"UM PRESENTINHO, SARGENTO"

— E... enviar — murmurou Serena, sorrindo para o telefone.

A mensagem de texto acompanhava uma foto dela segurando uma pequena coleira felina em azul-turquesa com um pingente prateado, o nome Alpine gravado juntamente ao número de telefone de Bucky, identificando-o como responsável pela gata.

Simples, porém útil.

Quando viu aquela coleira no petshop da esquina, Serena soube no mesmo instante que precisava comprá-la. E tinha comprado por que... bom, porque achou que o tom de azul combinava com os olhos de Alpine. E, ora, a gata precisaria de uma coleira, não é mesmo? Estava apenas adiantando as coisas para Bucky.

Tudo bem, o sargento tinha sido enfático ao mencionar que estava providenciando apenas um "abrigo temporário", mas àquela altura estava convencida de que seria questão de tempo até que o brutamontes fosse completamente rendido pela presença da gatinha — especialmente depois de flagrá-lo fazendo carinho atrás das orelhas dela enquanto tomavam café.

O pingente de um dólar reluziu contra a luz do sol. Era um gesto bobo e que não compensaria pela gentileza da noite anterior — nem chegava perto —, mas esperava de verdade que Alpine — e Bucky — gostassem do presente. Ela encarou o telefone e deu um sorriso mordaz.

Era bem provável que naquele exato momento o sargento estivesse se perguntando como diabos tinha conseguido o número dele, provavelmente com uma daquelas caretas emburradas que volta e meia esboçava. Riu sozinha com o pensamento enquanto guardava o celular de volta no bolso. Serena então foi andando quarteirão afora a passos largos.

Milagrosamente não estava atrasada para o trabalho, mas considerando a falta do dia anterior, era melhor não testar a benevolência de Erika.

Quando cruzou a esquina, contudo, algo chamou sua atenção. Uma construção enorme, que parecia ter sido inaugurada a pouco tempo ocupava uma boa parte daquela quadra. O novo centro poliesportivo.

Parou de andar no mesmo instante.

Então era o tal lugar mencionado antes por aquele homem, o Senador Orlov. Até então ela estava evitando de pensar no assunto, apesar de ter pesquisado a respeito daquele lugar — e do próprio senador — em um ímpeto de curiosidade, dias antes.

O centro poliesportivo do Brooklyn era fruto de um projeto de lei de incentivo ao esporte, financiado pelo Centro de Repatriação Global e gerido pelo senador em pessoa que, ao que parecia, era um filantropo.

Apesar da inauguração recente, centenas de pessoas usavam aquele espaço para treinar, competir ou simplesmente desfrutar os benefícios de saúde física e mental oriundos da prática esportiva. Ela apertou os olhos. As políticas do GRC podiam ser podres, era verdade.

Mas... tinha de dar algum crédito ao senador por aquele trabalho, pensou, encarando a fachada de vidro imponente. E aquele lugar parecia ótimo, quase perfeito; assim como a proposta feita por ele naquela tarde. Treinar em um espaço tão estruturado como aquele... parecia um sonho.

Competir estava fora de questão, é claro. Mas voltar a treinar apenas por hobbie era outra história. Poderia fazer aquilo funcionar, percebeu. E, Deus, ela adoraria aquilo. O estádio ficava próximo do apartamento, menos de dez minutos andando. Talvez, caso se esforçasse um pouco, ela poderia...

Poderia o quê, uma voz ecoou em sua cabeça. Voltar a treinar? E o que vem depois? Vai largar seu emprego? E o que acontece quando as contas começarem a chegar? Vai viver do quê?

Esqueça essa história. É melhor assim.

Serena sentiu o coração esmigalhando. A voz tinha razão, não suportaria passar por aquilo de novo.

Uma memória arraigada daquela tarde em 2018 voltou para assombrá-la. Um centro poliesportivo semelhante àquele. Uma plateia enorme assistindo-a.

Então os gritos.

A poeira.

As vigas caindo... então, 2023.

Um mundo novo, onde não era nada, não tinha nada e... afastou aquilo.

