League of Legends: As Crônicas de Valoran

63 Capítulo 60: O Mestre das Sombras


Notas iniciais
Demorei mas postei. Por muito tempo fiquei sem inspiração, mas escrevi. Espero que gostem dessa maravilha de fim de temporada para o Zed (sim, é a conclusão da lore dele :3).

Capítulo 60:

O Mestre das Sombras – Um ano antes

Zed observava Kinkou pelas sombras, em galhos mais altos das árvores. Ficava quase que agachado, aproveitando o clima para camuflar-se. Dobrar as sombras ao redor também ajudava, assim, era impossível vê-lo.

Chovia bastante de onde ele estava, a água descia e molhava sua roupa, mas ele não se importava. Estava de frente para uma área do templo onde alguns ninjas treinavam, com hastes de madeira onde treinavam reflexos. Via Akali, que usava sua roupa verde de ninja, só que sem a máscara. Ela tinha os longos cabelos escuros soltos, que molhados cobriam parte do rosto. Zed riu ao imaginar que ela treinava os reflexos com o cabelo na frente do rosto, impedindo-a de ver qualquer coisa.

Sorriu e, com a velocidade das sombras, saltou de árvore em árvore e caiu no solo ao lado dela. Automaticamente ela iniciou um chute de direita, um chute alto. Zed se esquivou para trás, mas não se esquivou de um segundo chute que o projetou três metros pra trás, deslizando na grama molhada.

Akali, na posição de luta, rangia os dentes.

– O que faz aqui, traidor? – ela perguntou.

Zed sorriu por trás da máscara. A removeu para não intimidá-la, talvez. Seu cabelo ainda estava levemente grande, a barba juvenil já dava as caras assim como o bigode.

– Você está diferente – ela disse. – O que quatro anos não fazem, não é?

Zed passou a mão direita nos cabelos castanhos, os umedecendo de leve. Não seria tão necessário, pois a chuva logo os deixou encharcados. Eles ficavam na altura do queixo.

– Digo o mesmo – observou-a de cima para baixo. – Faz tempo que não nos vemos, não é?

Akali cruzou os braços.

– Não me importo com sua visita, Zed. O que você fez com Randuin é algo imperdoável – ela deu as costas. – Não quero ser vista conversando com um traidor, desculpe.

– Vim perguntar sobre seu pai.

Akali parou. Virou a cabeça lentamente para o lado.

– O que tem o meu pai?

Zed cruzou os braços.

– Nada. Só que, como você sabe, ele foi expulso, banido da ordem por ser um ninja das sombras – ela se virou por completo, de punhos cerrados.

Akali respirava devagar, fitando Zed com o olhar semicerrado.

– Ele foi culpado por um crime que você cometeu – ela apontava o dedo indicador para ele. – Eu não conheço meu pai por sua culpa, Zed.

Zed sorriu maliciosamente.

– Não minta para mim, Akali. Eu sei que você anda se encontrando com seu pai. Eu vi.

Akali fez uma cara feia.

– Como assim você viu?

– Pode me chamar de perseguidor, mas eu andei te observando pelos últimos dias, pois suspeitei que você poderia estar se encontrando com ele – ele disse. – Eu vi você saindo à noite na floresta, sozinha, e se dirigindo até uma caverna.

Akali botou as mãos na cintura.

– Que tanto interesse é esse no meu pai?

Zed fez uma cara de confusão irônica.

– Não sei, talvez ele queira conhecer o xará.

Akali cerrou os punhos e logo em seguida olhou para trás. Notou algum movimento vindo até ela. Não podia ser vista com Zed, tinha medo de ser dada como aliada dele, mas ele só sairia dali com a informação sobre Myron, e se não conseguisse e fossem flagrados, ele não hesitaria em começar uma briga.

– Eu te levo até lá – ela disse rapidamente a ele. – Mas por favor, saia do meu caminho.

Zed sorriu sombriamente.

– Claro.

Num piscar de olhos ele já havia desaparecido, e Akali pôde respirar um pouco.

[...]

Zed voltou à realidade, acordando de sua meditação. Durante os últimos dias as memórias dos cinco anos anteriores à sua expulsão de Kinkou iam e vinham em sua mente, como devaneios. Sabia que não poderia se desligar mais, pois tinha um exército nas costas. Por sorte, tinha seus aliados que o auxiliariam.

Estava agachado com as pontas dos pés em uma extremidade de um bambu. Estava sem camisa e com uma calça escura, os cabelos sendo úmidos devido à chuva que fazia... Sabia que deveria ficar ali, para refrescar a memória, pois, de alguma maneira, sabia que havia uma parte dela faltando. Alguém havia lhe obstruído as lembranças, um fato em especial estava desaparecido. Deveria saber o que era.

– Pensei que uma chuvinha era o suficiente para refrescar sua memória – Zed mesmo de olhos fechados pôde reconhecer a voz aguda, mas masculina. Kyrie. Abriu os olhos e olhou para baixo, para o garoto que o observava com um sorriso no rosto. De alguma forma ele não se molhava com a chuva, ela parecia atravessá-lo. – Venha, Zed, acho que você já passou tempo suficiente aí em cima.

Zed sorriu e deu um salto, girando no ar e caindo de forma leve e silenciosa no chão de grama e lama. Se levantou, extremamente molhado, enquanto Kyrie estava seco. Foi quando se lembrou daquele garotinho órfão que conhecera em Kinkou, que se tornara um belo jovem, alto e forte. A forma como Kyrie olhava o amigo também mudara, ele todo havia mudado. Tomara uso de uma personalidade diferente, mais afiada, sarcástica e imponente. Seus cabelos eram grandes, na altura do queixo e ele já tinha vestígios de barba e bigode feitos, claro, com alguns cortes e cicatrizes pequenas.

– Me dá nervoso ver a chuva te ultrapassando – comentou Zed. – Não imaginava que você poderia se tornar algo tão... tão forte.

Kyrie deu de ombros.

– Sabia que só atirar shurikens não me faria vencer uma batalha de verdade – ele desapareceu no ar, como se fosse fumaça, reaparecendo de costas para Zed. Ele se virou para sussurrar no ouvido do amigo. – Por isso aderi às sombras.

Zed ergueu o punho para soca-lo, mas seu punho o atravessou. Kyrie reapareceu do outro lado, rindo.

Zed riu junto.

– Talvez, vencê-lo seja difícil.

– Se você continuar hesitando, talvez – respondeu Ky. – Vamos voltar para o nosso templo.

[...]

Após os eventos de Randuin, onde Zed persuadiu os seus ninjas a se voltarem para o lado negro, ele conseguiu um local de treino melhor do que a antiga mansão, que tinha espaço para menos da metade dos novos recrutas. Pensando nisso, Zed tomou uma nova moradia, um templo escondido nas matas de Navori, uma área ao sul de Ionia.

O templo era grande, mas não tão grande quanto Kinkou. Ele era escondido nas densas matas, então, era difícil de ser localizado.

Quando voltaram ao templo, Zed e Kyrie viram um evento interessante: alguns dos novatos iniciaram um combate em meio à chuva. Os dois lutavam com adagas idênticas às de Zed, mas sem qualquer tipo de proteção. Ao redor, outros novatos assistiam à batalha, que era entre um garoto de dezessete anos, a mesma idade de Kyrie, que tinha cabelos escuros e curtos e olhos cinzentos, sem camisa e com uma calça preta, e o oponente era uma garota de dezesseis, cabelos escuros presos num “rabo-de-cavalo”, que usava uma espécie de parte superior de um biquíni e uma calça preta, também.

