League of Legends: As Crônicas de Valoran
49 Capítulo 48: Swain & Katarina
Notas iniciais
Capítulo 48:
Jericho Swain – Kalamandra
A expressão de Swain era a mais fria possível. Tinha ódio em seu coração, e todos conseguiam ver isso. Não diziam uma palavra, não queriam deixa-lo pior. A perda era algo terrível, ainda mais para ele, que perdera um ente tão querido. Katarina chegava a entender a dor. Ninguém viu, mas durante as noites, quando pensava na provável morte do pai, chorava.
– Não foi culpa sua – ela disse ao amigo.
À frente dele haviam várias piras pegando fogo. Eram os caixões de todos os mortos no atentado da última noite. Swain ainda podia se lembrar de quando um soldado chegou, correndo, avisando que havia encontrado as tropas de Boram Darkwill, todos mortos, degolados e ensanguentados. Quando Swain foi até lá e encontrou-o morto em sua carruagem, se segurou para não chorar. Ainda se lembrava das palavras de Boram: Jericho Swain, se por acaso eu morrer futuramente, eu gostaria que você assumisse o trono e posição de grão-geral do Alto Comando Noxiano. Eu quero que você reine. Tais palavras ecoavam em sua mente, e Swain, finalmente, sabia sua verdadeira posição naquele exército.
O fogo daquelas piras esquentava seu rosto, mas ele preferia não sair de sua posição. Seu sobretudo preto esquentava, suas luvas, bota, tudo o fazia suar, mas não sairia dali. Suas mãos, apoiadas em sua bengala, nem mesmo se mexiam. Sua perna machucada já não mais doía, as queimaduras que o monstro dos olhos fizera nele já não queimavam mais. Só sabia que seu líder e pai de consideração agora queimava em brasas, finalmente podia aproveitar a morte, após tantos séculos de reinado. A necromancia já não poderia salvá-lo.
– Sei que não foi minha culpa – respondeu. – Mas irei encontrar o responsável por isso.
Katarina suspirou.
– Temo que quem quer que tenha feito isso, seja poderoso o suficiente para me derrotar em combate – cerrou os punhos, irritada. – Nem mesmo eu conseguiria fazer tal proeza. Como...?
– Não importa – retrucou Swain.
Katarina notou algo de diferente no general. Já notava coisas estranhas nele fazia tempos, mas pensou que podia ser o poder subindo a cabeça. Ele sempre foi um bom estrategista, mas nunca se gabou do próprio potencial. Ele, no momento, era o general com maior patente, logo teria a responsabilidade de carregar todo o exército nas costas. Não sabia como ele o faria, mas sabia que faria bem.
Ela sabia que ele, depois da morte de Boram, iria tentar a posse do trono. Algo dizia que ele no trono não iria ser boa coisa, mas se lembrou de um detalhe: Keiran. Ele, sendo só filho do antigo grã-general, era ridículo, imagine agora, que teria a quase posse do trono. Preferia que Swain conseguisse o trono. Iria torcer, somente.
– O que fará agora? – perguntou a ele.
Ele cerrou os olhos ao olhar para as piras flamejantes.
– O que farei agora? – virou-se para o seu exército. – Eu irei fazer justiça – virou-se para Katarina. – Em forma!
Ela teve que sair de perto dele e ir para sua formação. Haviam, no mínimo, uns trezentos homens noxianos ali, ao seu dispor. Eles obedeceriam qualquer ordem que fosse imposta, sem hesitar, sem recuar, sem questionar.
– Homens noxianos! – ele gritou, de forma que todos ouvissem. – Esses malditos demacianos nos subjugaram de uma forma terrível. Mataram nossa testemunha e o nosso líder. Conversarei com Jarvan III e exigirei uma explicação!
– Como assim conversar?! – indagou um soldado.
– Deveríamos atacar! – gritou outro.
Swain deu uma rápida risada.
– Atacaremos, em tempo...
Um dos soldados responsáveis por recolher os itens dos homens mortos foi até Swain. Ele usava uma típica armadura noxiana verde e preta, e carregava um diário em mãos. Ele era grosso e velho. Tinha manchas de sangue em sua capa.
– Lorde Swain – ele disse –, encontramos esse diário no chão da carruagem de Boram Darkwill. Talvez o senhor queira ler o que está escrito.
Swain franziu a testa.
– É um diário de Darkwill?
– Pelo que parece, sim. Dei uma checada, e está cheio de relatos sobre uma certa experiência de Boram, com alguns desenhos, páginas recortadas de outros livros coladas... Uma maior bagunça.
