P.O.V. Heaven.

Ela entrou, mas infelizmente eu fiquei presa.

—O que?

—A casa está no seu nome?

—Está. Porque?

—Porque, a propriedade está no seu nome e você mora aqui, o que significa que vampiros de toda a sorte tem que ser convidados a entrar.

—Sério? Isso é mesmo real?

—Infelizmente.

—Então, entre.

Ela morava sozinha e eu não podia entrar no quarto ao lado do dela. O quarto de hóspedes era meu e ela tinha me feito um quarto escuro.

—Nossa! Que legal. Obrigado.

A Agente Roth era uma pessoa legal. Então tomei uma decisão, decidi retribuir a sua gentileza. Entrei no quarto escuro e revelei as fotos dos caras tatuados. Coloquei num envelope, mas não foi tudo o que eu fiz.

—Para você. Como presente de obrigado e em minha defesa, eles me atacaram e não estão mortos.

P.O.V. Mackenzie Roth.

Ela havia fotografado as tatuagens e aqueles que as possuíam. E havia também um colar.

—É um belo colar.

—Tem uma erva dentro dele. É chamada de verbena. Enquanto estiver com você ou em você... não poderá ser controlada. Por favor não espalhe esta informação, primeiro porque pode ser usada para machucar inocentes e segundo porque eu gosto de ter sangue fresco de vez em quando.

P.O.V. Heaven.

Eu vi o pânico no olhar dela.

—Relaxa, eu só bebo um pouco, curo eles e uso a compulsão para fazê-los esquecer. Eles não morrem. Eu ativei a minha maldição, mas foi um acidente de carro. A mulher saiu do nada, chamei a ambulância, prestei socorro e tudo mais, mas... ela morreu.

—Sinto muito, mas o que quer dizer com ativou a maldição?

—Ser lobisomem é uma maldição. Não é desencadeada, ativada até o portador do gene tirar uma vida. Uma vida humana. Acidente de carro é o mais comum. Minha mãe ativou a dela quando estava possuída pela bruxa que criou a maldição do lobisomem, ela usou aquela magia super das trevas para matar um bando de vampiros fanáticos que odiavam híbridos e mutilaram, torturaram e assassinaram a minha vó. Hayley Marshall-Kenner. Nascida Andrea Laboneire. E acidentalmente matou um padre.

—Lamento.

—Mm.

Haviam samambaias na mesa de centro, poucas fotos, embalagens de comida pronta como pizza, comida chinesa por todo o apartamento.

—Precisa dar uma geral aqui.

Rapidamente arrumei um saco de lixo e joguei tudo aquilo dentro e levei pra fora.

—Melhor. Mas, ainda tem cheiro de comida pronta.

Na manhã seguinte era hora da escola e eles tinham uniformes, muito parecidos com os da Salvatore Boarding School.

—Você está bem?

—Eu não dormi na noite passada. Sonhos ruins, sonhos ruins de bruxa e há um corvo me seguindo por ai. Isso é um agouro de morte. Alguém vai morrer.

Não mencionei é claro que entrei no quarto ao lado do dela e era um quarto de criança.

—Sabe quem é?

—Bem que eu queria. E meu nome é Heaven. H-E-A-V-E-N. Não Raven.

Chegamos á porta da escola.

—Quantas vezes você já fez o Ensino Médio?

—Só uma. Mas, foi mais legal do que isso vai ser.

Eu vi um grupo na sacada e sabia que eram os populares, sabia outra coisa também.

—Está tudo bem?

—Sim. Eu tenho que ir. Me deseje sorte.

—Está com seus horários?

—Sim.

—Seu almoço.

—Obrigado.

—Realmente vai comer?

—Enquanto eu mantiver uma dieta estável de sangue humano, meu corpo funciona normalmente. Eu até vou ao banheiro e menstruo.

—Informação desnecessária.

—Sinto muito.

Abri a sacola e vi...

—Tofu? Que nojo!

—Eu não sabia que ia comer. Tenha um bom dia e boa sorte.

—Bom dia pra você também.

Eu saí do carro e fui andando para dentro da escola, eles imediatamente me reconheceram. Ouvi a conversa dos pops.

—Gosta de alunas novas. Olha Brandon, namorada nova.

—Essa ai tem presas. Mas, até que ela é bonitinha.

Bonitinho é você. Feio arrumadinho. Vi o memorial para a menina. Amanhã vou trazer uma flor para colocar lá.

Ouvi o sinal tocar. E fui para aula de literatura. Paraíso Perdido e uma das alunas pops, a Senhorita Hunter tomou xingo da professora. Mas, o Senhor Bower deu a resposta certa. Bem, certa para um humano.

Na hora do intervalo me sentei numa mesa qualquer e fiquei lá, até ele aparecer com a bandeja.

—Oi.

—Oi.

—Você não vai comer? Você come?

—Eu como, mas minha nova colega de apartamento me fez este delicioso sanduíche de... tofu.

—Toma, pode ficar com o meu. Não esquenta, não quer dizer que vamos namorar nem nada, eu só...

