Lealdade sem Fronteiras #1

6 Capítulo 6 - Versus Golbat


Notas iniciais
"Era isso... ESSE era o motivo do meu mau pressentimento! Por que eu tinha que seguir em frente? Por que tinha que ser assim, acabando tudo no Monte Lua? É assim que isso acaba? No início da minha Jornada? No início da minha vida verdadeira?"

Dan Young

Quando Meiko e eu entramos na caverna, havia um silêncio um pouco constrangedor se instalando sobre nós. Pelo menos, ao meu ver era. Eu ainda estava no início da jornada, afinal, e nunca esperaria fazê-la com uma garota. O Growlithe dela conduzia o caminho, enquanto ela continuava segurando aquelas lenhas.

Eu ainda pensava no modo que ela conversou com Ralts, e antes com Growlithe, e antes disso com Charmander, e seguindo essa sequência com aquele Pokémon azul, Shinx. Era completamente diferente de qualquer coisa que eu já havia visto. Não era como um humano conversando com outro humano. Pessoas às vezes se interrompem. Mas também não era como um Pokémon conversando com um Pokémon. Eles simplesmente repetem o próprio nome. Ela simplesmente usava nossa língua, o idioma humano, e ouvia cada vez que o Pokémon repetia o próprio nome. Era simplesmente bizarro.

Tropecei, só então percebendo minha distração. Aquela pedra era enorme, como não vi?

Ela pigarreou e eu soube que queria puxar assunto.

— Acho que lhe devo desculpas.

Eu estava com a cabeça tão longe que não entendi de primeira.

— Pelo que?

— Por te deixar sozinho de repente, sem me despedir como a verdadeira educação exige. Em Pewter.

Ela era tão antiquada que eu quase me sentia enjoado.

— Eu mesmo faço isso às vezes. Fiz com aqueles repórteres.

Meiko me observou e depois voltou a seguir em frente. Seu Growlithe parou e latiu:

— Growl!

Ela olhou para mim, eu não soube se estava traduzindo ou simplesmente falando.

— Chegamos.

Eu olhei ao redor. Até então, toda aquela caverna do Monte Lua havia sido repleta de rochas e tínhamos dificuldade em atravessá-la. Tinha muitos corredores e espaços escuros que não tínhamos coragem de nos aproximar, então apenas seguimos o olfato do Growlithe até aquele local. As coisas de Meiko estavam ali, assim como um...

— Esse Pokémon...

O Pokémon estava sentado, quase parecia pensativo. Era humanóide. Com um bigode grande, apesar de eu ter quase certeza que ainda era pequeno para alguns de sua espécie. Seu focinho era longo e fino, sua cabeça se alongavam dois picos, o que deveria ser sua orelha. Sua bochecha também tinha uma parte pontuda. Seu corpo, assim como a cabeça, era amarelo. Cobrindo seus ombros, peito, antebraços e joelhos havia uma espécie de armadura marrom. Em uma de suas mãos/patas, ele segurava uma colher, enquanto na outra ele a girava distraidamente. O Alakazam ergueu a cabeça e me observou. Seu olhar era distante, apesar de que eu estava bem na sua frente. Meiko se adiantou, ficando entre nós.

— Magi, esse é Dan, meu amigo. Dan, essa é Magi, minha Alakazam.

— Vo-Você tem um Alakazam?! Desde quando você está na jornada?! Alakazam é a última evolução!

Ela se sentou ao lado do Pokémon, montando uma fogueira. Parecia constrangida. Sua voz soou baixa.

— Eu ganhei ela como Abra na escola...

A realidade me veio com rapidez. É claro. Como de uma família de baixa renda, as escolas particulares eram uma possibilidade mínima para mim. Escolas particulares de Kanto e Johto são as mais caras do Mundo Pokémon. Eu não iria mesmo entrar um dia.

Já ela, pelo visto...

Como Meiko podia preferir os Pokémon quando tinha boas condições com os Humanos?!

Ela não é humana, me forcei a me lembrar.

— Mentirosa... — meu sussurro parecia um rosnado.

Ela olhou para mim.

— Perdão? — perguntou, sem entender o que eu havia dito.

Eu balancei a cabeça e deixei minha mochila ali, junto com a dela.

— Nada. — respondi.

Ela deu de ombros, terminou de montar a fogueira e seu Growlithe, que eu infelizmente já me adaptava a conhecer por Rex, a acendeu com um fraquíssimo Brasas. Depois de montar a fogueira, ela voltou a se afastar da mesma, sentando em cima do próprio saco de dormir enquanto bocejava. Eu também estava em cima do meu àquela altura.

Pensei um longo tempo, procurava um meio de testá-la. Ver até onde ela ia com aquela mentira. Olhei para a garota. Como podia ser tão atraente e tão mentirosa? Chegava a dar nojo.

Disfarcei minha expressão e inclinei a cabeça.

— Quantos anos você tem? — questionei.

Pegando um graveto grande, ela começou a cutucar a fogueira com cuidado. Ela obviamente tinha conhecimento de acampamento, pois a fogueira quase não fazia fumaça.

— Catorze. — respondeu por fim.

Eu continuei avaliando-a. Suas feições voltavam a ficar sombrias assim iluminadas apenas pela fogueira e escurecidas pelo resto da escuridão da caverna.

