Le parkour: o percurso
2 Capítulo 2
Notas iniciais

Union Square — San Francisco (CA)
Quando William chegou à frente do Union Square Shopping Center, Emily já estava lá. Segurando a alça da bolsa nervosamente, ela olhava de um lado para o outro, quase parecendo temer ser roubada. É claro, esse não era o caso. Ela provavelmente apenas se sentia estranha, parada ali, sozinha. William sorriu ao ver como ela estava de costas para a vitrine da Louis Vuitton, atrapalhando umas garotas que tentavam ver uma bolsa. Provavelmente eram humanas. Ela, sendo uma alma, não se importava com marcas, é claro.
Ele se apressou até ela e a puxou pelo braço, afastando-a da loja. Uma das garotas sorriu para ele em agradecimento, e depois lhe deu uma segunda olhada, interessada. Ele fingiu não notar, sorrindo para Emily:
— Oi! — Ele lhe deu um beijo no rosto. Não no ar, como a maioria das pessoas fazem quando vão cumprimentar alguém. Ele realmente beijou a bochecha dela. Ela corou intensamente, pega de surpresa.
— Oi...!
— E aí, pronta para descobrir como é ser humana de verdade?
Ela forçou um sorriso e tentou soar entusiasmada, mas sua voz soou aguda demais:
— Claro!
William riu de leve.
— Certo. Só por curiosidade, o que você acha que vamos fazer?
Ela olhou em volta. Tudo o que via eram pessoas se agitando nas calçadas, humanos e almas indo de loja em loja, carregando sacolas e tomando sorvete. Pensando agora, aquele não parecia muito um lugar para aventuras. Ela deu de ombros:
— Não sei.
— Tcs, tcs, tcs... — Ele balançou a cabeça em reprovação. — Eu imaginava.
— Ei, isso não é justo! Eu nunca fiz isso antes!
William sorriu:
— É, certo. Tudo bem. Desculpe. Bom, o primeiro passo... — Ele apontou para o Union Square Shopping Center. — Vamos às compras.
~~ ♦ ~~
Duas horas depois, Emily se atirou em uma das cadeiras pretas almofadadas do Coast to Coast, largando as sacolas no chão, a seu lado. William, sentado em frente a ela, já abria teatralmente o grande menu sobre o tampo de madeira escura da mesa redonda. Ele a espiou por sobre o cardápio:
— O que é isso? Já está cansada?
Ela afastou o cabelo do rosto, irritada. Seus braços doíam. Essa hospedeira era bem magra e nunca tinha sido exatamente uma atleta. Ou fã de compras. Ou de qualquer coisa que envolvesse se levantar da cama e andar, para ser mais exata. Emily vinha tentando mudar isso, mas corpos humanos custam a se livrar de velhos hábitos.
— Se você fosse um cavalheiro, pelo menos carregaria as sacolas para mim!
Ele pousou o menu sobre a mesa e sorriu para ela:
— Ei, e o que aconteceu com o feminismo? Aquele papo sobre eu não subestimar sua capacidade de escolher um tênis de esportes decente só por ser mulher?
— Isso foi há muito tempo. Dane-se o feminismo!
Ele riu:
— Olhe, já está falando “dane-se”! Está começando a soar como humana, e nós nem começamos ainda!
Ela corou levemente e se mexeu inquieta na cadeira:
— Desculpe.
— Não, não, não! Lição número um: humanos não se desculpam por xingar! E “dane-se” nem chega a ser um xingamento!
Emily apenas olhou sugestivamente por sobre o ombro dele, corando ainda mais. William se virou. Um garçom estava parado ali, segurando um tablet, com um sorriso congelado no rosto.
— Bom dia! Os senhores vão fazer o seu pedido?
— Sim! O maior cheeseburger que vocês tiverem, por favor! E uma Budweiser bem gelada. Emily?
— Eu... Ah... — Ela se atrapalhou, pegando o cardápio de cabeça-para-baixo e girando-o rapidamente. Uma salada californiana com molho ranch, por favor. E... Suco de maçã.
