League of Legends: As Crônicas de Valoran
16 Capítulo 15: Ashe
Capítulo 15:
Ashe Frozenheart – Freljord
Os dias haviam se passado, mas a busca por ajuda de Ashe não podia terminar. O inverno chegaria e ela precisava de aliados em sua futura luta contra Sejuani, que estava se aproximando cada vez mais. Ela sentia isso no fundo da sua alma, e nada no mundo conseguia remover esses pensamentos. Nem mesmo criar flechas de puro Gelo e atingi-las no alvo, nem brincar com Nunu nos bosques próximos, e nem mesmo as noites na cama com Tryndamere podiam lhe remover esse pensamento. No começo ela não gostava, mas depois, começou a pegar gosto.
Governar não era fácil. De vez em quando ocorriam brigas entre aldeões que acabavam em confusão e até mesmo morte. Ela tinha que ser sábia e devia saber como lidar com tais situações. Ela tinha reinado por cinco anos, tinha experiência, mas seu pensamento não saía de Sejuani, sua quase prima.
Ela olhava para os poros que saltitavam pela neve que ia se formando, mesmo com um sol gelado, e podia ouvir seu falcão albino planar pelas nuvens e piar alto, para todos ouvirem. Vê-lo lhe trazia paz. Uma paz que não vinha de jeito nenhum. As vezes ela se sentava na janela e observava o reino de Freljord. Observava as montanhas cobertas de neve, as nuvens que se aproximavam, os pinheiros, podia sentir o vento frio chegando. Logo iria ver a dor e sofrimento do inverno chegar novamente. Isso lhe trazia mais agonia do que qualquer coisa. Ela se lembrava das perdas que o último inverno havia trazido. Pessoas morreram aos montes.
Lá embaixo, no pátio do castelo, ela podia ver os bárbaros de Tryndamere treinando com longas e poderosas espadas, enquanto crianças observavam, admiradas.
– Incrível, não? – perguntou-lhe uma voz familiar. Ela olhou para trás; Tryndamere, seu marido. Ele estava ali, à sua frente, sem capacete, sem camisa, com somente o saiote de bárbaro que ele sempre usava. Seus longos cabelos negros estavam presos num rabo de cavalo. Ela se surpreendera em não ter se assustado com sua súbita aparição.
Os dois deram um rápido beijo.
– Pensando no que, minha rainha?
Ela suspirou.
– Muitas coisas. Sejuani, Lady Lissandra... – olhou para o marido. – A guerra das três irmãs poderia acontecer novamente?
– Não sei – ele disse. – Pergunte a alguém que já tenha visto – e deu uma leve risada.
– Ironicamente – ela respondeu. –, eu conheço uma pessoa que viu a guerra.
Ele franziu a testa.
– Sério?
– Sim. Na verdade, não é uma pessoa. É uma Criofênix, uma fênix de gelo. Ela se chama Anivia, e mora em uma montanha, num ninho. É uma velha amiga minha... ela iria vir ao nosso casamento, mas hesitou quando eu disse que era numa vila bárbara; não gosta de sair muito.
– Pensei que as Criofênix estavam extintas há séculos.
– Eu também.
Ela continuava a observar o horizonte. Algo nele a confortava. Talvez a beleza, ou o quanto aquilo lhe era nostálgico. Ela se perguntava se ainda havia algo de belo em Freljord, algo que não lhe trouxesse lembranças de um inverno devastador. Também se perguntava se Sejuani pensava nisso. Se ainda havia alguma coisa dentro daquele gelado coração.
Lorde Thaynam adentrou na sala rapidamente, sem mesmo ver que Tryndamere estava ali. Ele usava uma cota de malha e um saiote marrom. Ele trazia uma carta em mãos, e ao ver o rei bárbaro ao lado de sua sobrinha, engoliu em seco.
– Minha Rainha? – Ashe e Tryndamere se viraram para encará-lo.
Ela sorriu.
– Tio Thaynam. Chegue mais perto. O que traz em mãos?
Ele chegou mais perto, até Ashe.
– Nessa manhã, recebemos uma carta de Lady Lissandra, de Rakelstake – entregou a carta à ela, que pegou-a, franzindo a testa. Ela a desembrulhou, e começou a ler o que estava escrito. Tryndamere franziu a testa.
Lorde Thaynam percebeu a dificuldade dele ao tentar ler a carta.
– Sabe ler, Senhor Tryndamere? – perguntou. Ashe não tirava os olhos da carta.
O rei bárbaro suspirou, de forma irritada.
– Não – respondeu.
Thaynam deu uma risada baixa.
Ashe embrulhou a carta novamente, visto que terminara de ler. Ela ergueu o olhar ao tio, e perguntou:
– Lady Lissandra quer conversar comigo e com Tryndamere?
– Ao que parece... sim. Não sabemos ao certo sobre suas intenções: talvez seja algo sobre a batalha com Sejuani...
– Não quero batalha nenhuma – respondeu ela. – Estou criando minha defesa: é diferente. Eu quero um mundo de paz.
Thaynam revirou os olhos.
– Tanto faz.
– Quando ela quer se encontrar conosco?
– O mais rápido quanto possível.
Ashe cruzou os braços e se encostou na parede.
– Marque para amanhã. Quanto mais cedo irmos, melhor.
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