Legacies Season 2
38 Vikings
P.O.V. Princesa Judith.
Eu quero aprender as escrituras divinas, mas há muitos contra mim. Entretanto o Rei Ecbert cumpriu sua palavra.
—Ensinar as sagradas escrituras a uma mulher.
—E dai?
Era uma mulher, usando calças e uma roupa florida.
—Uma mulher de calças.
—E dai?
Ela respirou fundo. E falou nossa língua.
—Quem é você, mocinha?
—Eu sou Judith, esposa de Aethelwulf.
—Sempre definida por outra pessoa. Vou chamar você só de Judith, porque realmente não gosto de deixar que alguém, outro alguém me defina.
—Quem sois vós?
—Quem eu sou não importa. Eu só vim aqui buscar uma coisa que os monges roubaram. Sétimo mandamento, não roubarás. Parece-me que as regras se aplicam a todos menos a vocês. Ou assim vocês pensam.
Ela começou a procurar entre os livros.
—Não estaria assim, á vista. Imagine que um Cristão que vive falando de pureza e de como outras crenças são... erradas teria um grimório assim, á vista.
Enquanto ela caminhava e revirava a biblioteca recitava coisas.
—Primeiro mandamento, amar a Deus acima de todas as outras coisas, amar a todos, a todos perdoar, servir a todos. Segundo mandamento, Não tomar seu santo nome em vão. Proíbe o nome impróprio do nome de Deus...
Então ela falou.
—Estou procurando do jeito errado. Estou procurando com os olhos.
Ela sentou na cadeira, tirou com cuidado as páginas transcritas das sagradas escrituras e pegou uma folha em branco. Com a tinta ela escreveu algo.
—Eu reconheço essa escritura. É a língua dos pagãos, dos bárbaros.
—Pagãos sim, bárbaros não. Isso é rúnico menina, é a língua do povo viking. Sim, eles são brutos... mas em muitos aspectos eles são mais evoluídos do que os cristãos. Se uma mulher livre é violentada, ela tem o direito de se defender diante dum tribunal popular. Se ela está descontente com o casamento, tem o direito de anulá-lo. Você não. Tudo está distorcido agora. Vai ficar ainda pior. Sempre haverão homens como ele, tentando usar Deus como uma ferramenta para controlar as pessoas.
Ela puxou uma faca de debaixo da saia e cortou a própria mão. Deixou com que o sangue pingasse no papel e começou a pronunciar palavras desconhecidas.
—Phesmthos Tribum, nas ex viras, nas ex malon...
O sangue moveu-se sozinho até parar. Formou uma cruz.
—É claro. Imagine o que os membros da Igreja vão dizer quando souberem... não. Eles já sabem. Bando de hipócritas.
Ela foi até a igreja e afastou o altar de pedra com um empurrão. Como se ele não pesasse nada. E desceu pelo alçapão.
P.O.V. Hayley.
Eu encontrei. Sob o altar da Igreja Católica haviam tesouros de valor inestimável, mas eu não preciso de ouro, joias ou qualquer uma destas porcarias. Eu só quero o que eles roubaram do meu povo.
Peguei o livro grosso com encadernação de couro que estava amarrado com uma tira também de couro. E quando tentei abrir o alçapão... eu não consegui. Eles tinham colocado o altar de volta.
Mas, eu simplesmente empurrei com mais força.
P.O.V. Frei Louis.
O altar voou longe. Vinte quilos de granizo atirados longe.
—Que patético. Ou cruel, ou os dois.
Ela avançou sob mim numa velocidade humanamente impossível.
—Vocês me deixariam pra morrer de fome, trancada no sótão duma igreja?! Cadê a sua misericórdia?!
—Demônio!
—Você claramente nunca viu um demônio, ou sabe algo sobre eles. Porque se tivesse visto um... estaria morto. Ou pior, possuído. Ele teria entrado dentro de você e te forçado a fazer coisas que a sua mente nem conseguiria imaginar. Atrocidades muito piores do que qualquer coisa que você já tenha visto. Se algum dia, você conhecer um demônio de verdade... acredite você saberá.
Ela largou-me e saiu.
P.O.V. Judith.
Ela deixou o homem viver. Estava na biblioteca.
—Entre eu não vou morder.
—O que é você?
—Eu sou muitas coisas. O meu bisavô era Viking, sabia? Sei muito bem o que os "civilizados" pensam dos Vikings. Que são todos brutos, ignorantes, selvagens. O meu bisavô era bruto, violento, orgulhoso, mas minha bisavó não era. Ela era um tanto desequilibrada, mas era um gênio. Ela era a bruxa mais poderosa.
Uma bruxa?!
—Porque tanto alarde? Oh, é. Esta palavra. Bruxa. As pessoas a tomam como algo ruim, mas no seu âmago significa mulher sábia.
Ela estava foleando o livro.
—Nenhum homem é dono duma mulher, ninguém é dono de outra pessoa. Não se ela não quiser, se ela não deixar. Vou te contar uma coisa, Judith. As pessoas podem tirar tudo de você. Seu status, sua riqueza, tudo o que você tem. A única verdadeira coisa que você possui é o conhecimento. Isso ninguém pode tirar de você. Agora devo partir.
—Como é um demônio?
—Demônios não tem forma. Não tem chifres, rabo nem nada disso. Quando houver um demônio na sala você vai sentir cheiro de ovo podre, de enxofre. E então, vai ver uma fumaça negra, mais preta que fumaça de carvão e esta fumaça negra horrível vai descer pela sua garganta e tomar posse do seu corpo. Faça o que fizer, se vir a fumaça, fique de boca fechada. Não grite, não abra a boca.
Ela abriu um buraco no meio do ar e por ele passou.

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