O garçom deu alguns toques na tela do tablet, ainda sorrindo:
— Então é um cheeseburger grande, uma Budweiser 330ml, uma salada californiana, molho ranch e um suco de maçã. Mais alguma coisa?
— Espere um pouco. — William pediu. — Emily... Não querendo dar palpite no seu almoço, mas eu realmente acho que você vai querer comer algo que dê um pouco mais de sustância... Pelo menos um frango, ou algo assim.
— Eu sou vegetariana.
Ele a encarou:
— Tá me zoando.
— Não. Ouvi dizer que é mais saudável para estes corpos humanos.
William a olhou de um jeito bastante sugestivo, e ela desviou o olhar, constrangida. Ele suspirou e se virou para o garçom:
— É só isso mesmo.
~~ ♦ ~~
Depois de dividirem um Ice Cream Rack*, William e Emily suspiraram satisfeitos ao mesmo tempo e sorriram um para o outro, recostando-se nas cadeiras acolchoadas. Emily olhou para ele em expectativa, mas ele não parecia que ia dizer nada, olhando distraído ao redor. Por alguns instantes, ela ficou apenas olhando para ele. Ele usava uma calça jeans acinzentada e uma camiseta vermelha com ideogramas chineses na frente. Já estava de tênis de corrida, e tinha trazido uma mochila preta pequena, em que se lia “Adidas”. Em vez de alças, ela tinha cordinhas finas, que serviam também para fechá-la. Emily já tinha visto daquelas antes, mas nunca tinha prestado muita atenção nelas.
Ela olhou para si mesma. Tinha sido uma tola ao escolher aquelas roupas, pensando agora. Ela usava uma blusa fresquinha, apesar das mangas compridas. Era branca e tinha uns desenhos aleatórios que formavam um padrão em preto e vermelho. Combinando, ela usava uma saia preta plissada e tênis vermelhos all-star de cano médio. Nenhuma daquelas peças parecia exatamente certa para aquele corpo, que parecia rejeitá-las, apesar de elas lhe caírem perfeitamente bem. Emily não conseguia se sentir confortável com elas, apesar de se achar bonita. Era uma sensação estranha. Mas ela vinha tentando com todas as suas forças se livrar do estilo preto monocromático que aquela hospedeira costumava usar.
Mas não era isso o que estava errado com aquelas roupas. No que ela estava pensando, saindo com uma saia para uma aventura? Ela balançou a cabeça levemente numa autorrepreensão.
— O que foi? — William a observava intensamente agora. Ela não tinha notado, no meio dos seus devaneios.
— Eu só estava pensando que a minha roupa realmente não faz o menor sentido.
Ele apenas sorriu.
— Mas em minha defesa, eu não sabia o que a gente ia fazer, então eu só pensei... — Ela parou, mordendo o lábio sem saber por quê.
— Pensou...? — Ele incentivou.
— Que eu queria pelo menos estar bonita. — Ela falou muito rápido, atropelando as palavras, e desviou o olhar. Ela continuava sem entender essas reações, mas não podia evitá-las.
William ficou apenas olhando para ela, como se considerasse a ideia por um momento.
— Você é bonita. — disse, por fim. — Gosto da cor dos seus olhos. A forma como o castanho-claro contrasta com o prateado é muito... Diferente. Nunca vi nada assim.
— Obrigada... — Ela respondeu baixinho, mexendo na manga da blusa nervosamente. — Então... Qual é o próximo passo? As compras acabaram?
William olhou pensativo para as sacolas da Cotswold e da JD Sports, murmurando alguma coisa. Parecia estar fazendo uma lista mental.
— Acho... Acho que sim. — disse, por fim. — Agora só precisamos encontrar um lugar para trocar de roupa, e agora que já descansamos do almoço, acho que estamos prontos para a fase dois.
Ela olhou para ele ansiosa. Ele piscou para ela:
— Le parkour. — A imitação dele de um sotaque francês era a pior que ela já tinha visto.