— Então você já teve uma jornada considerável grande, até aqui? — supus. — Afinal, quem é de escola particular tem o privilégio de começar a jornada com doze anos. Eu tenho treze e acabei de começar. — Olhei para ela.

Ouvi um rosnado leve vindo de Rex, mas ele parecia rosnar para si mesmo, enquanto Alakazam apenas olhou para Meiko calmamente.

Eu voltei a olhar para ela. Hikari estava cabisbaixa, não olhava para mim. Levou um longo momento para dizer apenas uma palavra.

— Talvez. — Deu de ombros. Nem parecia estar falando sobre a própria vida. O que só aumentava minhas suspeitas.

O clima estava tão estranho para uma conversa tão insignificante. Eu olhei para além daquele espaço que estávamos, pelos túneis escurecidos do lugar.

— Conte-me como foi. Estou curioso. — pedi.

Era mentira. Eu simplesmente queria saber o que a fazia ficar daquele jeito tão estranha quando falando de si mesma. E além disso, se ela contasse a verdade, talvez eu descobrisse que Pokémon, ou criatura, ela era.

— Eu sou de Johto, como deve ter notado pela minha Bayleef. Ela foi minha inicial. Mas eu já tinha alguns Pokémon antes disso... Como a Magi, ou o Rex. Na minha escola, havia uma classificação de melhores notas nas provas, e os dois melhores alunos conseguiam um Pokémon que evolui por troca. O meu foi um Slowpoke. Mas o troquei quando a Abra da minha... rival, por assim dizer, evoluiu. Não que eu concorde com esse método da escola. Logo quando eu estava apegada ao Loow, eles me obrigaram a evoluí-lo e não quiseram que eu trocasse de volta. Mas tudo bem. — Ela olhou para Alakazam. — Nós já somos amigas. — Deu um sorriso fraco para a Magi.

Depois ela voltou a olhar para mim e hesitou, olhando para o chão. Por algum motivo, ela parecia ter dificuldades em contar a história. Seria algum aspecto comum de um mentiroso?

A garota estava com os olhos fechados, continuou contando.

— Eu poderia ter começado minha jornada cedo, com doze anos, como você disse, mas... — Ela cerrou os olhos com mais força. Pude ver que suas mãos, também fechadas, tremiam. — Mas...

Ela simplesmente silenciou e assim ficou, calada, por tanto tempo que eu achei que não falaria mais nada.

— Tive alguns problemas de saúde. — Continuou, tentando agir como se nem houvesse feito uma pausa. — Não consegui terminar a escola e quando melhorei, já tinha completado treze anos havia uns meses. A Professora Pokémon de Johto me permitiu um Pokémon, mesmo assim. E eu ganhei a Leaf. — Levei um tempo para entender que era a Bayleef. — Herdei o Spyke, meu Shinx, do meu pai, que era de Sinnoh. E só. Vim para Kanto e treinei até achar que estava pronta o suficiente para o Ginásio de Pewter.

Eu a encarei por um instante.

— Você herdou um Pokémon do seu pai? — Minha voz soou ríspida.

— Sim, qual o problema? — Ela aparentava confusão.

— Você se diz irritada com o método da sua escola por ter pedido um Pokémon Psíquico e Aquático, mas você herdou um Pokémon do seu pai! Seus pais fazem todo esse esforço para te colocar em uma escola particular, te dão Pokémon e você os trata assim?! Seu pai deve te amar! — Eu disse estressado. Ela se fazia de educada, mas era tão mal agradecida assim?!

Ela me encarou. Em um momento, vi nos seus o que poderia ser a angústia, tristeza, mas no segundo seguinte ela apenas abaixou os ombros, sua expressão calma e seus olhos numa distância incrível.

— Eu não conheci o meu pai. — respondeu por fim.

Eu a encarei e hesitei, só então percebendo que estava quase levantando, e voltei a sentar, constrangido.

— Desculpe. — Não só constrangimento era o que eu sentia. Mas pesar também.

Ela apenas deu de ombros. Eu não pude evitar de perguntar. Eu precisava.

— Não o conheceu? — A pergunta saiu da minha boca em um impulso.

— Não, ele era um Ranger. Entrou na Floresta de Viridian e... Bom, não sei mais dele. — Ela encarou a fogueira como se fosse extremamente interessante.

Eu assenti, abaixando o olhar. Meus pais também precisavam viajar para lugares distantes, eu entendia como era o medo de nunca mais vê-los... Mas o pai dela havia sumido há anos. Os meus ao menos ligavam a cada alguns meses.

Olhei para ela. Eu nunca esperaria acabar por ter algum tipo de empatia com aquela menina e agora eu tinha. Nós dois estávamos longe dos pais há anos, nós dois sentíamos a mesma angústia de nunca mais vê-los novamente.

Meiko quis mudar de assunto, pelo visto também se sentia incomodada com aquilo.

— Então você também vai para a Liga Pokémon? — perguntou.

Eu assenti.

— Tecnicamente somos rivais, então? — Ela estava quase sorrindo.

Eu dei de ombros, sorrindo.

— Tecnicamente sim. Mas eu já sei que vou ganhar. — Eu disse confiante.

