Legacy | Bucky Barnes ︎
62 LXII
Notas iniciais
BUCKY BARNES NÃO ESTAVA ANSIOSO.
Não assustava nem um pouco o fato de ter deixado o apartamento de Serena de ponta cabeça enquanto tentava reproduzir a receita de spaguetti que vinha na embalagem de macarrão ou que tivesse comprado o buquê de flores mais brega da floricultura — nem sabia se Serena gostava de camélias para início de conversa — ou que estivesse tão bem-vestido sem razão aparente. Aquilo não era nada.
O que ela acharia daquilo tudo, no entanto, o preocupava.
Era idiota, ele sabia, mas não conseguia evitar. Tinha prometido àquela coisinha certa vez que se encarregaria do próximo encontro deles, que organizaria tudo à sua maneira, mas, naquele momento, depois de tudo que tinham passado... será que estava sendo brega? Era muito cedo? Será que ela iria gostar? Será que...
Passos ecoaram no corredor. Ele respirou fundo e pegou o buquê, tentando não parecer um imbecil.
Um instante depois, a porta abriu.
— Ei Bucky, o jantar já está pronto? — a voz dela ecoou pelas paredes — porque eu estou morrendo de...
Serena estacou no lugar.
— Ei — disse ele, encarando-a com o buquê na mão feito um adolescente no primeiro encontro.
Ela o encarou de volta.
— Ei — Serena respondeu, erguendo uma sobrancelha — terno, é?
Ele olhou para baixo. É, talvez o terno tivesse sido um exagero.
— Algum problema?
Para seu alívio, no entanto, Serena abriu um sorriso mordaz.
— Com o James Bond na minha soleira? Nem de longe.
Bucky ignorou o comentário. Em vez disso, perguntou:
— Como foi? Você está bem?
O semblante dela mudou, melancólico.
Quando Serena disse que precisava de um tempo sozinha e saiu porta afora com as cinzas de Isabel Valente, sabia exatamente o que significava. E, apesar de odiar a ideia de deixá-la sozinha pelo tempo que fosse, entendia que ela precisava de espaço e que aquilo seria bom. Uma despedida definitiva para as duas, longe de tudo. Além disso, pensou, Serena era forte. Seria perfeitamente capaz de se defender, se necessário.
Bucky sabia de tudo aquilo, mas simplesmente não conseguia deixar de se preocupar com ela. Ele desviou o olhar. Mesmo que se esforçasse ao máximo para não a sufocar com paranoias e medos internalizados, o sargento era biologicamente incapaz de abaixar a guarda por um instante que fosse.
Algo a se tratar na terapia, supôs.
Se bem que, naquela mesma tarde, Raynor havia garantido que o que sentia era uma reação completamente compreensível, tendo em vista tudo que tinha acontecido nos últimos dias. E Bucky quase se arrependeu de ter aberto a boca, porque o que se seguiu depois daquilo fora um discurso de trinta minutos dela recomendando que buscasse um equilíbrio entre cuidado e obsessão. Em suas palavras: "Serena era sua parceira, não uma posse."
No fim das contas, concluiu, Raynor estava certa.
Não era fácil de admitir, mas a relação entre os dois estava melhorando. Aos poucos. Claro, até então seu "progresso" não havia sido mais que uma conversa franca — e dolorosa — sobre o próprio passado e seus delírios de futuro com Serena, mas... era inegável que havia tido algum um avanço nas últimas sessões. O sargento ainda não se sentia confortável o bastante para contar tudo que passava em sua cabeça para a terapeuta — não sabia se um dia o faria — e estava hiperciente de que a terapia continuava sendo compulsória e uma forma indireta do governo saber o que andava fazendo. Ainda assim, estava se esforçando de verdade para transformar aquilo em uma coisa boa. Por ele. Por Serena.
De esguelha, olhou para a estante onde o caderno de recuperações estava repousado, quase escondido pela pelúcia de lobo. Não precisava mais dele. O sargento sabia exatamente o que tinha de fazer para se redimir, para seguir em frente.
E não seria remoendo o passado.
— Consegui me despedir dela — Serena revelou, a voz tenra. — Isabel está livre agora.
