Legado de Semideuses!
6 Aceitando minha descendência.
Falar com a minha mãe no telefone foi estranho. Ela estava desesperada atrás de mim dizendo que esteve ligando á cerca de cinco horas seguidas no meu celular – o que não pude saber se era verdade já que tinha deixado cair em algum lugar. Ela parecia um vulcão prestes a entrar em erupção. Aos fundos da sua voz eu ouvia também a mãe de Alinne esbravejar sobre aonde havíamos nos enfiado por tanto tempo sem dar notícias. Nós dois contamos a história passo a passo tentando parecermos coerentes, mas era difícil já que tinha um centauro no meio do caminho. Lembrei-me de citar todos os detalhes daquele dia que parecia interminável, e Alinne estava ao meu lado para comprovar todas aquelas estranhas experiências. Minha mãe estava a princípio nervosa, mas não comigo, e sim com aquilo de eu dizer que fui reclamado por certo deus do Sol, eu tive certeza que ficaria dois anos de castigo por essa história. O que realmente não aconteceu.
Minha mãe contou uma história sem pé nem cabeça, dizendo como havia conhecido o suposto deus do sol e como eu fui concedido. Meu coração não parava de tomar frios e gélidos arrepios, isso não podia ser verdade... Mas minha mãe seria capaz de mentir? Ela estava tão desesperada que nem eu tinha ficado daquela forma, por que inventaria algo assim? Era impossível! Já que ela tinha dito sobre Apolo, isso realmente só serviu para que eu perguntasse detalhes sobre ele. O homem que me abandonou por dezesseis anos. O pai que abandonou Alinne por dezesseis anos. O progenitor que nos abandonou por dezesseis anos.
– Eu sei que agora sua cabeça deve estar cheia de perguntas sem respostas. – E como estava, porém continuei a ouvir sem qualquer questionamento. – Mas eu não posso explicar toda a história, não agora, nem mesmo a mãe de Alinne pode. – Ela contornou a situação. – Quando puder voltar para casa volte meu filho. Mas até lá, mande Helena me manter bem informada sobre tudo o que está acontecendo ai no acampamento. – Por um momento fiquei pensando como ela simplesmente sabia de Helena e do acampamento, será que ela já tinha vindo até aqui? – Eu confio a sua vida a este lugar, Lyu. Então não seja idiota ao ponto de fazer alguma besteira ai dentro ou eu mesmo vou ai e derrubo esse campo de força anti-mortais pra dar na sua cara, – Ela esbravejou, anti-mortais? – Isso também vale para Alinne, a mãe dela mandou reforçar tudo o que eu disse. Estão nos entendendo?
– Ta mãe, mas...
– Ta tia...
E ela desligou o telefone sem dar tchau. Pior, mesmo na circunstância atual ela ainda se lembra de me ameaçar, como eu amo aquela mulher. Certas coisas nunca mudam, nem mesmo quando se é filho de um "deus". Por mais que minha mãe me contasse a minha descendência, levaria tempo para que eu me acostumasse com essa ideia de não ser um simples... Mortal? E de repente me surgiu que saber tanto de Mitologia, e as instruções de minha mãe era na realidade, uma preparação para o futuro. O futuro na qual ela já sabia que aconteceria mais cedo ou mais tarde.
A garota que se chamava Marea nos levou para a saída da grande mansão. Naquele horário já estava escurecendo e pelos bosques podiam-se ver algumas ninfas e espíritos da floresta correndo pelas árvores tentando despistar alguns sátiros — ao menos era esse o nome deles, a garotinha que nos disse. Ela também nos contou tudo sobre os chalés, o Olimpo, tártaro, submundo, o caça-bandeira, as criaturas mágicas que viviam além dos bosques e nossas obrigações aqui dentro. Não me parecia ser tão difícil, mas aquela parte das profundezas do tártaro e submundo eu quase tive um espasmo de medo.
