Leave Me on The Moon
2 Capítulo 2
Foi com alívio e surpresa que Kelly o viu, depois de toda aquela loucura — com o gato e a emoção de ver o homem pousar na lua —, aparecer no angar mais isolado da base onde ficava o set da lua. Kelly estava se livrando dos documentos do Projeto Artemis de uma vez por todas numa trituradora de papel.
Cole não parecia mais chateado e perguntou seu nome de verdade. Agora ele era o único além de Moe e Ruby que sabia dessa informação. Ele estava mais leve, com um papo descontraído, elogiando o trabalho dela naquele set.
— Pena que é tudo falso.
E mais uma vez foi pega de surpresa quando ele agarrou sua cintura e lhe deu um beijo.
— Isso foi falso?
Quase enfeitiçada, Kelly respondeu num sussurro:
— Não, pareceu bem real.
Era bom demais pra ser verdade. Estavam de novo nos braços um do outro, Kelly na ponta dos pés, aqueles braços fortes a envolvendo.
Pararam o beijo e riram ao ouvir o miado do gato correndo ao passar perto deles no galpão.
— Fala sério, eu odeio esse gato.
— Ah, para. O Sapeca é uma gracinha.
— Sapeca?? — A cara dele foi impagável. — Eu sabia que tinha alguém cuidando dele, como não desconfiei que era você?
Kelly riu.
— É um gatinho inofensivo que salvou a transmissão da Apollo 11. Devia agradecer a ele.
— Eu não vou agradecer a esse pestinha. Antes de você chegar, ele só trouxe azar.
Kelly abriu um sorriso convencido.
— Acabou de dizer que eu trouxe sorte?
— Não seja tão convencida, não pega bem.
Kelly manteve o sorriso, mas ele foi ficando tímido, como aquele dia na lanchonete.
— Não achei que fosse me perdoar… Achei que queria me ver no primeiro vôo de volta pra Manhattan.
— Moe te ameaçou, você não teve escolha. Eu fiquei com raiva pela mentira, mas… não dá pra te julgar tanto assim. — o sorriso de Kelly foi de alívio ao ouvir aquilo. Ruby tinha razão. — Vai continuar com a farsa, senhorita Jones?
— Pelo menos do nome. Moe disse que tudo seria esquecido e que estou livre, mas já confiei nele uma vez. Estarmos quites não diz muita coisa. Além do mais… o único que eu quero que me chame de Winnie… é você.
Cole sorriu e segurou o rosto dela pra lhe dar mais um beijo breve, e que mesmo assim foi correspondido com paixão.
— Tem planos pra hoje à noite? — o piloto perguntou.
Com seu olhar sedutor e sorriso escondido, a publicitária respondeu:
— Talvez. Você tem?
— Eu estava pensando em te levar para um lugar mais reservado, longe dessa falsa poeira lunar, para um contato mais íntimo.
— Que jeito educado de dizer que quer tirar minha roupa. — e a tombada de cabeça que ele achava fofa reapareceu.
Cole deu de ombros tentando não sorrir.
— O que eu posso dizer? Eu sou um cavalheiro.
— Eu te agarraria aqui mesmo, mas confesso que um colchão é melhor que poeira lunar.
Cole sorriu, lhe deu um selinho e segurou sua mão para guiá-la até seu carro lá fora.
— E quanto a esse arquivo ultra secreto?
— A destruição dele pode esperar até amanhã.
Sorriram um para o outro e trancaram o lugar, seguindo de carro direto para o quarto de Kelly no motel em que estava hospedada desde que chegara em Cocoa Beach. Fariam no carro mesmo, se a emoção de se segurar até lá não fosse excitante pra eles. O sofá-cama de Cole no galpão de Jenny também era uma opção, mas o momento merecia um lugar mais confortável. As aventuras fora de um quarto ficariam para depois.
Mas como cada um tem seu limite, assim que Kelly trancou a porta, Cole a prensou nela e lhe deu um beijo de tirar o fôlego. As mãos habilidosas em seu quadril e sua nuca deixaram as pernas dela fracas. Kelly arrancou a blusa dele revelando a regata por baixo. Kelly acariciou os músculos dos braços e ombros de Cole enquanto mordia o lábio inferior.
