Legado Lestrange
48 Pulando da Torre de Astronomia
Notas iniciais

1998
Hogwarts
Draco estava segurando o pomo de ouro, Alhena estava sentada em sua poltrona, lendo tranquilamente. Rasalas estava se beijando freneticamente com Daphne e Damian e Blair tinham saído para comemorar a vitória da Sonserina contra a Lufa-Lufa. O feriado de Páscoa tinha passado correndo e todos na Sonserina pareciam felizes por o feriado ter acabado e logo ter tido mais uma vitória para a casa, na disputa pela Taça de Quadribol.
Aquela Taça de quadribol que estava garantida, agora que boa parte dos times estava desfalcados. Estava até sem graça... Draco nem estava se gabando de ter capturado o pomo e Alhena sabia que ele iria até mesmo devolver a bolinha dourada para Madame Hooch.
Estava terminando de ler seu manual avançado de Runas, quando a porta do Salão Comunal se abriu e Damian entrou com Blair, ambos segurando garrafas de bebida. Uma delas era verde brilhante, que parecia ser feita de fumaça.
—Quem vai ter coragem? – perguntou Damian levantando a garrafa que parecia ser Veneno de Fada.
—Nunca mais. – resmungou Rasalas.
—Nem fodendo, de cócoras, gostoso. – concordou Pansy.
Daphne deu uma risadinha e olhou para Rasalas.
—E se eu e você tomássemos uma dose e formos pro dormitório, heim? – perguntou ela lhe dando um beijinho carinhoso na têmpora. Rasalas sorriu e deu de ombros.
—Ela sabe como me convencer a fazer as coisas. – riu ele. Alhena sorriu e se levantou.
—Eu quero pro... – começou, mas Draco a segurou pelo pulso.
—Acho melhor não. – disse ele.
—Por que? – perguntou sem entender.
—Veneno de Fada trás alucinações... se você tiver uma badtrip... não vai ser nada bom. – explicou ele. Alhena sentiu um solavanco no estômago e concordou.
—Ah, se a Lena não vai tomar, eu não vou. – resmungou Damian entregando a garrafa verde para Zabini e pegando a de hidromel. Zabini abriu a verde e a provou, para em seguida entregar para Rasalas – Hidromel, Lena?
Draco a soltou e foi se sentar novamente no sofá, tirando o pomo de dentro do bolso e voltando a brincar com ele.
—Ok. Um pouco de hidromel... mas só um pouquinho. – murmurou. Damian sorriu e lhe deu a garrafa, passando os braços ao redor de seus ombros.
—Eu não acho que a Lena deveria beber. – disse Pansy a olhando com censura – A última vez não foi muito legal... – adicionou ela. Os alunos do sexto ano a olharam curiosos e Alhena sentiu outro frio na barriga – Deu um susto em todo mundo e tudo só desandou de lá pra cá.
Lembrou-se de uma só vez da primeira vez que Pierre a violentara e devolveu a garrafa de hidromel para Damian.
—Tem razão, não quero. – disse de uma vez.
—Qual a necessidade de falar isso, Pansy? – ralhou Damian.
—Desculpe por me preocupar com o bem estar dela, Damian. – ralhou Pansy o olhando com desdém – A última coisa que eu quero é vocês transando bêbados, pra ela ter lembranças ruins. Nunca vão se reestruturar assim.
—Exatamente, Pansy! – disse Rasalas sorrindo para ela. Daphne o olhou feio – Escute a voz de alguém que pensa antes de agir, Damian.
Alhena só conseguia pensar que Pansy apenas queria fazê-la se lembrar daquele dia. Principalmente quando ela lhe deu aquele sorrisinho desdenhoso. Não suportou olhar pra ela uma segunda vez, apenas pegou seu casaco e saiu do Salão Comunal. Precisava fumar mais um. Precisava de ar fresco e da torre alta de Astronomia.