– O que estão fazendo? – perguntou Zed.

Kyrie sorriu.

– Estão batalhando, não vê?

– Não é disso que estou falando – franziu a testa. – Os dois, além de usarem a mesma arma que eu, atacam da mesma forma.

Zed não tinha muito tempo para supervisionar seus aprendizes. Ele ensinava técnicas, ajudava-os a praticar, mas o resto era com eles. Não imaginava que alguns deles o seguiam tão fielmente, chegando ao ponto de lhe imitarem.

Mesmo assim ele sabia os nomes deles. Se chamavam Luke e Leia, e eram gêmeos. Os dois lutavam de forma tão veloz que lembrava a Zed, suas batalhas contra Shen.

Foi quando as memórias antigas se uniam com o que ele via naquele momento, lhe levando à um momento de sua vida no qual o fez se perguntar sobre seus verdadeiros ressentimentos. Lembrou-se de quase todas as vezes que batalhou contra seu rival, todas as vezes que perdeu e todas as vezes que deu empate, que foram poucas.

– Foi uma ótima luta! – exclamava o jovem Shen, sorrindo. Ele estendeu a mão para Zed, que, no chão e com raiva e ressentimento, o olhava com ódio. – Pegue a minha mão – estendeu-lhe a mão com um sorriso sincero.

Zed não entendia por que ele continuava sendo gentil com ele, não entendia mesmo. Não era para ser daquela forma. Queria que Shen se sentisse como ele se sente, com raiva. Queria ter um motivo para odiá-lo além das lutas que ele ganhava, mas não conseguia. Sempre voltava à estaca zero.

– Sente-se conosco, Zed – propusera Shen uma vez.

Zed hesitou, mas, sem dizer uma palavra sequer, seguiu. Sentou-se ao lado de Shen, na mesma mesa de Akali, Kennen e Haruka. As duas pareciam sempre querer sentar ao lado dele, mas no momento em que Zed sentou-se de um lado, e Haruka de outro, Akali o olhou de uma forma que parecia que iria fuzilá-lo. Zed sentiu medo de uma garota pela primeira vez.

– Zed...? – ela fez uma cara de confusa. – Sentando conosco, que milagre é esse?

Shen riu.

– Zed não anda com muitas pessoas além do Kyrie, então eu pensei que...

– Pensei que essa fosse a mesa dos vencedores, não? – zombou Haruka.

Zed nunca imaginou que a loira pudesse, um dia, ser uma aliada tão poderosa. Mas, exatamente naquela época, ele a odiava. Ela sempre fora ardilosa e venenosa como uma cobra, e, como ele não era de muitos amigos na época, ela pisou nele dezenas de vezes.

Shen olhou para Haruka com uma cara que mostrava seu desprezo por aquele comportamento dela.

– Zed luta bem, ele merece reconhecimento – voltou-se para Zed com um sorriso no rosto, um sorriso jovem e sincero, que jamais esqueceria. – Quero que você vença, por isso, se esforce bastante. Ninguém fica forte sem treino, ok? Se quiser, eu mesmo posso te ajudar...

Zed bateu um punho na mesa com força, chamando a atenção de todos ali. Levantou-se da mesa, pegou sua comida e saiu de lá, indo o mais longe possível. Shen viu ele ir embora sem entender o que se passava na mente do “amigo”, sem saber que um sentimento obscuro se formava em sua mente.

Quando voltou à realidade, Zed viu que a batalha havia terminado como empate. Os dois irmãos estavam cansados demais para continuar a lutar, por isso, pararam e sorriram um para o outro.

A chuva parara, e Kyrie sorrira.

– Vamos lá, Zed. Dê uma palavra a eles! – Kyrie pegou na mão de Zed e o puxou para perto da mini arena enlameada na qual os gêmeos batalharam.

Zed hesitou, parando ali mesmo. Puxou a mão de Kyrie com força bruta, deixando o amigo intrigado.

– Ainda assim? – perguntou Kyrie. – Eles são seus maiores admiradores, você deveria...

– Não! – ele gritou. – Até que eu esteja totalmente vestido, eles não precisam me ver dessa forma.

Kyrie fez uma expressão triste.

– Me dói ver que todas essas cicatrizes no rosto não lhe agradam à aparência. Eu as acho lindas, elas representam o guerreiro que você é – fez uma pausa, analisando cada cicatriz, seja ela antiga ou recente. Ele as tinha por todo o corpo, principalmente no peitoral. – Ele está te fazendo mal, não está?

Zed deu às costas para Kyrie.

– Peça a eles que desfaçam essa mini arena até que eu volte com a máscara – disse. – Ameace-los, diga que eu irei puni-los... faça qualquer coisa.

Kyrie cruzou os braços.

– Claro, por que não?

Zed afundou para dentro de sua sombra. Começou a deslizar pelo chão, em direção ao templo. Iria, escondido, chegar ao seu quarto. Kyrie viu aquela sombra passar pelos jovens e eles nem perceberem.

[...]

Zed voltou para um ano atrás, quando Akali o levou até o pai. Ela, mesmo um pouco hesitante, aceitou o guiar até lá, pelas sombras, é claro. Os dois saltavam pelos galhos da imensidão verde de Ionia, e Zed percebeu o quão habilidosa ela se tornara. Ela pulava, girava, rodopiava no ar se necessário, e tudo com uma destreza poderosa. Ele só pisava num galho e tomava impulso para o próximo, enquanto ela conseguia fazer tudo aquilo e mais um pouco.

É uma armadilha?, Zed perguntou mentalmente.

Não, respondeu Escuridão. Ela te levará até o pico de sua vingança.

Os dois desceram até uma estrada próxima, feita só de terra. Seguiram, correndo. Devo matá-la?, perguntou Zed. Sei que ela será de extrema importância, podendo me matar no futuro.

Deixe-a viver e você terá sua vingança, mas mate-a e morra pelas mãos de Shyon.

Zed não entendeu o que o ser obscuro estava tentando lhe avisar, mas deixou para matá-la depois. Escuridão estava tentando lhe alertar algo, só não sabia o que. Deveria confiar nele, pois mesmo sendo um ser sombrio, ele já o salvara várias vezes.

Akali parou em frente a uma caverna, depois ela se virou para Zed.

– Ele está aqui. Irei voltar para Kinkou antes deles darem conta de que eu sumi – colocou uma mão no ombro dele e o olhou nos olhos, mesmo que estes estivessem ocultos pelo visor avermelhado da máscara. – Nunca, jamais, conte a qualquer outra pessoa que eu te ajudei nisso. Eu também quero justiça, duvido que você consiga a fazer, mas a partir de agora eu “lavo minhas mãos”.

Ela correu e saltou para a árvore mais próxima, desaparecendo na extensa flora ioniana.

[...]

Voltando à realidade, Zed se viu na cama com Haruka. Realmente nunca se imaginou como amante dela, ou ela como a sua. Durante os últimos anos ela vinha se redimindo, sendo uma das melhores aliadas do clã das sombras. Ela era bonita e habilidosa, tirando o fato de ser rápida.

