Legado de Sangue e Ouro livro 3
33 Casamento do Falcão e da Loba
O dia do casamento de Siena e Arthur amanheceu com um céu de um azul tão profundo que parecia tingido pela própria realeza. Astúria não via uma celebração daquela magnitude há décadas. O povo lotava as ruas, jogando pétalas de flores brancas e ramos de pinheiro, celebrando a união da "Loba" e do "Falcão" — a combinação perfeita de fogo e aço que prometia uma era de ouro.
A Catedral de Cristal estava envolta em incenso e na luz de mil velas. O Cardeal Roma, embora mantivesse sua expressão severa, vestia seus trajes mais luxuosos, pronto para selar o destino do casal diante dos olhos de Deus e dos homens.
A Entrada da Noiva
As portas de carvalho se abriram e o silêncio caiu sobre a congregação. Siena surgiu ao lado de Caelum. Ela usava um vestido de seda branca com detalhes em fios de prata que formavam desenhos de lobos entrelaçados. Em sua cabeça, a tiara de diamantes da família real brilhava, mas nada superava o brilho de seus olhos. Ela não caminhava como uma prisioneira do dever, mas como uma mulher que havia lutado contra o mundo e vencido.
No altar, Arthur esperava. Ele vestia o uniforme de Grande Marechal de Astúria, uma capa negra forrada de pele de lobo sobre os ombros. Seus olhos, que tanto tempo foram de mármore frio, estavam agora fixos em Siena com uma intensidade que fazia os convidados prenderem a respiração. Para ele, o salão estava vazio; existia apenas ela.
Os Votos: Fogo e Aço
Quando Caelum entregou a mão de Siena a Arthur, o toque foi como um choque elétrico que percorreu ambos. Eles se viraram para o altar, e o Cardeal iniciou o rito.
— Arthur Mackenzie — disse o Cardeal, a voz ecoando pelas naves da catedral. — Você aceita esta mulher como sua esposa, prometendo ser seu escudo na guerra e seu consorte na paz, protegendo o sangue de Astúria com a sua própria vida?
Arthur não hesitou. Ele segurou a mão de Siena com firmeza, olhando no fundo de suas pupilas.
— Eu a aceito. Não apenas como minha Rainha, mas como a alma que dá sentido à minha espada. Eu sou o seu Falcão, Siena, e sob minhas asas, você nunca mais conhecerá o frio.
O Cardeal virou-se para Siena.
— Siena Valória, você aceita este homem como seu esposo, entregando a ele sua lealdade e dividindo com ele o peso da coroa e a esperança de um herdeiro?
Siena sorriu, um sorriso que iluminou todo o altar.
— Eu o aceito. Eu sou a Loba que encontrou seu par. Com Arthur ao meu lado, Astúria não terá apenas um trono, terá um coração que bate com a força da verdade, e não do medo.
A Celebração e o Brinde Real
Após a troca das alianças de ouro puro, o Cardeal pronunciou as palavras que mudariam a história:
— Eu os declaro marido e mulher. O que a honra e o amor uniram, que nenhum homem ouse separar.
O beijo que se seguiu não foi o beijo protocolar de dois nobres; foi o selo de uma paixão que sobreviveu ao exílio iminente e ao julgamento do clero. No salão de banquetes, a festa atravessou a noite. Caelum e Catarina dançavam com uma leveza que não sentiam há anos. Julian e Aria brindavam, orgulhosos de terem unido suas linhagens definitivamente.
Em um momento de pausa, Arthur puxou Siena para um canto da varanda, longe dos olhares da corte. A lua brilhava sobre eles, a mesma lua que os vira desesperados na torre no Ano Novo.
— Nós conseguimos, minha Loba — ele sussurrou, envolvendo-a pela cintura e puxando-a para o seu calor.
— Nós vencemos, meu Falcão — ela respondeu, encostando a cabeça em seu ombro. — Agora, não precisamos mais de gelo. Só de nós dois.
E enquanto os fogos de artifício estouravam sobre o reino, todos sabiam que aquela não era apenas uma união de primos ou de nomes. Era o início de uma lenda. Astúria estava segura, e o amor, contra todas as probabilidades, havia se tornado a lei suprema do castelo.
Fale com o autor