*
Draco a observou sair do Salão Comunal e soltou um suspiro, mirando Pansy Parkinson fingir que não tinha sorrido. Rasalas não tinha visto, mas ele sim. Pansy o olhou o monitor chefe com algum desdém, como se não se importasse que ele soubesse que ela não tinha tido absolutamente nenhuma boa intenção com aquele comentário.
Mas ele sabia que não adiantava falar nada. Rasalas não iria acreditar... Para desconstruir a imagem de garota incompreendida que ele tinha de Pansy, seria necessário um tratamento de choque, um flagrante. Uma decepção indefensável.
Ainda teriam oportunidades pra isso. Parkinson iria acabar se enforcando qualquer dia desses. Ela só estava colecionando inimigos. Apenas Emília e Rasalas ainda a viam como essa garota incompreendida.
—Ei. Vamos beber, Draco. – riu Vince, sorrindo e levantando o copo com Veneno de Fada. Draco o olhou desconfiado. Vince nunca mais fora realmente seu amigo. Na verdade, ultimamente ele estava insuportável, agindo como se fosse o dono do mundo, por ser o aluno favorito dos dois Carrow – Vamos brindar por você ter ajudado a limpar Hogwarts da escória sangue ruim... começando por aquela Martell.
Alguns alunos do sexto ano riram. Pansy deu um sorrisinho também, levantando seu copo, assim como Greg e Emília. Mas Daphne e Rasalas fizeram careta. Blair desviou o olhar. Astoria o olhou com expectativa.
—Acredito que Hogwarts tenha escórias mais urgentes que precisam ser limpadas, antes dos nascidos trouxas. Gente estúpida, que não sabe pensar com o próprio cérebro, por exemplo. – respondeu Draco se levantando. Vince o olhou feio, mas não deu bola. Apenas deu as costas ao grupo e saiu do salão, sentindo-se mal por lembrar de Lisian Martell. Aquela garotinha inocente, que suspirava sempre que ele passava, que sempre lhe dava chocolates e presentinhos de natal, de aniversário e dia dos namorados. Sem se importar com as piadinhas maldosas.
Caminhou pelos corredores, sentindo-se pior do que lixo, evitando, como sempre, de passar pelo corredor onde a tinha encontrado. Morta, com os olhos esbugalhados, o sangue saindo por sua boca e o pescoço estraçalhado pelos dentes de Fenrir Grayback.
Entrou na torre de astronomia, sentindo uma grande sensação de peso. Olhou para todos os lados e logo encontrou quem procurava. Alhena estava de pé, apoiada na janela, olhando para baixo. Draco soltou um suspiro e foi até ela. Se apoiou ao lado dela e notou que ela estava fumando. Estendeu a mão e ela lhe entregou o cigarro. Ele tragou aquela porcaria, pela primeira vez, se perguntando se pelo menos aquilo aplacaria o imenso vazio que sentia dentro de si.
Tossiu ao sentir a fumaça quente em seus pulmões, roubando-lhe o ar, mas assim que se recuperou, tragou novamente. Alhena estendeu a mão e ele devolveu o cigarro e foi a vez dela tragar.
—Me pergunto qual de nós vai se jogar primeiro. – murmurou Draco, sentindo-se simplesmente infeliz. Alhena deu de ombros.
—Talvez a gente possa pular junto. – respondeu ela, olhando para baixo. Draco concordou com a cabeça e Alhena o olhou com um sorriso desafiador – Você nunca pularia.
—Não? – perguntou ele – Acha que eu não tenho motivos para pular? Ou que eu não tenho coragem? – perguntou ele se sentando na janela. Era absurdamente alto e fazia seu estômago dar uma cambalhota.
—Eu acho que você tem mais motivos para não pular do que para pular. – respondeu Alhena, se sentando ao seu lado – Você tem seus pais, que te amam mais do que qualquer coisa. Você é tudo pra eles. É o legado deles...
