Capítulo 14:

Jericho Swain – Noxus ­– Entrada da Cidade

As maiores forças Noxianas se preparavam para ir à Kalamandra. Elas seriam lideradas por Jericho Swain, e tinham um prazo de chegarem ao vilarejo de dois dias. Estava ótimo para ele, que queria muito ir a um lugar antes.

Os soldados Noxianos trajavam armaduras negras com pontas verdes que as vezes pareciam brilhar no escuro. Seus elmos eram deixavam apenas aberturas para os olhos e nariz, e uma bastante pequena para a boca. A boca não parecia ser algo interessante; Boram dizia que os soldados eram somente peões, e que não necessitavam de abertura para a boca, para que não falassem mais que o necessário. Por ele, os soldados não falariam absolutamente nada, mas como Swain interveio, ele foi obrigado a dar pelo menos uma abertura.

Jericho e LeBlanc eram um dos conselheiros favoritos de Boram, perdendo somente para Du Couteau, pai de Katarina e Cassiopeia. Ele era um general bastante conhecido e honrado, logo, Boram o ouvia mais do que ouvia LeBlanc, o que a irritava, e muito.

Jericho iria liderar as tropas, cavalgando à frente de todos. Atrás dele ficaria Darius, usando sua velha armadura vermelha e seu imenso machado pendendo das costas, Riven, uma cavaleira bastante renomada, de cabelos prateados e presos num rabo de cavalo, trajando uma armadura verde e curta, comparada à de outros cavaleiros, e sua imensa espada verde rúnica pendia de suas costas. Mais atrás podia se ver pelo menos vinte soldados montados em cavalos negros.

O chão da entrada da cidade estava úmido e lamacento, como sempre. Haviam muros ao redor, e à frente, o portão da cidade, que era grande e negro, como os portões do inferno, dizia Boram. Se olhasse para trás, se poderia avistar o Castelo Negro, e algumas casas. Jericho decidiu não olhar para trás; a visão da cidade lhe era tão familiar, que ele não precisava olhá-la para saber como era. Ele vivera desde jovem naquela cidade, e só havia saído poucas vezes, e todas foram para guerrear contra Demacianos... Agora ele estava indo para escavar minas junto deles.

– Ei, Darius! – gritou Riven de seu cavalo. – Esse teu topete tá tão grande que eu não consigo avistar o Portão Infernal! – como era chamado o portão da cidade.

Todos da guarda riram – tudo graças a Swain, que permitiu que eles pudessem usar elmos que permitissem isso –, irritando Darius. Ele grunhiu, mas decidiu ficar calado, pois não tinha uma resposta melhor que não houvesse obscenidades em cima de Riven, que também riu.

Swain deu uma risadinha.

– Temo dizer que ela tem razão, Darius – disse.

Darius bufou.

– Faça-me o favor, Jericho – respondeu. – Essa garotinha escrota pensa que pode me zoar. Ainda me pergunto como deixaram mulheres entrarem na guarda.

Riven, por um segundo, pareceu ofendida. Mas deu uma risadinha, e respondeu rapidamente:

– Deixaram mulheres entrarem na guarda no mesmo momento em que elas podiam empunhar espadas maiores do que escudos.

E era verdade: a espada de Riven era tão grande quanto um, tendo um metro e pouco menos de dez centímetros, e nela haviam várias runas verdes que brilhavam enquanto ela era brandida, emitindo uma energia poderosa e majestosa. Riven era, sem dúvidas, uma das melhores guerreiras do reino, por isso, Darius não tinha muito o que dizer. Tudo o que falava era da boca pra fora. Ele não se esquecera de uma vez na qual perdera para a garota, fora que ambos cresceram juntos na Guarda Noxiana; ambos órfãos.

Jericho também crescera ao lado deles, sendo treinado em estratégia de batalha e esgrima. Desde que Emília LeBlanc aparecera com ele no Alto Comando, Boram se apiedou do garoto órfão e foi quase como um pai a ele. Assim, Swain cresceu em um ambiente poderoso, tendo fortes aliados e uma guarda mais forte ainda.

