Foi com alívio e surpresa que Kelly o viu, depois de toda aquela loucura — com o gato e a emoção de ver o homem pousar na lua —, aparecer no angar mais isolado da base onde ficava o set da lua. Kelly estava se livrando dos documentos do Projeto Artemis de uma vez por todas numa trituradora de papel.

Cole não parecia mais chateado e perguntou seu nome de verdade. Agora ele era o único além de Moe e Ruby que sabia dessa informação. Ele estava mais leve, com um papo descontraído, elogiando o trabalho dela naquele set.

— Pena que é tudo falso.

E mais uma vez foi pega de surpresa quando ele agarrou sua cintura e lhe deu um beijo.

— Isso foi falso?

Quase enfeitiçada, Kelly respondeu num sussurro:

— Não, pareceu bem real.

Era bom demais pra ser verdade. Estavam de novo nos braços um do outro, Kelly na ponta dos pés, aqueles braços fortes a envolvendo.

Pararam o beijo e riram ao ouvir o miado do gato correndo ao passar perto deles no galpão.

— Fala sério, eu odeio esse gato.

— Ah, para. O Sapeca é uma gracinha.

— Sapeca?? — A cara dele foi impagável. — Eu sabia que tinha alguém cuidando dele, como não desconfiei que era você?

Kelly riu.

— É um gatinho inofensivo que salvou a transmissão da Apollo 11. Devia agradecer a ele.

— Eu não vou agradecer a esse pestinha. Antes de você chegar, ele só trouxe azar.

Kelly abriu um sorriso convencido.

— Acabou de dizer que eu trouxe sorte?

— Não seja tão convencida, não pega bem.

Kelly manteve o sorriso, mas ele foi ficando tímido, como aquele dia na lanchonete.

— Não achei que fosse me perdoar… Achei que queria me ver no primeiro vôo de volta pra Manhattan.

— Moe te ameaçou, você não teve escolha. Eu fiquei com raiva pela mentira, mas… não dá pra te julgar tanto assim. — o sorriso de Kelly foi de alívio ao ouvir aquilo. Ruby tinha razão. — Vai continuar com a farsa, senhorita Jones?

— Pelo menos do nome. Moe disse que tudo seria esquecido e que estou livre, mas já confiei nele uma vez. Estarmos quites não diz muita coisa. Além do mais… o único que eu quero que me chame de Winnie… é você.

Cole sorriu e segurou o rosto dela pra lhe dar mais um beijo breve, e que mesmo assim foi correspondido com paixão.

— Tem planos pra hoje à noite? — o piloto perguntou.

Com seu olhar sedutor e sorriso escondido, a publicitária respondeu:

— Talvez. Você tem?

— Eu estava pensando em te levar para um lugar mais reservado, longe dessa falsa poeira lunar, para um contato mais íntimo.

— Que jeito educado de dizer que quer tirar minha roupa. — e a tombada de cabeça que ele achava fofa reapareceu.

Cole deu de ombros tentando não sorrir.

— O que eu posso dizer? Eu sou um cavalheiro.

— Eu te agarraria aqui mesmo, mas confesso que um colchão é melhor que poeira lunar.

Cole sorriu, lhe deu um selinho e segurou sua mão para guiá-la até seu carro lá fora.

— E quanto a esse arquivo ultra secreto?

— A destruição dele pode esperar até amanhã.

Sorriram um para o outro e trancaram o lugar, seguindo de carro direto para o quarto de Kelly no motel em que estava hospedada desde que chegara em Cocoa Beach. Fariam no carro mesmo, se a emoção de se segurar até lá não fosse excitante pra eles. O sofá-cama de Cole no galpão de Jenny também era uma opção, mas o momento merecia um lugar mais confortável. As aventuras fora de um quarto ficariam para depois.

Mas como cada um tem seu limite, assim que Kelly trancou a porta, Cole a prensou nela e lhe deu um beijo de tirar o fôlego. As mãos habilidosas em seu quadril e sua nuca deixaram as pernas dela fracas. Kelly arrancou a blusa dele revelando a regata por baixo. Kelly acariciou os músculos dos braços e ombros de Cole enquanto mordia o lábio inferior.

