League of Legends: As Crônicas de Valoran
5 Capítulo 4: Ashe
Capítulo 4:
Ashe Frozenheart – Rakelstake – Tribo dos Praeglacius
A brisa gelada de inverno trazia à Ashe uma visão nostálgica.
O dia tinha um bonito sol, mas as nuvens e o frio já denunciavam a volta do inverno. Mas mesmo assim, Ashe ainda poderia desfrutar da sensação do caloroso verão, e sentiria um pouco de falta. Mas Freljord sem neve é só mais um reino como qualquer outro, tirando que ele é um pouquinho menos desenvolvido, comparado à Piltover e Zaun.
A visão de Rakelstake, a vila dos Praeglacius, era algo quase divino. Existiam vários pinheiros com um pouco neve, neve noturna, pensou Ashe. Mais adiante havia o vilarejo, que era bem bonito e grande, cheio de casas e mercados. Haviam montanhas no horizonte. Montanhas de gelo e neve, que davam uma visão completamente panorâmica. Também podia se ver uma imensa estátua de Lissandra. Não a princesa Lissandra, filha da falecida Mauvole. Aquela era a Lissandra, uma das três irmãs da história da Guerra das Três Irmãs. Fora ela quem declarou maior guerra à Avarosa, e foi a que recebeu mais poderes dos Observadores Gélidos. Nunca se soube muito sobre ela. Tudo que se sabia sobre a Lissandra, eram os relatos sobre a grande guerra. Mais nada.
Grama, árvores, um pouco de neve, o vento frio do quase-inverno... Tudo era bastante nostálgico e bonito para Ashe. Ela apreciava o frio; se sentia parte dele, como se ela tivesse nascido de dentro da neve. Seus cabelos brancos diziam isso. Por mais que ela sentisse um frio congelar seus ossos, ela gostava da sensação. Ela se lembrava de quando recebera o arco de Avarosa, que ela carregava para todos os cantos. Agora mesmo ela estava com ele. Aquele imenso arco azul mágico de Gelo Verdadeiro.
Ela estava em cima de um morro, avistando a vila de Rakelstake, onde iria ver a coroação da princesa Lissandra. Ela fora acompanhada de Thaynam, seu tio, de alguns soldados da Guarda Avarosiana, e de Nunu, um jovem garoto de 9 anos e domador de Yetis. Ele era bem baixinho, e ia montado em Willump, seu Yeti, enquanto Ashe e os outros iam à cavalos brancos. Nunu tinha cabelos brancos, como todos os outros Freljordianos, mas sempre utilizava um tipo de capuz que geralmente se usa em Freljord, devido ao frio incessante. Nunu era um Praeglácio, e ele fora expulso por se apegar demais à seu Yeti. Ashe o encontrou e o “adotou”.
Willump andava em duas patas, era coberto de pelos brancos, tinha uma cara marrenta, e mãos e pés nus. Ele só parecia se dar bem com Nunu, pois parecia ter um pouquinho de raiva – ou medo – dos soldados Avarosianos que acompanhavam Ashe. E parecia demonstrar uma certa aversão ao tio de Ashe, Thaynam. Ele reconhece pessoas medrosas, dissera Nunu uma vez, de forma que irritara Thaynam.
Ashe parecia intrigada com o convite da princesa Lissandra. Por mais que a tribo dos Praeglacius fosse um tanto quanto indiferente quanto à guerra entre as tribos, eles continuaram na guerra do trono de Freljord. Mesmo assim, Sejuani era a principal inimiga de Ashe, Mauvole sempre preferiu reinar em sua tribo, e ignorar totalmente a guerra entre os Avarosianos e os da Garra do Inverno.
A estrada não era tão grande. Faltavam poucos quilômetros para chegarem até o local destinado. A viagem até ali fora um pouco cansativa, mas eles já estavam acostumados à esse tipo de coisa. Ashe sempre viajava por fins políticos, e Nunu as vezes ia junto. Thaynam, sendo o conselheiro da rainha, preferia a segurança do castelo. Por isso que Nunu o chamava de covarde.
