Left Behind

2 Capítulo 2 - And Never Forget


Notas iniciais
Hey! Pessoas lindas, muuuito obrigada a quem comentou/favoritou, esse incentivo no começo da fic é realmente muito importante pra mim. Desculpem por qualquer erro, eu revisei mas as vezes deixo passar uma coisinha ou outra. Enjoy ♥

Capítulo 2 — And Never Forget


E L L I E

Fomos direcionados imediatamente à enfermaria, afinal, estávamos todos ferrados da cabeça aos pés.

A Dra. Stevens, uma mulher simpática de pele escura, cuidou de Sam primeiramente, e em seguida aplicou um curativo em minha bochecha. Até então não havia me dado tempo para sentir absolutamente nada, mas assim que relaxei sobre a maca da enfermaria, minha cabeça voltou a latejar, os cortes e arranhões ardiam como se estivessem em brasa e cada centímetro do meu corpo estava dolorido, como se um trator houvesse passado por cima de mim.

— Daremos algum tempo a vocês — informou o Governador. — Sei que têm muito a conversar. Quando estiverem prontos, um dos meus homens estará aguardando do lado de fora.

Com um aceno de cabeça, todos saíram do quarto, nos deixando a sós.

Um silêncio desconfortável pairou sobre o ambiente. Meu pai estava de braços cruzados, encostado sobre uma comoda, alguns curativos preenchiam sua têmpora, e Sam com a testa enfaixada, olhando fixamente para o chão. Por fim ela suspirou.

— Foi tudo minha culpa.

Meu pai ergueu a cabeça para olhá-la.

— De jeito nenhum. Você só estava tentando ajudar, não foi culpa de ninguém.

— Você sabe que foi sim, se eu não tivesse… Aquele mapa idiota… — ela praguejou baixinho.

Estávamos na estrada há dias, dormindo cada noite em um lugar diferente, fugindo ou simplesmente tentando chegar à um lugar novo. Pouco antes do acidente, Sam e meu pai discutiam. Ela estava com um mapa nas mãos, não o largava nunca, e tentava de todas as maneiras possíveis fazer com que meu pai seguisse uma das rotas das quais ela acreditava que nos levaria até a mamãe. Meu pai insistia que era muito perigoso, e não arriscaria nossas vidas tentando encontrá-la. Eu não sabia ao certo se ele havia desistido de tentar encontrá-la… Já havíamos procurado em tantos lugares, e ela parecia estar sempre tão distante… Mas algo em seus olhos me dizia que sim, ele havia aceitado o fato de que ela provavelmente estava morta, o que Sam e eu nos negávamos a admitir.

Minha mãe era uma mulher forte e inteligente, era médica e trabalhava em um dos mais renomados hospitais da Geórgia. Nunca tivera muito tempo para nós e esse fora um dos principais motivos para que ela e meu pai se divorciassem, e também, para que ficássemos sob a guarda do papai. Ela nos visitava sempre que podia, mas no fundo eu sentia que ela colocava sua profissão acima de nós e de tudo. Quando o fim do mundo aconteceu, e a cidade virou um completo caos, eu tive certeza de que ela estava trabalhando, como sempre, salvando vidas. Eu me lembrava de como os noticiários mostravam a confusão nos hospitais, em como dezenas de pessoas morriam e se transformavam, fazendo com que a situação fugisse do controle. Se minha mãe estivesse em um lugar como esse, eu tinha quase certeza de que ela não poderia ter sobrevivido, pois ela não deixaria o hospital enquanto ainda houvesse trabalho a fazer, e vidas a serem salvas. Logo depois que a transmissão das notícias foi cortada e as ruas ficaram totalmente desertas, nos dirigimos até o hospital em que minha mãe trabalhava, mas ela não estava lá, e em lugar nenhum.

Eu sentia uma profunda angústia ao lembrar-me disso. Parte de mim ainda tinha esperança de vê-la novamente, mas a outra parte simplesmente sabia que isso nunca iria acontecer.

— Ellie, você está ouvindo? — chamou meu pai. Estava tão distraída com meus pensamentos que ao menos percebi que rumo a conversa tinha tomado.

