Legacy | Bucky Barnes ︎
8 VIII
Em um mercado próximo ao Edifício Cornélia,
Brooklyn, NYC
2024
A MANHÃ DE DOMINGO TINHA COMEÇADO SEM NADA DE ESPECIAL. Serena estava caminhando entre as prateleiras do pequeno supermercado que ficava a três quadras do apartamento enquanto cantarolava a música animada de verão que ecoava pelos alto-falantes com a lista de compras da semana em mãos. Pães, frutas e algumas de suas jujubas favoritas já estavam dentro da cestinha e última coisa que faltava era o pacote com a ração chique — e absurdamente cara — para gatos.
James era inflexível quando se tratava de sua alimentação. Aquele gato entojado só aceitava uma marca específica de ração que, coincidentemente, era a mais cara do mercado.
Serena sabia que era a única culpada, afinal foi ela quem vira aquele pacote de ração premium em promoção e achou que seria uma boa ideia comprar para James, um “mimo”. Só que depois de experimentar o sabor de salmão com legumes cozidos, o gato passou a odiar todas as outras marcas do mercado. Ela, por sua vez, tentou explicar a situação pacientemente a James, mas, infelizmente, ele era apenas um gato e não pareceu entender que a maldita ração custava quase um quarto de seu salário. Ou simplesmente não se importou muito com o fato.
Ela não descartava a hipótese, na verdade.
Para piorar a situação, quando avistou o pacote de ração na sessão de animais de estimação, Serena se viu em um dilema: o pacote estava na parte mais alta e ela, em seus humildes um metro e cinquenta e sete de altura, não alcançava nem metade da prateleira. Ela resmungou um palavrão. Bem que poderia estar usando seus scarpins do trabalho, que a deixava cerca de cinco centímetros mais alta ao invés do confortável par de crocs off-white, com um lindo pin do BB-8.
Como se cinco centímetros fizessem alguma diferença, pensou.
Ela se esticou o máximo que pode, ficando bem na pontinha dos pés, mas não chegara nem perto do pacote. Merda. Serena torceu o nariz, não restava muita escolha. Correndo o risco de se humilhar bem no meio do mercado, deu um pulinho. Depois outro. E nem assim conseguira. Outro palavrão saiu de sua boca. Por que às vezes tinha a impressão de que o universo a odiava?
A cena vista de fora era patética, ela sabia. Uma mulher feita, no auge de seus vinte e cinco anos tentando alcançar uma prateleira alta feito uma criança.
E quem achou que colocar prateleiras tão altas fosse uma boa ideia, afinal de contas?
Serena estava prestes a dar mais um salto, quando sentiu uma presença atrás dela. Uma pessoa gentil parecia ter se compadecido e pegou o maldito pacote de ração e, o estendeu em sua direção. Ela se virou sorrindo, prestes a agradecer, quando encontrou um par de olhos azuis encarando-a.
Era Bucky. E parecia estar se segurando para não rir.
Rir dela, no caso.
— É bom saber que meu sofrimento o diverte, babaca — ela resmungou, tomando o pacote das mãos dele.
Serena estava um pouco surpresa em vê-lo, a bem da verdade. Não achou que o sargento quisesse olhar para ela outra vez depois da noite anterior.
Assim que havia percebido que Bucky na verdade era o “James Barnes”, o Vingador — aquele mesmo da televisão e do museu — ele não disse nada, mas a expressão em seu rosto era o de uma pessoa profundamente perturbada. E confusa. Depois daquilo, o sargento fugiu para o apartamento e se recusou em abrir a porta, mesmo com Serena garantindo que não diria a ninguém e que poderiam conversar melhor sobre o assunto, como dois adultos civilizados.
Mas ali estava ele, encarando-a daquele jeito complacente e com aquele sorrisinho besta estampado na cara.
— De nada, coisinha — ele respondeu, dando ênfase em coisinha, o babaca.
Sentiu as bochechas esquentando. Odiava aquele maldito apelido que ele tinha arrumado.
—Obrigada. — Disse ela, no entanto.
