League of Legends: A História Não Contada

6 Arco II - Tryndamere - Em Tempos Esquecidos


Arco II – Tryndamere

Capítulo 1 – Em Tempos Esquecidos

Há muitos anos atrás, sob as terras gélidas de Freljord, afastado de tudo e todos, encontrava-se um homem que caminhava em meio a forte nevasca do inverno.

Trajado apenas com suas roupas de rei árabe, ensangüentado, desarmado exteriormente e interiormente, aquele homem caminhou pela neve sem propósito... Até seu corpo cair.

Meu nome é Tryndamere, sou aquele que se pode chamar de Sobrevivente, mas já ouve um tempo em que eu tinha um lar... Uma família... Amigos... Ouve um tempo, em que eu era Rei...

Era de Prata... Freljord.

Em uma terra governada pelo frio e a escassez de matéria prima para a sobrevivência humana, um clã lutava, sacava, matava até mesmo seus semelhantes para sobreviverem em meio ao mundo caótico.

Esse clã era conhecido como Lâmina Vermelha, devido a sua grande força militar, pois ninguém era capaz de sobreviver a o ataque desses chamados bárbaros.

– Rei! Rei! – Gritava um dos súditos que entra na bela sala do rei, repleto de riquezas e jóias, quadros e sua homenagem por todas as paredes.

– Acalme-se homem! – Exclamou o rei, sentado em seu trono de ouro diante seus dois guardas costas lanceiros.

– Meu senhor... É terrível... – Dizia o homem apavorado de joelhos perante seu senhor. – Forças inimigas se aproximam, clãs começam a se unir e... E... Dizem que um exercito de mil homens marcha para cá! O QUE VAMOS FAZER?!! – Gritou o homem de olhos esbugalhados e coração aflito.

O Rei ergue-se de seu trono, trajado com uma armadura de escamas azuladas, coloca seu casaco vermelho sem mangas, apenas pelagem de urso nos braços, aproxima-se de um monte de ouro e retira sua espada curvada. Então, o rei vira-se para seu súdito aflito e diante um olhar ganancioso e seu bigode fino e estendido, como duas varetas, ele ordena: — Preparem-se para a batalha. –

O Rei Árabe caminhou em direção a torre oeste, sua torre mais alta e que tinha visão para todo o horizonte, onde assim poderia confirmar a chegada do exercito inimigo.

– Bom dia, meu senhor! – Disse um soldado fazendo prontidão, diante seu rei que o ignora.

– O que temos aqui? – Pergunta o Rei.

– Bem... Não há duvidas de que seremos atacados em breve, vejo inimigos se aproximando ao oeste e ao norte, fortemente armados. Devemos evacuar? – Mas quando o Rei escuta de seu soldado, uma idéia de fugir diante o inimigo, ele o estrangula com sua enorme mão, mão que todo homem com músculos fartos deve ter, mão que retira o soldado do conforto de seu chão.

– Se quer fugir, eu o mato agora mesmo. Covardes não são bem vindos! – O homem é atirado ao chão, implorando por perdão, enquanto o Rei ignora-o e caminha para fora da torre, para a frente de seu castelo onde o seu exercito de quinhentos homens estava reunindo-se para a iminente batalha.

– Será que vamos sobreviver? – Perguntou um soldado no meio da multidão.

– Não seja tolo! Com o Rei ao nosso lado, somos imbatíveis! – Respondeu outro soldado.

– Parem de falar asneiras, vocês dois. O Rei chegou. – Disse um terceiro soldado.

O Rei Árabe caminhava para fora de seu castelo e conforme andava em direção aos soldados, seus homens lhe abriram espaço e curvavam-se diante sua presença, reverenciando-o com uma prontidão.

Porem, o homem que os comanda não dá a mínima para nenhum deles e vaga até os grandes portões de madeira de seu castelo, onde ornada que sejam abertos e em poucos instantes, eles são.

Então, ele retira sua espada curvada da bainha em suas costas e a ergue para cima, dando um grito de guerra como um urso feroz, sinalizando para que todos os guardas estejam prontos para guerrear.