— Sim, me desculpe.

— Você poderia ter morrido hoje por causa da mochila — disse ele. — Não pode hesitar em deixar as coisas para trás quando tivermos que fugir.

— Eu sei… é que…

Sam me olhava curiosamente.

— Por que não deixou a mochila? — perguntou.

Meu pai também parecia curioso.

— O que tinha nela, Ellie?

— N-nada, nada de mais… — antes que eu pudesse me explicar, ele se dirigiu à mochila e a abriu. Não foi preciso procurar muito para encontrar a razão de eu quase ter sido morta.

Tirou de dentro dela um pedaço de papel velho e dobrado, uma foto. Abriu-a e a observou por um longo tempo. Ele tentava manter as aparências, mas eu sabia que estava desabando por dentro. Aquela era uma foto da família, quando meus pais ainda eram casados e Sam e eu éramos crianças. Estávamos todos sorrindo na fotografia, e era uma das mais bonitas que haviam. Mas depois do divórcio, meu pai retirou todos os retratos e os deu a minha mãe. Não havia mais nenhuma foto dela, exceto a que estava nas mãos de meu pai agora, a qual Sam havia pego escondida e guardou em seu quarto alguns anos atrás… Pouco antes de deixarmos a casa, eu a peguei para mim.

— Ellie… — começou ele.

— Foi a única que restou, — expliquei — eu não podia deixá-la para trás.

Sam inclinou-se para ver a foto, e em seguida seus olhos verdes pousaram nos meus, me lançando um olhar de quem pegou o assassino na cena do crime.

Meu pai suspirou e me devolveu a foto.

— Guarde. Não vamos mais precisar fugir.

Sorri para ele, e em seguida dobrei a foto e a devolvi ao seu devido lugar.

— Acha mesmo que podemos viver aqui? — perguntou Sam, surpresa.

— Por que não? Ah não ser que prefiram voltar lá pra fora…

— Não! — dissemos, ao mesmo tempo e meu pai riu.

— Certo, vamos avisar a eles.

Assim que deixamos a enfermaria, o Governador nos guiou por Woodbury. Algumas pessoas nas ruas sorriam para nós, já outras pareciam um pouco assustadas… Talvez nossa aparência estivesse pior do que pensávamos.

A tarde caía, e no horizonte o sol começava a se pôr, pincelando tons alaranjados e rosados no céu. O pôr do sol era com certeza a coisa mais bela para se ver, e talvez a única que restara…

Fomos levados até um pequeno apartamento, onde havia apenas dois quartos e um banheiro. Eu tentava, mas simplesmente não conseguia acreditar que teria um quarto novamente, com uma cama quente e confortável e que poderia dormir a noite toda sem me preocupar em acordar com um morto-vivo arrancando minhas entranhas.

— Fiquem à vontade — pediu o Governador. — Temos lençóis e roupas limpas. A água quente é limitada, mas…

— Você disse água quente? — repeti. — Ta brincando?

— Veja por si mesma — ele sorriu. Tudo bem, eu tinha que admitir que estava começando a gostar daquele cara.

O Governador nos deixou novamente, dizendo para que saíssemos para conhecer a cidade mais tarde.

Sentei-me na cama, sentindo a maciez do colchão e dos lençois, e não resistindo, deixei-me cair, afundando no travesseiro. Era inacreditável. Haviam quartos para nós, com camas confortáveis, água limpa, comida e outras pessoas com quem conviver, e acima de tudo, grandes muros que nos separavam da morte. Céus, apenas pelo fato de não ter mais que comer enlatados velhos eu ajoelharia e agradeceria por ter vivido até aquele momento, por mais difícil que fora chegar até ali. Com toda certeza, nunca estivera mais agradecida em toda a minha vida.

Tiramos nos dedos quem tomaria banho primeiro, e eu acabei vencendo, pelo menos nisso.

— Não demore! — pediu Sam. — Não vejo a hora de tirar esse cheiro horrível do cabelo.

— Acho que um banho não vai adiantar, ele fede naturalmente — brinquei e ela jogou uma almofada em meu rosto, que retribui, rindo.

