League of Legends: As Crônicas de Valoran
56 Capítulo 53 - Zed - Parte 2 part. Varus & Karma
Notas iniciais
Capítulo 53 – parte dois:
Zed – Ionia – Região de Sho-Xan – Templo Ninja
Zed cavalgou da capital de Ionia até Navori, uma região perto de Sho-Xan. Ele e seus quatro aliados, todos a cavalo. Zed carregava tudo o que precisaria em uma bolsa que pendia no animal. Usavam capuzes, não querendo ser reconhecidos. O plano que havia arquitetado deveria seguir os conformes.
Zed se surpreendeu com a beleza de Navori. Era uma montanha, um penhasco sobre o mar, deveras gigantesco. Havia um caminho em curva que levava para o topo da montanha, onde ficava o monastério ninja. Via uma grande instalação, um templo imenso, porém era quase a metade de Kinkou. Pelo caminho haviam vários decorativos e recepcionistas, que indicavam o caminho que deveriam seguir. Eram mulheres orientais com quimonos, que sorriam abertamente para quem aparecesse. Zed se viu numa fila de várias pessoas que subiam a montanha para chegarem até o local onde a festa começaria. Se seguisse o plano de forma certa, conseguiria um bom resultado.
– Vai demorar mais? – perguntou Kyrie. – Meu traseiro já está assado de tanto cavalgar.
Zed sorriu, mesmo que o amigo não pudesse vê-lo de frente.
– Estamos chegando, Ky. É logo lá encima.
Quando deram a curva e começaram a subida reta, Zed ficou abismado. Viu uma estrutura grande, como uma grande letra A feita de mármore branco com uma bandeira laranja ao centro – uma bandeira diferente das outras, nela haviam símbolos, mas ela não balançava e nem esvoaçava, era reta.
Zed percebeu que aquilo era só a entrada. Odiou ter pensado que ali era o monastério. Se sentiu burro em ter visto aquilo como metade de Kinkou, pois não era. Haviam mulheres gueixas na entrada, dançando lentamente com leques nas mãos e homens batucando em tambores, tudo para recepcionar os convidados.
Zed olhou para trás e viu o tamanho da fila de pessoas.
– Kyrie, tem certeza que esse tal de Yasuo te deu a informação certa?
Kyrie fez que sim.
– Ele me disse que era um monastério com pouca gente.
– Acho que ele mentiu – retrucou Karina.
Dan fez uma cara feia ao ver algo.
– Não é nada não, mas... Mas eu acho que um templo pequeno com só vinte ninjas não teria como fazer uma festa dessas.
– Talvez seja para promover – sorriu Haruka. – O líder deve ser um gênio rico.
Zed engoliu em seco.
– Acho que vamos ter que mudar um pouco o plano original.
[...]
O pesadelo de Zed se concretizou quando teve que cavalgar por uma imensa ponte sobre o mar. Dela se sentia uma brisa gostosa, mas poderosa. A ponte era grande, mas não impediu Kyrie de sentir vertigens. O cheiro de mar mais o vento forte quase o derrubou do cavalo uma vez, ele gritou.
Zed se concentrou somente no que via à frente: uma outra montanha, mas dessa vez era a última. Lá havia o verdadeiro templo. Se assustou pois ele era o dobro de Kinkou, não a metade. Pelo que via, era do tamanho de uma arena noxiana, tão grande quanto. Nele haviam dezenas e dezenas de dormitórios em uma parte oeste e outro em uma parte leste. O local parecia dar voltas na montanha e margear o precipício, algo deveras assustador.
Estava quase na hora do pôr-do-sol e várias luzes podiam ser avistadas de longe. Zed sentiu vertigem de chegar perto do local e pôr o plano em prática, ou seria medo? Repreendeu-se e sorriu. Se aquele plano desse certo, ele conseguiria seguidores e driblaria todos os seus inimigos... Em tempo.
[...]
Varus adentrou na festa. Deu de cara com uma animação que não via há tempos na capital e nem na vila do Templo de Pallas, onde morava. Pallas é um dos templos mais conhecidos pois guarda um poder ancestral há tempos selado. Nunca dizem o que é, mas dizem que o fundo do poço de Pallas guarda uma corrupção tão vil, que todos temiam envolver a ilha em pura escuridão. A família de Varus sempre a protegeu com um poderoso arco de luz, tendo passado de geração em geração.
Varus se animou com a festa. Haviam muitos lugares onde as pessoas – de quimonos ou mantos, ou até mesmo roupas comuns – se sentavam, bebiam, falavam coisas e riam delas. Ouviu muitas risadas e muita música, feita por uma espécie de banda que tocava instrumentos típicos de Ionia.
Viu muitas crianças brincando e correndo para lá e para cá, junto de muitos ninjas que tentavam leva-las para um outro lugar, onde não atrapalhassem os adultos.