Swain fez uma cara irritada para o homem.
– Você teve a ousadia de abrir um arquivo confidencial de Boram?!
O soldado engoliu em seco, apavorado.
– N-Não é isso, s-senhor! Eu só queria saber se... se...
– Saia da minha frente!
Swain pegou o diário antes que o soldado saísse correndo. Sentiu o peso do livro e se acalmou. Deveria lê-lo nas horas vagas, isso era certo. Que Boram tem segredos, todos sabem, pensou, mas que eles poderiam estar escritos em diários...
LeBlanc precisa saber disso, pensou Swain. Isso nos ajudaria muito.
[...]
Swain decidiu por ir conversar com Jarvan III, sobre a morte de Boram. Somente eles teriam feito tais coisas terríveis contra Noxus, mesmo que Demacia seja um reino tão honrado e correto. Na guerra do poder não existe o bem e nem o mal, só a vitória e a derrota, pensou Swain.
Levou consigo Katarina, Darius e alguns homens, sempre era bom manter uma certa defesa ao seu lado. Não poderia dar um passo em falso, era o único general com poder naquele lugar, e era sempre bom se precaver contra ataques.
Atravessaram o acampamento demaciano olhando somente para frente, para a tenda de Jarvan. Muitos homens demacianos os olhavam com desprezo e curiosidade. Katarina, ao olhar para o lado, viu Garen pendurando uma blusa num varal, sem camisa e com a calça da armadura. Os dois se entreolharam, sérios, até que ela virou o olhar para frente, e ele para sua roupa.
Esqueça-o, disse para si mesma. A noite em que passaram juntos não saía de forma alguma de sua mente, disse não lembrar, mas lembrava de cada detalhe. Lembrava do seu toque, de seu beijo, de tudo. E o pior mesmo foi o que ela fez após encontrá-lo socando a árvore com raiva da vida por Luxanna ter sido soterrada. Aquilo sim foi terrível. Mesmo assim, não se arrependia de nada.
Xin Zhao se colocou à frente de todos eles com sua lança em mãos. Encarou Swain, lembrando-se de tempos passados, de quando ainda era um prisioneiro em Noxus, forçado a batalhar contra outros prisioneiros numa arena, um festival sanguinário que ocorria todo o ano em Noxus. Teve sorte de conseguir se destacar entre os demais e escapar, se refugiando em Demacia.
Naquela época, Swain ainda era um jovem de dezoito anos.
– O que querem? – perguntou de forma ríspida.
Swain semicerrou os olhos.
– Não seja cínico, sabem muito bem do que vim fazer aqui.
Xin Zhao olhou-o com uma cara feia.
Logo, havia uma roda de soldados demacianos descamisados encarando os soldados noxianos. Estavam apostos para uma possível batalha, ou um embate verbal, muito improvavelmente.
– Seja mais claro, que lhe darei o que quer – respondeu Xin.
Swain apertou as mãos contra sua bengala, fincada no chão.
– Me leve a Jarvan III.
O próprio rei saiu de dentro da imensa tenda, vestindo suas vestes reais e coroa dourada. Uma espada estava embainhada ao lado do cinto, sua barba estava cortada e ele tinha um olhar fixo em Swain, um olhar frio.
– Não preciso que intercepte convidados noxianos, Xin – disse o rei. – Tem assuntos a conversar, Jericho?
– Muitos.
– Deixarei que entre em minha tenda, mas só permito que você entre. Seus homens que se acomodem aí fora, mas sem arrumar encrenca.
[...]
A tenda de Jarvan III era imensa, com sofás luxuosos, uma mesa de escritório, uma cama de casal, e outras coisas bastante caras. Swain admirou o gosto do rei demaciano, que gostava bastante de dourado, vermelho e um pouco de preto, pelo que pôde perceber.
– Sente-se – disse o rei.
Jericho se sentou no sofá mais próximo, apoiando os braços na bengala e deixando as pernas separadas.
Jarvan retirou seu casaco de pele real e colocou-o em um cabide próximo, deixando uma camisa branca a mostra. Retirou a coroa e colocou-a em cima de uma mesinha. Sentou-se em sofá de frente para Swain. De repente o rei de Demacia parecia mais humano sem seus apetrechos reais.
– Retirei minha coroa e meu traje para que possamos conversar de homem para homem, não de general para rei – Swain percebeu que os dois tinham muitas semelhanças, estando tão perto dele. – E acho que sei sobre o que você quer conversar.
– Boram Darkwill – retrucou Swain –, foi encontrado morto junto de todos seus homens.
Jarvan colocou uma perna encima da outra.
