SERENA ENCAROU O RELÓGIO EM SEU PULSO E SUSPIROU. Tinha saído do metrô bem na hora. Depois dos últimos atrasos, ela não queria — leia-se podia — se indispor com Erika Jones.
Mesmo assim, estava de bom humor naquela manhã.
Conseguira levantar uma hora mais cedo, portanto tinha conseguido correr por exatos cinquenta e sete minutos ininterruptos. Em seguida, passou na padaria da esquina em tempo de conseguir comprar o último bagel de salmão com cream-cheese light da fornada e o metrô — milagrosamente — não estava tão lotado para os padrões de Nova Iorque.
Se encontrasse mil dólares no chão, aquela manhã entraria para lista de melhores dias de sua vida com muita facilidade.
Ela então desligou a música que tocava no spotify e guardou o par de fones na bolsa, subindo pela escadaria da octogésima sexta avenida em seguida. Talvez fosse seu estado de espírito, mas até que era uma bela manhã, aquela.
O canto dos pássaros repousados nas árvores que cercavam o museu ecoava feito uma sinfonia completa em seus ouvidos; a brisa leve e suave da manhã abraçava seu rosto enquanto caminhava; o clima agradável contaminava as pessoas que passeavam pelas ruas da ilha de Manhattan; velhinhos jogavam nozes para os esquilos no Central Park e os primeiros raios de sol indicavam que seria mais um dia insuportavelmente quente.
Não se importava, no entanto.
Serena amava o verão.
Mesmo com os contras — como o calor insuportável, a falta de desodorante no metrô e o preço exorbitante dos aparelhos de ar-condicionado, por exemplo — aquela era sua estação favorita.
Ela gostava do calor; da luz do sol.; da forma como o crepúsculo alaranjado da Brooklyn Bridge ficava lindo pela sua janela, assim como gostava das chuvas de verão. Ainda conseguia se lembrar com clareza do quanto amava correr na chuva quando era mais nova; a incrível sensação das gotas geladas em seu corpo depois de uma tarde quente. Choveria naquela noite, pensou, olhando para o céu limpo e sem nuvens. Não era um palpite, ela simplesmente sabia. Era muito boa lendo o clima.
Ela então continuou andando e, quando chegou ao museu, estava quase convencida de que passaria na livraria perto da estação de metrô na volta.
Não saberia dizer qual havia sido seu último livro de verdade — porque ela se recusava a aceitar que as horas que passara lendo os registros do museu pudessem contar como leitura válida, seria triste demais —, mas talvez, aquilo tudo não passasse de uma epifania, como as promessas vazias de ano novo que sempre fazia.
Ao contrário do olhar de Erika Jones, sua supervisora, no hall de entrada do museu, que era bastante sólido.
Serena murmurou um palavrão, baixinho.
— Atrasada outra vez, Valente — disse Erika à guisa de cumprimento — preciso que termine o inventário da nova exposição.
A papelada estava pronta desde a noite de sábado — a pedido da própria Erika — mas porque ela interromperia sua preciosa noite de folga para verificar aquilo?
Aquela era a função de Serena, afinal.
— Está no sistema de armazenamento em nuvem do museu — Serena respondeu. E sentiu cada partícula de felicidade de seu corpo sendo sugado pela mulher tão rápido que a fez pensar na possibilidade de Erika ser algum tipo de vampira. Ou dementadora.
Erika, por sua vez, fez uma careta.
— Neste caso, apague o arquivo anterior e refaça tudo. Mude a ordem de chegada dos itens e as datas de despacho — disse ela, com a altivez de uma imperatriz — quando terminar, salve-o fora da rede e deixe na minha sala.
Serena revirou os olhos, tentando não lembrar a mulher de saia lápis e punhos de ferro estacada na sua frente que tinha perdido boa parte de sua folga trabalhando — de graça — a troco de nada.
— Algum motivo em especial? — disse, ao invés.
