa que lhe guiava ia para o lado de uma vida sem Scorpius, o que lhe gerava uma forte sensação de paz. — Ou que você o perca.

— Na verdade, não.

— Sabe esse colar que ele te deu? Era meu. Draco me presenteou porque não era muito bom com palavras e, na cabeça dele, ele queria me dizer que estava gostando de mim de verdade, para não dizer que estava apaixonado. Acredito que Scorpius deva tê-lo usado para o mesmo fim.

— Scorpius está distante.

— De você?

— Não sei, já tentei explicar para ele. Faz muito tempo que não vejo brilho em seus olhos.

— Isso é uma metáfora? — Astoria arqueou a sobrancelha, causando uma risada em Rose.

— Literalmente, os olhos dele não tem mais brilho.

— E isso significa o que, para você? Que ele não te ama mais?

— Não sei.

— Rose — Astoria mexeu no cabelo, suspirando —, qualquer pessoa que olhe para a carinha do Scorpius consegue perceber que ele ama você, desesperadamente. Eu encontrei ele lá fora, chorando rios e mares, e nem isso impediu que eu conseguisse ver que se ele não tivesse um sentimento muito forte por você, provavelmente não estaria aqui. Eu entendo perfeitamente que você não está bem, mas não ache que ele esteja. Scorpius… Scorpius, ele… Ele está vendo você e o Leo sofrerem, está desejando um futuro melhor para vocês, está desejando que todos saiam dessa situação… Seus pais estão aflitos, Draco está aflito, eu estou aflita.

As palavras de Astoria pareceram um choque térmico, puxando-a para uma realidade que não passava em seu coração, tampouco em seus pensamentos confusos. Rose parecia estar anestesiada, sem condições para tirar conclusões, colocar-se no lugar do outro. O sofrimento das pessoas a sua volta era tão claro, mas ela parecia não conseguir ver. Talvez porque a prioridade fosse seu filho, talvez porque estivesse usando todas as suas forças e falhando miseravelmente.

[...]

— É um prazer conhecer você, Alvo — Ernesto Macmillan estendeu a mão para o garoto que prontamente a apertou; embora sorrisse, sua feição parecia um pouco cansada.

— Igualmente, senhor Macmillan.

— Ernesto, por favor — Alvo assentiu. — Você parece cansado hoje.

— Ando dormindo bem tarde, estou estudando a base de poções avançadas para o estágio.

— Vai se especializar em poções?

— Provavelmente.

— E onde é esse estágio?

— Nas Ilhas Remotas de Hermetray, foi o professor Slughorn que me ofereceu.

— Você realmente deve ter impressionado ele — Ernesto relaxou a postura em sua cadeira giratória, Alvo deu um risinho.

— Eu gosto muito do professor Slughorn… Na verdade eu sou um , mas prefiro o termo admirador para soar com um tom menos fanático. Acho que se não fosse ele, não teria me identificado tanto com poções.

— Você é um aluno excepcional em poções, suponho.

— É o que os meus NIEMS indicam.

— Acredito que devo lhe parabenizar pela conquista do estágio, embora eu esteja curioso sobre como você conquistou o coração do velho Slugh.

— Desde o primeiro ano eu achei ele super legal, ele me deu bastante apoio implícito quando eu fui selecionado para a sonserina e às vezes eu ficava para ajudar ele a corrigir deveres da minha sala porque eu gostava muito da aula dele e ele é muito bom para trocar ideia, entende? Aos poucos nós nos aproximamos, ele sempre me incentivou a praticar poções fora do horário e até melhorei meu rendimento em Herbologia por causa das plantas que às vezes eu preciso.

— Não é chegado em Herbologia?

— Ah, sou mais chegado na filha do professor, pra ser sincero — os dois deram risada. — Mas eu tenho um apreço pelo professor Longbottom, ele sempre me ajudou também a conseguir meus ingredientes, assim como o Slughorn.

— O lado positivo é que agora você pode conseguir seus ingredientes sozinho. É um pouco solitário, não acha?