Sentiu-se ruim por estar com uma roupa tão social enquanto todos vestiam roupas casuais. Usavam uma blusa branca de manga comprida, um cachecol também branco, uma ombreira amarela e laranja, luvas e calças azuis. Seus longos cabelos castanhos estavam presos num rabo-de-cavalo. Seu escudeiro tinha ficado para trás com seus utensílios – seu arco da luz e aljava incluídos – e cavalos. Se chamava Lyu, era um homem magro e velho, porém habilidoso. Era mudo, nada dizia, apenas fazia.
– Lorde Varus! – vinha em sua direção o Chanceler do monastério: Randuin, um homem alto e forte, barbudo e com cabelos castanhos. Ele veio até Varus com o sorriso no rosto, apertou sua mão com força, mas se surpreendeu ao ver que o aperto do Guardião de Pallas era ainda mais forte. – Andou treinando?
Varus sorriu.
– Arqueiros precisam ter força e agilidade nas mãos, sabia?
Os dois riram.
– Venha, amigo – disse Randuin –, te levarei até a toca dos homens.
[...]
A “toca dos homens” era basicamente um local onde todos os valores e honra ionianos eram perdidos por uma zona de total prazer e orgias. Haviam vários homens e gueixas em um local só – que equivaliam às prostitutas noxianas, só que com a classe demaciana. Varus se sentiu levemente perturbado em vê-las sendo abusadas por alguns dos homens, que utilizavam das aberturas entre os mantos e quimonos para praticarem atos óbvios. Randuin se sentava em uma espécie de trono à frente de todos, observando o show das gueixas. A sala era fechada e grande, iluminada, com um palco onde elas dançavam e vários locais onde poderiam se sentar.
Varus via quando algumas sentavam no colo de outros homens, às vezes de pernas abertas, às vezes não. De todas as formas elas pareciam “cavalgar”.
Randuin parecia gostar daquilo, às vezes até tirava uma “casquinha” de algumas. Enquanto Varus preferia ficar só a observar – às vezes nem isso.
– Vá lá, meu amigo – disse Randuin –, pegue uma e aproveite. Ou vai dizer que não gosta disso?
Riu juntamente com alguns homens.
Varus suspirou. Queria sair dali, só não tinha forças. Não fora educado daquela forma, disso tinha certeza. Via a tristeza no rosto branco de algumas daquelas gueixas, possivelmente odiando o que estavam fazendo. Randuin era um velho amigo seu, um amigo de seu pai. Tinha esposa e ainda assim estava lá. Varus odiava ver tantos valores ionianos serem quebrados pela simples desculpa de ser homem.
Quando estava prestes a se levantar e ir embora, avistou uma pessoa que o fez ficar. Era uma gueixa diferente, mais bonita que as outras. Tinha um corpo escultural e uma maquiagem mais chamativa. O que mais a diferenciava das outras era algo bem simples: o cabelo. Era loiro e, como o das outras, estava amarrado num coque. Ela dançava diferente das outras, de forma graciosa e leve. Balançava o leque e olhava para Varus, sorrindo.
Randuin, que tinha uma mulher em seu colo, olhou para a gueixa loira e depois para Varus. Teria se sentido feliz pelo amigo ter se interessado em alguma mulher de lá, mas não, se sentiu mais desconfiado daquela mulher.
– Quem é ela? – perguntou Varus.
– Eu irei saber? – respondeu Randuin. – Não me lembro de tê-la contratado.
Varus levantou-se.
– Vou falar com ela.
– Falar? – fez uma cara feia. – Está vendo alguém conversando aqui além de nós? Pegue-a logo, ela é paga para isso.
Varus ignorou-o, seguiu avante até a gueixa loira e quando chegou nela, sorriu.
– Olá – ele começou dizendo. Atrás dele Randuin se segurava para não rir. – Me chamo Varus.
A loira riu, com o leque cobrindo parte do rosto.
– Belo nome – respondeu. – Me chamo Haruka.
[...]
Finalmente Varus teve a sua chance de sair daquele poço de orgias e machismo, saindo de lá com a gueixa loira, Haruka. Já estava de noite mas a festa estava longe de acabar. Saíram por um corredor de pedra com várias flores de decoração, alguns pés de Sakurá e outras pequenas árvores, alguns Bonsais.
Caminhavam lentamente, os sons dos outros convidados festejando ao fundo, a luz da lua cintilando no céu, as estrelas e tudo mais ajudavam a manter o clima romântico, digamos. Haruka havia retirado toda aquela maquiagem branca, já era de tal cor, logo não tinha colocado tanta.
– E então, Haruka – ele disse. – Posso te chamar de Haru?
Ela assentiu.
– Claro, ao seu dispor.
– Então, Haru... O que te trouxe aqui?
Ela fez uma careta.
– Dinheiro. Estava precisando para algo importante.
– O que seria importante o suficiente para fazê-la trabalhar num local daqueles?
Ela fez uma expressão tristonha.
– Minha avó. Ela está doente.
– Ah – Varus se sentiu um verdadeiro idiota –, me desculpe perguntar tal coisa.
Ela sorriu.
– Que nada. Que a verdade seja dita, minha avozinha sempre dizia – fez uma pausa. – E você? O que o traz aqui? E o que faz nas horas vagas?