—Seus pais amam você também... e seu irmão. – retrucou Draco. Alhena tragou o cigarro mais uma vez e o ofereceu. Aceitou e tragou um pouquinho, sem querer ter uma crise de tosse ali em cima – Você tem mais pessoas que te amam de verdade do que eu.
—É, mas eu sou completamente descartável... e de várias maneiras, essas pessoas estariam mais seguras se eu morresse, sabe? – perguntou Alhena – Eu me sinto uma vassoura defeituosa. Pierre me quebrou de vez, Draco.
Draco olhou para ela e notou o quanto ela parecia infeliz.
—Case comigo. – disse ele. Alhena o olhou como se ele fosse louco – Nós dois somos quebrados. – ele olhou lá para baixo – Eu nunca vou me perdoar pelo o que eu fiz... eu nunca vou esquecer o rosto daquela garotinha da Lufa-Lufa, que morreu no dia em que eu deixei os comensais entrarem aqui...
Alhena soltou um suspiro.
—Você tem seus fantasmas e eu os meus...
—Quem não os tem? – perguntou Draco. Alhena concordou com um aceno de cabeça.
—Pois é...
Ela soltou a bituca de cigarro, que caiu num pontinho incandescente, que logo desapareceu.
—Pule comigo. – murmurou Draco. Alhena o olhou descrente – Confia em mim?
—Confio. – respondeu ela. Draco ofereceu a mão para ela e ela a apertou.
—Então pula comigo. – disse. Alhena suspirou e Draco ficou de pé, na janela. Alhena se levantou ao lado dele e o olhou curiosa. Jogou seu corpo para frente e ela o imitou.
Despencaram da torre, de mãos dadas. Uma onda de adrenalina o tomou. Tudo parecia lento. Olhou para Alhena, que parecia em pânico. Sacou a varinha e usou um feitiço, que os fez desacelerar e parar a centímetros do chão.
Ficaram de pé, ofegantes e trêmulos, mas acabaram rindo um para o outro.
—Você é louco. – riu ela.
—Eu sei. – respondeu ele – Vamos até o lago?
—Vamos. – respondeu ela, engasgada. Draco ofereceu o braço para ela e ela o abraçou de volta.
Caminharam pela grama baixa, até o lago. A noite iluminada pela lua crescente e por milhões de estrelas. Pensou no quanto gostaria de estar com Astoria, mas a garota ainda estava zangada com ele, pelo que ele tinha feito. Se perguntou se um dia ela o perdoaria e se merecia ser perdoado.
Imaginava que estava se sentindo mais ou menos como Damian quando este dissera a Alhena que ela não era o tipo dele. A garota passou a tratá-lo como tratava todo mundo e ele se deu conta do quanto ela era importante pra ele.
Não tinha se dado conta de quanto Astoria era uma garota interessante. Sempre a achara bonita, é verdade. Sempre tivera um tesãosinho nela... mas agora sentia falta de tudo nela. Nos olhares, nos suspiros, nos beijos e sorrisos.
Mas ao contrário de Damian, ele tinha ferido pessoas. Tinha permitido a morte de Albus Dumbledore. Até Fenrir tinha estado na escola e atacado pessoas... engoliu em seco, sentado na beira do lago, com os braços ao redor dos joelhos, olhando o reflexo da lua na superfície perfeitamente lisa da água.
—Bonito, né? – perguntou Alhena, que estava sentada do mesmo jeito que ele.
—É... – respondeu simplesmente – E pular da torre me deixou morrendo de calor. – disse tirando a camisa – Lembra quando a lula gigante pegou seu irmão pelo tornozelo? – perguntou com nostalgia. Alhena baixou o olhar, triste.
—Foi quando eu me declarei pro Damian. – murmurou ela.
—E o que ele disse? – perguntou Draco.
—Que só me via como amiga... – respondeu ela dando de ombros – Mas tudo bem. Eu já estava convencida que eu nunca teria chance com ele... – murmurou ela.