Zed se levantou, ainda nu, e foi até a estante mais próxima onde pegou uma jarra d’água e despejou o líquido num copo. Enquanto bebia observava-a enquanto ela dormia. Era realmente linda. Seus longos cabelos loiros espalhados pela cama, seu rosto claro, sua pele clara...

Zed sabia que seu encontro com o destino estava chegando. Tudo o que Escuridão o havia ensinado estava mais fácil de se entender. Entretanto, a presença do ser sombrio não era mais tão frequente, talvez por que Zed já devesse ser maior de idade, um líder mais competente do que o de quatro anos atrás. Mesmo assim o plano com Randuin foi bem arquitetado, tirando pela parte do filho morto.

Zed não queria matar aquele jovem inocente, não era parte do plano. Sabia que se o matasse, a magia de Karma o ressuscitaria, mas como os outros duelos não foram tão sangrentos, não se pôde ver que a magia não estava presente. Foi um choque matar o garoto, mas foi uma lição. Mais cedo naquele dia, Escuridão lhe dissera que jamais poderia prever tudo, que ele nunca era a única mente pensante num plano daqueles. E estava certo.

Foi quando se lembrou de Karma dizer: “Um dia você verá quem Nocturne realmente é. E quando souber, será tarde!”. Zed sentiu um calafrio só de lembrar. A forma como ela o chamara lhe surpreendia. Desde o primeiro encontro, Escuridão não lhe dissera o verdadeiro nome. Seria esse nome Nocturne? Quem seria Nocturne? Tinha medo de nunca descobrir e seguir fielmente uma força sobrenatural das trevas. Mas não devia temer nada, pois ele já estava na escuridão.

Zed já não temia o caminho escuro. Sabia o que deveria fazer para saber quem Nocturne ou Escuridão realmente era. E faria aquilo a partir dali.

Foi até a cama de Haruka e lhe deu um beijo na testa. A amava, mas amava alguém mais do que ela. Iria sair, ir se encontrar com duas pessoas em especial. Uma delas seria ela, Syndra, disso sabia.

[...]

Kyrie observava uma social feita por alguns dos ninjas no pátio do templo. Não era muito comum, ninjas das sombras brincarem e se divertirem, mas quando Zed saía, todos “comemoravam”. Tinham um tremendo respeito por ele, mas também tinham medo. Tinham medo de serem mortos como o filho de Randuin, e serem atacados como o próprio.

No pátio do templo havia uma arena de areia e alguns bastões com tochas. Vários ninjas ficavam ao redor, torcendo, enquanto dois lutavam ao centro. Era uma batalha interessante, levando em conta que um parrudo estava invicto por três rodadas.

– Está pensativo, esta noite – dissera alguém.

Kyrie se virou e se deparou com Haruka, com os longos cabelos loiros e lisos soltos, e um manto rosa com desenho de cerejeiras decotado. Olhou para ela de soslaio, de braços cruzados, depois se voltou para o torneio.

– Só estou preocupado – ele respondeu secamente.

Haruka olhou para cima para olhá-lo.

– Preocupado com...?

Kyrie deu de ombros.

– Nada em especial. Tirando o fato de que Zed sumiu sem dar notícias... nada.

Haruka sorriu maliciosamente.

– Sinto saudades de quando você era só uma criança.

Kyrie bufou.

– Comece a se acostumar com o novo eu, coleguinha.

Ela cruzou os braços, ainda maliciosa.

– Claro, não só me acostumei como te entendo – fez uma pausa. – Sei como é amar e não ser correspondida. Sofri muito disso com Shen. Pensava que enquanto Kennen estivesse por perto, ele e Akali nunca tomariam o próximo passo. Mas quando Kennen se machucou após a sua luta com ele e demorou a sarar, já que yordles são assim, Akali ficou sofrida com a quase morte de Shen pelas mãos de Zed e, sozinhos, os dois se beijaram.

Kyrie franziu a testa.

– Primeiramente, aonde você quer chegar? E segundamente, você nunca me contou isso. Foi depois do banimento de Zed?

Ela fez que sim.

– Estou dizendo que após esse evento, eu decidi que meus esforços para agradar Shen jamais seriam melhores que os de Akali – ela suspirou. – Por isso fugi de Kinkou e me uni a Zed. De alguma maneira, Karina e Dan quiseram me seguir.

– Ainda não entendi aonde quer chegar – Kyrie já estava impaciente.

Haruka ficou na ponta dos pés para sussurrar algo ao ouvido de Kyrie.

Estou dizendo que tudo bem se você está apaixonado pelo Zed, mas lembre-se de que ele já é meu, ou seja, faça que nem eu com Shen: esqueça-o e procure outra pessoa – ela recuou um passo, olhando nos olhos apavorados de Kyrie com um sorriso maligno. – Passar bem – deu as costas e foi embora.

[...]

Zed adentrara à caverna de Myron após Akali ir embora. A caverna era grande e iluminada com várias tochas penduradas nas paredes. Haviam estalactites no teto e extremidades pelas quais gotejava água num pequeno lago. Aquele parecia ser só o hall de entrada da caverna, pois Zed podia ver um buraco-porta do outro lado do lago. Havia uma espécie de ponte que circulava o lago. Zed via tudo avermelhado com sua máscara, por isso a tirou. Seu rosto ainda não tinha cicatrizes, só uma, na verdade. Seguiu andando pela ponte, indo para o outro lado.

Ouviu o som de alguma coisa metálica cortando o vento e indo em sua direção. Brandiu sua garra para a frente, se defendendo de uma adaga voadora. Logo outras vieram da mesma direção, sendo lançadas da escuridão do teto.

Zed saltou para trás.

– Quem está aí?! – perguntou, jogando a máscara de lado, num canto onde ela não quebraria.

Ouviu uma risada.

– Você está nos meus domínios e ainda pergunta? – a voz ecoava pela caverna com mais intensidade que a de Zed.

Um homem caiu do teto, em pé. Ele estava sem camisa e com uma calça que lembrava a de Zed. Tinha cabelos negros curtos, barba e bigode, era musculoso, com pelos no peito, e tinha algumas adagas no cinto. Tinha duas maiores nas mãos. Ele tinha olhos verdes e um sorriso do qual Zed já conhecia.

– Myron – ele disse. – Eu vim vê-lo.

Myron franziu as sobrancelhas.

– Sinto que já te vi antes – parecia analisar Zed. – Talvez já o tenha visto, mas não vem ao caso. Por que veio até minha caverna? Veio me matar?

– Não! – Zed arregalou os olhos. – Eu vim...

– Por que se vier me matar, irá se arrepender! – apontou-lhe uma das adagas maiores.

Zed balançou as mãos.

– Não, eu não vim para isso. Tente me entender, fui banido por Kinkou por me envolver com técnicas sombrias, e você também, não é?

Myron se moveu e, em um instante já estava com uma lâmina pressionada no pescoço de Zed. Um movimento seria um corte. Zed ficou imóvel, pela primeira vez em anos fora subjugado.

– Eu nunca me envolvi com as trevas, não eu – ele tinha uma expressão sombria, mesmo que não fosse o ninja sombrio. – A caixa estava selada quando você a abriu, aposto. Ela só abre para aqueles de intenções malévolas. Por que acha que não lhe devo matar aqui e agora?

Zed se afastou da lâmina o suficiente para poder falar.