~~ ♦ ~~
— Eeee... Chegamos!
Emily olhou em volta, sentindo as pernas doendo levemente por causa da caminhada, enquanto William colocava as sacolas na grama, perto de um banco de pedra amarelo-desbotado. Uma menina loirinha de marias-chiquinhas descia pelo escorregador. Mais adiante, uma mãe tentava carinhosamente impedir que o filhinho pusesse a areia na boca. Perto dele, um adolescente se equilibrava sobre um brinquedo estranho, cheio de barras coloridas entrecruzadas. “Trepa-trepa” — a mente da hospedeira forneceu o nome que ela buscava.
— Você me trouxe... Para um parquinho?
William se virou para ela, olhando-a de alto a baixo mais uma vez. Ela tinha insistido em continuar com aquela blusa de passeio, embora ele tivesse dito repetidas vezes que ela não era adequada para o que iam fazer. Fora isso, ela usava calças esportivas largas, num tom escuro de cinza, e seus novos tênis de corrida cinza com detalhes cor-de-rosa. Além disso, tinha prendido o cabelo num rabo de cavalo, o que foi um tanto difícil, já que ele não estava tão comprido assim.
— Onde as crianças começam? — Ele piscou para ela e lhe deu as costas, tirando a mochila do ombro e procurando alguma coisa dentro dela.
Ela o observou. Ele parecia ter vindo totalmente preparado. A única coisa que ele tinha feito tinha sido trocar o jeans por calças esportivas azul-escuras. E tudo o que ele havia comprado havia sido uma garrafa de água gelada.
— E o que exatamente vamos começar? Até agora, você não me explicou nada.
Ele esticou os braços num alongamento distraído, quase entediado:
— Ah, eu não queria assustar você.
— O que é le parkour?
— “Lê-pá-cúr”. — Ele corrigiu a pronúncia dela. — É a arte do deslocamento.
Ela ficou apenas olhando para ele com uma expressão vazia. Ele suspirou e se sentou no encosto do banco de pedra, segurando-se com as mãos e se inclinando levemente para trás, de um jeito que deixou Emily meio ansiosa.
— Tudo bem, eu vou explicar direito. O parkour é um esporte que surgiu na França nos anos 1980, antes da colonização. “Parcours”, significa “percurso” em francês. E, como eu disse agora há pouco, o esporte é considerado “a arte do deslocamento”. O objetivo é se deslocar de um ponto a outro da maneira mais rápida e mais eficiente que você conseguir, usando principalmente as habilidades do seu próprio corpo. — Ele fez uma pausa, para ver se ela ia perguntar alguma coisa, mas ela apenas o olhava atentamente. Ele sorriu de leve. — O corpo humano tem capacidades que os próprios humanos nem desconfiam. Se as pessoas simplesmente soubessem o que são capazes de fazer... Ouso dizer que os Buscadores do começo da colonização não teriam a menor chance. O mundo ainda seria só nosso.
Ela trocou o peso do corpo para a outra perna, inquieta.
— Você fala como se isso fosse uma coisa boa.
— Bom... — Ele pigarreou. — Então. Onde eu estava?
— Você é terrível, William.
Ele apenas olhou para ela. Ela não disse mais nada. Depois de um tempo, ele sorriu:
— É impressão minha ou acabo de ser insultado por uma alma? Seria a primeira vez!
Emily bateu o pé como uma menininha birrenta. Se tivesse alguma coisa nas mãos, teria jogado nele. Ele riu alto:
— Legal! Posso riscar essa da minha lista!
— Que lista? — Ela cruzou os braços.
— A minha lista de coisas para fazer ou conseguir antes de morrer. BASE jumping estava nela. Infelizmente, não deu para ser de onde eu queria, mas tanto faz.
— De onde você queria pular? — Ela se aproximou dele, já livre da raiva.
— Do Empire State**.
— Doido!
William riu de novo. Emily balançou a cabeça, perplexa.