— Concordo. Estou pensando em guardar alguns vidrinhos que eles me deram como lembrança.

— Você guarda eles?

— Lógico.... Mas meu malão comumente é revirado. Todo mundo acha que consegue achar qualquer coisa lá dentro, principalmente a capa do meu pai.

— Você usa bastante ela?

— Ah — Alvo ponderou, balançando a cabeça —, algumas vezes para encontrar a Alice à noite.

— Vocês namoram?

— Entre trancos e barrancos, sim.

— Brigam?

— De vez em quando. Nossa relação é boa, em geral, acredito que desentendimentos façam parte do pacote.

— Você está coberto de razão, devo dizer — Ernesto suspirou antes de abrir a gaveta e pegar seu bloco de anotações. — Aproveitando o assunto, o que você pode dizer de Rose e Scorpius?

— Que eles são um bom exemplo de como relacionamentos são complicados. Eles começaram a ter alguma coisa no final do ano passado, eu só fui descobrir quando encontrei a Rose passando mal depois de um jogo de quadribol.

— Como foi isso?

— Teve um jogo, ela passou mal, foi para o banheiro, eu estava com a Alice, vi ela e fui atrás. Eu não me lembro direito, mas ela estava chorando… Perguntei o que havia acontecido e ela respondeu Scorpius, aí ela disse que pensou que os cupcakes de amora selvagem tinham lhe feito mal.

— Ela comeu cupcakes com ele? — Ernesto estava com uma careta confusa no rosto, olhando para o menino Potter piscando sem parar como se buscasse detalhes em sua mente.

— Não. No dia dos namorados ela foi com o McLaggen para Hogsmeade.

— Ela não estava meio que... Junto com o Scorpius?

— Mais ou menos. Pelo o que eu entendi, eles ficaram e depois não definiram bem o que era, só sei que o Scorpius se envolveu com a Georgie, depois terminou, foi um rolo — o auror assentiu em concordância. — Mas aí foi com o McLaggen que ela comeu esses cupcakes, foi para a Ala Hospitalar e tudo. Só que ela tava passando mal pela gravidez e não sabia. Aí eu encontrei ela no banheiro, ouvi a explicação e então ela me contou que eles haviam… Feito.

— Hm… Como foi ouvir isso?

— Um baque, lógico. Nunca que eu ia imaginar que eles estavam fazendo isso bem debaixo do meu nariz. Fiquei um pouco bravo com o Scorpius, mas depois ele pediu desculpas e eu ajudei ele a fazer outra poção para ver se ela estava grávida mesmo.

— Ela tomou duas poções?

— Sim. Eu fiz uma, depois eles quiseram fazer outra, aí ajudei o Scorpius.

— Certo. Teria outro motivo para ser um baque?

— Eles não são, ou eu que nunca vi eles sendo, amigáveis um com o outro, o que é extremamente estranho. Não sei se são assim porque, bom, eles são estranhos de natureza… O Scorpius… Eu nunca vi eles se beijando, abraçando, ou sei lá, e a formatura foi um terror. Por Merlin, que tragédia, eles dançaram, mas a Rose estava estranha. É isso, a Rose está estranha desde depois dessas poções. Ela não é a Rose, é só uma marionete.

— Agora vem uma pergunta difícil, Alvo. Qual seria a relação entre as poções e o comportamento dela?

— Eu e a Rox não conseguimos pensar em nada. Tudo bem, eu achei os ingredientes que causaram o sangramento, mas… Eu não sei… A Roxanne sempre levanta a hipótese de amortentia, mas a amortentia é… Amortentia.

— Defina.

— Amortentia é uma poção muito poderosa, difícil de ser feita e de ser escondida. Ela tem cheiro, tem cor perolada, tem

— Tem…?

— A Roxanne uma vez perguntou se nas balas teriam amortentia, mas eu não consegui encontrar.

— Elas têm, realmente, um aspecto perolado.