Era um agradecimento tardio, mas sincero e meio constrangido. Ele tinha acabado pegá-la pulando feito uma doida na prateleira, pelo amor de Deus. E Serena até poderia ter achado aquilo tudo muito engraçado, se não fosse logo ele quem a tivesse encontrado daquele jeito.
— Disponha — e deu uma piscadela — coisinha.
Serena então apertou os olhos.
— Nunca vai parar de me chamar assim, vai?
— A culpa não é minha — disse ele em um tom condescendente até demais — você é tão... pequena — e como se quisesse provar seu ponto, apertou o polegar e o indicador perto do rosto dela.
Ela revirou os olhos.
— Eu não sou pequena, a prateleira que é muito alta.
Ele esticou mais os lábios. As malditas covinhas ficaram visíveis de novo.
— Tente colocar jornal nos sapatos da próxima vez. — O sargento sugeriu.
— Jornal?
— Deixa para lá — o sorriso dele diminuiu — piada antiga.
A voz dele soara estranha, parecia até que algum botão de melancolia tinha sido apertado na cabeça dele. E como se quisesse encerrar a conversa, Bucky deu as costas para Serena, seguindo em direção ao caixa de autoatendimento — evitando contato humano direto, que surpresa — mais próximo. O que aconteceu em seguida foram cinco tentativas da parte de Serena em começar uma conversa.
Nenhuma surtiu o efeito que ela gostaria.
Viu o último jogo dos Yankees? (Não). Será que vai chover mais tarde? (Não faço ideia). Qual o seu álbum favorito do Queen? (O que é Queen?) — Esse último havia sido particularmente ofensivo para ela.
Serena bufou.
Bucky nem ao menos se esforçava para manter um diálogo decente com ela. Era como se ele tivesse gastado toda sua bateria social nos últimos cinco minutos. Sem ter muito o que fazer e cansada de ser ignorada, Serena ficou olhando Bucky, que passava suas compras pela registradora ao lado dela.
E ele é mesmo um Vingador.
Santo Deus. Serena estava mesmo comprando ração de gato e jujubas ao lado de um Vingador. E a consciência desse fato a atingiu feito uma flecha. Era algo tão bobo, que beirava a idiotice. Quer dizer, quem pensa em algo do tipo? Mas por alguma razão, Serena se pegou pensando se os outros Vingadores faziam coisas de pessoas normais.
Como seria, refletiu ela, se Homem-Aranha levasse o uniforme na lavanderia?
Será que ele próprio o lavava?
Aquilo a levou para outros pontos. O Thor, por exemplo. Como mantinha aquele cabelo tão hidratado e sedoso? Será que ele seguia um cronograma capilar? Talvez existisse algum tipo de magia divina para manter o cabelo macio e com cheiro de lavanda. Ela sorriu. Será que era possível algo do tipo? Será que existia algum feitiço para isso?
Seria um nicho a se explorar, se fosse o caso.
Bucky, ainda do lado dela, ergueu uma sobrancelha.
— O que foi? — Perguntou ela, voltando a realidade. — Tem alguma coisa no meu rosto?
— Você está com uma cara estranha — ele observou.
— Eu não estou com estou com cara nenhuma e... — Serena torceu o nariz quando notou as dez embalagens que ele passava pela registradora — cruzes, quem precisa de tanta lasanha congelada?
Ele olhou para ela.
— Qual o problema? É para a semana toda.
Serena arfou. Semana. Ele pretendia comer aquilo tudo em uma única semana.
— O problema é que essa merda é cheia de produtos de procedência altamente duvidosa — ela respondeu — nem dá pra chamar de comida. Muito menos comer essa porcaria todos os dias. É péssimo para a sua saúde.
— Não gosto de fazer todas as refeições em restaurantes.
Ela fez um barulho com a boca.
— Algumas pessoas costumam cozinhar em casa.
Bucky passou a última lasanha congelada pela registradora enquanto Serena digitava a senha do cartão no caixa ao lado. As compras dela estavam perfeitamente acomodadas em suas ecobags favoritas, com estampas de gatinhos dizendo: “Puurtejam as tartarugas, gatos contra sacolas de plástico”.
Ela realmente gostava dos produtos com a temática de gatos da amazon.