– Guerreiros! Nossa terra é impiedosa e cruel, não nos fornece alimento o bastante para que todos nós sobrevivemos! Por isso não devemos ter misericórdia com nossos inimigos que tentam tomar o tão pouco que possuímos!! – De repente, somente os gritos eufóricos dos soldados que o seguiam cegamente. – Sem piedade! Sem misericórdia! Acabem com todos aqueles que ousam nos apagar das terras de Freljord! MOSTREM DO QUE A LÂMINA VERMELHA É FEITA!! –

O Rei Árabe avança em direção ao inimigo com seu exercito logo atrás, todos sedentos por sangue e dominados pelo calor da batalha e o desejo da sobrevivência.

E ao som da trombeta, a guerra entre três clãs se inicia, sem discurso, sem tratado de paz, tudo o que os inimigos vêem é a terra sendo coberta de vermelho diante o clã que se aproxima.

A batalha foi árdua e desgastante, pois foi somente ao por do sol do dia seguinte, que os homens do Rei Árabe foram capazes de clamar por vitória, apesar de que... Pouco mais da metade do clã foram mortos em batalha, com isso, o Rei Árabe decidiu que daria aos seus duzentos sobreviventes uma noite de reis.

– Homens! Não se desanimem! O sacrifício de nossos companheiros não terá sido em vão. Conseguimos a vitória, porem, isso não é o bastante! Vamos dominar seus reinos, matar seus homens, treinar suas crianças como nossos soldados e usufruir de suas mulheres! O reino deles é nosso!! – Exclamava o Rei diante os soldados que gritavam diante a bondade de seu senhor, enquanto eles marchavam em direção ao oeste.

Ao oeste localiza-se o clã Águas Frias, um clã que gritou por vitória ao ver o exercito aproximando-se no horizonte, mas somente até perceberem que os homens que aproximavam-se não eram os seus, então, os gritos de vitória se tornaram gritos de pavor e pânico.

Os poucos homens restantes foram mortos sem clemência, as crianças do vilarejo foram feitas de escravas, jurando lealdade ao Rei Árabe, enquanto o próprio se deitou com todas as mulheres, antes que seus homens pudessem se deleitar da mesma beleza.

Mas foi na calada da noite, quando todos já estavam extasiados de felicidade com comidas, bebidas e mulheres nuas os servindo, que o Rei Árabe estranhou...

– O que foi meu senhor? – Perguntou um dos soldados.

– Hm... – Ele observava a entrada da tenda em que se encontrava com seus homens. – Algo está me parecendo muito estranho... – Ele sussurrou.

De repente, O Rei percebeu... O olhar no rosto das mulheres, aquele olhar vingativo, sedento por sangue, aquele olhar que tinha completa confiança de que obteria sua vingança.

– PREPAREM-SE!! – Berrou o Rei Árabe diante seus homens, porem... Era tarde demais.

A tenda se incendiou, guerreiros misteriosos com rostos ocultados por mascaras ninjas, invadiram o local assassinando os homens desarmados, enquanto mulheres corriam para libertar suas crianças.

O Rei rapidamente saiu daquele local em chamas e viu todo o reino queimando, seus homens sendo mortos pelos combatentes invasores, e poucos eram aqueles que resistiam, ou mesmo, que estivessem armados no momento.

– GRA!!! Eu vou arrancar a cabeça de cada um de vocês!!! – Berrou o rei furioso.

Durante a calada da noite, o Rei Árabe lutou bravamente contra os invasores misteriosos até próximo das três da manhã, quando a lua brilhava cheia no céu obscuro.

– Aah... Aah... – O Rei venceu mais uma batalha, porem... Somente cinqüenta de seus homens havia restado e todos continham algum tipo de ferimento, mesmo que apenas um corte no rosto.

– Sobrevivemos soldados... Agüentem firme. – Foi o que ele disse, até que um de seus homens apontou para o horizonte.

O Rei e seus homens haviam abandonado aquele reino em chamas e descansavam em meio a campina congelada do lado de fora, até que seus corações se abalam com a imagem daquela coisa...