O garoto domador de Yetis sempre foi órfão; nunca conheceu os pais, e nunca foi adotado por ninguém na tribo natal. A única pessoa que havia cuidado dele, foi o Domador de Feras, que o havia ensinado à domar Willump. Ele conhecia bem o caminho para Rakelstake, por isso ele estava lá.
– Não gosto muito da princesa Lissandra – comentou Nunu.
Ashe franziu a testa.
– Ela é tão ruim assim?
– Não a acho ruim. Só a acho meio chatinha. Mas eu nunca a via muito; era um plebeu naquela época. – Ele olhou para a tribo com um olhar triste.
Ele é inteligente demais para um garoto tão novo, pensou Ashe. Ela continuou cavalgando, e seu cavalou relinchou baixinho.
Thaynam parecia com sono. Ele sempre estava cansado; era preguiçoso. Mesmo que ele fosse sábio e inteligente, ele não tinha muitas outras qualidades. Era sarcástico e as vezes cruel. Ashe se perguntava por que confiava tanto nele; ele era seu tio. Era da família, e sempre aconselhou bem a sua mãe. A única vez que sua mão não me ouviu, disse Thaynam certa vez, ela morreu. E era por isso que ela confiava nele.
...
A tribo de Rakelstake estava em festa. Haviam várias cidadãos festejando e cantando. Várias ornamentações feitas de lascas de Gelo estavam penduradas em mastros, como era de costume na cidade. As ruas estavam com um pouco de neve e havia grama sobressalente. Muitas das pessoas da vila usavam roupas de couro ou de pele. Outras preferiam por usar roupas de tecidos mais sofisticados, como os de Ashe, que vestia-se com uma roupa simples: um capuz azul com uma imensa capa, uma saia, botas de cano longo, lutas, e uma cota, tudo azul. Seus cabelos brancos e olhos azuis davam um ar celestial à moça.
Eles “estacionaram” seus cavalos, e adentraram na vila. Ashe ao centro, Thaynam à sua direita, e Nunu à sua esquerda. Alguns guardas iam atrás, e Willump havia ficado com os cavalos. Nunu havia se certificado de que ele não tentaria devorá-los como fez com o cavalo de Thaynam na primeira semana de estadia no castelo de Ashe. O tio da jovem havia ficado furioso, e Nunu chorava de medo do homem. Thaynam exigia que Ashe punisse o garoto e o Yeti, mas Ashe repreendeu o tio, e tomou aquilo como um insulto à sua política de paz. Espero que você não toque em nenhum fio de cabelo do jovem Nunu, disse Ashe à Thaynam. Se você o fizer, eu nunca o perdoarei. Depois disso, Thaynam teimou por evitar Nunu, mas foi melhor assim.
Ashe avistou, ao longe, o pedestal com a estátua de Lissandra, a fundadora. Ela era bem bonita; tinha cabelos brancos em uma enorme trança, um vestido azul com lascas de Gelo, e um olhar calma e sereno, mas mortal. A estátua era feita de Gelo, mas Ashe conseguia vê-la de um ângulo diferente, como se aquela fosse a verdadeira Lissandra. Mas ela já devia ter morrido já há muito tempo. A Guerra das Três Irmãs foi à quatro séculos, e ela não poderia estar viva. À não ser que ela tivesse permanecido com o poder dos Observadores, mas isso era bem improvável, já que eles foram mortos.
Haviam várias pessoas aglomeradas ao redor de algo que parecia um palco. Tinham cavaleiros com armaduras de couro e pele, com cabelos brancos e armas. Ashe pensou que eles poderiam estar armando guerra, mas Thaynam lhe avisou que eles treinam para luta tanto quanto os da Garra do Inverno. Também haviam moças com vestidos bonitos, crianças com roupas esfarrapadas, e alguns animais. No palco estavam alguns guardas com escudos e uma jovem donzela de cabelos loiros e vestido branco com uma espada na mão. Ela tinha um rosto serene, mas tinha um olhar um pouco sombrio. Sempre que ela sorria, esse olhar sombrio desaparecia, e ela olhava para todos os lados parecendo procurar alguém.