– Talvez vocês devessem ficar quietos um pouco – disse.

– Talvez Riven devesse ficar quieta – corrigiu Darius.

Ela riu.

Foi quando uma figura bastante conhecida apareceu. Suas botas faziam barulho ao pisarem no chão molhado e lamacento, e seu sobretudo preto fazia com que ele tivesse uma aparência sombria. O cabelo negro encaracolado e curto denunciou ser Keiran Darkwill, filho mais novo de Boram. Atrás dele vinha, nada mais nada menos, que Cassiopeia Du Couteau. A garota, sua namorada, trajava um vestido vermelho e rosa, usava um rabo-de-cavalo no cabelo vermelho e uma sapatilha rosa, que logo ficou com a sola marrom devido à lama do local. Ela não parecia feliz com o lugar aonde o namorado a levava.

Ela gemeu.

Swain se virou.

– Keiran? O que faz aqui?

O garoto deu um sorriso a ele.

– Vim dar-lhe as minhas despedidas, já que você irá à Kalamandra.

– Você fala como se eu fosse morrer lá.

O garoto sorriu.

– É bem provável que morra. Mas não estou aqui para desejar o seu mal. Soube que você vai a pedido do general Du Couteau, não?

Swain respirou fundo.

– Claro.

– Mas as tropas só deveriam ir amanhã. Gostaria de saber por que você está indo antes.

Claro, pensou Swain. Keiran sempre pensou que poderia se submeter a mim por ser filho de Boram, e eu, um simples órfão. E era verdade: Keiran sempre teve uma certa implicância com ele, tanto que só quis entrar no Alto Comando quando ele entrou. Keiran, por ser um Darkwill, conseguiu um cargo importante de Comandante, enquanto Swain, de General. Se isso irritou o garoto? Claro!

Swain pensou bem no que iria responder, por que Keiran sempre esperou que ele dissesse a coisa errada para apedrejá-lo.

– Tenho que visitar uma velha amiga minha – respondeu.

Darius abriu um grande sorriso largo.

– Opa, não sabia que você ia ver uma garota. Tá namorando e nem me contou, né?

Jericho olhou para ele com um olhar fulminante, pedindo que calasse a boca.

Keiran pareceu conformado com a resposta.

– Ah, claro, entendo. Eu também não consigo ficar um dia sequer longe da minha Cassie, aqui – agarrou a garota ali mesmo e lhe deu um beijo. Swain revirou os olhos. Se tinha algo que ele podia concordar com Katarina, era que aquele casal não passava de uma grande merda. Keiran se virou para ele, e continuou: – Mas fico me perguntando que tipo de garota iria querer namorar você, Jericho.

Darius conseguiu sentir a frustração nos olhos do amigo, que mesmo não gostando do quase-irmão, tinha que aturá-lo; estava disposto a defende-lo, mesmo não sabendo como.

– Muitas – respondeu Darius, para a surpresa de todos. – Jericho é muito bom de lábia. Já o vi ficar com várias, só de conversar por alguns minutos.

Riven, que também tinha uma certa afeição por Swain, disse:

– É mesmo, né. Lembro daquele dia que fomos ao bar e o Swain ficou com uma bem bonita.

Keiran franziu a sobrancelha, não entendendo muito.

– Hum, entendo. Enfim, depois nós nos vemos, Swain – ele deu as costas e começou a andar, com a mão na cintura de Cassiopeia. – Só não morra – ou morra, nem ligo, imaginou Swain.

– Obrigado por terem me ajudado – disse Swain, enquanto cavalgavam pela estrada de saída de Noxus.

O caminho era bem simples: Kalamandra ficava há muitos quilômetros de Noxus, e ficava bem ao lado de Demacia. O caminho era longo, e a possibilidade de se perder era grande, mas dessa vez, Swain não poderia se perder. Podia ver Beatrice batendo as asas à cima de todos, e guiava o dono, que guiava toda a tropa.