As filhas de Afrodite já tinham saído da piscina próxima à beirada do lago, onde um breu de solidão e calmaria sustentava o clima agora. Os poucos filhos de Ares que estavam no campo de treinamento agora se retiravam para o vestiário. Eles eram carrancudos, fortes, e muitos eram imprudentes nos movimentos alheios. Eles me encararam, mas passaram direto sem dizer uma só palavra, eu agradeci. Algumas filhas de Deméter e Perséfone plantavam algumas sementes e folhagens na esperança de que fariam um bem maior para a aparência e alimentação do acampamento. Alguns metros adiante um filho de Dionísio colhia morangos nas plantações adjacentes. Sua presença parecia que excitava as sementes por que a frutinha brotava na superfície da terra com cores que bugavam meu cérebro. Ora estavam rosadas, ora avermelhadas. O menino me prendeu a atenção por um minuto até me dar conta de que era Rô quem estava colhendo os morangos. Passamos perto o suficiente a ponto de ele arremessar uma poção avermelhada que estava escrito “sono de uva — o suco que dispensa pesadelos” no meio do rótulo, eu acenei com a cabeça em forma de obrigado e ele retribuiu. Continuamos a andar colina acima sobre uma íngreme camada de grama que amaciava nossos pés. Percebi que Alinne e eu não tivemos qualquer oportunidade de falarmos sozinhos após o ocorrido entre os meus lábios e os dela. Queria simplesmente dizer o quão arrependido estava ou me desculpar por ser tão abusado a ponto de forçá-la a me beijar. Mas por outro lado eu não sentia qualquer remorso e podia jurar que aquilo era recíproco.
Meus olhos pesaram e minhas pálpebras se tornavam cada vez mais lentas. Eu não conseguia distinguir os chalés que estavam em ordem peculiar de uma letra Ômega. Marea nos encaminhou sobre um alto pilar dourado que mantinha uma tonalidade brilhante e viva. As paredes me pareciam apenas normais e sem significado, até abrir os olhos e notar que o amarelo era simplesmente uma representação do Sol e os traços contornados eram labaredas alaranjadas que cabiam com a tonalidade. Incrivelmente linda. Ficamos entre a porta e escutamos por um momento o som que vinha de dentro. Havia algumas vozes nos esperando.
– Obrigado, Marea.
– Não foi nada. Se precisarem de mim sabem onde me encontrar. – E a menina se misturou ao escuro, apenas seu vestido branco podia ser visto.
Marea entrou em um chalé que não consegui visualizar. O peso da tensão invadiu meus dedos quando toquei na maçaneta do chalé sete. Olhei uma, duas, três vezes para a minha amiga loira ao meu lado que estava impaciente querendo entrar, então ela mesma virou a maçaneta antes de me dar um tapa de tanta ansiedade. Quando entramos, MEUS DEUSES! Era um quarto dos sonhos para qualquer adolescente que se encantava com música. Nas paredes tinham desenhos de notas musicais em diversas formas diferentes. Cada uma tinha um botão vermelho que quando se era apertado podia-se ouvir um som gracioso invadindo os ouvidos. As camas eram feitas de diversas maneiras; algumas tinham um material de biga de corrida, outras de madeira, ferro, alumínio, carro, havia de tudo um pouco.
– Sejam bem-vindos novos irmãos! – Martinato nos saudou assim que ele entrou pela porta atrás de nós.
– É, eu tenho mais irmãos? Sete? – Alinne perguntou.
– Havia uma época que éramos mais. Vinte, vinte e cinco, quem sabe trinta. Mas aí tudo mudou quando Gaia e Cronos tentaram dominar o mundo... Nós perdemos muitos irmãos. – Ele olhou para a parede – Will Sollace, ele foi o último conselheiro antes de mim. Isso já faz mais de oito anos.
– Hãm... E o que aconteceu com ele? – A curiosidade bateu a minha porta e eu abri? Senhoras e Senhores põe a mão no chão... (8)
– Nem queira saber caro Lyu, nem queira saber. – Ele se entristeceu, mas logo espantou com um sorriso. – Podem escolher suas camas, daqui a diante, vocês são os dois novos moradores do Chalé Sete!
– Obrigado.
– Obrigada.
Sete irmãos, já conseguiram imaginar como seria isso? Eu só tinha um, mas ele já não morava na minha casa e nem éramos tão amigos e próximos, tampouco parecidos. Agora eu entendo por que ele nunca foi com a minha cara, talvez ele soubesse que não éramos do mesmo pai. Mergulhei isso no meu esquecimento. Virei o rosto e esbocei um sorriso para cumprimentá-los de braços abertos, meus novos irmãos...!
