Learning To Let You Go

1 Aprendendo A Te Deixar Ir


Notas iniciais
Olá, gente linda.
Só pra deixar bem clarozinho que isso se passa na era dos Marotos... Tipo, no sexto ano deles?
Algo assim, mas enfim, espero que gostem!

Ele caminhou pela grama macia, uma expressão séria em seu rosto e flores delicadas em sua mão. O dia estava razoavelmente bonito, o sol estava brilhando, mas não tanto; uma leve brisa soprava, mas por um momento fez um pouco de poeira voar em seus olhos.

Podia ser um dia razoavelmente bonito para todos, mas não para ele.

Os olhos do garoto se moveram de uma capa de vinil para outra. Ele nunca havia escutado nenhuma daquelas bandas, mas os álbuns pareciam legais. Sirius parou na frente de um dos vinis e o pegou na mão, analisando-o, a capa tinha um grande mausoléu no meio com uma caveira por cima e duas silhuetas no fundo. Agradável.

Desde que Sirius fugira de casa para viver com os Potters, ele acabara pegando um hábito de tirar um tempo de vez em quando para dar um passeio no mundo trouxa. E naquele momento, sua caminhada havia o levado até uma pequena loja de vinis, que dificilmente era notada quando alguém passava por ela na rua.

Sirius sentiu que estava sendo observado, levantando o olhar do vinil que ele segurava para a garota sentada atrás do balcão, um sorriso tímido enfeitando o rosto dela enquanto seus olhos o observavam. Ela desviou seu olhar rapidamente para o jornal que estava lendo quando percebeu que ele a havia flagrado. Sirius sorriu um pouco, continuando a andar pelas fileiras de vinis, mas seu olhar nunca deixou a garota.

Ela olhou para ele novamente, como se para ver se ele havia simplesmente ignorado o fato de que ela estava o encarando alguns minutos antes, mas encontrou os olhos dele fixados nos dela. A garota sorriu levemente para ele, dessa vez demorando um pouco mais para desviar o olhar para o jornal.

O sorriso de Sirius se alargou antes de começar a caminhar até o balcão, enquanto a garota fingia não notar.

— Não está sendo um dia agitado, não é? — ele perguntou quando chegou à frente do balcão.

— Nenhum dia é um dia agitado por aqui. — ela respondeu, abaixando o jornal em seu colo. — Estou surpresa que você esteja aqui. Geralmente só uns esquisitos que param por aqui.

— Como você pode saber que eu não sou um deles?

— Eu aprendi a reconhecer. — ela deu de ombros.

— Bem... — ele riu. — O seu chefe é legal com uma garota bonita como você e te deixa sair mais cedo em dias de pouco movimento como este... — Sirius olhou para o pequeno crachá feito à mão na camisa da garota. — ... Mary-Ann?

— Ah, meu sonho. — Mary-Ann suspirou, mas logo um pequeno sorriso maroto apareceu em seus lábios. — Por quê? Pensando em me chamar para sair?

— É tão evidente? — ele perguntou, provocando-a. O sorriso dela tornou-se tímido novamente, como se ela não achasse que ele realmente faria isso. — Eu sou Sirius.

Seus melhores amigos estavam seguindo atrás dele, mas Sirius estava muito perdido em seus pensamentos para dizer qualquer coisa, e seus amigos não sabiam exatamente o que eles diriam a ele se abrissem suas bocas.

— E eu sei que faz uns dez anos desde que o álbum saiu, mas o Blue Hawaii é muito bom, estou totalmente apaixonado por Can't Help Falling in Love. — Mary-Ann comentou quando ela terminou de comer o doce em suas mãos e gesticulando para o vinil na sacola que Sirius estava carregando. — Mas Judas Priest é legal, meu primo ama essas músicas.

Eles estavam andando pelas ruas depois de terem ido à loja mais próxima do trabalho de Mary-Ann, que nesse caso era uma loja de doces, onde eles se encheram até não poder mais comer — embora Mary-Ann tenha continuado a comer alguns doces que ela trouxe para a viagem de volta para casa.

Tinha sido uma noite agradável, Mary-Ann havia se mostrado ser uma garota interessante. Ela tinha sido um pouco tímida no começo, mas depois ela começou a se abrir, sendo engraçada e, de certa forma, encantadora. Sirius não pôde deixar de lhe dar um pequeno sorriso cada vez que a garota se via na frente de um doce que ela gostava muito e acabava comendo rápido, depois se desculpando por isso. Era fofo.

— Eu não sei como você nunca ouviu falar deles. — disse ela, avistando sua casa no fim da rua.

