League of Legends: As Crônicas de Valoran
61 Capítulo 57: O Defensor do Amanhã
Notas iniciais
Capítulo 57:
O Defensor do Amanhã
Jayce não se deu conta da importância de seu trabalho até descobrir o que aquele cristal era. Um cristal ascendido, vindo de uma sociedade há um milênio destruída, Shurima, tinha um poder esplendido, uma energia capaz de alimentar a cidade por vários anos. Foi aplaudido por várias pessoas do trabalho por conta de seu trabalho e até recebeu o número de uma das funcionárias, uma bastante bonita. Sorriu de forma boba com isso.
– Sua descoberta é exuberante, Jayce – dissera-lhe o pai de Ezreal, o chefe e dono daquele laboratório. Era um homem belo, cabelos loiros sedosos e olhos claros. Usava terno e óculos escuros que ficavam acima da cabeça, como os do filho, só que, claro, diferentes.
– Ah, que nada, senhor – respondeu-lhe Jayce –, eu só fiz o que me pediram. Qualquer um que o estudasse receberia toda a fama.
O chefe riu.
– Que nada, jovem. Aquele pequeno cristal tinha energia lacrada de forma que ninguém mais conseguiu abri-lo antes de você – fez com que Jayce arregalasse os olhos. – Chamamos Corin para que ele o estudasse pois ele é realmente bom. Ficamos surpresos quando mandaram você, no lugar. Mesmo assim coloquei fé.
– Obrigado.
– Não agradeça – sorriu o homem. – O cristal é como um presente seu à sociedade. Teremos energia limpa por anos e anos, apenas digo isso.
Jayce ficou feliz, sempre quis ajudar Piltover em algo. Essa foi sua chance e conseguiu prevalecer. Adorou a ideia de ajudar a todos com aquilo. Se sentiu tão bem consigo mesmo que não economizou na hora de comprar comida. O salário recebido foi gordo, imenso. Além disso, comprou dúzias de roupas novas, as quais estava precisando.
– Iremos lhe pagar uma bela quantia de pagamento – continuou o chefe. – Vejo potencial em você, é talentoso. Vi o seu projeto do martelo-canhão.
Jayce arregalou os olhos.
– Mesmo?
Ele assentiu.
– Corin me mostrou, ele disse que você é o cientista-mecânico mais talentoso e compromissado com quem ele já trabalhou. Só de ter lhe mandado em seu lugar para a pesquisa do cristal já diz muito sobre você.
Jayce corou.
– Ah, obrigado mesmo. Mas como deve saber, eu adoro mesmo a minha cidade-estado e lutaria até o fim por ela.
– Claro, este é o espírito, haha – deu uma risada. – Saiba que poderá vir aqui com seus novos projetos sempre que quiser, ouviu?
Jayce assentiu.
Foram interrompidos por duas batidas na porta do escritório. O chefe estava prestes a pedir que a pessoa entrasse, mas Jayce ainda tinha uma dúvida em mente.
– Qual seu nome mesmo, senhor?
O chefe sorriu e apontou para o crachá. Ali dizia Ezra Ridley. Um nome parecido com o do filho, é claro. Parecia uma certa ironia, ou só um gosto por nomes que comecem com E, Z e R.
– Entre – disse Ezra.
O pequeno Ezreal adentrou na sala, com uma cara nada contente.
– Desculpe interrompê-los, papai e Jay, mas a tia Erza ligou e, bem... – os nomes não poderiam piorar, pensou Jayce. – Ela disse que o tio Anson...
A cara triste de Ezreal já revelava o que havia ocorrido. Ezra compartilhou da tristeza com o filho, indo até ele e abraçando-o. O jovem Ez chorava, pois pelo que Jayce se lembrava, ele gostava bastante do tio, seu ex-sogro. Sentiu-se mal também com a notícia, pois ele lhe fazia lembrar de Melina, a garota que mais amou, que fora brutalmente morta.
Tudo aconteceu muito rápido, desde a notícia do ocorrido até o funeral, que fora num cemitério na ala sul de Piltover. Jayce fora com um terno preto que comprara com o pagamento pela descoberta do cristal. Chegou a se assustar com o tamanho da família Ridley, que consistia em dezenas de pessoas loiras vestindo preto.
No velório, Jayce falou com muitos dos parentes de Ridley. Ele, Ezra, a esposa e Ezreal, fora alguns outros parentes mais chegados de Anson tiveram de ficar na entrada, recepcionando alguns convidados. Não era nem da família mas era tratado como se fosse. Chegava a ser estranho o modo como o tratavam. Como se o elo com a família não fosse cortado após a morte de Melina.
– Ela era importante para você, por isso todos te tratam bem – a mãe de Melina e esposa de Ridley, Asia, uma mulher de meia-idade, loira e bem vestida (de preto), pareceu ler os pensamentos de Jayce.
Os dois apertavam as mãos de quem chegava ao velório e eram abraçadas, recebendo as palavras de consolo.
– Isso explica muito – respondeu Jayce. – Não vejo nem metade de vocês há meses e sou tratado como da família.
– E isso não é bom? – ela perguntou. – Minha filha te adorava e você fazia bem à ela. Isso fez bem para nós, também.
Houve um momento em que o fluxo das visitas parara um pouco, dando descanso a todos. Dona Asia foi até perto do caixão aberto de Anson, onde o mesmo jazia de terno, pálido como a neve de Freljord, magro como um faminto das ruas de Noxus.
– A doença fez com que ele emagrecesse muito – ela disse a Jayce. – Quando ele soube que você enriquecera com a pesquisa do cristal, ele ficou tão feliz... – ela fungou, como se fosse chorar ali mesmo.
– Não fui o culpado, fui?
Ela sorriu e balançou a cabeça, negando.
– Imagina. Você é um garoto de ouro, Jayce. Acho que ele só estava vivo por que queria saber que todos estariam bem, principalmente você.
– Fico feliz por isso.
Jayce analisou cada detalhe de Anson. Seu bigode e cabelos negro-grisalhos, sua pele pálida e esticada de forma que deixava os ossos a mostra de forma superficial. Estava magro, magro de uma forma apavoradora. Sua expressão não era a melhor, pois tinha uma expressão de raiva que chegava perto de pavor, mesmo que ele tivesse os olhos fechados.
– Ele morreu aqui? – perguntou Jayce.
Asia balançou a cabeça.
– Ele estava indo à uma vila perto de Demacia por algum motivo – ela engoliu em seco. – Ele deixou um bilhete dizendo que sentia-se como um peso morto, e gostaria de mudar isso.
– À uma vila? Que vila?
Asia deu de ombros.
– Não sei ao certo, creio que Kalamandra, pelo que me disseram.
– Kalamandra? – Jayce franziu a testa. – Mas essa vila não existe.
Uma lágrima desceu do rosto de Asia.
– Eu sei, mas ele acreditava que lá ele poderia se encontrar, ser um prefeito – ela enxugou as lágrimas. – Chamaram-no de louco, e depois o encontraram morto no caminho. Não se sabe o que o matou, dizem que morreu de ataque cardíaco. Mas a doença já o consumia muito antes disso.
Jayce já não aguentava mais falar sobre aquilo. Sentia algo estranho, algo horripilante ao olhar para o Anson morto, algo mórbido. Logo ele seria enterrado, pois já começava a feder. Olhou ao redor e viu muitas das pessoas que vieram até o funeral para lamentar, comendo, bebendo, conversando. Alguns sorriam, não riam para não pegar mal.