– Se você me ajudar, me treinar, posso te ajudar a se vingar de Kinkou por ter te banido injustamente e ter feito com que você não pudesse cuidar de sua filha desde o começo – as palavras de Zed eram totalmente persuasivas, com um toque de magia sombria de Escuridão, foi impossível não mudar o pensamento de Myron.

O homem retirou a lâmina de perto do pescoço de Zed, ficando parado à sua frente com uma triste expressão.

– Kinkou tirou de mim as duas coisas mais importantes pra mim: minha esposa e filha – ele engoliu em seco. – Ando vendo Akali durante os últimos anos, mas não Kelsen. Ela está a muito tempo presa no conselho. Ela pensa que estou morto, e mesmo que Akali a conte onde estou, alguém pode ouvir. Alguém pode contar a ele.

Zed franziu a testa.

– A ele quem?

– Shyon.

[...]

Kyrie esperara a volta de Zed pela última semana, mas nada. Nada de notícias sobre ele. Já estava ficando preocupado que ele não voltasse mais, pois os ninjas esperavam. No céu, nuvens espessas e escuras denunciavam uma chuva poderosa que viria. Todos os ninjas voltavam para dentro do templo, Dan organizara um treinamento coletivo de uso de bastões, ele e Karina, que eram bons nisso.

Enquanto via o treinamento dos jovens ninjas, Kyrie pensava no que diabos teria acontecido com o mestre. Estava extremamente preocupado, com medo de que Myron pudesse ter feito algo. Nunca havia confiado naquele homem, não tanto quanto Zed confiou. Tinha medo de que ele pudesse ser forte o suficiente para matar o mestre.

– Não posso ficar parado esperando ele voltar – disse a Dan após os treinos.

Dan trocava de roupa após o banho e parecia nada preocupado.

– Você deveria confiar mais em nosso mestre, Kyrie – ele chegava a rir enquanto enxugava suas partes íntimas.

Kyrie estava apoiado na janela do banheiro, de costas para Dan.

– Você deveria ter mais fé – comentou Dan. – Zed é o melhor duelista que já conheci, ele pode se virar sozinho.

– Não é questão de fé, Dan, é questão de pressentimento – cerrou os punhos –, e eu tenho um mau.

Dan coçou a cabeça.

– Não entendo esse seu cuidado excessivo com o mestre – balançou a cabeça. – Não entendo mesmo.

Kyrie se virou, mas ao perceber que Dan ainda estava nu, voltou a olhar para a janela.

– Por que diabos você ainda não se vestiu?!! – exclamou.

Dan começou a rir.

– Eu sabia que isso ia acontecer e também sabia que seria engraçado.

Kyrie socou a sacada da janela e se tornou uma sombra, avançando rapidamente em Dan. Apontou o dedo para o peito dele, com uma expressão irritada e determinação nunca vista antes.

– Se tem certeza de que nada aconteceu com o mestre, vamos lá, nós três, eu, você e Karina, procura-lo em Ionia – recuou, parecendo mais calmo. Olhou para baixo e depois para o rosto de Dan. – Termine logo isso, francamente.

Kyrie desapareceu numa sombra.

[...]

Kyrie, Dan e Karina se encontravam no topo de uma montanha que dava uma ótima visão de Zed. De certa forma ele sabia que ele poderia ter ido à cidade ver alguém, por isso pediu eu Karina fosse verificar o templo de Syndra, e Dan algumas áreas da cidade, onde o rastro de Zed podia ser sentido.

– Acha mesmo que o mestre possa estar na cidade? – perguntou Dan. – Não faz sentido ele voltar pra cá.

– Faz sim! – retrucou Kyrie, se impondo a Dan, algo que jamais faria anos atrás. – Ele pode ter ido ver Syndra, e pode ter permanecido na cidade por um tempo.

Dan fez uma expressão confusa.

– Por que ele faria isso?

Karina bufou.

– Cale a boca e vá, seu idiota! – ela não era do tipo paciente. – Vou ver no templo da garota, Kyrie vai ver na caverna de Myron, e você – apontou para Dan –, tome cuidado.

Dan sorriu.

– Eu sempre tomo.

Ele sacou sua naginata e a transformou em uma nuvem de sombras, compactando-a. A qualquer momento poderia pegá-la de volta. Ele vestia couro preto dos pés à cabeça, e um colete (também de couro) sem mangas, deixando seus braços musculosos à mostra. Ele também tinha um capuz que cobria parte do rosto. Ele saltou em direção à cidade.

Kyrie trajava uma roupa de couro parecida com a de Dan, só que com mangas longas, um cachecol que cobria a boca, botas, luvas, algumas shurikens em um cinto, os cabelos negros ao vento e lentes de contato vermelhas.

Karina usava um manto negro típico de ninjas sombrios, com uma única mudança: seus cabelos ruivos estavam presos num coque acima da cabeça, presos com uma fita vermelha. Seu bastão Bo estava em mãos.

– Tome cuidado com Myron – ela disse para Kyrie. – Caso Zed não esteja lá, não fique muito tempo conversando com ele. Ele já perdeu tudo, o que fizer de ruim não faz diferença.

Kyrie sorriu.

– Obrigado por se preocupar comigo, Karina, mas eu sei me virar. Myron pode ser extremamente habilidoso, mas não é um ninja das sombras de verdade. Não poderá me deter.

Ela suspirou, como se estivesse aliviada.

– Fico feliz em ver que você cresceu, jovem Kyrie.

Karina criara uma amizade com ele durante os anos seguintes ao incidente de Randuin. Os dois sempre se ajudaram em aprendizado de técnicas e treinamento. Se Kyrie era um ótimo mago/ninja das sombras, era por causa dela, que o estimulava a treinar mesmo quando só queria saber de brincar.

– Vou ver o templo de Syndra agora – ela anunciou. – Terei sorte se não for reconhecida.

– Desde que você mantenha esse bastão longe da vista dos guardas, talvez não seja – respondeu Kyrie.

Kyrie a viu saltar montanha abaixo, rumo ao templo. Poderia parecer que Dan e Karina estavam indo ao mesmo local, mas não estavam. Eles sabiam possíveis locais nos quais Zed pode ter ido, ou ter sido levado. Kyrie sabia que Zed jamais seria capturado, mas não poderiam subestimar o poder de Zelos Hiten.

Sabia aonde deveria ir. Zed só ia a um lugar exato quando desaparecia, que era os aposentos de Myron. Kyrie nunca imaginava que conheceria aquele homem em algum dia da vida. Desde que iniciara sua jornada em Kinkou, ouvia rumores sobre o pai de Akali, que havia sido banido por fazer uso de técnicas proibidas das sombras. Akali sempre odiou isso e ameaçava quem quisesse falar mal de seu pai, por mais que ela não o tivesse conhecido.

Ironicamente, Myron não era um ninja das sombras, muito pelo contrário: ele utilizava artes marciais puras, com uma habilidade sensacional com os punhos e com as suas adagas. Não havia como acusa-lo, então, como ele pôde ter sido banido? E por que? Já havia perguntado, mas ele sempre respondia uma coisa:

Existem coisas que prefiro manter sobre sigilo até a hora correta – ele abaixava os olhos. – Até a hora em que terei minha vingança.

