League of Legends: As Crônicas de Valoran
42 Capítulo 41: Zed
Notas iniciais
Capítulo 41:
Zed – Placidium – Capital de Ionia
O festival anual do fogo, de Ionia, estava prestes a começar, e Zed estava só esperando um momento no qual iria pode dar as caras. Quando o festival estivesse no auge, poderia se misturar, arranjar comida e se esconder... novamente.
Não parava de pensar em Syndra. Como uma pessoa com tanto poder vive acorrentada daquele jeito?, se perguntava. Não entendia como ela podia conseguir viver daquela maneira. Parecia impossível para ele, ainda mais agora, que descobriu como a liberdade era boa. Mesmo havendo pessoas querendo matá-lo, era bom se sentir livre. Não tinha mais que obedecer regras, só isso era perfeito (não ter que ouvir as rezas de Karma era melhor ainda).
Espreitava pelas árvores, observando as pessoas fazendo os preparativos para o festival. Arrumavam barracas, vendas, tudo, enfeitavam as árvores com fitilhas e com argolas de papel amarelas e vermelhas, representando o fogo. Haviam, também, lanternas do tipo redondas que se carrega e que flutuam rumo aos céus quando libertadas.
Não demorou muito para que o festival começasse. Teve que esconder as garras da manopla e sua máscara foi deixada de lado, escondida secretamente. Não poderia sair por aí usando uma máscara assustadora do tipo, não mesmo. Teve que sair de cara limpa, se fosse reconhecido, teria problemas. Sabia que Shen e Akali estariam ali, principalmente na hora da peça do Conto de Reina, onde eles atuariam. Com certeza Master Shyon deveria ter ido, juntamente de Kelsen e todos os outros da Ordem. Kyrie..., pensou Zed. Precisava ver o amigo. Ele, que não queria se afastar desde o começo, capaz de chorar pelo banimento de Zed.
De certa forma, procurou-o na multidão que se formava no festival. Teve medo de ser mal interpretado, vendo que ele era o único a usar uma roupa escura dentre pessoas utilizando quimonos e trajes orientais, todos claros e com cores puras, que transmitiam a vida. Por sorte, ninguém parecia notar um adolescente de quase 1,80m andando por aí com uma roupa daquelas.
Era difícil encontrar Kyrie, ele era baixo, um toco de gente. Tinha somente doze anos, mas era pequeno.
Quando pensou que jamais o encontraria, o viu sentado num banco numa barraca de lámen, esperando por seu macarrão. Usava um macacão azul-escuro, seus cabelos castanhos estavam bagunçados e ele parecia tristonho.
– ...é que perdi um amigo meu, digamos – dizia para o cozinheiro.
Zed o cutucou.
– Que que é?! – Kyrie se virou, irritado, mas ao ver que era Zed, ficou perplexo. Depois um sorriso se formou em seu rosto. Ele pulou em Zed, abraçando-o forte. – ZED! VOCÊ VOLTOU!
– Shhhh! – ele fez, desagarrando-se do garotinho. – Quer que me encontrem?
Kyrie franziu a testa.
– Por que? Está fugindo de Shen?
– Não somente dele – olhou para os lados, para perceber se não estava sendo observado. – Existem pessoas querendo me matar.
Kyrie ficou abismado.
– Por que iriam querer te matar? Malditos sejam!
– Não sei quem poderia querer, mas sei que um homem ioniano, aparentemente um soldado, quis me matar. Seu nome era Zelos.
– Zelos? – ficou com uma cara pensativa. – Acho que o conheço... Não sei de onde.
– Isso não importa, só sei que eu consegui despistá-lo.
– Pelo que sei, ele é poderosíssimo. Como conseguiu despistá-lo tão facilmente e sem perder nenhum membro?
Deu de ombros.
– Sou realmente bom em minhas técnicas.
Kyrie parecia confuso, ao mesmo tempo que desconfiado.
– Entendo... Mas confio em você, sei que você é o melhor!
Zed sentia saudades de como Kyrie o endeusava. Fazia dele seu herói, sua meta de vida, o irmão mais velho que qualquer órfão iria querer. Isso aumentava sua autoestima e seu próprio ego, deixando-o melhor. Ultimamente, as perseguições tiraram um pouco disso dele. Se sentia mais revigorado.
– Mas e então – perguntou Kyrie –, o que faz aqui?
– Eu precisava de algo para comer. Estou de butuca esperando o festival começar há quase três horas.
Kyrie sorriu.
Um prato de lámen foi posto em sua mesa pelo cozinheiro. O macarrão exalava um aroma delicioso e um vapor quente que dava ainda mais água na boca. Além de ter alguns legumes, tinha poucos pedaços de carne. Kyrie pegou um par de hashis para Zed.
