Leave Me on The Moon
5 Capítulo 5
Cole Davis tinha um plano. Àquela altura ele já sabia quais eram os gostos de Kelly Jones, então nada de rosas, nem ostras, ou mesmo aparecer em casa sem chocolate em dias de cólica.
E sabia que levá-la ao restaurante que se conheceram para pedi-la em casamento seria especial, e que ela ia amar, mesmo que também tivesse pensado no píer, achou que seria mais significativo comerem no Wolfie's Restaurant pra ele ajoelhar na frente dela na mesma mesa perto do balcão.
Ele obviamente não havia dito nada, só disse que queria levá-la pra jantar. Não contou pra ninguém que pretendia pedi-la em casamento além de Ruby, pois pediu a opinião dela sobre o anel. Ruby ficou empolgadíssima com a ideia de ver Cole e Kelly casando e super ajudou o piloto a se decidir sobre qual joia escolher.
Cole sabia a sorte que tinha sempre que olhava para aquela beldade e pensava “caramba, ela é minha namorada!”, mas Kelly conseguia surpreendê-lo todos os dias com sua beleza surreal. Não havia mudado seu estilo, ainda usava seus penteados, presilhas e lenços, suas roupas ainda eram de cores vivas sem muita estampa, e seu perfume ainda era de enlouquecer. Cole amava vê-la se arrumar. Naquela noite ela usava um vestido pin up vermelho, ombro a ombro, liso sem estampa, saltos brancos, e havia ondas em seu cabelo loiro que estava solto. Além de seu batom vermelho.
— O que achou? — ela quis saber, dando uma voltinha pra ele. — Você disse que é um jantar especial, então eu caprichei.
Ela sempre caprichava, até quando não tinha intenção. E ela perguntou como se houvesse outra resposta além de:
— Perfeita!
Kelly sorriu e segurou a mão que ele lhe estendeu. Seguiram de carro até o destino, Cole abriu a porta do veículo pra ela, e eles seguiram de mãos dadas pra dentro.
O barulho característico do sino ao abrirem a porta foi ouvido e Cole deu passagem para Kelly.
— Oi Joe! — ela sorriu ao vê-lo e foi até o balcão.
— Kelly, querida! Você está linda!
— Obrigada. — manteve o sorriso e jogou os cabelos para trás.
— Tenho uma reserva para hoje, Joe. — seu olhar cúmplice foi o suficiente para o dono do local que já sabia até que música ambiente colocar.
— Claro, Cole. Coloquei até uma plaquinha na mesa pra não usarem. E o movimento está fraco hoje, então o barulho em volta será pouco. — ele riu.
Kelly ficou surpresa e feliz com o carinho de Joe ao arrumar a mesa diferente das outras. Ele até cobriu com um pano branco e colocou uma vela de candelabro no meio, diferente das velas que costuma ter nas mesas. Uma gracinha.
— Vejo que é especial mesmo. — Kelly sorriu e sentou na cadeira que seu amado puxou pra ela. — Eu não esqueci nenhum aniversário, esqueci?
Cole deu risada e sentou na cadeira de frente pra ela.
— Não, meu amor. Só estou sendo romântico.
Kelly semicerrou os olhos um pouquinho desconfiada, mas sorriu sem mostrar os dentes.
— Gosto do seu romantismo.
— Eu sei. — Cole estendeu a mão para pegar a dela e deu um beijo no dorso. — Quer uma bebida ou já podemos comer? Joe fez uma massa maravilhosa para nós hoje.
— Hmm… Estou curiosa pra saber o que os dois espertinhos planejaram pra hoje.
Cole fez um sinal para o amigo, que correu para a cozinha, e em poucos minutos apareceu com dois pratos servidos com capeletti de queijo. O cheiro estava uma delícia.
— Caramba! Que prato lindo! Arrasou na apresentação, Joe.
— Ah, obrigado. — ele sorriu. — Vocês merecem. Vou buscar os talheres e o vinho.
Cole estava nervoso. Planejava fazer o pedido após a refeição, mas queria tanto acabar com a ansiedade que quase ajoelhou com Joe ali entregando os talheres e as taças. Outro funcionário trazia o vinho.
Sua perna balançava embaixo da mesa sem que ele percebesse.
— Amor, tudo bem?
Pareceu que ele saiu de um transe quando ouviu sua voz.
— Sim. Claro, tudo bem. Obrigado, rapazes. — Cole agradeceu enquanto eles saíam. — Permita-me?