— Quanta confiança. — Ela ergue uma sobrancelha.

Eu sorri orgulhoso.

— É claro, há um dos mais importantes vencedores da Liga Pokémon na minha família. — tive que admitir, eu era orgulhoso daquilo.

— Ah, é? Na minha também. — disse animada.

— Do que está falando? — perguntei confuso. Minha desconfiança voltava lentamente.

— Minha família também tem um vencedor importante também. Muito conhecido e famoso até hoje. — Ela parecia até sonhadora.

— Isso não é possível. Eu sou descendente do Red! — exclamei.

— Red? Eu não estava falando dele. — Cruzou os braços. — Meiko Hikari é uma criação minha, para escapar um pouco da polícia. Meu nome Meiko Ketchum.

Observei ela por um longo instante. Depois soltei uma gargalhada.

— Ketchum?! Você... Você é parente dele?! — perguntei animado.

Ela sorriu, percebendo que minha gargalhada não passara de diversão, até mesmo admiração.

— Sim, eu sou neta dele. Meu pai, o que se perdeu, é o Pokémon Ranger Henry. — Os olhos dela brilhavam, achei serem lágrimas, algo que eu esperava de uma garota naquela situação, mas demonstravam orgulho. — Sua equipe é muito parecida com a primeira equipe do meu avô, sabia? Squirtle, Charmander, Bulbasaur... Ele teve todos os três! — Notei que ela sabia bem da jornada do avô.

— É, eu sei, e eu sou de Pallet! — acrescentei.

Ela coçou a cabeça.

— Sorte a sua. Sou da Cidade de Viridian. Não conheço heróis de lá.

Nós rimos juntos. Não que alguém tivesse dito uma piada, apenas pelo fato de que era um assunto agradável, depois de tudo o que aconteceu quando nos juntávamos.

— Quem diria? — perguntou ela, animada. — Descendentes de Ash e Red fazendo a jornada juntos! — Havia tanta admiração nos olhos dela que me percebi estar perdido na profundidade daquele vermelho.

Havia uma parte de mim que ainda tentava me lembrar que era tudo uma mentira. Mas uma parte bem maior discordava. Como um Pokémon podia conhecer a história de Ash Ketchum com tanta perícia? E agora, observando-a com aquele bom humor, percebi que tinha ainda mais dúvidas sobre minha tese. Ela sorria. Como poderia um Pokémon ter um sorriso daquele?!

— Pois é. — Foi tudo o que respondi, sorrindo.

Quando me dei conta, estávamos empolgados conversando sobre antepassados, batalhas e até compartilhamos estratégias que gostávamos de usar. Logo estava tarde e ela levantou e bocejou, um bocejo enorme, demonstrando um cansaço que eu nem havia percebido sentir também.

— Acho melhor separarmos essa noite em turnos. Essa caverna não é segura para nós dois dormimos ao mesmo tempo.

Não que eu vá dormir junto com você algum dia, comentei mentalmente.

Apenas assenti, levantando também.

— Pode ir dormir, você não parece aguentar nem mais duas horas. — respondi.

Ela não recusou. Apenas seguiu para o saco de dormir e ali adentrou. Seu Growlithe foi em seguida, deitando perto da treinadora. Ela retornou a Alakazam. Eu podia ver que seus olhos pesavam.

— Vá para a entrada do túnel, é mais fácil. Deixe um ou dois Pokémon seu livres. Só por prevenção. — Com um último bocejo, ela se deixou envolver pelo sono. — E Dan... — olhei para ela. — Pode me chamar de Mei.

Fitei ela e assenti.

— Boa noite. — disse eu.

— Boa noite.

Eu observei ela se deixar fechar os olhos. Depois de alguns minutos, Meiko já ressonava.

Liberei Bulbasaur e Squirtle. Não tinha coragem para conversar com Charmander por ora. O silêncio da caverna era profundo, apesar de um ou outro barulho distante. Assemelhavam-se a bater de asas e sons de vozes roucas, que imaginei serem Zubat e Geodude ou algo do tipo. Contei o tempo até amanhecer. Levaria ao menos oito horas, então decidir acordar Mei só quatro horas mais tarde.


Uma hora depois, eu estava tão entretido observando uma calorosa conversa entre Bulbasaur e Squirtle que não percebi a aproximação daqueles Pokémon até o Squirtle me avisar.

— SQUIRTLE, SQUIR!

Olhei na direção que ele indicava desesperado e levantei de súbito. Na minha frente havia um grupo de Zubat, ao menos uns cinco, que pareciam bastante agitados. Eu me adiantei.

— Squirtle, Bolhas! Bulbasaur, Chicote de Cipó!

Meu Squirtle abriu um pouco a boca soltando algumas bolhas espalhadas, enquanto meu Bulbasaur faz vinhas saírem de seu bulbo e seguirem até dois adversários. As bolhas acertam apenas três deles, enquanto os chicotes erram os alvos, os inimigos restantes.

Era o turno deles quando percebi que aquilo não estava indo como uma das minhas melhores batalhas. Um dos Zubat desceu com velocidade até meu Bulbasaur. Suas asas brilhavam de cor branca. Foi um Ataque de Asa no Bulbasaur, o que foi bastante efetivo, pois tipo Voador é forte contra tipo Planta. Bulbasaur foi jogado para trás.