– É seu!
Zed recuou.
– Não, não posso aceitar.
– Claro que pode. Eu comi antes de vir para cá, já você não.
Não podia ir contra seu estômago que roncava. Zed devorou o prato de lámen de Kyrie e nem se importou se o garoto era quem deveria pagar a conta ou não, já que ele não beliscou nem mesmo um pouquinho do macarrão.
Kyrie ficou esperando o amigo terminar de matar a fome para falar alguma coisa. Quando disse, surpreendeu Zed.
– Shen queria falar com você.
Zed se virou para ele, boquiaberto.
– Como é?
– Shen queria falar com você.
– Eu já entendi... mas...
– Ele queria falar com você depois da peça de Reina.
Zed assentiu. Também queria falar algo a ele, só não sabia o que.
Viu que todos se dirigiam para o pátio central, o Jardim Sereno, onde ficava a Grande Árvore. Seria lá onde aconteceria a cerimônia de purificação de espírito, uma cerimônia que trazia até mesmo pessoas de fora de Ionia para a presença em um evento tão bonito. Infelizmente o caminho para o lugar era difícil, já que Ionia era uma grande ilha ao nordeste de Valoran. Alguns de Piltover podiam vir em dirigíveis ou aviões, entretanto, membros de outras cidades-estado deveriam pegar navios.
Zed se misturou com a multidão novamente, porém, estava com seu grande amigo... ou pequeno amigo.
Sempre ia até o Jardim Sereno ver a cerimônia, era a única coisa da religião ioniana na qual ela realmente gostava e se importava. Porém, agora não se sentia daquele jeito. Estava diferente. Havia mudado. Talvez por que aquela cerimônia trazia esperança e purificação de alma, e naquele momento ele não tinha nenhuma esperança e sua alma estava corrompida. As sombras ainda vagavam por ele, pessoas podiam sentir essa energia maligna, mas não pareciam se importar. Queriam purificar a própria alma, não se importavam com energias obscuras, pois todas elas seriam purificadas até o final da noite.
Havia um grande palco em frente da árvore. Nele haveria a peça na qual Shen e Akali encenariam. Zed a observou com repulsa. Sua mente criava finais trágicos para aquela noite; pessoas morrendo ensanguentadas, a árvore incendiando tudo ao redor... Sorria ao pensar nisso.
– Está rindo de que, Zed? – perguntou Kyrie.
Zed se pegou rindo, parou.
– De nada, não.
Ky deu de ombros.
Logo havia uma multidão sentada (no chão) esperando a peça começar. Quando vários homens começaram a bater os tambores, uma pessoa começou a narrar a história de Reina, um antigo guerreiro ioniano que era caçado por um espírito maligno. Akali era Reina. Ela usava trajes formais de batalha vermelho e branco. Shen era o espírito maligno. Usava vestes vermelhas e uma máscara assustadora.
Zed conhecia o conto de cor, assim como todos ali presentes. Mesmo assim não se importavam em ouvi-lo novamente... pela centésima vez, ou mais, bem mais.
Houve um momento em que Zed e Akali simularam uma batalha, na qual ela venceu com o poder da verdadeira força, a força interior. Por não ter mais medo, Reina venceu o espírito maligno e blá, blá, blá... Já sabemos o fim dessa merda, pensou Zed. Na verdade, Reina vestiu uma máscara assustadora para lutar contra o espírito, o que prega que o espírito ficou com medo, e... Isso não faz o menor sentido.
Zed já não via mais o verdadeiro significado daquilo.
Terminando a peça, o palco foi desmontado em minutos, para dar espaço à cerimônia, onde a Grande Árvore era incendiada com as impurezas das almas dos presentes, e no dia seguinte aparecia intacta.
Zed recuou, foi até perto da árvore onde guardou sua máscara, e antes de vesti-la ouviu uma voz.
– Sabia que não perderia o festival do fogo – era Shen.
Ele havia removido a máscara maligna, que estava pendendo de seu cinto, mas ainda usava as vestes vermelhas da peça. Tinha suas duas katanas embainhadas e estava de braços cruzados. Zed percebeu que ele ainda tinha pequenos cortes da Marca Fatal feitas no dia do banimento. Se não fosse por Karma, Shen teria explodido em mil pedaços.
– Não vim por você, não vim pelo festival e nem pela minha alma, mas pelo Kyrie – admitiu. – O garoto precisava me ver.
Shen riu.