– Eu? Vim aqui pelo mesmo motivo de todos os convidados: prestígio. Ele é um velho amigo do meu pai, e como o mesmo está muito doente para fazer uma viagem do tipo, eu vim em seu nome. Aliás, em meu tempo vago eu cuido do Templo de Pallas.
Ela fez uma cara assustada.
– Você é quem cuida do poço da perdição?
Ele riu.
– Mas é assim que o chamam aqui fora? Sim, eu cuido do “poço da perdição”. Se bem que eu nunca o vi diretamente, pois ele fica numa espécie de porão do templo, de um jeito que evite qualquer besta de entrar lá e libertar toda a calamidade e corrupção, e blá, blá, blá.
Os dois riram.
– Você usa algum tipo de arma, Senhor Guardião?
– Hm, deixe-me ver.... Varus, O Arqueiro da Luz não te diz algo?
Ela fez uma expressão de surpresa.
– Ah, claro. Como pude me esquecer de quem você é. Me sinto tão idiota.
– Não sinta.
Os dois se entreolharam por alguns momentos, até Haruka virar-se para a frente. Varus notou cada detalhe dela: suas roupas, seus cabelos loiros, como balançavam com a brisa, seus olhos azuis-safira, sua pele branca... Era perfeita.
Foi quando ela parou.
– Eu não deveria estar aqui.
Varus franziu a testa.
– Mas por que?
Ela colocou uma mecha de cabelo para trás da orelha.
– Fui paga para ficar lá e satisfazer os homens, não papear com um dos convidados. Me perdoe, mas eu... – antes que ela pudesse se virar e ir embora, ele agarrou seu braço.
– Por favor, fique – suplicou.
Haruka fez uma expressão de vergonha com aquela situação, vendo que ele parecia estar apaixonado.
– Me satisfaça – ele pediu.
Ela sorriu e avançou. Eles se beijaram, ela entrelaçando os braços em seu pescoço e ele em sua cintura. Haruka endureceu os dedos, arrastando-os lentamente pelas costas de Varus. Fez menção de arranhá-lo, como se seus dedos fossem garras, garras afiadas. Depois eles se abraçaram e ela sorriu, não um sorriso feliz, mas um sorriso malicioso. Tinha um plano em mente.
[...]
Yasuo adentrou na festa com seu irmão, Yone. Os dois vestiam as mesmas roupas de sempre, com as katanas embainhadas sem motivo algum. Geralmente os samurais não se separavam de suas armas, tendo-as como uma própria parte da alma. Atrás deles vinham alguns outros samurais, todos do mesmo clã.
– Parece que está “bombando” – brincou Yasuo.
Yone permanecia sério.
– Para um evento de luta isso está muito... casual – disse.
Yasuo sorriu.
– Ah, irmão, vamos curtir um pouco.
– O problema é que você não sabe a hora de parar de brincar e encarar as coisas sérias.
– E você não sabe a hora de parar de encarar as coisas sérias, ora.
Se encararam com caras feias, como sempre. Na maior parte das vezes, Yone repreendia o irmão, exigindo toda uma postura séria, sem brincadeiras. Ele era, em si, um cara sério. Seguia todas as regras jônicas fielmente.
Yasuo irritou-se e saiu de perto do irmão, de punhos cerrados.
Yone ignorou, continuou ali, parado, observando tudo.
[...]
Karma abriu a porta de correr que dava para o pátio onde os ninjas de Randuin treinavam. O local era imenso, dando uma impressão de tamanho infinito ao templo. Lembrou-se de um ano atrás quando havia intercedido as vidas dos jovens lutadores em Kinkou. Após isso havia se apegado mais aos jovens, devido à “morte” terrível que Zed proporcionou a Shen.
Lembrava-se da expressão de trauma que Shen teve após ter o corpo reconstruído. Ele havia explodido em pedaços, sentido toda a dor e frio que a morte proporcionava. Aquilo era demais para uma pessoa só. Ela teve de ajudá-lo a esquecer de tudo aquilo com sua magia espiritual, capaz de lavar os pensamentos imundos.
O garoto era forte, se livrou dos pensamentos mortíferos rapidamente. No fim das contas, o ímpeto em achar alguém para eliminar Zed era devido àquilo. Karma jamais mataria alguém, mas aquele garoto era guiado por uma força muito terrível e poderosa, já vista pela mesma.
Novamente se concentrou no pátio, onde haviam vários locais onde os jovens ninjas pudessem treinar. A maior parte deles socava sacos de areia pendurados no teto ou uma espécie de poste com cilindros de madeira ao redor com movimentos rápidos. Outros treinavam com armas das mais variadas, outros treinavam tiro de shurikens. Karma percebeu que quase todos os garotos eram altos e fortes, as garotas eram magras, mas demonstravam tanta força quanto. Assustou-se com a ferocidade da maioria.
Viu um garoto brigar com outro, um forte, o outro nem tanto. Estavam brigando verbalmente até que o mais forte socou o menor no rosto. Karma gritou. O garoto olhou para ela e fez uma cara de medo e saiu de perto.