Virei para ver o desempenho de Squirtle, mas só pude ver outro Zubat avançar. Squirtle ergueu a pata de reflexo, mas o resultado foi o Pokémon morder sua pequena pata. Achei que era um simples Mordida, porém percebi que era mais preocupante que isso quando vi uma gota de veneno escapar da mordida e pingar no chão abaixo. Mordida Venenosa. Squirtle estava, assim como Sawk no ginásio, gravemente envenenado agora.

Aquela era minha primeira batalha com meus Pokémon em dupla e era óbvio que eu não estava indo bem. Bulbasaur tinha dificuldades em se levantar, Squirtle ainda estava preso na boca do maldito Zubat, e o desespero estava me afetando por completo.

Mas talvez eu aja melhor em desespero.

Cerrei minhas mãos.

— Bulbasaur, levante-se e use Pó Venenoso para atrapalhar a visão... — franzi o cenho. —... se é que eles tem uma... E Squirtle, você já está envenenado, então não haverá problemas em atravessar a nuvem venenosa. GIRO RÁPIDO EM TODOS ELES!

Observei enquanto o pó se erguia até eles. Puxei minha manga para sobrepor minha mão e cobri meu nariz com a mesma. Os Zubat, como imaginado, não tinham visão, mas o Pó Venenoso ajudou da mesma forma porque eles pareciam ter dificuldades em se localizar. Talvez o som que eles usassem de guia batesse até mesmo em coisas pequeninas como o pó emitido pelo meu Bulbasaur, pois eles começavam a se perder entre si, esbarrando uns nos outros como se realmente não pudessem se localizar no ar.

Meu Squirtle se soltou da mordida ao adentrar no casco e já neste ele girou à toda velocidade no ar, mandando o Zubat que estava próximo contra a parede e subindo através do ar, sem deixar de atingir cada Pokémon ali em cima. Quando voltou a cair, o meu Pokémon Aquático estava sobre um dos joelhos, apoiado no chão. Perdia vida conforme atacava e estava cansado pela sequência de ataques.

Os Zubat estavam caídos ao chão, sem conseguir levantar vôo momentaneamente. Bulbasaur aproveitou e usou seus chicotes novamente, pronto para atingir qualquer um dos adversários que resolvesse nos atacar. Mas quando levantaram, os Pokémon apenas voaram através da escuridão da caverna, fugindo.

O tempo se passou assim, com alguns Pokémon em grupo de vez em quando. Apareceu um grupo de Clefable, que felizmente apenas foram embora correndo aos nos ver, ouvi muito dizer sobre o "Terremoto" que o Metrônomo delas pode causar. E até mesmo um Parasect, que nem mesmo nos viu.

Meiko parecia ser sensitiva pois, quando eu levantei para acordá-la, ela se espreguiçou e abriu os olhos bem na hora. Olhos vermelho-fogo, assim como no ginásio. Talvez eles nunca tivessem sido pretos, como eu pensara. Eu provavelmente tinha me enganado quando estava na floresta.

Ela franziu o cenho.

— Você está me encarando.

Eu desviei o olhar, fingindo preocupação.

— É melhor levantar. Esse lugar tem estado agitado.

Ela assentiu. Seu Growlithe se esticou ao seu lado e saiu do saco de dormir bocejando. Encarou-me e trotou até a entrada do túnel. Hikari levantou e eu segui até meu próprio sleeping beg, retornando Squirtle e Bulbasaur no caminho. Adentrei na cama improvisada e me virei de lado, apesar de ter certeza de que não conseguiria dormir.

Meu sono sempre foi agitado, ou pelo menos desde que meus pais saíram de casa. Eu sempre tinha pesadelos, não conseguia evitar de pensar neles antes de dormir.

Dessa vez não foi diferente. Mesmo que no meio da jornada, mesmo que numa caverna possivelmente desprotegido contra os Pokémon Selvagens, apesar da genocida se dizer capaz de capaz de nos proteger, eu continuava pensando neles. Era preciso eu apenas fechar os olhos para lembrar...

Sete, oito anos de idade. Não passava de uma criança que nem mesmo entendia direito o perigo de viagens transcontinentais. E muito menos entendia a dificuldade dos meus pais em encontrar emprego.

— Precisamos conversar. — dissera meu pai, com seu tom rígido de sempre.

Eu lembro de estar brincando com um carrinho em forma de Ponyta, perto da minha cama, quase na hora de dormir, quando ergui os olhos e olhei para ele com meu sorriso de sempre.

Se aquele fosse meu eu atual, eu nunca teria sorrido.

Meu pai tinha traços fortes, uma cicatriz quase imperceptível cruzava do ombro ao começo do pescoço, da época que ele trabalhava nas minas. Foi a ele que puxei a pele morena. Sua expressão nunca demonstrava fraquezas, mas as olheiras em seus olhos estavam visíveis e quase deslocadas no rosto severo.

Mas, é claro, quando criança eu nunca percebera nada. Apenas esperei que ele dissesse e senti uma mão pousar no meu ombro. Minha mãe. Era um caso de "os opostos se atraem", eu tinha que admitir. Minha mãe tinha um rosto fino e alongado, traços delicados e calmos. Sua expressão, como sempre, era de calma.

