Le Urlaub

28 Vai-dá-ruim-ó (1)(2)


– Não-me-toca! – Virei-me, apontando a bazuca e atirando sem olhar.

Senti a explosão perto de mim e voei pra trás, como nos filmes do Matrix, só que não foi tão legal e nem em câmera lenta. Quando abri os olhos vi Yagami do outro lado do corredor, no mesmo lugar que eu havia deixado.

Ué.

Eu explodi quem?

Capítulo 28 — VAI-DAR-RUIM-Ó (1)

Yagami-Rainha-O-Resto-Nadinha POV

(mds quem fala POV em pleno 2015 quase 2016)

A explosão do tiro de bazuca fora tão alta que por um momento até senti o chão tremer e achei que Deus fosse descer do céu pra me buscar, porém eu lembrei que eu era Deus e acabei rindo sozinho daquele fato. Leon ainda estava segurando o lança míssil apoiado no ombro, enquanto a fumaça e poeira se dissipavam aos poucos.

Então eu vi, estirado no chão o corpo daquele “gnomo aspirante à garoto propaganda da Colgate que não deu certo”. O sorriso ainda estava rasgado de orelha a orelha, mas algo parecia errado – se bem que nada nunca esteve certo desde que resolvemos passar as férias juntos. Quem teve essa ideia ridícula mesmo? – O corpo de Jeff estava aberto, literalmente rasgado, mas algo parecia se mexer pra sair dali.

Puta merda, ele ta grávido?!

Não, não poderia ser isso... Pra começar quem iria comer uma coisa dessa?

E antes que mais teorias surgissem... BOOOOOM! ACONTECEU!

Um ser com aura maligna saiu de dentro do corpo de Jeff, as luzes piscavam e tudo começou a ficar frio, escuro e sombrio como o meu coração. A criatura ergueu suas nadadeiras diabólicas pra cima e fez um som... ah... aquele som que eu nunca iria esquecer. Era ela, ali, parada na nossa frente.

A foca afogada cute-cute do demônio. Ela estava viva, e poderosíssima.

Foca-onicriadora-de-tudo POV

Fui despertada de meu sono de beleza por este grupinho insignificante de humanos. E agora eles estavam aqui, estragando meu plano de vingança. Eu emitia luzes fortes, nas cores do arco-íris, que normalmente causariam cegueira instantânea, mas que por algum motivo só deixou Yagami Raito paralisado. No dia em que o desenhei nunca imaginei que me daria tanto trabalho.

– Mas... – proferiu.

– Quieto humano – ordenei. Flutuei o lado oposto do túnel, olhando para o corpo que uma vez me pertenceu.

Fechei os olhos por breves milésimos de segundos, sentindo os demais se aproximarem, provavelmente atraídos pela explosão. Um deles chorava. O que chorava era Mail Jeevas. O garoto que me atirou da varanda de um hotel barato. Aquele maldita mutação genética ambulante que literalmente me arrastou no chão procurando um caixa para me comprar. Aquele moleque que tateou até partes indevidas, atrás de um código de barra!

Mail Jeevas.

Sua morte será lenta e dolorosa.

Chocolatra-Gostosão-Que-Não-Lembro-Se-Tem-Cicatriz-No-Rosto-Nessa-Fic

– O meu é maior! – Beyond comemorou e soltou a fita métrica no chão, e tudo o que eu pude fazer foi suspirar derrotado e fechar o zíper da minha calça. Eu podia ter perdido a batalha, mas não a guerra. Eu ainda estava em frase de crescimento, se comesse mais algumas dez barras de chocolate por dia com certeza ficaria o dobro do tamanho dele.

– Ninguém se importa! Era esse o papo de seme pra seme que você queria? – Revirei os olhos e continuei a andar, eu já nem me lembrava o que estávamos procurando, só queria achar logo os outros e ir embora daquele sanatório. Matt devia estar pensando o mesmo, havíamos combinado de fazer aquelas coisas com a fantasia sexual de Yoshi que ele tanto quis comprar, mas por culpa da investigação de L fomos parar naquele fim de mundo.

BB ainda estava resmungando algo sobre “O Near fez uma boa escolha, vara no lugar de palito de dente”. E eu estava prestes a soca-lo com toda a minha força, quando um estrondo me fez pular no lugar, e as paredes tremeram.

– Alguém peidou.

– Deve ter sido o Yagami – Concordei – Vamos lá, com sorte ele morreu depois disso!

– A sorte seria se você morresse, garoto.

Então corremos na direção do barulho. Puta que pariu, como corremos. Fomos pra direita, esquerda, esquerda, baixo, bola, triangulo, meia lua, e parecia que nunca iriamos chegar. Por um momento eu achei que estávamos perdidos – como sempre – mas então Beyeond farejou o ar igual um cachorro, e virou mais uma vez para esquerda, e demos de encontro com Near e Matt.