– Eu os treinei para serem os melhores – Randuin lhe disse às costas.
Karma virou-se para ver o líder que lhe aparecia.
Os dois viram enquanto alguns socorristas socorriam o garoto, que parecia ter desmaiado devido à força. Sangrava pelo rosto e o pescoço estava diferente, como se tivesse quebrado.
– Não vejo isso como força – ela disse.
Randuin riu.
– Ah, claro. Vê-los se matarem com a garantia de que não morrerão te agrada, certo?
– É a minha forma de transformar a tradição em algo menos mórbido – ela respondeu seriamente.
Randuin sorriu e cruzou os braços.
– Claro, anciã, entendo o seu pensamento. Homens como eu introduziram toda essa violência em seu mundo de paz e serenidade, estaria eu correto?
Karma fez uma cara feia.
Randuin deu uma gargalhada e pôs o braço por cima do ombro da anciã.
– Sabe que estou brincando, não sabe?
– Vim aqui para interceder pelo seu torneio, não para brincadeiras!
– Tudo bem, tudo bem, parei. Odeio vê-la irritada – deu-lhe um tapinha nas costas, mas acabou sendo forte demais, fazendo a ancião cambalear para a frente. – Opa, desculpe, haha. Vamos lá, quero que conheça alguém.
[...]
Varus acordou de um cochilo que pareceu durar séculos. Estava em um dos quartos de hóspedes do templo de Randuin, um local escuro, banhado pela luz da lua cheia. Estava ainda um tanto quanto atordoado, deitado de bruços. Notou que estava nu numa cama de casal. Haruka. Por algum motivo seus cabelos estavam soltos, coberto por um lençol branco e fino. A cama era baixa, na verdade não passava de um simples colchão... no chão.
Levantou-se, ainda desnorteado. Caminhou lentamente até a sacada, onde a luz entrava. Lá fora um vento carregado de maresia trazia uma estranha sensação. Varus observou que estava num local altíssimo, nas laterais do templo, pois podia ver o mar lá embaixo, bem lá em baixo. Sentiu uma pequena pontada de vertigem.
Virou-se para o quarto vazia. Onde estaria a sua companheira? Onde estaria suas roupas? Desesperou-se. Correu até certo ponto do quarto, olhou ao redor. Não via nada. Lembrava-se de tê-las deixado logo ali, mas agora não estavam mais. Não encontrava nada. Naquele exato momento se sentiu o maior trouxa do mundo. Havia sido enganado... A preço de quê?
Foi até a porta, abrindo-a com cautela. Não poderia ser visto pelado por ninguém, seria a maior desonra possível. Randuin deve ter armado isso, pensou. Aquele desgraçado.
Olhou para um lado e para o outro. Barra limpa. Correu pelo corredor até chegar a uma esquina, onde olhou bem lentamente se a barra estava igualmente limpa. Um quimono era o suficiente para que ele pudesse sair dali sem ser pego daquela forma. Só precisava saber aonde arranjar um local.
– Ei, você! – gritou uma voz feminina.
Estou ferrado, pensou Varus. Estou muito, muito ferrado.
Virou a cabeça lentamente para trás, tentando não revelar-se muito, não revelar suas partes para quem quer que estivesse atrás. Logo viu que não se tratava de uma simples pessoa, mas sim de Haruka.
Varus não sabia se sentia alívio ou raiva dela. A primeira coisa que disse:
– Minhas roupas.
Não se incomodou de ficar de frente para ela. Os dois haviam transado, ser visto nu não fazia a menor diferença.
– Randuin te contratou, não foi?
– Não – ela respondeu. – Estou aqui por outra coisa.
Ela tinha as mãos nas costas, parecia guardar algo. Quando Varus notou que ela tinha uma aljava branca nas costas, se desesperou. Aos poucos ela revelava o que tinha atrás de si. Com a mão esquerda segurava o arco da luz de Varus, que agora não parecia tão da luz assim.
– Os rumores eram verdadeiros. O arco da luz se adapta ao portador.
Ele cerrou os punhos.
– Devolva!
– Posso te devolver parte desse conjunto, mas uma parte bem pequena.
Foi quando algo passou pela cabeça de Varus.
– Lyu! – exclamou.
– Refere-se ao velho que guardava as suas coisas? – com o poder das sombras, as garras de Haruka apareceram, seu Neko-Te, e o que preocupou Varus foi o fato das unhas afiadas de aço escuro estarem ensanguentadas. – Ele correu, não o suficiente.
Varus tremia. Sentia-se um coelho preso numa armadilha, se é que se caça um coelho.
– Você era tão...
– Perfeita? – ela sorriu maliciosamente. – Sou boa atriz, disso eu sei.
Varus choraria se não estivesse com tanta raiva.
Ele gritou e avançou nela. Ela foi rápida e atirou uma flecha nele, em seu ombro, fazendo com que ele caísse no chão. Ele sangrava, também chorava ao ver a cor da flecha que lhe atingira: preto. Sentia as sombras penetrarem, trazendo-lhe sofrimento.