Entrei para o banheiro e a primeira coisa que fiz foi abrir a torneira da pia. A água saiu como um jato, o que me surpreendeu. Eu não via uma torneira funcionando há muito tempo. Molhei meus dedos na água corrente e não pude evitar sorrir. Logo desliguei-a, não queria gastar sem necessidade. Em seguida, ergui a cabeça e deparei-me com uma figura selvagem me encarando no espelho. Meu sorriso desapareceu.

Eu não sabia quanto tempo havia se passado desde que a merda foi para o ventilador, eu apenas sabia que tinha nove anos quando aconteceu, e definitivamente a pessoa me encarando tinha mais de nove anos. Talvez onze? Doze? Mais? Era frustrante não saber minha idade, o que me preencheu com uma certa tristeza… Meu aniversário havia passado, assim como o de Sam e meu pai, e nem sequer sabíamos quando fora, ou quantos foram.

Sam era quatro anos mais velha, e não era brincadeira quando diziam que éramos parecidas. Havíamos herdado os cabelos loiros e os olhos verdes da mamãe, mas era somente no físico, pois éramos totalmente o oposto por dentro.

Fiquei encarando a mim mesma por mais alguns segundos, os cabelos estavam presos no que antes era uma trança, mas agora era somente um emaranhado loiro. A sujeira em minha pele escondia as sardas sob meus olhos, que por sinal estavam cercados pelas marcas das noites mal dormidas. Haviam cortes e arranhões por toda a minha pela, e minhas roupas não se encontravam em estados melhores. A calça jeans estava completamente surrada, os all-star sujos antes costumavam ser azuis, mas agora eu não saberia dizer sua cor, e por fim minha regata predileta dos New York Yankees, com alguns rasgos pequenos, era possível ver as camadas de sujeira em suas dobras. Aquilo me fazia pensar o quanto eu devia estar fedendo, mas já havia me acostumado ao cheiro e não conseguia mais sentir nada.

Tirei as roupas e pulei para debaixo do chuveiro. Girei a torneira e deixei que a água quente escorresse por meu corpo, levando embora todo aquele tempo vivendo como um rato de esgoto. A água escura escorria por minha pernas, o que me fez ficar com certo nojo de mim mesma. Exagerei no shampoo e esfreguei os cabelos como se quisesse arrancar o couro cabeludo, e por fim, após me secar, vesti-me com as roupas de Woodbury, que acabaram servindo muito bem. Uma sensação de leveza tomou conta de mim, e me perdi no doce aroma que agora exalava dos meus cabelos.

Quando sai, fui atacada por Sam novamente.

— Achei que tinha desmaiado lá dentro — ralhou ela, e trancou-se no banheiro.

Meu pai estava sentado na cama, analisando sua bandana vermelha entre os dedos. Era macia, com detalhes em branco e realmente bonita. Ele sempre a trazia no bolso.

Sentei-me ao seu lado, secando os cabelos com uma toalha. Ele sugou o ar pelas narinas e se aproximou de mim, cheirando meu pescoço, o que me causou cócegas.

— Ai, sai pra lá! — afastei-o com delicadeza, rindo. Ele também sorriu, o que me deixou contente. Meu pai tinha o sorriso mais bonito do universo, que cativava qualquer um, principalmente pelas pequena rugas que se formavam nas laterais de seus olhos, e com certeza, quando eu o provocava, sentia-me a filha mais sortuda do mundo

— E aí? — perguntei. — Apreciando a bandana “nova”?

— Com certeza — respondeu ele, e parou por alguns segundos. Seu sorriso assumira uma leve tristeza, a qual ele dirigia ao pedaço de pano. — Era da sua mãe.

Dessa vez, fui eu quem parei o que estava fazendo. Por anos ele a carregava no bolso e só agora vinha me dizer que era da mamãe?

Eu apenas continuei olhando-o, e esperando uma explicação.

— Ela adorava aqueles filmes de faroeste, em que o cowboy amarra a bandana no pescoço e… Você sabe — sorri brevemente lembrando-me de ver a mamãe assistindo aqueles filmes velhos e terríveis, e a maneira como reclamávamos para que ela mudasse de canal. — Eu dei esta para ela, logo que nos casamos. Ela a amarrava no pescoço, exatamente daquele jeito.