— Eu ainda estou tentando descobrir o que é bom. — disse ele, olhando para a sacola que ele segurava.

Os dois logo chegaram na casa dela, mas eles apenas se sentaram na calçada e continuaram conversando, ambos aproveitando para comer os doces que ela havia trazido. Mary-Ann ainda tinha sido capaz de mostrar-lhe a habilidade que ela tinha para pegar com a boca os pedaços de doce que ele jogava para ela.

— Isso é o que eu chamo de talento. — Sirius riu quando a garota terminou de mastigar, um sorriso se formando em seus lábios.

— É um dom meu. — disse ela, rindo também. De repente, o som de um cachorro latindo veio de dentro da casa de Mary-Ann, cortando a risada dos dois, fazendo-os olhar para a porta. — Eu deveria entrar. — ela murmurou, levantando-se, fazendo-o levantar também. — Eu me diverti hoje.

— Eu também. — ele estendeu a sacola de doces para ela.

Os dois se encararam por mais alguns segundos. Sirius sorriu para ela. A garota sorriu timidamente, brincando com a bainha de sua blusa.

— Tchau, então. — disse ela, virando-se para a porta, mas logo sendo parada por ele. Ele agarrou o braço dela e virou-a para ele novamente, pressionando os lábios dele aos dela.

Mary-Ann deu um pequeno sorriso no beijo, estava esperando que ele fizesse isso. Seus dedos largaram a sacola no chão e foram em direção ao cabelo dele enquanto ele segurava sua cintura, puxando-a para mais perto. Seus lábios se moviam suavemente um contra o outro, terminando o beijo com pequenos selinhos.

Eles continuaram próximos, suas testas encostadas uma na outra, sorrisos nos lábios de ambos. Nenhum deles queria sair dali. Ele não queria deixá-la ir, mas precisava.

— Te vejo por aí. — Mary-Ann disse, forçando-se a se afastar dele e ir para a porta depois de pegar seus doces.

Sirius deu-lhe um pequeno aceno, observando-a entrar na casa. — Tchau, princesa.

Quanto mais ele sabia que estava chegando perto, menos sabia como deveria se sentir. Ou o que fazer. Por que ele havia decidido ir até lá? Ele queria ver com seus próprios olhos para provar a si mesmo que a terrível verdade não era uma mentira? Ele seria capaz de dormir novamente depois disso?

Os dois haviam trocado muitas cartas nos últimos meses, já que Sirius e ela não podiam se ver com frequência, exceto durante suas férias escolares e feriados. Eles saíram algumas vezes após o primeiro encontro e era incrível como eles se davam bem.

Depois de alguns meses, ele começou a notar uma ligeira diferença em seu comportamento, como por exemplo, em pensar nela mais do que o habitual. E então, em um dos feriados em que ele saiu com ela, eles começaram um relacionamento.

Com o Natal chegando, os dois concordaram que ele poderia passar o feriado em sua casa — e Sirius teve de aguentar James fazendo drama de que ele o estava deixando por ela. Uma coisa engraçada sobre gostar de alguém: não importa o quanto você fale com eles à distância, você sempre prefere tê-los perto de você. E essa era a única coisa que Sirius pensava durante a viagem de trem para a estação King's Cross.

Sirius cruzou a plataforma diretamente para o mundo dos trouxas, vendo muitas pessoas esperando e entrando em seus trens. Ele havia dito para Mary-Ann que esperasse por ele perto da plataforma 9, já que não seria sensato dizer a ela para esperar na frente do pilar por onde os bruxos iriam sair.

Não demorou muito para que ele visse a garota observando atentamente o trem que acabara de parar na plataforma em que ela estava. Mary-Ann olhava animadamente para as pessoas que saíam dele, procurando por Sirius. Ele sorriu com a visão, se esgueirando atrás dela e colocando as mãos sobre os olhos dela. Ela deu um pequeno grito, virando-se rapidamente para ele e envolvendo-o em um abraço apertado, jogando os braços ao redor de seu pescoço. Sirius a pegou pela cintura.

— Eu não te vi saindo do trem! — Mary-Ann exclamou, com um grande sorriso no rosto.

— Esse era o objetivo. — ele riu, envolvendo um braço ao redor da cintura dela enquanto a outra mão puxava seu tronco.

— Meus pais estão muito animados para conhecê-lo. — Mary-Ann comentou.

Já que ele ficaria na casa dela, conhecer seus pais era inevitável, e Sirius não podia deixar de se sentir um pouco nervoso. Ele não estava acostumado a conhecer muitos pais, muito menos os pais de garotas com quem saia, e ele realmente queria causar uma boa impressão.