– Isso é para aprender a não ser mais otário – ela disse.
[...]
Randuin levou Karma até um local onde um jovem treinava. Ele era forte e musculoso, alto, um metro e oitenta e cinco, aproximadamente. Tinha cabelos castanhos curtos, um pequeno bigode e uma veste bege com partes escuras.
Quando o garoto viu Randuin e Karma, fez reverência.
– Papai – ele disse.
Randuin riu.
– Garoto idiota, estragou minha surpresa – foi até o filho e deu-lhe um abraço rápido com dois tapas fortes nas costas, algo que homens fazem. Depois colocou-o ao lado e virou-se para a anciã. – Anciã Karma, meu filho Shirou. Filho Shirou, Anciã Karma.
– É um prazer conhece-la – o garoto pegou a mão da anciã e beijou-a.
– Digo o mesmo, garoto.
[...]
O torneio estava prestes a começar. O templo de Randuin tinha, ainda por cima, uma arena tão grande quanto qualquer outra que podia se ver. Não tão grande quanto a noxiana, mas quase. Haviam arquibancadas lotadas de pessoas, muitos ionianos, alguns estrangeiros. Poucos.
Karma ficou sentada junto de Randuin, numa área VIP que ficava destacada da arquibancada comum. Como ela iria interceder pelos jovens, deveria ficar num bom ângulo de todos. Ficou olhando da janela, o quanto mais perto possível, melhor. Tinha um mau pressentimento, sabia que algo muito estranho estava para acontecer.
– Você está nervosa – Randuin chegou por trás, sussurrando em seu ouvido. Karma sentiu um certo nervoso. – Relaxe, anciã – ele deslizou a mão pelo quadril de Karma.
Ela se afastou.
– Não ouse tocar um dedo em mim, Master Randuin, ou contatarei aos Grandes Anciões!
Ele riu e cruzou os braços. Por um segundo a anciã se sentiu atraída por ele, mas lembrou-se de que ele já era comprometido. Ele era bonito e forte, mesmo que velho, estava em forma. Assim como ela.
– Vamos lá, não tem ninguém olhando.
Karma olhou para a grande janela que dava para a arena.
– Quem olhar por essa janela verá.
– Duvido muito – ele avançou dois passos da anciã.
Ela recuou três passos dele.
– Se por acaso decidir por me agarrar... eu grito.
Randuin balançou a cabeça.
– Você não tem jeito, não é, Karma? Desde jovens você tenta lutar contra os seus desejos... Em troca de que? – ele apontou para os lados. – Olhe para os lados, Karma, olhe para meu império! Você seguiu toda essa crença de purificação e a porra toda e veja só... É uma peça nas mãos do Ancião Supremo. Já eu... Já eu sou um rei, um deus. Tenho um templo incrível, bons ninjas, um exército juvenil... além de ter meu próprio harém. Tenho todas as mulheres que eu quiser, mas a que eu quero não me quer.
Karma sentiu a energia fluir por seu corpo, sentia-se irritada. Precisou se acalmar para continuar, pois poderia causar um estrago.
– Eu segui o caminho da paz por opção, você seguiu o do caos pela mesma razão. Vim aqui hoje para ajuda-lo, pois pediu. Com tanta gente com os poderes idênticos aos meus e você me chama... Agora eu entendo. Saiba que seu orgulho será a sua ruína, e que o seu império pode desmoronar a qualquer instante.
Ele recuou, irritado.
– Tudo bem. Você fez sua escolha, agora eu farei a minha. Você tá fora! Não preciso de você para interceder por meu torneio. Agora vá embora. Agora!!
Karma não hesitou, foi embora logo em seguida.
– Antes que eu vá, saiba que minhas palavras são minha profecia para você – e saiu de lá.
[...]
Quando Varus acordou, se viu cercado por mulheres. Não eram gueixas, eram mulheres comuns, mas muito bonitas. As três que estavam mais perto tinham cabelos loiros, morenos e castanhos, todas usando mantos decotados, mostrando partes de seus imensos seios.
– Ele acordou, garotas – disse uma.
Logo outras cinco apareceram, dando um total de oito. Todas eram extremamente bonitas, tanto que Varus se perguntou se havia morrido e ido para o céu.
Percebeu que sua ferida estava enfaixada, por sorte não estava mais nu, agora utilizando uma espécie de manto por cima do membro, deixando-o mais tranquilo; viu que fora cuidado.
– Como ele é bonito, garotas.
– Fico imaginando como ele foi ferido.
– Não acredito que estamos com Guardião de Pallas, ai, eu quero ser a primeira com ele.
– Não, sua vadia, eu que vou ser a primeira.
As duas pararam de brigar e começaram a acaricia-lo. Foi impossível esconder o prazer que sentia, logo seu membro ficara ereto de forma que fez as mulheres ao redor se animarem com a súbita elevação do manto.
– Quem são vocês? – perguntou Varus.
A morena peituda respondeu.
