Legado (parada por tempo indeterminado)
5 Capítulo V - Batalha no Campus.
Sair do Clube Pandora, foi um pouco mais complicado do que Tereza pensava. Ela precisou nocautear alguns, eliminar outros, fora o prejuízo material que Melôsa cobraria depois, com certeza. E o Igor?... Bem, não foi dessa vez que que ele arrancou o coração dela como tanto queria. O mais importante era que agora ela sabia onde ficava o ninho de vampiros.
— Ei, Denny?... Tá me ouvindo?
— Alto e claro.
— Sei onde é o ninho. Me encontre na Universidade, e leve o Mike.
— Pra quê?
— Acho que ele pode ser útil.
***
Enquanto isso, em uma propriedade afastada da cidade, um grupo estava se reunindo. Membros de uma sociedade secreta chamada Guardiões de São Cristóvão. Um grupo que existe há centenas de anos, destinados a combater as forças malignas, cujo os principais inimigos são os vampiros.
Devido as grandes batalhas no decorrer dos séculos, restaram alguns poucos espalhados pelo mundo, e deixou sua missão um pouco mais difícil.
— A situação está ficando cada vez mais complicada. A cada semana a cota de vampiros que matamos aumenta. — disse um deles.
— Jura, Marcos? — disse um outro sendo irônico. — Há tempos que eu digo que deveríamos ter feito as coisas do nosso jeito. Busca e destruição. Mas não, alguém teve a "brilhante" ideia de colocar um espião no esconderijo dos Van Helsing.
— Para de ser um "pé no saco", Julius. Sabe muito bem que estávamos sem opções. Os vampiros estão mais espertos agora. — disse a mulher. — Conseguem esconder seus rastros, disfarçar seu cheiro. E os Van Helsing tem acesso a informações que nós não temos.
— Bela sociedade secreta nós somos. — disse Julius. — Quanto a utilidade dos Van Helsing, Sônia, isso é algo que não se pode discutir. Afinal, é somente por isso que eles ainda estão vivos. Mas não se esqueçam, eles são caçadores. Se descobrirem sobre o espião que plantamos, vocês sabem o que vai rolar, né?
— Ele estava ciente dos riscos quando aceitou a missão. E nós também. — disse Marcos. — Vamos esperar pra ver.
***
Algum tempo depois...
Daniel e Mike chegaram a universidade e encontraram Tereza a espera.
— Como descobriu a localização do ninho, Tess? — pergunta Daniel.
— Longa história, depois eu conto.
— Essa longa história também vai explicar esse monte de arranhões?
— Denny, agora não é hora. O que trouxe pra mim?
— Certo. As armas têm munição ultravioleta, granadas, e aqui estão algumas adagas de prata para arremesso. E por via das dúvidas, trouxe esse sabre, caso aconteça situações de combate corpo a corpo.
— Cadê a isca? — pergunta Tereza.
— Tá se borrando todo ali. Tem certeza que vai usá-lo? Sabe muito bem que é contra as regras.
— Não se ele vir por vontade própria. — disse Tereza.
Ela vai até Mike que está sentado no banco da frente do furgão.
— Uau! Você tá mesmo bem equipada. — disse Mike.
— Eles estão na sala da caldeira, Mike.
— A sala da caldeira, é claro!... Está desativada há anos. Ninguém vai lá. O lugar perfeito pra se fazer um ninho. E como você vai fazer?
— Entrar lá e acabar com todos. Mas...
— Mas?
— Preciso atrair a atenção deles de algum jeito.
— Tipo, uma isca? — disse Mike ficando bem apreensivo. — Pra isso eu estou aqui?
— Não, Mike. Você está aqui para que tenha uma opção. Isso pode acabar hoje. Alex não foi salvo a tempo, mas podemos impedir que outras pessoas sejam transformadas e esses desgraçados se espalhem por aí. Posso fazer isso com ou sem você, mas admito que se tivesse alguma ajuda seria mais fácil. Mas a escolha é sua. O que me diz?
É incrível como a vida pode dar uma guinada de 360º às vezes. Mike Winston era apenas um estudante de contabilidade há três dias atrás, e agora estava numa guerra entre caçadores e vampiros. Qualquer um poderia decidir sair daquele carro e ir embora sem olhar para trás, e seria perfeitamente compreensível. No entanto, Mike sentia que precisava ir até o final, ajudar Tereza e Daniel a cumprir sua missão.
— O que eu preciso fazer? — disse ele.
Depois de tudo explicado, era hora de seguir com o plano. Mike começa a andar pelo Campus aparentemente indo na direção da sala da caldeira. Sua mão tremia ao puxar a porta. Ele entra e depois de alguns segundos, ele começa a sentir que algo o rodeia, passando por ele rapidamente. Até que uma sombra surge bem na sua frente.
— Olá, Mike.
— A... Alex?
— Não me lembro de ter pedido comida. — disse Alex.
— Eu vim porque... Porque... Eu quero ser como você.
— Quer ser como eu?
— Sim. Quero ser um vampiro como você.
— Eu te ofereci a chance, mas você fugiu. E pior, com uma caçadora. Como posso acreditar em você?
— Naquele momento eu estava com medo. É tudo muito novo pra mim. Mas agora eu sei o que eu quero. — disse Mike tentando ser convincente.
— Ótimo. O mestre vai adorar saber. É sempre bom quando alguém se oferece. Torna a conversão mais fácil. Vem, vou te levar até ele.