—Você só estava sendo gentil. E eu agradeço por isso.

Cortei o sanduíche de atum na metade e dei a outra metade pra ele.

—Obrigado, Senhor Bower.

—Pode me chamar de Connor e obrigado por dividir.

—Você é quem está dividindo comigo. Lembra?

—Ok, deixa eu te passar as informações. Temos gente popular, popular por associação, os descolados, o pessoal da banda, os nerds, os chatos, skatistas, emos, os estranhos e ai tem eu.

Eu ri.

—Vocês humanos gostam mesmo de rótulos. Mas, e quanto aqueles ali? Pensei que eles eram os populares.

—Não. Aqueles são do tipo, mega popular.

—Uau! Não sabia que existia isso. Eu nem de longe pertenço ao seu mundo.

—Temos Brandon, Jered, a namorada do Jered, Alexis Hunter, filha do senador Hunter, dizem que ele pode ser o próximo vice-presidente.

—Eu sei quem ela é. Conheço eles todos e não são muito o meu tipo. Eu gosto mais de conteúdo. Todos eles são...

—Incrivelmente cheios da grana, sim.

—Eu sei, mas e quanto a você?

—Á dois anos a escola começou um programa de bolsas para aumentar o corpo estudantil.

—E?

—Está olhando pra ele.

—Então... é bolsista. O meu pai também era.

—Na verdade, a Winter é muito boa, mas o pessoal é péssimo.

—Eu tenho alguma experiência com ricos descabeçados, inconsequentes e mimados.

—Falando sério, o que precisar saber deste lugar pode me considerar sua Winterpédia pessoal.

—Eu vou lembrar disso. Ei, a escola não tem problema de Bullying nem nada assim, tem?

—O que quer dizer?

—Você sabe, bullying pela rede, assédio, violência, humilhação pública, este tipo de coisa.

—Não que eu saiba. Porque?

—Curiosidade. Tive que lidar com caçadores e humanos fanáticos religiosos a minha vida toda. E depois da aula da Senhora Rodgers ficou claro que esta é uma escola Católica.

—Você estará segura aqui. Foi um prazer te conhecer.

—O prazer foi meu.

Apertei a mão dele.

—Uau! Você é forte. E Fria.

—Sinto muito. Nada quebrou. Quer ir á enfermaria?

—Estou bem.

—Sinto muito. Ainda é estranho estar perto de todos esses humanos todos duma vez, aglomerados no mesmo ambiente. Criaturinhas tão frágeis, como cristal. Com licença, mas eu tenho que me alimentar.

P.O.V. Connor.

Para uma vampira, ela até que é legal.

—Pode comer o sanduíche.

—Ainda não. E eu não vou comer, vou me alimentar.

Disse deixando subentendido que ia beber sangue.

—Certo. Vá enfrente.

—Não aqui. Eu já volto.

P.O.V. Heaven.

Eu estava a caminho do banheiro e estava com fome.

—Ei, espera.

—Com licença.

—Porque tanta pressa? Nós ainda temos quinze minutos de almoço.

—Menino é melhor sair da minha frente. Á menos que queira ser o meu prato de entrada.

Nem precisei mostrar as presas, quando os olhos mudaram ele já saiu. Fui ao banheiro e bebi a bolsa de sangue toda. E eu estava numa das cabines quando as duas descabeçadas estraram no banheiro. Eu tinha ouvido a conversa delas. Toda ela.

—Você viu o cabelo dela?

—É. Sabe, se ela comesse um pouco, até que seria bonita.

—Ela está morta, ela não come.

—Sabe quem ela me lembra? Cassie.

—Dou no máximo dois meses pra ela.

Quando eu saí e com a boca suja ainda, elas ficaram com o cu na mão.

—Isso ai é...

—Sangue.

Respondi jogando a bolsa de sangue no lixo e sai do banheiro cantando.

—Oh, that man is on my list and oh, that man I wanna kiss, and Oh, that man plays me like a game....

—Parece feliz.

—Eu fico feliz. Depois de me alimentar, eu fico muito feliz. Não dura muito, mas é como é.

Eu sai escondida e fui até a floresta, no lugar onde o garoto supostamente se matou. Tirei fotos com minha câmera profissional, farejei, examinei de cabo a rabo, mas não consegui encontrar quase nada. É coisa do vampiro. O cheiro dele está aqui. Talvez tenha matado o garoto.

Achei um símbolo em japonês, chinês, sei lá. Esculpido numa pedra. E percebi a presença, dele, mas fiz que não vi.

Quando o dia acabou voltei para o apartamento da Mackenzie e estava me olhando no espelho. Eu gosto de ser o que eu sou, mas também falei sério quando disse ao Connor que eu não pertencia ao mundo dele. A Winter não é a Salvatore. Eu me sinto esquisita, vejo os humanos olhando de atravessado pra mim, ouço o que eles pensam que são cochichos.

Nossa como ela é pálida. Você já viu o cabelo dela? Como será que são as presas? Vocês acham que ela vira lobisomem? Será que ela já matou alguém?

Se ela comesse um pouco mais até que seria bonita. Idiota.