Le Chant des Sirènes
35 Capítulo XXXIV
Notas iniciais
Capítulo XXXIV
O toque. O toque parece algo indiferente visto por uma perspectiva usual, é algo no qual não é tão valorizado por simplesmente ser um ato comum e natural do ser humano. Porém, possui imenso significado e importância. Com um toque você consegue impedir alguém de se ferir ao segurar sua mão, com um abraço você pode acalentar um coração desnorteado, com um beijo você pode curar feridas superficiais da alma de alguém. Algo tão banalmente normal, mas de imenso poder e valor. Só damos valor ao toque quando não o possuímos mais.
O abraço dela em si era algo exorbitante e ao mesmo tempo assustador, saber que um simples ato pudesse lhe causar uma imensidão de sentimentos, o deixava assustado. Seu coração poderia bater forte, contudo ele ainda assim sentia uma calma sem igual lhe apossar. Natsu não possuía o conhecimento da importância de um abraço até sentir o dela.
Ela se afastou apenas para olha-lo nos olhos e ter certeza de que ele estava bem, e após a confirmação ela sorriu feliz que havia dado tudo certo. Ela obtinha a plena certeza que havia conseguido por conta da Fairy Tail e principalmente por causa dele. Natsu sorriu para ela e apertou o nariz dela a fazendo emburra a cara.
—Senhorita Lucy, eu não sei como pedir perdão. — ela se virou para Cancer que se ajoelhou completamente arrependido de seus atos. — serei eternamente grato, estou ao seu dispor. — ele fechou as mãos em concha, como se implorasse. Lucy levou as mãos segurando as dele atraindo os olhos do espírito para si.
—Eu sei que não queria fazer nada disso. – ela deu um sorriso lhe confortando, a olhando ali com um brilho que parecia radiar dela e o sorriso inocente, o espírito teve a plena certeza que ela poderia ser considerada um anjo. — não se preocupe Cancer, fico feliz em lhe libertar da agonia. — ele se encolheu só de lembrar-se dos anos em que ficara sem controle de si mesmo, um expectador da própria vida.
—A senhorita é muito bondosa, eu sei que o que fiz a seus companheiros fora algo impagável. — o sorriso se desfez no rosto dela ao lembrar-se do momento delicado. — porém, a senhorita ainda assim não me culpa por tais atos. — ele a olhou nos olhos. — sua bondade e coração puro é algo lindo. Que os Deuses lhe protejam, as sombras irão querer lhe manchar. — Natsu apertou os olhos para o espírito sem entender do que ele se referia.
—Não se preocupe!- Lucy sorriu e o rosado a olhou. — eu tenho pessoas comigo. — ela olhou para o garoto ao seu lado e sorriu ladino.
—Tome isso lhe pertence!- Cancer entregou uma chave dourada em suas mãos. O objeto frio causou um choque térmico em contato com sua pele, o dourado da chave parecia reluzir e o leão na chave parecia a olhar nos olhos. – o líder dos espíritos celestiais, Leo o leão. — Lucy olhava profundamente a chave enquanto seus dedos fecharam firmemente no objeto em suas mãos. — sempre estivemos a espera de alguém para nos salvar. — ela olhou para o espírito. — fico feliz que a pessoa tenha sido alguém como você, é um orgulho para o poder celestial. -Lucy sorriu lisonjeada com as palavras do espírito e sentia cada vez mais disposta a devolver a luz aos portais, e libertar cada um dos espíritos de seus anos em tormenta. E era exatamente isso que ela faria.
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Os marujos já estavam no navio podendo respirar aliviados por terem suportado mais um portal, mesmo com as dificuldades e chances mínimas, eles não desistiam de lutar, mesmo quando todos os ventos pareciam estar contra si.
—É melhor descansar por agora. — Lucy falou após ter certeza que Cana estava bem, olhou para o ruivo ao lado da filha. — você também, o que você passou vai lhe incomodar por um tempo. — Gildarts pode sentir seu corpo se arrepiar ao se lembrar da sensação. Era horrível sentir aquilo e não poder fazer nada, era uma agonizante tortura.