—Você teria chance com qualquer um desse colégio. – retrucou Draco a olhando com atenção – E você sabe disso.
—Antes dele terminar comigo, no sexto ano... – ela engoliu em seco e corou de leve – Eu disse que antes que o ano terminasse, eu queria fazer amor... no lago.
Draco a olhou com um sorrisinho.
—Bem... não posso te ajudar com o amor... mas se quiser transar no lago... seria algo legal. Pra nos distrairmos.
Alhena o olhou por alguns segundos e então desviou o olhar.
—Eu nunca mais fiz sexo... desde que... Pierre...
—Mesmo? – perguntou surpreso.
—Mesmo...
—Você quer... bem... tentar? – perguntou Draco. Alhena soltou um suspiro e olhou para a lua.
—Eu não sei se consigo. Não acho que um dia vou conseguir.
—Não vai saber se não tentar. – riu Draco – Quem melhor do que eu? – perguntou ele – Sou seu melhor amigo. Você acabou de pular da torre de astronomia comigo. Transar no lago deve ser fichinha comparado a isso.
Alhena sorriu e se levantou. Se perguntou se ela iria lhe lançar um sorrisinho e agradecer pela noite. Mas no lugar disso ela tirou a camiseta. Ficou de pé e tirou os sapatos. Ela tirou a saia e ele a calça. Ela tirou os sapatos e ele as meias. Tirou a gravata e ela as meias. Depois se encararam apenas com a roupa de baixo.
Alhena soltou um suspiro e tirou o sutiã. Lentamente, como se quisesse prolongar aquele momento. A observou fazer aquilo, sentindo-se excitado. Nunca tinha transado com ela e era algo que queria fazer desde o quinto ano. Tirou a cueca e Alhena a calcinha. Ela se aproximou e ficou na ponta dos pés e ele a puxou para perto, para beijá-la.
Quando tinha sido a última vez que beijara Alhena? Nossa... tinha tanto tempo. Era apenas o início do sexto ano... bem no início mesmo. Das outras vezes fingiam que iam se agarrar, mas ficavam apenas conversando, trocando histórias e rindo de se acabar. Mas agora ela estava ali, nua em seus braços, num beijo inseguro, que cada vez adquiria mais certeza.
Desceu suas mãos para a bunda redonda e carnuda dela e suspirou de satisfação ao apertá-la. Alhena o abraçou ao redor do pescoço, mas logo se afastou. Ela sorriu para ele e lhe deu as costas, caminhando para o lago. Olhou para trás, para o castelo, mas tudo parecia deserto. Então foi correndo para o lago e a deixou para trás. Quando a água alcançou a altura de seus quadris, mergulhou de uma vez.
Estava muito gelada. Fez cada osso latejar de leve. Mas quando saiu para respirar sentiu-se vivo pela primeira vez em muito tempo. Logo a cabeça de Alhena saiu de dentro da água e ela o encarou com uma careta, se abraçando.
—Ok... entrar no lago talvez não tenha sido uma boa ideia. – disse ela tremendo.
—Frio?
—Muito. – resmungou ela. Draco sorriu e a puxou para si.
—Vem que eu te esquento. – disse ele.
Alhena sorriu e o abraçou. Se encararam por alguns segundos, antes de começarem a se beijar novamente. A beijou no pescoço, achando o cheiro dela reconfortante. Ela sempre o confortava quando estava em pânico, tentando consertar o armário sumidouro. E depois do estupro dela, foi ele quem mais a consolou.
Damian estava se sentindo culpado demais para fazê-lo. Rasalas não sabia como fazer. Então foi ele quem dormiu abraçado a ela, dividindo seus medos e inseguranças. Dando e recebendo colo. Alhena se tornou uma amiga indispensável.
—Lena...
—Que? – perguntou ela.
—Não vai mudar nada entre nós, vai? Não vai deixar tudo complicado e estranho, né? – perguntou ele – Eu não vou aguentar perder você...