Ele fez uma pausa, olhando para frente e pensando.

— Sabe porque ela gostava tanto daqueles filmes? — perguntou, neguei com a cabeça. — Ela sempre assistia com o pai, quando era criança… Eram os filmes preferidos do seu avô, por mais ruins que fossem — nós rimos. — Mas ela parou de usar a bandana… Depois que ele morreu,

A breve lembrança do vovô me fazia sentir muita falta dele… Seu cheiro de canela e fumo, as histórias que contava e as boas risadas que demos juntos. O câncer de pulmão o levou de nós, e a mamãe caiu em uma depressão profunda na época.

— Ela te devolveu a bandana? — perguntei.

Meu pai suspirou antes de responder.

— Ela a guardava em baixo do travesseiro… Logo depois que aconteceu, dormia segurando a bandana. E… depois que nos separamos, ela devolveu. Disse que não podia mais olhar para aquela coisa. — Ele me encarou e afastou a franja dos meus olhos, com o indicador. — Sua mãe e o passado são duas coisas que não funcionam bem juntas.

— Mas ela não podia simplesmente esquecer o passado — falei. — Não tem como.

— Bem, ela se esforçava ao máximo para se manter ocupada. Com o trabalho, principalmente. Acho que acabou funcionando.

— É, acho que sim.

Ficamos em silêncio por mais alguns segundos, até que resolvi quebrá-lo.

— Esquecer o passado é ruim… Por pior que ele seja.

Meu pai balançou a cabeça positivamente, e por fim, me estendeu a bandana.

— Fique com ela. E nunca se esqueça.

Pensei se devia mesmo aceitar, mas acabei pegando-a de suas mãos, e em seguida amarrei-a no pescoço. Meu pai me lançou um olhar triste… É claro que ele a via em mim, e aquilo parecia atormentá-lo muito, mas ele não podia esquecer o passado, por pior que fosse.

— E nunca se esqueça — repeti sua frase.

Logo a porta do banheiro se abriu, revelando uma Samantha radiante. Ela vestia as roupas novas e seus longos cabelos estavam mais brilhosos do que nunca, mesmo que molhados.

— Cara, esse foi o melhor banho da minha vida! — exclamou ela. Era estranho vê-la animada. — Sua vez, pai.

Ele bagunçou meus cabelos afetuosamente antes de se levantar e se fechar no banheiro.

— O que acha de dar uma volta na cidade agora?

— Não vamos esperá-lo? — perguntei.

— Acho que ele já e bem grandinho, sabe se virar sozinho, não? — riu ela. — Vamos logo.

Acabei concordando, então deixamos o quarto e descemos para a cidade. Assim que abri a porta do prédio, dei de cara com um garoto, que parecia estar esperando por nós.

— Ei, vocês são Ellie e Sam? — perguntou. Ele era mais alto que eu, aparentava ter a idade de Sam, ou talvez fosse um pouco mais novo, os cabelos cor de areia eram rebeldes como se houvesse acabado de acordar, seu pescoço era um pouco maior que o normal, e tinha olhos grandes e escuros. Acho que nunca havia visto alguém tão pescoçudo, esguio e fofo ao mesmo tempo.

— Somos nós — falei. — E você, tem nome?

— Eu sou o Isaac! — ele parecia feliz em nos ver, mesmo não nos conhecendo. — Me pediram para mostrar a cidade pra vocês.

— E quem é você, um guia turístico? — zombou Sam, cruzando os braços.

— Por hoje — sorriu ele. — Vocês vem?

— Claro — falei.

— Não, obrigada — recusou Sam. — Te vejo mais tarde.

Então virou-se e passou a caminhar para o outro lado da rua.

— Me desculpe por isso. Ela não é muito… sociável.

Isaac deu de ombros e me puxou pelo braço, levando-me pra longe.

— Ei, calma ai — pedi, rindo. — Você nem me conhece e já parece meu melhor amigo.

— Ah, desculpa, é que faz um bom tempo que não vemos ninguém novo por aqui. — Ele tinha um forte sotaque britânico, e eu me perguntava onde ele teria aprendido a falar assim.

