League of Legends: Yasuo, O Imperdoável
1 Capítulo 1: Uma Espada sem Bainha
—Yasuo, acorde! Hoje é o grande dia, irmão! —Exclamava o jovem Yone, irmão mais novo de Yasuo, e um de seus maiores admiradores.
Yone é um esforçado guerreiro da Academia de Espadachins de Ionia. Apesar de seus grandes esforços para ser notado entre seus mestres, o jovem sempre viveu às sombras de seu irmão prodígio. Nunca desanimando, Yone sempre buscou seguir os passos de Yasuo, almejando um dia se tornar como ele.
—Então, já chegamos ao dia...? —Perguntava Yasuo com sua comum ressaca matinal, já acostumado com a animação de seu irmão mais novo.
—Vista-se, depressa, Yasuo! Não podemos nos atrasar para chegarmos à Academia hoje! —Falou Yone apressadamente, num dialeto mais confuso e variado que dos honoráveis anciãos Ionianos, atirando a endumentária de seu irmão ao redor de seu leito.
—Irmão, você se preocupa demais. —Yasuo levantou-se e alcançou uma garrafa de saquê estratégicamente posicionada ao lado dele.
—Você vai mesmo beber hoje? —Yone suspirou enquanto falava, diminuindo a velocidade de seu discurso. — Não acho uma boa ideia. O mestre Yi disse que o álcool debilita o nosso julgamento durante as batalhas.
—Todo guerreiro tem seu patrono, irmão, aquele que te dá luz e proteção durante seus combates mais importantes. Eu tenho dois: Minha espada e minha bebida. —Vestiu sua túnica e guardou a garrafa entre um de seus bolsos.
Yone franziu o rosto, desapontado com o ego inflado do irmão que tanto admira.
—Muito bem, vamos andando. Está um belo dia lá fora, e não quero que sejamos os últimos a chegar. Vai estar um verdadeiro tumulto na Academia.
—A propósito, quem é esse tal de Yi que você tanto fala? —Perguntou Yasuo, enquanto os irmãos se dirigiam ao templo.
—É um dos principais representates da arte antiga do Wuju. Ele tem uma reputação imensa na Academia com os mestres, então trate de respeitá-lo.
—Wuju...? —O guerreiro achou graça da fonética da palavra nova que havia descoberto. —...É pra jacu?
—Muito engraçado. Saiba que ele vai estar assistindo você durante sua prova para avanço de título. —Yone apressou o passo.
—Assim espero. Mas eu nunca ouvi falar dessa tal arte.
Os irmãos seguiam o caminho subindo uma pequena montanha até o templo da Academia, com um agradável vento sempre os acompanhando, ou sempre fugindo, para a visão de outros. Ao canto direito da estrada, podiam se enxergar as cachoeiras que desciam e faziam curvas pela bela montanha. As cerejeiras exibiam com orgulho suas flores de mais belos e variados tamanhos, e a grama nunca pareceu tão verde. As construções e os aldeões faziam barulhos em sincronia de um povo em progresso. Ionia, de fato, era uma das paisagens mais bonitas em Runeterra.
—Ora, que alívio. A Academia não está tão cheia quanto eu havia pensado.
Entre as belas construções de madeira organizadas pela vila, uma se destacava. Essa era a Academia de Espadachins de Ionia, principal instituição formadora de novos guerreiros para a nação. As paredes eram construídas em mármore, e portões com os símbolos da Academia podiam ser vistos unidos às águas das cachoeiras. O portão principal era composto por um ferro extenso, e as muralhas davam uma vista privilegiada para o horizonte.

Yone foi o primeiro a entrar na Academia, logo depois veio Yasuo. Assim que Yasuo chegou, todos os olhos dos presentes guerreiros se viraram para o homem. Boa parte da conversa havia se dissipado, e se transformado em sussurros pouco disfarçados. Era como se até o vento fosse um holofote para a presença do guerreiro no templo. O mestre ancião se encontrava sentado o tempo todo, e começou a falar:
—Filhos de Ionia, sejam bem-vindos.
—Choryo! —Todos os guerreiros presentes direcionavam sua atenção e saudavam o mestre.