Um homem no horizonte, diante a grande imagem da lua, trajado com um sobretudo e um manto preto que lhe ocultava a face, mas havia algo que fazia com que os guardassem ficassem intimidados por aquele homem misterioso...

– Esse cheiro... – Sussurrou o Rei. – Sangue! – Espantou-se.

O homem que caminhava calmamente em direção aos soldados que restavam, cheirava a sangue fresco... Como se tivesse acabado de sair de uma chacina.

– Essa é nossa terra! Sobrevivemos a duas guerras hoje!! Não iremos cair perante um homem!! ERGUAM-SE SEUS MONTES DE LIXO! A BATALHA AINDA NÃO ACABOU!!! –

O Rei Árabe levantou-se em sua insanidade e avançou diante o inimigo desconhecido, enquanto seus homens corriam há alguns metros de distância, porem... Algo os fez parar e terem seus corações preenchidos pelo medo.

Apenas um golpe, foi o bastante para fazer com que o Rei caísse ao lado do homem misterioso... Com o seu senhor derrotado, os soldados entraram em pânico e com isso... A criatura sombria avançou depressa, dando fim ao exercito Árabe...

– Aah... – O Rei sobrevivia, mas não agüentava se mover, apenas tentava alcançar sua espada, mesmo estando arruinado daquela forma.

A criatura aproximou-se do Rei caído e pisou sobre sua espada, destruindo-a em fragmentos diante os olhos daquele que se rendia.

– Mate-me... – Sussurrou o Rei caído.

– Hm? –

– Não ouviu...? MATE-ME! – Gritou com o pouca da força que lhe restava, mas algo o surpreende... A criatura lhe da às costas e começa a ir embora. – Hey! A onde pensa que vai?! Você não acabou comigo!! – Então o homem para e diz por cima dos ombros.

– E por que deveria? – Sua voz é diabólica, mas serena.

– Por que...?! Não ouse ter misericórdia de mim!! – Berrou furiosamente.

– Tolo... Um rei arrogante, orgulhoso e ganancioso como você, não é capaz de sobreviver neste mundo... Eu permitirei que viva, para então um dia, confrontá-lo em uma batalha justa. – Ele dá alguns passos e para novamente, para dizer: — Sua ruína, não foi feita por minhas mãos... Sua própria ganância o levou a morte de seus homens. Por isso, não posso matá-lo... Ou você ficaria em paz. Alguém como você, precisa viver sobre a culpa e o remorso, para então, perceber que a vida é muito mais do que apenas luxuria e bens. Adeus... Rei Tryndamere. –

A criatura desaparece nas sombras da noite, deixando-o o Rei Árabe, também conhecido como Tryndamere, caído sobre aquela neve que acalmava o temperamento explosivo de seu sangue fervente.

Eu perdi tudo... Não havia mais nada para mim naquelas terras, então eu fugi... Fugi para longe, para além das terras que conhecia... Eu fugi, para o pico das montanhas mais íngremes, de Freljord.

Há muitos anos atrás, sob as terras gélidas de Freljord, afastado de tudo e todos, encontrava-se um homem que caminhava em meio a forte nevasca do inverno.

Trajado apenas com suas roupas de rei árabe, ensangüentado, desarmado exteriormente e interiormente, aquele homem caminhou pela neve sem propósito... Até seu corpo cair.

– Aah... Aah... Chegou... O meu... Fim... –

Seus olhos se fecham e seu corpo repousa sobre o aconchegante cobertor de neve que se forma sobre ele, envolvendo-o no sono frio da morte.

Ou... Pelos... Era o que ele desejava.

Tryndamere desperta em um local que jamais havia visto antes, não era um palácio, não era um castelo, nem uma casa de pessoas de alta classe, mas uma simples casa de madeira com uma mesa, uma lareira e duas cadeiras, além é claro, de sua cama de palha.