Ela o achou bonito desde que o viu pela primeira vez e seu porte físico não lhe passou despercebido quando ele a salvou do fogo que ela propositalmente causou. Ainda mais naquelas camisas não tão apertadas, mas na medida certa, que ele usava. Agora… só com a regata? Kelly teve que amassá-la em seus dedos enquanto o puxava para mais um beijo nada delicado. Só interromperam quando Cole puxou a blusa vermelha dela pela cabeça e enterrou o rosto em seu pescoço distribuindo beijos enquanto abria sua calça azul.

Kelly mesma a tirou jogando-a pro lado com os pés e puxou Cole pra cama, pra cima dela, e quase não aguentou de excitação ao sentir o peso dele sobre ela. Os braços fortes ao redor dela, as mãos grandes acariciando o corpo dela.

Não demorou muito para estarem sem nenhuma peça de roupa, suspirando e se movimentando ora lenta, ora apressadamente. Ora calma, ora agressivamente. Corações acelerados, mas em sintonia. Respirações descompassadas e suspiros altos, mas ainda assim abafados por duas bocas que se negavam a se desgrudar. Vez ou outra se demoravam em outras superfícies mais baixas e pulsantes, mas sempre voltavam a se encontrar, parecendo cada vez mais desesperadas por contato.

Sussurrando os nomes um do outro vez ou outra, ambos desabaram no colchão após estarem saciados e suados. Quando as respirações voltaram ao normal, Cole se apoiou no antebraço direito e com o esquerdo envolveu a cintura dela.

O fogo nos olhos de Kelly ainda não tinha se apagado e uma das mãos dela acariciavam o peito forte dele enquanto o admirava.

— Ninguém nunca olhou pra mim com tanto desejo, e olha que eu tenho uma memória muito boa.

Kelly lembrou dessa última frase em outro contexto e sorriu.

— Você é uma delícia.

— Ah, olha quem fala. — lhe deu um selinho e continuou. — Conseguiu mais um título.

— Ah é?

— É. Além da mulher mais linda que eu já vi, também é a mais gostosa.

Kelly abriu um sorriso enorme ao ouvir isso e agarrou o pescoço dele para o milionésimo beijo que lhe dava naquele dia, enquanto Cole demonstrava o quanto havia gostado do corpo dela lhe pressionando contra si e apertando sua bunda que, modéstia parte, não era pequena.

* ☽ * ☾ *

Passaram a noite juntos e na manhã seguinte, quando Kelly acordou, Cole a observava com o olhar mais doce do mundo.

— Bom dia…

A voz carregada de sono só a deixou mais linda do que já era. Cole achava que não podia se apaixonar mais, mas estava enganado.

— Bom dia, Winnie…

O coração dela quase derreteu de amor quando ele a chamou assim. Seu sorriso foi inevitável e ela tocou o rosto dele numa leve carícia.

— É exagero dizer que mal acordei e já estou te desejando ardentemente?

Cole riu.

— Eu nem ia dizer, mas já que tocou no assunto… Eu pensei a mesma coisa assim que acordei e te vi nua nos meus braços. Eu me segurei muito pra não te acordar.

Kelly riu e o puxou para um beijo longo e lento, mas Cole interrompeu as carícias.

— O que foi?

— Quero te perguntar uma coisa antes. — ela só ergueu as sobrancelhas aguardando. — Quer ser minha namorada?

Impossível um sorriso ser tão grande e fofo quanto o que Kelly deu ao ouvir esse pedido, e balançou a cabeça enquanto respondia:

— Quero.

Cole também sorriu.

— Isso merece uma comemoração.

Kelly não aguentou a cara de pau e deu risada.

— Foi tudo friamente calculado?

Cole continuou sorrindo.

— Não diria “friamente”.

E eis que mais alguns minutos foram usados naquela cama antes de finalmente levantarem.