Bucky voltou para a conversa. Os olhos dela estavam um pouco inchados.
— E como você está se sentindo? — ele perguntou, com cautela.
Serena ergueu uma sobrancelha.
— Bancando o terapeuta, é?
— Serena...
Mas ela olhou para o canto da sala onde Alpine e James dormiam juntos e sorriu de leve.
— Está tudo bem, Bucky — sussurrou — eu juro.
Tudo bem era um belo eufemismo. As coisas não andavam tão bem assim.
Todas as revelações envolvendo Orlov causaram uma bagunça enorme no parlamento, o GRC estava um caos e os planos para o escudo do Capitão América... Bucky nem queria pensar muito a respeito, a bem da verdade. Deixaria Sam encarregado do assunto. Se iria para outro museu, se o Falcão o pegaria de volta, se Orlov dissera a verdade naquela noite e o escudo fosse para outra pessoa... pensaria a respeito mais tarde. Naquele instante, Serena era única coisa que importava para ele.
— Falando nisso — o canto da boca dela se curvou para cima outra vez — onde eles estão? Me seguindo por cima dos prédios?
— Eles?
— Sam, Íris e Amanda — ela esclareceu. — Vai me dizer que não sabe que os três passaram a semana me seguindo quando você não podia?
Bucky balançou a cabeça.
— Não sei do que você está falando — mentira. Mas não diria aquilo a ela.
Ciente disso, Serena contraiu o rosto e o encarou, como se dissesse com aquela vozinha fina e irritante "a quem está tentando enganar, sargento?"
— Nesta noite, seremos apenas nós dois — garantiu, segurando o riso.
— Ah é? Como sabe disso?
— Sam está trabalhando e, pelo que fiquei sabendo, Íris e Amanda foram passar o final de semana na Filadélfia. — Bucky deu um passo para frente. — Algo sobre visitar a família de Amanda, se entendi direito.
Ela fez um biquinho como se fosse uma criança emburrada.
— Como sabe disso e eu não?
Um meio sorriso.
— Meu charme irresistível?
Serena revirou os olhos e sussurrou um xingamento. Ele riu.
— E, por falar em charme... — prosseguiu, estendendo as flores. — Temos assuntos inacabados, coisinha.
Serena assoviou.
— Uau. Terno, comida e flores. Acho que tem alguém aqui querendo me levar para a cama — cantarolou.
Apesar do tom jocoso, ela deu um olhar doce para o buquê colorido de camélias, o coração batendo um pouco mais rápido. Bucky então a puxou pela cintura, trazendo-a para perto.
— E quem disse que preciso de flores para levá-la para cama? — sussurrou contra seu ouvido.
Ela arquejou. O coração acelerou ainda mais.
O que saiu da boca dela, no entanto, foi:
— Babaca. Você é um babaca convencido, sargento.
Ele riu e beliscou a cintura dela.
— Preparei o jantar — o sargento prosseguiu, sentindo a respiração de Serena entrecortada contra o rosto — espero que goste de spaguetti.
— Você fez no micro-ondas?
Bucky levantou uma sobrancelha, ultrajado. Ela deu uma risadinha e correu os dedos por seu maxilar.
— Então pode ter certeza de que vou adorar — completou, apertando suas bochechas. — Só me deixe trocar de roupas primeiro. Se isso é mesmo um encontro, quero estar vestida à altura. — Serena então deu um selinho nele. Dois.
Feito isso, se afastou e foi andando em direção da cozinha, abriu o armário e pegou um vaso para as flores. As roupas que vestia estavam úmidas e a pele tinha cheiro de mar misturado com o perfume de sempre. Era exótico. Inebriante. Algo dentro dele vibrou com aquele cheiro.
— Você está linda do jeito que está — ele deixou escapar, enquanto a mirava feito um idiota apaixonado.
Os olhares então se encontraram e o sargento encarou a boca dela contendo um suspiro, como se estivesse aturdida pelo elogio. Deslumbrante. Tudo nela o fascinava.
Ele sentiu o próprio coração acelerando.
Não era do tipo que acreditava em destino, mas Serena... não tinha como suas vidas terem se cruzado por acaso. Tudo o que viveram, o que tinham passado nos últimos meses... não foi em vão.