— Não quero problemas com a segurança interna.
Bufando, Serena acenou e começou a caminhar, os pés já sentindo o aperto do novo par de scarpins bege — comprado em uma liquidação da amazon — em direção a escadaria.
— Quando pedir alguma coisa, Valente, espero que não me questione — advertiu Erika, com esgar.
— Isso nem passou pela minha cabeça — Serena respondeu com complacência, já subindo as escadas.
— Gosta do arquivo? — murmurou Erika, a voz se aproximando bastante com um sussurro de um dementador. E mesmo que aquilo não parecesse uma ameaça sólida, odiaria ter de fazer uma tarefa inútil e enfadonha apenas para aplacar o ego dela — organizar os setecentos mapas que estão guardados na biblioteca? Que tal tirar pó da coleção de manuscritos do acervo?
Serena parou, mas não se virou.
— Acho que prefiro consertar os vasos quebrados da Grécia antiga. Sabe, adoro a história de Aquiles — falou, indolente até demais.
— Cuidado com o que deseja — Erika continuou — ou pode descobrir que seu cinismo acabaria com menos de duas prateleiras de livros empoeirados. No subsolo. Sem circulação de ar.
Serena se calou, embora a tivesse uma série de respostas para aquilo bem na ponta da língua. Não gostaria de morrer sufocada com a poeira daqueles livros centenários.
— Ao menos posso saber o porquê de o escudo do Capitão América ter vindo parar logo aqui, dentre tantos museus no país?
Nem precisou se virar para notar que Erika exibia um daqueles olhares entediados, como se preferisse estar em qualquer outro lugar.
— Foi uma doação de um daqueles senadores — respondeu, em um tom neutro — eles queriam enfiar essa porcaria em algum lugar com visibilidade e, ao que parece, fui a sortuda da vez.
Serena ergueu uma sobrancelha.
Esperava que Erika estivesse pulando de alegria, afinal, bem ou mal, um item como o escudo do Capitão América traria muita visibilidade para o museu. E dinheiro, por conseguinte.
— Isso é ruim? — ela perguntou.
A supervisora fez uma careta.
— Tenho péssimas experiências com essas malditas peças históricas de super-heróis. Da última vez, um idiota roubou o manequim que valia mais de quinhentos mil dólares da minha exposição em Washington.
Serena olhou para o banner que estava prestes a ser instalado no hall principal, com aquela estrela branca reluzente, depois para Erika.
— Sinto muito — ciciou ela — deve ter sido difícil de explicar — e quase justificava o temperamento paranoico, quis complementar.
— Santo Deus — Erika retrucou — não preciso da sua pena. Apenas faça o que estou mandando.
Era difícil ter empatia por Erika quando usava aquele tom eloquente. Mas até concordava com ela. A presença daquele escudo no museu enervava Serena, apesar da exposição sequer estar aberta ao público geral. Não entendia por qual motivo aquela coisa acabara ali, tampouco porque Sam Wilson acreditava que o escudo estaria melhor com o museu ao invés de com os Vingadores. Aquilo simplesmente não estava certo. Não parecia nem um pouco sensato manter a quinquilharia centenária presa na parede, como se o escudo fosse um convite com letras em neon a todos os ladrões de Nova Iorque.
Serena, no entanto, sabia muito bem o verdadeiro objetivo por trás daquele circo todo: lembrar ao mundo quem realmente estava no comando. O legado do Capitão América poderia até ser vendido como um símbolo de esperança, virtude e todas aquelas merdas para o mundo. Para o governo, no entanto, ainda era a melhor propaganda do poderio militar dos Estados Unidos e seria perigoso demais deixar o resto se esquecer disso.
— Claro, Erika— disse Serena, a um fio de estourar a cota diária de paciência — estou na minha sala, caso precise.
Erika acenou com a cabeça e ela voltou a subir as escadas, em silêncio.