Esfregando seus olhos cansados, sente uma pressão em suas costelas e só então percebi que está quase completamente enfaixado, seus trajes de rei foram colocados aos pés da cama, pois tudo que lhe sobrou era uma calça e as faixas ensangüentadas que o cobriam.

– Que lugar é esse...? – Ele se perguntava, enquanto observava com desprezo aquela simplicidade.

Ele tenta se movimentar, levantar-se daquela desagradável cama de palha e escapar o mais rápido possível daquele local, mas isso estava além de seu alcance... Pois quando tenta sentar-se, Tryndamere sente uma dor excruciante o atingir e obrigá-lo a deitar-se novamente.

Então, a porta destranca-se e um homem trajado com um casaco encapuzado, calça e botas, carregando uma espada na cintura, uma aljava de flechas nas costas, um arco pendurado no ombro e um veado abatido nos braços, entra na residência.

– Brrruu...! Que frio! – O homem deixa o veado em cima da mesa, enquanto esfrega suas mãos rapidamente para se esquentar.

A primeira coisa a se fazer, ascender a lareira, então o homem desconhecido retira a aljava e o arco e os põe de lado, juntamente com a espada na cintura, para então e só então, retirar o capuz e demonstrar seus curtos cabelos acastanhados e os olhos tão verdes quanto os do próprio Tryndamere.

– Quem é você?! Por que me trouxe aqui?! Aah... – Tryndamere tenta se mover e sente uma dor em seu peito, fraquejando. Seu cabelo chegava à nuca, mas os fios de sua franja que caiam sobre seus olhos, o davam um ar mais apavorante, porem, seu anfitrião sentia tudo, exceto medo daquele homem.

– Ora. Vejo que acordou. Bom dia. – Disse o rapaz de voz heróica, um tom de voz que o ex-rei não ouvia desde seus tempos de infância.

– Quem... É você? – Insistiu.

– Hm. Que mal humor. Meu nome é Asmer, prazer. E você está em minha casa, na floresta de Sherwood, próximo a Floresta Gélida. – O homem pega o animal abatido e começa a prepará-lo para assar. – Gosta de veado? Espero que sim, pois é o que teremos para o jantar. –

– Sherwood?! Isso fica muito longe de minha casa... – Disse o homem que observava o seu anfitrião, com olhos desconfiados.

– E onde você mora? Alias... Quer me dizer por que estava caído no meio da Montanha Branca, sob aquela tempestade? Não sabe que é perigoso sair em uma nevasca? – De repente, algo o surpreende...

Tryndamere ergue-se de sua cama em uma fúria que mantém de pé, onde a primeira coisa que faz é agarrar aquela espada e avançar contra o homem, que rapidamente puxou o arco e a aljava. Porem, só teve tempo de bloquear o golpe da bainha que o jogou para fora, destruindo a porta da casa de madeira.

– Aah... Ufa... Foi quase! – Disse o arqueiro que fica de joelhos, observando o brutamontes sair de sua casa, com a espada fora da bainha.

– Eu sou o Rei Árabe! Como ousa me trazer para esse lixo?! Como ousa me humilhar dessa forma, plebeu?! – As faixas começam a tomar uma cor mais avermelhada, devido ao fato de que as feridas ainda estão abertas.

– Hey amigo... – Ele retira uma flecha da aljava e apronta seu arco. – Rei ou não. Humildade e respeito é algo que todos devemos ter. Não quero ter que desmaiar você, mas você não está em condições se movimentar. –

Porem, Tryndamere não o escuta e avança com toda sua figura, vendo aquele ser encapuzado no local do arqueiro, dando-lhe um golpe tão violento que arranca a neve do chão.

Mas o ex-rei estava tão cego de raiva, que Asmer é capaz de deslizar por entre suas pernas e dar uma flechada em um ponto certo em suas costas, ao qual faz com que Tryndamere largue a arma e caía de joelhos sobre a neve, antes de desmaiar.

– Ah que beleza... Agora vou ter que carregar esse bruta montes lá para dentro de novo. Aah... – Era o que Asmer suspirava, enquanto guardava as armas e se preparava para carregar algo com dez vezes o peso do veado.