—Nem eu, perder você. – murmurou ela o olhando nos olhos – E eu não quero substituir a Astoria.
Draco piscou surpreso e sorriu.
—Nem eu o Damian. – murmurou.
Os dois se encararam num acordo e voltaram a se beijar. Suas mãos desceram pelo corpo dela, com cuidado, mantendo o fogo que sentia sob controle. Alhena o acariciou na nuca, enquanto o beijava calmamente, mas completamente entregue.
Massageou os seios dela, apreciando a textura, o volume e a maciez. Sorriu ao escutá-la gemer baixinho em seu ouvido. A mão direita dela escorregou por seu pescoço, ombros, braços. Sentiu uma leve cócega nas costelas e barriga, graças ao trajeto que os dedos dela fizeram. Mas seu corpo estremeceu quando ela o tocou lá embaixo. A mão quente dela o envolveu na água fria e isso foi extremamente estimulante.
Foi sua vez de soltar um gemido baixinho, ao senti-la acariciá-lo daquele jeito indecente. Mas simplesmente não parecia indecente. Parecia certo. Parecia completamente plausível. Então a tocou da mesma maneira, apreciando o contato com a pele dela. Percorreu com os dedos o caminho para dentro dela e quase perdeu o controle com o gemido que ela deu.
Mas então ela ficou tensa e se afastou.
—Não dá. – lamentou ela – Desculpe... eu...
—Calma. – murmurou Draco a abraçando – Olhe nos meus olhos, Lena. – ela o fez – Sou só eu... Draco...
—Não é simples assim, Draco.
—Eu sei. Mas esqueça tudo por um momento, ok? – perguntou ele a abraçando – Só pense que está segura. Está comigo. – sentiu Alhena o envolver com os braços. Colaram as testas e se encararam longamente. Voltou a tocá-la entre as coxas. Alhena fechou os olhos, com medo – Sou eu... Draco. Está tudo bem, Lena.
—Está... tudo bem... – repetiu ela voltando a abrir os olhos. A acariciou mais um pouco, para relaxá-la. Alhena algumas vezes ficava tensa, mas logo respirava fundo e parecia se tranquilizar. Ela o tocou novamente e os dois colaram as testas, respirando apressadamente, olhando um para o outro.
Cessou por um momento, a carícia e a segurou na cintura, com as duas mãos, a olhando nos olhos, sem nem mesmo piscar. Desceu as mãos para as coxas dela e a levantou, colando-a contra seu corpo.
Com alguma dificuldade, se encaixaram. Alhena fechou os olhos, tensa e ele murmurou palavras tranquilizadoras em seu ouvido.
—Sou eu... é apenas eu... – sussurrou baixinho.
Quando se sentiu completamente envolto por ela, olharam-se nos olhos novamente. A ajudou com o movimento de subir e descer. Dentro da água era muito mais fácil. Alhena fechou os olhos e levantou a cabeça. Ele a beijou com carinho no pescoço, estremecendo com o contato do corpo dela.
Eu poderia amá-la... pensou consigo mesmo. Poderíamos ser como Daphne e Rasalas... feitos um para o outro. Melhores amigos e namorados... mas ela ama Damian e eu amo... Astoria.
Se perguntou o quão canalha seria se imaginasse Astoria ali. Queria que fosse Astoria ali... mas era Alhena e Alhena era simplesmente maravilhosa. Ela era tudo o que ele precisava. Ele queria um pouco de conforto. Um pouco de empatia. Um pouco de loucura... e ela era tudo isso e mais um pouco. Ela era a pessoa em quem ele mais confiava, a pessoa mais íntima que ele tinha. A pessoa que o entendia mais completamente...
Soltou um gemido baixo e rouco e puxou Alhena para junto de si. Ela o beijou nos lábios, com intensidade e volúpia. Se perguntou o que ela estava pensando. Se perguntou se ela estava gostando tanto quanto aparentava estar. Se estava gostando tanto quanto ele.