– Somos amigas do Master Randuin. Nós o encontramos ferido num corredor. Ficamos tão tristes em vê-lo daquela forma que o trouxemos para cá para ser cuidado.
Varus olhou ao redor, vendo onde estava. Estava num local fechado, escuro com algumas luzes roxas, muitas almofadas jogadas no chão, um prostíbulo. Queria se concentrar em todas aquelas mulheres ao seu dispor, mas só pensava em uma: Haruka. Havia a amado e ela quebrara seu coração, roubando seu arco, suas roupas, sua aljava e sua dignidade.
Levantou-se rapidamente, saindo de perto das mulheres, indo em direção à porta. Avistou um quimono e o pegou, começando a colocá-lo.
– Me desculpem, garotas, mas tenho algo a fazer.
Todas fizeram uma cara feia e gemeram, tristes.
– Não se vá.
– Nós gostamos de você.
– Você é bem dotado!
A morena se levantou, indo em sua direção bem lenta e sedutoramente.
– Se ficar nós garantimos que não se arrependerá – ela abriu o manto lentamente, logo retirando-o por completo, fazendo-o cair no chão. Revelou assim seu corpo escultural, seus seios grandes e duros, suas belas coxas e tudo mais. Ela foi em sua direção, chegando mais perto, entrelaçando suas mãos em seu pescoço. – Não se esqueça de que essa é uma chance única.
Em seus dedos uma energia vermelha-rosada enchia Varus, fazendo com que ele só pensasse nela. Sentiu-se tão atraído por ela que esqueceu que outro mundo existia, um mundo sem ela.
Logo todas as outras faziam o mesmo, enviando beijos mágicos que flutuavam em sua direção e o preenchiam. Charme.
Varus se sentiu totalmente dopado a partir do momento em que jogou a mulher no chão e penetrou-a, fazendo movimentos de ida e de volta. Enquanto isso as outras mulheres o beijavam e se esfregavam nele, quase que fazendo fila para ver quem seria a próxima.
[...]
A primeira batalha do torneio aconteceu entre uma garota de cabelos negros com uma lança e um garoto de cabelos loiros com duas kunais imensas. Os dois eram imensamente habilidosos, lutando com ferro no ferro, mano-a-mano. Mesmo com a habilidade dos dois, Randuin se preocupava, pois um passo em falso e um deles poderia ter um braço cortado.
A todo momento um deles recebia um corte. Um corte de lança, um corte de faca, nada demais. O que intrigou Randuin foi o momento em que o garoto recebeu uma estocada – todos gritaram –, mas quando viram ele não estava mais lá, só uma sombra. Foi nesse momento em que ele apareceu e quebrou o cabo da lança da garota com um golpe poderoso das duas adagas.
Ele venceu, todos foram ao delírio, menos Randuin, que, com alguns de seus maiores aliados – na área VIP –, se perguntaram que técnica fora aquela. Ele já sabia a resposta, só não sabia como aquilo era possível.
Mais três batalhas e em todas as técnicas das sombras foram utilizadas. Nunca vira seus jovens ninjas utilizarem tais técnicas, e também não as via fazia muito tempo. Queria terminar aquele torneio naquele instante, mas não pôde. Deixou rolar.
Mais três rodadas, todas com técnicas incluídas. Foi no momento do intervalo que Karma adentrou à área VIP.
– Quem te deixou entrar? – perguntou Randuin.
– Eu sou a anciã, todos me respeitam – virou-se para as pessoas VIP. – E vocês, saiam! Preciso conversar com Randuin a sós.
Todos saíram sem contestar.
Randuin, ainda sentado, perguntou:
– Qual é o seu problema?
– Qual é o seu problema?! – ela retrucou, nunca antes tão nervosa. – Como pôde ensinar as técnicas das sombras para seus jovens?
Ele fez uma cara irritada e de deboche.
– Tu tá maluca, né?! – como sempre, usando gírias. – Nunca vi essas técnicas antes, se eu me lembro não são usadas há duzentos anos!
– Mentiroso! – ela irritou-se mais ainda, nunca tendo saído do sério tão fortemente antes. – Vejo em seus olhos a mentira. Você já viu sim essa técnica antes. Quer me dizer que não está usando-a nesse momento?
– Claro, sua idiota. Eu nunca mexi com essas coisas, nem quando pude, eu...
Ele se silenciou rapidamente, vendo a besteira que havia dito, assim, no calor do momento. Ele tinha algo escondido, sabia de algo.
– Você mente muito mal – ela disse. – Esqueceu-se de Myron, o marido de Kelsen, pai de Akali, que foi expulso de Kinkou por uso de técnicas sombrias. E pelo que me lembro, você, Shyon e Myron eram inseparáveis.
– Olha, eu posso até ter provado as técnicas, mas nunca continuei, o... Myron pegou tudo para si – ele pareceu hesitar no momento em que disse o nome do amigo.
– Vejo em seus olhos que ainda esconde algo – continuou Akali. – Mas infelizmente afirmo que é verdade: você não tem ligação com as sombras, senão eu teria sentido.