Os dois passam por alguns corredores e chegam ao centro da sala. A visão era assustadora. Mike pôde ver alguns se alimentando de pessoas recém capturadas. Aquilo o deixou com vontade de vomitar.
— Sei que parece horrível, no começo. Mas você se acostuma, depois passa a gostar, confie em mim. — disse Alex.
— O que temos aqui? — disse uma voz.
— Mestre.
Seu nome era Derek Novak. Um vampiro com mais de duzentos anos de idade. Seus olhos eram penetrantes e sombrios ao mesmo tempo, do tipo que se você olhar demais para eles pode cair no abismo e nunca mais sair.
— Quem é seu amigo, Alex?
— Ele é o Mike, senhor. Ele quer ser um de nós.
— Ah, isso é muito bom. Mas como saber se ele está mesmo qualificado para isso? — pergunta Derek rodeando Mike o tempo todo. — Como encontrou nosso ninho, Mike?
— Eu pesquisei. Sempre tive curiosidade com essas coisas, e depois que vi o que fez com Alex, decidi que quero a mesma coisa. — disse Mike.
— Um jovem bem decidido, pelo que vejo. Mas eu soube que você foi salvo pelos Van Helsing. — disse Derek. — Como vou saber que isso não é uma armadilha para saber onde fica o nosso ninho?
— O Mike é um cara leal, senhor. — disse Alex. — Somos amigos há muito tempo.
— Sim, Alex. Somos amigos. E é por isso que eu espero que você me perdoe por isso.
De repente, Mike abraça seu amigo e enfia uma adaga de prata em seu coração, o que faz Alex se transformar em cinzas instantaneamente. Em seguida, Tereza adentra a sala atirando em cada vampiro que entra em seu caminho.
— Corra, Mike! — grita ela.
Ela descarrega os pentes das armas na maioria dos vampiros, em seguida passa a usar as adagas. Derek apenas observa as habilidades de Tereza e conclui que um humano normal não poderia ter aquele nível de poder para lutar com vampiros, nem mesmo se tivesse muito treinamento.
As adagas haviam acabado, assim como os vampiros. Quase todos. Tereza desembainha seu sabre e olha para Derek.
— Então as lendas são verdade. Existe mesmo alguém como você. — disse ele.
— Não existe ninguém como eu. — disse Tereza.
Os dois começam a lutar entre si. Derek se mostra um adversário bem forte. Muito mais forte do que Tereza podia imaginar. Afinal, ele sobreviveu por dois séculos, tinha experiência de muitas lutas contra outros caçadores.
— Estou decepcionado, Van Helsing. Pensei que você me daria um pouco mais de trabalho. Estou ficando entediado.
— Prometo me esforçar mais. — disse ela ironicamente.
Na saída do Campus, Mike estava correndo com alguns vampiros em seu encalço.
— Denny, eles estão vindo!
Daniel se preparava para atirar nos vampiros com uma balestra, no entanto, ele percebeu sombras enormes se aproximando.
— Se abaixe, garoto!
— O quê?!
— Se abaixe logo, e fique no chão!
Mike obedece imediatamente. Ele percebe que os vampiros que os perseguiam não estavam mais lá, apenas rastros de sangue e pegadas enormes de alguma coisa que os pegou primeiro. Daniel se aproxima.
— O que eram aquelas coisas? — pergunta Mike.
— Nem queira saber, agora vamos. Tereza precisa de ajuda.
Dentro da sala da caldeira, Tereza ainda lutava contra Derek, mas a situação estava difícil. Num dado momento, Derek a segura pelo pescoço e a suspende do chão.
— Vou adorar fazer isso, Danphir.
Ele escancara sua enorme boca cheia de presas e se prepara para cravá-las em Tereza. Porém, bem na hora, Tereza tira uma última granada ultravioleta e a enfia na boca de Derek. Ele começa a brilhar por dentro, se transformando em cinzas morrendo em agonia.
Quando Daniel e Mike entram, eles presenciam o fim do vampiro.
— Missão cumprida. — disse Tereza cansada da luta.
***
Horas depois, no esconderijo...
Tereza colocava alguns curativos em seus ferimentos, quando Mike se aproxima.
— Você está bem?
— Ossos do ofício, garoto. Como se sente, agora que pode voltar a ter uma vida normal?
— Acho que depois de tudo o que houve, de tudo o que eu soube... Não sei se posso ter uma vida normal.
— Mike, tem certeza disso?
— Você disse que a escolha era minha. E eu já fiz. — disse ele. — E depois, o seu avô não sabe mexer muito bem nos computadores que têm aqui. Precisa de ajuda.
— Eu ouvi isso, moleque. Agora se manda. — disse Daniel.
— Pensei que fosse contra as regras envolver humanos. — disse Tereza.
— Não é, quando eles escolhem se envolver, lembra?
Tereza estava inquieta. Algo a incomodava.
— O que houve? — pergunta Daniel.
— Aquele vampiro, antes de morrer, me chamou de algo... Eu não sei o que significa. Ele me chamou de Danphir. O que é isso?
A expressão de Daniel muda, ficando tensa.
***
Na sede dos Guardiões...
— Missão cumprida! — disseram enquanto brindavam.
— E não teríamos conseguido sem o nosso agente infiltrado nº 1! — disse Marcos.
— Tem razão, Marcos. — disse Julius. — O Sam foi demais.
— Vamos brindar ao Sam! — disse Sônia.
— Obrigado. — disse Sam um pouco sem jeito.
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