Não tinha sequer ideia se Zed sabia sobre essa vingança e o porquê de Myron ter sido banido, mas iria saber naquele momento. Independente de Zed estar lá ou não, conversaria seriamente com Myron, e teria suas dúvidas esclarecidas.

Quando chegou à caverna de Myron, notou um silêncio profundo. Se uniu às sombras laterais e percorreu a parede, procurando por algo. Viu várias tochas iluminando o local, algumas pareciam formar um círculo, e, ao centro, Myron, sentado no chão com as pernas cruzadas, sem camisa, suado, olhos fechados e posição de meditação. Kyrie se uniu às sombras do próprio Myron, e o observou.

– Vê como adquiro minha habilidade? – perguntou Myron ao vazio.

Kyrie logo percebeu que ele o havia notado. Submergiu das trevas, por trás do homem que treinara Zed pelos últimos três anos. Poderia golpeá-lo naquele momento, e queria. Nunca gostou dele, mas não era um motivo bom.

– Só vejo um homem meditando – respondeu Kyrie.

Myron, em um movimento de pernas, girou no solo e ascendeu três metros, girando no ar e pousando pouco atrás de Kyrie, sem fazer um mínimo barulho.

– A técnica silenciosa dos antigos – continuou Kyrie, surpreso. – Eu havia lido sobre, mas não sabia que ainda havia alguém que conseguia a utilizar.

Myron sorriu.

– Ninjas sempre foram conhecidos por seu silêncio na hora de assassinar seus inimigos – saiu da posição e ficou em pé, olhando para Kyrie nos olhos, sendo mais alto que o garoto. – Porém, a paz e conforto, dadas por Ionia enferrujou os nossos guerreiros. Sendo um país sem guerras precisamos ajudar nas guerras alheias, para evitar o enfraquecimento de nosso exército. Mas quando Zed surgiu, tudo mudou. Mas antes disso, eu treinei, e treinei muito.

Kyrie semicerrou os olhos.

– Claro, é o mínimo que pode ter feito durante esses vinte anos, certo? – perguntou. – Talvez nós possamos debater sobre isso futuramente, mas agora eu preciso saber onde está Zed.

Myron sorriu e respirou fundo.

– Zed passou por aqui sim... – os olhos de Kyrie cintilaram. – Mas foi embora... Ontem.

– Ontem? – franziu a testa. – Então ele deveria ter voltado ao templo. Aonde ele deve ter ido?

Myron cruzou os braços.

– Ele me contou algo sobre “liberar as trevas interiores de uma necessitada”, mas não deu muitos detalhes.

Kyrie murmurava coisas para si mesmo, como se tentasse se lembrar do que Zed o havia dito.

– Syndra! – exclamou Kyrie. – Claro, por que não pensei antes? Ele me disse algo sobre ela antes, e disse que ela era como uma bomba prestes a explodir... – a expressão de Kyrie ficou mais sombria. – E que ele só precisaria riscar o fósforo e que ela faria o resto sozinha.

De repente tudo dentro da caverna tremeu, como se algo de muito ruim tivesse ocorrido em Ionia.

– Se eu fosse Zed – respondeu Myron –, eu gostaria de assistir à explosão de camarote.

– Claro – Kyrie recuou e pôs-se a correr para fora da caverna.

[...]

Zed e Karina estavam lado-a-lado quando Kyrie os encontrou. Os dois estavam no topo do Palácio da Capital, observando o pânico na cidade. Um terremoto avassalador parecia tomar conta de tudo, todos corriam para todos os lados, desesperados. Era um tremor fraco, não destruiu nada, mas foi o suficiente para deixar a todos em completo pânico.

– O que diabos...? – Kyrie saltou de sua sombra, ao lado direito de Zed, que utilizava sua máscara. – O que está acontecendo?

Zed apontou para o céu, e Kyrie pôde ver o que era. Um templo imenso estava flutuando, com uma parte de solo triangular em baixo, como se tivesse sido arrancado. Ele era erguido por uma força sombria, e ao topo podia-se ver uma luz roxa e escura: Syndra.

Estou colocando uma nova estrela no céu – falou Zed com sua voz alterada devido à máscara.

– Aquela é Syndra? – perguntou Kyrie.

– Sim – respondeu Karina. – Tive sorte de encontrar o mestre antes de chegar ao topo. Ela parece ter matado todos de lá.

Os olhos vermelhos da máscara de Zed brilharam.

Nem todos.

Kyrie olhou ao redor, procurando alguém.

– Onde está Dan?

– Não sabemos – respondeu Karina.

Kyrie franziu a testa.

– Como assim não sabem? Ele deveria ter achado o caminho de volta...

Zed agarrou Kyrie pelo cachecol com força, como se quisesse enforcá-lo.

Você ordenou uma busca por mim sem minha permissão – ele estava irreconhecível; não era o Zed que Kyrie conhecia. A máscara o deixava sinistro de uma forma que ele nunca foi. Sabia que aquele Zed amigo poderia ter morrido. Ele continuou: – Se Dan tiver sido morto ou capturado, você se responsabilizará!

Kyrie engoliu em seco, amedrontado com os olhos escarlates e brilhantes do “amigo”.

– Iremos para casa sem Dan, mestre? – perguntou Karina.

Zed se virou para ela.

Sim. E iremos continuar com meu plano.

Ela franziu a testa.

– Como assim?

Certifique-se de que as nossas tropas estejam bem treinadas.

Kyrie arregalou os olhos.

– N-não pode estar falando sério.

Sim, eu estou.

[...]

Akali voltou para Kinkou após uma corrida pelas árvores com Shen e Kennen. Os três saltavam pelas árvores, apostando quem era mais rápido e fazia mais acrobacias. Kennen era rápido, Akali era ótima em acrobacias, mas Shen só era bom em cortar os galhos no caminho, fora a sua ótima visão e reflexos, que, claro, não substituíam uma boa velocidade.

– Foi uma ótima corrida – admitiu Shen, sorrindo, porém, suado. Retirou sua máscara azulada, mostrando seus cabelos negros e bagunçados. – Pena que não tenho tantos poderes quanto vocês.

Akali riu.

– Francamente, Shen. Não vê que só o Ken pode fazer uso dos seus? Eu que não vou encher tudo isso de névoa do crepúsculo, haha.

Kennen retirou sua máscara e pareceu cuspir uma bola de pelos.

– Eca, odeio isso! – ele limpou a boca. – Sou um yordle, não um gato. Meus deuses.

Shen sorriu e deu-lhe um tapinha nas costas.

– Eu já pedi para você parar de lamber seus pelos do braço, Ken – lembrou ele.

Kennen revirou os olhos.

– Claro, claro.

– Vamos voltar? – perguntou Akali. – Está quase na hora do almoço.

Shen assentiu.

Os três voltaram à Kinkou, que parecia tão lindo como nunca. As cerejeiras floresciam, as cachoeiras próximas deixavam arco-íris pelo ar, e o sol brilhava intensamente. Kinkou ficava longe de Ionia, então sempre fazia sol enquanto lá chovia, ou até nevava. O clima sempre era bom.

No pátio, novatos treinavam posturas com Kelsen, que parecia animada com a nova “ninhada” de jovens ninjas.

– Mãe! – exclamou Akali. – Como vai o treinamento com os jovenzinhos?

Kelsen sorriu; era bom vê-la feliz, pois os últimos anos foram difíceis após o banimento de Zed. Saber que o garoto da profecia era ele, e não Myron a destruiu. Ela passou por crises terríveis de depressão, mas conseguiu superar a tudo.