Ashe, Thaynam e Nunu começaram adentraram na cerimônia, esbarrando por algumas pessoas para chegar mais perto. Princesa Lissandra pareceu ter encontrado o que procurava, pois fez uma cara de animação, e abriu um enorme sorriso. Ela sussurrou algo no ouvido de um soldado ao seu lado, e ela não tirava os olhos de Ashe. Ela estava me esperando, pensou.
A princesa, e futura rainha, foi até o centro do pequeno palco, e começou à dizer:
– Ontem, tivemos o enterro de minha mãe... – Ela fez uma pausa, e fingiu uma cara triste. Ela fingiu? Estava na cara que ela estava forçando, mas parecia estar funcionando. Bom, Ashe desejava um pouco que a mãe... desaparecesse. Morrer já é outra história. A princesa enxugou as lágrimas quase invisíveis, e continuou: – Com a morte da nossa antiga rainha, hoje, eu, a Lissandra, atualmente princesa, e filha de Mauvole Heartstark, serei coroada a nova líder da tribo dos Praeglacius!
Todos os cidadãos ao redor de Ashe vibraram e gritavam coisas benevolentes à nova líder.
Por mais que Ashe tivesse se sentido estranha com o: “...antiga rainha”, ela tentou relevar. Aquilo lembrava a sua coroação, quando seus sonhos de paz estavam no auge. O encontro com o espírito de Avarosa havia ressuscitado seu sonho, mas não por completo. Mas tinha algo estranho no jeito que Lissandra a olhava. Era como se ela quisesse dizer algo para que Ashe ouvisse, e só ela.
Um homem de cabelos brancos, bem velhinho, com um manto azul, coroou Lissandra com uma coroa azul com diamantes e pequenas pedras de Gelo. A garota sorria com a sua “torcida”, que pareciam enviar “boas energias” para ela. Ashe não conhecia muito dos Praeglacius, ela se perguntava se ele estavam mesmo na batalha pelo Trono de Gelo, pois pareciam não se importar. Nunca se importaram.
Lissandra encarou Ashe com um sorriso maior ainda. Mas dessa vez era um sorriso diferente, como se ela tivesse lembrado algo que iria dizer que tivesse Ashe envolvida. Ela fez um gesto para que todos se calassem, e assim se fez:
– O inverno está chegando, e precisamos estar em harmonia com nosso espírito durante esses tempos árduos. – Ashe pensava que esse papo de harmonia e espírito fossem coisas de Ionianos, mas pareceu gostar da ideia. Talvez adotasse para seu reino. Lissandra continuou: – Não podemos nos envolver em mais guerras; já bastou a guerra com os Ursine que tivemos antes deles se aliarem com Sejuani... Não podemos nos envolver em mais guerras. – Ela olhou para Ashe, e agora ela entendia o porquê de tanto contato visual. – Hoje nós temos entre nós a rainha de Freljord, ou dos Avarosianos: Ashe Frozenheart! – Ela apontou para Ashe, e todos ao seu redor olharam para ela.
– Não gostei disso – comentou Nunu.
Ashe recuou, olhando para os lados. Ela olhou para Lissandra e a princesa sorriu.
– Não se preocupe, Ashe – disse ela, de forma serene, para que todos pudessem ouvir. – Não tenho interesse na batalha pelo Trono de Gelo. Eu odeio Sejuani e a Garra do Inverno tanto quanto você. Então – ela estendeu a mão para Ashe, mesmo que elas estivessem à uma distância bem grande. – Você aceita uma aliança comigo?
Fale com o autor