Quando viu a detetive Caitlyn adentrar ao recinto, foi até ela. Ela vestia uma saia preta com babados brancos numa espécie de “tomara-que-caia”. Ela usava um chapéu preto com babados e com um véu, botas pretas, luvas e braceletes.
Jayce foi até ela.
– Detetive – ele disse –, o que a traz até aqui?
Ela se virou para ele com um olhar nada sutil.
– Eu era conhecida de Anson, inclusive, sou conhecida de metade da família Ridley – olhou ao redor –, e pelo visto você também é.
– Já fui da família, mas meu elo se quebrou – botou as mãos nos bolsos. – Pelo menos foi o que pensei.
Caitlyn sorriu.
– Na última vez que nos vimos trocamos farpas – ela estendeu a mão; Jayce sentiu-se hesitante. – Talvez devêssemos fazer as pazes. Nunca sabemos quando podemos precisar um do outro.
– O que quer dizer?
Caitlyn respirou fundo.
– Quero dizer que essa cidade não está tão segura quanto eles querem que você pense – ela disse de forma sombrio. – Sinto que exista quem cobice a sua nova descoberta. Caso precaução, tome isto – ela lhe entregou um cartão com o número dela. – Fique alerta.
Jayce franziu a testa.
– O que quer dizer com isto?
Ela suspirou.
– Logo você saberá.
Ela olhou para trás, para o Xerife Samwell, o homem gordo que ela acompanhava em quase todos os casos.
[...]
Jayce voltou ao centro de pesquisas de Piltover, que parecia bem vazio. As luzes estavam apagadas, portas abertas, mas não havia ninguém no hall de entrada. Franziu a testa, intrigado. Subiu as escadas rolantes que estavam desligadas, pois toda a energia do local parecia estar cortada.
– Olá? Tem alguém aí? – perguntou ao vácuo; não obteve resposta alguma.
Os elevadores estavam sem energia, não poderiam leva-lo a lugar algum. Droga, pensou. Onde diabos está Ezra?
Foi às escadarias de emergência e subiu ao andar seguinte. Percebeu o quanto não estava em forma ao cansar-se só de subir as escadas. Quando chegou ao segundo andar se deparou com uma cena bizarra: viu um dos cientistas de jaleco branco caído no chão. Arregalou os olhos e correu até ele. Pôs dois dedos em seu pulso. Estava vivo, tinha pulsação.
Jayce percebeu que poderia estar sendo vigiado. Olhou para todos os lados, para as instalações do local, todas aparentemente vazias e escuras, como se um assassino tivesse passado por ali. Engoliu em seco. Deu alguns passos lentos para a frente e viu que haviam mais homens caídos no chão, inconscientes.
Não se lembrava ao certo do porquê de ter ido ao centro de pesquisas, simplesmente foi, com um mau pressentimento. Faziam poucas horas desde o enterro de Anson, e, desde que Caitlyn lhe avisara para tomar cuidado do cristal, ele não pensou em outra coisa. Ela estava certa. Estava de noite, e geralmente o centro de pesquisas fechava antes das nove, deixando só alguns homens lá dentro para pesquisas especiais. Mesmo assim as portas estavam abertas, o que era bem estranho.
Jayce seguiu para a sala do cristal, ignorando todos os corpos no chão. Quando sentiu que estava sendo seguido, virou-se. Notou um homem virando num outro corredor. Viu somente o pé do homem misterioso. Não estava sozinho. Correu para o corredor e novamente viu somente o pé do homem, que virava noutro corredor. Começou a segui-lo, correndo para não o perde-lo. Correu, correu, correu. Virou um corredor, virou noutro... Foi quando chegou a uma sala imensa, com vários reatores e máquinas. No centro havia uma máquina cilíndrica imensa, que se ligava em outras máquinas por cabos e mais cabos. Havia uma espécie de janela à frente dela, que brilhava num tom de azul. Lá estava o cristal.
– Eles mudaram-no de lugar e nem mesmo te avisaram – disse uma voz.
Jayce se virou para o homem misterioso que observava a máquina, com a luz azul o iluminando. Jayce percebeu que ele não era nada comum, com uma aparência bizarra. Metade de seu rosto estava coberto por uma máscara mecânica com um visor amarelo, no outro lado do rosto haviam seus olhos escuros e parte de seu cabelo, que era de um negro arrepiado. Ele tinha pele clara e usava uma espécie de sobretudo azul-escuro, uma ombreira de ferro, botas, luvas de ferro e, o mais bizarro, um braço biônico que saía da própria obreira. O braço tinha uma mão grande com uma espécie de buraco no meio, de onde deveriam sair lasers.
– Que diabos...? – disse Jayce.
O homem deu um meio sorriso.
– Você deve ser Jayce, não é? – o homem perguntou. – É o homem que libertou toda a energia ancestral dessa pedra preciosa.
Jayce não sabia o que fazer. Aquele homem, de alguma forma, botou todos naquele recinto para dormir. Tinha medo dele e de sua expressão que beirava o sofrimento e a loucura – fora sua mão biônica, que se mexia de momento em momento, fazendo barulhos robóticos.
– Quem é você? – perguntou. – Foi você que fez aquilo com os cientistas, foi?
O homem fez que sim.
– Sim, mas, vamos com calma...
Jayce sacou uma pistola e apontou para o homem. Odiava mesmo ter de usar armas de fogo. Sua namorada fora abordada por uma, mas foi necessário. Sabia que aquele homem podia matá-lo sem se mexer. Com a calça jeans, sapatos sociais e uma jaqueta de couro marrom, Jayce parecia um policial aposentado.
– Eu perguntei quem é você?! – respondeu Jayce com mais rispidez.
O homem só levantou uma sobrancelha – literalmente só uma – e uma luz brotou do braço biônico. Um laser amarelo se projetou da mão robótica, atingindo a pistola e a derretendo. Jayce a largou num sobressalto, pois ela se esquentou de tal forma que quase queimou a sua mão de leve.
– Eu sou a evolução gloriosa – o homem disse. – E vim aqui pois preciso desse cristal, mas também precisava de você.
Jayce recuou um passo.
– Como assim?
O homem sorriu.
– Você é um cientista/mecânico incrível, um gênio. Se eu quero fazer uso da energia infinita desse cristal, preciso da genialidade de quem o libertou.
– Essa energia não é para você, seu louco! – exclamou Jayce. – É para toda a cidade. Poderá dar luz a todos por vários anos.
O homem inclinou a cabeça, confuso.
– Não entendo. Não aceita minha proposta?
Jayce fez uma expressão de raiva.
– Não – cerrou os punhos. – E não te deixarei roubar o cristal.
O homem deu uma risada fraca (parte de sua boca estava coberta pela máscara).
– Entendo. Só acho ruim para você o fato de que eu não dou outras chances.
O homem estendeu a mão esquerda para a frente e uma rajada elétrica saiu de sua luva de ferro, atingindo Jayce em cheio e o projetando na parede mais próxima.
Jayce sentiu seus sentidos girarem. Não via nada com clareza, nem ouvia direito. Estava prestes a desmaiar, quando viu mais homens entrarem no recinto. Pareciam policiais, mas com máscaras como as do homem robótico.