– Ah, sim. Boram. Ele era um bom líder, tanto que governou por quase quatro gerações.
– Cinco – corrigiu. – Ele começou o reinado junto do pai de Jarvan Primeiro, logo, com seu filho sendo adulto, temos cinco gerações.
Jarvan suspirou.
– Ah, claro. Tenho muitas más recordações sobre guerras contra Boram e contra você – pegou um copo de vinho em cima de uma mesinha e deu um gole, da forma mais formal possível. – Deve se lembrar das vezes que levou o exército à vitória, não?
– Sim, eu lembro. Porém, não gosto de me gabar de minhas vitórias.
Jarvan sorriu.
– Você parece com sua mãe.
– Não mude de assunto!
Jarvan riu.
– Claro, onde eu estava com a cabeça? – pelo conteúdo dentro do copo e pelo tom de voz do rei, Swain deduziu que ele estivesse levemente bêbado. Com o pai que teve, não duvido que ele seja um bebum nas horas vagas, pensou. O rei colocou o copo na mesa novamente. – Sobre a morte de Boram, tenho absoluta certeza de que não tive envolvimento.
Swain franziu a testa.
– Absoluta certeza? Está supondo que não teve envolvimento em tal crime de guerra?!
Jarvan fez uma cara feia, como se tivesse dito a coisa errada.
– Na verdade, Jericho...
– Swain.
– Swain – se autocorrigiu. – Na verdade, Swain, não tive total envolvimento com isso. Em momento algum eu enviei assassinos para abaterem Boram e seu grupo de soldados – ele parecia mais sóbrio do que nunca, como se pudesse controlar-se durante a bebedeira. – De toda forma quero que se lembre que nós, demacianos, diferente de vocês, não fazemos uso de assassinos. Temos honra. Não matamos pelas sombras, não apunhalamos inimigos pelas costas.
Swain, de raiva, apertou a palma da mão contra a bengala, sua luva de couro fazendo um certo barulho ao apertá-la.
– Mas e quanto a Thom Garvin?
Jarvan fez uma cara de dúvida, confuso.
– Como assim?
– Envenenaram Thom durante a noite – respondeu de forma ríspida –, não ficou sabendo? Agora vai me dizer que não sabia? Francamente!
Jarvan bufou.
– Está louco, Swain? Eu jamais mandaria qualquer homem para assassiná-lo.
– Ele é uma testemunha para o caso das minas! No qual seu filho está envolvido!!
Jarvan IV adentrou na tenda, confuso.
– Papai, por que existem tantos noxianos na entrada... – avistou Swain – da tenda...? SWAIN!! – cerrou os punhos e fez uma cara irritada. – Eu sabia que era você que estava aqui, sabia!
– E nós temos um vencedor – ironizou Swain. – Aposto que foi você, príncipe bastardo!
Jarvan III se encontrou numa briga verbal entre o filho e o general noxiano, os dois tinham, de certa forma, um ódio natural um pelo outro. Tinham uma raiva um pelo outro desde que se enfrentaram pela primeira vez, isso há doze anos.
– Não xingue meu filho, Jericho Swain! – virou-se para o filho. – Swain é um convidado nesse momento, Quarto. Deixe-o em paz.
Jarvan se virou para o pai com uma cara de inconformado.
– M-Mas pai... Ele...
Swain levantou-se do sofá.
– Já tirei todas as minhas conclusões, Jarvan – os dois o olharam ao mesmo tempo. – Já entendi todo o seu plano de desentendido, Terceiro. Não quer sujar suas mãos, por isso manda que seu filho o faça. Coisa odiosa de sua parte. Como eu sempre imaginei, demacianos não são tão honrados como dizem.
Deu as costas para eles, em direção da entrada da tenda. Virou-se para Jarvan III, com uma dúvida ainda em sua mente.
– Quanto àquilo que disse sobre eu ser parecido com minha mãe – engoliu em seco –, você a conheceu?
– Melhor que ninguém – respondeu de forma ríspida. – Aposto que você não deva lembrar nem do nome dela.
– Ela morreu em meu parto.
Jarvan riu.
– Sobre a identidade dela, por que não pergunta à Emília? Talvez ela tenha a resposta.
Swain percebeu que Jarvan IV estava quase atacando-o de tanta fúria. Voltou-se para o rei.
– É tudo que eu precisava saber. Obrigado.
Saiu da tenda.
[...]