Ao invés, deu um passo para frente, os olhos perscrutando a fachada. O prédio era novo, gigantesco, intimidador ao ponto de quase engoli-la e, mesmo assim, Serena se postou na direção da porta.

Havia uma partezinha dela que estava curiosa sobre como seriam os equipamentos. Deveriam ter bons, praticamente intocados. Sem rasgos ou cheiro de suor.

Queria entrar, percebeu. Muito.

Queria cruzar aquela porta de vidro enorme e conhecer os aparelhos de ginástica; passar o resto do dia em cima de uma trave, mas sabia que era impossível. Tinha que trabalhar.

Tinha contas, um maldito carpete, para pagar.

Isso não significava, no entanto, que era obrigada a se torturar enquanto encarava a maldita fachada, por isso deu as costas para o prédio. Era melhor continuar andando ou chegaria atrasada no museu. De novo.

— Menina Valente — disse uma voz insidiosa — admirando a construção?

Serena piscou e se viu cara a cara com o Senador Orlov, que caminhava altivamente pela calçada, na direção do prédio.

Na direção dela.

Senhor.

— A reforma foi concluída há pouquíssimo tempo, e a maior parte de nossos espaços já estão operando com capacidade total — ele emendou, erguendo o olhar para a construção que os assomava, como se estivesse orgulhoso — nove andares, duas quadras olímpicas, ala médica, apoio psicossocial, restaurantes e piscinas aquecidas.

Ela piscou. Sabia que o lugar era enorme, mas aquilo era... uau.

— Posso contar um segredo? — o senador prosseguiu, porque Serena não conseguia deixar de olhar o prédio — no quinto andar há um estúdio de ginástica olímpica. Todos os aparelhos são novinhos em folha. Ah, tenho certeza de que vai amar a trave de equilíbrio — ele a encarava com aquele olhar aguçado, como se soubesse todos os segredos dela enquanto tentava guiá-la para o lado de dentro — era sua especialidade, não era?

Serena quase salivou ao ouvir a palavra "trave". Sempre havia sido sua favorita.

Estar na trave de equilíbrio era mais que esporte; era arte.

A modalidade era combinação perfeita entre técnica e artisticidade; cada série mesclava graciosamente elementos como equilíbrio, controle, força, flexibilidade, elegância e precisão das ginastas. Cada solo, cada série, demandava de meses de treino e aprimoramento até que se atingisse a perfeição e... Deus, ela adorava aquilo.

— Espero que não se ofenda, senhor — Serena disse, no entanto se desvencilhando com delicadeza — mas não pretendo conhecer o centro poliesportivo hoje — realidade, tinha de voltar para a realidade.

O senador fez uma careta de desaprovação.

— E por que não? — O tom dele era o de alguém extremamente ofendido.

O encarou. Serena era incapaz de compreender os motivos que o faziam ter tanto interesse nela ou em suas aptidões para o esporte e, a bem da verdade, não tinha ideia de como deveria se sentir em relação a isso. Mas precisava admitir que era levemente satisfatório descobrir que uma pessoa com tanta influência política quanto o Senador Orlov valorizava os esportes ao ponto de se empenhar na construção de um prédio com tanta estrutura no Brooklyn. Em geral, políticos daquele calibre não eram inclinados se engajar em causas sociais tão levianamente. De esportes, sobretudo.

Só que um centro esportivo tão robusto, no meio do Brooklyn, poderia sim fazer a diferença para muitas pessoas.

Em um momento tão caótico, onde o espaço e o tempo para atividades de lazer e o esporte diminuíam exponencialmente, sobretudo para pessoas com menos renda, espaços públicos como aquele eram essenciais. Quantas crianças, jovens e adultos não poderiam usufruir daquilo? Um projeto como aquele poderia mudar vidas. E, quem sabe, em um futuro próximo, menos atletas sofreriam com cortes repentinos em suas bolsas de estudos.

— São sete e meia da manhã — Serena precisou dizer, murchando — preciso ir trabalhar — aquele mundo que idealizava estava longe de existir, sabia disso.