Os dois silenciaram-se novamente.
– O torneio recomeçará em breve – ele disse, quebrando o silêncio. – Se você quiser... pode assisti-lo daqui.
– Não, obrigada – ela respondeu. – Sei quando não sou bem-vinda.
Deu as costas, mas foi impedida por Randuin, que segurou seu braço e a puxou. Nesse puxão ele a agarrou e a deu um beijo, um beijo inesperado, mas bom. Um beijo que fez Karma relembrar de seus velhos tempos, de quando era jovem.
Por ora preferiu ficar. Pela primeira vez cedera aos prazeres, mas disse a si mesma que um beijo não faria diferença.
[...]
O torneio recomeçou com uma batalha bastante esperada: Shirou, o filho de Randuin, e Emiya, o seu maior rival. Shirou foi para a arena, já com sua arma em mãos: uma Katana. Pelo que diziam, o garoto era talentoso, tão talentoso quanto o pai. Muita gente torcia por ele das arquibancadas. Ele deu uma rápida olhada para a área VIP, onde seu pai acenava para ele, a anciã Karma ao seu lado, séria, mas ela mesma se deixou dar um sorrisinho e uma saudação.
Todos fizeram um barulho estranho, um gemido de medo ou de surpresa. O suficiente para retirar Shirou de seus devaneios e virar para frente, por onde Emiya deveria entrar. Assustou-se ao ver uma forma negra à frente. Era um homem com armadura preta e prateada, com partes vermelhas, duas manoplas de garras duplas e uma máscara assustadora.
– Zed... – sussurrou Karma em seu lugar, um tanto quanto apavorada. Agora tudo fazia sentido.
Zed carregava um corpo em mãos, não, arrastava. Ele levantou-o pelo pescoço, revelando o garoto Emiya, ensanguentado e pálido, morto. Tinha cortes por todo e corpo e na garganta.
– Vê, garoto? – perguntou a Shirou com uma voz modificada e sombria. – Jamais derrotaria seu rival sem as sombras.
– Maldito seja! – Shirou gritou, enfurecido. Avançou em Zed com sua katana.
Karma gritou quando Zed atirou o corpo de Emiya encima de garoto que desviou, mas quando viu o Mestre das Sombras já não estava mais lá. Um corte foi o suficiente para esvair a vida do garoto filho de Randuin. O homem gritou em sua cabine, desesperado, ao ver a cabeça do filho rolar.
Zed limpou as garras uma com a outra, tentando escorrer o sangue. Todos ficaram em total silêncio. Ele voltou-se para Randuin, aparecendo automaticamente na cabine VIP, agarrando-o, e teleportando-se de volta para a arena. Lá ele atirou Randuin no chão, para longe.
– Master Randuin! – ele exclamou. – Eu te desafio a um torneio de vida ou morte.
Randuin se esgueirou até a cabeça do filho, agarrou-a e começou a chorar.
– Você matou meu filho! – gritou. – Meu único filho!
– É o preço que se paga. Talvez se os serviços de Karma não tivessem sido eliminados, você tivesse seu filho agora – as palavras de Zed foram suficientes para destruir o homem por completo. – Agora eu lhe faço uma proposta. Nós lutamos, se eu vencer, você me entrega cada ninja que tiver para meu exército. Agora, se você vencer, eu te devolvo seu filho.
– O que pensa que está dizendo?!
– Uma aliada minha roubou o arco da luz de Master Varus, transformando-o num arco de sombras. Ela atirou uma flecha de sombras em seu filho e em cada um dos seus ninjas. A flecha penetrou em cada um deles, contaminando-os com a energia das sombras e me dando total controle sobre suas almas. Se eu quiser, eu posso restituir o corpo de seu filho.
– Mesmo? – Randuin largou a cabeça do filho e se levantou. – Desafio aceito.
[...]
Randuin ordenou que ninguém saísse do templo e ficassem para a luta final. Todos, mesmo abalados, permaneceram. Os guardas também foram impossibilitados de agir, prender Zed, possivelmente, por seus crimes. Karma o havia dito para não continuar, mas ele não a ouviu. Até mesmo pediu que ela não intercedesse por ele, pois pensava que sem seu filho sua vida seria só destroços... ruína. No final das contas a profecia de Karma estava se concluindo.
Randuin vestira uma armadura de samurais, dada pelos irmãos Yasuo e Yone. A katana que usaria era de sua autoria, uma arma que não usava fazia tempo. Se vestiu para matar, uma roupa difícil de penetrar.
Logo Zed e Randuin estavam de frente para o outro, a uns dez metros, se encarando. Um de máscara e o outro de capacete. Era a batalha final, todas as outras foram canceladas, deixando somente aquela. O estádio havia lotado, pois as pessoas que ainda estavam nos outros cômodos do templo foram chamadas. Só quem não se via era Varus.
– Vamos logo ao que interessa – Randuin disse. – Já enfrentei um amigo meu que fora possuído por tais técnicas malditas, e agora vou te eliminar por completo.