E, apesar de Bucky ter trilhado caminhos terríveis, mesmo que tivesse passado tantas décadas preso naquela espiral de dor, sangue e escuridão... no fim havia encontrado uma luz. Bem ali, na sua frente. Sorrindo para ele.
Queria abraçar aquela luz. Queria beijá-la e queria amá-la. Naquela noite. Em todas as noites.
Pelo resto de sua existência.
Os olhos castanhos de Serena tinham aquele brilho travesso que ele adorava, embora houvesse um quê de selvageria em seu semblante. Como se ela lesse as entrelinhas de suas palavras, suas expressões.
— Mas estou com os sapatos de palhaço que você odeia — disse, erguendo o pé, exibindo o calçado levemente sujo de areia.
— Tem razão, é melhor tirar — ele concordou, chegando perto outra vez. — Aliás, por que não aproveita e tira tudo?
Serena gargalhou e deu um tapa em seu peito.
— Antes do jantar, meu bem? Não é bem assim que encontros funcionam.
Um passo para frente. Depois outro.
— Era como fazíamos no meu tempo — disse ele, a voz rouca. Bucky aproveitou a distração dela, pegou o vaso de suas mãos e o repousou na bancada, bem no meio da louça que tinha arrumado momentos antes. Em seguida, pressionou o corpo dela contra a parede e completou: — Se não acredita em mim, pode procurar na internet.
Outra risada.
— Mentiroso — ela chiou, os dedos brincando com a ponta da gravata. — Você é um velhinho muito mentiroso, sargento.
Bucky voltou a encará-la e notou que Serena mantinha o olhar fixo em sua boca. Então, antes que ele pudesse retrucar, ela puxou o tecido para baixo e se aproximou do rosto dele. O encarou. Um. Dois. Três segundos.
Um instante depois, os lábios se tocaram.
O beijo começou suave e carinhoso. Lento e exploratório. Uma mistura de entrega e familiaridade. Serena não demonstrava ter pressa alguma, apenas queria senti-lo. Bucky por sua vez, deslizou as mãos pela lombar dela, mapeando as curvas de seu corpo até alcançar o quadril. Então continuou descendo e descendo e, quando chegou nas coxas, agarrou. Apertou. Serena gemeu, mas não interrompeu o beijo. E ele... queria mais. Precisava de mais.
Ela espalmou uma das mãos sobre o peito dele, os dedos tentando encontrar a pele escondida por camadas e mais camadas de roupas, a outra na nuca.
Bucky apertou as coxas dela outra vez e ergueu corpo, trazendo-a por completo para si. Em resposta, Serena enlaçou as pernas ao redor de seu tronco, as mãos segurando no maxilar em busca de apoio ao passo em que explorava a boca dele. Ela o tocava sem pudor algum, distribuindo beijos cálidos e pudicos. Provocantes e castos. Tórridos e letárgicos... tudo ao mesmo tempo e, quando mordiscou o lábio inferior dele... merda.
O sargento então a carregou até o quarto e, no instante em que as pernas encontraram o colchão, interrompeu o beijo. Serena o encarou com frustração.
— Por que parou? — sussurrou, impaciente. A respiração estava entrecortada e o coração retumbava no peito.
Bucky, lentamente, se sentou no colchão, mantendo as mãos ao redor das coxas dela. Naquela posição, os rostos ficavam na mesma altura, ela encarando-o altivamente.
— Você tem certeza de que quer isso? — Ele perguntou em voz baixa.
Ela não disse nada. Em vez disso, aproximou o rosto ao ponto das testas se tocarem e fechou os olhos. Parecia estar sopesando a pergunta.
Então, ficaram em silêncio por alguns minutos; Bucky acariciando o rosto dela enquanto esperava pacientemente pela réplica. Ou não.
Era assim que faziam.
Apesar de estarem compartilhando a cama — cama, quem diria — há dias, até então não fizeram mais que trocar carícias. Isso porque, era evidente que Serena estava fragilizada, embora se esforçasse para fingir que não.