— Bom para elas — ele ciciou, pegando suas próprias sacolas. Sacolas plásticas e, sem estampas de gatinhos, o que era um pouco triste e, péssimo para o meio ambiente.
Ela inclinou a cabeça.
— Deixa eu adivinhar: você não sabe cozinhar, sabe?
— Isso não vem ao caso — retrucou Bucky.
E começou a andar.
— É tão clichê — as pernas de Bucky eram ligeiramente maiores que as dela, por isso, Serena precisou acelerar os passos para conseguir acompanhá-lo — o machão que não cozinha.
— Sou um adulto funcional — ele rebateu, trincando o maxilar como se estivesse ofendido — sei cozinhar. Só não gosto de fazer isso todo dia. É diferente.
— Experimente porcionar e congelar suas refeições — ela sugeriu, quase saltitando do lado dele — é uma solução prática e elegante. Estou falando sério, essas comidas são horríveis para o corpo. Vai acabar se matando se comer comida ultraprocessada todo dia.
Ele parou tão repentinamente que Serena quase trombou em suas costas largas.
— Por que você está agindo assim? — ele falou ao virar.
Bucky parecia verdadeiramente confuso.
Ela piscou algumas vezes. Tinha sido bem repentino.
— Hábito, eu acho. Eu moro sozinha há bastante tempo. A gente acaba aprendendo que a vida é mais do que comer besteiras, principalmente quando precisa se manter em forma e...
Bucky a interrompeu.
— Não foi isso que eu quis dizer.
Ela estreitou os olhos.
— O que você quis dizer então, sargento?
— Você está agindo despreocupadamente, como se não soubesse quem eu sou e que eu fiz. Por quê?
Ele parecia ressabido, como se a ideia de ela o tratar como um ser humano normal fosse completamente absurda. Quer dizer, era absurda? Um pouco, talvez. Mas Serena sabia onde estava se metendo. Soldado Invernal, assassino treinado pela Hidra, superperigoso e tudo mais.
Também conhecia o outro lado.
Sargento Barnes, herói de guerra que tinha lutado pela liberdade e, em um passado muito recente, defendeu a terra de alienígenas malucos e tudo mais. Era difícil para ela acreditar que ele tinha qualquer interesse em feri-la. Será que estava sendo ingênua demais?
Talvez, algo em sua mente sussurrou. A voz da razão, provavelmente.
E, a bem da verdade, Serena não sabia absolutamente nada sobre aquele homem além do que havia nos livros de história e registros esquecidos do museu. Isso porque, embora o museu e os livros contassem toda a trajetória do Sargento James Buchanan Barnes na década de quarenta, com certeza não teria como ninguém, além do próprio Bucky, saber o que realmente tinha acontecido nas décadas seguintes. Ela não sabia do que o Soldado Invernal era capaz, assim como não fazia ideia do que tinha sido forçado a fazer durante todas aquelas décadas em que estivera sobre o controle da Hidra.
Talvez Bucky estivesse certo; talvez ela estivesse perdendo o bom-senso de novo.
O que respondeu, no entanto, foi:
— Me desculpe sargento, como você esperava que eu reagisse? Pedindo um autógrafo? — Era idiota, sabia disso. Era mais forte do que ela.
Bucky então revirou os olhos. Havia uma ruga de irritação em sua testa.
—Vou reformular a pergunta, coisinha. Por que você não está com medo de mim?
Ele parecia meio tenso. Só que não mais tenso do que Serena enquanto refletia sobre suas palavras.
— Eu deveria ter medo de você? — ela perguntou, embora não quisesse saber a resposta.
O sargento congelou. Seus olhos pareciam dois blocos de gelo afiados.
— Não é óbvio? — murmurou ele. Baixo e ameaçador.
Ela pressionou as unhas na palma da mão com tanta força que deixou marcas de meia lua na pele alva. Sim, era bastante óbvio o motivo.
— Por quê? — Ela perguntou mesmo assim.
—Você sabe muito bem o porquê — Bucky sibilou, ainda encarando-a — sabe exatamente o que eu sou. Um maldito assassino. Se quisesse, poderia te matar agora mesmo.
Serena sentiu até mesmo os ossos tremendo.