Ao todo eram quatro meninas – contando com Alinne – e quatro meninos, comigo eram cinco. A loira preferiu escolher sua cama pelo seu estilo artístico. Quando encontrou uma que tinha um formato de uma sapatilha de ballet, seus olhos brilharam e ela pulou para dentro. As camas na maioria das vezes eram acopladas na parede e tinham uma espécie de câmara particular, onde você poderia puxar um guarda-sol no formato exato da cama onde a cobriria para a sua privacidade. Olhei ao redor e logo vi o colchão que eu queria, era uma harpa dourada que me parecia confortável, ainda mais por seu colchão ser king size – quando um se mexe, o outro não sente.
Puxei o guarda-sol quando notei as luzes se apagarem e o fechei sobre mim, quando instantaneamente um fone caiu sobre meu rosto. Esbravejei ao colocá-lo nos ouvidos, minha bochecha doía com a queda repentina do instrumento. Assim que fiquei encoberto com a minha privacidade um clima ameno e tranquilizante se instalou sobre meu corpo — não estava calor, muito menos frio — o que me deixou satisfeito para dormir apenas com minha cueca box no corpo. Esbocei um sorriso ao ver a playlist que mais parecia a do meu celular, os fones misteriosamente sabiam do meu gosto musical assim que eu os coloquei. Apertei o botão vermelho “play” que estava no teto do guarda-sol e uma onde de energia invadiu meu corpo. Lembrei-me do frasco que Rô me dera antes de entrar no chalé e bebi o líquido. Minhas pupilas agora se renderam e eu caí no sono. Tudo que eu consegui lembrar no dia seguinte foi à última frase que ouvi. “I'm radioactive, radioactive.”
[...]
Acordei com o Sol no meu rosto naquela manhã. Minhas sobrancelhas se abriram e pude notar que além daquele guarda-sol me deixar confortavelmente num clima agradável, ele também projetava uma imagem sensacional da alta colina do acampamento e pude ver claramente o orbe amarelo ganhar os céus. Era tão belo que aproximei o zoom tocando com as mãos na tela do tecido, fiquei surpreso. Reparei que havia um óculos no mesmo lugar que antes o fone estava e o coloquei para conseguir enxergar claramente o brilho amarelo. Por um momento achei estar vendo oito cavalos dourados puxando uma carruagem de ouro com algo ou alguém segurando as rédeas, mas devia estar delirando devido às circunstâncias. Aproveitei esse vago e mentiroso momento para colocar minha roupa. Após me trocar levantei a proteção da harpa e assim pisei meus pés no chão gélido. Fitei ao redor e parecia que todos ainda estavam dormindo, me peguei tendo um pequeno devaneio sobre o pesadelo que tive na noite anterior, que por sinal, já não lembrava qual tinha sido. Olhei para minha cama e na cabeceira havia uma nova camisa endereçada a mim. Assim que a coloquei senti um leve arrepio percorrer meu corpo; Acampamento Meio-Sangue. Eu tive ciência de que a partir daquele momento que eu vestira aquele manto sagrado minha vida mudaria completamente, pois eu aceitei minha descendência. Meu peito se inflou e minha vontade pulsou em todo o meu corpo num ritmo único, levantei, sorri e abri a janela com uma determinação renovada. Se eu vou ter que enfrentar isso, que seja com ao menos um sorriso no rosto, com vontade e com...
– Feche a porcaria da janela!
– Me desculpe.
Ok, talvez eu deva ir com mais calma.
(...)
Não havia prestado atenção em como o chão de mármore do refeitório era velho e gasto, mas esse pequeno detalhe era o que fazia ser tão épico e especial. Coloquei-me a analisar os tipos de comida que tínhamos hoje e não me surpreendi que o café da manhã fosse apenas de frutas exóticas. Ajuntei uma quantia razoável; Carambolas, maças, peras, uvas e morangos. Meu estômago roncava feito aquele barulho de moto de funkeiro, igualmente irritante. Forcei-me aos passos rápidos até a mesa que tinha um número sete e me sentei. Ao lado via os outros semideuses chegando para se ajuntar a mim; Em busca de uma comida, não me importei.
– Filho de Apolo. – Me virei e vi a letra “m” bem na bochecha da garota.
– Hãm... Vish, que merda eu fiz agora?
– Nenhuma, bocó. Mas você não pode sair comendo sem antes fazer o sacrifício.
– Já basta o sacrifício que eu fiz em andar até aqui no dia do caça-bandeira quando vocês me acertaram naquele lugar. – Eu a encarei com os olhos arregalados. – Existe sacrifício maior que esse?