– Sabia que esse cheiro de ukes era família – O moreno riu da própria piada e estendeu uma mão para Near, que instantaneamente foi para o lado dele. Mas o que? L iria mesmo querer que o sucessor dele fosse aquela coisa branca sem graça hipnotizada por um serial killer?

– Não tem nenhum uke aqui além do Near! – Mail protestou, colocando a mão na cintura e apontando o game boy para o assassino como se fosse uma arma – Você bata na sua cara antes que eu bata!

–... – Near suspirou e falou seus vários nadas como sempre, mas seu olhar dizia algo como “o que ta acon tesseno”

E assim fomos entre tapas e gritos pelo restante do caminho, Mail parecia estar de TPM e só parou de gritar quando enfim encontramos os outros e... que... porra era aquela? Tinha uma foca no meio da fumaça, mas não era uma foca qualquer... era... ah não, era uma foca qualquer sim, e por algum motivo Matt começou a chorar e correr na direção dela, com os braços abertos e gritando “Cogumelo Batmá Junior você voltou pra mim!”.

Apontei os braços pro chão e me rendi.

– Satã me leva, por favor, nunca te pedi nada...

Defunto POV

Após um tremendo esforço, terminei de cortar as tiras de couro que me prendiam a mesa metálica. Uma sensação de frio repentina atingiu minhas costelas. Alguns móveis estavam cobertos com panos finos e encardidos. Rasguei um e o usei como tanga. Já podia sentir a força do Tarzan me atingirem as veias.

A porta estava aberta. Poderia ser uma armadilha, mas era o único meio de sair dali. Mordi minha unha e olhei desolado. Caminhei um pouco, até o momento em que uma forte explosão abalou toda a estrutura da pequena sala. Corri para fora, a fim de não ser soterrado – de novo? – e me deparei com um túnel de terra, sustentado por algumas vigas de madeira.

O caminho era reto, sem sequer um desdobramento ou desvio. Eu já podia ouvir vozes altas e destorcidas e luzes piscando. Eu já sentia o cheiro de Skol Beats. Quando cheguei ao local, meus ombros caíram. Todos estavam presentes, com uma caixa de luzes em formato de foca, a qual Matt abraçava. Não era meu aniversário. Eu acho.

– Mas não é meu aniversário, garotos! – sorri sem graça, coçando a nuca.

– Você... – uma voz desconhecida proferiu – você é o responsável por juntar todos esses filhos da Orca! Você...

De repente a foca colorida adquiriu olhos avermelhados e sorriu. Mas como assim a porra da foca do Matt tava sorrindo pra mim?!

Ela fechou os olhos alguns segundos depois e abriu a boca, de uma forma descomunal até para um animal. De dentro, um Death Note cor-de-rosa saiu e flutuou até sua frente; aberto em uma página qualquer, ele manteve-se parado, como você quando se esquece de lavar a louça e sua mãe chega do serviço.

– Júnior, o que você vai... – Matt falou, mas logo voou contra a parede, batendo em Mihael e derrubando os dois – está de castigo, Júnior!

Um tiro acertou a barbatana da foca. Era Leon, com cara de quem estava enfrentando seu pior inimigo.

– Você será o primeiro, Lawliet – a foca disse. Meu nome automaticamente apareceu no Death Note, cada letra escrita com uma cor diferente.

– Ryuzaki! – Raito gritou, vindo ao meu encontro.

Suspirei, abri ambos os braços para receber meu último abraço em vida.

– Como você ousa usar uma tanga tão brega?! Eu não te ensinei nada nesse meio tempo que vivemos juntos, Ryuzaki?! Cadê seus modos, sua educação?! — eu sentia minha visão turva. Restavam-me poucos segundos de vida. 32, talvez.

– L! – Mail gritou. Abri meus braços para receber o tão esperado abraçado, mas o ruivo só parou do meu lado e cochichou – posso usar teu cartão pra comprar todos os videogames do mundo? Preciso que assine aqui – ele me mostrou um papel – e depois aqui, ou Watari não vai autorizar e... L! Escute!

Encarei meus dois sucessores de longe. Mello tinha uma expressão de pânico no rosto, algo muito parecido com “O Grito” de Munch. Nate olhava para o lado, enquanto enrolava um de seus cachos. Eles eram o meu legado.

Finalmente meu coração se apertou. Cai para trás, mas fui acudido por braços fortes. Olhei uma última vez para todos. Raito sorria, Beyond estava com cara de “to pouco me lixando”, Leon ajeitava a franja e os três garotos do Lar Wammy, disputavam no zerinho ou um, quem iria me suceder.

– Adeus, Lawliet – a foca disse.

Notas finais
Kami-seme: Eu olho pro meu teclado e não sei nem o que dizer apenas sentir. Feliz ano novo, nos vemos outra vez em 2017. Mihaell: Orra! Conseguimos postar antes de 2016! O capítulo do próximo ano, provavelmente será o último! Espero que tenham gostado hahaha P.S: agora que terminaram de ler, voltem e olhem ao início e olhem na escuridão maligna nos olhos da foca!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.