E como se tivesse notado, o braço dele tensionou. Tanto que parecia que estava prestes a entrar em uma briga. Ela engoliu em seco, olhando para a mão esquerda, a de metal e que segurava as sacolas. Ele usava a mesma jaqueta de couro e par de luvas da manhã anterior e tinha mãos tão grandes que nem precisaria se esforçar muito para cobrir o pescoço dela.
Quando ela olhou para o rosto dele, porém, teve certeza de que Bucky não estava falando sério. Seria fácil para ele matá-la. Tão fácil, que se tivesse a intenção, já o teria feito há muito tempo. Oportunidades não faltaram e por Deus, Serena era tão distraída que às vezes sequer trancava a porta do apartamento antes de ir dormir.
— É isso que você quer? — Perguntou ela, reunindo uma dose de coragem que nem acreditava possuir.
A expressão dele mudou completamente. As rugas de irritação suavizaram um pouco, tornando-se rugas de confusão.
— O quê?
—Você quer mesmo me ferir? — Serena repetiu — porque acho difícil de acreditar nisso.
Ele não respondeu de imediato.
A tensão era palpável.
— Conheço toda a sua história, sargento — Serena continuou falando — e, francamente, acho difícil de acreditar que tenha a intenção de me machucar.
Seus olhos se arregalaram levemente, mas Bucky tentou disfarçar a surpresa, endurecendo sua expressão. Ele então se aproximou do rosto dela, curvando o corpo para frente. Estava perto outra vez. Perto demais, para seu próprio bem. Tanto que Serena podia sentir a respiração quente contra seu ouvido. Ela sentiu o coração bater mais rápido.
— Vamos deixar uma coisa bem clara aqui, coisinha — ele sopesou as palavras — não sou a pessoa que pensa que sou. Aquele James Buchanan Barnes está morto desde 1945. O que você vê no museu é a porra de uma invenção. Você não faz ideia de quem sou, muito menos do que sou capaz — o tom dele era duro feito mármore, mas dentro daqueles olhos tempestuosos Serena viu algo.
Dor. Havia um raio de azul celeste sofrido que se perdia entre tantos outros tons de azul dos olhos dele, mas ela enxergara a dor que o sargento tentava mascarar. Era óbvio que aquilo tudo era doloroso para ele. Toda sua vida havia sido interrompida tragicamente. Ele perdera a família. Os sonhos. As próprias memórias. E, como se não bastasse, era obrigado a viver em um lugar diferente e confuso. Sozinho.
Não era muito difícil para Serena entender o lado dele. Sabia como era a sensação de não ter nada ou ninguém, embora a comparação fosse desleal, para dizer o mínimo. Mesmo assim, naquele momento, ela sentiu uma enorme onda de empatia pelo sargento.
— Bucky, espera — disse ela, segurando em seu braço esquerdo, o de metal, pouco se importando se poderia matá-la ou não — me perdoe, eu não quis ser tão insensível.
Ele a encarou. Seu rosto era frio e distante.
Serena sentiu o coração apertar. Não fazia ideia do que deveria dizer aquele homem. Nem se tentasse conseguiria se colocar na pele dele. Não tinha dimensão dos terrores que aquele homem tinha vivido enquanto peão da Hidra. E, ele estava certo. Ela não o conhecia. Não fazia a menor ideia de quem era aquele homem parado a sua frente. Como pensava. Seus objetivos. Sua cor favorita. Gostava de gatos ou cachorros?
— Você tem toda a razão — ela admitiu — eu não o conheço. Mas isso não significa que eu deva ter medo de você.
— Entende a dimensão do que fiz? — insistiu ele — ao menos sabe o que foi a Hidra ou que fizeram? Do que são capazes?
Serena estremeceu.
— Sim — não o olhou nos olhos, mas se manteve firme — eu sei.
— E isso não te incomoda? — ele apertou o braço dela, não para machucar, era mais como se quisesse desesperadamente que ela sentisse medo dele — nem um pouquinho?
Serena ergueu os olhos.
— A Hidra? Sim, me incomoda pra caralho saber que existem pessoas tão cruéis por aí — ela fez uma pausa, encarando-o — você por outro lado, é uma vítima. Como eu poderia culpá-lo?