De tarde, Katarina se juntou aos seus amigos ao redor de uma fogueira apagada, a mesma que fizeram a quase dois dias, quando pensavam que iriam embora e estavam com uma raiva terrível de Swain. Sentou-se ao lado de Riven, que estava com a cabeça apoiada no ombro de Draythe. Sentados ali estavam alguns homens aleatórios, como Sir Lyam.
– Olá – Katarina disse.
Riven suspirou.
– Ainda está nervosa conosco por ter sido excluída...?
– Não – retrucou; sorriu. – Pode ficar relaxada, amiga. Preciso me concentrar em coisas novas. Agora, mais do que nunca, Demacia tem o ódio de nosso povo. Se eles tiverem mesmo matado Boram...
– Se eles tiverem matado meu pai, aí sim eles irão pagar caro – Draythe fungou, irritado.
Katarina percebeu que ele estava com os olhos vermelhos, tendo chorado. Lembrou-se que Draythe era um Darkwill, o filho mais velho. Deveria ter ficado triste com a morte do pai. Sentiu empatia por ele, sabia o que era aquilo melhor do que ninguém, mas mesmo assim guardava para si, já ele não. Se arrependeu de não ter chorado suas mágoas quando pôde.
– Eu sei como se sente agora – disse a ele.
Uma lágrima desceu do rosto de Draythe, que foi consolado por Riven.
– Obrigado, Kat – ele fungou de forma chorosa.
– Vai passar, Dray – Riven acariciou seu braço e lhe deu um beijo no rosto.
[...]
Não se passou muito tempo e Swain pediu que as rondas começassem. Não queria que outro incidente como o da noite anterior ocorresse. Não haveria nenhuma morte por mãos demacianas em seu exército, afirmou. Muitos se perguntaram por que diabos ele ainda não tinha atacado. Katarina foi até ele para fazer a pergunta que não se calava na boca de nenhum dos soldados que faziam a ronda.
Entrou na tenda de Swain, que parecia centrado demais com os mapas da região, mapas que estavam em cima de uma mesa de pedra. Darius guardava a entrada da tenda, mas foi obrigado a deixa-la entrar.
– Jericho – ela o chamou, cortando sua concentração.
– Sim? – não removeu os olhos dos mapas.
Katarina notou a ausência de Beatrice, o corvo.
– Por onde anda seu corvo?
– Beatrice?
– Sim.
– Veio aqui perguntar por onde ela anda? – olhou para ela com uma cara irritada. – Primeiramente, ela voa. Não anda.
Katarina percebeu a besteira que tinha dito.
– Não, não foi isso que vim perguntar.
– O que veio perguntar, então?
Katarina hesitou, mas disse:
– Muitos estão em dúvidas se o seu plano é funcional.
Ele franziu a testa.
– Meu plano...? Funcional? Está brincando, não?
Katarina cruzou os braços.
– Demacia matou Thom Garvin e Boram Darkwill, e agora você finge que nada aconteceu, fica só lendo mapas, quase como se estivesse... – uma coisa muito estranha passou pela mente de Katarina, uma ideia sobre o que Swain pudesse estar fazendo, algo que a deixou intrigada – esperando.
– Esperando? – Swain dobrou os mapas. – O que, basicamente, eu estaria esperando?
Katarina engoliu em seco.
– Deixe para lá.
Swain pegou sua bengala.
– Aproveitando que está aqui, venha comigo para a próxima ronda.
– Acha seguro se expor de tal forma? – perguntou. – Você é o nosso único líder agora que Darkwill morreu. Meu pai seria o melhor candidato a essa posição, mas agora que ele desapareceu...
Swain sorriu.
– Pois é, mesmo assim, confio em meus homens... e principalmente em você.
Katarina se sentiu levemente constrangida com o sorriso de Swain; como se aquilo fosse uma cantada, ele a olhou fixamente nos olhos por alguns segundos. Isso foi realmente bizarro. Katarina recuou um passo e desviou o olhar. Swain pareceu ter acordado de um sono profundo. O clima estranho ainda permanecia, só foi quebrado com a entrada de Darius, que lembrou a Swain que já era hora de fazer a ronda.
Katarina agradeceu por aquilo ter ocorrido, sem qualquer sobra de dúvidas.
[...]
Swain era acompanhado por um total de quinze homens, contando com Katarina, Darius, Riven e Draythe. Estava quase anoitecendo, o céu estava vermelho, quase rosa, era o pôr-do-sol. Em minutos iria escurecer.
– Em pensar que na noite anterior invadiram nosso acampamento e mataram Garvin – comentou Katarina.
Darius bufou.
– Se eu encontrasse a pessoa que fez isso – comentou Darius, de forma maldosa –, haha, eu afundaria meu machado tão fundo no rosto dela que nem mesmo os piltoverianos conseguiriam concertar.