— Nunca vi ninguém rir tanto quanto você. Ou sorrir.
Ele deu de ombros.
— “Uma vida que não é rida não vale a pena ser vivida”, já dizia Platão***.
— Eu não acho que...
— De qualquer forma! Estávamos falando do parkour! Quer dar uma olhada? — Um brilho estranho queimava no fundo dos olhos dele.
— Não sei, quero?
Ele bufou contrariado e saltou do banco para a grama:
— Observe o mestre.
Sem dar a ela chance de dizer qualquer coisa, ele correu em direção a uma árvore que fazia sombra no parquinho de areia e, tocando brevemente os pés no tronco dela, deu um mortal para trás, pousando com agilidade na grama. Isso por si só bastaria para impressioná-la, mas ele não parou por aí. Virando-se rapidamente, ele correu e saltou para o tal “trepa-trepa”, escalando-o com uma agilidade surpreendente. O adolescente que ainda se exibia ali olhou para ele incrédulo. Depois, vendo que o escorregador estava livre, William pulou direto para ele e, agarrando-se na barra lateral, saltou de lá para a areia, passando as pernas pelo meio dos braços como um macaco. Emily se preocupou que ele se machucasse, mas ele apenas aterrissou na areia e voltou a correr, vindo em direção ao banco de pedra. Com agilidade, ele pulou com os pés sobre o encosto do banco, depois saltou para a grama, rolando para amortecer a queda, e pôs-se de pé em frente a Emily, como se nada tivesse acontecido. Sua respiração mal tinha se alterado.
Por um momento, ela ficou apenas olhando para ele, boquiaberta. Depois, notando os olhares de desaprovação dos pais e mães que acompanhavam os filhos ao parquinho, ela sentiu-se corando levemente e balançou a cabeça. William entendeu isso como uma desaprovação e franziu a testa:
— Eu sei, num playground não dá mesmo para fazer muita coisa, mas eu posso fazer coisas incríveis em outros lugares por aí na cidade. No metrô, por exemplo, ou...
— Por quê?
— Ahnm?
— Por que tudo isso? As pessoas estão olhando!
— Ah... — Ele olhou em volta, e as pessoas viraram o rosto polidamente. Apenas o adolescente continuou observando-o. — Bom, sempre tem gente que fica olhando. Mas é como David Belle diz, eles que se danem.
— Quem?
— O fundador do parkour.
— Bem mal-educado e sem noção ele, hein?
— Quer coisa mais humana que “mal-educado e sem noção”? — William sorriu.
— Você é impossível!
— Obrigado.
— Ugh! — Ela atirou os braços para o alto, num gesto de frustração. Isso apenas o animou mais.
— E aí? Vai encarar ou não?
— O quê?
— O parkour. Eu estou disposto a te ensinar.
— E o que eu quero com isso?
— Eu pensei que quisesse saber como é ser humana e fazer coisas só pela adrenalina.
— E que adrenalina há em ficar pulando num parquinho? Eu quero saltar de montanhas!
William trincou os dentes. Ele percebia que ela estava impressionada com o que ele tinha feito, mas a ideia de ter um público a incomodava. O público sempre incomoda os iniciantes, e às vezes até os esportistas mais experientes.
— Bom... Como eu disse, isso ali foi parkour para iniciantes. David Belle saltava de prédio em prédio na França.
— O quê? — Ela olhou para ele, pensando ter ouvido mal.
— Isso mesmo. Ele saltava de um prédio para o outro. É o que eu estou tentando fazer. — Ele fez uma pausa. — Eu fiz uma promessa para mim mesmo: dentro de dois meses, eu pretendo saltar de um prédio para o outro. Já faz um bom tempo que eu treino parkour, e nunca tive coragem de fazer isso. Mas eu disse a mim mesmo que estava na hora de perder esse medo e encarar. Afinal, é para isso que o parkour serve. Você precisa se superar, superar seus medos. Foi por isso que eu saltei em Yosemite.
