Lealdade sem Fronteiras #1

4 Capítulo 4 - Versus Bayleef


Notas iniciais
"É engraçado como o mundo pode ser tão grande quanto uma Floresta de Viridian, mas tão pequeno quanto uma Cidade de Pewter. Como ele poderia imaginar que ela apareceria logo ali?"

O Ginásio de Pewter não era muito diferente dos outros ginásios. Sua líder, Aria, permanecera com o tipo Pedra como na tradição. Ela era conhecida por ser fã de uma bem programada rotina e de uma tradição antiga, aquela não mudaria.

Os treinadores que dali saíam, vitoriosos ou não, não podiam falar a ninguém suas técnicas e ataques usados. Ordens da própria.

Mas Dan estava preparado para aquela técnica, fosse qual fosse. Ou, ao menos, sentia-se tal. Com seu ágil Sawk, seu emotivo Squirtle e seu tímido Bulbasaur, tinha grandes chances contra ela se considerado os tipos vantajosos.

Estava seguindo para o ginásio aquele dia. Um dos guardas, no dia anterior, voltara a encontra-lo e fizera um pedido, mais especificamente um favor. Entregar uma outra Poké-flauta à garota que batera o recorde, caso a encontrasse.

Estava encarando o objeto em mãos. A sua era amarelada, a dela rosada. Grande parte de Young sentia que acabaria com aquilo em mãos para sempre. Guardou os itens num bolso lateral da mochila e seguiu em frente.

O ginásio era grande, completamente feito de pedra como aqueles antigos castelos. Grandes e pesadas portas de ferro serviam de entrada e, quando Dan adentrou ao local, deu de cara com um teto de vidro acima de si.

Seguiu em frente e estranhou ao começar a ouvir barulhos de uma batalha. Apressou-se pelo corredor apertado e abafado. Quando encontrou o campo de batalha, viu que não era o único desafiante ali dentro.

Com cabelos ruivos e cacheados e um vestido tão belo, a líder poderia uma modelo das que Dan tanto admirava na TV. Não deveria ser tão envolvida naquelas batalhas violentas. Mas, pelo visto, ela gostava do que estava fazendo pois deu um sorriso quando o Pokémon da adversária, um que Dan não reconheceu pela posição, de bruços, ele era amarelado, seus ombros e costas amarronzados, havia um objeto prateado em sua pata. O menino não pôde ver muito mais, pois a treinadora desafiante o colocou de volta na Poké-Bola

Dan percebeu que ela não olhava para o campo. Ela estava fitando ele. Aquele blusa cinza com capuz, aquela calça jeans azul surrada... Não podia ser outra pessoa.

A garota que o salvou de Viridian e também que ele ajudou a escapar de lá. Ele mal podia acreditar. Como ela conseguira passar tanto tempo na cidade sem ele vê-la ou mesmo os repórteres?!

Ao notar a presença de Dan, a Líder parou de se concentrar.

— És um novo desafiante?

Young assentiu.

— Sente-se, por favor. Logo começaremos a nossa batalha.

Novamente assentindo, o garoto seguiu até o outro lado do campo, onde havia uma arquibancada. Sentou-se e só então percebeu quem mais estava ali. Rex, o acompanhante Growlithe da menina. Os dois se entreolharam e fingiram não se ver. Fosse qual fosse o motivo, Dan não gostava muito daquele Pokémon.

A menina que o treinava estava todo o tempo observando Young, mas quando este percebeu, ela desviou o olhar e pegou a Poké Ball do próximo Pokémon. Jogou. Desta saiu uma espécie que (finalmente!) Young conhecia. Bayleef. Era quadrúpede, um pescoço ligeiramente grande com pequenos “brotos” de folhas dali surgindo em formato de anel. O corpo por completo amarelo, tendo no topo da cabeça uma única folha grande esverdeada em formato de foice, seus olhos eram vermelhos, mas transmitiam alegria. Aquele Bayleef em especial parecia animado, talvez até sorrindo para a treinadora. Que, apesar de continuar com o capuz, deu um sorriso carinhoso e terno para o Pokémon.

Bayleef se voltou para o campo de batalha e o juiz eletrônico — que não passava de nada além de um detector de posições que fazia um barulho como um apito quando percebia que todos estavam em seus devidos lugares — deu início a batalha.

A desafiante foi a primeira a se mover, ordenando um "Folha Navalha" ao seu Bayleef. Este fez um movimento com a cabeça, mais especificamente com a folha, e desta saíram diversas outras menores, bem afiadas, girando no ar rápida e perigosamente.

Quando estavam prestes a atingir o alvo, este desviou com facilidade. Sua velocidade era considerável grande, apesar da aparência não ser de um Pokémon veloz. Era um Golem. Um Pokémon grande e redondo, com curtos braços e pernas. Poderia encolher e se passar por uma pedra com facilidade. Dan pensou que ele desviou com sua velocidade, mas só depois de vê-lo rolando na direção do Bayleef percebeu que era mais que um desvio.

Um ataque. Rolamento.

