Legado Lestrange

17 Olhos que Assombram


Notas iniciais
OMG! OMG! OMG! OMG! Recebi uma recomendação!!!! WEEEEEEE Muito obrigada, Lehblack! Eu AMEI! Como eu sempre faço quando eu recebo recomendações, vou postar mais um capítulo! Eu gosto muito desse. Eu espero que vocês gostem também! Muito obrigada pelos comentários do último capítulo! Eu adorei =D É isso ai! Beijos e... #PartiuLer

Dia das Bruxas

Sede da Ordem da Fênix

Emily olhava ligeiramente desconfiada para Tonks. Ela tinha pedido para que Remus lhe ensinasse a fazer seu famoso chocolate quente. Mas não tinha tempo para aquilo.

O dia estava terrivelmente frio, então tinha medo de como estaria o clima em Azkaban. Por isso estava usando um formal vestido de veludo. Era um dos que tinha feito para si mesma. Negro com cordões dourados. O bordado na barra do vestido era de ramos dourados. Os bordados tinham sido um trabalho cansativo, mas o resultado valera completamente a pena. Seus cabelos estavam presos num coque completamente formal no topo da cabeça, seu rosto estava belamente maquiado e ela tinha certeza que fazia muito tempo desde a última vez que estivera tão bonita.

Ficou de pé, atrás de Remus, esperando que ele reparasse nela.

—Eu já estou indo. – murmurou quando ele não a notou.

—Ok. – murmurou ele sem se virar, completamente concentrado em continuar mexendo o chocolate.

—O que estão fazendo? – perguntou arqueando a sobrancelha.

—Chocolate... – Tonks se virou e a olhou com um sorriso animado – Uau! Senhora Valentine. Tá chique, heim?

—Obrigada, Nymphadora. – respondeu sorrindo gentilmente.

—Não me chame de Nymphadora. É Tonks. – pediu ela fazendo careta.

—Não me chame de “senhora”. Eu não sou casada. – devolveu.

—Ah, mas é bem mais velha que eu... falo mais por etiqueta mesmo. – riu Tonks. Sentiu um nervo pulsar em sua têmpora e finalmente Remus se virou, para colocar o chocolate quente numa xícara. Olhou para ele com falsa inocência e ele a olhou dos pés a cabeça.

—Uau... – murmurou ele – Onde vai ir assim?

—Vou ver o Sr. Lestrange e depois vou fazer algo a pedido de Dumbledore, mas é segredo. – riu ela.

—O que quer com o Sr. Lestrange? – perguntou Remus, ainda a devorando com os olhos.

—Ele quem me chamou. Disse que precisava conversar comigo. Então... – deu de ombros – Pode colocar um pouco desse chocolate aqui? – perguntou ela mostrando uma garrafa de vidro encantada.

—Claro. – riu ele servindo – Você tinha me pedido para fazer... aproveitei para ensinar a Tonks.

—Uhum... – murmurou arqueando a sobrancelha – Mas não acho sensato deixar que ela tente fazer. Provavelmente vai colocar fogo na casa.

Tonks franziu a testa.

—É claro que não. Conheço bons feitiços para apagar fogo. – e então ela riu lhe lançando uma piscadela.

Emily controlou a vontade de revirar os olhos e tampou a garrafa. Depois a guardou em sua bolsa.

—Obrigada, Aluado. – disse sorrindo e o beijando na bochecha. – Remus corou de leve, parecendo desconcertado, mas sorriu timidamente – A gente se vê mais tarde.

—Claro. – disse ele.

Foi até a porta, tomando cuidado para não acordar o quadro da Sra. Black, e então aparatou para frente da casa do Sr. Lestrange. Caminhou a passos rápidos e quando chegou em frente a porta, averiguou o vestido, conferindo se estava tudo certo. Quando se deu por satisfeita, tocou a campainha,

Um elfo abriu a porta e a convidou para entrar. Ele a guiou até a sala de visitas e pediu que esperasse.

Um sentimento de peso a tomou assim que ficou sozinha ali. Eu e Rabastan terminamos pela primeira vez aqui... pensou se lembrando daquele dia. Se abraçou tristemente, sentindo falta daquele tempo, quando namorava Rabastan. A guerra parecia tão distante, mesmo em seu sétimo ano...

Olhou pelas paredes e notou que o quadro que tinha de Rabastan ali tinha sido retirado. No lugar dele havia um de Rasalas, com seu sorriso impertinente. Sorriu sentindo saudade do filho e se sentou no sofá, lembrando-se mais uma vez de Rabastan.

Não deveria ter sido tão orgulhosa... não era difícil assim, arrumar um vestido que escondesse suas tatuagens. Sua mãe deveria ter um ou outro... mas quis esfregar na cara dos Lestrange que ela era original, diferente dessas mocinhas treinadas. Corças mansas e bobinhas. Quis mostrar que Rabastan a amava justamente por ser diferente e única... Ele só reparara nela quando ela começara a deixar o cabelo colorido e quando fez as tatuagens...

Lembrava bem dele a olhar com aquele sorrisinho safado, oferecendo a ela alguma aventura. Sorriu sem conseguir evitar, mas se repreendeu em seguida. No que estava pensando? Dar corda a essas lembranças seria simplesmente perigoso. Principalmente levando em conta o que estava planejando fazer.

Respirou fundo, controlando o próprio rosto e ficou séria de novo. Mas não conseguia parar de pensar em Rabastan... não estando na casa dele.

Não é a casa dele. Disse pra si mesma. Rabastan mora em Azkaban... pra onde ele irá quando sair de lá?

Dumbledore estava completamente convencido que ele eles seriam libertos em breve... antes que o Ministério aceitasse que o Lord das Trevas realmente tinha voltado. Caso contrário, seria muito mais difícil libertar os prisioneiros.

Pensar que, em breve, Rodolfo e Bellatrix Lestrange estariam a solta lhe causava calafrios. Será que ela sabia o que Rodolfo tinha feito... naquele dia, anos atrás?

—Valentine. – chamou uma voz cansada. Se levantou e viu Rodolfo Lestrange-pai aparecer junto da esposa. Ele parecia terrivelmente cansado. Se perguntou quantos anos ele tinha. Deveria ser uns dez ou quinze anos mais velho que a esposa e parecia estar envelhecendo muito mais rápido que poderia imaginar.

—Senhor Lestrange... – murmurou o olhando – Por que me chamou? – perguntou secamente. Ainda tinha um desgosto profundo por aquele homem.

—Mas que lindo vestido, esse seu. – disse a esposa do Sr. Lestrange – Você quem fez? – perguntou ela.

—Sim. – respondeu calmamente – Mas duvido que tenham me chamado para falar de vestidos.

—Não... é para falar sobre Alhena. – respondeu o Sr. Lestrange. Sentiu uma vertigem e ficou doente de preocupação.

—Aconteceu alguma coisa com a minha filha? – perguntou assustada.

—Sim. – respondeu Rodolfo – Ela desmaiou durante as aulas. Tem apresentado muita fraqueza. Acham que ela está doente. Ela tem alguma doença? Alguma coisa que eu não saiba? Querem enviá-la para um hospital...

Emily sentiu os joelhos tremerem, chocada.

—Não... Alhena sempre foi tão saudável... – murmurou preocupada – Eu posso ir vê-la? Por favor?

—Ela está na escola. – explicou Rodolfo – Mas se ela não melhorar e for transferida para o hospital, certamente poderá vê-la. – garantiu ele – Eu só não entendo... ela estava tão saudável... o que poderá ter acontecido? Assim de uma hora para outra? Tem certeza de que ela não tem nenhum histórico de vertigens e desmaios?

Respirou fundo pensando a respeito. Mas então se lembrou de algo que Rasalas tinha falado.

—Há uns anos atrás... ela estava vomitando, para emagrecer... mas eu conversei sério com ela e ela parou com isso... – murmurou preocupada – Ela emagreceu muito... será que... será que ela voltou a vomitar?