Serena então foi andando até a sala onde ficava a exposição dos Vingadores, onde pode ver parte da estrutura na parede que muito em breve abrigaria o escudo. As fotos e réplicas de uniformes continuavam ali, rodeando a nova atração principal. Ela encarou a redoma de vidro vazia que a refletia.
E esperava, de verdade, que algo de bom saísse daquilo.
✧❄✧
Algumas horas mais tarde, enquanto deixava a sala de Erika e descia as escadas até o primeiro andar, Serena estava tão faminta que seria capaz de pagar um milhão de dólares em troca de mais um bagel de salmão com cream-cheese light, ou qualquer coisa minimamente comestível.
Estava morrendo de fome e, mesmo já passando das três horas da tarde, não tinha conseguido tirar seu intervalo de almoço. O inventário ocupando tanto de seu tempo que mal levantara a bunda da cadeira.
Ela suspirou. Lidar com toda aquela papelada tinha sido um terror, mas tinha enfim terminado, salvo fora da rede e deixado em um pen-drive —se ainda fossem fabricados, Serena teria deixado em um maldito disquete— em cima da mesa de Erika, exatamente como pedira. A supervisora não poderia mais encher a paciência com aquela história. Serena então cruzou o arco que dava para a escadaria do saguão principal, antes que Erika pudesse trancá-la nos arquivos e jogar a chave fora.
O ar imponente da exposição já estava deixando-a enjoada e mais cansada que o necessário.
Era um dia tortuosamente lotado, que a deixava mais cansada ainda. Não saberia dizer se era devido ao período de férias escolares, que fazia com que pessoas do estado todo decidissem vir a Nova Iorque ou o anúncio feito horas atrás no youtube de que o escudo de Steve Rogers, de fato, acabaria ali.
Coincidência ou não, atestou ela ao virar no corredor principal, havia um homem engravatado encarando um dos posters da parede, que a julgar pela pompa e os broches, deveria ser um vereador ou congressista em busca de engajamento na internet.
Arg, Serena odiava aqueles caras.
Só apareciam em momentos oportunos, com um bando de riquinhos mimados a tiracolo e promessas vazias de melhorias para o museu. Ainda esperava pelos climatizadores prometidos para o setor de arquivo em um baile de caridade por um senador em busca de votos dos entusiastas de artes plásticas, meses atrás.
— Se veio pelo escudo — Serena murmurou ao passar por ele — sinto em dizer que ainda não está pronto para a exposição.
Na verdade, o escudo nem estava no museu ainda — algo sobre uma cerimônia oficial em Washington dentro de alguns dias — mas o homem engravatado não precisava saber daquilo.
O homem, que não deveria ter menos de setenta anos virou-se, como se tivesse acabado de perceber a presença dela no salão.
— Que pena — disse, olhando para Serena de forma displicente — achei que poderia ser o primeiro a vê-lo exposto enquanto esperava por Erika Jones. Sabe me dizer se ela está por aqui?
Serena deu um sorriso fraco, como se desculpasse pelo inconveniente, embora não se importasse nem um pouco com os problemas irrisórios de um engravatado entediado.
— Senador Orlov, a propósito — ele emendou, estendendo a mão, enquanto ela queimava os neurônios pensando em uma resposta adequada para a pergunta anterior — estou representando o GRC esta tarde.
— Serena Valente, senhor — ela segurou os dedos magros e frágeis do homem — sou a assistente de Erika Jones. Creio que ela esteja no escritório. Terceiro andar, primeira porta à esquerda. Não precisa bater.
O homem, contudo, como se não tivesse ouvido nada do que havia dito, encarou Serena dos saltos apertados ao medalhão de Isabel com uma expressão emblemática.
— A senhorita me parece familiar — disse — por acaso já nos encontramos antes?
Ela ergueu uma sobrancelha.
— Receio que não, senhor.
