Ela não sabia como tinha chegado ali. No meio das matas e, pelo que percebia, não muito longe dos portões de Konoha. Quer dizer, fugir de casa com seu irmão mais novo não pareceu uma ideia tão ruim ontem de noite quando correu dos gritos de seus pais, que só faziam complicar tudo em relação a seus avôs.

Aqueles idosos deviam ter morrido há muito tempo!

Ela não queria ser droga nenhuma de Líder. Seu tio que fizesse filhos e desse o cargo a eles.

Espreguiçou-se enquanto dava um bocejo alto. Não lembrava-se de ter ido se esconder em meio a floresta.

— Akira?

Ouviu seu nome ser chamado e virou-se. O pirralho encontrava-se emburrado.

— Quê?

— Precisava ter me puxado também?

— É claro! — levantou-se. — Eles querem me manipular e se eu fugir sozinha, é em você que vão cair matando.

— Com certeza! — falou com desdém.

— Ingrato!

Viu o garoto ficando de pé para tirar a lama de suas vestes. Ele era vários centímetros mais baixo, a roupa em tons de cinza e preto se resumiam a uma calça e uma camiseta de gola alta. Seus cabelos escuros fazendo contraste com os olhos pálidos, genes dominantes da mãe.

— Vamos voltar. — cruzou os braços, fazendo bico.

A garota fez um muchucho, quase caindo no chão.

— Podemos ficar desaparecidos só mais um pouco...

— Não podemos não. Eu estou com fome.

— Você está é rabugento, Kyo.

Akira se virou e começou a ir na frente, liberando o caminho de galhos pontiagudos que pudesse vir a machucar. Seu cabelo azulado ia até a metade da costa e o plano era deixá-lo chegar abaixo da cintura. Ao contrário do irmão mais novo, ela possuía o Kekkei Genkai dominante por parte da família do pai. O que era uma chatice completa. Suas roupas consistiam em um short curto de cor escura junto a uma regata comprida de tons roxo.

— Eu espero não encontrar aquele cão dos infernos. — ouviu ele resmungar.

— Com medo de um bichinho? — soltou. — Pior seria se nossa mãe mandasse o Inuzuka atrás de nós.

Kyo se retraiu sob o olhar dela.

— Ele é estranho.

— Ele é muito estranho.

Kyo estava se perguntando, seria infantil demais caso perguntasse se já estavam pertos? Ele nunca tinha saído da Aldeia sem seus pais antes. Akira não era tão experiente. Seria desastroso caso fossem atacados…

— Você é a primogênita… — murmurou. — Devia aceitar isso logo.

— Não sou primogênita coisa nenhuma. O primogênito ainda nem existe.

— Não é como se contasse…

— Conta sim, e você sabe. — o encarou, brava. — Nosso pai não é o Herdeiro do vovô.

— Não, não conta não. Nosso tio nem sequer tem vida social.

Akira deu de ombros, encolhendo o pescoço.

— É só começar a ter.

— Ele é o Hokage. Não tem tempo para isso.

— Muitos outros tiveram, por que ele não teria?

Kyo notou o exato momento em que a postura da irmã mudou, deixando de demonstrar nervosismo para ficar na defensiva. Ela se abaixou e fez sinal para que copiasse-a. Não foi preciso um comando maior. Kyo ativou seu Byakugan, deixando que o Chacka passasse a ser visível a seus olhos nus enquanto as veias se dilatavam em seu rosto.

Três pessoas se aproximavam pelas árvores, pulando os galhos, em direção a eles. Á Aldeia.

Akira estava mais adiantada. Seus olhos conseguiam pegar a intensidade dos Chacka que se aproximavam. Pouca coisa. Exceto que uma das figuras possuía grandes bobinas de armazenamento e a outra parecia vagamente familiar. Eram aliados. Tinha certeza. Caso contrário já estaria pronta com seus explosivos.

— São amigos. — informou.