O senhor Lestrange fez uma careta de descontentamento e levou um tapa no braço, da esposa.

—Essa sua mania idiota de pressionar a garota a emagrecer! – ralhou a senhora Lestrange – Se Alhena estiver fazendo isso, a culpa vai ser toda sua.

—Eda! Eu nunca mandei que ela emagrecesse desse jeito! E eu disse que ela já estava linda. Por que ela continuaria querendo vomitar pra emagrecer? – perguntou ele completamente constrangido pelas palavras da esposa.

—Eu não sei. – ralhou a Sra. Lestrange – Mas temos que escrever para a diretora, avisando que Alhena já fez isso uma vez. Não vai ser a primeira garota a ter distúrbios alimentares. E nem a última.

—É por isso que eu sempre disse que ela era perfeita! Só está cuidando dos meus filhos há um ano e já tirou o juízo da menina! – ralhou Emily, enfurecida.

—Ela já fazia isso antes de vir morar comigo! – retrucou o senhor Lestrange, indignado.

—Mas eu resolvi. O senhor, com essa pressão para que ela ficasse magra, quem causou tudo isso! É como sua esposa falou!

—Não ouse querer acusar meu marido, Valentine! – ralhou a Sra. Lestrange.

—Só estou repetindo o que você disse agora há pouco! – defendeu-se sem paciência – Ou vai dizer que nunca disse coisa alguma!

Os dois senhores ficaram em silêncio e Rodolfo soltou um suspiro.

—Não te chamei aqui para brigar. Vamos manter a calma. – pediu Rodolfo.

—Minha filha... – começou, mas fechou os olhos – Não... você tem razão. – ela se sentou – Não vamos discutir. O que vamos fazer?

—Vou avisar a diretora... por enquanto é o que podemos fazer. – murmurou Rodolfo.

—E pelo amor de Merlin. Nunca mais vamos falar em peso nessa casa. – ralhou a senhora Lestrange. Ela se sentou numa poltrona, parecendo sombria – Será que essa família não consegue harmonia? Espero que Rasalas fique comportado.

Fizeram silêncio por um tempo.

—Você pretende ir para algum lugar, Valentine? – perguntou o Sr. Lestrange.

Emily o olhou curiosa. Se perguntou se ele imaginava que ela visitaria Rabastan... afinal era aniversário dele.

—Vou. Por que?

—Tem pressa?

Ele não vai sair do lugar... não é?

—Não...

—Eu gostaria de aproveitar que estamos com os ânimos mais calmos... – ele a olhou no fundo dos olhos – Eu quero te refazer uma proposta.

Desejou mandá-lo para o inferno. Mas resolveu por dar uma chance.

—O que quer?

—Eu quero patrocinar você e seu trabalho. – disse ele – Eu e Rasalas fizemos um acordo, mas você não quis ouvir.

—O que quer dizer com “patrocinar meu trabalho”? – perguntou sentindo um frio na barriga.

—Você tem muito talento. Se tivesse uma loja só sua, seria a mais visitada da Travessa ou do Beco. Nós dois poderíamos lucrar com uma parceria. – explicou o Sr. Lestrange. – Minha oferta é abrir uma loja para você. Por um ano você deve tocar o negócio. Depois eu terei participação nos lucros. Eu posso trazer a cópia do acordo que eu fiz com Rasalas.

Emily soltou um suspiro.

—Eu não sei se quero tanta visibilidade por agora, Sr. Lestrange. – murmurou ela.

—Por que não? – perguntou a Sra. Lestrange. – Seus vestidos são lindos. Você se desperdiça trabalhando com Greengrass.

Piscou sentindo-se estranha. Era a primeira vez que recebia um elogio daquela mulher. Lembrava dela comentar sobre não estar certa sobre suas maneiras à mesa. “Espero que ela ao menos saiba comer de maneira civilizada.” Acho que foi isso que ela disse... desviou o olhar, mirando a parede, onde antes havia o retrato de Rabastan.

—Eu acredito no que Dumbledore diz... sobre a volta Daquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado... e se ele retornou...

—Não seja boba. O Lord das Trevas partiu de uma vez por todas. – Ralhou o Sr. Lestrange.

—Eu não acredito nisso. – murmurou cabisbaixa – Eu acredito que ele voltou e se ele voltou... – ela soltou um suspiro – Pode ser que seus filhos deixem Azkaban em breve... e quando isso acontecer... eu não quero estar tão exposta.

—Vai deixar de investir em si mesma por conta de rumores infundados? – perguntou o Sr. Lestrange com descontentamento. Emily soltou um longo suspiro e coçou os olhos com desânimo.

—Eu vou pensar na sua proposta. Tudo bem?

*

Azkaban

Frio. Muito frio. Os ossos doíam. Tremia de frio. Rodolfo estava tendo pesadelos, pois gritava de raiva. Bellatrix apenas tremia em silêncio, revivendo os momentos mais terríveis de sua vida. Sabia, pois o mesmo acontecia consigo.

Ouviram passos, do carcereiro. Levantou o olhar e notou que era Barkins novamente. Soltou um suspiro, se perguntando o que seria agora.

—Lestrange... você anda recebendo bastante visitas. – riu o carcereiro – Levanta. Vamos!

Não desobedeceu. Qualquer segundo longe dos dementadores era um alívio. Barkins abriu sua cela e ele cambaleou para fora. Foi levado para a sala de banhos e estranhou ao ver o vapor.

—Banho quente? Por que? – perguntou surpreso.

—Aparentemente é seu aniversário. – respondeu o carcereiro. – As curandeiras vão vir para dar uma olhada em você.

Soltou um suspiro e esperou que as mulheres viessem. Foi despido, esfregado com uma pedra, seus cabelos tosados e sua barba aparada. Lhe deram roupas limpas e voltaram a algemá-lo. Estava cada vez mais curioso sobre quem viera visitá-lo. Durante anos não recebeu aquele mimo todo. A última vez fora quando conheceu Rasalas, mas era impossível que fosse o filho. Se era dia das Bruxas, ele estaria na escola.

Foi levado até a sala de visitas, algemado na cadeira e socado na cabeça, apenas para não perder o costume.

—Por favor, pode deixá-lo solto. – pediu uma voz conhecida. Olhou para trás e sua boca se abriu de espanto.

—Emily? – perguntou chocado. Ela estava linda. Desde os cabelos, o rosto, o vestido. Ela parecia uma dama da alta aristocracia bruxa. Ela sorriu para ele de maneira divertida e ele se lembrou vividamente da época da escola, quando namoravam. Ela sempre sorria daquele jeito. Um sorriso cheio de travessura, com uma sobrancelha arqueada.

—Certeza, senhora?

—Sim. – respondeu ela calmamente.

Barkins bufou e o liberou novamente. Conteve a vontade de socá-lo, escolhendo por comportar-se na frente dela. Quando se viu livre, se levantou e ficou olhando para a mulher, que o olhava de maneira divertida. O carcereiro foi em direção à porta e levantou a mão para ela.

—Eu vou precisar da sua varinha.

Emily abriu a bolsa e pegou a varinha. A girou nos dedos e suspirou a entregando para Barkins. O carcereiro lançou um último olhar repulsivo para Rabastan e saiu, fechando a porta.

Rabastan encarou a mulher a sua frente, completamente confuso.

—Isso é um sonho? – perguntou ele, verdadeiramente confuso.

Emily sorriu daquele jeito travesso e caminhou até ele. Ela o beliscou com força na bochecha, até que ele exclamasse de dor. Então o soltou e foi caminhando para a cadeira.

—Não.

—O... o que está acontecendo? – perguntou completamente confuso.

Emily abriu a bolsa e tirou duas canecas de lá de dentro. Depois uma garrafa e suspirou. Ela serviu as duas canecas com um líquido marrom, fumegante e então sorriu.