– Seu idiota, você precisa dividir metade da sua comida com os deuses.
– Aé? No Olimpo não tem comida não?
– Hahaha, só jogue no fogo e diga aos deuses!
– Aos deuses! – E um desanimo cuidou das minhas expressões. – Acho que hoje os deuses estão com fome, por que eles ficaram com mais comida do que eu. – Minhas sobrancelhas franziram. – Ta rindo do quê?
– Nada. – Ela mudou as expressões. – Talvez você não seja tão bobo quanto achava.
– É, a ponto de ficar esperando alguém que não vai aparecer ao lado do bebedouro.
– É, acontece. Mas fica tranquilo, prometo que ainda vai apanhar muito de mim.
– Não se iluda Mariana, não sonha.
– Eu transformo ilusões em realidade. – Ela esboçou um sorriso. – Até mais, filho de Apolo!
– Vai lá, ande nas sombras. – Pensei melhor. – Caminhe no sol, quem sabe meu pai se encarregue de te queimar em homenagem a mim.
Ela então se sentou ao lado de suas irmãs. Minha barriga novamente roncou e fui atacar meu prato quando Alinne e Martinato se sentaram na mesma mesa que eu. O conselheiro usava uma regata laranja e pude notar uma clava musical em forma de tatuagem no seu braço direito.
– Hey, Marti. O que é isso no seu braço? – Fiquei curioso.
– Ah, é simples. – Ele mostrou o desenho. – Todo semideus que foi realmente aceito pelo seu pai ou passou pela iniciação tem uma dessa. – Ele pegou os talheres. – Geralmente filhos de Apolo ganham uma dessas no ombro, mas os desenhos e notas musicais dependem do próprio semideus. Assim como também as filhas de Afrodite que tem corações quando são aceitas pela sua mãe. – Ele mastigou as frutas.
– Ah, e quando ganharemos uma dessa? – Alinne perguntou, ela estava do meu lado.
– Não sei. Quando fizer por merecer, talvez
– Ótimo, ele me abandona por dezesseis anos e ainda tem que me aceitar como filho, só o que me faltava. – Engoli minhas frutas. – A propósito, gostei demais daquela vista e das coisas que tinham na minha cama. Como vocês conseguiram fazer aquela coisa de...
– Não diga! – Alinne tampou minha boca após o garoto de cabelos castanhos quase se levantar. – Aquilo tudo, digamos... Foi basicamente um negocio entre nós, filhos de Hermes e Hefesto contra Atena.
– Hãm? Como assim?
– O pessoal da coruja estava nos devendo um favor por uma missão de resgate. Mas eles se negaram a pagar o favor. – Ele sorriu. – Eles tinham um projeto sobre dormitórios e tecnologia. Bieringuer e Thalles, os não-gêmeos nos ajudaram a surrupiar durante uma noite. Copiamos e colocamos no mesmo lugar sem levantar quaisquer suspeitas. Pedro, o conselheiro de Hefesto e meu amigo criou exatamente passo-a-passo do projeto e deu certo. – Ele olhou para Batistão e seus irmãos fazendo cara de deboche. – Mas até hoje eles nunca suspeitam de nada.
Os minutos seguintes foram feitos em risadas e frutas sendo esmagadas pelos meus dentes. Alinne felizmente estava falando normalmente comigo, por isso decidi não falar mais nada sobre aquela noite. Assim que terminamos de comer, imediatamente veio um cara forte com uma tatoo de arco-íris em nossa direção. Dudu vinha com uma espécie de moeda de ouro na mão que rodopiada no ar e caia nos seus dedos do mesmo modo que fora arremessada para cima, e ele repetia os movimentos.
– Hey! – Ele nos cumprimentou. – Hoje eu fico encarregado de ajudar vocês a se comunicarem com o mundo em si, mas temos que ser rápidos então se já terminaram venham comigo. – Limpamos a boca, nos levantamos e seguimos os seus passos até o lago.
Ele se sentou na areia e nós dois ficamos ao lado dele, um pouco atrás e igualmente sentados. Dudu arremessou o dracma – assim como estava escrito no ouro – e quando ele ficou na altura de sua cintura, agarrou com a mão fechada e a jogou em uma pequena poça d’água que estava na sua frente.