— Nós, seu pai e eu, precisamos ir para um lugar bem longe.

— Eu vou também? — perguntei, mas eu já sonhara com aquilo tantas vezes que já estava irritado com minha pergunta.

Eles se entreolharam, o único momento daquela memória que eu não conseguia ler suas expressões tão repetidas em minha mente. Meu pai foi quem continuou.

— Larry ficará com você durante a tarde, de manhã você continuará indo a escola normalmente e a noite ficará em casa, dormindo no horário de sempre.

Lembro-me de assentir e voltar à minha inocência com o Ponyta. Mamãe mandou eu ir dormir e eu obedientemente me deitei. Meu pai ficara na porta, observando, enquanto minha mãe beijava-me a testa e dizia a frase que tanto se repetia em minha mente agitada.

— Boa noite, querido, e boa aula amanhã. Estaremos sempre com você.

Minha mãe nunca me desejava uma boa aula antes de dormir, mas eu tinha me concentrado nas três últimas palavras. Achava que significava que eles estariam ali em casa por mais tempo.

No dia seguinte, a aula passou rápida e imemorável. O tema era o dia dos pais, eu lembro muito bem. Fizera um bilhete, como em todos os anos, para o meu pai. Até mesmo um para minha mãe, pois muita vezes papai ia trabalhar e ela era quem me inspirava a ser um grande homem, no final das contas.

Mas nunca entreguei a nenhum deles. Eles não estavam lá. Nem naquele ano, nem nos anos seguintes.

— Eu não acho que ele seja uma ameaça.

Era uma voz distante, feminina, e tão baixa que demorei a entender o que dizia e de quem vinha. Meus pensamentos ainda estavam lentos, eu havia cochilado. A voz vinha de trás de mim, mas não me virei para vê-la. Meiko provavelmente estava falando sobre mim.

Ouvi o Growlithe dela fazendo seus barulhos típicos de Pokémon, repetindo seu próprio nome.

— Eu sei, eu sei. — A voz dela demonstrava cansaço. — Mas você sabe o quanto eu sempre quis ser mais próxima dos humanos. — Ouvi o som de um movimento dela.

Eu me virei, deixando os olhos fechados como disfarce. Eu tinha certeza que ela me observava, mas dela deve ter percebido o quanto eu era agitado no sono, pois não pareceu incomodada.

Eu abri os olhos lentamente. A fogueira havia apagado e quase não havia resquício de luz, apenas um pouco lunar vindo de um pequeno buraco no teto. A menina estava na parede adjacente à minha localização, na entrada do túnel, com Growlithe do outro lado. Ela tinha os joelhos dobrados contra o tórax e mexia em algo no chão, talvez uma pedrinha.

O Growlithe estava em silêncio, sentado e com a cabeça virada para mim. Provavelmente não confiava na minha movimentação. Mas não demorou muito para olhar a treinadora e continuar conversando. Sua frase pareceu ser curta. A menina respondeu logo depois.

— Eu sei que você não confia nos humanos, Rex. — Ouvi um suspiro e vi ela se encolher, abraçando os joelhos. — Mas eu quero acreditar que... Que vamos encontrar alguém, entende? — Sua voz soava melancólica. E o sussurro que veio a seguir foi tão baixo que quase não consegui entender sua frase. — Se existem Pokémon bons e ruins, por que não existiriam humanos bons?

Segundos se passaram, talvez minutos, enquanto o silêncio predominava entre os dois. Eu fechei meus olhos, resolvendo apenas mergulhar em pensamentos.

Toda aquela conversa provava que ela era um Pokémon, certo? E tinha consciência disso, pois falava dos humanos quase como se não fosse uma. Quem é que xinga a humanidade? Humanos que não são. Até onde sei, nós, humanos, somos muito orgulhosos de nossas próprias capacidades e avanços conseguidos até aqui.

Ela tratava a humanidade como se esta fosse a coisa mais errada no mundo. E aquilo soava exatamente como um... Pokémon. Afinal, quantos Pokémon não têm matado humanos até aqui?

Mas mesmo que agora eu pudesse ter certeza de que ela era uma espécie de Pokémon, uma parte de mim queria discordar. Ninguém nunca entendeu da minha dor ao ter pais que trabalham muito com viagens e ela entendia. Não podia ser mentira, podia? Ela não podia ter inventado tudo, certo?

Pensei em tudo o que ela disse sobre a própria jornada. Eu havia me distraído tanto com o fato de ela ser de uma escola particular que não percebi que ela realmente mentiu para mim, afinal, ela não mencionara em momento algum que destruiu uma cidade inteira.

Fiz um esforço para lembrar o tempo que Aria dissera... Um? Dois anos atrás? Se ela tem catorze anos, significa que cometeu esse crime horrendo com nove... Ela dissera que sofrera com uma doença. Por acaso essa doença se chamava "Mewtwo"? Eu estava furioso. Como ela podia mentir assim, na cara de pau, como se eu não soubesse a verdade?

E por que, mesmo comigo sabendo a verdade, ela ainda não me matara?