– Faça-me rir, como se viesse até aqui para rever alguém. Você é egoísta, só pensa em si mesmo. Sei disso desde que éramos jovens. Você não hesita em conseguir poder, mesmo que para isso tenha que destruir sua própria alma. Por isso aderiu às sombras.
– Veio aqui para me julgar? Se veio para isso, saiba que estou dando o fora.
Shen impediu que Zed se fosse, colocando a mão em seu ombro.
– Não quero brigar – disse. – Quero me reconciliar com você, assim como meu pai.
Zed riu.
– Tanto que mandaram me matar, não é?
Shen arregalou os olhos.
– Como é que é? Ninguém em Kinkou mandou que te matassem. Isso iria contra todos os nossos votos, honra...
– Os votos, a honra... todos eles morrem quando se tem uma lâmina em mão – removeu a mão de Shen de seu ombro. – Aprendi isso da pior forma!
Deu as costas e foi andando, colocou a máscara...
– Espere! – gritou Shen. – Não vai me dar a devida revanche?
Quando ouviu o som das lâminas de Zed sendo removidas, recolocou a máscara assustadora e sacou suas lâminas. Sabia o que Zed ia fazer, por isso se preparou. Quando as três sombras vieram em sua direção, preparando a Marca, ele fez um movimento com os braços que criou um grande escudo arcano ao seu redor, bloqueando a Marca Fatal de Zed e lançando-o longe.
– Aprendi a como te contra-atacar.
– Percebe-se – a voz de Zed já havia mudado.
Avançou em Shen com seus ataques rápidos, todos defendidos de forma ágil pelas duas katanas. Zed girou com seus braços, golpeando a defesa de Shen, até encontrar uma área sem defesa e ataca-la, cortando-o na área do peito. Shen recuou, com o peitoral sangrando, irritado.
Avançou em Zed atacando com toda a sua força; mal pôde se defender dos ataques potentes, teve que recuar e se defender quando a fúria implacável de Shen explodiu como uma bomba.
Zed teve que agarrar as lâminas entre as suas e dar um chute na boca do estômago do inimigo, que recuou, mas conseguiu cortá-lo no braço.
Shen se descuidou, avançou com fúria, mas sem defesas. Zed conseguiu remover as katanas de suas mãos com um choque entre as lâminas e com uma maestria perfeita das mãos. Quando colocou sua lâmina na garganta de Shen, recebeu uma voadora que o fez voar longe. Suas lâminas logo voltaram para dentro da manopla enquanto ele tentava se “desatordoar”.
– Shen! – gritou Akali, pegando o amigo nos braços. – Shen você está bem?
Shen removeu a máscara assustadora e se levantou.
– Sim, estou.
Kennen veio correndo na direção dos dois.
– Ouvi um barulho de um choque entre aço. O que que houve? – quando viu Zed caído no chão, percebeu o que realmente era. – Você...!
Zed se levantou, removeu a máscara, agarrou o braço machucado com uma das mãos.
– Não toquem nele – advertiu Shen. – Não devemos fazer jorrar sangue no dia de hoje... pelo menos mais do que fiz jorrar.
Akali fuzilou Zed com o olhar, furiosa.
– Pois bem. Mas saiba que ainda irei me vingar, Zed!
– Te darei um bom motivo para querer se vingar – deu as costas e foi embora.
[...]
Zed estava irritado. Andava batendo os pés, os punhos cerrados. Estava muito furioso com tudo aquilo que estava acontecendo. Sempre odiou o “trio imbatível”, sempre ferrando com a sua vida. Era como se ele fosse o vilão da história. Mas ele sabia que, bem no fundo, não era bem assim.
Ia na contramão de todos, que ainda iam se acomodar perto da Grande Árvore, esbarrando em todos. Esbarrou numa garota loira vestida com um quimono rosa com desenho de flores e com um coque frouxo. Se desculpou e seguiu seu caminho. Aparentemente não era nada demais. Zed seguiria seu caminho, tentaria achar Kyrie, se despedir, e seguir seu caminho, mas quando a garota o segurou pela mão, ele teve que parar.
– Zed! – a garota exclamou.
Ele se virou para vê-la melhor. Ela tinha olhos azuis e uma pele clara demais para uma ioniana comum. A reconheceu de algum lugar, só não lembrava o nome dela.
– Quem é você? – perguntou.
– Sou Haruka Hirane, de Kinkou.
Zed franziu a testa. Não lembrava mesmo quem ela era. Teve que vasculhar muito bem a sua mente para tentar lembrar quem ela era. Haruka... unhas afiadas... Kinkou...
– Você é a garota que também gostava do Shen e que derrotou o Dan usando garras afiadas – finalmente a reconheceu.