—Tenho a graça de apresentar à vocês um de nossos principais apoiadores, por favor, saúdem o Mestre Yi, representante da Arte Wuju.
—Choryo! Os guerreiros saudaram Yi.
—Choryo, filhos de Ionia. Estou feliz em observar o desenvolvimento de vocês por hoje.
Após a saudação inicial, as conversas voltavam aos ares da Academia, mas os olhares para Yasuo ainda não haviam cessado.
—Mestre Yi! —Yone se dirigia até o espadachim Wuju, puxando Yasuo pelo braço. —É uma honra tê-lo aqui em nossa humilde Academia.
—É uma honra ser recebido desta forma, caro Yone.
Yone e Yi curvaram-se, seguindo o código de honra Ioniano.
—Mestre Yi, este é Yasuo, meu irmão mais velho. Yasuo irá realizar sua prova para aumento de título hoje.
—Ah, sim. Ouvi muito falar de você e suas habilidades. É uma honra finalmente conhecê-lo.
Yi curvou-se ao guerreiro, mas Yasuo manteve-se de pé.
—Sim, bela... espada... botas? —Yasuo observou com cinismo a estranha arma que o mestre tinha junto dele.
Yone ia repreender seu irmão por sua atitude, porém Yi o interrompeu antes que ele pudesse dizer algo.
—Infelizmente, creio que não poderei assistir a promoção de Yasuo. Hoje, conhecerei uma jovem ninja da conhecida ordem Kinkou, a qual enfrentarei amanhã para uma amistosa amostra de habilidades para os mais jovens.
—Ninjas... —Yasuo cerrou suas sobrancelhas.
—Sim, eu já ouvi falar dela! —Yone lembrou-se da jovem, com um leve sorriso no rosto. — O nome da moça é Akali. Tão habilidosa quanto é bela.
—Yasuo. —Um pequeno garoto veio até o guerreiro, interrompendo o diálogo dos três. —O mestre chama. Está na hora de sua prova.
—Muito bem, Yasuo... —Yone começou a falar dialetos incompreensíveis novamente. —Esforce-se bastante, irmão.
—Tentarei não machucar ninguém demais, se essa é sua preocupação, irmão.
Yasuo tomou mais um trago de seu saquê e entregou a garrafa para Yone, que o observava ir até o salão de batalha com desapontamento e ao mesmo tempo orgulho.
O guerreiro entrou no salão e se posicionou no centro do mesmo. O salão de batalha era um espaço grande de dois andares, dividido por quatro pilares no centro de cada quadrante. No andar de cima, uma multidão de pessoas observava o lendário guerreiro com admiração e temor, todos querendo ver a prova de avanço de título do jovem. O mestre se encontrava sentado num trono que era iluminado pelo brilho do sol, e por trás do trono, tinha-se uma vista das cachoeiras cercadas pelos portões da Academia.
—Yasuo. —O mestre falou em voz alta, sentado em seu trono e olhando atentamente o discípulo. — Talentoso e forte guerreiro da Academia. O primeiro em uma geração inteira a dominar a lendária técnica do vento em Ionia. Aceite humildemente esta avaliação de combate, e que o vento o guarde e dê sabedoria.
—Eu aceito.
Yasuo empunhou sua espada. A multidão observava atentamente cada movimento do jovem prodígio. Das portas do salão entraram cerca de quinze homens, cobertos por uma pesada armadura de ferro e armados com as mais diversas espadas, que formavam um círculo entre o jovem, cercando-o. O mestre anunciou o início da prova:
—Comece.
Meio segundo depois do início da prova, antes que seus oponentes pudessem reagir, Yasuo impulsiona sua espada em uma velocidade absurda no ombro do oponente que estava a sua frente dos vinte que devia enfrentar. O homem, mesmo coberto por uma espessa armadura é jogado para frente, nocauteado pela imensa força da lâmina que foi concentrada em seu ombro. Após verem sem poderem reagir o ataque do guerrreiro, os quatorze avançam todos ao mesmo tempo em direção à Yasuo. No momento em que eles se preparam para atacar o guerreiro, Yasuo desaparece do círculo cujo se encontrava no meio, para depois ser visto por trás de um dos inimigos. Um dos oponentes tentou alertar seus aliados a posição de Yasuo, porém, antes que pudesse fazê-lo, o guerreiro mais uma vez impulsiona sua lâmina nas costas do oponente, que também foi jogado para frente. O corpo do homem, no momento em que foi atirado, derrubou mais dois do homens que estavam no seu caminho, fazendo os três baterem contra a parede. A multidão do segundo andar soltava interjeições de admiração, parecendo agora mais uma torcida para o guerreiro em combate.