Nas primeiras noites, ela passara boa parte da madrugada fingindo estar dormindo apenas para que Bucky não percebesse a insônia. Não funcionou. Ele notou de imediato a forma como o coração dela disparava quando uma das portas ou janelas eram fechadas; no incômodo que sentia com luzes frias, assim como sabia que a razão para que o abraçasse com tanta força quando se deitava na cama era por medo. Medo de aquilo tudo fosse um sonho; medo de acordar naquele maldito quarto outra vez.
A bem da verdade, o mesmo temor o atingia às vezes. Perdê-la outra vez.
E foi por esse motivo que Bucky — logo depois de trocar todas as lâmpadas de ambos os apartamentos — decidiu que manteria certa distância. Não a rejeitara em momento algum, nem conseguiria, mas havia estabelecido um limite a si mesmo. Não encostaria em Serena enquanto não tivesse cem por cento seguro de que ela estava pronta para tal.
Poderia ser naquela noite.
Poderia ser dali a seis meses.
Poderia levar anos... ele não dava a mínima.
Serena estava com ele. Protegida. Era tudo que importava.
Ela continuou em silêncio por alguns instantes. Minutos. Até que abriu os olhos. E sorriu.
— Trocar de roupas? — Serena murmurou, os olhos faiscando. — Detesto usar salto, mas não posso jantar de crocs e camiseta de Star Wars enquanto você está todo pomposo. É destoante.
Ele balançou a cabeça. O senso de humor daquela coisinha deveria ser estudado.
— Agora... se está falando de sexo — ela completou, repousando um dedo em seus lábios — sim, eu quero.
O sargento repousou a mão de vibranium por cima da dela, acariciando a pele macia.
— Eu não odeio os sapatos — Bucky observou, depositando um beijo casto na palma — são feios, mas são seus.
Ela bufou.
— Que lisonjeiro.
Ele deu uma piscadela e continuou acariciando os nós dos dedos dela. Do lado de fora do quarto, a noite cobria a cidade, os sons de buzinas de carros e trilhos de metrô ao longe, mas ele ignorou aquilo. Ignorou a agitação do Brooklyn e o resto do mundo. Para ele, só existia aquele quarto e Serena.
— Eu quero — ela sussurrou depois de um tempo, contornando seu maxilar com os dedos — eu quero você, Bucky.
As palavras dela pairavam sobre ele, assim como a presença, o cheiro, o calor...
Bucky ergueu o rosto. Serena o encarava com ternura e admiração. Mas sempre havia sido daquele jeito: primeiro, quando ela descobriu sobre o Soldado Invernal; depois em Brooklyn Bridge, enquanto dizia como se sentia sobre ele; quando disse que o queria pela primeira vez... Dessa vez, no entanto, o sargento acreditava. Sabia que ela o tinha escolhido e que realmente o desejava. O amava.
Então, Bucky a encarou de volta e disse:
— Eu também quero você.
Sua boca foi de encontro a dela. Sentiu a respiração suave como uma brisa fresca de verão e mordiscou seu lábio inferior. Uma mordida rude, capciosa. Ela gemeu. Então Bucky completou, não sem antes beijá-la uma vez, as palavras que estava guardando há dias:
— Amo você, Serena. Hoje. Amanhã. Sempre.
Os olhos dela brilharam de emoção. Era a única resposta que precisava.
Serena inclinou o rosto, permitindo que ele tivesse acesso ao pescoço, distribuindo beijos, mordidas e sussurros até alcançar o colo, os dedos roçando a pele macia das pernas. Ela arfou. Mesmo assim, Bucky sentiu dedos finos escorregando até o peito e, um a um, os botões de seu paletó foram abertos.
— Precisava mesmo de tantas peças de roupa? — resmungou ela ao sentir o tecido da camiseta que jazia por debaixo do casaco.
O sargento riu contra o pescoço.
— Ansiosa?
Ela não respondeu de cara. Em vez disso, continuou soltando os botões até que os dedos encontrassem com sua pele. E, quando o fez, espalmou a mão sobre o coração dele, que batia um pouco mais rápido que o normal.
— Você não está? — Serena ronronou, esticando os lábios como uma predadora, os olhos cravados nele.