– Levem – disse ele.
– Sim, senhor Viktor – e foi a última coisa que Jayce ouviu.
[...]
Jayce acordou num leito de hospital. Estava tonto, não sabia onde estava e, por um momento, não lembrava quem era, nem de qualquer outro detalhe sobre sua vida. Quando esses breves momentos de felicidade passaram, Jayce se lembrou de Viktor, o homem robótico que roubou sua invenção.
Olhou para o lado, ainda muito dopado, viu um sorriso.
– Ele acordou – era Ezreal. – Ele acordou, ele acordou!
Ezreal estava com seu cabelo loiro cortado curto, usava um mini terno, igual ao pai, que estava ao lado. O senhor Ezra sorriu para Jayce.
– Finalmente – ele disse. – Você foi muito corajoso ao enfrenta-lo.
Finalmente todos os sentidos de Jayce voltaram. Ele respirou fundo, se arrumou no leito e olhou para o chefe.
– Eu não pude fazer nada.
Ezra balançou a cabeça.
– Não me importo com isso, Jayce. O que importa é que você e Corin estão vivos!
Jayce arregalou os olhos.
– Como é? O que que tem Corin?
– Corin... bem...
Jayce já se preparava para o pior.
– Ele morreu?
Ezra pareceu se assustar com a sugestão de Jayce.
– Não! Imagina. Ele só está em coma – suspirou. – Ele já é velho, então, bem, uma rajada elétrica como a que você tomou não se recupera em simples três dias.
Jayce franziu a testa.
– Eu dormi por três dias?
Ezreal fez que sim.
– Você estava de boca aberta quando chegamos – deu uma risadinha. – Eu que a fechei, hahaha.
Jayce se permitiu rir um pouco. Adorava aquele garoto e adorava a forma como ele era otimista, sempre o fazendo rir.
Virou-se para Ezra.
– O que Corin estava fazendo lá, aquele dia?
– Ele foi chamado para ajudar a mudar o cristal de local, já que você estava em um enterro de um ente querido – fez uma pausa, olhou pela janela, e voltou a Jayce. – Por sorte ninguém morreu – dava para ver a tristeza nos olhos de Ezra.
Jayce percebeu que Ezreal também estava triste, afinal, sua descoberta fora roubada. Mesmo assim ele gostava de manter o otimismo.
– Eu sei que nós vamos encontrar aquele homem bobo e dar um pé na bunda dele! – sorriu Ez. – Não é mesmo, Jay?
Jayce fez que sim, bem lentamente, com a cabeça. Sabia que resgatar o cristal seria uma tarefa difícil, quase impossível. Por sorte recebeu alta no mesmo dia, pôde trocar de roupa e pegar as suas coisas. Ainda tinha um pouco de dor na barriga, mancava um pouco, mas estava completamente O.K.
Viu Ezra e Ezreal conversarem com o xerife Samwell, e foi quando sentiu a presença. Era previsível quem estaria ali também. Foi só olhar para o lado para ver Caitlyn ir em sua direção.
– E então? – ela perguntou. – Meu aviso serviu de algo?
Jayce bufou.
– Claro, se não fosse por você eu não estaria aqui, agora.
– Mas também não teria presenciado o roubo. A polícia quer que você preste depoimento, por que, sabe, você é uma testemunha.
Jayce revirou os olhos.
– Não vem que não tem. Quero ir pra casa e descansar enquanto vejo algum programa de mecânica.
Ela cruzou os braços e riu.
– Incrível como você foge tendo tanto potencial.
Jayce franziu a testa.
– Como disse?
– Você tem potencial. Tem potencial para resgatar o cristal, pois cá entre nós, a polícia não tem nem chance contra o que estamos encarando, entende? – ela apontou para Ezreal, que parecia triste, num canto, enquanto seu pai conversava com o xerife gordo. – Olhe para ele. Só é uma criança e sentiu na pele como é ter algo roubado de si.
Jayce revirou os olhos.
– Não o use contra mim.
– Contra? Estou a favor. Pense só, Jayce, se você conseguisse resgatar a descoberta dele, como ele ficaria feliz, não?
Jayce começou a reconsiderar.
– Talvez.
Caitlyn pegou em sua mão, deixando-o corado.
– Vamos – ela chamou. – Só me siga.
[...]
Jayce adentrou na delegacia de polícia de Piltover pela primeira vez, sendo guiado por Caitlyn. Lá havia várias mesas de escritório com pessoas de terno, mais pessoas de terno, policiais vestidos a caráter, algumas celas ali mesmo com presos, pouca luz, e muita bagunça. Não era o local onde ele gostaria que fosse colocada a segurança de sua cidade, mas já que aquela não era a única delegacia, ficou mais feliz.
– Aqui que a mágica acontece – ela disse.
Jayce olhou ao redor; não parecia um lugar nada mágico. Disso tinha total certeza. Decidiu por não perguntar nada, não sabia se gostava ou não dela, mas todo aquele mistério estava o irritando. Ela dissera que tinha uma pista sobre a morte de Anson, mas por que mostrar a ele?
– Aqui não parece um lugar mágico – ele respondeu.
Caitlyn se virou para ele.
– Por isso que trabalhamos com a ciência, Jayce – ela lhe mandou um olhar sério. – Pois a ciência nos evoluiu, enquanto que a magia só retarda os outros reinos.
– Não preciso de uma aula de história.
Caitlyn riu.
– Só me siga.
Os dois subiram por escadas e foram até uma sala, uma sala bastante estranha, cheia de armários e papéis por todos os cantos. Era tudo muito bagunçado, apertado e difícil de se andar. Aparentemente um yordle mexia em alguns papéis quando Caitlyn o chamou.
– Ziggs! – o yordle levou um susto, caindo para trás feito um louco. Ele parecia um esquilo, com pelos pelo corpo e orelhinhas eretas. Ele tinha olhos verdes e um sorriso pequeno, pelo menos enquanto estava na sua posição assustada. Após alguns segundos, ele abriu um sorriso imenso, chegando a ser surreal e insano. Ele vestia um jaleco branco, calças vermelhas e pequenos sapatos pretos.
O yordle, que deveria ter no máximo um metro e alguma coisa (a altura de um anão), andou até a detetive.
– Cait, como é que vai, hein? Tô muito feliz com a sua visita, pode entrar – olhou para Jayce com uma cara feia. – Você também, pessoa que não conheço.
O yordle pegou na mão de Caitlyn e começou a leva-la mais adentro na sala bagunçada.
– O que é isso? – Jayce perguntou; já não gostara muito do yordle. – Deram mesmo uma sala grande para uma coisa tão pequena?
Ziggs parou, se virou para Jayce, e fez uma cara feia.
– Pequena é a vovozinha, seu...!
– Ziggs! – Caitlyn exclamou. – Paciência com ele, pois ele pode nos ajudar no caso do Viktor.
Ziggs pareceu se acalmar.
– Paciente? Eu não sou nenhum pouco paciente!! – olhou para Caitlyn, depois para Jayce, e fez isso mais algumas vezes, até que suas orelhas caíram. – Mas eu posso ser paciente por você, Cait.
Jayce estava se segurando para não rir.
Caitlyn se virou para Jayce.
– Ziggs é um aluno da classe de yordles de Heimerdinger, mas nas horas vagas ele me ajuda com alguns casos aqui, na delegacia.