Fiquei um longo tempo fazendo-me questões sobre aquela conversa dos dois até que minha mente, já cansada, me fizesse mergulhar num sono profundo e sem sonhos.


Meu sono estava tão tranquilo, tão bom...

— DAN, ACORDA!

Mas parece que é desses sonos que se tem que acordar da pior maneira.

Levantei o mais rápido que consegui e tentei olhar ao redor para saber o que estava acontecendo, mas levou um tempo para eu conseguir me localizar e enxergar. Havia amanhecido, o buraco no teto iluminava o túnel, me dando mais dificuldade a me adaptar à luminosidade da manhã do que facilidade em enxergar o que estava acontecendo.

Eu fiquei de pé, lutando contra o saco de dormir. Enquanto me matava para tirá-lo do meu pé, vi em um canto afastado Magi desmaiada. Fitei onde Meiko estava. Seu Shinx estava ao seu lado, também desmaiado.

Corri para ajudar, percebendo que ela realmente precisava de ajuda. Os adversários eram incontáveis. Todos eram da mesma linha evolutiva. Dezenas de Zubat, dois Golbat e um único Crobat, que apenas observava ao fundo. Ela mantinha os selvagens ocupados com um Raio Solar da Bayleef.

— Como exatamente ela tem um ataque tão forte?

Meiko sorriu para mim, divertida. Às vezes eu amava e outras vezes odiava aquele sorriso. Como um Pokémon podia sorrir daquele jeito?

— Tirei a sorte grande no Game Corner.

Nós olhamos para frente, eu liberando o Ralts. Ele já saiu usando o Confusão e percebi que era seu único movimento além de Teleporte.

Ralts e Bayleef não duraram muito. Respectivamente atingidos por Assustar e Ataque de Asas, ficou difícil ter esperanças de uma vitória. Growlithe fazia seu máximo, mas estava envenenado e fraco. Meiko e eu começamos a recuar, retornando nossos Pokémon derrotados. Enquanto os adversários derrotados eram substituídos sem haver um fim.

Liberei Sawk. Adiava ainda mais um encontro com Charmander.

— Uma hora vai ter que falar com ele.

Growlithe usou Brasas em um Zubat e o derrotou. Sawk usou Quebra Telha em outro o jogando contra o chão.

— Não se esqueça que eu não tenho a mesma capacidade que você tem.

Ela olhou para mim, o sorriso sumindo. Mas pareceu mudar de ideia quanto a responder e voltou a olhar para frente.

Ao mesmo tempo que o Crobat usava Ás dos Ares nos dois Pokémon. Growlithe foi jogado contra a parede, desmaiado, enquanto Sawk foi atingido no meio da barriga, sendo jogado em minha direção. Eu retornei ele antes que nos atingisse.

Meiko deixou Growlithe ali, mas parecia extremamente preocupada.

— Preciso pegar meu último Pokémon na bolsa.

Último? Eu fiz minhas contas.

— Você não tem mais nenhum.

Liberei Squirtle, que me protegeu de um Ataque de Asas com o Giro Rápido, mas por estar com pouca vida depois da última batalha, aquele mínimo impacto o derrotou.

Merda.

Retornando Squirtle e liberando Charmander, pude vê-la correndo na minha direção, realmente segurando uma Poké Ball.

— Capturei ele enquanto você dormia.

Ela liberou o Pokémon, que era simplesmente uma enorme pedra com braços. Encarei ela cético, enquanto seu Pokémon usava o Arremesso de Pedras, jogando as pedras nos Zubat, e o Charmander, evitando olhar para mim, usava Lança Chamas de forma contínua.

Fizemos um avanço considerável com os dois. Um dos Golbat desmaiou junto com metade dos Zubat. Mas todos eles foram substituídos por novos.

— Mas que...

Antes de terminar meu xingamento, Charmander me interrompeu. Parecia tão irritado quanto eu, atacando furiosamente com seu Lança-Chamas todos os Pokémon à nossa frente. O fogo do seu rabo estava incrivelmente grande. Eu estava surpreso, não do tipo assustado, apenas no nível sem esperar algo tão poderoso vindo dele.

Peguei minha Poké-Dex.

— Labareda... A habilidade dele é Blaze...

Observei Charmander. Ele realmente estava com a vida em pouco. Eu nem mesmo precisava ordenar ataques, ele já decidia por si só. O Crobat, que ficava atrás para não ser atingido, fez várias Acrobacias, desviando do Lança-Chamas e acertando Charmander com facilidade. A saúde de Charmander se esgotou. Ele foi jogado contra mim, mas eu estava tão... orgulhoso que, quando ele bateu contra meu corpo, eu o segurei firme, deixando cair minha Poké Agenda, mas não me importei. Ele olhou para mim.

— Chaar? — Sua voz era baixa.

— Desculpe-me.

Charmander assentiu. Tentei não pensar que ele realmente havia me entendido e o retornei.

— Ele era meu último. — declarei à Meiko, que começava a improvisar e jogar pedras junto com o Graveler. — Se bem que...

Joguei uma Poké Ball em um Golbat que estava fraco. Ela rapidamente o capturou e voltou para minha mão. Eu o liberei e levei a mão ao bolso, para só então perceber que perdi minha Poké-Dex. Meu novo Pokémon se adiantou e atacou sozinho seus antigos aliados. Eu suspirei aliviado.