Ele não disse nada a princípio, apenas alternou o olhar entre o centro poliesportivo e ela, como se mil coisas passassem por sua cabeça.

— Tenho certeza de que Erika é uma pessoa compreensiva, não vai se importar com um pequeno atraso — a voz dele era como o canto de uma sereia atraindo-a.

E, talvez ele tivesse razão; uma olhadinha não faria mal. Apenas cinco minutos e depois voltaria para a vida real e sua rotina sem graça de assistente.

Ela então deu um passo para frente e sentiu o celular vibrar. Não precisou pegar para saber de quem era a mensagem. Suspirou. Um chamado da vida adulta.

— Quem sabe outra hora, senhor — Serena agradeceu, mesmo assim — realmente preciso ir agora.

— Entendo. Não vou insistir, até porque hoje é um dia importante para o museu, não é mesmo?

Serena piscou. Era?

— O escudo de Steve Rogers — ele disse, como se fosse óbvio — vocês vão recebê-lo hoje.

O rosto dela empalideceu. Com tantas trocas de datas de despacho, desmaios nas docas e conversas noturnas com o vizinho, tinha se esquecido completamente daquele detalhe.

— Isso. Eu... preciso mesmo ir — naquele instante.

— Espere, menina — o senador a impediu, encarando-a profundamente — ao menos aceite isso.

Serena, relutantemente, pegou o cartão que ele estendeu. Não era muito maior que um cartão de crédito e parecia muito com aqueles cartões de acesso de hotéis chiques. Franziu o rosto.

— É uma chave — o senador explicou, esticando os lábios — para o estúdio. Sua entrada está liberada quando quiser.

— Mas eu não...

Ele não a deixou completar a frase.

— Já descobriu qual é o seu propósito, menina?

— O quê?

— Me procure quando descobrir — murmurou ele, o sorriso aumentando ainda mais — espero vê-la em breve.

O senador não esperou que Serena respondesse antes de continuar andando em direção a porta enorme do centro poliesportivo, deixando-a sozinha com o cartão na mão, tentando processar o que diabos tinha acabado de acontecer ali.

✧❄✧

Exatamente uma hora e meia tinha se passado desde que Bucky havia separado a briga de Yori com o vizinho e, por algum motivo que lhe fugia a compreensão, terminara sentado naquele mesmo restaurante de culinária japonesa tradicional que costumavam almoçar as quartas-feiras.

Também não saberia dizer em que momento aquilo tinha virado uma tradição a qual ambos seguiam tão religiosamente, mas havia algo de satisfatório em almoçar com o vizinho resmungão.

Talvez, ponderou Bucky, fosse pelo fato dele ser uma das poucas pessoas no mundo que não pareciam se importar com o mal humor de Yori e sua obsessão esquisita pelas lixeiras do prédio; talvez fosse porque se identificava um pouco — só um pouco — com as peculiaridades do vizinho.

— Então, como foi a terapia? — Perguntou Yori, enquanto entornava um gole perigosamente longo de saquê. Ele sempre bebia uma quantia perigosamente alta de saquê para alguém da idade dele.

— Conversa fiada, Yori? — Bucky provocou, com um crispar de lábios — não é do seu feitio.

— O que posso dizer? A idade deixa homens como eu moles.

Bucky ergueu uma sobrancelha.

— É mesmo? Acho que Unique discorda de você.

Yori bateu o copo vazio na mesa.

— O idiota estava usando minha lixeira — e se virou para Bucky, resmungando um palavrão em japonês — todo mundo tem uma, por que ele insiste em usar a minha lixeira?

Bucky bebeu um gole da cerveja que sopesava na mão, e inclinou a cabeça, como se ponderasse.

— Talvez a dele estivesse cheia — respondeu.

— Não o defenda — Yori retrucou, balançando o hashi entre os dedos como se fosse algum tipo de arma mortal — ele fez de propósito. Todos sabem que aquela é minha lixeira. Você não me vê jogando lixo na lixeira dos outros, vê?