Ziggs a guiou até uma mesa num canto escuro, ele ligou uma lâmpada e subiu num banquinho, para ficar na altura da mesa e dos dois visitantes.
– Eu e a Cait descobrimos uma pista sobre o que pode ter influenciado no roubo do cristal – ele suspirou. – Mas, acreditamos que possa haver espiões na delegacia, homens de Viktor.
Jayce se virou para Caitlyn.
– Você tem provas sobre o roubo e de quem o fez, mas não liberou para a polícia?
– É algo muito maior que isso – ela tocou num botão da mesa e ela se ligou, criando hologramas num raio de um metro e meio acima. Haviam várias imagens embaralhadas, mas uma estava bem clara: a de um homem. – Cremos que existe alguém agindo pelo submundo de Piltover...
– ...e armando um plano para dominar a cidade – zombou Jayce. – Já ouvi muitas teorias de conspiração sobre o governo, e todos são...
Ziggs pegou um objeto esférico e atirou em Jayce com toda a força, batendo em sua cabeça e fazendo-o gemer de dor.
– DEIXE-A TERMINAAAAR!! – Ziggs gritou, apoiado na mesa.
Jayce massageou a cabeça, sentindo-a latejar.
– Por que não me joga uma bomba? – ironizou.
– Talvez eu jogue, mesmo!
Caitlyn pôs a mão no rosto.
– Vocês poderiam parar?
– Ele que começou!! – os dois entoaram em uníssono.
Ela suspirou, tentando manter a calma. Odiava não ter o controle da situação, e nos últimos dias estava se sentindo bastante impotente quanto à própria cidade. A delegacia de polícia não resolvia quase crime algum e não a ajudava em quase nada. O xerife Samwell nada fazia para resolver crimes, e a única coisa que salvava a cidade era o centro de pesquisas e a capital. O subúrbio e as áreas mais pobres sofriam com o crime organizado.
– Não importa – virou-se para Ziggs. – Você disse que me ajudaria.
O yordle ficou de cabeça baixa.
Vendo que, finalmente poderia começar, Caitlyn virou-se para Jayce e para mesa holográfica à frente.
– Existe um cientista zaunita, o homem que te deixou em coma, que parece estar organizando algo terrível, talvez uma tomada da nossa cidade. E como eu sei disso? – ela perguntou. Apertou um botão na mesa. – Tenho gravações. Instalei câmeras em certos lugares do subúrbio, tendo visão dessa pérola.
Um vídeo começou a se mostrar no holograma, mostrando uma metalúrgica abandonada e alguns carros parados ali, um de um lado, outro de outro. Eram carros luxuosos, poderia se dizer, mas um era um tanto quanto mais desgastado e modificado, quase que robotizado. Dele saiu um homem bastante bizarro, que vestia um sobretudo azul com listras vermelhas, botas de ferro, luvas de ferro, um cajado azul na mão (que cintilava), tinha uma máscara de ferro que cobria metade do rosto e cabelos negros bagunçados, e não era isso que era mais bizarro nele, pois em uma de suas ombreiras havia um braço mecânico que se mexia como uma mão de verdade e parecia olhar para todos os lados.
O homem andava apoiando seu cajado no chão como uma bengala, se dirigindo até perto da dona do outro carro luxuoso. Era uma mulher alta, loira com os cabelos bem penteados num coque, muitas pulseiras e joias, vestido vermelho e justo, um cachecol de pele de animal, sapato salto alto e muitos seguranças ao redor. Na mão esquerda da mulher tinha tatuado a palavra “XXI”. De relance dava para notar a presença de uma outra pessoa no carro, mas só dava para ver o braço e a perna, e no braço havia uma longa tatuagem de nuvens azuis.
– Você trouxe o que pedi? – perguntou o homem.
A mulher riu.
– Depende... – os seguranças rodearam o homem de todos os lados. – Depende se você trouxe o dinheiro.
O homem suspirou; tinha uma voz abafada.
– Tudo bem, eu trouxe. Está na mala de meu carro.
A mulher fez um movimento e um dos seguranças foi até a mala. O segurança era alto e muito forte, cheio de músculos que transpareciam do terno. Ele arrancou a mala do carro com um puxão das duas mãos, deixando à mostra uma maleta. Ele a pegou e a levou até a mulher.
– Poderia ter me permitido abri-la – disse o homem robótico.
A loira riu.
– Viktor, Viktor... Se não fosse dessa forma, não seria você – ela abriu a maleta que era segurada pelo segurança e, ao certificar-se de que tinha todo o dinheiro suficiente, sorriu mais. – Seja lá o que diabos você estiver armado, nos deixe fora. Tive que pedir a uma jovem recruta que roubasse isso para você. Por sorte ela conseguiu entrar em nossa irmandade, mas, é claro, ainda não atingiu o topo.
Viktor fez uma reverência.
– Muito obrigado, Twenty One – deveria ser o nome dela –, sem vocês a minha evolução gloriosa não estaria completa.
Twenty fez uma cara feia, como se, lá no fundo, o enojasse.
– Você é muito estranho.
– Sou estranho o suficiente para perceber que estamos sendo vigiados – o braço mecânico pareceu apontar em direção à câmera, brilhando e, em seguida, destruindo-a com um raio laser. A transmissão parara.
Jayce demorou um tempo para processar tantas informações.
– Percebeu? – perguntou Caitlyn. – Eu mostrei essa gravação para alguns policiais e eles nada quiseram fazer. É possível que Viktor tenha seus homens dentro da delegacia destruindo provas, como dissemos antes. Na última tarde eu encontrei os vestígios desse caso destruídos.
– Como é? – Jayce fez uma cara feia.
Caitlyn assentiu.
– O caso do roubo dos equipamentos foi destruído, e eu estava tão perto de... de... – ela parecia triste.
– Não fica assim, Cait – consolou Ziggs.
Caitlyn fez uma careta, como se estivesse determinada.
– Mas eu não vou conseguir nada se me lamentar! – exclamou. – Não sei qual será o próximo passo de Viktor, mas com toda a energia que ele obteve com o cristal...
– Você fala como se já o conhecesse – supôs Jayce.
– Mas eu já o conheço – respondeu Caitlyn. – Ele pode ser zaunita, mas já participou de um campeonato de ciência quando jovem, aqui em Piltover. Eu me lembro. Ele fizera um projeto incrível sobre armaduras robóticas e métodos de evoluir os seres humanos para coisas mais eletrônicas. Ele teria vencido se o projeto dele não tivesse sido roubado por um outro cientista e deixasse-o de mãos abanando. Ele pediu ajuda, mas por ser zaunita, ninguém acreditou nele... Só eu. Eu investiguei o caso dele e consegui provas concretas de que o projeto fora roubado e que o vencedor deveria ser desclassificado. Mas me deram ouvidos? Não!
Jayce suspirou.
– Entendo. E agora ele quer botar o projeto dele em prática?
– É provável. Mas eu lembro de quando conversei com ele pela última vez – Caitlyn parecia pensativa. – Ele estava desolado e senti um sentimento de vingança crescer nele. Isso foi há dois anos, mas nunca esqueço dos casos que pego, principalmente os que não posso concluir.