Meiko e eu começamos a nós afastar, indo de encontro à parede daquele túnel sem saída onde descansamos. Golbat logo foi derrotado, assim como Graveler. Seria o nosso fim?

Encostamos na parede, retornando ambos os Pokémon. Eu tentava esconder o meu tremor, e até conseguia, já ela parecia bem inquieta. Não demonstrava medo, apenas procurava um meio de sair dali. Eu resolvi procurar também, até que fui impedido por um movimento sincronizado de todos os selvagens. Entre tantos ataques que eles tinham, eu nunca esperaria aquele.

Logo um Supersônico.

O som era horrível. Parecia entrar na minha cabeça e destruir tudo ao seu alcance. Eu gritei de dor, mas não ouvia minha voz. Meiko caiu no chão, encolhida e assim como eu tampando os ouvidos, mas de nada adiantava. Aquele maldito movimento parecia atravessar minhas mãos, adentrar no meu ouvido e destruir os meus tímpanos.

Eu caí de joelhos depois de um tempo, não aguentando mais. Minha cabeça doía, eu tinha certeza, mas a dor que vinha da minha orelha interna a reprimia por completo.

Abri um dos meus olhos. Não sei se era possível, mas minha visão estava embaçada depois do movimento sonoro. Vi uma movimentação vindo de trás dos Zubat e suas evoluções. O formato era meio humano. Ergueu a mão e as linhas evolutivas dos Zubat, junto desses, pararam repentinamente. Eu caí para frente, finalmente parando de apertar minha orelha, mas continuava tudo parecia continuar ouvindo, sentindo e principalmente doendo como se o movimento permanecesse.

Eu levantei com dificuldade e olhei para Meiko. Estava preocupado. Mas ela estava apoiada nos cotovelos, fazendo um esforço para levantar. Nós levantamos e nos sentamos contra a parede. Deixei minhas mãos caírem ao meu lado, até mesmo elas doíam com a força que usei, mas quando reparei, minha mão estava em cima da de Meiko.

Vi ela corar e puxar a mão instintivamente. Eu disfarcei pegando uma pedrinha, mas se minha pele não fosse como caramelo como era, ela veria que eu também estava corado.

— Já chega, Zubat, vão embora e aproveitem o restante da vida de vocês. — Era uma voz feminina, estava baixa pelo apito no meu ouvido.

Olhei para quem quer que fosse. Espantava os Zubat com desdém. Sua roupa se constituía de conjunto, uma jaqueta de couro branca, com o zíper e algumas listras nas laterais dos braços sendo vermelhas, o capuz, que não estava sendo usado, tinha suas pontas de mesma cor e era de um cinza claro. Sua calça legging era da mesma tonalidade de cinza com as mesmas listras, mas mais escuras. Seu tênis era preto e vermelho.

O que mais me chamou atenção foi uma espécie de símbolo na jaqueta, em direção ao coração. Era um círculo, e bem elaborado. As bordas eram avermelhadas, havia, em espaços padronizados, retângulos que seguiam, apesar de não chegar, ao meio da circunferência. E era neste centro que havia uma espécie de pedra meio amêndoa, mas que mudava para vermelho e depois um rosado conforme eu observava.

Ela nos avaliava com nojo, seus cabelos eram castanhos, seus olhos de um roxo misterioso, que lembrava vagamente os tipo Fantasma, mas eu estava mesmo interessado no símbolo. Onde é que vi algo parecido?

Já Meiko não parecia prestar atenção nas aparências. Apoiando-se na parede para se erguer, com dificuldade, ela enfrentou a mulher sem medo.

— Eu sabia que havia algo errado. — Mei fechou as mãos com força, como se estivesse irritada. E mesmo que sua voz ainda estivesse instável por ela própria não poder ouvir direito, assim como eu, não deixava de demonstrar aquela mesma irritação. — Aqueles Zubat nunca estariam tão assustados e furiosos sem motivo algum. O que você fez com eles?!

Enquanto eu me forçava a levantar para apoiá-la, apesar de ter certeza de que não era nossa melhor escolha, a mulher riu. Uma risada fria e cruel. Depois indicou o próprio Crobat com indiferença.

— Eu felizmente consegui uma utilidade para este Pokémon. Ele usa a própria capacidade sônica para controlar suas pré-evoluções.

— Mas por que atacar a gente? Não fizemos nada! — reclamei.

Queria acrescentar que pelo menos eu não havia feito nada, mas não pude fazê-lo. Meiko havia lançado um olhar feliz para mim quando me viu a defendendo.

— Contra mim, não.

Eu estava prestes a perguntar o que ela queria dizer com aquilo, até que ouvi uma outra voz, vinda da entrada do túnel.

— Agora eu entendo porque o Segundo Líder diz que você enrola muito, JH.

O homem andou até o lado dela. Sua roupa era quase idêntica, mudando apenas para uma calça moletom. O mesmo símbolo, as mesmas cores, tudo igual. A diferença é que ele parecia ter uns dois metros de altura. Era corpulento. Quase lembrava o aspecto de uma mistura de Machoke com tamanho de Blaziken.