Bucky refletiu se deveria lembrá-lo de que todas as lixeiras, tecnicamente, pertenciam ao prédio e não aos moradores, mas isso desencadearia uma discussão de trinta minutos sobre o porquê Yori merecia uma lixeira só para si e, francamente, não estava com muita paciência para aquela merda.

Ao invés disso, comeu outro uramaki de atum e tirou o celular do bolso, já que a maneira como aquela porcaria vibrava incansavelmente estava começando a irritá-lo para além do necessário.

Quando abriu o aparelho, encontrou uma penca de mensagens não lidas de Sam as quais optou por ignorar; uma de Raynor, avisando sobre a próxima sessão de terapia. Ignorou essa também — e que escolha tinha? Outras mensagens não lidas incluíam o garoto-aranha, Scott Lang, alguns spams e... ele apertou os olhos ao ver a última mensagem recebida, lendo e relendo o conteúdo.

Era uma foto de Serena, com uma mensagem de texto logo abaixo. Como diabos aquela coisinha abusada tinha conseguido o número, pensou ele, embora, sendo sincero, aquilo o fizera relaxar a postura, até então tensa feito pedra.

Bucky esticou os lábios com a foto dela, exibindo a pequena coleira — que aparentemente comprara para Alpine — como se fosse um espólio. Os olhos castanhos tinham aquele brilho travesso de sempre e um sorriso mordaz de quem fizera aquilo apenas para provocá-lo.

Talvez fosse apropriado responder, ponderou ele, ainda olhando para a foto.

Mas o que diria a Serena? "Não vou ficar com a maldita gata". Não, parecia muito indelicado, mesmo para ele. "Alpine vai gostar". Como garantiria aquilo? Alpine era uma gata, mal sabia objetivo de uma coleira, para início de conversa.

E, se não dissesse nada?

Bom, era bem provável que fizesse aquilo mesmo. O que seria bem a cara dele, na verdade.

E talvez aquilo a fizesse enfim se cansar dele, já que estava decidido a não fazer amizade e... arg, por que estava tão preocupado com aquela merda?

Bucky fechou o celular, concluindo que era besteira responder — ele nunca respondia ninguém mesmo — colocando-o de volta no bolso da jaqueta. Estava apenas pensando demais.

E ela era a culpada.

— Não vai responder? — ciciou Yori, embora seu olhar estivesse focado no prato de peixes.

— Não é importante.

Yori, contudo, esticou os lábios.

— Mulheres detestam ser ignoradas, Bucky — observou, como se tivesse a sabedoria de um monge — mesmo por mensagem. Você deveria responder.

Bucky não se preocupou em perguntar a Yori como ele sabia que era uma mulher. Seria perca de tempo, de qualquer maneira. Ele sempre sabia daquelas coisas.

— Obrigada pela dica — Bucky resmungou, ao invés — vou guardar com os outros conselhos amorosos não solicitados.

— Um dia — Yori devolveu, altivo — vai me agradecer por isso.

— Por que da última vez funcionou muito bem, não é mesmo?

— Não funcionou porque você é teimoso — Yori respondeu, com um pedaço generoso de salmão na boca — a garota estava a fim de você.

— Discordo — disse Bucky, com o sorriso de uma criança pentelha.

Yori se limitou a uma singela olhadela de desdém para Bucky, antes de voltar a atenção para a próxima fatia do peixe, passando uma quantidade generosa de wasabi por cima.

— Moleque ingrato — entoou ele, com a boca cheia de salmão — você é igualzinho ao...

Não foi necessário concluir a frase, Bucky sabia muito bem a quem Yori se referia. O filho. Que o ele... que o soldado, tinha... tinha matado.

O Soldado Invernal matara o filho de Yori como se não fosse nada. Como se a vida dele não valesse nada.

— Deixa pra lá — Yori completou, embora a feição fosse completamente insípida — não ligue para as lamúrias de um velho amargurado.

Aquela tinha sido a gota d' água. Bucky não poderia simplesmente ignorar aquilo. A dor que causara, a angústia. Arfou. A sensação era como se um caminhão tivesse passado por cima dele.