—Eu estou bem!- ele sorriu para a sereia. — muito obrigada, novamente!
—Sem problema. — ela olhou para os dois e deu um pigarro. — vou lhes deixarem a sós. – a sereia se retirou do local deixando os dois sozinhos para conversarem sobre a nítida desavença que possuíam.
— Eu queria lhe pedir desculpas novamente!- Gildarts falara olhando para o chão, sem muita coragem de encarar a morena. — eu errei em ter te abandonado. — Cana engoliu em seco olhando para a parede enquanto mexia com as mãos no cobertor da cama. — mas eu juro que não sabia do falecimento de sua mãe, se não eu teria ido atrás de você.
—Você pode me responder uma coisa?- ela falou o olhando séria, porém seus olhos seguravam as lágrimas que imploravam para sair. O ruivo assentiu engolindo em seco ao olhar para ela. – por que foi embora?- ele virou o rosto para o lado antes de se virar novamente para ela. Era dever dele a encarar.
—Por que fiquei assustado, admito e mereço cada um de seus julgamentos. Eu era um homem jovem que não tinha nada e fiquei com medo de ter uma criança dependendo de mim. — ele dissera aquilo sem nenhum orgulho. — eu fugi por que fui um covarde e não assumi meus atos. — ele passou a mão no rosto. — mas isso não me impediu de sentir a agonizante sensação de que estava fazendo algo errado, e de fato estava. Passei anos da minha vida me sentindo um lixo, até você vir para a Fairy tail.- ele sorriu soprado. — eu não sabia o quão sortudo era por ter uma filha, até te conhecer. — Cana engoliu o choro que ameaçava surgir. Ela não era mais uma garotinha que chorava pelo pai há anos. – eu não quero perder mais nada do que eu poderia ter vivido ou poderei viver ao seu lado, quero recuperar os anos perdidos, você tem o direito de não me perdoar e nem precisa. Porém ao menos me permita estar perto de você!- Cana sentia os lábios tremerem.
—Eu... Passei anos desejando que você falasse isso para mim. — o ruivo engoliu em seco. — por anos eu desejei que você viesse ate mim e dissesse que nunca mais me abandonaria, porém você não veio. — a dor que ele sentira fora algo inimaginável. — quando mamãe morreu, eu... Não sabia o que fazer, eu estava sozinha e não sabia para onde ir. Passei fome, frio... Até ouvir sobre a Fairy Tail e ouvir que você fazia parte da tripulação, então eu decidi entrar, por você, por que queria ter você por perto. — lágrimas caiam dos olhos da morena que já não as segurava mais. — hoje, eu tive tanto medo de te perder. Senti-me uma idiota por ter raiva de você e te culpar por uma coisa que você não tinha conhecimento. Foi sua escolha ter ido embora, mas você não sabia o que havia ocorrido depois. — ela olhou para ele. — eu te perdoo pai, por favor, não saia mais do meu lado!- Gildarts não segurou as lágrimas que sucediam ao ouvir aquilo e ao ouvir ela o chamar de pai.
— Nunca, nunca mais minha filha!- ele a abraçou a aconchegando em seu peito acariciando seus cabelos, ficando ao lado dela. Aonde nunca deveria ter saído.
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—Estamos perto da ilha Mauhndi. — Laxus falou mostrando no mapa a ilha. O capitão assentiu olhando o papel e observando a distância.
—Vamos atracar lá, tem uma cachoeira e sem falar que tem os mantimentos e bebidas. — o loiro assentiu. — estamos a algumas horas de lá.
—O local mais próximo depois da ilha levaria dois dias de viagem. — Makarov falou olhando para o mapa com seu cachimbo na boca.