—Feliz aniversário, Rabs... não se completa trinta e cinco anos todos os dias. – murmurou calmamente. Rabastan piscou chocado – Não vai se sentar? – perguntou ela calmamente.

—Ainda estou tentando me convencer que não estou delirando... – murmurou Rabastan. Ele se sentou, receoso, com medo de que aquela situação pudesse se despedaçar como cacos de vidro. Ficou olhando para ela, chocado demais para acreditar que ela estava ali de verdade – Isso está mesmo acontecendo? Você está mesmo aqui? Onde está o Rasalas e a Alhena?

Emily suspirou, mirando sua bebida.

—Eles não puderam vir, Rabastan. Estão na escola. – respondeu ela – Beba. Vai te aquecer. Aqui é muito frio.

Pegou sua caneca, ainda olhando para ela. Mirou o conteúdo e provou. Sentiu os lábios ferverem com o toque.

—Chocolate quente? – perguntou ele, chocado.

—Sim.

—Céus... – murmurou ele emocionado – Obrigado – provou mais um pouco, achando delicioso. Esquentava seu corpo inteiro, espantando aquele frio agourento que parecia estar impregnado em cada osso, em cada músculo. Fechou os olhos e suspirou, contente, sentindo-se completamente mimado.

Colocou a caneca em cima da mesa e respirou fundo, sentindo aquele calor gostoso proporcionado pelo chocolate. Sorriu satisfeito e voltou a abrir os olhos. Emily o olhava, mas assim que seus olhos se cruzaram, ela desviou o olhar, como sempre fazia. A mulher mirou o chão, parecendo triste e deu mais um gole em sua bebida. Se perguntou o que ela estaria fazendo ali.

—Estou há quatorze anos aqui... por que hoje? – perguntou confuso – Fiz muitos aniversários aqui... por que hoje? Por que isso? – perguntou sem entender coisa alguma. Emily soltou outro suspiro.

—Alhena está com uns problemas... fui visitar seus pais, para tentar tomar alguma atitude.

—O que ela tem? – perguntou preocupado.

—Ela está vomitando para emagrecer... está desmaiando, muito fraca. Madame Máxime quer interná-la. – ela olhou para a própria caneca – Eu só ia conversar com os seus pais, mas então... me lembrei daquele dia... na sua casa... quando terminamos pela primeira vez... – murmurou ela infeliz – Já faz tanto tempo... mas ainda dói. – ela o olhou, apesar de parecer não querer mirar seus olhos – A dor um dia vai embora?

Rabastan ficou cabisbaixo.

—Eu sou um egoísta. Então espero que não.

—Como assim? – perguntou ela.

Soltou um suspiro e segurou a caneca com força.

—Assim sei que ainda pensa em mim. – murmurou ele.

—Você é o pai dos meus filhos. – murmurou Emily – Nunca poderei esquecer você... sempre que olhar Rasalas ou Alhena, verei você... – ela deu mais gole em seu chocolate. Rabastan passou a mão pelos cabelos recém cortados.

—Eles parecem muito com você... sempre que os vejo... lembro de você. – murmurou ele.

—Mas Rasalas tem seus olhos. – murmurou ela tristemente. Emily fechou os olhos parecendo perdida em dor – Ele podia parecer com você em tantas outras coisas... mas tem seus olhos.

—Qual o problema? – perguntou Rabastan.

—Seus olhos... nunca vão deixar de me assombrar. – murmurou ela infeliz.

Rabastan a olhou, sentindo uma grande vontade de segurar sua mão. Emily se levantou e terminou sua caneca. Então pegou um lenço e a limpou o melhor que conseguiu, antes de colocá-la ao lado da bolsa.

—Já está indo? – perguntou angustiado.

—Sim. – murmurou ela guardando a garrafa vazia.

Rabastan se levantou e andou até ela. A segurou no pulso e a olhou com algum desespero. Mas ela desviou o olhar.

—Não vá. Fique mais um pouco, por favor... – murmurou ele.

—Eu... eu não quero. Eu já vim aqui... – murmurou ela. Tocou seu rosto, ainda não totalmente convencido de que aquilo não era um sonho maluco. Seu polegar a acariciou no rosto. Sua outra mão escorregou para sua cintura. A puxou de leve, muito de leve e tentou fazê-la virar o rosto. – Não...

—Olhe pra mim. – pediu num sussurro.

—Não. – respondeu ela numa voz chorosa.

—Emms... – sussurrou achando aquilo extremamente estranho. A beijou no rosto, muito levemente. Depois a beijou na testa e no nariz. Emily fechou os olhos. Respirou fundo, sentindo o coração bater. Quinze anos... quinze anos sem ela. Longe dela... e mesmo assim, sentia-se aquele adolescente desesperado por ela. Desesperado por perdão. Por redenção – Emms...

Os lábios dela eram mais doces que o chocolate. Tinha certeza que sim. Roçou o nariz pela pele dela, mas ela se afastou.

—Não. Não. – murmurou ela se afastando – Não faça isso, por favor.

Concordou em silêncio.

—Emily. – chamou. Ela não se virou. A puxou de volta para si e ela finalmente o encarou. Olho no olho. Viu medo ali e logo ela desviou o olhar. – Olhe pra mim. – pediu. Mas ao falar isso, notou que a mulher ficou tensa.

—Eu tenho que ir. – murmurou ela, mais uma vez querendo fugir dele.

—Não. Só mais um pouco. Por favor. – murmurou a abraçando por trás – Por favor. – a fez virar, mas ela não olhou em seus olhos. Mirou o peito dela, lembrando do que Alhena e Dumbledore falaram. Das cicatrizes... – Deixe-me ver.

—O que? – perguntou ela timidamente.

—O que fizeram com você. – respondeu ele. O vestido dela tinha uma gola alta. Foi desabotoando cada botão, se perguntando se ela iria pará-lo. Não precisou abrir muito o vestido. Lá estava a enorme cicatriz. A olhou nos olhos e notou que ela chorava. Desabotoou mais uma casa, chocado. Os ombros, o peito... arfou, olhando para ela e Emily se abraçou, se escondendo.

—Não... não olhe pra mim, por favor... – chorou ela abotoando o vestido com as mãos trêmulas.

—Quem fez isso, Emily? Quem? – perguntou angustiado, furioso – Quem fez isso com você?

Mas ela não respondeu. Ela apenas chorou, pegou a bolsa e saiu da sala. As duas canecas ainda estavam sobre a mesa.

Fechou os olhos, atormentado.

Por favor, Rodolfo... por favor... não tenha sido você... não tenha sido você...

**

Hogwarts

—Você não consegue se controlar, não é? – perguntou Damian, carrancudo. Rasalas limpava uma armadura, carrancudo – Qual seu problema com ela, afinal?

—Parkinson é insuportável! – defendeu-se zangado.

—Mas precisava ter azarado ela na frente da professora McGonagall? – perguntou Damian, que passava o esfregão no chão, tentando tirar as manchas de barro.

—Eu não sabia que a professora estava olhando, ok? – perguntou fechando a cara.

—Eu só estava do seu lado! Por que raios eu precisei levar detenção também? – resmungou Damian – Eu poderia estar estudando pros N.O.M.s, mas nãaaao... estou aqui, limpando o chão... feito um trouxa. – resmungou ele.

Rasalas bufou zangado e passou para a próxima armadura do corredor.

—Você é insuportável algumas vezes. – resmungou Rasalas – Por acaso não lembra de quando eu te ajudei com o Pennywather?

—Foi completamente diferente. Ele me atacou. – resmungou Damian – Gratuitamente.

—Gratuitamente? Você chamou a namorada dele de sangue ruim. Você merecia todas as azarações que ele tentou lançar em você. – resmungou Rasalas – Esse preconceito é perigoso cara.

—Lá vem você, com esses seus pensamentos liberais. – resmungou Damian – Já não basta a professora de Estudo Trouxa falando que a trouxas e bruxos são iguais?