— O Governador comentou algo assim… — falei. — Quantas pessoas vivem aqui?

— Umas setenta — respondeu descontraído, enquanto andávamos.

— Ta brincando?! E como isso funciona? Não atrai errantes demais?

— Errantes? — repetiu ele. — Hm, é um bom nome… Bem, acho que atraímos sim, mas temos muros bem altos e muita gente nos protegendo. Estamos seguros.

Passamos por um grupo de crianças que pulavam amarelinha e atravessamos um jardim, onde um homem regava as plantas.

— Quando você chegou aqui? — perguntei.

Ele pensou um pouco antes de responder.

— Há alguns meses… Talvez uns três ou quatro, já perdi as contas. Estava por aí com minha mãe e meu tio, até que nos encontraram e nos trouxeram pra cá. Estaríamos perdidos se não fosse pelo Governador.

— Sei… E você e sua mãe confiam nele?

— Claro! Por que não confiaríamos? Ele nos deu abrigo e comida…

— Também sou grata por isso, mas eu não sei, algo nele me parece suspeito.

Ele riu.

— Você está pensando demais, pare um pouco e aproveite a vista. Aposto que não teria tempo pra isso se ainda se estivesse lá fora.

Olhei para o pôr do sol e suspirei.

— É, você tem razão.

Isaac me mostrou boa parte da cidade, e conversamos por muito mais tempo do que eu planejara. Não foi preciso muito para eu decidir que gostava dele… Era bom ter alguém com idade próxima a minha que não fosse Sam, pois ela estava emburrada toda hora.

— Sabe, nós podíamos pular a cerca e dar uma volta lá fora, o que acha? — perguntou.

— Pular a cerca? Ta querendo morrer?

Ele riu

— É brincadeira… Mas bem que já comecei a me cansar desse lugar — suspirou. — Não tem nada perigoso pra fazer.

Dessa vez, fui eu quem ri, imaginando aquele garoto magricela matando errantes, ou em alguma outra situação realmente perigosa.

— Quer fazer algo perigoso, Isaac? — perguntei e ele assentiu, animado. — Então está falando com a pessoa certa.

— Agora você falou minha língua. O que está planejando?

— Você verá, mas agora não consigo pensar em mais nada a não ser a bela noite de sono que me espera — terminei a frase com um bocejo.

— Certo, vai ficar me devendo.

À medida que a noite caía, as pessoas ascendiam as tochas nas ruas, deixando-as com um ar belo e confortável. Isaac me levou de volta para o apartamento, onde eu finalmente teria a chance de descansar.

Quando adentrei o quarto, Sam e meu pai pareciam estar discutindo.

— Não tem mais o que falar, eu vou e pronto! — esbravejou minha irmã.

— Vai pra onde? — me entrometi.

Meu pai suspirou, e esfregou a testa.

— Vamos ficar mais alguns dias por aqui, até nos acostumarmos melhor e então… Eu vou procurar por sua mãe — explicou.

Fiquei sem reação por alguns segundos.

— Ótimo, nesse caso eu vou também.

— Não, vocês vão ficar aqui, onde é seguro.

— Mas… — insistiu Sam.

— Não! Eu disse que quando estivessem protegidas eu poderia procurá-la.

— Eu sei que se preocupa, mas eu sei me virar sozinha — disse Sam. — Eu vou junto, e você não vai me impedir.

Ela deixou o quarto e bateu a porta.

Pensei bem antes de falar qualquer coisa. Meu pai parecia contrariado. Eu sabia que ele só queria nos proteger do que estava lá fora, mas como queria nos impedir de procurar pela mamãe? Afinal, éramos nós que insistíamos desde o começo que ela estava viva. Mesmo assim, decidi não insistir, ele levaria Sam, e assim não ficaria preocupado em ter que cuidar de mim também.

— Tudo bem, eu vou ficar — anunciei. — Mas precisa me prometer que trará ela de volta.

Ele encarou o chão por alguns segundos antes de pousar seus olhos nos meus e forçar um mínimo sorriso.

— Eu prometo.

Notas finais
Até o próximo! XOXO