Darius deu uma risada.

– Pra isso que serve os amigos, não é?

Cavalgaram por mais alguns quilômetros, e, por sorte, a cela e o cavalo de Swain não machucaram suas partes íntimas.

Olhando para trás, Swain podia ver, claramente, a caravana de soldados Noxianos que o seguiam. Estava quase de tardezinha quando eles já podiam avistar Kalamandra: um grande vilarejo com várias casinhas, estalagens, mercados, cavalariças, e uma bonita praça, onde se podia ver uma grande pedra violeta exposta bem ao centro, dando uma beleza exuberante à cidade. Infelizmente, ainda haviam muitos quilômetros a se percorrer, e eles estavam cercados por uma densa floresta, que só deixava Swain ver a cidadela.

– Vamos parar aqui – ele disse. Se virou para os soldados, e disse: – Montem um pequeno acampamento, continuaremos a cavalgada durante o dia.

Sem contestar, os soldados desmontaram de seus cavalos, espreguiçando-se e batendo papo. Estacionaram os cavalos por aí, deixando-os presos em árvores, o que não faltava ali.

Swain olhou para os lados, para o horizonte, e para Kalamandra. Beatrice pousou em seu ombro, grasnando alegremente – ou não. Corvos são estranhos.

– Não vai estacionar seu cavalo, não, Swain? – perguntou-lhe Riven. Ela fincou a grande e pesada espada rúnica no chão, de um jeito que ninguém, além dela, conseguiria pegar.

Swain olhou para os soldados, que já estavam montando as barracas

– Ainda não – respondeu. Puxou seu cavalo para um lado, e continuou: – Tenho de ir à um lugar antes.

– Ver sua namorada?

Ele ficou meio sem graça, mas respondeu:

– Quase.

– Espera aí, Swain! – gritou Darius, indo até ele em passos lentos. Ele carregava seu imenso machado em mãos, e parecia ter acabado de cortar lenha. Já não usava sua armadura vermelha imensa, usando apenas uma camisa preta. Swain só percebeu que ele usava uma imensa capa vermelha quando já não mais usava. – Eu vou com você.

Swain suspirou.

– Tudo bem, vamos.

– Quando vocês voltam? – perguntou Riven. – Precisam chegar até aqui até amanhã de manhã. Ou se der, cheguem mais cedo.

Já estava quase anoitecendo quando os dois partiram, a cavalo, rumo à uma estrada paralela à Kalamandra. Darius percebeu que, contornando o vilarejo, eles dariam de cara com alguma cidade vizinha.

– Swain – chamou. – Aonde, diabos, estamos indo?

Ele não respondeu.

– Swain... – chamou novamente. – Aonde estamos indo?

Novamente não houve resposta.

Swain! Aonde estamos indo? Não me diga que você está me levanto até...

– ...Demacia – respondeu Swain.

Quando chegaram ao portão de Demacia, Darius tinha uma expressão furiosa no rosto. O portão era grande e bonito, feito de ouro e ferro, com o brasão da cidade e o mais incrível era que o portão estava aberto e várias pessoas entravam, seja a cavalo, ou a pé.

A cidade era linda, com uma bela ornamentação, bastante cor, vida, e luz, diferente de Noxus, que à noite, era tão sombria que quase ninguém saía na rua. As pessoas usavam roupas de cores vivas – preferindo o branco, dourado e vermelho –, e tinham até um semblante mais bonito.

Demacia era considerada a cidade da justiça, pois todos os membros da cidade tinham uma grande perseguição por justiça, pelo politicamente correto, e pelos bons modos. Eles perseguiam todos os infames e injustos de Runeterra, o que fez com que eles tivessem uma rivalidade consideravelmente obsessiva com Noxus.

– Caralho, Swain...

– Não xingue! – corrigiu o amigo. – Demacianos odeiam palavrões.

Demacianos odeiam palavrões – zombou Darius. – Faça-me o favor, cara. Me trouxe logo ao pior lugar do mundo.