Bucky grunhiu e agarrou a barra da camiseta dela, puxando-a por cima da cabeça, os dedos de vibranium serpenteando até o fecho do sutiã.
— O que acha? — sussurrou, a boca descendo até a altura dos seios. E, quando soltou o fecho, fazendo com que Serena arqueasse as costas de leve, completou: — Sonho com esse momento há meses.— Anos. Décadas.
Ela moveu o quadril de forma que o joelho roçasse contra sua virilha. Bucky soltou um palavrão. Naquele ritmo, enlouqueceria. Mesmo assim, sorriu. Serena era dele. E ele era dela.
Não poderia desejar mais do que aquilo.
O sutiã foi jogado de qualquer jeito em algum canto do quarto, deixando-a completamente exposta para ele. Arfou. Precisou de um momento para vislumbrar a pele nua do torso, para memorizar cada partezinha daquele corpo perfeito.
— Você é linda — deixou escapar enquanto distribuía beijos na região da costela, propositalmente se demorando para alcançar o seio esquerdo, apenas para sentir os suspiros dela, apenas para provocar.
Serena não respondeu. Estava ocupada demais afundando os dedos no cabelo dele, forçando-o para baixo, uma ordem tácita para que continuasse a estimulá-la. Bucky não teve forças para recusar o pedido. Passou a língua pelo contorno do seio. Beijando e lambendo e explorando...
O corpo dela estremeceu quando usou o braço esquerdo para contornar o outro seio, o vibranium contra a pele macia provocando pequenas ondas de choque. Ele hesitou por um instante. Um milésimo de segundo, mas o suficiente para que Serena protestasse.
— Não se atreva a me soltar — ela grunhiu, ao notar que ele estava prestes a tirar a mão — eu o quero por inteiro. Do vibranium aos pés.
Ele ergueu o rosto e a encarou. Os olhos eram uma mistura de desejo e luxúria, os lábios esticados em um sorriso lascivo enquanto os dedos deslizavam do cabelo até a nuca, arranhando a pele de leve.
Bucky sentiu o corpo ferver.
E aquilo bastou para que ele a agarrasse pela cintura, praticamente jogando-a na cama em seguida. Mas nada daquilo pareceu afetá-la. Em vez disso, apoiada pelos cotovelos, Serena o olhou de cima a baixo, se demorando no torso parcialmente exposto e mordeu o lábio inferior.
— Tire — ordenou, apontando para o terno.
Bucky levantou uma sobrancelha, encarando-a com um olhar austero. Ela, no entanto, sustentou o olhar, como se sorvesse sua expressão abúlica.
— O que foi, sargento? — Serena perguntou, em tom casto. Seus lábios, por outro lado, ostentavam um sorriso voluptuoso. — Precisa de música?
Ele soltou uma risada, mas obedeceu mesmo assim.
Primeiro desatou a gravata, puxando-a de uma vez só; depois, o paletó e a camiseta, jogando-os em um canto do quarto; em seguida, tirou os sapatos, meias e, quando tocou a fivela do cinto, fez questão de se demorar, embora estivesse olhando no fundo dos olhos dela enquanto o fazia.
— Coisinha abusada — Bucky murmurou, ao abaixar o zíper da calça e a cueca, as duas peças sumindo em seguida. Estava completamente nu.
Serena parecia ter segurado a respiração enquanto via seu corpo. Bucky se contraiu. Estava totalmente exposto para ela. Os músculos, as cicatrizes de décadas de lutas, os vestígios de tudo que havia sido...
É claro, não sentia vergonha de suas marcas, mas tinha de admitir que era um novo tipo de vulnerabilidade ser analisado por aquele par de olhos castanhos. Mas não havia nada nela que indicasse repulsa. Não, aquele olhar era ávido. Lascivo. Ele arfou. Mesmo dali, podia sentir o desejo, a excitação dela.
— Não finja que não gosta — Serena respondeu, abrindo as pernas. Um convite.
Bucky sorriu e respondeu:
— Você não faz ideia.
Então se debruçou sobre ela, empenhado em tirar o que havia sobrado de suas roupas. Com as mãos, apertou as coxas enquanto usava a boca para explorar o resto. Beijou a barriga e correu a mão esquerda até o cós da bermuda, puxando para baixo, despindo-a completamente também.