— Só que aí é que está: quem é que sabe fazer isso? Eu não saberia… Bom… Fazer é diferente de reverter. Ele pode ter, simplesmente, feito uma bala e colocado amortentia na mistura. Se eu quisesse reverter, poderia morrer tentando, perdendo bastante tempo igual — Alvo ajeitou os olhos, com cara de poucos amigos — um verdadeiro idiota.

— Ele quem?

— McLaggen.

— Ryan McLaggen parece ser o bode expiatório da história inteira.

— Não ofenda bodes dessa forma, Ernesto — cruzando os braços, o garoto se remexeu na carteira. — Ele é um invejoso, incompetente, asqueroso.

— Tem um passado ruim com ele?

— Mais ou menos. Ele e o Scorpius eram amigos, aí brigaram e desde então se odeiam, mas ele sempre foi meio esquisito, sempre quis ter as coisas de Scorpius. Coisa de gente estúpida e patética.

— Alvo — Ernesto demorou alguns instantes para colocar a pena negra no tinteiro, ocupado encarando a feição pseudo-calma do garoto —, o que estava fazendo na noite da formatura?

— Estava com Roxanne tentando reverter essas balas malditas.

— Scorpius estava junto com vocês?

— Quando a Rose foi encontrar o McLaggen na Torre do Relógio ele foi pra lá e depois foi embora para encontrá-la; eu e a Rox ficamos até tarde.

— E por que ela foi se encontrar com ele? O Scorpius não se opôs?

— Eles estão se estranhando depois da gravidez, sabe, parece que ele não quer causar atrito com ela pelo simples fato de que a existência dele incomoda a Rose profundamente.

— No meio disso tudo, onde ele está? Como está?

— Bem triste. Meio que meus tios o acomodaram lá na casa deles, para ele ficar mais perto da Rose.

— E depois que o bebê nascer?

— Só por Merlin — deu ombros, coçando a nuca. — Eu já falei uma vez para a Roxanne o que eu acho. Talvez seja um momento ruim na vida dela e ela não está sabendo lidar.

— Como pode achar que o McLaggen é culpado, então?

— Porque está na cara que tem dedo dele, mas não temos provas. Nenhuma. Absolutamente nenhuma, por isso pode ser coisa da nossa cabeça.

— Você acha que é?

— Às vezes.

[...]

Durante alguns dias, tudo parecia estar estranhamente calmo. Não havia novidades sobre o inquérito, Ronald e Hermione decidiram que seria melhor focarem no nascimento do bebê, Roxanne ficou longe com a justificativa de estar esvaziando a sua mente. Rose, por sua vez, não conversou com Scorpius sobre a visita de Astoria, encontrou Draco uma vez quando ele foi verificar como estava, e tentou se distrair com alguns livros, mas nada era capaz de aliviar todo o clima que estavam vivendo.

Já passava das oito horas da noite quando Ronald chegou segurando alguns papéis, andando a passos largos até a cozinha, onde Hermione e Scorpius conversavam sobre algo que Rose estava completamente alheia. Naquele momento em específico ela se sentia bastante zonza, com um peso terrível sobre os ombros, a cabeça pesada como se precisasse dormir, além da terrível dor nas costas.

— Ernesto me entregou o resultado da análise das balas e da poção — Ronald, sentando-se ao lado do rapaz loiro, lhe deu o papel em mãos. Hermione se aproximou, apoiando-se na cadeira, espiando as letras pequenas que Scorpius segurava.

— O que ele disse pra você?

— Que vai continuar com as entrevistas até novas pistas aparecerem.

— E de onde que ele tirou que elas vão aparecer? — Hermione questionou um pouco ríspida, talvez por desejar que tudo acabasse logo.

— Não sei.

— Alguém pode me falar o que está escrito? — a voz de Rose saiu arrastada, num tom baixo e meio irritado.

— Amortentia — Scorpius respondeu, respirando fundo. — Amortentia nas balas e na poção.

— Como culpar o McLaggen agora? — os cantos da boca de Rose se curvaram num sorriso maldoso. — Foi você quem fez a poção.