Os oponentes restantes que observavam tudo, ainda nem tinham conseguido encostar-se ao homem. Após o segundo ataque de Yasuo, alguma espécie de vento começou a cercá-lo, soltando sons poderosos e sincronizados com os movimentos do guerreiro. Os guerreiros sentiram-se amedrontados, porém, três deles correram em direção a ele para tentarem atacá-lo. No mesmo momento, Yasuo ostenta sua espada mirando nos dois, causando o vento que o cercava se transformar num turbilhão que seguiu em direção aos guerreiros, que não conseguiram desviar do ataque, sendo levados pelo furacão. Dois dos guerreiros foram levados tão alto que foram parar no segundo andar, enquanto o outro bateu de cabeça em um dos pilares do salão. A multidão soltava gritos cada vez mais animados.
Yasuo, ignorando toda a distração formada pela segundo andar, impulsionou sua lâmina mais duas vezes contra mais dois dos guerreiros que estavam perto dele, o primeiro recebeu um golpe na região do peitoral e outro no ombro direito, jogando os dois para os lados opostos do salão e mais uma vez, ostentando um vento que acompanhava seus movimentos. Antes que os oponentes restantes pudessem apresentar alguma reação, Yasuo pulou numa velocidade imensa ao meio de cinco dos seus oponentes, causando um golpe circular com sua lâmina, parecido com o de um furacão, que atingiu os quatro e os jogou para o ar. Enquanto os cinco ainda estavam no ar, Yasuo bateu sua lâmina ferozmente em cada um dos oponentes levantados, numa velocidade que ninguém da multidão do andar de cima conseguiu acompanhar.
—Sorye Ge Ton! —Yasuo gritou em voz alta um dialeto antigo Ioniano enquanto atingia seus oponentes, como se todos tivessem sido atingidos por um furacão e logo depois por uma feroz tempestade no salão. A multidão torce por Yasuo mais uma vez.
O último dos quinze homens que ainda haviam sobrado ficou com tanto medo que se urinou, molhando o chão do salão e correndo para fora do recinto assustado. A multidão grita o nome de Yasuo, uma vitória nunca teria sido conquistada tão rápida em toda a história das avaliações na Academia.
—Parabéns, jovem guerreiro. —O mestre congrulatou o campeão. —Tenho a honra de oferecê-lo o título de Guardião.
—Guardião...? —Yasuo ofendeu-se com a oferta. —Eu acabei de derrotar quinze dos seus melhores discípulos, e tudo o que eu ganho é um título de guardião?
—Um guerreiro deve avançar humildemente e cautelosamente para o caminho da glória, Yasuo. Por mais talentoso que você seja, seu ego ainda não está pronto para algo grandioso, ou ofuscará a sua sabedoria.
Yasuo ouvindo as palavras do mestre curvou-se respeitosamente diante de sua decisão e deixou o salão, ainda com os corpos dos homens que não conseguiam se levantar espalhados. Estava muito chateado com o título que teria recebido. Esperava ser intitulado como pelo menos um dos principais líderes militares.
—Irmão! —Yasuo ouviu Yone o chamando, correndo até seu encontro. —Meus parabéns! As pessoas disseram que você irá se tornar um homem muito importante para a nação em breve!
—Do que adianta tudo isso irmão? —Yasuo falou enfurecido com Yone.
—Por que está bravo, Yasuo? Você passou no teste. Se tornou um Guardião!
—Eu não sei, Yone! Talvez porque graças aos caprichos de nosso mestre, ainda não passo de um recruta? —Yasuo deu um chute em um dos pilares do templo.
Os dois fizeram um curto período de silêncio.
—Yasuo. —Yone quebrou o silêncio. —Caminhe comigo, há algo que acredito que possa te guiar agora.
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