—E somos mesmo. – ralhou Rasalas – Deixe eu te contar. Nenhum “traidor de sangue” nunca matou um elitista só por conta das ideias dele. Houve guerra e eles precisaram se defender. Agora, o contrário aconteceu aos montes.

—Até parece. – resmungou Damian. Rasalas soltou um suspiro, mirando a armadura que estava limpando.

—Quando minha mãe tinha nossa idade... antes de entrar pro quinto ano... – Rasalas mergulhou seu pano no balde com produtos de limpeza. Depois o torceu para tirar o excesso e então voltou a limpar a armadura – Ela foi passar uma semana com uma amiga dela. Como sempre fazia. Os Meadowes... – ele soltou um suspiro – O Lorde das Trevas já estava muito poderoso e os pais dela trabalhavam na Corte dos Bruxos, defendendo que aquele preconceito todo era errado, querendo promover leis que puniam quem atacasse os trouxas... minha mãe voltou da casa da amiga dela e quando entrou em casa... a mãe dela tinha sido esfolada, o pai dela tinha sido esquartejado e o irmão dela, de oito anos, tinha sido decapitado... nunca acharam a cabeça dele. Acham que explodiram ela.

—E-está falando sério? – perguntou Damian com os olhos do tamanho de pires. Rasalas concordou com a cabeça.

—Eles não lutaram com ninguém... eles não desafiaram ninguém... eles apenas defendiam que o preconceito era errado... e isso aconteceu com eles. Minha mãe ficou sozinha no mundo. O ministério apreendeu o cofre dos meus avós, dizendo que eles estavam conseguindo dinheiro de maneira ilegal, com comércio trouxa. Difamaram meus avós para evitar muita pressão na hora de investigar a morte deles. Logo caiu no esquecimento. Minha mãe ficou sozinha no mundo, sem um galeão sequer... precisou arrumar bicos no verão, vender as joias da família para comprar material escolar... No sétimo ano, ela precisou vender as camas e passou a dormir no tapete. – Rasalas olhou para Damian – Então pare de achar que reles preconceito não é perigoso. O Lorde das Trevas voltou e logo vamos estar mergulhados em guerra.

—Você é um Lestrange. – murmurou Damian – Seu pai era um dos caras mais fiéis a Você-Sabe-Quem... você não vai... seguir os elitistas? – perguntou o garoto levemente surpreso.

—Não. – respondeu Rasalas – Eu não vou lutar por ninguém. – respondeu ele – Só pela minha irmã e minha mãe.

Ouviram passos no corredor e calaram a boca. Aquele não era um assunto que se poderia ficar falando por ai. Mas logo notou que era apenas Hermione. Ela guardou um pergaminho nos bolsos das vestes e olhou para ele com um sorriso eufórico.

—Ras. Preciso falar com você! – disse ela. Hermione olhou de esgueira para Damian e depois o olhou nos olhos – A sós.

Rasalas sorriu para ela.

—Adoraria. Mas estou em detenção... pode ser outra hora?

—Não pode esperar um minutinho? É rápido. Eu juro. – murmurou ela.

Rasalas olhou para o amigo, que deu de ombros.

—Ok... vem. – foram juntos para um lugar mais afastado no corredor. Hermione olhou para os lados, parecendo afoita. – O que houve?

—Bem... – ela riu, entusiasmada – Você sabe que o Ministério está tentando abafar o retorno de Você-Sabe-Quem, né? – perguntou ela.

—Sim. – respondeu simplesmente.

—Mas... mas não dá pra gente simplesmente fechar os olhos quanto a isso... então... eu pensei... Bem... eu e o Rony... O Harry também... Nós queremos montar um grupo, sabe? Pra estudar Defesa Contra as Artes das Trevas. Afinal, não estamos aprendendo coisa alguma com Umbridge.

—Isso não é contra as regras?

—Por isso vai ser secreto. – riu ela – Nós vamos explicar melhor num outro momento. No Cabeça de Javali, no próximo passeio pra Hogsmeade. Você é o único da Sonserina a participar... porque... bem... você é especial.

Rasalas sorriu e acariciou o queixo dela com o polegar.

—Sou? – perguntou a olhando nos olhos. Hermione sorriu e corou furiosamente.

—Bem... você é diferente dos outros... você não tem aquele pensamento medieval, de pureza de sangue... essas coisas.

Rasalas concordou.

—Eu vou... mas com uma condição. – riu ele. Hermione o olhou curiosa.

—Qual?

—Feche os olhos. – respondeu. Hermione obedeceu, corando e ele lhe roubou um beijo. Ela suspirou nos seus lábios e ele a colocou contra a parede. A beijou lentamente, sentindo saudades dela. Sentiu a garota passar os braços ao redor de seu pescoço e a abraçou pela cintura. Escorregou os beijos pelo pescoço dela e a mordiscou de leve. Voltou para os lábios e a mordiscou de leve ali também. Depois a olhou nos olhos – Prometo que vou.

—O-obrigada... – murmurou ela. Hermione sorriu sem jeito e saiu olhando para trás, timidamente. Acenou para ela, com um sorriso no rosto.

Então voltou para junto do colega, para voltar a limpar o corredor.

—Sério? Você beijou aquela guria de novo? – perguntou Damian com censura.

Rasalas o olhou com troça.

—Ela vai ser a Sra. Lestrange um dia. – riu ele.

Damian o olhou horrorizado.

—Você não pode fazer isso! – ralhou o colega – Ela é nascida trouxa. Vai estragar a sua família.

—Ou então concertá-la. – retrucou Rasalas – Eu não ligo para o diretório. Eu não ligo pra nada disso. Meu avô não vai me obrigar a casar com uma sangue puro. Os Lestrange estão com os dias contados no Diretório Puro Sangue.

—Eu não acredito que vai fazer isso. – ralhou Damian – Você é radical demais, sabia? – perguntou o colega o olhando com censura – O que ela queria afinal?

Rasalas deu um sorrisinho.

—Me chamar pra sair. – respondeu simplesmente.

—E você aceitou?

—É claro que sim. Hermione é legal, bonita, inteligente. É a melhor bruxa do nosso ano...

—Essas aberrações acontecem vez ou outra... mas não é normal. Nascidos trouxa normalmente são um fiasco na escola. Eles tem pouca magia.

—Isso é mito. Já viu Longbottom? Ele é puro sangue e é um fiasco. – riu Rasalas – Só aceita, Damian... sangue não significa coisa alguma.

—Você é maluco.

Ficaram até muito tarde limpando aquele corredor, até que a professora McGonagall apareceu, os olhando com censura. Ela os liberou e os dois voltaram para o Salão Comunal.

Blair estava sentado sozinho, parecendo zangado e as meninas não estavam lá.

—Que cara é essa? – perguntou Damian se sentando – Afe, preciso de um banho. Estou fedendo a trouxa.

—Está mesmo. – resmungou Blair. Ele soltou um suspiro – Briguei com a Daphne de novo.

—O que foi dessa vez? – perguntou Damian. Rasalas se contentou em olhar em silêncio.

—Ela é muito ciumenta. – respondeu Blair – Fica querendo me controlar o tempo todo. Não posso olhar para o lado que ela fica emburrada.

—Bem... se você não ficasse olhando com fome pra qualquer rabo de saia que aparecesse... ela certamente não ficaria insegura assim. – resmungou Rasalas – Vamos tomar banho. Eu detesto cheiro de alvejante.

—Qual o problema de olhar? – perguntou Blair – Não arranca pedaço de ninguém! – resmungou o garoto se levantando.

—Sei lá... eu não ia gostar se minha namorada ficasse dando bola pra outros garotos. – respondeu Rasalas dando de ombros.

—Todo mundo sabe que você é um ciumento neurótico, Rasalas. – brincou Damian.