Bayleef foi jogado contra a parede e fez um som alto de dor. Era sua vez de atacar, porém ele apenas ficou parado. Young olhou para a treinadora dele. Também estava imóvel, como se não fosse sua vez de atacar.

Aria estava confusa.

— Outra vez sem se mover?

Com a cabeça baixa e com a sombra de sua touca cobrindo metade do rosto, o sorriso da garota pareceu maléfico.

— Em ambos os momentos eu estava em movimento. — ela ergueu o rosto, pela primeira vez olhando para a líder de ginásio e, ao fazê-lo, Young teve certeza:

O sorriso era sim maldoso.

Uma luz estranha preencheu o local, ofuscando a todos os presentes. Dan ouviu o som de um raio dentro do ginásio, o que era impossível, pois não havia chuva ou Pokémon Elétricos em batalha.

Growlithe latiu, parecia excitado. Dan seguiu o que ele olhava e viu, no telão do ginásio onde indicava a saúde dos Pokémon e os ataques recentemente usados.


Golem
em 70% de saúde
Último movimento: Rolamento

Bayleef em 80% de vida
Último movimento: Folha Navalha

Visão do Futuro (efetuado por Alakazam) atinge Golem

Dan olhou assustado para a garota misteriosa. O Pokémon dela não aprendia aquele tipo de ataque. Aria se pronunciou primeiro. Na verdade, bateu palmas.

— Devo dizer esta é uma ótima estratégia. Seu Pokémon derrotado anteriormente, Alakazam, utilizou Visão do Futuro naquela vez que pensei que não se moveram. E, por final das contas, você não se moveu de novo por saber exatamente o momento do ataque. Mas a pergunta é: Como? Afinal, há alguns anos que ataques desse tipo são imprevisíveis.

Era verdade. Movimentos como Visão do Futuro, Amaldiçoar, Canção do Perecer e muitos outros tinham se tornado impossíveis de se controlar, mesmo tendo um bom vínculo com seu Pokémon.

Aria continuou.

— Como conseguiu saber o momento exato no qual você não precisava atacar?

A menina ergueu a cabeça uma segunda vez. Dan pode ver seus olhos vermelho-fogo brilhando de orgulho.

Espera. Vermelho-fogo? Eles não eram pretos?

— Apenas continue a batalha. Eu vou mostrar.

Aria deu de ombros. Golem, que não tinha muita opção, continuou com o Rolamento. Mas não conseguiu completar o ataque. Quando estava na metade do caminho, a folha acima da cabeça de Bayleef brilhou.

Síntese?, questionou-se o expectador.

E então, surpreendendo não apenas ele como também a Líder do Ginásio, o Bayleef abriu a boca e dessa saiu um poderoso raio, que ofuscou a todos. Um raio de sol.

Raio Solar.

Quando finalmente conseguiram se livrar dos pontos pretos na visão, puderam ver o muito ferido Golem no chão, desmaiado. O silêncio predominou por alguns instantes enquanto a Líder colocava o Pokémon de volta em sua bola até ela o quebrar batendo palmas. Seguiu andando até o centro do campo de batalha. A garota também, sem olhar diretamente para ela.

— Isso foi... Esplêndido! Uma combinação de Raio Solar com Visão do Futuro para não perder a possibilidade de atacar... Que estratégia excelente! É uma honra, para mim, entregar uma insígnia, a Insígnia da Dureza, a alguém tão inteligente.

— Obrigada. — disse ao pegar a Insígnia e fez uma mesura que, para aquela época, era mais do que antiquada.

Ela seguiu em direção à saída, colocando o Bayleef na sua própria Poké Ball, e Dan se posicionou para o início de sua batalha. Porém Aria ainda parecia interessada na garota. Olhava para ela, que estava brincando com o Growlithe enquanto saía.

— Não saia ainda. — A voz da Líder de Ginásio pareceu correr através das paredes e do ar até chegar à Treinadora, que parou de andar. — Eu quero conversar com você. Afinal, eu sei quem você é e o que você fez. — disse Aria, parecia uma acusação. A garota não se moveu, mas Dan podia jurar que ela estava tensa encarando as pesadas portas à sua frente.

— Não sei do que está falando. — murmurou ela, ainda sem se virar. O silêncio antes daquela frase fora tão longo que não era algo exatamente fácil de se acreditar. E, tal qual Dan imaginou, a Líder não estava convencida.

— Provavelmente está estranhando eu saber, certo? Nem me falou seu nome, afinal. Mas não quero que saia ainda, eu estive esperando por você.

A garota permaneceu imóvel, Growlithe soltava um leve rosnado em direção aos outros dois.

— Como assim? Do que estão falando? — Dan se sentia boiando no assunto, como se estivesse ao mar aberto sem qualquer noção do que havia nas profundezas daquela situação.

Ela olhou para eles por cima do ombro, fixando o olhar em cada um por longos segundos, como se os visse pela primeira vez. Observou desde o cabelo preto embaixo do boné cinza de Dan, passou por seus olhos castanho-mel, a pele morena, a blusa de frio verde e a calça jeans do garoto. Ele olhou para o corpo, temendo estar feio.