Jayce suspirou. Percebia o ponto no qual ela queria chegar, pelo menos na conversa sobre a injustiça de Viktor. Queria dizer que ninguém iria acreditar que um zaunita pudesse se tornar algo maior na cidade, por isso o descartaram e esqueceram totalmente do que se era certo a fazer.
– Então você quer que eu te ajude com ele?
Caitlyn fez que sim.
Jayce deu de ombros.
– Tudo bem, eu ajudo vocês dois.
Ziggs cruzou os braços.
– Agora só precisamos saber como iremos derrota-lo.
Jayce sorriu.
– Eu tenho uma ideia.
[...]
Jayce voltou para a Alfândega de Piltover após testemunhar contra Viktor. A polícia fez algumas poucas perguntas, ele respondeu, e ficou por isso mesmo. Ezra Ridley que liderava investigações ao lado de Caitlyn, pois se fosse pela delegacia em si, o caso não andaria. De acordo com ela, a polícia não teria chance alguma contra o homem robótico. Ela o conhecia, e agora, Jayce também.
Heimerdinger ajudava um recruta a montar um pequeno carrinho de brinquedo. O recruta em si era um yordle jovem. Os dois estavam em uma mesa de mecânica de menos de um metro, para anões, digamos.
Heimer ergueu a visão para Jayce, sorrindo. O yordle-chefe era diferente de qualquer um outro, pois tinha um cabeção... literalmente. Seu crânio fora medido como tendo mais de trinta e cinco centímetros, quarenta, para ser exato. Ele tinha cabelos loiros que se estendiam pelo crânio, lembrando labaredas, e bigode branco – imenso –, um focinho vermelho, grandes óculos mecânicos vermelhos com lentes azuis, uma blusa azul de manga comprida com botões, cinto amarelo e calça preta.
– Jayce, meu filho! – exclamou o velho yordle. – Pensei que você já não fosse mais acordar, hoho.
Jayce se agachou para olhar o chefe nos olhos.
– Pois é, nem eu – deu uma risada fraca.
– Me disseram que você recebeu uma rajada elétrica de Viktor bem em cheio. Como se sente?
Jayce balançou a cabeça.
– Bem... eu diria. Mas não vim aqui para falar de Viktor – olhou ao redor e viu que o local tinha poucos funcionários trabalhando. – Onde está o resto do pessoal?
Heimer fez uma careta.
– A maioria foram visitar Corin no hospital, então eu dei uma folga para alguns... – ele franziu a testa imensa. – Pena que a folga era só de um dia. Parece que eles prolongaram para três, hehe.
Jayce gostava das risadas de Heimerdinger e de como sua voz soava engraçada. Era como a voz de seu falecido avô, só que mais aguda e fofinha, pode se dizer. Tirando o fato de se achar o sabe-tudo em absolutamente... bem, tudo, Heimer era um ótimo chefe. Dava o pagamento na hora, era gentil, compreensivo, sempre ajudava quando era necessário...
– Corin não chegou a terminar o meu projeto, chegou? – perguntou Jayce.
Heimer balançou a cabeça, negativamente.
– Ele esteve muito ocupado nos últimos dias, entende? Muitos outros projetos, Orianna, trabalho e mais trabalho. Às vezes ele virava a noite no seu projeto, sem muita sorte.
Jayce engoliu em seco. Corin era relativamente velho. Se ele ficou em coma e permanece assim até agora, a culpa não era de Viktor, mas dele, de Jayce. Ele o fizera trabalhar naquele projeto enquanto desfrutava dos benefícios de sua descoberta. Era famoso, todos na rua o cumprimentavam, mas isso não tirava o sentimento de culpa. Orianna podia ficar sem o pai por um longo tempo, e o culpado poderia ser ele.
Jayce assentiu.
– Entendo... Eu vou até meu escritório termina-lo.
Heimer sorriu.
– Ótimo, então você poderia cuidar da Alfândega durante a noite pra mim?
Jayce arregalou os olhos.
– Não, é que... – pensou melhor. – Sim, claro, por que não?
[...]
Jayce passou o resto da noite trabalhando em seu martelo/canhão. Ele estava muito diferente de como havia o deixado. A genialidade de Corin havia o ajudado muito, pois a parte mais difícil estava feita: que era a parte dos fusíveis e fiações. O projeto ainda estava longe de estar acabado, pois tudo que havia ali eram fios e mais fios, placas de energia e outras coisas. Deveria revestir a arma com algum tipo de metal forte, pensou.
Continuou a montá-lo: o cabo do martelo já estava pronto, poderia até segurá-lo. Colocou placas de reconhecimento genético onde colocaria as mãos, assim, a arma leria suas digitais e obedeceria às suas ordens de mudança de martelo para canhão.
Depois foi para a parte mais importante, que era a do martelo em si. Para o canhão ele introduziu um frasco de energia que havia guardado do cristal. Não havia dito para ninguém, mas pegara um pouco da energia infinita de sua descoberta, pois sabia que precisaria. Daquela forma o canhão poderia lançar raios e esferas de energia sem descarregar.
Depois, colocou placas de cobre por cima do ferro do martelo, que poderia dar mais impacto... e peso. Assim, o martelo ficaria reto quando fosse martelo, e quando fosse se tornar canhão, ficaria na forma de um M, mais largo.
Não foi um trabalho de poucas horas, foi um trabalho de dias e noites em claro. Muitas vezes ele teve de fazer uso de solda e afins para deixa-lo mais “perfeito”. Suas técnicas em mecânica lhe foram incrivelmente úteis naquele momento, e a eletrotécnica de Corin o auxiliou muito.
Parava só para comer, e comia rápido para voltar ao projeto.
Quando estava pronto, ele parou, observou, e finalmente, respirou. Respirou bem fundo, limpou o suor com o pulso, pois utilizava luvas. Suas roupas estavam sujas de graxa e ele estava incrivelmente suado. Sabia que agora ele poderia realizar seu sonho. Sorriu para sua invenção e viu que ela era boa.
Iria voltar para Caitlyn, mas antes, dormiu... dormiu muito. Guardou o canhão/martelo em seu próprio depósito na alfândega, que Heimer dera a ele meses antes. Foi para casa, comeu, dormiu, e só acordou no dia seguinte, ainda com sono. Comeu, dormiu, e só acordou no dia seguinte... de novo. Finalmente estava revigorado.
[...]
– Passaram-se duas semanas – perguntou Caitlyn –, você terminou?
Jayce chegara à delegacia, à sala de Ziggs com um pacote imenso nas costas. Parecia pesar uns sessenta quilos, mas ele carregava com convicção. Caitlyn percebeu o sorriso em seu rosto e já soube o que significava. O yordle explosivo chegou a bater palmas.
– Eu já estava perdendo a paciência – ele exclamou.
Jayce se dirigiu até a mesa mais próxima, onde deixou o pacote. Virou-se para o yordle.
– Pensei que você não tivesse paciência – respondeu.
O yordle cruzou os braços.
– E então? – perguntou Cait, animada. – Queremos ver a sua criação!
Jayce sorriu e respirou fundo. Retirou o zíper do pacote e o abriu, retirando o martelo de lá. Tinha, ao todo, um metro e alguma coisa, chegando a ser mais alto que o próprio Ziggs. Uma energia azul cintilava de sua ponta, de onde sairiam os raios lasers.
Jayce o segurou como se fosse uma guitarra.
– Eu sei que deverei utilizá-lo durante o ataque a Viktor, mas... – fez esforço para ajeitar o martelo nas mãos. – Preciso treinar com ele.