Seu nervosismo aumentou quando viu um casal acenando alegremente para eles. A mãe de Mary-Ann deu alguns passos para frente para falar com Sirius primeiro.

— Então, você deve ser Sirius. — ela disse, sorrindo para ele.

— Isso mesmo, senhora Barnes. — ele sorriu de volta, assentindo.

— Oh querido, não, isso me faz sentir mais velha do que eu já sou. — ela se virou, chamando o pai de Mary-Ann e, em seguida, voltando o olhar para o menino Black. — Pode me chamar de Ruth.

— Nós ouvimos muito sobre você. — o pai de Mary-Ann disse, estendendo a mão para que Sirius apertasse, o que ele fez. — Que aperto forte. — ele analisou. — Você joga algum esporte, não é?

Acontece que a família de Mary-Ann era tão engraçada e alegre quanto ela, acolhendo-o de braços abertos. Sirius já tinha andado pelo mundo trouxa, mas aquela fora a primeira vez que ele usou um carro para explorá-lo. O Sr. e a Sra. Barnes percorreram os lugares que consideravam os mais fantásticos da cidade, que geralmente eram lugares de valor sentimental, como o parque onde Mary-Ann havia dito sua primeira palavra, ou a calçada coberta de neve onde Arthur, irmão mais novo de Mary-Ann, tinha perdido um dente caindo no chão.

— Pequeno Arthur adora conhecer pessoas novas. — Joseph, o pai de Mary-Ann, disse entusiasmado. — Ele vai amar você.

— Espero que você não tenha problema com cães, Sirius. — Ruth disse, virando-se levemente em seu assento para olhar para ele.

— Eu acho que posso dizer que tenho boas experiências com cães. — Sirius parou de olhar para a janela para olhar para as pessoas no carro.

— Ah, você vai se dar bem com o Queijo. — Mary-Ann disse, se encostando em seu ombro.

— Queijo?

— Adivinhe quem nomeou o pobre cachorro desse jeito. — Ruth disse, ela e o marido lançando olhares divertidos para uma Mary-Ann envergonhada.

— Ok, aqui vai a história. — a menina levantou a cabeça de seu ombro, virando o corpo em direção a ele. — Até os meus sete anos achávamos que eu era alérgica a cachorros, porque toda vez que ia à casa do vizinho que tinha um, eu espirrava muito. — Sirius assentiu para ela continuar, tentando conter o riso que já estava tentando sair da boca dele. — E então eu encontrei o Queijo abandonado no Parque da Primeira Palavra e implorei pros meus pais para levá-lo conosco, e então percebemos que eu não tinha nenhum problema com ele. — ela respirou fundo. — Eu era alérgica ao perfume do vizinho. — seus pais riram discretamente. — E eu batizei o cachorro de Queijo porque eu não era alérgica a ele. — um sorriso divertido ainda estava nos lábios do menino, mas agora estava acompanhado por suas sobrancelhas franzidas, tentando encontrar uma conexão de uma coisa para a outra. — Nós costumávamos a achar que eu era intolerante à lactose também.

Com isso, Sirius não aguentou mais e sua risada finalmente saiu de sua boca, ficando cada vez mais alta. — Que diabos, Annie?

Ruth e Joey riram também, a mulher rindo tão alto quanto Sirius. — O melhor é o jeito que ela conta!

Enquanto Black e a senhora Barnes riam e Mary-Ann argumentava que aquilo tudo fazia sentido para uma menina de 7 anos de idade, Sirius pensava em como tinha sido uma boa escolha ir àquela loja de vinis meses atrás — em como Mary-Ann tinha sido uma das melhores escolhas que ele havia feito.

Seu coração acelerado doía em seu peito. Uma enorme tristeza o atingiu, a sensação de ter sido deixado por alguém que amava o machucando. Mas o que Sirius mais sentia era raiva. Raiva de sua família, raiva por ter nascido nela, mas principalmente raiva de si mesmo. Ele deixou aquilo acontecer, ele deveria ter sido mais esperto. Ele não poderia ter sido feliz, ele não podia porque ele era um Black. Aquilo tudo era culpa dele.

"(...) Suas piadas são as piores, mas suas pegadinhas são as melhores, e eu não sei como você consegue fazer isso.

Estou ansiosa para o próximo mês. Você vai dar uma parada em King's Cross para nós dois sairmos com seus amigos, certo? Nenhuma mudança de planos, por favor, eu já estou me preparando psicologicamente para isso.

Estou com saudades.

Com amor,

Mary-Ann."