Mas o homem continuou encarando-a, como se vasculhasse um longo arquivo de memórias, em busca de onde — supostamente — a conhecia. Até que:
— Não, não. Eu a conheço, sim. Serena Valente, é claro — ele exclamou, sorrindo — ginasta prodígio da NYU. Vencedora do nacional de 2018.
Serena piscou.
— Como sabe disso?
— Eu era um dos patrocinadores da Universidade na época — ele respondeu, como se não fosse grande coisa — é uma pena que tenha sido evaporada, como tantos de nós foram.
Ela engoliu em seco.
— O senhor... assistiu minha apresentação?
— Ah, não — ele admitiu — estava um pouco ocupado naquela hora, mas não demorou muito até que todos descobrissem que a campeã tinha sumido com o estalo. Uma lástima.
As palavras fizeram Serena estremecer e ela focou no rosto anguloso do senador. Ele, como a maioria, era vários centímetros mais alto que ela — embora fosse tão magro quanto uma modelo da Victoria’s Secret, o que dava uma impressão de que a olhava de cima, o que a fazia se sentir ainda menor em comparação.
O senador também era a epítome de um homem imponente.
Penetrantes olhos verdes e anuviados pela idade; dentes tão brancos que poderiam cegá-la; cabelo grisalho perfeitamente penteado para trás com gel e um terno de grife que deveria valer mais que seu apartamento no Brooklyn.
Serena imediatamente reconheceu o broche dourado no peito dele: o símbolo do GRC, a divisão do governo criada pouco tempo após o estalo. Poucas pessoas participavam daquela cúpula e menos ainda tinham a coragem de circular tão altivamente por Nova Iorque fazendo parte dela. Aquele homem era poderoso.
E o fato de saber tanto sobre ela, sobre aquele dia no ginásio... o sangue de Serena gelou quando pensou naquele dia. De como sua apresentação tinha descarrilhado tão repentinamente. E, caso ele soubesse mais do que aparentava, o senador poderia muito bem começar a fazer perguntas. Perguntas difíceis demais.
Vestindo uma máscara de indiferença, ela esticou os lábios, tentando ao máximo esconder a resignação.
— Foram tempos difíceis — ela ciciou.
O senador concordou.
— É uma pena que tantos de nós tenham sofrido com esse... estalo — o senador se referia a àquilo com frieza, como se não passasse de um contratempo, como se aquilo não tivesse acabado com tantas vidas — suponho que seja por isso que não esteja treinando, menina?
— Não é querendo ser rude — mas sendo, quase completou — como o senhor ficou sabendo sobre uma coisa dessas? É informação restrita.
— Também faço parte do comitê de reintegração de esportivas da NYU. Seu nome não consta no sistema — comentou ele despretensiosamente — posso saber o que leva uma atleta tão promissora quanto a senhorita aposentar tão cedo?
— O mundo mudou — Serena disse — as coisas estão muito diferentes em relação a 2018, senhor.
— Sem patrocínio? — ele adivinhou.
Serena concordou, meio resignada. Não era mentira, de qualquer forma.
Só que revirar aquele assunto...
Os dedos dela então tencionaram ao redor do medalhão pendurado no pescoço. Naquela tarde, graças ao decote em V da camiseta de botões, a joia ficara a mostra, o que andava evitando nos últimos dias — o risco de outro assalto e tudo mais — mas gostou tanto do contraste com o branco sem graça do uniforme, que decidiu deixá-la daquele jeito mesmo.
— É uma bela pedra, a do medalhão — comentou o homem, apontando para o pescoço dela — safira?
Serena corou.
— Ah não — murmurou com um abano de mãos — é apenas uma lápis-lazúli. Não vale nada, mas era de minha avó. Você sabe, valor emocional.
Ele deu um olhar brando e repleto de compreensão.
— Sinto muito, não quis ser insensível.