Está aí, escuridão?, Zed perguntou com a mente.
Você disse que não me envolveria nisso, maldito Zed, respondeu.
Ao ver que Escuridão estava lá, Zed sorriu.
– Você começa atacando.
Randuin avançou com sua katana, dando um golpe de esquerda. Zed se esquivou e deu-lhe um chute na barriga, não sendo tão eficaz devido à roupa pesada, depois o golpeou no peito, cortando parte da armadura, soltando faíscas.
Karma assistia àquela luta frenética com o mesmo sentimento que os outros: preocupação. Muitos ainda choravam a morte de Shirou, mas não conseguiam parar para respirar devido à luta. Tinc, tinc, tinc, tinc, tinc, fazia o aço das lâminas de encontro uma com a outra, num duelo de velocidade altíssima.
Ela teve um vislumbre dos tempos passados, de quando eram jovens. Lembrava-se muito bem de quando Randuin entrara na academia de treino para samurais, isso há muito tempo. Gostou dele, disso tinha certeza. Por algum motivo a sua profecia lhe fez ver todos os momentos felizes que passou ao seu lado, fazendo-a sofrer. Conhecia as técnicas de Zed, sabia que ele estava hesitando, ou simplesmente esperando algo. Só não sabia o que. Era uma questão de tempo até que ele explodisse em pedaços o mestre daquele templo e ganhasse o duelo e o exército. Sentia que jamais poderia mudar o futuro que vira logo no momento em que viu a capacidade do garoto, a visão que teve de uma Kinkou destruída, outra profecia que fizera ao teimoso Shyon... Perdera a conta de quantas vezes se viu em um dilema desse tipo, um do qual ninguém poderia ajudá-la a resolver.
Viu sua visão se concretizar, mas teve dúvidas em uma situação. Zed recuara, estava cansado. Randuin estava em sua posição de ataque, com a katana para cima. Zed arreganhou os braços e deixou se peito indefeso. Randuin correu rapidamente numa estocada, e Zed deixaria.
Karma sentiu uma certa felicidade. Veria o garoto desistir daquilo num movimento idiota. Mas lembrou-se de algo, algo muito terrível, mórbido.
Quando a ponta da katana de Randuin encostou no peito de Zed, foi como se o tempo tivesse parado. Ela só encostara, não penetrara. Tudo ficou escuro por um instante, e todos ouviram uma voz sombria em suas mentes. Escuridão, ela dizia.
Karma viu uma torrente de energia sombria sair do peito de Zed, atingindo Randuin. Logo o mestre do templo estava caído no chão, a parte de cima da armadura fora totalmente corroída, desaparecendo. Seu peitoral parecendo ter recebido uma queimadura leve, seu rosto também. Ele tremia no chão, derrotado. Sua katana havia sido destruída pela escuridão.
– Você perdeu – Zed disse.
Randuin começou a chorar. Karma de repente apareceu, correndo até o corpo moribundo do amigo. Pousou a cabeça sobre ele, ajoelhada. Ela chorava, preocupada.
– Randuin... – ele respirava de forma fraca, ofegante. Karma utilizou sua magia para tentar curá-lo, demoraria, mas conseguiria. Levantou os olhos para Zed. – Você é um monstro!
Zed retirou a máscara e a deixou embaixo do braço.
– É bom vê-la de novo, anciã. Sinto informar que eu venci, dessa vez.
Todos os ninjas de Randuin começaram a entrar na arena, ficando atrás de Zed. Com eles vinham os ninjas oficiais das sombras: Kyrie, Haruka, Karina e Dan. Todos eles tinham uma marca negra em partes do corpo, marcas que lembravam tatuagens.
– Dessa vez eu não serei banido – Zed prosseguiu. – Dessa vez eu vou criar meu próprio clã... Mas bem longe daqui.
Ele e seus quatro aliados principais começaram a invocar o jutsu de teleporte, as runas sombrias aparecendo para cada ninja naquele lugar.
– Por que? – Karma perguntou. – Por que fez tudo isso?
– Vingança – ele respondeu sem hesitar. – E também... por prazer. Muitos caem nos prazeres da carne, outros nos prazeres mais puros, de simplesmente estar com quem se gosta. São todos ótimos, mas existe um prazer ainda mais sombrio: o de retirar uma vida, o de fazer alguém sofrer... o de se vingar. Isso é algo que você nunca saberá como é.
– Que os deuses te ouçam!
Zed sorriu.
– Só quero que se lembre que as sombras não são tão fáceis de se lutar contra. Uma pequena dose do poder foi o suficiente para que esses jovens me seguissem por livre e espontânea vontade.
– São jovens, facilmente persuadidos a fazer o mal. Assim como você foi.
Zed balançou a cabeça, negativamente, as runas quase prontas.
– Eu quis as sombras, sempre quis. Elas me libertaram.
– É o que pensa – ela respondeu. – Um dia você verá quem Nocturne realmente é. E quando souber, será tarde!
Zed não teve tempo de responder, pois se teleportaram logo em seguida.
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