Já Aria, com seu cabelo ruivo e seu vestido florido, parecia muito com a Líder de Ginásio de Summelower Town, que tanto era conhecida por ser uma poderosa Líder de Pokémon tipo Planta.

— Você não conhece a história? — questionou a Líder a Dan.

— Que história?

A menina voltou a encarar o chão como muitas outras vezes. A adulta continuou.

— Uma garota de onze ou doze anos usou um poderoso Mewtwo para destruir uma cidade de Unova, ceifando a vida de muitos de seus habitantes. Hoje, com treze ou catorze anos, é proibida permanentemente de entrar em três continentes, é sempre procurada pela Policia Internacional para ficar sobre vigília constante... — Aria voltou-se a ela de novo. — E essa garota está aqui presente.

— Você... é uma genocida... — murmurou Dan, quase sem fôlego com a surpresa, pensando em quantas vezes ela podia tê-lo matado enquanto juntos na floresta.

Ela fechou as mãos com uma força que podia até mesmo machucar a si mesma, respirou fundo e relaxou. Era possível ver que estava se controlando quando ergueu levemente o olhar.

— Eu não fiz isso. Sou inocente.

— E eu acredito em você. — Aria permanecia olhando nos olhos dela. A menina avaliou sua expressão, em dúvida se acreditava. — Sou uma das poucas pessoas que acreditou quando você disse que foi sequestrada. Por um ano inteiro ficou presa, certo? Mas tudo o que eu quero saber é... Por que? Por que você seria sequestrada por um Pokémon Lendário para destruir uma cidade?

Ela apenas apertou mais as mãos. Devia estar sentindo dor àquela altura.

— Se eu falasse você nunca acreditaria em mim. — Olhou para Dan. — Aliás, ambos desacreditariam. E pelo visto tenho que ir enquanto nenhum dos dois chama a polícia.

— Não vou chamar a polícia. Você não é uma assassina. Se fosse mesmo a serial killer que tanto dizem, nem estaria numa Batalha Pokémon em um Ginásio. Estaria escondida em algum lugar, a procura de uma nova vítima que seguisse seus padrões. Minha irmã já foi psicóloga de humanos e disse que seria exatamente isso o que você faria. Mas, pelo visto, não fez.

— Como soube que era eu?

— Os sinais estão em todo lugar. Uma nova recordista desconhecida da floresta de Viridian que foge dos repórteres, uma desafiante no meu ginásio do qual consegue, em todo o tempo, escapar das câmeras. — Ela apontou para o telão. Era verdade. Em momento algum o rosto da menina tinha aparecido nas imagens das câmeras de segurança. — Que não informou a própria identidade para colocar na lista de ganhadores e que, no final, tem estratégias tão brilhantes, como se adaptada aos Pokémon? Não podia ser outra pessoa.

Ela assentiu e desviou o olhar. Dan continuava abismado, como se ainda estivesse processando tudo.

— É por isso que você foi tão habilidosa na floresta... Você já passou por coisas piores... Já fez coisas piores.

— Eu já disse. Não. Fiz. Nada. — falou pausadamente, sua raiva expressa em cada sílaba. Depois de um momento, após um breve suspiro, ela piscou e se voltou de novo à Líder. — E perdão por ter de dispensá-la de tal forma, mas não é só aos repórteres que eu recuso dar entrevistas. — O olhar dela parecia encarar não os olhos de Aria, mas sim sua alma. Apesar de claramente recusar o pedido de conversar e estar com olhos fixos, ela falava em um tom calmo.

Os dois continuaram em silêncio, sentado ao lado da treinadora, nem mesmo o Growlithe se movia. A menina ajeitou o capuz, seguiu até próximo à líder e fez outra reverência.

— Obrigada pela honra de batalhar em seu ginásio, sra. Carter.

Ela pareceu surpreendida de novo com a atitude.

— Não precisa agradecer.

A menina olhou para Dan uma última vez e inclinou levemente a cabeça em um breve cumprimento.

— Dan.

Depois seguiu para a saída. Dan ficou encarando a porta por alguns segundos.

Ela havia mesmo memorizado seu nome, enquanto ele podia saber tudo sobre seu passado agora, mas definitivamente continuava sem saber nada dela.

Poderiam ter se passado horas até que se virou para Aria, pronto para a batalha, mas sua mente só estava lenta para se recuperar daquele momento estranho.

— Parece bem confiante. — Ela comentou com um sorriso, também recuperada dos momentos anteriores.

Ele sorriu.

— Estou.

Ela retribuiu, gostando de ver a determinação do rapaz. Ambos pegaram uma Poke-Ball e, assim que o juiz eletrônico autorizou, jogaram-nas. Da Poké-Bola de Aria, surgiu um Shuckle. Diferentemente, a de Dan não foi nem um pouco defensiva. Ele já iniciou com o seu mais forte e mais treinado para aquele ginásio e que por acaso fora da treinadora que acabara de sair.

Sawk.

A batalha se iniciou e Dan nunca parara para imaginar que, quando ela começasse, estaria tão apressado para vencê-la.

Notas finais
Gostaram? Não gostaram? Peço review em ambos os casos e estarei muito agradecida se o fizerem! Obrigada por lerem ♥ Até mais.