Riven riu.
– Você poderia ter feito isso se tivesse na ronda da meia-noite.
Katarina suspirou.
– Acho incrível como os homens dessa ronda não tenham encontrado o assassino.
– Pelo que disseram – comentou Draythe –, não ouviram absolutamente nada à noite, nem mesmo viram que Thom estava morto. Ele parecia dormir quando eu o vi, só estava pálido.
Riven fez uma cara de pena.
– Mesmo ele tendo feito um mal a nós, senti pena dele, sabe? Pelo menos não morreu pela lâmina de Talon.
– Se isso acontecesse – Katarina coçou a cabeça –, teríamos ficado sem qualquer testemunha para o caso “Príncipe Corrupto”.
Todos riram, menos Swain.
Katarina percebeu o silêncio que Swain fazia.
– Está calado, Swain... por que?
Ele continuou no caminho, à frente de todos, de forma descuidada. Parecia... esperar algo? Katarina queria que não, mas ao ver Beatrice descendo dos céus e pousar no ombro do dono, sentiu-se aliviada. Então era isso que ele esperava.
– Olha só quem voltou – riu Riven.
Ela se virou para Draythe, se sentiu feliz em ver que ele estava rindo.
– Beatrice, nossa nova mascote – Draythe riu, alegrando-a.
Swain deu um sorriso de lado, mesmo assim permaneceu calado.
O silêncio predominou. Somente Beatrice fazia barulhos, que eram o bater de asas, grasnados, etc. Fora os sons de passos, das armaduras, das espadas, as únicas que não utilizavam armaduras pesadas eram Riven e Katarina. Riven carregava sua imensa espada rúnica nas costas, enquanto que Katarina carregava suas adagas em todas as partes do corpo, deixando as maiores nas costas e as menores em outros lugares. Draythe tinha uma espada embainhada, Darius tinha seu machado nas costas, todos tinham pelo menos uma arma.
Do nada, Swain parou. Todos tiveram que parar, alguns até esbarraram fortemente uns nos outros. Katarina estranhou a parada repentina.
– Por que parou...?
– Shh...! – Swain fez.
Todos ficaram em silêncio total, somente se entreolhando, intrigados. Swain parecia ouvir algo que mais ninguém podia ouvir... passos. Katarina também começou a ouvir, ouvir uma aproximação silenciosa. Arregalou os olhos quando percebeu o que era.
Jarvan IV, o príncipe de Demacia, saltou de dentro de um arbusto, acompanhado de talvez uns vinte homens, em direção a Swain, que parecia surpreso demais para fazer qualquer coisa. Jarvan, por mais incrível que pareça, não golpeou Swain, mas sim o chão, com tanta força, tanta força – a lança envolta de uma magia dourada –, que afastou todos os homens noxianos, criando uma deformação ao redor de ambos – ele e Swain –, como se fosse uma arena, chamada Cataclisma.
Katarina, ainda caída no chão, atordoada, viu o momento em que Swain estava prestes a ser assassinado pelo príncipe de Demacia. Se perguntou se Jarvan IV era tudo isso que diziam: um homem honrado, o exemplo de Demacia. Nos últimos dias tudo estava diferente. Talvez a máscara de Demacia estivesse caindo. Não é hora para pensar nisso, repreendeu-se. Estava prestes a saltar para Jarvan e degolá-lo. Tinha o ângulo correto, sabia a velocidade em que deveria se transportar... Não iria hesitar mais em matar demacianos. Iria assassiná-lo, como deveria ter feito com seu pai no momento em que ele chegara em Kalamandra.
– Tá no papo... – saltou em direção ao príncipe, mas sentiu uma mão agarrar seu pescoço e atirá-la para longe. Era Garen.
[...]
Swain encarou os olhos do príncipe demaciano que ia em sua direção. Quando a arena foi criada, ficou barrado em uma de suas extremidades. Ficou sem reação. Jarvan retirou sua lança do chão da mesma forma que a fincou, estava prestes a enfiá-la no coração de Swain, quando Beatrice pousou no ombro do dono... Uma mão, não, uma garra segurou a lança de Jarvan, impedindo que prosseguisse.
Jarvan ergueu os olhos para cima; estava escuro, só viu olhos negros que o encaravam. Já não era mais Swain quem ele encarava, mas sim um imenso corvo com asas gigantes, garras poderosas, um bico e penas, muitas penas. Era um ser negro, bizarro.
– Waaaaarrgh!! – “Swain” gritou na face do príncipe demaciano.
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