—Eu melhorei bastante, ok? – perguntou o garoto mexendo nos cabelos – Eu até tentei te arrumar a minha irmã... – ele soltou um suspiro e nem prestou atenção no rosto corado do colega – A Lena gostava pra valer de você. Era só falar no seu nome que ela ficava sorrindo que nem tonta... – ele deu de ombros – Mas acontece. Vou tomar banho.

Blair voltou para o dormitório e ele e Damian foram para o banheiro. Cada um entrou em um boxe para tomar banho. Depois de limpo, enrolou a toalha na cintura e olhou-se no espelho. Ficou brincando na frente do reflexo, mudando a cor dos cabelos. Damian apareceu e ficou sugerindo cortes. Acabou ficando com um moicano azul elétrico, arrancando gargalhadas do colega.

Voltaram para o quarto, onde Draco fazia abdominais, Vince levantava uns pesos e Greg olhava uma revista adulta. Blair estava deitado de olhos fechados, parecendo aborrecido.

Entrou na sua cama e fechou as cortinas. Colocou o pijama e então se deitou. Fechou os olhos pensando na irmã. Estava com saudades dela e da mãe. Pensou no pai, que estava preso, se perguntando o que ele iria fazer quando fosse libertado. Ele iria voltar para o Lorde das Trevas? Ou ele iria voltar para sua mãe? Ele sequer merecia a sua mãe?

E como estaria Lupin? Abriu os olhos pensando no ex professor. Lembrava de ver a mãe sorrir contente só por tê-lo por perto. Sua mãe nunca sorria sem motivo. Era sempre séria, prática... mas quando reencontrou Lupin, passou a ser até mais vaidosa... ele fazia bem a ela. Suspirou se perguntando o quão diferente estava de si mesmo há dois anos atrás.

—Sou uma pessoa melhor agora. – murmurou pra si mesmo. Se sentou na cama, pegou um pergaminho, tinteiro e pena – Hora de... de crescer de uma vez... – murmurou pra si mesmo.

“Papai” soltou um suspiro, olhando sua letra sobre a luz da varinha “essa é a última carta que vou te mandar.” Seria necessário, escrever aquilo? Estavam em guerra e ele não fora honesto ao falar com Damian. Ele queria lutar sim. Mas não pelos elitistas... Iria lutar pelo lado certo... “Eu não sei qual lado você vai escolher, mas eu já escolhi o meu. Eu não vou ser um comensal. Eu me recuso a apoiar essa causa podre.”

Soltou um suspiro e amassou o pergaminho, jogando-o de volta no malão. Esperaria. Esperaria até o natal... se deitou novamente e fechou os olhos.

***

Rasalas entrou no Cabeça de Javali e notou como estava silencioso. Se virou e viu uma pequena multidão com muitos alunos da Grifinória e um punhado de alunos da Lufa-Lufa e da Corvina. Colocou as mãos nos bolsos, timidamente, se sentindo levemente intimidado.

—Um Sonserina. – murmurou um garoto da Lufa-Lufa – O que vamos fazer?

—Ele está com a gente. – disse Hermione com a voz firme – Vem pra cá, Rasalas.

O garoto caminhou, recebendo olhares desconfiados. Notou principalmente o olhar zangado de Ronald Weasley.

—Não acredito que chamou seu ex namorado, Hermione! – ralhou ele. Hermione corou furiosamente.

—Qualé, Rony. Você sabe muito bem que o Ras não é...

—Ele é da Sonserina. É amigo do Malfoy! – ralhou Rony – Ele vai estragar tudo. – Ouviu um murmurinho de concordância.

—A mãe dele é a Sra. Valentine. – retrucou Hermione. Rony e Harry olharam surpresos pra ela.

—Sério? – perguntou Rony. Rasalas desviou o olhar e concordou dando de ombros.

—Por que sua mãe não é Lestrange? – perguntou um dos gêmeos Weasley.

—Isso não importa. O que importa é que ele é de confiança. – disse Hermione com eficiência. Rasalas se sentou numa cadeira, ainda intimidado. Mas não arriscaria chamar nenhum de seus amigos.

Hermione começou a falar que queria montar um grupo de Defesa Contra Arte das Trevas, não apenas por conta dos N.O.M.s, mas também por conta do retorno do Lorde das Trevas. Algumas pessoas riram com algum desdém, não acreditando naquilo.

—Hermione não está mentindo. E nem Harry. – ele disse. Sentiu os olhares todos sobre si – O Lorde das Trevas voltou mesmo.

—E como você pode ter certeza? – perguntou uma garota bonita e loira da Grifinória.

—Porque meu pai é um Comensal de Morte. – respondeu simplesmente – Ele está preso, mas lúcido. Sem falar que... – Rasalas respirou fundo e disse com certo desgosto – Eu acredito em Albus Dumbledore.

Hermione o olhou com certo orgulho, mas os outros olharam para ele com mais desconfiança, principalmente Longbottom.

—Eu não confio nele. – disse o garoto de rosto gordinho. Rasalas soltou um suspiro.

—Eu não sou como meu pai, meu tio e tia. – disse olhando para Longbottom – Eu realmente sinto muito pelo que eles fizeram no passado. – Rasalas soltou um suspiro – Os Comensais tentaram matar minha mãe. Ela nunca se recuperou das cicatrizes. Eles mataram meus avós e meu tio, quando ele era apenas uma criança. Eu nunca apoiaria os elitistas, independentemente do meu sobrenome.

—Eu acredito nele. – disse Harry. Rasalas olhou para o colega.

—E eu acredito em você, Harry. Nunca duvidei, nem um segundo sequer. – retrucou. Harry sorriu agradecido e Rasalas fez o mesmo – Se vamos montar um grupo de treino, eu serei de ajuda. Afinal meus amigos são todos cães da Umbridge. Eu posso manter vocês informados sobre os movimentos deles. E como eu sou um Sonserino, eu posso até mesmo fingir ser um deles e ajudar a acobertar vocês. – Rasalas cruzou os braços – Vamos precisar de um lugar muito bom para fazer isso... vocês já tem alguma ideia?

—Ainda não. – respondeu Hermione, mordendo o lábio.

—E quem vai nos treinar? – perguntou um garoto da Lufa-Lufa.

—Bem... Harry. – respondeu Hermione.

—O que faz dele competente assim, para substituir um professor? – perguntou o mesmo garoto – Ele não é melhor do que qualquer um de nós.

—Desculpe. – riu Rasalas com desdém – Mas algum de vocês enfrentou dragões, dementadores, sereias, acromântulas e seja mais lá o que, que tinha no Torneio Tribruxo? – o garoto corou com fúria e os gêmeos Weasley riram achando graça – Eu sei que eu não enfrentei e eu não estou nem um pouco tão preparado quanto Harry.

—Obrigada, Rasalas. – riu Hermione.

—Disponha. – respondeu com um sorriso para ela e uma piscadela. Hermione corou e desviou o olhar.

—É verdade que você faz um patrono, Harry? – perguntou uma garota com o cabelo preso numa trança. Ela era Susan Bones, se não se enganava.

—Sim. É um cervo. – respondeu Hermione e Rasalas piscou surpreso. Soltou um assovio, impressionado.

—E é verdade que você matou um basilisco com uma espada no segundo ano? Um retrato me disse isso uma vez. – perguntou um garoto de cabelos loiro alaranjados.

—Sim... – murmurou Harry sem jeito. Rasalas o encarou boquiaberto.

—Um basilisco? – perguntou chocado e algumas pessoas deram risadinhas.

—E no primeiro ano ele salvou a pedra filosofante. – disse Longbottom.

—Pedra Filosofal, Neville. – corrigiu Hermione.

—Eu lembro desse... essa Taça das Casas nunca me desceu a garganta. – disse com sorrisinho. Alguns o olharam com censura, mas Harry sorriu achando graça. – Ele mereceu uma Ordem de Merlin, agora a Taça das Casas foi sacanagem.