Os dois se encararam novamente. Aquilo estava sendo muito importante para ele. Alhena o fazia se sentir vivo novamente. O fazia se sentir confiável e querido... algo que ele não se sentia há tempos. Ela nunca o olhava com rancor. Ela nunca o olhava com acusação. Apenas com gratidão, carinho e cumplicidade.
Ela o apertou contra si, o acariciando na nuca, passeando seus dedos finos por seus cabelos. Ele a apertou mais, a beijando no colo e no pescoço. O vento gelado bateu em suas costas, o arrepiando, mas o calor do corpo dela não deixou que ficasse com frio. Amou ouvir um gemido dela e se sentiu imensamente satisfeito ao fazer com que ela o chamasse.
—Draco...
—Alhena...
A beijou com carinho no queixo e gemeu mais uma vez com o movimento dela. Foi caminhando com ela para fora do lago, louco de desejo. Queria que aquilo durasse pra sempre. Estava maravilhoso. A medida que deixavam a água, o frio ia aumentando. Por isso, assim que alcançou suas roupas, a deitou no chão e pegou a varinha.
Conjurou feitiços de proteção, para que ficassem invisíveis para todos que olhassem para o lugar onde estavam. Deixou o pequeno espaço onde estavam isolado acusticamente e então conjurou algumas chamas azuis, que ardiam sem consumir nada. Um calor gostoso e reconfortante começou a se enroscar nos dois e ele olhou Alhena nos olhos.
—Obrigada.
—Não me agradeça. – murmurou ele, um tanto constrangido – Está sendo ótimo pra mim também...
Alhena sorriu e ele voltou a se mover em cima dela, estremecendo com cada movimento, amando como ela correspondia a ele. Fosse com gemidos, fosse o arranhando nas costas. A beijou perdido em sensações intensas, completamente convencido de que nunca tinha se sentido tão bem durante o sexo. Completamente convencido de que nunca tinha feito aquele ato significar tanto pra alguém e pra si mesmo. Por isso a olhou nos olhos, achando-os simplesmente maravilhosos sob a luz azul clara das chamas que tinha conjurado.
A beijou no pescoço, mais uma vez, tentando controlar o impulso de fazer aquilo de maneira rápida e descontrolada. Queria que ela se sentisse confortável, segura. Como se fosse uma primeira vez. Como se pudesse machucá-la, caso se exaltasse. Mas Alhena o empurrou de leve e ele quase caiu em desespero com a hipótese de se interromper. De se separar dela. Mas ela só queria ficar por cima.
Se deitou na relva e entrelaçou os dedos com os dela. A admirou sob a luz do luar a achando perfeita. Simplesmente perfeita. Sorriu envolvido com ela e delirou quando ela rebolou lentamente em seus quadris. A soltou por um momento, apenas para percorrer o corpo dela com as mãos. Estremecendo a cada movimento dela. Achando o olhar dela sobre ele simplesmente sensual.
Engoliu em seco e gemeu baixinho fechando os olhos, jogando a cabeça para trás. Alhena o acariciou no rosto e ele a beijou na mão de maneira carinhosa.
Mas o carinho acabou quando os gemidos dela começaram a ficar mais constantes, quando ela começou a mover-se com mais vigor, de maneira quase descontrolada. Respirou fundo, querendo controlar o orgasmo, querendo que aquilo durasse mais. Sabia que poderia prolongar o momento.
—Está vindo... – gemeu ela de maneira quase assustada. Como se nem ela esperasse por aquilo. E ao ouvir aquelas palavras, seu autocontrole simplesmente o abandonou. Ela se moveu com mais rapidez e sorriu, aliviada, satisfeita, contente. Sentiu o corpo dela tremer e ela soltou um gemido alto, gostoso de ouvir. Mesmo que tentasse, não poderia deter o próprio orgasmo. Então jogou a cabeça para trás e se entregou, sentindo o próprio corpo tremer. Sentindo aquela sensação maravilhosa e intensa tomar seu corpo e sua mente.