Sirius havia relido aquela carta mil vezes durante o último mês, tentando encontrar uma razão para o que estava acontecendo. O casal havia decidido que no primeiro dia de férias de Sirius, Mary-Ann seria finalmente apresentada aos Marotos, que também estavam animados em conhecer a garota que fez com que Sirius sossegasse.

Mas depois que ele respondera a carta em suas mãos, nenhuma mais havia chegado para ele. Ele esperara o mês inteiro — havia enviado mais cartas, que acabaram sendo devolvidas a ele, nem mesmo sendo abertas. Ele havia feito alguma coisa? Ele tinha dito algo errado? Ele não sabia.

Então ele não sabia o que esperar durante sua viagem à estação de trem. Seus amigos estavam falando em voz alta ao lado dele, e Sirius estava tentando parecer tão animado quanto eles, mas sua animação diminuía toda vez que eles mencionavam o nome de Mary-Ann. Ela estaria mesmo lá esperando por eles?

Esta questão foi respondida pouco depois. Enquanto se movia rápida e animadamente para o mundo trouxa, Sirius olhava ansiosamente para as pessoas que passavam pela plataforma 9, esperando que ele reconheceria Mary-Ann em algum lugar, que ela estaria esperando que ele saísse. Mas ela não estava lá, fazendo-o sentir toda aquela animação o deixando.

— Então, onde está ela? — Sirius ouviu James perguntando animadamente para ele.

— Me pergunto a mesma coisa. — ele murmurou, olhando pela multidão.

Eles consideraram que talvez ela estivesse atrasada, então esperaram, mas uma hora se passou e ela não apareceu. Os quatro garotos saíram da estação para ir até a casa dela, mas como Sirius só tinha estado lá duas vezes, ele teve dificuldade em encontrar o lugar, só conseguindo se localizar quando passou pela Calçada do Dente Quebrado de Arthur, que ficava na esquina da rua de Mary-Ann.

Quando ele chegou à porta da frente, Sirius tocou a campainha. Depois de alguns segundos, um menininho a abriu, sorrindo para o garoto Black.

— Sirius! — ele exclamou, notando então os outros garotos atrás de Sirius, fazendo-o acenar feliz.

— Ei, Artie. — Sirius bagunçou o cabelo do mais novo. — Podemos entrar?

Arthur se afastou, abrindo espaço para os quatro entrarem. Sirius viu Queijo deitado em um canto, mas ele não se parecia com o mesmo cão que ele se lembrava. O cão que animadamente o derrubou no chão e lambeu todo o seu rosto na primeira vez que Sirius estivera ali, agora estava quieto, com o rosto escondido entre as patas.

— A Annie está em casa? — Sirius perguntou, voltando seu olhar para o irmão de sua namorada.

— Não. — o garotinho balançou a cabeça. — Mamãe disse que ela está num lugar melhor.

Sirius franziu a testa, pronto para perguntar o que ele queria dizer com aquilo quando uma voz rouca pôde ser ouvida. — Vá para o seu quarto, certo, Artie?

Joseph se aproximou quando o garotinho saiu correndo depois de se despedir de todos. Apenas depois que ele teve certeza de que seu filho já estava no quarto que ele soltou um suspiro, passando a mão pelo rosto. Ele parecia cansado e infeliz, muito diferente do pai divertido que ele havia se mostrado na última visita de Sirius. O adolescente estava prestes a perguntar se algo havia acontecido, mas Joseph foi mais rápido.

— Eu tentei entrar em contato com você, mas nenhum dos correios encontrou o local para onde Mary-Ann enviava as cartas.

— Entrar em contato comigo para quê?

Joseph olhou para ele com pena e dor em seus olhos, como se tocar no assunto fosse doloroso para ele. E era. Ele colocou uma das mãos no ombro de Sirius em um gesto de conforto para os dois.

— Mary-Ann morreu.

Aquilo tudo era culpa dele. As palavras ecoavam em sua cabeça quando ele parou onde queria chegar. O túmulo dela. Um choque de realidade o atingiu. Mary-Ann estava morta, e ele estava em pé na frente do lugar onde ela estava enterrada.

Lágrimas começaram a escorrer de seus olhos, deslizando por suas bochechas. A raiva de si mesmo apenas crescendo. Sirius apertou as flores um pouco, ele não queria deixá-las ali, ele não queria deixá-la ir. Ele não estava pronto.

O mês seguinte tinha sido um pesadelo para Sirius, talvez porque pesadelos parecessem assombrar o garoto. Seus amigos estavam tentando animá-lo, mas pareciam tão infelizes quanto ele, passando as férias escolares de luto pela garota que esperaram tanto tempo para conhecer.