Ela o achou bonito desde que o viu pela primeira vez e seu porte físico não lhe passou despercebido quando ele a salvou do fogo que ela propositalmente causou. Ainda mais naquelas camisas não tão apertadas, mas na medida certa, que ele usava. Agora… só com a regata? Kelly teve que amassá-la em seus dedos enquanto o puxava para mais um beijo nada delicado. Só interromperam quando Cole puxou a blusa vermelha dela pela cabeça e enterrou o rosto em seu pescoço distribuindo beijos enquanto abria sua calça azul.
Kelly mesma a tirou jogando-a pro lado com os pés e puxou Cole pra cama, pra cima dela, e quase não aguentou de excitação ao sentir o peso dele sobre ela. Os braços fortes ao redor dela, as mãos grandes acariciando o corpo dela.
Não demorou muito para estarem sem nenhuma peça de roupa, suspirando e se movimentando ora lenta, ora apressadamente. Ora calma, ora agressivamente. Corações acelerados, mas em sintonia. Respirações descompassadas e suspiros altos, mas ainda assim abafados por duas bocas que se negavam a se desgrudar. Vez ou outra se demoravam em outras superfícies mais baixas e pulsantes, mas sempre voltavam a se encontrar, parecendo cada vez mais desesperadas por contato.
Sussurrando os nomes um do outro vez ou outra, ambos desabaram no colchão após estarem saciados e suados. Quando as respirações voltaram ao normal, Cole se apoiou no antebraço direito e com o esquerdo envolveu a cintura dela.
O fogo nos olhos de Kelly ainda não tinha se apagado e uma das mãos dela acariciavam o peito forte dele enquanto o admirava.
— Ninguém nunca olhou pra mim com tanto desejo, e olha que eu tenho uma memória muito boa.
Kelly lembrou dessa última frase em outro contexto e sorriu.
— Você é uma delícia.
— Ah, olha quem fala. — lhe deu um selinho e continuou. — Conseguiu mais um título.
— Ah é?
— É. Além da mulher mais linda que eu já vi, também é a mais gostosa.
Kelly abriu um sorriso enorme ao ouvir isso e agarrou o pescoço dele para o milionésimo beijo que lhe dava naquele dia, enquanto Cole demonstrava o quanto havia gostado do corpo dela lhe pressionando contra si e apertando sua bunda que, modéstia parte, não era pequena.
* ☽ * ☾ *
Passaram a noite juntos e na manhã seguinte, quando Kelly acordou, Cole a observava com o olhar mais doce do mundo.
— Bom dia…
A voz carregada de sono só a deixou mais linda do que já era. Cole achava que não podia se apaixonar mais, mas estava enganado.
— Bom dia, Winnie…
O coração dela quase derreteu de amor quando ele a chamou assim. Seu sorriso foi inevitável e ela tocou o rosto dele numa leve carícia.
— É exagero dizer que mal acordei e já estou te desejando ardentemente?
Cole riu.
— Eu nem ia dizer, mas já que tocou no assunto… Eu pensei a mesma coisa assim que acordei e te vi nua nos meus braços. Eu me segurei muito pra não te acordar.
Kelly riu e o puxou para um beijo longo e lento, mas Cole interrompeu as carícias.
— O que foi?
— Quero te perguntar uma coisa antes. — ela só ergueu as sobrancelhas aguardando. — Quer ser minha namorada?
Impossível um sorriso ser tão grande e fofo quanto o que Kelly deu ao ouvir esse pedido, e balançou a cabeça enquanto respondia:
— Quero.
Cole também sorriu.
— Isso merece uma comemoração.
Kelly não aguentou a cara de pau e deu risada.
— Foi tudo friamente calculado?
Cole continuou sorrindo.
— Não diria “friamente”.
E eis que mais alguns minutos foram usados naquela cama antes de finalmente levantarem.
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