Serena arquejou.
Depois de se livrar das roupas, Bucky quase se perdeu na sensação de tocar a pele macia das coxas, de beijar e mordiscar a parte interna enquanto ela gemia seu nome cada vez mais alto. Ele foi além: separou ainda mais as pernas dela para que tivesse acesso a parte que desejava. Serena arquejou.
E, quando ela moveu os quadris, clamando por ele, Bucky a provou. Com a língua e com os dedos, percorreu cada pedacinho dela. Se demorou em um ponto em específico, fazendo-a estremecer e arquejar outra vez.
— Por favor — ela suspirou — por favor, não pare.
Bucky sentiu o corpo inteiro se incendiar com o pedido.
Contudo, antes de ir além, antes que se perdesse ali, ergueu o rosto. Serena choramingou. Mais tarde, prometeu, sorrindo diabolicamente.
Havia algo que gostaria de fazer primeiro.
— Ainda não — disse mais para si mesmo do que para Serena, ao passo em que se estendia sobre ela, até alcançar o rosto outra vez. Até capturar os lábios.
Apesar da frustração, Serena envolveu seu pescoço com os braços e o puxou para perto. Ele continuou beijando-a, a língua deslizando para dentro da boca.
O membro pulsava contra ela, praticamente implorando para que se unissem de uma vez. Serena parecia desejar a mesma coisa. Com o quadril, roçou de leve contra ele, sussurrando seu nome feito uma prece. O sargento grunhiu. O nome dele escapando daqueles lábios, implorando para que continuasse, para que não se segurasse, enquanto o tocava com voracidade era como música para os ouvidos. Ele se posicionou onde queria. Onde precisava. E a encarou.
Por um longo instante, Bucky e Serena ficaram se encarando, a respiração ofegante e os corações retumbando. Não era capaz de ler mentes, mas sabia exatamente o que se passava dentro da cabeça dela, o que queria dizer com aquele olhar cálido. Sim, ela o queria. Sim, estava pronta. O sargento a beijou outra vez.
Então, a distância entre os dois desapareceu.
Bucky se moveu para dentro. A preencheu devagar e magnificamente. E enquanto o fazia, se desconectou do próprio corpo por um segundo. Era bom. Porra, era perfeito. A pressão em torno dele era tão tortuosamente deliciosa que precisou reunir todo seu autocontrole para que aquilo não acabasse rápido demais.
Serena enlaçou as pernas ao redor da cintura dele de forma que o sargento conseguiu se afundar mais e a pressão aumentou. Aquela era a pior — melhor — parte: ela era flexível. Muito flexível. De forma que levava sua mente depravada a pensar nas possibilidades, fantasiar tudo o que poderiam fazer. O corpo vibrou. Realizaria algumas daquelas fantasias mais tarde, sem dúvidas.
Naquele momento, contudo, Bucky queria fazer com que a primeira vez se estendesse por horas. Dias.
— Não. Se. Mova. — Ele arfou, enlaçando as mãos dela as dele e a pressionou contra o colchão.
E, mesmo assim, mesmo que estivesse parcialmente imobilizada, Serena o ignorou e moveu o quadril, apenas para contrariá-lo. Ele estremeceu de prazer, os músculos trêmulos. Ainda não. Ainda não.
— Serena... — ele advertiu — fique quieta.
Mas Serena continuou se mexendo, os seios roçando contra a pele dele. Bucky enrijeceu, o corpo prestes a colapsar graças ao anseio de manter o ritmo lento. Então, ele cometeu o erro de encará-la.
Serena tinha um sorriso diabólico, apesar do rosto angelical. E continuou se movendo. Por que havia pensado que seria diferente? Aquela era ela. Obstinada. Impiedosa. Deslumbrante... claro que não o obedeceria, nem mesmo na cama.
— Ou o que, sargento? — ciciou, mordiscando o rosto dele.
Bucky roçou a boca contra a dela e esticou os braços até quase alcançar a cabeceira, segurando os pulsos com a mão de vibranium. Com a direita livre, agarrou a coxa e a puxou para si. Ela ofegou.