Às vezes, quando os pesadelos não apareciam para Sirius à noite, ele acordava sem se lembrar do que tinha acontecido, pensando que tudo aquilo sobre Mary-Ann estar morta seria o verdadeiro pesadelo, mas não demorava muito para ele se lembrasse de tudo quando via o olhar de pesar nos olhos de James. Seus amigos o aconselharam a ir ao cemitério, o que o ajudaria em seu luto, mas ele não podia, ele não queria ir até lá.

No final do mês, o menino Black estava em negação, criando várias teorias em sua cabeça do que poderia ter acontecido. Talvez ela tivesse tirado férias e esquecido de contar às pessoas. Ou talvez tivesse se cansado de casa e fugido para outro lugar. Não, ela amava a família. Ele estava ficando cada vez mais desesperado toda vez que via que não tinha uma teoria boa o suficiente para justificar o que havia acontecido. Fato engraçado sobre amar alguém: você sempre tenta imaginar que eles estão bem porque você não suportaria pensar de outra forma.

De qualquer forma, Sirius não podia deixar de se animar toda vez que uma coruja chegava à casa dos Potter, sempre desapontado por ver as cartas de Remus e Peter. A cada hora, em todos os lugares, ele via falsos sinais, mensagens de que ela não estava morta. Ela não podia estar.

No início do outro mês, durante uma noite, uma coruja chegou para ele. Seu coração acelerou, mesmo sabendo que ele não deveria ter esperanças, e desta vez, surpreendentemente, ele não ficou desapontado. Era uma carta dela.

Com um sorriso nos lábios e lágrimas de felicidade enchendo os olhos, ele rapidamente abriu o envelope, encontrando dois pedaços de papel.

O primeiro tinha a data de dois meses antes, na mesma semana em que ele enviara a primeira resposta à última carta de Mary-Ann. Nessa, ela escreveu o que planejara fazer quando as férias de Sirius começassem, incluindo várias atividades trouxas legais para fazer com ele e seus amigos.

"(...) Estou ficando um pouco nervosa por aqui. Não sei se deveria ter feito planos, nem sei do que seus amigos gostam.

Ugh, sinto muito. Espero que eles gostem de mim.

Estou ansiosa para o próximo mês.

Eu te amo (sim, eu disse isso)

Sua,

Mary-Ann."

O sorriso nos lábios do garoto se alargou. Ele olhou para as palavras da garota de novo e de novo. Ele se beliscou para confirmar se era real. Era. Mas sua alegria logo morreu, assim como sua esperança de encontrá-la viva, vendo o outro papel.

"Não se preocupe, primo.

Nos certificamos para que ela sofresse muito até o último momento.

B.B."

Sirius soube exatamente quem era assim que leu o pedaço de pergaminho. Belatriz Black. Ele deveria ter suspeitado que sua família estaria envolvida nisso. Ele deveria ter suspeitado que mesmo que ele tivesse sido deserdado, que eles nunca deixariam que ele fosse feliz, não com uma trouxa. Culpa e vergonha o encheram. Ele havia sido a causa do que acontecera.

As coisas ficaram muito piores depois daquele dia. Os pesadelos se tornando cada vez mais frequentes, desta vez as teorias que passavam pela sua cabeça eram do quanto Mary-Ann havia sofrido antes de morrer. O que eles teriam feito com ela por causa dele? Depois de algumas noites, ele não conseguia mais fechar os olhos, a imagem do rosto que estava sempre sorridente de Mary-Ann, agora sempre sofrendo em sua cabeça. Sirius tinha que acabar com aquilo de uma vez por todas. Ele precisava acabar com aquilo, era hora de ele dizer seu último adeus.

Soluços baixos começaram a sair de sua boca enquanto as lágrimas desciam rapidamente. Seu coração acelerou quando ele sentiu uma mão em seu ombro, ele não podia deixar de pensar que poderia ser ela. Mas não era ela, nunca seria. Era James, o cara engraçado, que agora tinha um semblante triste, mas estava tentando trazer conforto para seu amigo.

Sirius olhou para os lírios em suas mãos, lentamente levando-os para o chão. Ele não queria deixá-la ir. Seus dedos soltaram as flores, deixando-as contra a lápide fria. Ele não a veria mais, seus olhos, seu cabelo, seu sorriso. Sirius olhou uma última vez para o túmulo. Ele nunca ouviria a voz dela, nem a risada estranha que o fazia rir. Sirius se endireitou. Ele não queria deixá-la ir, mas precisava. Ele se virou para olhar para seus amigos. Eu sinto muito, Mary-Ann. Sirius enxugou as lágrimas com as costas da mão. Tchau, princesa. E então ele começou seu caminho para ir embora.

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!