– Estão ótimos, filha – ela respondeu. – Me lembram você quando era pequena.

Por mais que as crianças tentassem manter a concentração no treinamento de posturas, ver o trio mais famoso de Kinkou era difícil de manter a concentração.

Kelsen se virou para Shen, como se tivesse se lembrado de algo.

– Ah, Shen, seu pai estava querendo vê-lo, sozinho. Diz ele que é algo importante.

Shen franziu a testa.

– Ah, claro, vou vê-lo – se virou para Akali e Kennen. – Volto já.

Os dois assentiram.

Shen seguiu correndo até o centro do templo, onde encontraria seu pai. Quando adentrou à sala de meditação do pai, Shen o encontrou ali, ajoelhado de frente à uma imagem.

– Pai?

Shyon não se virou, mas falou.

– Venha e se sente ao meu lado.

Shen obedeceu e se sentou ao lado do pai, que estava de olhos fechados. Ele respirava fundo, parecia calmo, ao tempo que aflito. Durante os últimos dias, Shyon parecia com medo de algo, parecia fugir e não dava tanto as caras aos outros. Parecia estar sofrendo por algo que ainda não havia ocorrido.

– Pai, você está bem? – perguntou Shen. – O senhor parece tão... aflito. Não entendo.

Mesmo que de olhos fechados, Shyon sorriu. Parecia ter chorado; estava trêmulo.

– Você sabe o quanto te amo, não sabe, filho? – Shen assentiu. – Eu sempre amei tanto você e sua mãe... tanto. Choro só de pensar que ela nunca pôde ver seu rosto.

Shen engoliu em seco, porém, tinha um nó na garganta. Odiava falar sobre sua mãe, que morrera no parto. Queria dizer algo, mas não conseguia. O som simplesmente não saía de sua boca.

– Eu sempre quis ser o melhor pai, mas como Karma me disse, não pude ser um pai para ele, um garoto órfão – finalmente chegou ao ponto, ao tempo que abriu os olhos, que estavam vermelhos, como se tivesse noites sem dormir. – Em vez de salvar Zed, eu o afundei mais ainda na escuridão.

Shen não sabia o que sentia naquele momento. Não sabia que seu pai ainda conseguia pensar em Zed depois de tudo que ele havia feito.

– Esqueça-o, papai – pediu Shen. – Ele se afundou na escuridão por escolha própria. Os deuses nos deram livre arbítrio para isso.

– Você não entende, Shen. Randuin, um antigo amigo meu, perdeu o filho por uma má escolha minha. Meu pai errou banindo Myron, e eu errei banindo Zed. No fim, todos pagamos.

– Está arrependido, pai? Por que agora? Por que cinco anos depois? Eu nunca fui a favor do banimento de Zed, mas você me ensinou a ser. E agora simplesmente quer que eu o veja com bons olhos?

Shyon fechou os olhos novamente.

– Posso senti-lo seguir até aqui.

Shen arregalou os olhos.

– O que?

– Ele está vindo, junto de seu exército de ninjas das sombras. Eram apenas vinte e tantos quando os roubou de Randuin, mas eles se multiplicaram ao longo do tempo. Novos jovens se uniram à sua cruzada.

Shen levantou-se, determinado.

– Se o senhor diz, então é por que é verdade. Devemos nos preparar para nos defender!

– Não – a resposta destruiu Shen.

– Como não?! Ele irá matar a todos!!

– Eu não deixarei.

– Como pretende impedi-lo, então?

Shyon respirou fundo, e Shen sabia que a resposta não seria nada boa.

– Dando-lhe o que ele quer.

Shen cerrou os punhos e rangeu os dentes.

– Claro, a caixa das sombras.

[...]

Como antes fora dito, Zed adentrou ao portão de Kinkou, mas, dessa vez, foi desejado ali. Shyon o permitiu entrar como se fosse um filho pródigo que voltou ao lar. Zed estranhou, pensou ser uma armadilha, mas logo percebeu que não, pela forma como o seu velho mestre se apresentava.

– Zed – Shyon estava à frente de todos de Kinkou, que encaravam os ninjas das sombras com fúria nos olhos, principalmente Shen para com Zed. Shyon sorria o tempo todo. – Finalmente podemos nos encontrar novamente.

Não entendo – murmurou Zed. – Por que me recebe com tanta hospitalidade depois que fiz?

Kelsen ao lado de Shyon parecia confusa com os sentimentos. Estava assustada, mas esperançosa. Talvez o plano do Chanceler desse certo e Zed se redimisse. Se isso ocorresse, obviamente a profecia estaria errada, ou estivesse retratando uma situação de anos mais tarde.

– Eu me arrependi do que fiz – disse Shyon, com toda a sinceridade que tinha, comovendo até mesmo o coração sombrio de Zed. – Eu errei com você. Nunca deveria ter te banido. Te exilando eu te condenei ao caminho das sombras, em vez de conduzi-lo ao caminho do equilíbrio.

Escuridão gritava coisas horríveis sobre Shyon na mente de Zed, mas o mesmo ignorou. Foi capaz de deixar todo o ódio daquele ser de lado por um momento. Podia ver a sinceridade nos olhos de seu antigo mestre. Mentiroso, gritava Escuridão. Completamente sozinho, completamente sozinho.

Zed sempre quis saber o que Escuridão queria dizer com aquilo, mas nunca deu bola. Naquele momento ele poderia obter sua redenção, ou sua vingança. Parte dele queria a primeira opção, outra parte, a segunda.

Kyrie, ao lado direito de Zed, sussurrou em seu ouvido:

– Acredita nele?

Zed pediu que Kyrie se afastasse com um movimento de mãos, e se virou novamente para Shyon.

Quero a caixa.

Shyon fez que sim.

– Me siga – Kyrie e Haruka deram um passo à frente. – Só você.

Haruka arregalou os olhos.

– Zed, mas é muito perigoso entrar lá sozinho.

Shen virou-se para o pai, preocupado.

– Está louco, pai? Acha mesmo que pode confiar em Zed?

– É loucura, Chanceler! – alertou Kelsen.

Shyon engoliu em seco.

– É minha escolha – murmurou para que só eles ouvissem. – E única chance de pará-lo.

Shen não contestou mais. Sabia que era o que seu pai queria, e confiava nele. Confiava nele completamente.

Zed caminhou na direção de Shyon, ficando um frente-a-frente com o outro. Os ninjas de Kinkou abriram espaço para que eles pudessem passar. Zed pediu que seus ninjas esperassem, pois não poderiam iniciar uma guerra àquele momento. Akali trocou olhares furiosos com Zed. Ela pôde ver a expressão de sarcasmo em seus olhos, mesmo que por trás daquela máscara assustadora.

Quando Shyon e Zed adentraram no templo, o coração de todos de Kinkou ficaram apertados.

[...]

Shyon levou Zed até um quarto grande e escuro. Lá haviam várias imagens e estátuas de todos os tipos, era como um santuário. Se lembrava exatamente de quem eram aquelas estátuas. Os deuses. Havia o da sabedoria, o do equilíbrio, o da força, a da luz, e a do caos.

Aonde estamos? – perguntou Zed.

– Tire a máscara. Você está em solo sagrado – pediu Shyon.