– Sim, essa sou eu! – ela parecia realmente feliz com a descoberta dele.
Zed se lembrou o quanto ela era “atirada” em garotos. Já dera em cima de Dan, de Hasuke, de Shen, e agora poderia estar querendo dar em cima dele. Ela era realmente bonita e tinha um corpo escultural, mas Zed sentiu uma energia estranha emanar dela. Algo sombrio, ao mesmo tempo que familiar.
– Procurei você por toda a festa – ela disse. – E quanto ao eu gostar de Shen, esqueça. Depois que eu vi ele explodir em mil pedaços após sua magia das sombras... eu fiquei doida! – realmente ela estava dando em cima dele. – Queria mais do que tudo falar com você, queria... – puxou-o para um local reservado, onde ninguém estava olhando, empurrou-o contra uma árvore, sussurrando em seu ouvido: – Queria aprender suas técnicas!
Zed a empurrou; ela recuou dois passos.
– Está louca? Fui banido por conta disso, não quero que você também seja expulsa!
Ela colocou a mão na cintura e sorriu maliciosamente.
– Realmente acha que eu me importo? Kinkou não dá o verdadeiro poder. Eu quero ascender às sombras... assim como você!
– Me desculpe, mas estou sem a caixa das sombras. Não posso te ensinar esse tipo de técnicas.
Os olhos de Haruka se tornaram vermelhos e sua voz se tornou maligna. Uma energia sombria começou a brotar de dentro dela, algo sombrio, algo... noturno.
– Não precisa se preocupar... – ela desapareceu numa fumaça negra e reapareceu ao ouvido de Zed – eu já cuidei de tudo.
Encostou garras sombrias no pescoço de Zed. Um movimento poderia matá-lo, ela poderia matá-lo, e ele não poderia fazer nada. Como ela ficou tão forte assim? Zed precisava fugir dela, senão...
Se deslocou pelas sombras, se afastando dela.
Ela sorriu, a aura sombria desapareceu.
– Não se preocupe, não irei te matar. Eu quero ser sua discípula, quero aprender mais técnicas... Sei que você as tem em mente, sei que pode consegui-las.
– Só quero que me responda como conseguiu as técnicas!
Ela suspirou.
– Achei a caixa das sombras em seu quarto, após vasculha-lo escondido. Abri-la e senti várias vozes em minha mente, porém elas não me fizeram desmaiar. Eu recebi várias técnicas com garras e sombras da noite em minha mente e comecei a treiná-las escondido – ela fez uma cara feia. – Infelizmente o Chanceler Shyon a encontrou, descuido meu. Ele a guardou e disse que quem quer que tenha a utilizado iria ser banido junto de você. Felizmente eu não fui a única.
Zed franziu a testa.
– Como assim não foi a única?
Três sombras brotaram ao lado de Haruka, se revirando no ar, criando uma forma humana, bizarra e sombria. Deu de cara com quatro ninjas de Kinkou conhecidos: Dan, o que havia lutado com Haruka e que usava Naginata, agora usava um manto negro; Karina, a garota ruiva que havia lutado contra Akali e que usava a arma Bo, agora usava vestes negras; e o terceiro surpreendeu Zed: Kyrie, vestindo, agora, roupas negras, utilizador de shurikens e kunais da mais pura energia sombria. Todos eles haviam desfrutado do fruto proibido juntamente de Haruka, e agora queria ser discípulos de Zed nessa jornada sombria.
– K-Kyrie...? – Zed parecia abismado.
– Eu ia te contar uma hora!
Zed se virou para Dan.
– Não foi você que me chutou e quis me enforcar por eu ser um traidor?! – gritou enfurecido.
Dan assentiu, envergonhado.
– Naquele momento eu estava com os olhos fechados para a verdade, a verdade sobre o poder verdadeiro dos ninjas. Agora sei que o verdadeiro poder vem das sombras, meu mestre.
Os quatro, Haruka, Dan, Kyrie e Karina se ajoelharam, entoando juntos:
– Meu mestre!
– Qual será nosso primeiro passo, mestre? – perguntou Haruka.
Zed pareceu pensativo. Sorriu e disse:
– Iremos recrutar mais aprendizes.
– Mas como se não temos a caixa? – perguntou Karina.
Zed riu com uma voz modificada e sombria, era como se estivesse utilizando a máscara novamente. Uma energia sombria surgiu às suas costas. Era um ser de pura escuridão e morte, com lâminas que cortaria as almas daqueles que se opuserem a Zed e a Ordem das Sombras, recém fundada.
– Tenho algo melhor que isso – o ser das sombras disse juntamente de Zed, como se o controlasse. – Nós temos a mais pura escuridão...
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