— Eu gosto de me divertir. — respondeu ela, dando de ombros.

Meiko não mudara em questão de raiva, mesmo que o cara fosse enorme.

— Quem são vocês e por que nos atacaram?!

O grandalhão não pareceu gostar do modo que ela falou. Fez uma careta, mas quem respondeu foi a tal de JH.

— Somos quem queremos ser e fazemos o que somos ordenados.

Meiko estava tão fria, e eu tão assustado, que eu me sentia uma parede afetada por um terremoto e ela um Pokémon que lutava contra quem provocava o terremoto.

— Isso foi uma frase tão forte quanto ele é pequeno. — Ela apontou para o gigante na minha frente.

Os dois adultos se irritaram. O Armário ameaçou a ir em direção à ela, mas foi impedido pelo braço de JH.

— Espere, CG, vamos retribuir do modo que aprendemos na T.O.

Eu estava tão perdido entre tantas siglas que não percebi o grandalhão assentindo e indo até Meiko. Ela tentou se afastar, mas havia a parede atrás de nós. Ele arrancou com violência uma das Poké Balls do cinto dela. Depois veio na minha direção. Senti vontade de recuar, talvez até sair correndo, mas não fiz nada enquanto ele arrancava uma Poké Bola do meu cinto também.

Ele se afastou. Tinha no rosto a mesma expressão que a aliada, um sorriso frio e maligno. Eu senti um aperto no peito, já reconhecendo a Ball que ele pegou.

O que aconteceria com meu Golbat?

Olhei para Meiko, ela parecia desolada.

— Greevy...

Levei um longo momento para perceber que ela se desesperava pelo também novo Pokémon, Graveler. O homem liberou os dois Pokémon e entregou a Poké Bola de Greevy para a mulher. Tanto Graveler quanto Golbat pareciam completamente confusos com o que estava acontecendo. Os dois adultos misteriosos deram Revives a eles para recuperar suas energias. Eu já não sabia se aquilo era algo bom.

Vi pelo canto do olho Rex correndo até Meiko, que o pegou no colo e os dois assistiram, aflitos.

Fitei a mulher quando levou a mão aos bolsos, tirando um objeto que nunca vi na vida. Era redondo, preto nas bordas e com uma luz roxa no centro, pareciam algum tipo de tecnologia portátil.

A mulher se aproximou de Golbat, que hesitou. Ela o pegou pela asa de maneira rude e mesmo com meu Pokémon se contorcendo em suas unhas e tentando morder ela encostou um dos objetos na parte interior da asa dele e ele deu o que pareceu um grito de dor.

A mulher, com um sorriso maligno que eu nunca havia visto em ninguém, soltou meu Pokémon. Ele se debateu no ar por um momento, até que a energia roxa que era liberada por aquela estranha tecnologia o envolveu por completo e ele parou de repente, apenas se mantendo no ar com leves batidas das asas, estranhamente ficando ao lado de JH como se ela fosse sua treinadora.

Enquanto isso, o grandalhão do CG fazia o mesmo com Greevy. Colocou o objeto nas costas do Graveler quando o mesmo tentou fugir até Meiko. O Pokémon até conseguiu ir até ela. Mei, desesperada, o abraçou firme, como se quisesse protegê-lo daquelas pessoas.

Ela não percebia a energia envolvendo Graveler.

Quando esta terminou seu caminho, ele empurrou a treinadora e andou até o lado de CG, que deu um sorriso orgulhoso. O mesmo orgulho que devia dar a ele o tamanho que tinha. JH foi a primeira a explicar.

— Esses Pokémon agora obedecem às nossas ordens. Se eu mandar eles matarem vocês, eles matarão, então é bom controlarem suas boquinhas a partir de agora. — Ela olhou para os dois novos Pokémon. — Graveler, prepare seu ataque mais forte, Golbat, seu movimento de causa Confusão. Estejam prontos para qualquer comando meu.

Como se num acordo silencioso, tanto eu quanto Meiko fizemos silêncio total. Os inimigos pareceram satisfeitos. Mas um de nós quebrou o silêncio. E pela primeira vez, eu não fui o tagarela.

— Por que estão fazendo isso?

— Acho que já respondi essa pergunta, mocinha.

Meiko respirou fundo e olhou nos olhos deles. Quando ouvi sua pergunta, eu olhei de mesmo modo para eles. Eu também queria muito saber.

— O que vocês querem?

CG e JH se entreolharam. Mesmo que sendo seguido de um estalar de dedos da mulher, dando o comando esperado pelos Pokémon, a palavra que o grandalhão falou, não sei se foi sua voz ou sua resposta, me fez estremecer.

— Vocês.

Notas finais
Primeiramente... Gomennasai! O capítulo realmente ficou gigantesco! Tem o dobro da minha média! Mas prometo que tentarei voltar ao tamanho normal, caso isso incomode vocês! Agradeço a todos que têm acompanhado até aqui e até mesmo esperado meses, pois é o tempo que eu infelizmente demoro a postar... Etto... Gostaram? Odiaram? Digam-me num comentário! Querem me matar por este final? É só comentar que eu já tenho um infarto do tipo Death Note! Rs Obrigada por lerem e tenham uma boa semana!