Zed obedeceu e retirou a máscara; o Chanceler de costas para ele, de frente para uma estátua em especial. Era a do deus mais poderoso, um deus-dragão do vento.

– Você conhece a história dos dragões celestiais, não? – perguntou Shyon.

– Claro, todos aprendemos essas historinhas.

– Pois bem – respirou fundo. – Há muitos anos os dragões celestiais dominavam Ionia, alguns eram maus, outros bons. A maioria não era como os ocidentais veem, sabe, seres répteis com patas e asas, não. Eles eram majestosos como os deuses, esguios como uma serpente, sábios como uma coruja e poderosos como, bem, como dragões.

– Onde está a caixa? – exigiu Zed.

Shyon ergueu uma mão.

– Espere um segundo enquanto lhe conto uma história importante – pigarreou. – Continuando... Os dragões dominaram toda a Ionia, e, foi aí que Kinkou nasceu. O primeiro líder dos ninjas era um antepassado meu, o primeiro Chanceler, Shiryu. Ele, para derrotar os dragões malignos, precisou se tornar mais poderoso. Para isso ele percorreu o mundo procurando sabiamente formas de salvar Ionia da ruína, embarcando em um caminho de purificação. Conforme treinava e passava por desafios extremos, ele se libertava de suas emoções negativas, das trevas de sua consciência. Porém, essas entidades sombrias precisavam ser armazenadas em um local, e esse local foi a caixa das sombras.

Zed arregalou os olhos, surpreso com a revelação.

Shyon prosseguiu, ainda de costas.

– A verdade é que, enquanto os Chanceleres de Kinkou guardavam suas más emoções na caixa, eles se tornavam tão poderosos, capazes de lutar mano-a-mano com os dragões, salvando Ionia de um futuro incerto. Séculos depois, esse ritual foi abolido, não precisando mais ser utilizado. A caixa foi inutilizada, mas mesmo assim foi guardada, longe dos olhares de outros. O tempo passou e a caixa foi encontrado por jovens, assim como você, que quebraram o equilíbrio e tentaram guerrear contra Kinkou, que, graças aos antigos, pôde sair com a vitória. O último ninja das sombras foi morto, e suas técnicas esquecidas. Porém, a caixa absorveu não só a sua energia vital, como suas memórias e técnicas. Ele era tão poderoso e habilidoso que foi capaz de lutar de igual para igual com um dos antigos Chanceleres, pois tinha parte deles, e os conhecia de uma forma malévola. Nós pensávamos que ele havia morrido, mas ele permaneceu na caixa, esperando ser aberta.

– Por mim?

Shyon fez silêncio por um tempo.

– Não... – ele se virou, revelando parte de seu rosto consumido por uma matéria negra, um de seus olhos brilhando em um puro tom avermelhado e cintilante, sua voz se modificando. – Por mim.

Zed recuou, surpreso, mas não totalmente.

– Myron me contou de como você o incriminou – com um movimento pôs as garras para fora. – De como você traiu seu melhor amigo!

A aparência de Shyon já não era mais a mesma, ele tinha a metade do corpo escurecida pela matéria negra, e se movia lentamente, como se estivesse possuído por um demônio.

Eu o traí sim, pois não podia ser banido pelo meu próprio pai – sua voz estava diabolicamente grossa. – A verdade é que eu sempre quis ser como os antigos, se livrar de meus maus pensamentos e emoções, me tornando, assim, o Olho do Crepúsculo, porém, o ritual fora perdido há muito tempo. Eu pensei que, acessando à caixa, eu poderia descobrir mais, ou simplesmente transplantar minhas más emoções para lá.

– Você quis o caminho fácil!

Para a surpresa de Zed, Shyon concordou.

SIM! Eu quis o caminho fácil. Não queria passar por todas as provações que os antigos, só queria a glória que eles tinham. Naquela época, eu, Myron, Randuin e Lito éramos um quarteto, éramos amigos, um grupo. Meu pai sempre foi muito rígido, e quando eu engravidei a mãe de Shen, fiquei desesperado. Ele não poderia descobrir sobre aquilo, mas de acordo com Kelsen era uma gravidez arriscada. Eu e meus três amigos procuramos formas de salvá-la de uma morte inevitável, principalmente para Karma, que era uma simples curandeira, na época. Infelizmente, eu já havia feito contato com as sombras e, com o tempo, eu pude perceber diferenças em mim mesmo. Vozes em minha cabeça, novas técnicas vindo à mim... Era demais para minha cabeça. Quando viajamos para Valoran para guerrear ao lado de Demacia contra Noxus, Myron descobriu que eu usava as técnicas contra os noxianos, e ele ficou irado de saber o que eu escondia. Disse que eu tinha uma mulher grávida e um filho chegando, que não deveria fazer uso daquilo. Eu fiquei irado, claro, pois as sombras eram meu melhor escape. Eu seria o próximo Chanceler, tinha um filho chegando, e meu pai me pressionando a ser responsável. Ele me chamou de viciado, pois me afundava nas sombras quando me sentia fraco. Eu explodi e parte das sombras veio a atingir Lito, que era um dos meus amigos que, mesmo que fosse o mais velho, era o melhor, pois sempre nos ajudava a treinar e era bondoso com todos. Acabei infligindo uma terrível doença a ele, uma doença que tira totalmente a sua disposição para tudo, principalmente lutar.

– Então quem amaldiçoou Master Lito não foram os noxianos... – deduziu Zed. – Foi você.

Shyon assentiu.

Quando voltamos, houve um rumor de que um de nós havia se envolvido com as sombras e amaldiçoado, sem querer, Lito, que era adorado por todos, e sua queda atingiu, claro, a todos. Meu pai sabia de meu envolvimento com as sombras, e em vez e me banir, ele me obrigou a, de alguma forma, jogar a culpa em outra pessoa. Como Myron acabaria contando a todos sobre mim uma hora, eu o incriminei, usando meus poderes para fingir que ele estava usando as técnicas. Todos acreditaram e ele foi acusado. Antes dele ser jogado para fora de Kinkou, Kelsen correu e o beijou. Pude ouvi-la dizer que estava grávida. Foi quando me bateu um remorso tão forte que não soube o que fazer. Por isso, para não perder a amizade com Lito e Randuin, também, pedi à Escuridão que lhes modificassem as memórias. Porém, Lito pareceu sempre saber. Nunca soube se ele foi realmente afetado – Shyon fez uma pausa. – Logo após esse evento, Shayera, minha namorada e mãe de Shen, descobriu sobre mim. Ela ficou tão triste que teve o bebê prematuramente, vindo a morrer. Dias depois meu pai veio a falecer, e eu assumi. Logo após veio você...

Zed riu.

– Por que me conta sobre essa história agora? Quer que eu acredite que realmente se arrepende? Me devolva a caixa logo, seu maldito bastardo!

– A caixa é, e sempre será uma das Joias de Runeterra. Eu a dei para uma instituição de homens que podem lidar com ela: A Liga.

Uma expressão de desespero unido ao ódio tomou conta de Zed. Aquele maldito deu minha caixa, pensou. Mate-o, gritou Escuridão. Completamente sozinho...

– COMO OUSA TIRAR A CAIXA DE MIM?! – gritou Zed. – Era minha única chance de... de...