Kelly sorriu e estendeu a taça para que ele colocasse o vinho branco.
— Você está um charme hoje, sabia? É difícil te ver usando camisa social.
— Cocoa Beach é muito quente, só uso em ocasiões especiais. E eu espero não ficar muito tempo com ela quando sair daqui. — ele disse a última frase mais baixa fazendo-a rir.
— Bobo!
Kelly com certeza tinha planos para o pós.
O jantar foi agradável, eles comeram, tomaram vinho enquanto conversavam amenidades. Cole por um momento esqueceu que ia fazer algo importante depois.
— Estava uma delícia. Já quero comer mais vezes esse prato, Joe.
— Assim que eu gosto, haha! — ele exclamou lá do balcão.
E eis que chegou o momento.
— Antes da sobremesa… eu queria te dizer uma coisa.
Kelly o observou se levantar e puxou o ar assim que o viu se ajoelhar em sua frente.
— Kelly Jones… — ele começou e sorriu ao vê-la levar as mãos à boca. — Eu quis te trazer aqui hoje porque… foi o lugar onde te conheci, onde pus os olhos em você pela primeira vez. A mulher mais linda que eu já vi em muito tempo, estudando sobre a NASA e como me deixar maluco quando chegasse lá. — Kelly riu tentando segurar a emoção. — Chegou um momento que nossas divergências de opiniões começaram a me divertir, as provocações não eram mais irritantes, e eu me apaixonei perdidamente por você. Com esse seu jeito extrovertido, cativante, e às vezes autoritário. — ela riu de novo, as lágrimas já teimando em cair. — Teimosa, determinada, divertida e totalmente empática, o ambiente se ilumina quando você chega. Você conquistou o coração de todo mundo, mas eu que tive a sorte de conquistar o seu, então… eu queria te perguntar uma coisa… e por favor, me responda sem colocar fogo em nada.
Kelly que já estava chorando, e rindo ao mesmo tempo, segurou a mão que ele lhe estendeu após abrir a caixinha vermelha que tirou do bolso. O anel era lindo e brilhava como os olhos dela.
— Você quer casar comigo?
Kelly tirou a outra mão da boca, ainda sorrindo e chorando, e balançou a cabeça:
— Quero!
Cole sorriu contente e colocou o anel no dedo dela, dando um beijo depois. Quase não deu tempo dele levantar de volta, Kelly jogou os braços em volta do pescoço dele num abraço apertado.
— Como eu não desconfiei que era um pedido de casamento? Você estava todo nervoso.
Cole riu nos braços dela e secou suas lágrimas quando ela desfez o abraço e tocou o rosto dele, que respondeu num tom mais baixo, só pra ela ouvir:
— Eu quero passar o resto da minha vida com você, Winnie.
Kelly sentiu o coração bater tão forte que poderia ser capaz do som ser ouvido da lua.
— Eu te amo tanto.
Nem deu tempo dele responder, Kelly o puxou para um beijo e só então ouviram os aplausos dos clientes e funcionários ao redor. Joe até assobiou.
Após o beijo, eles sorriram e agradeceram as felicitações. Joe foi até eles dar um abraço e depois retirou os pratos. Cole suspirou aliviado e eles voltaram a se sentar. Não cabiam em si de tanta felicidade.
— Sobremesa? — Cole indagou, mas ela não respondeu de imediato. Estava admirando o anel com o olhar abobalhado. — Gostou?
— Eu amei! É lindo. — trocaram um sorriso e então Kelly respondeu a pergunta dele. — Qual é a sobremesa?
— Salada de frutas com ganache. É uma das suas favoritas.
Os olhos de Kelly brilharam mais ainda.
— Você acertou em tudo mesmo.
Ela apoiou o cotovelo na mesa e a mão no queixo, olhando pra ele com o olhar mais apaixonado do mundo.
Joe trouxe a sobremesa e eles comeram fazendo planos. Quando ia ser, onde ia ser, como ia ser. Estavam empolgados. Após comerem, ficaram conversando mais um tempo pra digerir um pouquinho, e levantaram pra dançar. I'm Stone in Love With You do The Stylistics começava a tocar.. Dançaram a música inteira coladinhos, sem dizer nada, só trocando olhares e sorrisos as vezes. Dançaram a seguinte, Baby I'm-a Want You do Bread e encerraram o jantar.