— Não me provoque — ele sussurrou contra o ouvido dela, mordiscando o lóbulo.
Ela, no entanto, riu. Estava brincando com fogo, como a teimosa que era. Bucky então reivindicou a boca dela e começou a se mover.
Começou devagar, com ele explorando os limites de seus corpos, entendendo até onde poderia ir, descobrindo como o corpo de Serena funcionava. E, conforme suas investidas se tornaram mais intensas, a sentia se contorcendo debaixo dele, ansiando por mais. Os quadris se moviam em um ritmo enlouquecedor. Ele queria mais e mais daquilo. Dela. Deles.
O sangue fervia dentro do corpo enquanto ouvia a voz dela clamando seu nome cada vez mais alto, o coração quase explodindo no peito. Bucky enterrou os dedos na pele macia de Serena, puxando-a, reivindicando-a. Ele continuou tocando, mordendo, explorando e, naquele instante, jurou a si mesmo que enquanto respirasse, seria por ela. Sempre por ela.
E foi enquanto seu nome escapava pelos lábios de Serena, implorando para que continuasse, que o clímax o atingiu com a força de um tsunami. Cada célula do corpo vibrava. Um instinto primitivo e selvagem consumindo-o. Nunca mais sairia dali, decidiu.
Perdido em meio ao êxtase, Bucky beijou a região clavícula dela, enquanto murmurava o quanto era deslumbrante. Perfeita. O quanto a amava.
Ela arfou.
— Serena.
Aquilo foi o suficiente para sentisse o clímax dela, pressionando-o com tanta força que o fez gemer seu nome de novo e de novo enquanto os espasmos do próprio orgasmo ainda percorriam o corpo.
Então, ao passo em que o som das respirações aceleradas preenchia o quarto, Bucky soltou as mãos de Serena e se afastou devagar, contemplando o movimento de seu peito subindo e descendo.
— Amo você também — ela disse entre resfolegadas.
Bucky beijou a testa dela e a abraçou, aninhando-a carinhosamente contra o peito.
— Eu também — respondeu ele — eu também.
E sorriu. Depois de décadas de lutas e sofrimento, Bucky estava em casa.
✧❄✧
O sargento acordou com o tintilar de seu telefone. Não se moveu, no entanto. E nem o faria enquanto sentisse o corpo de Serena contra o dele, a respiração calma indicando seu estado de sono profundo. Pelas janelas, dava para notar que já era outro dia. Sorriu.
A noite anterior havia sido... bem, ainda não saberia expressar em palavras o que havia sido aquilo.
O cheiro dela e do que haviam feito — repetidas vezes — na noite anterior espalhado por todo o quarto mexia profundamente com seus sentidos. Estava extasiado. Atordoado. E, mesmo assim, ele queria mais. Precisava de mais.
Não se lembrava da última vez em que o sexo havia sido tão intenso e libertador. Os dois tinham transado mais algumas vezes até que ela se desse por satisfeita e adormecesse tranquilamente em seus braços. Bucky, por sua vez, passou mais algumas horas acordado tentando processar tudo o que estava sentindo, mas era uma sensação boa. O corpo estava leve. Não havia mais caos ou sangue, apenas... eles.
E quando enfim adormeceu, o Soldado Invernal não apareceu para assombrá-lo.
—Hum... celular....
Ele ergueu os olhos. O maldito telefone continuava tocando na mesa de cabeceira.
— É o meu — o sargento sussurrou no ouvido de uma Serena parcialmente acordada — apenas ignore.
Ignorando o comentário, ela tentou se levantar, mas Bucky a impediu, abraçando-a pela cintura. Ainda não estava pronto para sair daquela posição.
— E se for importante?
— Não é — ele sussurrou. E afundou o rosto no pescoço dela. — Fique na cama, Serena.
— Mas...
— Por favor — ele insistiu, mordiscando sua orelha de leve.
Ela deu uma risadinha. O sono evaporara, ao que parecia.
— Você é terrível.
Mesmo de costas, Bucky podia vislumbrar aquele sorriso travesso despontando dos lábios dela. Ele então a puxou mais para si, permitindo que sentisse o calor de sua pele, o que fazia consigo.