Pensando bem, um caminhão doeria bem menos.

O peito doía, tudo doía. Respirar parecia um martírio. De repente aquele lugar tinha ficado pequeno demais para ele. Precisava sair dali. Correr para longe de tudo.

Além de todas as merdas que tinha de enfrentar, Sam, o escudo, a agente IV...ainda havia a questão mal resolvida com Yori.

A pior parte era que Bucky não saberia dizer o motivo de fazer aquilo, porque se corroía daquela forma, ouvindo Yori se lamuriar por não saber o que havia acontecido com o próprio filho quando era o responsável por todo aquele sofrimento. Por que ficava apenas ouvindo? Por que não confessava de uma vez? Por que era tão covarde?

Tudo o que Bucky queria se livrar da culpa; queria se redimir com Yori, com a agente IV; com... todos. Embora não soubesse como. Tudo o que ele queria era ser... era ser...

Livre, uma partezinha muito egoísta de sua mente soprou, Bucky queria ser livre. Livre de verdade. Livre, como Raynor tão altivamente afirmara que era.

Um montante de merda, é claro.

Bucky não era livre porra nenhuma. E nem poderia. Lá no fundo, ele sabia que não era possível que fosse livre. Não importava o que fizesse ou quem levasse à prisão, nada arrancaria o vermelho de suas mãos.

Nada traria o filho de Yori ou as outras pessoas que havia ferido de volta.

Então ele deu um sorriso plácido e voltou a comer, como o hipócrita que era. Sua mente, contudo, estava bem longe dali. Queria sair daquele lugar apertado. Fugir, para Deus sabe onde.

De sua própria mente, quem sabe.

✧❄✧

— Olha só quem finalmente conseguiu chegar na hora certa — entoou Erika, à guisa de cumprimento — não quebrou nada hoje, menina?

Serena ficou em silêncio, um sorriso torto na cara. Não havia como se defender daquilo. Mas, considerando as circunstâncias, era um milagre que Erika ainda não a tivesse jogado nos arquivos.

— O escudo — disse ela, optando por mudando de assunto — o escudo já chegou?

Erika a encarou com tédio e apontou com o rosto na direção das escadarias.

— Não se preocupe — disse enquanto caminhavam, caixas e mais caixas sendo transportadas até a exposição do Capitão América — o pessoal da manutenção está cuidando disso agora mesmo. Estão instalando os vidros e preparando tudo para a equipe de vigilância colocar os alarmes mais tarde.

Quando chegaram no fim do corredor depois da escadaria, a primeira coisa que Serena enxergou foi o lendário escudo de Steve Rogers assomando sobre o pavilhão.

Não saberia dizer se era ou não intencional, mas um raio de sol batia exatamente na contenção de vidro e fazia com que o vermelho e o azul do escudo resplandecessem ainda mais, em uma aura quase etérea. Quis revirar os olhos enquanto dois funcionários batiam continência para um pedaço de metal. Quanta baboseira patriótica.

Serena achou melhor se concentrar no entorno, que parecia uma cena de guerra. Um emaranhado de caixas lacradas, plástico filme e papelão espalhados por toda a parte, como se um furacão tivesse passado por ali. Graças aos céus aquela ala não estaria aberta aos visitantes tão cedo.

— Antes que comece a babar pelo escudo também, Valente, tenho um trabalho para você — Erika murmurou depois de um tempo, olhos penetrantes e afiados cravados nela — preciso que confira se as peças recebidas estão de acordo com o inventário e as organize nos lugares que discutimos na última reunião. O pessoal da montagem chega amanhã cedo.

Serena olhou ao redor.

— São muitas caixas — ela observou — passaria horas; o dia todo fazendo aquilo.

Erika, como se não desse a mínima, ergueu uma sobrancelha.

— Nesse caso, sugiro que comece o quanto antes.

Serena lutou contra o ímpeto de soltar um palavrão.

Talvez, pensou, passar o dia nos arquivos fosse uma opção melhor.