Harry e Hermione riram de novo, alguns outros os acompanharam, mas a maioria ainda o olhava com alguma desconfiança.

—Olha... eu não estou querendo ser modesto, nem nada disso. – disse Harry – Mas eu tive muita ajuda com tudo isso.

—Desculpe, mas você acha que Dumbledore ou até mesmo o Lorde das Trevas trabalham sozinhos? – perguntou Rasalas – Até mesmo os maiores bruxos trabalharam em conjunto. Hogwarts não foi construída apenas por um bruxo, mas por vários.

—É mas...

—E você não precisou da ajuda de ninguém com aquele dragão. – adicionou Michael Corner – Você voou de maneira impressionante.

—É, bem... – murmurou Harry sem jeito.

—E você se livrou sozinho dos dementadores, nesse verão. – disse Susan Bones.

Rasalas tinha escutado o avô comentar que Harry tinha se metido em problemas por usar magia de maneira indevida nas férias, alegando que tinha sido atacado por dementadores. Lembrava do avô falar que ele era um menino idiota, louco por atenção e que acabaria expulso da escola.

—Não, não, ok, eu fiz isso sem ajuda, mas o fato é que eu estou tentando fazer isso...

—Você quer nos mostrar como se faz isso tudo? – disse Zacharias Smith.

—É essa a ideia. – disse Rony alto, antes que Harry respondesse. – Por que você não fecha a sua boca?

Talvez a palavra "mostrar" afetou Rony. Estava olhando Zacharias como se não tivesse nada para atirar nele. Zacharias corou.

—Bem, ele está sugerindo nos ensinar isso tudo e ao mesmo tempo ele está dizendo que realmente não pode fazer nada disso.

—Não é o que ele está falando! – rosnou um dos gêmeos.

—Você gostaria que nós limpássemos sua orelha para você? – perguntou o outro, tirando um instrumento de metal de uma das bolsas da Zonko's.

—Ou qualquer parte de seu corpo, realmente, ou onde nós conseguirmos fazer isso alcançar. – disse o primeiro gêmeo. Rasalas soltou uma risadinha, olhando para Smith com desdém.

—Sim, bem... – disse Hermione secamente. – Chega... A questão é: quem quer ter lições com Harry?

Fizeram-se murmúrios de aprovação. Rasalas concordou com a cabeça, numa confirmação silenciosa, afinal não tinha com quem falar. Zacharias cruzou seus braços e não disse nada, talvez porque estivesse muito ocupado em olhar o instrumento na mão de um dos gêmeos Weasley.

—Certo! – disse Hermione, olhando aliviada. – Bom... depois, a próxima pergunta é com que frequência nós faremos isso, acho que uma vez por semana, alguma oposição?

—Por favor. – disse a capitã do time da Grifinória – Nós precisamos ter certeza que não há aula durante o treino de quadribol!

—Não... – disse Chang – nem no nosso.

—Nem nosso. – disse Zacharias Smith.

—E nem no da Sonserina. Eu sou do time também. – disse Rasalas se perguntando como fariam aquilo funcionar.

—Eu tenho certeza que podemos encontrar uma noite livre. – disse Hermione impaciente – Mas vocês sabem, a importância do que estamos falando... sobre aprender a nos defender dos Comensais da Morte de Voldemort...

—Bem dito! – disse Ernie Macmillan. – Eu acho que é importante, mais importante do qualquer outra coisa que vamos fazer esse ano! – o garoto olhou apreensivo. Provavelmente estava esperando pessoas dizerem "Claro que não!", como ninguém falou, acrescentou; – Eu estou perdido querendo saber por que o Ministro mandou essa professora inútil num período difícil. Óbvio, eles não acreditam sobre o retorno de Você-Sabe-Quem, mas mandar uma professora que não quer que a gente faça qualquer feitiço...

—Meu avô disse que Fudge acha que Dumbledore está querendo transformar a escola em seu exército particular. – riu Rasalas com desdém – Fudge é um tonto. Está morrendo de medo de perder o cargo.

—Fudge realmente está pensando isso? – perguntou Hermione. Ele a olhou nos olhos e a menina corou de novo. Adorava quando ela corava só de olhar para ele. Se perguntou se ela ficava se lembrando de suas aventuras nada comportadas no ano passado.

—Sim. – respondeu dando de ombros – Ele acha que Dumbledore está inventando sobre o retorno do Lorde das Trevas apenas para enfraquecer o governo dele.

—Esse cara é um imbecil. Por que Dumbledore inventaria uma coisa dessas? – perguntou a irmã caçula dos Weasley.

—Justamente por isso. Ele é um imbecil. – riu Rasalas. – Mas onde vamos fazer isso? – disse voltando ao assunto em questão – Eu não acho que poderemos fazer isso numa biblioteca e seria muito arriscado fazer em uma sala vazia.

—Talvez McGonagall deixe a gente usar a sala dela. – sugeriu Rony – Ela deixou quando Harry estava praticando para o torneio Tribruxo.

Rasalas não conseguiu imaginar a professora McGonagall os apoiando naquilo, mas talvez ela fosse mais liberal com o pessoal da própria casa.

—Está certo, nós tentaremos achar algum lugar – disse Hermione. – Mandaremos uma mensagem para todos quando encontrarmos um lugar para o primeiro encontro. Eu acho que todos devem escrever seus nomes, só para sabermos quem está aqui. Eu também acho – ela respirou fundo – que nós não devemos falar o que estamos fazendo. Principalmente com a Umbridge. – Escrevam seus nomes numa lista, para que a gente saiba quem está dentro.

Um dos gêmeos pegou um pergaminho e escreveu seu nome, mas Rasalas notou que muitos não pareciam felizes pondo seus nomes na lista. Para ganhar ainda mais confiança do grupo, se levantou e escreveu seu nome sem hesitar. Olhou para Hermione e piscou para ela, com um sorrisinho e a garota corou novamente.

—Er... – disse Zacharias devagar, não pegando o pergaminho que o outro gêmeo estava tentando passar para ele. – Bem... Eu tenho certeza que Ernie me dirá quando será nosso próximo encontro,.

Mas Ernie pareceu hesitante também. Hermione levantou suas sobrancelhas.

—Eu... Bem... Nós somos monitores... – Ernie falou. – E se essa lista for encontrada... Bem, eu digo... Você disse... se Umbridge descobrir...

—Você disse para essas pessoas que era a coisa mais importante que você faria esse ano! – Harry lembrou.

—Eu... Sim, sim eu ainda acredito nisso...

—Ei, você não acha que eles são obtusos a ponto de deixar essa lista largada por ai, acha? – perguntou Rasalas.

—Não, é claro que não. – respondeu o monitor da Lufa-Lufa, ficando menos ansioso. – Sim, é claro, eu assinarei.

Rasalas recebeu um olhar agradecido de Hermione e apenas riu de volta para ela. Ninguém foi contra depois de Ernie. Quando a última pessoa, Zacharias, assinou Hermione pôs o papel dentro da sacola. Tinha um sentimento estranho no grupo agora. Era como se tivessem feito um tipo de contrato. Ele tinha certeza de que a amiga tinha enfeitiçado aquele pergaminho, ou então iria enfeitiçar.

Depois disso o grupo trocou uma ou duas palavras e se dispersou. Rasalas não se demorou ali. Queria se encontrar com seus amigos da Sonserina, ainda. Se despediu de Harry e Hermione e então olhou para Rony.

—Eu espero que a gente volte a ser amigos, Rony. – disse para o colega – Eu realmente te acho um cara legal. Eu não sou um monstrinho só por estar na Sonserina, sabe? – perguntou com um sorrisinho.

Rony o olhou meio zangado e bufou em resposta, corando de leve. Olhou para o lado e viu a irmã dele. Ela o olhava com curiosidade. Sorriu e lançou uma piscadela para ela, antes de se virar em direção à saída, mas a garota só revirou os olhos, com pouco caso, sem dar bola pra ele.