Quando por fim terminaram, olharam nos olhos um do outro e sorriram, como se tivessem aprontado a peça de suas vidas.
Bem... talvez tivessem.
Se sentou com ela ainda em seu colo e a abraçou ofegante. Poderia não amar Alhena como amava Astoria. Mas a amava assim mesmo. De um jeito menos carnal, mesmo que tivessem acabado de transar. A amava de um jeito que não sabia explicar. Eram amigos, melhores amigos e o amor que sentia por ela era puro e genuíno. Eram cúmplices, verdadeiros.
Ela o abraçou, passeando os dedos por sua nuca e cabelos e os dois ficaram a se encarar. Podia sentir a gratidão que ela transbordava. Ela o olhava com tanto carinho que o deixava levemente constrangido.
—Se chegarmos aos trinta e seguirmos solteiros, você casa comigo. – murmurou Draco – Ok?
—Ok. – murmurou ela – Mas eu não acho que irei durar tanto tempo.
—Vai durar... – garantiu ele – Eu sei que vai.
—É vidente, agora? – perguntou ela arqueando a sobrancelha. Ele sorriu para ela e concordou com a cabeça.
Se beijaram mais uma vez e então deitaram, olhando para o céu. Ela deitou sobre seu braço e ele ficou a lhe acariciar a cabeça. O céu estava muito bonito. Muito bonito... mas o sono começou a consumi-lo. Não poderia ficar ali por muito mais tempo. Precisava voltar para o dormitório.
—Vamos? Para o castelo? – perguntou Draco. Alhena se sentou e concordou.
Se vestiram rapidamente e então foram na direção do castelo, de mãos dadas. Nunca tinha andado daquele jeito com alguém... só com Pansy, na realidade, no Baile de Inverno, do quarto ano... mas não significara nada além de um comportamento social esperado. Agora era diferente. Só queria que aquele momento de carinho continuasse, mesmo que apenas pelas mãos dadas.
Entraram no castelo pulando uma janela, para o Salão Principal. Andaram pelos corredores vazios e logo voltaram às masmorras, alcançando o Salão Comunal da Sonserina. Murmurou a senha e entraram juntos. Ainda haviam algumas pessoas no Salão. Mas não ligou para elas. Apenas guiou Alhena para seu dormitório.
Ninguém ligou para seus cabelos molhados. Ninguém se importou com suas mãos dadas. Ninguém nem ao menos o notou. Seguiu sendo ignorado por praticamente todo mundo. Pelos que não apoiavam o Lorde das Trevas, afinal ele tinha sido o responsável pela queda de Dumbledore. E nem pelos que apoiavam o Lorde, porque sua família tinha perdido o prestígio. Ainda eram considerados escória...
—Preciso de um banho. – murmurou Alhena, quando entraram no dormitório. Então a guiou para o banheiro.
Tomaram banho juntos, conversando amigavelmente, como se fosse comum dois amigos tomarem banho juntos. Como se fosse totalmente esperado que não ligassem para a nudez um do outro e que não fosse inadmissível que não acabassem transando. Estava completamente satisfeito sexualmente falando.
Pegou uma toalha para ela e outra para si. Terminaram de se secar e voltaram para o dormitório. Pegou uma camisa para emprestá-la para Alhena e uma samba canção. Achou-a sexy, quando ela ficou só de camisa, mas depois a achou engraçada com a samba canção.
Vestiu uma cueca mesmo e se deitou a abraçando por debaixo dos cobertores. Fechou as cortinas com a varinha e a beijou na testa.
—Boa noite, Draco.
—Boa noite, Lena.
Pareceu dormir imediatamente, um sono tranquilo, sem pesadelos, sem olhares de culpa, sem castigos ou gritos. Apenas o reconfortante silêncio, vez ou outra adicionado do sorriso de Alhena. Outras vezes com Astoria.