– Você não pode acha-lo pesado – disse Caitlyn. – Precisa treinar.
Jayce respirou fundo, já se cansando.
– Certo, e quem será meu treinador?
Ziggs abriu um imenso sorriso. Jayce não pareceu gostar da ideia; fez uma careta.
– Não – ele disse.
– Sim – retrucou Caitlyn.
– Bum, haha – saltitou Ziggs.
[...]
Caitlyn apresentara o projeto do martelo/canhão de mercúrio para toda a delegacia, que pareceu se interessar no projeto. Ao lado de Ezra, ela começou a organizar o plano de resgate ao cristal, enquanto que Jayce treinava com Ziggs.
Jayce, utilizando somente uma camiseta regata e uma calça verde de quartel, teve de percorrer boa parte de Piltover com Ziggs atrás dele, em uma espécie de mochila. O yordle cabia certinho lá, e ainda por cima levava consigo três pesos de cinco quilos. Total de quarenta e cinco, contando com os trinta do yordle.
– Vai, vai, vai, vai, vai! – gritava o yordle. – Vai, continua, não para, seu frouxo!
Jayce odiava muito aquele bichinho peludo, mas sabia que era necessário. Precisava se treinar a nível de quartel noxiano caso quisesse batalhar ao lado de sua cidade. Se quisesse ser mais do que um simples mecânico, deveria treinar.
Pingando de suor, corria a passos longos pelas florestas que circundavam a cidade, a uns cinco ou mais quilômetros da entrada. Corria pela grama, corria por pedras, saltava pedras, corria por cachoeiras, por lagos, tudo isso enquanto Ziggs gritava para que ele continuasse. Ficaram ali por algumas horas. Os poucos momentos que o yordle parava de gritar era quando começava a tomar seu suquinho no canudo com seu sanduíche de bacon apimentado e picante.
Quando voltaram à cidade, começaram a etapa dois. Jayce fazia flexões com Ziggs encima dele, não fazendo tanto peso, mas era considerável.
– Um, dois, três, quatro... – o yordle fazia o trabalho de contar... gritando. – Cinquenta e sete, cinquenta e oito... Oitenta e nove... Cento e trinta e cinco... Duzentos e cinquenta...
Quando Jayce pensava que ia desabar de cansaço, Ziggs arrancou sua camisa e começou a correr feito um desmiolado.
– Seu idiota, volta aqui! – gritou ao yordle.
– VOCÊ NÃO ME PEGA, LALALALALA!
Caitlyn tudo observava, admirando a convicção e treinamento árduo que Jayce levava... E, claro, admirava seus músculos.
[...]
– E então, Agente Caitlyn – dizia Ezra –, como anda o treinamento de Jayce?
Ao redor de uma mesa redonda eletrônica, o conselho de Piltover se reunia. A missão de resgate do cristal atingiu um ponto de reunir dezenas de líderes com a agente líder do caso. Na mesa estavam Caitlyn, Ezra, Xerife Samwell (que nada fazia a não ser comer), o prefeito, e outros homens.
Caitlyn se levantou. Ao seu lado havia uma tela holográfica, onde eram mostradas as várias etapas do treinamento de Jayce em várias outras telinhas. Em uma mostrava ele correndo com Ziggs nas costas, outra o mostrava malhando, em outra o mostrava treinando com o martelo de mercúrio em si, fazendo giros com ele e quebrando coisas com ele, com, até mesmo, placas de concreto. Vários homens dali se surpreenderam com a eficácia da arma. Numa outra tela mostrava o canhão sendo testado. Havia um alvo, e havia Jayce. Ele não precisou apertar botão nenhum, pois o canhão parecia atender aos seus pedidos, carregando energia azul e, depois, a lançando. Foi um tiro certeiro que explodiu o alvo em pedacinhos. Os homens bateram palmas, maravilhados.
– Jayce tem progredido em porcentagens alarmantes em seu treinamento – ela começou a dizer. – Sua massa muscular tem aumentado em duzentos por cento nos últimos dias com treinamentos que testam sua resistência, tanto com os braços quanto com as pernas. O martelo de mercúrio tem quase o peso de um adulto comum, por isso é necessário que o usuário tenha força e resistência para o aguentar em todas as circunstâncias, sem perder as forças. Jayce já conseguiu lutar contra robôs de treino por quase meia-hora sem perder a energia, como poderão ver no seguinte vídeo.
Caitlyn apertou um botão na tela holográfica e deslizou um vídeo para o centro, depois, o ampliou com o uso das duas mãos. No vídeo era mostrado Jayce lutando contra robôs da guarda de Piltover em uma sala de treinamento com maestria e força. Girava o martelo como se ele não tivesse peso algum, destruindo tudo que tocava. Em momentos o martelo parecia que atendia suas necessidades e se transformava num canhão em segundos quando ele precisava, e voltava a martelo quando era necessário.
– Veem por que coloco tanta fé nele? – perguntou Caitlyn. – Jayce não é só um gênio da mecânica, como ele também tem potencial para nos levar a vitória. Agora, Senhor Ridley – se virou para Ezra –, tem informações sobre onde Viktor se esconde?
Ezra fez que sim e se levantou na cadeira ao tempo que Caitlyn se sentou.
– Recebemos informações de espiões de nossa organização que o viram em Zaun, sua cidade-estado natal – ele respondeu em alta voz, para que todos ouvissem. A tela holográfica foi até perto dele, ele tocou em um ponto, uma espécie de mapa que mostrava Piltover e, mais embaixo, Zaun. Depois, ele tocou em Zaun e abriu-se um novo mapa da cidade, depois, clicou em uma área ao sudeste. – Acreditamos que ele esteja em um galpão antigo, onde eram criados robôs, que foi fechado anos atrás. Vimos guardas de Viktor fazendo a ronda por lá, e, é claro, os radares captaram a energia do cristal vinda de lá.
O prefeito, um homem de meia-idade, mais ou menos cinquenta anos, cabelos negro-grisalhos e roupa elegante começou a falar.
– Mas qual é o plano que vocês têm? Pensam em invadir o galpão?
Ezra fez que sim.
– Na próxima noite iremos investir contra Viktor, liderados por Jayce e seu martelo de mercúrio.
– E vocês colocam tanta fé assim nele? – perguntou o xerife. – Meus homens fazem mais do que um mecânico marombado que tem uma arminha maneira.
Caitlyn socou a mesa com força, perto de onde o xerife estava.
Ela o olhou nos olhos com fúria.
– Não ouse sequer tentar difamá-lo perto de mim, xerife!
O homem se levantou, se impondo à ela.
– Como ousa levantar a voz para mim, mera agente?!
– Sente-se, xerife!! – gritou Ezra, chamando a atenção de todos. O xerife ficou sem graça e se sentou. – Ele está treinando duro para nos ajudar, Caitlyn e nós também, enquanto que você só fica aí, sentado e comendo rosquinhas. Você é um péssimo xerife.
O prefeito sorriu.
– Acho que a delegacia deveria eleger um novo xerife – sugeriu, como se falasse consigo mesmo, como se tivesse pensado em voz alta.
– Mas tio – reclamou Samwell.