— Como você pode ter coragem de saltar de uma rocha no meio do nada, e se intimida com prédios? Eles não são bem mais baixos?
— Sem paraquedas. Nem cabos, nem cordas. Só você e seu corpo e é a vida ou a morte.
Ela o encarou. Ele sorriu, sentindo a adrenalina correndo pelo corpo só em pensar:
— Parkour.
Durante pelo menos um minuto, eles apenas se encararam intensamente. Emily perdeu a conta de quantas vezes engoliu em seco, e não conseguiu falar. Por fim, William se aproximou dela:
— Eu pensei que você podia saltar comigo.
— D...Daqui a dois meses?
— Exato.
Ela olhou no fundo dos olhos dele. Ele realmente parecia estar falando sério. Muito sério. O coração dela começou a bater mais rápido.
— O que me diz, Emily?
— Eu...
Ele esperou, passando a mão pelos cabelos. Eles continuavam penteados para o alto daquele jeito cuidadosamente bagunçado. Havia uma pequena folha seca neles.
— Sim.
William sorriu.
— Eu sabia.
— O quê?
Ele apenas balançou a cabeça:
— Bom, é melhor começar com um alongamento, então. Nunca treine sem antes ter se alongado. Faça o que eu falo, não faça o que eu faço! — Ele acrescentou, quando ela pareceu prestes a fazer uma objeção. Ela sorriu, puxando o pé atrás das costas, imitando-o.
Depois do alongamento, William se sentou de novo no encosto do banco e a chamou para fazer o mesmo. Ela hesitou, e ele a encarou insistentemente até que ela se sentou também, equilibrando-se como podia. Ele passou casualmente o braço pelas costas dela, segurando do outro lado, oferecendo-lhe algum apoio. Sem comentar nada a respeito, ele começou:
— Muito bem, Emily... Antes de começarmos nosso primeiro treino, eu preciso que você entenda muito bem a filosofia do parkour. Esse esporte urbano é totalmente sobre liberdade, sobre ter o espírito e o corpo livres para ir aonde quiser, alcançar o que quiser, fazer o que quiser... Mas existe uma grande diferença entre ser livre e ser idiota.
“O parkour tem dois lemas: ‘Ser para ser útil’ e ‘ser para durar’. ‘Ser para ser útil’ significa que o principal objetivo do parkour é que você seja capaz de ajudar a si mesmo e aos outros com o esporte. Você vai ver que as técnicas do parkour podem ajudar em várias situações, não é só uma brincadeira. E é para isso que treinamos. Para sermos capazes de fazer as coisas, quando precisarmos fazê-las.
“E ‘ser para durar’ significa que queremos saber fazer o que fazemos para que não nos machuquemos. Queremos treinar milhares e milhares de vezes o mesmo salto, para não se machucar quando o fizermos numa situação mais arriscada. É por isso que fazemos o que fazemos. É como costumamos dizer... Não faz sentido você sair em busca de liberdade, e acabar preso numa cadeira de rodas. Pelo menos, era isso o que se dizia antes da colonização. Agora, alguns traceurs trocaram ‘cadeira de rodas’ por ‘túmulo’, mas eu acho isso meio sinistro demais.
Ele sorriu levemente para ela, que assentiu.
— O que é um...?
— Traceur? É assim que chamamos os praticantes de parkour. Significa “planejador”. E também significa “ir rápido”. Então seria mais ou menos “aquele que planeja e vai rápido”. Note: planeja. O traceur usa o cérebro antes de sair pulando igual a um maluco por aí. Lembre-se disso!
— Então... Eu acho que sou uma traceur agora. — Ela sorriu para ele, tentando parecer confiante.
— Traceuse. Você é menina. — Ele bagunçou o cabelo dela e pulou para a grama. — Você vai ser uma. Mas primeiro, precisamos treinar. Pronta para seu primeiro dia como traceuse mirim?
— “Mirim”? — Ela fechou a cara para ele.
Ele apenas abriu um sorriso torto para ela:
— Nós estamos num parquinho.
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