– Pra você.

Darius ficou boquiaberto de raiva.

– Me diga quando que você se transformou num Demaciano.

– Não me tornei um Demaciano. Acontece que eu tenho respeito por eles, mesmo que tenha que batalhar com eles em campo de batalha.

Darius bufou.

– Então a sua namorada é Demaciana?

– Não é bem a minha namorada.

Swain deu o comando para que o cavalo avançasse lentamente em direção ao portão. Quando estava quase entrando, ouviu uma voz grosseira lhe perguntar:

– Quem são vocês? – olhou para cima e se deparou com uma estranha gárgula azul com asas e garras douradas. Tinha olhos vermelhos e estranhos chifres de pedra. Swain se assustou ao vê-lo, mas logo depois se acalmou.

– Sou eu, Lorde Renly Black – mentiu Swain.

Darius franziu o cenho, não entendendo nada.

A gárgula olhou para ele, estranhando-o.

– E quem é esse aí?

Swain logo respondeu:

– É meu irmão, Robert – ele se virou para Darius e deu uma piscadela, pedindo que ele colaborasse.

Darius acenou para a estranha gárgula, e então ela disse:

– Veio para ver o concerto da Senhorita Buvelle?

Swain assentiu.

– Ah, então pode passar.

Os dois passaram pela gárgula e pelo portão, chegando até um lugar onde poderiam guardar os cavalos. Foi quando Darius perguntou:

– O que diabos foi aquilo?

– Lembra daquelas vezes em que eu sumia à noite e só voltava no dia seguinte? – perguntou-lhe Swain.

Darius fez que sim com a cabeça.

– Eu vinha até Demacia, passava por Galio, o guarda de Demacia, e ia ao concerto de Sona Buvelle.

– Então você passava por toda a guarda de Demacia só para ver um... concerto? E, meu deus, Renly? Que nome de viado, cara. De onde você tirou esse nome?

– Isso não importa, eu estou atrasado.

– Ainda não sei por que você me trouxe até aqui, na base inimiga.

– Quero que você aprenda o que é música de verdade, meu caro amigo.

As ruas Demacianas eram mais iluminadas que as Noxianas, dando um clima mais calmo e serene, diferente de Noxus, que era um lugar onde sair à noite sozinho era pedir para ter a garganta degolada.

Ao olhar para o horizonte você poderia ver o grande Castelo de Demacia, onde residia o rei Jarvan III, a rainha Jaynee, e o príncipe Jarvan IV. Swain também reconhecia algumas casas luxuosas que eram de famílias Demacianas importantes, como a casa dos Crownguard, dos Vayne, dos Laurent, entre outras.

Os dois chegaram a um grande estabelecimento. Ele era bem grande, iluminado, com pilastras bonitas e um tapete vermelho. Várias pessoas vestidas de roupas chiques entravam, e, de acordo com Darius, não passavam de riquinhos escrotos. Ele parecia ter uma certa raiva por esse tipo de pessoa, e fazia sempre uma careta quando um lorde o olhava. Ele era jovem, e como só aparecia em campo de batalha, nenhum dos homens Demacianos o reconheceram.

Incrivelmente, na hora de entrar, Swain deu duas entradas para o guarda da porta.

– Você comprou dois ingressos? – perguntou Darius. – Sabia que eu iria querer vir, não é? Ora, você já sabia que eu viria se não soubesse que era uma droga de concerto.

Eles passaram por um estranho túnel, e entraram dentro de uma espécie de recital, onde haviam várias inclinados para cima, centralizando um palco, onde haviam cortinas vermelhas escondendo o que havia atrás. Darius não pareceu gostar do lugar, mas quando se sentaram no banco estofado, ele se acalmou.

– Eu já preparei tudo – disse Swain.

Darius ignorou completamente o comentário dele, e disse:

– Meu deus, que banco bom – e se sentou totalmente despojado. Se virou para o amigo, e continuou: – Vai ter rango?

Swain revirou os olhos.