– Mas nada! – exclamou o prefeito. – Você não tem resolvido casos faz semanas, enquanto que essa agente faz o maior trabalho. Se ela não tivesse agido, não teríamos conhecimento do inimigo e nem da arma que poderemos usar. A partir de amanhã você estará saindo do cargo de xerife, que será dado à Agente Caitlyn.
Caitlyn arregalou os olhos, boquiaberta.
– E-eu, xerife?
O prefeito assentiu.
– Agora não iremos mais te chamar de Agente, mas sim de Xerife Caitlyn.
[...]
O dia enfim havia chegado. O resgate do cristal iria começar em poucos minutos. Naves de Piltover eram preparadas para voarem até Zaun, que era relativamente longe, pode-se dizer.
Piltover tinha um aero-porta-aviões, uma instalação flutuante gigantesca que sobrevoava a cidade. Era lá que eles guardavam todas as naves e aviões da guarda da cidade, mas mesmo que seja imenso, não era nem um terço do tamanho da cidade-estado, que era gigantesca.
No aero-porta-aviões, Jayce se aprontava para a missão. Se vestiu a caráter, de forma que fosse combinar com sua nova arma: pôs luvas de ferro que o ajudariam a sustentar o peso do martelo por mais tempo, calça de couro azul, uma capa como a de Viktor, uma obreira dourada como a dele, uma cota azul com partes vermelhas e uma esfera dourada no centro, representando Piltover. Jayce agora via o homem robótico como se fosse seu nêmeses a ser derrotado, um arqui-inimigo, por isso se vestiu quase igual a ele.
Caitlyn adentrou o quarto em que Jayce se arrumava. A porta era automática e abria para o lado. Ela observava enquanto ele se olhava em um espelho em um armário. Era um espelho artificial, e sumiria assim que Jayce apertasse um botão, como se fosse água.
– Está pronto? – ela perguntou.
Ele olhou para trás, para ela.
– Se eu não estivesse – ele deu um sorriso –, todo o esforço de Ziggs seria jogado fora.
Ela riu.
– Venha – chamou.
Ele se juntou com ela enquanto andavam pelo interior da instalação aérea. Era como uma nave, uma super nave. Soldados piltoverianos andavam para lá e para cá, vestidos com o uniforme oficial. Haviam outros quartos onde os outros homens ficavam e se ajeitavam para a batalha.
– Esse lugar é incrível – ele disse. – Nunca imaginei que viria aqui um dia.
Caitlyn andava à frente, vestida com uma roupa roxa – saia com babados brancos, casaco policial preto com colete a prova de balas (e lasers), e seu chapéu que lembrava uma cartola –, todos que passavam olhavam para ela, admirando o fato dela ter se tornado xerife tão rapidamente por exímia competência.
– Nem eu – ela respondeu. – Devo agradecer a você. Você deu esperança a muitos desses jovens. Eles acreditam que você pode dar a vitória.
Jayce franziu a testa.
– Sou só um mecânico.
– Não é mais – ela retrucou. – Agora é um soldado, um guerreiro de Piltover.
[...]
Jayce se viu sair da estação em uma nave de tamanho médio, que portava outros sete soldados com roupas especiais, capacetes e armas de laser. Todos estavam sentados, silenciosos. Jayce usava um capacete como todos os outros, mas também tinha uma mochila paraquedas nas costas. O martelo de mercúrio ocupava um grande espaço, e também era difícil prever como desceria de uma altura tão grande com um peso daqueles. Deveria improvisar.
Jayce olhou para fora da janela, vendo a escuridão que os dominava. Rapidamente saíram de solo piltoveriano para entrar em solo zaunita. Era tudo escuro, poluído e de clima espesso. A cidade era escura, mesmo de dia, e parecia um centro de loucos. Infelizmente ela era tão grande quanto Piltover, e várias naves como aquelas poderiam ser vistas de longe, e claramente seriam dadas como de Piltover, já que era a única outra cidade que utilizava naves.
O capitão da missão apareceu do nada, tirando Jayce de seus devaneios. Ele era um homem alto, careca e parrudo, com o uniforme da guarda.
– Vocês irão saltar dessa nave quando eu der a ordem, ouviram?! – gritou. – Vocês desceram até lá e irão invadir o império robótico daquele louco, matem todos os inimigos... – se virou para Jayce. – E você, garoto, todos estão confiando em você. Mate Viktor e resgate o cristal.
Jayce assentiu, olhando para seu martelo/canhão.
– Vocês não serão parados por meros seguranças de Viktor – continuou o capitão –, pois a Xerife Caitlyn e seus atiradores irão eliminá-los.
Jayce engoliu em seco.
– Senhor, posso fazer uma pergunta?
– Não! – ele exclamou. – Boa sorte!
Jayce sentiu como se o chão tivesse ruído. Logo viu que uma espécie de alçapão mecânico liberou todos os soldados piltoverianos aliados. Se viu numa queda livre de incontáveis metros, incontáveis pés. Sentia o vento bater em seu rosto com força; por sorte o capacete tinha um visor que cobria os olhos, assim, eles não seriam danificados com o vento e a queda.
Olhou para o lado e viu os outros homens caindo. Eles pareciam ser profissionais, sabiam exatamente o que fazer e a hora de abrir o paraquedas. Jayce apertou o cabo do martelo com força na mão; as luvas o impediam de suar a mão, por sorte. Sentia que o martelo não iria sair de sua mão, pois estavam conectados de uma forma alucinante.
De repente já podia ver o imenso galpão onde Viktor estaria escondido, e já via a entrada. Olhou para o lado, para o prédio mais próximo, e viu, no topo, Caitlyn e seus homens atirando com seus rifles de longa distância nos guardas.
– Abram seus paraquedas! – uma voz exclamou em seu capacete.
Jayce, com a mão esquerda, apertou um botão em algum lugar, não percebeu onde e nem mesmo lembra onde foi, mas o paraquedas se abriu e, rapidamente ele estava no solo junto de seus homens. Sabia que eles o seguiriam aonde ele iria, então, retirou a mochila-paraquedas e arrombou a porta de entrada com seu martelo, com toda a força.
Todos adentraram o galpão, atirando e recebendo tiros. Os soldados de Piltover atiravam com suas armas em robôs e em capangas de Viktor. Jayce carregou energia com seu canhão e atirou. Explodiu dois robôs, depois três, quatro. Conseguia lançar lasers explosivos e tiros normais, como as outras armas. Sabia que o martelo havia sido incrementado com os cientistas e mecânicos de Ezra, e sabia que ele estava bem mais resistente que antes.
O galpão era cheio de containers imensos. Jayce alternou para martelo e começou a quebrar todos os robôs que chegavam. Um de seus homens levou um tiro e caiu. Jayce se virou para eles.
– Vocês se cuidam sozinhos? – perguntou.
Um dos homens pareceu indignado com a pergunta.
– Fazíamos isso muito antes de você chegar. Vá, pode ir atrás do cristal!
Jayce assentiu, se virou e correu, correu com o martelo em mãos, destruindo tudo que entrava em seu caminho: robôs, homens, outras máquinas. Sentia a adrenalina pulsar, sentia-se completamente livre, uma energia que se libertava após anos contidas, como se ele fosse predestinado àquilo.