— Você é tão esperta, não é? Tão esperta — a credulidade parecia transbordar na fala de Scorpius; já não era tão difícil acreditar que ela seria capaz de falar algo assim. Ele afastou a cadeira, levantando-se. — Eu não tenho ingredientes para fazer amortentia, muito menos uma amortentia pronta para usar onde bem entender. Se ele foi capaz de colocar nas balas para te enfeitiçar, seria tão estranho assim ele adulterar uma poção de gravidez com a mesma substância?

— E como ele faria isso, Scorpius?

— Se eu soubesse não estaríamos aqui, definitivamente.

— Só estou falando de fatos. Foi você e o Alvo que fizeram a poção, e

— E o quê?

Rose não respondeu.

Ficou encarando Scorpius por um período de tempo insuportável, mas não respondeu; somente levantou da mesa e subiu para o quarto, trancando-se lá pelo resto da noite até cair no sono. Mesmo que seus pais tentassem falar baixo, ouviu que eles e Scorpius estavam conversando sobre algo que ela não sabia. Nunca sabia.

A cada dia sua mente ficava mais dividida, como se tivesse que escolher a forma como iria funcionar. Ao mesmo tempo que queria culpar Scorpius por tudo, queria abraçá-lo e dizer que não tinha nada a ver com ele; queria ir embora para bem longe, mas também pensava se encontraria Scorpius no final da jornada. Todas as vezes que tocava sua barriga, sentia uma onda de amor limpar todo seu corpo. Naquela noite Rose deitou, tentou dormir, mas os olhos ficaram presos no teto até a hora em que Scorpius entrou, vestindo um short azul e uma camiseta de pijama, e já andava em direção ao seu colchão ao lado da cama.

Rose pensou em talvez dizer para ele dormir na cama com ela, mas estava claro que ele havia ficado bravo. Ou talvez muito triste. Seu lábios estavam franzidos com força, as sobrancelhas mais juntas, às vezes ele respirava fundo.

— Scorpius?

— O quê? — grunhiu, aconchegando-se no travesseiro.

— Me desculpa.

“Humhum”, ela ouviu depois de alguns segundos de silêncio, e só. Rose adormeceu quase que em seguida, sentindo-se mais leve, embora continuasse numa prisão invisível aos seus sentidos.

Sonhou que estava na sacada de uma grande mansão, era noite, as estrelas brilhavam e Scorpius estava ao seu lado, tocando sua mão. Rose não tentou enxergar seus olhos, porque soube que o brilho deles estava no céu.

Notas finais
Muitas pessoas estão perguntando onde alguns personagens se enfiaram... O próximo capítulo alguns — não todos — vão aparecer para clarear a mente de vocês. Afinal, entramos na casa do trinta e a história está se encaminhando para o final... Está chegando a horaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Tudo que o Alvo disse é de extrema importância para tudo que vai acontecer, e dá uma dica sobre o que pode ter acontecido com o colar. Que dica? Ele faz uma menção a algo que foi mencionado junto com o colar no cap 26... kkkkkk que dica mais xulépa/chulepa[/alguém sabe como escreve? kkkkkkkk] Eu também queria dizer algo sobre a Rose: ela está lutando, toda essa "indecisão" [ou por que não dizer "bipolaridade"?] é por causa do encantamento. Os que não estão entendendo, não se preocupem, o Ernesto apareceu para desvendar esse negócio direito! Ok? ♥ Ah, e o que vocês acham que pode ter sido esse desculpa da Rose? Para mim, é o símbolo que algo dentro dela conseguiu perceber que talvez esteja acontecendo o que o encantamento quer que aconteça, mas também que ela está ativa nessa luta. [meio confuso, mas é isso kkkkkkkkkkkkkk] Qual é a magia mais poderosa do mundo????????????? ♥ Espero que tenham gostado e que me contem as att das teorias kkkkkkkkkk Vou tentar postar o próximo capítulo domingo. Tentar. Ok? Um grande beijo a todos! Novamente, OBRIGADA ♥ Ps. Postei uma história nova "Chemie" que é uma scorose bem descomplicada. Se alguém quiser dar uma passadinha lá... ♥ https://fanfiction.com.br/historia/789900/Chemie/