182 Beyond POV

- Atende logo, Bey – Disse o albino enquanto encarava o celular tocando na minha mão.

- Mas é o Watari...

- Beyond Birthday, atende logo esse telefone, estão todos olhando pra nós – Desde quando ele ficou tão mandão? E eu não tenho culpa se as pessoas ficam olhando, nunca viram os gritos histéricos de uma mulher morrendo como toque de celular? Eu gravei pessoalmente enquanto me livrava da uma ex...

- Que é Watari? – Atendi mal humarado.

- Beyond o L e o Raito precisam de você e do Near no hotel, agora – Informou o velho – Eu não consegui entrar em contato com o Matt e o Mello, poderia acha-los pra mim?

- Não.

- Cinquenta potes de geleia de morango vindas direto da Inglaterra...

- Ok, pra onde eles foram?

- Um show em Gangnam, mas o chip rastreador que está no PSP do Matt indica que eles estão no parque ecológico de Seul... que deveria estar fechado a essa hora! – Esses pirralhos só fazem merda.

- Ok, vamos acha-los – Desliguei o telefone e o guardei no bolso de trás da calça.

Near me olhou curioso e eu expliquei o que havia acontecido, fomos de mãos dadas pela calçada até acharmos um taxi livre. O lugar não era longe, sendo assim eu paguei a corrida com um muito obrigado e uma demonstração do quão é afiada minha faca.

Watari tinha razão, estava tudo fechado e as luzes apagadas. A cerca de proteção não era alta, mas mesmo assim meu albino não conseguia pular.

- No três você pula – Falei enquanto o ajudava a subir no meu ombro – 1...2... 3!

E lá se foi minha ovelhinha. Ele pulou com vontade, estendeu os braços pra cima como se fosse estivesse imitando o superman e voou durante um breve segundo... e logo em seguida ele caiu no chão de barrigada pra baixo e causou um barulho abafado.

- Aaan – Near gemeu de dor enquanto se sentava e me via pular a cerca rapidamente e sem nenhum problema.

- Você está bem? – Perguntei me abaixando ao seu lado e passando a mão no seu rosto para limpar o pouco de terra que havia ali.

Ele fez que não com a cabeça e eu tive vontade de rir. Mas não o fiz, até porque só gosto de ver o Near sofrendo quando sou eu que estou causando a dor, em qualquer outro caso que não seja esse, a dor do meu albino é inaceitável.

- Você ainda tem muito que aprender – Falei o ajudando a se levantar – Vamos logo atrás daqueles retardados.

- Mas está escuro...

- Eu estou vendo tudo perfeitamente bem – Dei de ombros e peguei a mão do garoto para andarmos juntos em meio as árvores. Era bem mais confortável andar por ali, do que pela trilha.

Depois de alguns minutos andando, encontramos uma clareira aonde havia uma espécie de banheiro dividido em dois lados. Near concordou em entrarmos cada um por um lado. deixei uma faca com o mais novo e disse para ele acertar qualquer coisa que se oferecesse algum perigo pra ele.

Entrei pelo lado direito, estava tudo escuro, mas eu conseguia ver boa parte das coisas. Havia uma cadeira no canto e em cima dela uma folha de papel. Me aproximei e peguei a pagina, estava escrito “HELP ME” com uma caligrafia horrível, que lembrava a de uma criança e a folha parecia ser bem velha.

- Aaaah Beyond! – Escutei o grito do meu albino vindo do outro lado da parede.

Sai correndo pelo corredor ao lado e fui na direção da voz de Near. O brilho dos meus olhos vermelhos estava refletindo na lamina da faca, e assim que entrei aonde meu albino estava eu pude ver um vulto se esfumaçando. Era alto, bem alto e muito branco.

- O que aconteceu, Nate? – Perguntei me aproximando dele e o abraçando de forma protetora – Alguém te machucou?

- Tinha um cara... sem rosto e com os braços enormes! – Ele disse assustado – Ele estava atrás de mim, eu pensei que ele ia me pegar.

- Nada vai pegar você, mas talvez ele possa ter pegado o casal de idiotas – Suspirei só de imaginar aquelas antas correndo pela floresta escura.

- Temos que salvar o Mello – Ele disse apertando minha camisa, mas se escolheu ao perceber o meu olhar irritado sobre ele – E o Matt... – Continuou de forma receosa.

- Então vamos acha-los.

Mello POV

Minha cabeça estava doendo, parecia que eu havia bebido todo o estoque de cachaça de um bar, e agora estava de ressaca. Só pode ter sido coisa daquela erva estranha que o Matt queimou. E por falar no ruivo, ele estava dormindo por cima de mim, enrolado no meu casaco e abraçando a minha cintura.

Aquele filho da puta sem rosto nos prendeu dentro do silo. E haviam alguns ossos por ali, eram pequenos e pareciam ser de crianças.

- Mell... – Mail gemeu se aconchegando mais em mim – Eu quero meu PSP.

- Está no bolso do casaco – Falei enquanto brincava com as madeixas ruivas do meu garoto – Mas a bateria acabou antes de nos perdemos, lembra?

- Ah, é verdade – Ele murmurou.

- Que merda, eu quero sair daqui!

- E você acha que eu não quero? Deixei meu jogo no pause no hotel! O Mario tá lá paradão até agora, tadinho.

- Mas o que...

Fui interrompido pelo som estranho de estática novamente. E me levantei puxando o ruivo comigo. Engatilhei novamente a arma e dessa vez nada vai me fazer errar o tiro.

- Ai caralho! – Matt gritou quando o bicho se materializou na nossa frente. E não tive tempo pra pensar, foi como se minha mão tivesse no automático. Descarreguei todo o pente de munição na coisa.

Ruiva POV

- CARALHO, CORREEEE – gritei puxando Mello pelo ante braço com toda a minha força. O loiro estava no chão, sendo arrastado. Na sua cara já tinha lama, um pedra grudada na bochecha, e algumas folhas na sua boca.

- CORRE É O CARALHO, ME SOLTA PORRA! – gritou – MONSTROOO, ME HELPA PORRAAA – continuou até eu ouvir um barulho de tiro, fazendo-me solta-lo.

O loiro tinha atirado por entre meus dedos da mão, que seguravam seu braço. O braço dele, ele se levantou putozo da vida, e me mostrou uma marca com quatro dos meus dedos, vermelho e roxo e inchado.

- Seu jegue!

- Mas, mas... mas...

Mello parou e virou rapidamente, atirando numa árvore, o que devo admitir, me deixou meio agitado.

- É o cara sem rosto?

- não. Ou era na árvore, ou na tua cara.

- tá... – parei e sentei no chão. Olhei pro rosto do Mell, que sentou do meu lado e suspirou.

- Mello... já ouvi uma lenda com esse cara...

- já? E o que ele faz? – pareceu interessado.

- come crianças... ou coisa assim... mas, sabe... eu tenho uma curiosidade sobre o Slender... – coloquei minha mão no queixo olhando pro céu.

- Slender? É o nome dele?

- é.

- E qual é a curiosidade? – perguntou olhando aos redores.

- Será que o Slender é BV?