— Sou?
Serena moveu o quadril como se quisesse provocá-lo, mas Bucky já esperava aquilo e pressionou sua ereção contra a coxa dela.
— Noite passada não foi o suficiente, sargento? — ela suspirou.
Bucky riu contra a pele macia.
— Não — respondeu, deslizando a mão esquerda do quadril até o ventre dela — não foi — nunca seria, quase completou.
Ela soltou um palavrão.
— Quer que eu pare? — Bucky perguntou, os dedos muito perto de alcançar o que queria. Ele roçou os dentes em sua orelha outra vez.
— Não se atreva — ela grunhiu.
Outro toque do telefone. Bucky ignorou aquilo.
Sua mente estava em outro lugar.
— Talvez você... devesse... Deus...
As palavras se perderam no ar quando ele deslizou um dedo para dentro dela, depois outro, enquanto fazia movimentos lentos e ritmados, a mão direita apertando um seio, fazendo-a estremecer. Bucky adorava aquilo. Adorava fazê-la gemer seu nome enquanto sentia o coração batendo cada vez mais rápido, ao passo em que o clímax se aproximava e adorava a maneira como ela se esfregava contra ele e... porra.
Ela arfou.
— Bucky.
O sargento beijou o ombro e a clavícula de Serena enquanto os espasmos dela pressionavam seus dedos. Era delicioso. Perfeito. Mas...
O telefone tocou pela terceira vez.
— Merda.
— Sabe — disse ela, ainda ofegante — eu realmente acho que é importante. Por que não atende de uma vez? E então podemos continuar de onde paramos.
— Ou posso arremessar o celular pela janela — ele esticou os lábios. A ideia definitivamente o agradava.
— Bucky...
O sargento soltou um palavrão, mas ergueu o corpo da cama mesmo assim. E quando pegou o celular não se surpreendeu nem um pouco com a foto que piscava na tela, o toque irritante quase estourando os tímpanos.
— O que quer?
— Ligue a televisão — disse Sam Wilson à guisa de cumprimento — Orlov tinha razão, o GRC entregou o escudo.
Bucky retesou.
— Quem?
— Não conheço o sujeito — Sam respondeu — mas achei que você deveria saber primeiro.
O quarto ficou em silêncio. Serena estava sentada ao lado dele, provavelmente ouvindo a conversa, se o olhar curioso servia de indicativo.
— Isso não é tudo — o Falcão completou depois de um tempo.
— Tem mais?
Mais silêncio.
— Estou mandando os detalhes, mas é algo... grande — ele explicou, sons de pessoas e helicópteros ao fundo. Sam deveria estar perto de uma pista de pouso. — Vou precisar de ajuda, Bucky.
— Sam, eu...
— Leia os arquivos e me encontre nas coordenadas que estou te passando. Ou não. A escolha é toda sua, mas... estou saindo antes do entardecer.
A linha ficou muda. Bucky suspirou.
— Então — Serena perguntou, encarando-o — outro incidente com superpoderosos precisando de atenção?
Bucky alternou o olhar entre a tela do celular e ela. Por uma fração de segundo, permitiu que o calor dela o envolvesse até os ossos. O corpo foi preenchido por uma sensação de calma e tranquilidade, algo que realmente precisava. E ele gostaria daquilo, passar o resto da vida naquela cama com Serena ao seu lado. Mas, ao mesmo tempo, enquanto lia o relatório de Sam falando sobre os apátridas, teve a certeza de que não conseguiria deixar aquilo de lado.
— Serena, eu sei que faz pouco tempo, mas eu não posso deixá-lo sozinho.
Mas Serena repousou a mão sobre a dele e sorriu.
— Já entendi, nada de férias para Vingadores — disse ela, os cabelos ondulando sobre os ombros — para onde vamos, sargento?
Então, pela primeira vez em muito tempo, Bucky sabia exatamente o que tinha que fazer, onde deveria estar. Uma escolha que faria por si mesmo. Um futuro que poderia trilhar com os próprios pés. Um cenário onde não estaria sozinho.
Ele sorriu de volta.
— Já esteve em Mônaco, coisinha?
Fale com o autor