– O rango daqui é mais caro do que meu salário pode pagar, e se você visse como e o que os Demacianos comem, você iria vomitar.

Darius franziu a sobrancelha.

– O que eles comem?

– Tem uns pratos que são deliciosos, mas outros são só caramujo, ovos de peixe, e outras coisas com nomes bonitos. E eles comem muito pouco.

Darius se estremeceu.

Demacianos – gemeu.

Houve um barulho que mais pareceu um estrondo, que assustou Darius, e colocou um grande sorriso no rosto de Swain.

– Vai começar!

Darius já ia perguntar o que diabos ia começar, quando as cortinas se abriram e todos no lugar bateram palmas. As cortinas revelaram uma jovem garota de longos cabelos azuis presos em dois rabos de cavalo – maria-chiquinha para os mais íntimos –, com mechas loiras nas pontas e uma franja. Ela usava um longo vestido tomara-que-caia azul com grandes tiras que pareciam flutuar ao seu redor. Seu vestido era grande o suficiente para cobrir seus pés. Em seu colo havia um grande instrumento musical que parecia uma mistura de harpa com teclado, que tinha somente três cordas esticadas, e uma ornamentação oriental ao estilo Ioniano. Ela tinha um olhar serene, olhos azuis que eram quase celestiais, e seu semblante transmitia uma energia positiva que chamou até a atenção de Darius.

Swain tinha um brilho nos olhos ao vê-la.

– Me diz que a garota que você disse que ia visitar – comentou Darius – não é ela.

Swain ignorou, pois a garota começou a deslizar os dedos pelas cordas do instrumento, fazendo um som que fez com que Darius ficasse boquiaberto. Com apenas alguns movimentos ela conseguia fazer uma melodia que trazia paz ao seu coração. Lhe veio lembranças do passado, lembranças dos pais mortos, e de quando era criança.

Foi quando um coral de fundo e outros musicistas, juntamente com a garota, iniciaram uma sinfonia exuberante. Era uma melodia épica, alta, que se encaixaria bem numa poderosa batalha. E então acalmou-se: agora, somente a garota tocava, fazendo o som de vários instrumentos com um simples toque. As notas pareciam mágica saindo dali, e seus dedos pareciam ser abençoados pelo divino, e ela parecia uma deusa da música.

Agora Darius entendia o porquê de Swain o levar ali. Ele queria que ele entendesse um pouco da melodia que o inspirava tanto. E também entendia o porquê de todos aqueles Demacianos se juntarem ali, naquele local, só para ouvir música. Não era como as músicas que Darius ouvia em bordéis, tocadas por bardos ou menestréis que tocavam em troca de bebida; era algo impressionantemente incrível; sem explicações.

– Qual o nome dela? – perguntou a Swain.

– Sona Buvelle – respondeu.

A orquestra permaneceu por mais três músicas, e parou. Então, Sona se levantou, fez as honras – por mais incrível que pareça, o instrumento flutuava à sua frente –, e as cortinas se fecharam. Foi quando as pessoas que estava assistindo se levantaram, comentando o quanto aquela orquestra fora inspiradora, bonita, incrível e deliciosa de se ouvir. Alguns choraram de emoção com as músicas, e outros, pareciam que estiveram num sono profundo – acredite, isso não significa que eles dormiram durante o concerto.

– Incrível – disse Darius.

Swain sorriu.

– Então você gostou?

– Um pouco. Até achei gostosinha, essa Sona. Você viu só aqueles peitos?

Swain revirou os olhos.

– Claro, eu os vejo toda a quinta-feira à noite. Durmo em Demacia, e depois volto.

– Por isso você sempre desaparece, não é? Pelo visto, ela é a sua diva.

Swain olhou para o horizonte – se é que há horizonte num local fechado –, e respondeu:

– Sua melodia move a alma, e seu silêncio faz o corpo chorar.

– Já conversou com ela antes?

Ele ficou vermelho.

– Claro que não. Temo que a mãe dela possa me reconhecer; ela é conselheira do rei, sabe quem sou.

