Notas iniciais
Mais uma ideia que me veio a mente nessa madrugada, espero que gostem.

Catch me as I fall, say you're here and it's all over now. Speaking to the atmosphere, no one's here and I fall into myself. This truth drives me into madness I know I can stop the pain if I will it all away, if I will it all away”

A rainha correu. Correu fugindo de tudo e todos, ou talvez só estivesse fugindo de si mesma. Sua mente estava um caos. Talvez fosse por ter passado tempo demais no País das Maravilhas, um lugar onde tudo era possível. Tudo não. Ter seu amor não era possível. Como aquilo poderia ocorrer? O País das Maravilhas não era um lugar onde todos os seus podem se tornar realidade uma vez que tudo ali foge dessa realidade que todos nos acreditamos existir? Para a Rainha Branca ali não era mais um lugar que a possibilitava sonhar, pelo menos não mais. Sem o amor de que então somos feitos? Assim ela pensava enquanto limpava as lágrimas que caíam por seu rosto totalmente branco. Não havia mais cor em seu rosto, assim como não havia mais felicidade. Motivos para sorrir não existiam mais uma vez que aquele lugar estava escuro. Ver sua irmã tomar o trono uma vez que Alice falhou em matar o Jaguadarte foi à gota d’água.

Suas unhas sempre se encontravam sempre pintadas em preto, uma forma talvez de demonstrar como ela estivesse por dentro, estavam descascadas e quebradiças. Encontrava-se agora em uma masmorra qualquer do enorme e imponente castelo da Rainha Vermelha. Ninguém poderia saber o quão fraca ela se sentia por ter sido derrotada, ver seus amigos e entes queridos serem levados a força para as masmorras escuras e fétidas da rainha. Mas o pior foi ver Alice morrer, ela era a esperança daquele lugar, a campeã que todos esperavam. Mas ela falhou. Mas como ela pode ser egoísta a tal ponto de achar que Alice, que mesmo agora adulta, pudesse ter a capacidade extraordinária de matar um ser que era mil vezes o tamanho dela. Tolice. Ela foi tola ao deixar seu reino nas mãos de uma menina despreparada. Não importa o que um pergaminho pudesse mostrar, não dava para confiar nas coisas provindas daquele País, onde tudo era ficcional.

“Don't turn away, don't give in to the pain don't try to hide, though they're screaming your name don't close your eyes god knows what lies behind them don't turn out the light, never sleep, never die.”

O cabelo havia perdido o brilho, era agora apenas um amontoado de fios brancos foscos. O sorriso que antes ela exibia para todos não mais habitava aquele rosto, que agora parecia muito mais velho do que realmente era. Era aquele então o fim que ela teria, morrer triste e solitária em uma masmorra? Bem, era o que lhe parecia. Não havia escapatória das masmorras da Rainha Vermelha, uma vez que aquele lugar horrível era vigiado noite e dia por centenas de guardas. E quem seria o príncipe encantado que a salvaria? Todos que ela amavam ou estavam mortos, ou iriam morrer a qualquer momento. Morte, fome, dor e miséria. Foi isso que aquela Rainha causou assim que tomou a coroa inteiramente para si. Fez questão que a pobre Rainha Branca testemunhasse o sofrimento de seu povo, ao trabalhar noite dia para satisfazer os caprichos daquela que se tornara rainha por um descuido.

Ela foi obrigada a assistir, por uma pequena janela de dentro de sua cela o que o País das Maravilhas se tornara. O lugar antes colorido e cheio de vida, agora se tornara a definição da maldade. Era um amontoado de coisas pretas e vermelhas, e em cada arvore era possível ver um pergaminho fixado onde estava escrito que quem governava única e somente aquele país agora era A grande e imponente Rainha Vermelha, e que quem fosse contra seus desejos seria punido com o cortar da cabeça, para servir de exemplo para aqueles que pensavam em fazer tal ato bárbaro de questionar sua tão amada rainha. Ela sabia qual era o melhor rumo para aquelas pessoas, nunca acreditou que sua irmã, com toda graça e beleza, fosse conseguir dominar tal povo, uma vez que eles mais pareciam sonhadores do que pessoas que deveriam mostrar o mínimo de cuidado com o lugar onde viviam. Desde a vinda de Alice para o País das Maravilhas, a Rainha Vermelha acreditava que sua irmã deveria estar se deixando entregar a loucura que rodeava aquele lugar. Uma menina trazida de fora, por descuido do maldito coelho. Alguém precisava colocar ordem ali.

“I'm frightened by what I see but somehow I know that there's much more to come immobilized by my fear and soon to be blinded by tears I can stop the pain if I will it all away if I will it all away.”