— Não se preocupe — ela rapidamente esclareceu — não é tão recente assim — por favor mude de assunto, quase implorou.
O senador ficou um tempo em silêncio, olhando-a de cima daquele jeito irritante, como se a avaliasse. Depois de mais de um minuto prescrutando — que pareceu uma eternidade— ele repuxou os lábios finos para cima.
— Sabe menina — ele entoou — o GRC acabou de inaugurar um centro poliesportivo no Brooklyn. Não é nada muito sofisticado, mas tenho certeza de que uma presença tão excepcional quanto a senhorita é justamente o que precisamos para incentivar a nova geração.
Serena piscou.
— É uma proposta interessante, senhor, mas...
— Claro, claro, quase me esqueci — ele a interrompera — também é muito bem-vinda para usar nossos equipamentos. Tem passe livre para treinar, quando quiser.
— Não sei se tenho tempo para isso.
— Pois deveria — o senador então a encarou — não é todo dia que se ganha o campeonato nacional. Com um pouco mais de treino você poderia ir mais longe. Uma liga profissional. As olímpiadas, quem sabe?
Ela sentiu a pulsação acelerar um pouco.
— Está falando sério?
O senador ergueu uma sobrancelha.
— Qual é o seu propósito?
Serena o corpo se contraindo.
— O quê?
— Qual é o seu propósito, menina? — ele repetiu — quer mesmo continuar sendo a assistente de Erika Jones pelo resto da vida? — era uma pergunta retórica, mas que pegara Serena desprevenida — porque eu considero um desperdício de potencial.
Ela desviou o olhar. Aquilo tinha doido bem mais do que gostaria de admitir.
— Atormentando meus funcionários outra vez, Nikolai? — a voz aguda de Erika Jones fez Serena se arrepiar até os ossos — é bom saber que tem tanto livre para ocupá-la com suas besteiras.
O senador, por outro lado, abriu um sorriso largo e com aqueles dentes brancos e alinhados, como se fosse um daqueles modelos de clínicas odontológicas.
— Pode me julgar por querer um vislumbre da maior exposição que esse país já viu? — disse ele — e organizada pela melhor curadora de Nova Iorque ainda por cima?
Erika, pouco comovida, revirou os olhos.
— Me bajular não vai adiantar nada.
Serena apenas observava de longe a conversa dos dois — metaforicamente falando, afinal, estava bem ao lado deles — sentindo-se absurdamente insignificante em comparação. E talvez fosse mesmo. A bem da verdade, quem era ela perto daqueles dois?
Para Erika, provavelmente não era ninguém, já que ela nem dignara a olhar para a assistente.
— Encantadora como sempre — retrucou o senador — podemos discutir os detalhes da inauguração ou isso também é segredo de estado?
— Estou com a agenda cheia, ao contrário de você, senador — chiou Erika, com um crispar de lábios — mas podemos discutir a aquisição daqueles climatizadores enquanto faço minha pausa para o café.
— Perfeito — respondeu ele — acredito que a duas quadras daqui tenha uma ótima cafeteria. O que acha?
Erika acenou com a cabeça e vestiu um par de óculos de sol enormes.
— Foi um prazer, menina — disse o Senador Orlov, com um aceno — espero que pense com carinho no que eu acabei de dizer.
Mas Serena apenas balançou com a cabeça, sem saber direito o que responder.
— Serena — chamou Erika, antes de se virar, como se ela tivesse acabado de entrar no salão — já que está com tanto tempo livre, espero que pegue aqueles documentos do arquivo e deixe na minha mesa até o fim do dia.
Serena concordou e observou enquanto os dois se afastavam, deixando-a sozinha no salão, como se fosse parte da decoração. Sinceramente, até preferia que fosse assim. O senador, contudo, antes de sumir através da reentrância do corredor, se virou para ela e fez um aceno casual, como se fosse um velho conhecido.
Ela retribuiu, sabe lá por quê.
Fale com o autor