– De ter todo o poder? – a pele de Shyon voltou ao normal, ele voltou ao normal, sua voz também. – Ele jamais deixaria, Zed. Aprenda, ele quer ser o ninja da profecia, mas jamais será, pois o jovem ninja das sombras que trará a ruína de Kinkou não será ele, Nocturne, o primeiro ninja das sombras, nem você, mas eu, Zed. Eu sou o garoto da profecia, eu trarei ruína à Kinkou da forma como Karma previu.

– Não... – murmurou Zed. – Você não pode ser o garoto da profecia. EU SOU, SEU TOLO! EU TRAREI SEU REINO À RUÍNA!!

Shyon sorriu maliciosamente.

– Meu reino já nasceu na ruína, Zed. Isso que você não entende – ele sacou uma adaga branca com cabo dourado brilhante, aparentemente uma adaga de luz. – Eu acabarei com esse reinado de caos de Nocturne cortando o mal pela raiz.

Shyon avançou em Zed com toda a velocidade, fincando a adaga na barriga dele. Zed gritou de dor com todas as forças que tinha. A adaga queimava, queimava muito, como se todas as sombras dentro dele fossem queimadas. Podia ouvir Nocturne gritando com todas as forças, como se tivesse mesmo sido um humano comum... em algum dia.

A adaga, de repente, pareceu sugar parte de Zed para dentro de um portal, mas bem lentamente. Também sugava Shyon e todas as sombras ao redor.

– O que diabos...?! – gritou Zed.

– Isso é uma adaga de luz, seu bastardo! – respondeu Shyon. – Quando você foi entregue à mim, essa adaga estava no cesto.

A fenda dimensional se abria mais ainda, parecendo quebrar todos os ossos de Zed ao mesmo tempo, e os de Shyon também. Ele estava disposto a se suicidar para matar Zed junto.

– Maldito seja! – gritou Zed, tentando botar as garras para fora.

A magia da luz dentro daquela adaga estavam o corroendo por dentro de uma forma terrível. Mesmo assim, Nocturne lhe disse algo que o deu forças para continuar. Você nunca esteve completamente sozinho..., as garras de Zed saíram. Mas ele sim esteve. Zed apunhalou Shyon no peito, ele gritou e caiu para trás. A adaga de luz perdeu o poder e libertou-os. Zed cambaleou para trás, e Shyon também, com sangue escorrendo do peito.

– Completamente sozinho – disse Zed.

– O que? – perguntou Shyon.

COMPLETAMENTE SOZINHO!!, Nocturne exclamou numa voz etérea, tão sombria quanto os pesadelos de Shyon, e tão fria quanto a neve de Freljord. Duas mãos negras e deformadas agarraram os ombros de Shyon e o puxou para a densidão escura do templo, algo fisicamente impossível.

Zed pôde ouvir os gritos e berros de dor de Shyon enquanto ele parecia ser esquartejado e cortado em vários pedaços, o sangue jorrando para fora da escuridão, braços e pernas e outras partes sendo arremessadas para as paredes, quando, por fim os gritos pararam e a cabeça do Chanceler voou aos pés de Zed.

Zed sorriu, agachou-se e pegou a cabeça do seu antigo mestre. Vestiu a máscara novamente e se virou para trás, onde pôde ver, finalmente, a face de Nocturne. Nunca soube explicar o que viu, mas soube que foi uma das coisas mais assustadoras que alguém pôde ver. Porém, era incrivelmente normal para ele. Não temeu, não tremeu, se adaptou.

Você pode não ser o garoto da profecia – murmurou Nocturne –, mas é meu legítimo sucessor.

– Sim, eu sou.

[...]

Zed saiu do templo com a cabeça de Shyon em mãos. Shen gritou, assim como todos os outros, que apavorados estavam com a brutalidade.

– MALDITO SEJA! – gritou Shen, sacando suas katanas.

Saltou para cima de Zed, brandindo suas armas, quando Kyrie estendeu seu corpo em uma sombra, entrepondo-se com seu mestre e Shen, atingindo-o com um raio de sombras que o lançou para longe. Depois se desfez em sombras, voltando ao seu devido lugar.

Matem todos! – gritou Zed para seus guerreiros.

Seus homens que, em todo esse tempo esperaram, puderam, finalmente, guerrear. Foi sangue, gritos e membros para todos os lados. Um verdadeiro massacre. Kelsen viu seus novatos serem degolados e outros decapitados em sua frente. Kennen eletrocutou alguns com seus poderes, mas foi subjugado por alguns, que o cercaram e tentaram matá-lo. Akali tentou salvar muitos de seus aliados, mas não pôde. Era poderosa, mas não contra ninjas que podiam desaparecer em sombras. Todos de Kinkou lutaram bravamente, mas não foi o suficiente. Mesmo que eles estivessem em maior número, eram facilmente mortos.

Shen se levantou e avançou em Zed com suas duas katanas. Estava altamente abalado por ver seu pai morto diante de seus olhos, por isso foi descuidado. Ele e Zed duelaram na mesma velocidade que sempre fizeram. Katana com garra, mas dessa vez foi diferente, pois Zed parecia estar mais confiante e mais soberano no duelo. Rapidamente Shen recebeu cortes no rosto, nos braços e no peito, depois um chute que o lançou ao chão. Percebeu que estava chovendo quando caiu na lama, totalmente derrotado.

Zed desceu até Shen, rindo de sua desgraça.

Quem está no chão agora, Shen?

Shen chorava de raiva no chão de lama, tentando se levantar. Zed chegou lhe dando um chute em sua barriga, o fazendo cuspir sangue e fazendo-o cair de costas no chão.

Últimas palavras? – Zed disse, agachado, com uma garra no pescoço de Shen.

– Vai pro inferno! – praguejou Shen, com os dentes cheios de sangue.

Péssimas palavras.

Zed estava prestes a cortar a garganta de Shen quando recebeu um trovão de Kennen na lateral direita do corpo, rolando para o lado. Akali revestiu todo o recinto com seu Véu do Crepúsculo, deixando os ninjas das sombras sem ver nada.

Kennen ajudou Shen a se levantar.

– Vamos embora daqui, antes que nos matem!

Akali pegou Shen e o puxou para que fossem embora logo.

– Vamos – por mais que quisesse chorar por tanto sangue jorrado, Akali teve de ser forte, quando seus amigos foram subjugados.

Kelsen ajudava alguns jovens a fugir, mas era difícil. Um pequeno grupo se salvou, correndo para uma área onde poderiam ir direto para a capital, sem perigo de serem seguidos.

Quando a névoa se dissipou, Zed se ergueu vitorioso. Corpos e mais corpos de ninjas de Kinkou estavam ao chão, deixando o chão vermelho de sangue. Kyrie chegou ao seu lado e sorriu.

– Vencemos, mestre. Você conseguiu sua vingança.

Zed sorriu, um sorriso tão sádico quanto pôde ter, mas que foi invisível por causa da máscara.

– O que faremos agora? – perguntou Haruka. – Temos tudo que sempre quisemos!

Zed se virou para eles e admirou a escuridão da noite mais densa.

Não sairemos mais daqui. Esse será nosso novo lar. O Templo de Ninjas de Kinkou morreu. A partir de hoje esse será o Templo do Clã das Sombras.

Notas finais
A história original do Noc ainda é provisória, podendo sofrer modificações, seja na versão final da fanfic/livro, ou na próxima temporada.