Rasalas sorriu e saiu do Cabeça de Javali, para se encontrar com os colegas no Endure, um outro barzinho que o pessoal da Sonserina costumava ir.

Hogsmeade foi divertida, como sempre. Sempre cheia de cerveja amanteigada, risadas e piadas. Draco e Pansy flertaram de leve, Daphne e Blair discutiram porque Blair não parava de secar a atendente do balcão, Damian parecia levemente distante, com os olhos distraídos, Greg e Vince apostavam queda de braço.

Rasalas soltou um suspiro se perguntando quanto tempo aquilo duraria. Um grupinho da Corvinal entrou no bar e ele começou a dar em cima de Susan Bones, que apenas ria muito dele, com o rosto moreno corando de leve.

Depois de muita conversa e alguns beijos com a garota, voltou com os colegas para a escola, ouvindo piadinhas sobre ter se dado bem com a Corvinal. Damian pulou em suas costas e ele correu com o colega, fazendo-o rir. Quando chegaram em Hogwarts, foram para as masmorras e então para o Salão Comunal. Blair e Daphne ficaram para trás e ele se perguntou quanto tempo o casal sobreviveria.

Soltou um suspiro, se lembrando da vez que a beijara, dentro do lago. Sentia falta da amizade com ela e principalmente daquele sentimento de excitação. Sempre se perguntando se conseguiria beijá-la de novo.

—No que está pensando? – perguntou Damian. Rasalas piscou, voltando à realidade – Na Bones?

—Não. – riu dando de ombros – Bones foi só aquilo lá mesmo. – murmurou suspirando. Daphne entrou novamente no salão comunal, com os olhos cheios de água. A seguiu com os olhos e a viu descer as escadas para o dormitório. Olhou para Damian, que deu de ombros – Será que...

—Não sei.

Blair entrou em seguida, furioso. Os dois olharam para ele.

—Acabou. – resmungou Blair – Eu não aguento mais.

Sentiu um frio na barriga e se censurou por isso. Não queria nada com Daphne Greengrass. Tentou pensar em Hermione, mas os olhos azuis e o sorriso feliz de Daphne não paravam de flutuar em seus pensamentos.

Droga.

****

Estavam estudando da biblioteca. Rasalas olhava para a irmã caçula de Rony. Ela estava de pé, ao lado de uma amiga, mas acabou se curvando, para apoiar os cotovelos na mesa. Isso acabou deixando a curva da bunda dela em completa evidência, por baixo da saia. Sorriu achando muito bonito o formato do corpo dela. Ela estava ficando muito bonita.

—Céus, Rasalas. Pisca! – ralhou Damian. O olhou com um sorrisinho – Francamente. Primeiro Granger. Agora Weasley?

—Sou um admirador da beleza feminina. – riu ele. Olhou para Gina novamente e sorriu – E ela está transbordando beleza para ser admirada.

—Você é um idiota. – sussurrou Blair – Ela é uma traidora de sangue.

—Eu também. Então qual o problema? – perguntou dando de ombros.

—Por que a gente ainda fala com ele? – perguntou Damian.

—Porque você quer entrar nas saias da minha irmã. – respondeu Rasalas voltando os olhos para o livro de poções. Damian corou e soltou um muxoxo.

—Francamente, até eu quero. Draco não fala de outra coisa. – riu Blair. Rasalas piscou e levantou o olhar para ele.

—Você não.

—Por que não? – perguntou Blair.

—Você já pegou a Daphne quando eu gostava dela. Quer pegar minha irmã também? – perguntou fechando a cara. Blair piscou surpreso.

—Gostava dela? Você a estava dispensando uma vez atrás da outra. – disse Blair.

—Fala sério, Blair. – riu Damian – Era muito óbvio que o Rasalas estava apaixonado. Ele só estava sendo retardado por conta do avô dele.

Blair o olhou sem jeito.

—Poxa... eu realmente achei que você não queria... – murmurou o amigo.

—Eu superei Daphne Greengrass. – murmurou Rasalas dando de ombros – Mas fique longe da minha irmã. O único que tem a minha bênção aqui é o Damian, mas só porque é amor verdadeiro.

—Ah, cala a boca, Rasalas! – resmungou Damian, fazendo os dois rirem.

—Bem... eu acho que já estudei o suficiente. – riu Rasalas fechando seu livro – Já terminei todas as tarefas de casa e só falta reler o livro estúpido da Umbridge. Mas eu não vou perder meu tempo com isso.

—Eu estou preocupado com nosso N.O.M.s esse ano. – murmurou Blair – Não aprendemos nada.

—Isso é verdade. – resmungou Damian – Se eu falhar nos N.O.M.s em DCAT, eu vou estar perdido. Minha família vive lidando com objetos das trevas. Se eu falhar logo nessa, como vou tocar os negócios da família?

Rasalas olhou para os colegas, se sentindo tentado a falar do grupo, mas achou melhor não. Ainda nem tinham se encontrado...

—Bem... vamos ter que aprender por nós mesmos, não é? – perguntou dando de ombros – Vamos, Blair. Treino de quadribol.

—Graças a Merlin. – riu o colega guardando os próprios livros – A gente se vê mais tarde, Damian.

—Ok... eu vou tentar aprender alguma contra azaração com esse livro idiota. – resmungou ele, aborrecido.

Rasalas e Blair colocaram as mochilas nas costas e começaram a ir para a porta. Rasalas olhou mais uma vez para Weasley e soltou um assovio safado. As amigas dela soltaram risadinhas e a garota o olhou achando graça, mas não deu muito mais bola que isso. Rasalas riu e foi com Blair para fora.

—Você realmente ficaria com aquela garota se ela aceitasse? – perguntou Blair com censura.

—Você tem alguma dúvida? Eu beijei Hermione Granger e não me arrependo nem um pouco. – disse rindo – Já falei que sou mente aberta. Me chame de traidor, se quiser.

—Você é meu amigo, Ras... mas eu não acho certo isso que você está fazendo. – disse Blair.

—Você não desrespeitando elas, com xingamentos, por mim, tudo bem. – disse calmamente.

Caminharam até o campo de quadribol e foram para o vestiário. Trocaram de roupa, pegaram os bastões e as vassouras. Miles deu um treino muito apertado para eles. Todos sentiam muita falta do quadribol.

Draco era o que voava melhor entre eles. Rasalas tinha que jogar os balaços nele e Blair tinha que defendê-lo. Depois invertiam. Rebateu balaços tantas vezes que suas costas estavam doendo horrores quando Miles os liberou.

—Esse treino foi bom. A taça de quadribol vai ser nossa esse ano. – disse Draco, animado.

—Com certeza. – riu Rasalas tirando a roupa e se olhando no espelho. Ele flexionou o braço, satisfeito com o braço forte. Blair fez o mesmo ao seu lado. O amigo era muito maior, mas nem ligou. Draco era mais magro que os dois, apesar de estar em forma também.

—Como consegue ficar desse tamanho, Blair? – perguntou o loiro. Blair riu convencido.

—Eu sei lá. Nasci assim.

—Eu lembro quando você parecia um tronquilho. – resmungou Draco indo para o chuveiro. Rasalas logo foi para o outro, gostando da água que caía sobre seu corpo – Alto demais, completamente desengonçado. Agora tá parecendo um touro.

—Chama-se “puberdade”. Quando você crescer, vai passar por ela também, não se preocupe. – riu Rasalas.

—Falou O adulto, né? – perguntou Draco se enfiando embaixo da água fria. Rasalas deu uma risadinha o imitando.

Quando terminaram de tomar banho, foi vestir o uniforme e levou uma toalhada molhada na bunda. Tentou pegar Malfoy, furioso, mas o garoto simplesmente era inalcançável.