– Não tem segredo. Vocês tem que jogar o dracma numa poça ou em um lugar que tenha algum arco-íris e dizer “Óh deusa do arco-íris, aceite minha oferenda.” – Ele apontou para o sol e a água, lentamente o dracma afundava sobre a poça até desaparecer. – Eu como sou filho dela não preciso dizer isso. Mas assim que minha mãe aceitar a oferta de vocês, uma área de login vai aparecer e é só confirmarem para mandar a mensagem clicando na foto do seu contato. – Ele mostrou a tela que abriu magicamente em sua frente.
– Bem-vindo, BUNDUDU! – A poça estremeceu e uma voz parecida ao google tradutor disse. – Deseja fazer algum comando?
– Sim, área de cadastro, por favor. – Ele apontou para nós. – Esses dois são novos e precisam de uma conta no arco-íris.com, pra algum caso de emergência sabe. – Ele se calou e virou para trás. – Por que estão rindo?
– BUNDUDU? Isso é algum tipo de piada? – Alinne estava rindo feito uma louca, eu a acompanhei.
– Cortesia da minha mãe, ela que escolheu isso. – Ele tentou se defender.
Após reprimir os risos – que eram muitos – nós fizemos o tal cadastro no arco-íris.com. Aproveitamos que Dudu tinha ido ao banheiro, fuçamos nas configurações da imagem que era comandada pela minha voz e tirei uma foto maneira pra colocar como perfil. Tinha uma que eu mostrava a língua e a loira o dedo do meio com uma expressão facial que me fazia quase molhar as calças. Nós ficamos alguns minutos sozinhos até que uma sombra apareceu na areia.
– Então vocês são os dois sóis? – Um garoto de cabelos escuros disse.
– Sim, mas você já sabe disso Thalles.
– Ah não. Eu sou o Felipe Bieringuer, Thalles é meu irmão mais velho.
– Nossa, vocês realmente são parecidos – Disse Alinne, perplexa.
– Ah, é verdade. Querem ver algo daora? – Ele se sentou bem na frente da tela quando fizemos que sim com a cabeça.
Felipe mexeu diretamente na rede e no local onde armazenada os dados do arcoiris.com. Assim que finalizou um vídeo surgiu na tela. A princípio você veria um arco-íris silencioso e sem graça, mas depois a própria Íris corria pelada e gritando “Quem disse que não tem ouro no final? EU SOU O OURO, VENHAM PEGAR” Agora eu entendi por que de Dudu se incomodar quando ontem mais cedo Rô dissera isso nos confins do metrô. Era realmente um papel vergonhoso para uma deusa, pior para uma mãe. Percebemos que até seus filhos pagavam por isso por que quando Dudu voltou ele fora correr atrás do filho de Hermes que se mandou pelo bosque, acredito que ele não conseguia correr atrás de um fugitivo nato, mas depois que sua mão agarrou uma espada eu não duvidei da capacidade dele.
– Então ta né – Alinne virou o rosto e caiu na gargalhada quando íris escorregou e levantou com a bunda em cor turquesa. – Isso é hilário.
– Olha só, agora o rosto dela ta verde.
Ríamos feitos dois idiotas, mas isso durou pouco tempo. Estávamos um ao lado do outro e uma adaga passou diante de nossas cabeças por questão de meros centímetros para não nos mandarmos catar drama no tártaro. O objetivo era acertar o arco-íris e assim foi quando a imagem sumiu após a adaga acertar o portal d’água. Ficamos paralisados de medo, quem poderia ter uma mira tão boa e consciência de que não nos acertaria?
Rapidamente uma imagem nos sobrevoou com asas imponentes e um trote rápido e preciso. Uma garota pulou cerca de cinco metrôs e caiu perfeitamente na areia defronte aos nossos olhos. Ela tinha olhos castanho-brilhantes e seus cabelos estavam voando expressivamente com a pressão do vento. Sua pele tinha uma tonalidade bronzeada e ela usava uma regata preta e um shorts que era coberto por uma canga. Ela colocou as mãos na cintura e nos fitou severamente, estreitou os olhos e disse.
– Está na hora. – O pégaso ficou ao seu lado pedindo carinho, ela deu. – Vamos ver se como filhos de Apolo vocês são bem aplicados. – Orsi, a conselheira de Poseidon abriu um olhar penetrante que nos fez arrepiar.
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