Cole pagou a conta, se despediram de Joe e foram para a casa de Kelly. Cole combinou com Ruby pra ela não ir pra casa naquela noite, que recompensaria ela depois por isso, e pediu pra ela decorar o quarto da amiga com velas. Deu risada com a mensagem que recebeu em resposta.
“Não acredito que vou arrumar seu ninho de amor com a minha amiga, Cole. Me deve um almoço!”
“Te pago dois.” ele respondeu. “Obrigado, Ruby.”.
“Pra isso que servem os amigos.”.
Cole não levaria Kelly pro motel, nem pro galpão, para comemorar que agora ela era sua noiva.
Durante o caminho, Kelly deu umas provocadas levantando a barra do vestido, tocando a coxa dele, lhe dando beijo no pescoço quando o sinal fechava, ou pegando a mão dele e colocando em seu seio brevemente. Cole já estava se amaldiçoando por ter levado ela tão longe de casa pra jantar.
Assim que entraram no apartamento escuro, não ligaram as luzes e foram direto pro quarto de Kelly onde tocava uma música ambiente bem baixinha e as velas estavam acesas. Não fazia muito tempo que Ruby tinha saído dali.
Kelly sorriu parada na porta. Ele era inacreditável.
— Nota 10 pra noite? — Cole piscou ao indagar.
— Te digo em alguns minutos. — inclinou-se para beijá-lo e foi agarrada pela cintura. Começaram a se pegar encostados na cômoda e quando ele fez que ia tirar seu vestido, ela o impediu segurando seus braços. — Não.
— Não? — ele ficou confuso em meio a ofegância.
— Não. — repetiu e o empurrou de leve até a cama, fazendo-o sentar na ponta. — Eu vou fazer isso. Você só vai olhar. — se afastou um pouco dele, ficou de costas e começou a descer o zíper do vestido.
— Kelly… — pronunciou o nome dela lentamente, seu tom de voz era quase como um aviso, ou uma súplica, de que não aguentaria só olhar.
Kelly segurou o riso ao ouvi-lo. Assim que o zíper estava todo aberto, ela virou novamente pra ele e sensualmente, sem desviar os olhos dos dele, foi descendo a alça pelos ombros, braços, deixando os seios à mostra. Sorriu com o olhar que ele lhe lançava. O conhecia muito bem para saber o quanto ele estava se segurando para não puxá-la até seu colo, só porque ela pediu.
Desceu devagar o vestido pela cintura, pelo quadril, e deixou que caísse aos seus pés. Jogou pro lado assim como os saltos e ficou só de calcinha. Foi até ele, e quando Cole foi tocá-la, ela o impediu novamente.
— Não. Espera um pouco.
Ele arfou agoniado, mas tinha que admitir que adorava quando ela o provocava assim. Cole fez o que Kelly pediu e manteve as mãos longe dela enquanto ela tirava sua camisa e sua calça.
Kelly ajoelhou, tirou o que faltava e ficou um tempo ali se divertindo enquanto Cole sofria por ter que ficar com as mãos na cama. Tudo o que ele queria era que seus dedos se perdessem no cabelo dela enquanto ela estava ali naquela posição causando loucuras no corpo dele. Kelly vez ou outra o olhava pra saber como ele estava reagindo e sorria com o que via.
Quando se deu por satisfeita e viu que ele também estava, Kelly levantou e enquanto fazia isso, trilhava um caminho de beijos das coxas até o peito. Só então sentou no colo dele e acariciou sua nuca. Um sorriso foi o bastante, Cole a agarrou pela cintura, levantou com ela no colo, virou e caiu por cima dela na cama beijando sua boca com volúpia. As mãos num desespero para tocá-la em todos os lugares possíveis.
Tratou de dar o mesmo prazer a ela e só depois de alguns minutos a possuiu. Um emaranhado de braços e pernas, respirações descompassadas e mãos ganhando vida própria era o que se via naquela cama iluminada por chamas que consumiram metade das ceras brancas naquele tempo. Mesmo cansados, era quase impossível parar, Kelly se agarrou a ele como se dependesse disso pra viver. Quando enfim desabaram saciados, a voz de Kelly foi ouvida novamente.
— Nota mil. — respondeu a pergunta anterior dele, após um beijo demorado.
Cole sorriu e escondeu o rosto em seu pescoço suado e ainda assim perfumado. Queria passar o resto da vida sentindo aquele cheiro, provando aquele gosto, amando cada pedacinho dela. E assim faria.
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