— Não conheço nenhum deles.

Enquanto analisava o que lhe foi dito, sabia que já tinha sido detectados. E se, por sorte, isso não tivesse acontecido, seriam notados assim que o trio chegasse mais perto.

— Não deve ver ninguém importante, então. — murmurou.

Kyo estreitou os olhos.

— O que? — questionou.

— Uma está com o nosso símbolo estampado na blusa.

— Está explicado por que não nós conhecemos…

Os dois se viraram segundos antes que eles se fizessem presentes no mesmo local. Eram pessoas totalmente bizarras. A da direita parecia uma bola. Sua pele morena contrastava com o kimono rosa, segurado por uma fita vermelha , no qual estavam desenhadas pequenas borboletas douradas. Sua franja passava do queixo e ela tinha dois coques no alto da cabeça.

O do meio parecia com Menma. Os mesmos cabelos loiros, mas com olhos bem mais claros que o normal. Estava basicamente de preto, exceto pela camiseta branca decorada com um pequeno colar azul preso ao pescoço. Sua boca estava aberta em um “O” enquanto a cabeça se inclinava para o lado, como se tentasse desvendar algo.

A da esquerda era surpreendente, por sí só. Se Akira não tivesse certa da fidelidade de seu pai, pensaria em castrá-lo depois daquilo. Os cabelos escuros da garota iam até metade do ombro. O formato do rosto se assemelhava de modo assustador ao de Kyo. O quimono ia até o começo de seu short. E bem perto da gola estava o Símbolo do Clã Uchiha sendo usado de modo tão descuidado.

Um óculos vermelho foi arrumado enquanto eram analisados do mesmo jeito.

— Quem são vocês? — o loiro perguntou chegando perto como se os dois tivessem criado um nariz extra.

— Eu quem pergunto isso. — Akira revidou enquanto encarava uma cópia fajuta de seu pai. — Quem são vocês?

— Não vejo como isso é de seu interesse. — respondeu, cruzando o braço. — Estão perto da nossa Aldeia e sem nenhuma supervisão.

— Não vejo o motivo de se ter uma. Sei perfeitamente chegar em casa. — cruzou os braços também.

— Então recomendo que sigam adiante.

— Por que está com o Símbolo Uchiha estampado desse jeito?

— Isso também não é do seu respeito.

Kyo notava o modo como a irmã estava. E tendo ela puxado a personalidade da mãe, era uma surpresa que não estivesse gritando ainda. Resolveu tentar dar o braço a torcer. Uma informação por uma informação.

— Nós somos Akira e Kyo Uchiha. — murmurou, porém continuou no lugar. — Então sim, é do nosso respeito. Ainda mais quando você o usa tão despreocupada…

— Você tem um Byakugan? — o loiro questionou, encarando-o com a mão no queixo. — Como que eu nunca te vi no…

— Uchiha? — a da direita perguntou, rindo nervosa. — Eu me chamo Chouchou Akimichi. Acho que estamos tendo informações opostas. Vocês não podem ser Uchihas.

— Por quê? — Kyo perguntou, indignado.

— Sei lá, você tem o Byakugan!

A sobrancelha dele se moveu para baixo.

— Grande coisa, nunca ouviu falar de casamento entre Clãs?

— Acontece que eu sou a única do Clã Uchiha ainda viva dentro da villa. — a menina de óculos respondeu segurando firme teus pulsos. — Sarada Uchiha, não estou deixando…

— Mentirosa! — Akira rosnou em sua direção. — Você não é a única Uchiha na villa coisa nenhuma.

— Como…? — Sarada rangeu os dentes.

— Estive lá dentro ontem! Existem milhares de famílias igual a nós e você age como se estivessem mortos?

— Você não sabe de nada!

— Sei sim! Sou Herdeira por Direito. Eu sei de tudo!

E então ela ativou seu Sharingan, deixando as duas esferas pretas rodando em meio ao vermelho de seus olhos.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.