Correu para uma porta próxima, onde deveria dar acesso aos domínios de Viktor. Correu por um corredor longo, com várias prateleiras gigantes ao redor, com milhares de peças robóticas espalhadas pelo chão. Correu, correu e correu. Chegou até uma porta automática, que parecia que só abriria com um cartão. Incrivelmente a porta se abriu sozinha, dando abertura para uma escadaria que dava para uma plataforma suspensa no vácuo, que parecia flutuar. A plataforma era redonda e parecia estar literalmente no nada, pois não se viam paredes ao redor. Era escadaria, plataforma, e só. Jayce a desceu rapidamente. Chegou na plataforma e um painel de controle ascendeu do chão. No painel haviam vários códigos, alguns botões, não sabia o que eles significavam.
Foi quando uma ponte mais para a esquerda de Jayce apareceu, sendo iluminada lentamente. No fim da ponte pôde se ver uma porta dupla, e um vislumbre das paredes. Ufa, pensou Jayce, não estou ficando maluco.
Seguiu pela ponte e a porta dupla se abriu para ele. Seguiu, seguiu e seguiu por um corredor escuro. Iluminou-o com seu canhão de mercúrio e viu dezenas de circuitos, placas e painéis ao redor, mas paredes. O local era sinistro.
De repente Jayce chegou ao fim do corredor e tudo se iluminou. Agora estava numa imensa sala de comando, onde haviam vários computadores, mesas cadeiras ao redor e, no fim dela, um homem à frente de um painel de eletrônico, como se fossem controles de uma nave. No topo de tudo havia uma esfera brilhante que “bombeava” energia para todo o galpão com cabos que eram visíveis na parede.
– Viktor – chamou Jayce.
Viktor se virou para ele, sorrindo. Ele ainda utilizava meia-máscara, e estava igual quando se encontrou com Jayce pela primeira vez, tirando pelo fato de que agora segurava com uma mão um cajado, e o outro braço era de ferro, totalmente robotizado.
– Faz tempo que não nos vemos, não é mesmo? – ele disse. – Na última vez que nos vimos, eu era como um humano fraco. Mas agora estou cada vez mais perto da evolução gloriosa – mexeu o braço mecânico, que era muito mais musculoso quanto o outro. – Logo eu serei 90% máquina, e todos também.
Jayce franziu a testa por trás do visor.
– Você é louco?
Viktor bateu seu cajado com força no chão, e Jayce percebeu energia azul sair dele. Havia uma pedra na ponta superior do cajado que era revestida de energia do cristal.
– Loucos são aqueles que roubaram meu projeto e venderam como se fosse deles! – gritou Viktor, de forma insana. O cristal pareceu brilhar num tom avermelhado após seu surto de fúria. Logo a esfera energética brilhante na parede começou a brilhar em vermelho, também. – Eu vou me vingar de Piltover com a energia que ela mesma me proporcionou.
– Tudo por causa de sua invenção roubada? – perguntou Jayce.
Viktor o observava com fúria.
– Você fala como se não fosse nada, mas aquele era o projeto da minha vida!!
– Não vou deixar que você destrua minha cidade com sua robótica insana! – gritou Jayce, apontando-lhe o canhão de mercúrio.
Jayce concentrou energia em seu canhão e depois atirou um laser constante na direção de Viktor. Ele apontou o cajado para ele e um raio vermelho saiu, colidindo com o de Jayce. Os lasers se confrontaram, vendo quem tinha mais energia.
– Desista! – disse Viktor. – A evolução é algo inevitável.
Viktor fez um movimento com o cajado e a energia se concentrou contra Jayce, fazendo com que ele perdesse o duelo e caísse para trás. Se levantou rapidamente com o martelo em mãos, avançou em Viktor e o vilão ergueu o cajado que brilhou com mais intensidade. Jayce caiu no chão de joelhos, com o capacete apitando um som agudo terrível e o atordoando.
– Toda eletrônica com rede móvel está sobre meu controle – disse Viktor. – Renda-se e una-se à gloriosa evolução!
– Nunca! – Jayce retirou o capacete e o lançou para longe.
Avançou no homem com o martelo brandindo-o para a frente. Viktor se esquivou, e deu-lhe um soco no rosto com o braço de ferro. Jayce girou e brandiu o martelo novamente, que colidiu com o braço de ferro, e o pequeno braço mecânico de seu ombro atirou um laser que quase acertou-o em cheio.
Droga, pensou Jayce. Me esqueci desse braço.
Viktor apontou-lhe o cajado e uma rajada de laser vermelho atingiu Jayce no peito, lançando-o para longe. O martelo saiu de sua mão e deslizou para longe. Viktor avançou a passos lentos de Jayce, apontando-lhe o cajado que emitia eletricidade avermelhada.
– Você não pode me derrotar, Jayce – provocou Viktor. – Você é um mero humano.
Jayce, ainda no chão, respirava com dificuldades.
– Você não vai vencer – respondeu. – Não enquanto eu estiver vivo!
Jayce rolou para o lado, pegou o martelo e, com toda a sua força, brandiu-o contra Viktor. Rapidamente o vilão ergueu o braço de ferro em modo de defesa, mas não funcionou, pois a força de Jayce foi tamanha que o braço se quebrou e, com outro golpe, o braço pequeno também se quebrou.
Jayce chutou Viktor que caiu no chão, depois, esmagou o cajado no chão com o martelo, fazendo-o em picadinhos.
– Você não vai vencer – ofegou Viktor no chão. – O cristal está corrompido, não poderá voltar a dar energia limpa para sua cidade mais.
– Eu sei – respondeu Jayce. – E é por isso que vou destruí-lo.
Viktor arregalou o olho.
– Você é louco?! Este cristal é uma relíquia que não poderá voltar a ser descoberta.
– Não me importo.
Jayce ergueu o canhão de mercúrio e concentrou a maior quantidade de energia que pôde para um disparo que destruiria o cristal. Apontou para ele, e atirou. O vidro do cristal explodiu, liberando energia escarlate para todo o lado.
– Seu idiota! – gritou Viktor.
Fogos vermelhos se espalharam por toda a sala, explodindo tudo ao redor. Jayce olhou para seu inimigo, caído no chão, impotente. Pensou em ajuda-lo mas um dos fogos atingiu-o em cheio, queimando-o. Ele gritou e gritou, mas Jayce nada pôde fazer.
Jayce se virou e começou a correr, enquanto o fogo e os raios vermelhos explodiam atrás de si. Correu pelos corredores sem fim, correu pelas escadarias, subiu, subiu, chegou ao galpão e continuou a correr. Seus aliados ainda batalhavam com os capangas de Viktor.
Jayce percebeu que a porta que dava à sala do cristal e qualquer outra coisa perto começava a se desintegrar e ser devorado por uma espécie de buraco-negro criado pela explosão do cristal.
– Corram! – gritou Jayce. – Saiam todos daqui!
Ajudou seus homens a saírem lá de dentro, enquanto todos os capangas de Viktor eram sugados para o buraco negro, junto do galpão. Ao longe, Caitlyn, Ezra e seus homens assistiam, abismados, enquanto o galpão era sugado para dentro do buraco-negro. Jayce e seus homens conseguiram fugir, mas quando se deram conta, não existia mais galpão e nem nada ali.
Jayce respirava fundo. Não sabia se havia cumprido a missão ou não, mas sabia que tinha salvo sua cidade de um futuro incerto nas mãos de Viktor. Agora o vilão estava morto, e Jayce, havia vencido.
Não por muito tempo.
Fale com o autor