A Rainha Branca estava ciente de seus atos impensados, talvez ela concordasse por partes com os argumentos de sua irmã. Porém ver a tomada de seu povo por uma mulher que só pensava em si mesma e nada mais, e ainda vê-la se casar com um homem que por mais que não a amasse, trazia algum conforto e segurança, quebrou aquela que nem mais rainha era. Como lidar com tamanha dor? Ela não sabia nem por onde começar. Estava em uma cela separada de tudo e todos, talvez fosse melhor assim. O que seus amigos pensariam ao vê-la sentada no canto mais escuro da cela, feia e sem vida, pensando em desistir de tudo na primeira oportunidade? Não era esse o tipo de imagem que ela queria deixar na cabeça deles. Pensava sim em tirar sua vida, uma vez que era humilhação demais deixar que seu povo visse sua execução apenas como divertimento da mais nova rainha. Não, ela não poderia dar aquele gostinho á sua irmã.

Suicídio era então sua saída mais aceitável? Era uma alternativa que também lhe tomou muito tempo para avaliar. Porém o tempo era a única coisa que ela realmente tinha nas mãos, o resto havia sido tirado de si. Aquela era uma alternativa covarde, se ela fosse começar a descrever. Tirar sua vida e deixar seu povo jogado as traças, sem uma única gota de esperança para matar o desejo de liberdade. De novo eles desejavam a liberdade que lhes fora tirada por completo no momento em que o Jaguadarte, em um movimento imprevisto, arrancou a cabeça de Alice, ganhado o Glorian Day para a Rainha Vermelha, A pobre rainha Branca nunca havia chorado tanto como naquele dia. Viu seus pulsos e calcanhares serem tomados por algemas grossas e pesadas e uma sentença lhe ser imposta. Morreria na masmorra da atual gloriosa rainha. Aquele seria o meio e fim de sua vida.

“Fallen angels at my feet, whispered voices at my ear, death before my eyes lying next to me I fear, she beckons me shall I give in upon my end shall I begin forsaking all I've fallen for I rise to meet the end.”

Ela moveu seu rosto com certa dificuldade ao escutar o cadeado daquela prisão se mover. Era o chapeleiro. Ele se encontrava com o olhar mais louco que a Rainha Branca havia testemunhado. Ela então se levantou no momento em que o portão que lhe prendia se abriu. Viu o chapeleiro cair ao chão com uma enorme espada enfiada nas costas. Ele tinha se sacrificado para dar a Rainha mais uma chance me matar aquela que havia lhe tomado o trono. A Rainha Branca se encheu de coragem ao ver o ultimo ato daquele homem que era considerado o mais louco daquele lugar, ela enxergou a segunda chance que havia lhe sido dada de bom grado, a aceitou e agarrou com todas as forças. Tirou a espada das costas do homem já morto e saiu da cela. O que encontrou fora uma chacina, sangue cobria as paredes do castelo. Ela sorriu, deixando a loucura se apossar de seu corpo, ela precisava disso para que tivesse a coragem que lhe era pedida naquele momento. Empunhou a espada e saiu à procura da Rainha Vermelha.

Depois de matar vários soldados que impediam sua passagem, ela adentrou ao lugar onde a Rainha Vermelha se escondia. Ela sorriu agora completamente tomada pela loucura. A espada se encontrava banhada no puro sangue. A Rainha Vermelha sentiu as pernas fraquejarem, chamar por seus guardas para que os mesmo a defendessem não mais funcionava, eles haviam sido mortos pela loucura de sua irmã em frente á seus olhos amedrontados. Morreria ali? Não, ela simplesmente não poderia morrer sem lutar com aquela que ela sempre odiou desde o dia em que a aquela bela menininha de cabelos loiros e olhos negros nasceu e assim, com sua graciosidade e sorriso doce, ela tomou todo o amor do Rei e Rainha para si, deixando a pobre Rainha Vermelha sem carinho, ela era apenas uma criança quando isso aconteceu. Crescera amargurada e infeliz, desejava aquele amor para si.

A luta esperada aconteceu no momento em que a Rainha Vermelha ergueu a espada tirada do abdômen de um de seus fieis escudeiros. A luta foi travada por um longo tempo, o saúdo de cortes em ambas fora alto. Estavam exausta, sangrando e perdendo a força vital a cada passo dado. Por fim, a luta cessou. Ambas morreram com as espadas enfiadas no abdômen. Não houve ganhadores, não houve perdedores. A Rainha Branca viu sua irmã morrer primeiro, com sangue nos lábios ela pediu perdão por tudo aquilo, e esboçou um meio sorriso. A Rainha em toda a sua bondade aceitou aquele pedido, caindo de joelhos ao chão. Morreu bela como sempre sonhou, o sangue lhe escorreu pelos lábios como um fio, seu olhou se fixou em um nada inalcançável e ela se deitou no tapete vermelho junto a sua irmã. Glória ao povo do País das Maravilhas, sua liberdade havia sido negociada e a Rainha Branca lhes deu um ultimo presente.

“Don't turn away, don't give in to the pain, don't try to hidethough they're screaming your name, don't close your eyesGod knows what lies behind them don't turn out the light, never sleep, never die.”

Notas finais
Gostaram? Até a próxima fanfic.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!