Darius fez uma cara feia.

– Você não me arrastou até o covil dos bunda-mole para ficar com medo de ver uma garota bonita. Você já enfrentou exércitos maiores e mais perigosos. Lembra daquela batalha em Howling Marsh, quando eu decepei a cabeça daquele general Demaciano? Você liderou as tropas, e foi você quem me deu forças para continuar lutando.

– Eu nem estive presente nessa batalha.

– Mas desenhou o mapa perfeito do local para onde íamos. E tudo graças à sua bizarra comunicação com seu corvo... que por incrível que pareça, tem mais Inteligência que muitos homens por aí.

Swain suspirou.

– Tudo bem... qual o seu plano?

– Vamos fazer uma visitinha à essa tal de Sona nos bastidores. Quem sabe você consegue sair com ela?

– É uma boa ideia.

– E perder a virgindade.

Darius!

Chegaram nos bastidores atravessando uma cortina vermelha. Swain avistou Sona Buvelle, sentada em uma cadeira, perto do que parecia ser seu camarim, com um espelho, bastante luz, bem colorido no azul, vermelho e dourado, e seu instrumento estava em cima de uma mesinha. Seu imenso vestido azul chegava até o chão, impossibilitando qualquer um de ver seus pés. Seus cabelos estavam soltos, se mostrando grandes e brilhantes num tom claro de azul.

Swain sorriu de forma quase apaixonada ao vê-la, mas percebeu que havia outra pessoa na sala: uma mulher alta, bem vestida, cabelos loiros, olhos azuis... Lestara Buvelle.

Ela era uma rica mulher Demaciana, antiga cantora, atualmente participa do Conselho Demaciano, é estéril, por isso, adotou uma jovem garota Ioniana: Sona.

Ao avistar Swain e Darius, ela ficou pasma.

– J-Jericho Swain? – e de repente ficou irada; Sona nada dizia, somente olhou para eles e permaneceu na mesma expressão calma. – O que faz aqui, Noxiano imundo?!

Darius tomou a frente, afrontando-a.

– Viemos dar os parabéns ao belo espetáculo à jovem Sona.

Sona sorriu.

– Ela não tem que receber parabéns de vocês dois, desgraçados!

Sona fez uma cara feia para a mãe.

– Sona! – repreendeu Lestara. – Você sabe quem são esses homens? – a garota fez que sim com a cabeça. – Então sabe que Jericho Swain quase matou nosso príncipe Jarvan, e o outro, Darius, matou vários soldados nossos.

A garota se levantou, mostrando ser pouco mais baixa que a mãe; fez um gesto de mãos para a mãe, como se quisesse que ela se calasse. Se virou para Swain, acenou, sorrindo de forma amigável – ele ficou vermelho –, e também para Darius.

Ele franziu a sobrancelha.

– Por que ela não fala? – se virou para ela. – O gato comeu a sua língua?

Darius! – repreendeu Swain. – Ela é muda! – se virou para Sona. – Me senti muito inspirado pelo seu incrível espetáculo. Eu... eu não tenho palavras para explicar o quanto gosto da sua música e o quanto você me encanta – e respirou.

Sona se aproximou dele, sorrindo de forma calada. Ela precisava olhar para cima para vê-lo, já que ele era bem maior que ela. Quando ela o abraçou, ele ficou completamente vermelho. E então ela recuou, sempre sorrindo.

– Já terminaram? – perguntou Lestara, nenhum pouco contente. – Se eu fosse você, Jericho Swain, eu voltava de volta para o esgoto que é Noxus antes que eu chame os guardas.

Revirou os olhos, e respondeu:

– Tudo bem, eu e Darius já estamos indo embora, se não se importa.

– Ah, é claro que eu me importo. Quero que vocês, Noxianos fiquem bem longe da minha filha.

Swain deu a última troca de olhares com Sona, sempre sorrindo, virou-se para Lestara, fez uma cara séria, e deu as costas, sem dizer mais nada. Darius o acompanhou.