Ele a soltou.
— Você não sabe o que está dizendo.
Ela suspirou.
— Estou te dando o benefício da dúvida, sargento — e o olhou nos olhos — por que isso te incomoda tanto?
Bucky então se afastou um pouco, como se ela estivesse pegando fogo. Sua expressão dura vacilou. Certamente não estava esperando por aquilo.
— Isso nem faz sentido — balbuciou ele, como se Serena tivesse perdido completamente o juízo — você me tratar assim.
— As pessoas costumam dizer que não tenho bom-senso — Serena respondeu, esticando os lábios.
A expressão dele mudou outra vez. Os lábios se curvam, no que parecia com a sombra de um sorriso.
— Não, não tem — suspirou. Parecia que estava falando mais para si próprio do que para ela, mas aceitou da mesma forma.
Eles já estavam na esquina do prédio e continuaram andando até o saguão em silêncio. Um silêncio constrangedor, até a escadaria. Ela acenou, como se dissesse “ei estamos bem?” Bucky por sua vez retribuiu e se virou, como se quisesse se despedir.
— Ei, espere — Serena disse, sobressaltada, antes que ele sumisse — olha, sei que está bravo comigo, mas e se tentássemos de novo?
Ele levantou uma sobrancelha.
— Não estou bravo.
— Então aceite minha proposta.
Ele torceu os lábios.
— Está falando sério?
— Sim.
E como um gesto de paz, Serena subiu alguns degraus e estendeu a mão na direção dele. Bucky a encarou com uma expressão de pura resignação.
— O que me diz? — insistiu — podemos ser pelo menos vizinhos civilizados?
Ele concordou com a cabeça, embora não tivesse aceitado o aperto de mãos.
— E que tal amigos? — Ela insinuou, sorrindo.
Bucky fechou a cara.
— Não force a barra.
— Tudo bem, tudo bem — Serena falou, erguendo os braços — de qualquer forma, acho que devo me apresentar. Meu nome é Serena Valente; sou sua vizinha há cerca de três meses; tenho vinte e cinco anos; sou completamente apaixonada por Star Wars, jujubas e gatos. E você é?
Bucky esticou os lábios. Era um sorriso de verdade dessa vez, com aquelas covinhas fofas e tudo mais.
— James Buchannan Barnes, cento e seis anos de idade — ele respondeu — pode me chamar de Bucky.
Ele então finalmente estendeu o braço e apertou a mão dela. Era a mão direita, a mão humana. E aquela mão de Bucky poderia facilmente ter engolido a de Serena de tão grande. Quando ele a soltou, ela sentiu um formigamento estranho nos dedos.
No entanto, disfarçou com um sorriso forçado e disse:
— Jura? Não aparenta ter mais de oitenta— brincou, mas ainda estava focada demais em seus dedos, escondidos no bolso da calça.
Se reparou na mudança no semblante dela, Bucky não demonstrou.
— Obrigada por notar — ele murmurou.
Continuaram subindo a escadaria andar a andar, mas desta vez, ele estava um pouco mais lento. Se era para que Serena não precisasse andar a passos largos para acompanhá-lo ou não, jamais saberia. De qualquer forma, quando estavam no andar certo, ela teve uma ideia.
— Já que agora somos amigos, que tal se você jantar comigo hoje?
Ele franziu a testa.
— Não me lembro de ter dito isso.
— Detalhes — ela respondeu — já que gosta tanto de lasanha, posso fazer uma de verdade.
Bucky fez uma expressão de pura confusão.
— Espera, você está dizendo que vai cozinhar? Pra mim?
—Hã... Sim?
— Eu não acho que seja uma boa...
Ela não abriu margem para que ele arranjasse desculpas.
— Perfeito, te vejo às oito! Se quiser, traga uma cerveja. Ou não. Não me importo com esse tipo de coisa.
E ela também não esperou que ele a seguisse. Virou as costas e seguiu até a porta, batendo-a com força enquanto fingia não ter notado que Bucky estava parado no corredor, encarando-a como se Serena fosse uma pessoa completamente desequilibrada.
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