Dormiu a noite inteira, sem acordar uma vez que fosse. Pela primeira vez em muito tempo conseguiu descansar totalmente. Acordou abraçado com Alhena, já de manhã, mas não a acordou. A puxou mais contra si e a beijou na nuca, agradecido por tudo. Respirou fundo e ficou relembrando o momento no lago.
Tinha sido simplesmente maravilhoso...
Começou a ouvir seus amigos resmungarem e levantarem. Alhena se remexeu e se virou, piscando preguiçosamente.
—Bom dia. – sussurrou no ouvido dela. Ela se virou e o encarou, sorrindo.
—Bom dia. – disse ela.
Mas foi um tanto alto.
As cortinas se abriram de uma vez e Damian os olhou em choque. Rasalas o olhou com alguma censura, lá atrás.
—Lena? – perguntou Damian parecendo levemente magoado. Mas ele não podia julgá-los. Os dois não estavam juntos. Não desde Pierre. Mas não conseguiu encará-lo. Se sentia como se o tivesse traído – Você está bem? Você sumiu ontem a noite.
—Estou bem. – respondeu Alhena se levantando e se espreguiçando – Estou ótima na verdade. – murmurou ela sorrindo pela primeira vez em muito tempo, sem motivo algum. Draco a olhou constrangido e ela se virou para ele, se ajoelhando na cama e o beijando na testa – Obrigado por me resgatar das minhas trevas... – sussurrou ela.
—E você das minhas. – sussurrou a olhando nos olhos – E eu vou querer minha camisa de volta.
—Eu vou pensar no seu caso. – brincou ela, piscando marota. Era como se tivessem voltado ao início do sexto ano e isso o aqueceu por dentro.
Alhena se levantou, beijou Damian no rosto e então saiu do dormitório, cantarolando baixinho. Draco deu um sorriso de lábios fechados, sentindo-se feliz e suspirou.
—O que vocês aprontaram? – perguntou Rasalas cruzando os braços. Draco o olhou e sorriu.
—Nós pulamos de mãos dadas, da torre de astronomia. – respondeu saindo da cama e se espreguiçando – Depois ficamos na beira do lago... – ele olhou para Damian – E nos curamos lá. Quase uma terapia, sabe?
—O que você fez com ela, Draco? Alhena está destruída psicologicamente! – ralhou Rasalas, o olhando feio – Não acredito que tirou proveito dela!
—Não tirei proveito dela. Apenas catei os caquinhos e a ajudei a colar no lugar. – respondeu calmamente – Você não notou o quanto ela parecia melhor? – perguntou indo para o banheiro – Eu e Alhena somos amigos. Nada mais do que isso.
E aquilo era uma verdade incontestável.
No café da manhã, ela se sentou ao seu lado e comeu com um apetite voraz, como se tivesse passado aquele último ano em cativeiro. Todo mundo reparou o quanto ela estava risonha. O quanto parecia estar simplesmente em paz.
Rasalas finalmente notou isso e ficou simplesmente feliz. Damian a olhou sonhadoramente, como que voltando à época em que se perdia em pensamentos a observando. Ele tentou misturar o café de Rasalas com o próprio lápis e nem notou. Sorriu para o amigo e se curvou para sussurrar no ouvido de Alhena.
—Damian está te devorando com os olhos. – sussurrou. Alhena corou de leve e olhou para o garoto, que pareceu entrar me pânico, tentando tirar o lápis do café de Rasalas e acabou derrubando a xícara em si mesmo. Ele levantou de uma vez, com uma mancha de café na camisa, arrancando risadas de todo mundo – Aproveite.
Alhena olhou para Draco com um sorriso torto.
—Eu não tenho pressa. – murmurou ela.
—Pois deveria. Não vamos viver para sempre.
Se soubesse da guerra que tomaria aquele castelo naquela noite, jamais teria dito isso...

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