—Sério, Draco. Em outra vida você foi batedor de carteira! – resmungou Rasalas quando já estava cansado de correr atrás do amigo, que apenas ria com deboche.

O trio se vestiu e foi voltando para o castelo, com os corpos começando a doer de verdade por conta dos exercícios. Rasalas com sua firebolt, Draco e Blair com suas Numbus 2001. Draco resmungou falando que o pai só iria lhe comprar uma firebolt quando ele derrotasse Potter. Blair riu achando graça e Rasalas respirou fundo.

—Prepare-se para ganhar uma nova. Eu vou derrubar Potter da vassoura esse ano. Ele não vai pegar o pomo.

—É assim que se fala! – riu Blair lhe bagunçando os cabelos.

Guardaram as vassouras e foram jantar. Rasalas ficou mudando os cabelos e o nariz para fazer Astoria e Emilia caírem na gargalhada. Uma hora mudou o rosto para ficar parecido com o de Rony.

—Vá comer lesma, Malfoy. – disse imitando a voz do colega e depois fingiu vomitar a própria gravata. Draco riu tanto que saiu suco de abóbora pelo seu nariz. Voltou ao normal, rindo também.

—Esse dom é tão maneiro. – riu Damian.

—Eu sei. É graças a ele que sempre fui bom em Transfiguração. Faço isso desde sempre comigo mesmo. – murmurou pegando um pouco mais de purê.

—Você pode se transformar em qualquer pessoa, Ras? – perguntou Astoria com um sorriso.

—Sim. Quanto mais diferente de mim, mais difícil. – respondeu.

—Se você se transformar no guitarrista das Esquisitonas, eu te dou um beijo. – riu Amélia Flint, uma garota mais velha e muito bonita. Rasalas deu um sorriso safado.

—De língua?

—De língua.

Se concentrou e mudou de forma. Amélia o segurou no rosto e lhe deu um beijo daqueles. Depois saiu rindo com as colegas. Voltou ao normal, completamente risonho.

—Estou tão feliz em ser eu. – riu pros amigos.

Blair e Draco o olhavam boquiaberto.

—Eu estou com tanta inveja. – murmurou Vince.

Damian finalmente chegou, atrasado.

—Onde estava? – perguntou Blair. Ainda estava na biblioteca?

—Uhum. – respondeu ele se servindo com pressa – Eu estou tão cheio de coisas pra estudar. – resmungou ele – Vocês terminaram as tarefas sobre de Criaturas Mágicas? Eu não consegui escrever muita coisa sobre os tronquilhos. E tenho certeza de que eles vão cair nos N.O.M.s...

—Finalmente essa matéria está legal. – murmurou Draco – Tomara que Hagrid não volte.

—Com certeza. – resmungou Rasalas – Não me esqueci dos explovisins...

— Explosivins. – corrigiu Damian – Na verdade eles foram muito úteis. Eu roubei algumas larvas e mandei pro meu pai. Ele soube lidar com eles. São excelentes para pegar sangue de alguns animais.

—Eu não acredito que está defendendo aqueles bichos. – ralhou Draco – Eu quase perdi meus dedos com eles.

—Eu tenho que concordar com Draco. – riu Rasalas.

—Não disse que gosto deles. Disse que podem ser úteis. – retrucou Damian dando de ombros e então colocando um monte de purê na boca.

Voltaram a jantar e então foram para o Salão comunal.

*****

Rasalas apontou para Damian.

—Expelliarmus. – disse com um sorrisinho. A varinha do amigo saiu voando.

—Você pode parar com isso? – perguntou ele franzindo a testa – Eu estou praticando os feitiços silenciadores.

Rasalas deu um sorrisinho. Harry tinha ensinado aquele truque na reunião da AD e agora ele estava realmente muito bom nele.

—Estou praticando. Esse feitiço sempre cai nos N.O.M.s. – riu Rasalas.

—Expelliarmus. – disse Daphne atrás dele. Sua varinha tremeu em sua mão, mas não voou para longe. Pulou do sofá e apontou a varinha para ela.

—Expelliarmus. – disse confiante. A varinha dela voou para longe e Daphne caiu no chão. A olhou sorrindo, mas culpado – Desculpa! Não quis te derrubar! – riu ele correndo para ajudá-la a levantar.

—Expelliarmus. – escutou uma voz atrás de si. Sua varinha realmente voou dessa vez e ele foi jogado para frente. Caiu entre as pernas de Daphne. Teve uma boa vista da calcinha preta dela e lhe lançou um sorriso safado. Daphne se arrastou para longe dele e o estapeou no rosto.

—Idiota! Por que fez isso, Pansy? – ralhou Daphne, corando violentamente. Pansy apenas ria.

—Desculpe! Não achei que fosse conseguir. – disse Pansy, realmente parecendo sentir muito.

Rasalas rolou para se sentar,mordiscando seu lábio, sentindo seus países baixos reagirem a sua fértil imaginação. Pegou sua varinha e foi para o banheiro. Xingou baixinho e tentou se conter. Não poderia alimentar aquilo. Molhou o rosto, se contendo e então voltou para o dormitório.

Pegou seu caderno de História da Magia e se colocou a estudar. Mas sua mente viajou para um dia de sol, com Daphne nadando em sua direção, no lago. Deitou a cabeça no travesseiro, se lembrando do beijo dela.

—Mas que droga. – resmungou baixinho. Fechou o caderno e voltou para o Salão Comunal. Daphne estava de braços cruzados, conversando com Pansy e Emília.

Sacudiu a cabeça e deixou o salão comunal. Colocou as mãos nos bolsos e ficou caminhando pelos corredores. Deixou o castelo e caminhou até o lago. O sol já estava para se por e o Sábado finalmente estava acabando. Ficou olhando o lago, se lembrando do dia em que a Lula Gigante o levantara pelo tornozelo. Soltou um suspiro, desanimado e logo escutou alguém ao seu lado.

—Oi, Damian. – murmurou.

—Rasalas. – resmungou Damian. O colega deu um suspiro – Daphne?

—Lena?

Damian deu um sorriso triste.

—Ela não escreveu pra mim... ela mandou alguma coisa pra todo mundo, menos pra mim.

—Ela não mandou nada pro Draco, nem pro Vince ou o Greg... nem pro Blair.

—Ela não é amiga deles. – murmurou Damian – Eu fui tão idiota. – resmungou ele.

Rasalas suspirou.

—É... eu também. – disse olhando o lago.

Ficaram naquele silêncio por um tempo.

—Me ensina a desarmar? – perguntou Damian.

—Ok. – riu Rasalas ficando de pé e sacando a varinha. Damian o imitou. – Bem... não é tão difícil, na verdade.

Ficaram treinando por uma boa meia hora e logo Damian estava desarmando tão bem quanto ele.

—Vamos duelar? – pediu Damian.

—Ok. – riu Rasalas empolgado.

Ficaram se divertindo por um tempo. Damian duelava bem. Seus feitiços pareciam ser mais potentes, mas ele tinha uma péssima mira. Rasalas, ao contrário, não costumava errar os feitiços, por mais que Damian tentasse saltar para longe. O amigo então teve que se virar com escudos.

Rasalas não sabia fazer um feitiço de escudo e Damian o ensinou. Ficaram praticando na beira do lago, até que ficou realmente escuro. Voltaram para o castelo, com as testas suadas e satisfeitos consigo mesmos.

—Deveríamos fazer isso mais vezes. – riu Damian.

—É mesmo. – concordou simplesmente.

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Rasalas Lestrange

Notas finais
Yei! Eu amo a visita da Emms pro Rabs. Pois é, Rabastan... e se tiver sido o Rodolfo? Como vai ser? Heim? Heim? Heim? E esse Rasalas SA-FA-DI-NHO E a Lena fazendo besteira... ai ai Bem... é isso ai. Mais uma vez, obrigada pela recomendação! Milhões de beijos, espero vê-las nos comentários! =D BJUX