—Por que tem que sentar na minha mesa velhote?- Natsu questionou fingindo indignação. O pequeno senhor estava com as pernas dobradas sobre a mesa em sua plenitude e paz.
—Antes de essa mesa ser sua, ela era minha!- o velho disse calmo colocando seu cachimbo na boca. — por que eu coloquei esse esquentado como capitão mesmo?- ele olhou para Laxus com um olhar de incompreensão. O loiro estalou a língua balançando a cabeça.
—Não faço a mínima ideia velhote. — Natsu os olhou com os olhos esbugalhados.
—Por que eu sou o melhor estrategista dessa embarcação, e o melhor no quesito liderança. — ele falou com queixo erguido e mãos na cintura.
—Na verdade você é cabeça quente e faz tudo sem pensar, sem falar que Erza tem mais liderança que você. — Makarov falou para irrita-lo, obtendo sucesso na missão ao notar a cara de indignação do outro. Laxus e o velhote gargalharam alto o fazendo bufar. — te escolhi por que você tem muita força e garra, e apesar de seu temperamento você é um capitão incrível. — o rosado piscou os olhos surpreso e deu um sorriso enorme.
—Eu sei disso!- ele disse convincente. — então vamos para a ilha por enquanto. — os três assentirem antes de saírem da cabine e irem até o leme guiarem o barco.
Quando atracou o navio na ilha Mauhndi todos desceram empolgados correndo em direção ao alçapão escondido com mantimentos e bebidas e os retiraram lá de dentro e já se preparavam para mais uma comemoração. Festejarem a conquista e viveram a vida por aqueles que se foram. Era a maneira deles de seguirem em frente, mesmo com suas dores. A sereia olhou tudo com as sobrancelhas em pé sem compreender o que estava ocorrendo ali. Como diabos havia aquelas coisas ali?
—Criamos um alçapão onde guardamos bebidas, alguns mantimentos e armas. — ela se virou olhando para o rosado ao seu lado que parecia ter lido seu pensamento ao notar a face dela. — uma vida no oceano não é tão fácil, nunca sabemos quando vamos encontrar terra ou quando voltaremos, então fazemos isso em várias ilhas. — ela piscou os olhos e ele sorriu a olhando. — tem uma cachoeira aqui, vem, vou lhe mostrar. — ela pensou que ele andaria e ela o acompanharia, contudo se surpreendeu quando ele segurou sua mão a levando dali. Ela piscou os olhos surpresa, porém o seguiu.
Eles entraram por dentro da mata enquanto os restantes organizavam uma fogueira e iniciavam uma pequena comemoração. Lucy avaliava o local, sentia seu corpo ligado a cada parte daquele local, ela possuía uma ligação muito forte com a natureza e quando estava em locais próximos assim, sempre a deixavam com uma sensação boa pelo corpo, como se ali fosse o seu lugar. Observou as costas do rosado enquanto ele ia à frente se livrando do que pudesse estar no caminho e mantinha o braço para trás segurando firme a mão dela. Era engraçado o fato de como suas mãos pareciam se encaixarem perfeitamente uma a outra, e o calor que ele transmitia era tão agradável e bom, gostava do modo como suas mãos ficavam unidas.
Então o rosado parou e foi ao seu lado para que assim ela pudesse olhar o local e não disfarçou a cara surpresa ao colocar os olhos. Seus lábios abriram em uma surpresa ao notar a água extremamente cristalina e azul e uma cachoeira, ao redor havia várias flores, era maravilhoso.
—É lindo!- ela falou olhando encantada para tudo. O garoto ao seu lado sorriu satisfeito com a reação dela.
— Pode ficar aqui para recarregar suas energias. — ela se virou para ele o olhando. — ninguém vai ficar aqui, então terá privacidade e um pouco de paz. — ela sorriu e olhou para a lagoa.
—Obrigada!- ela foi até a beira do lago e se abaixou colocando a mão na água, a pele ao entrar em contato com a água se arrepiou lhe preenchendo com uma sensação de recarga. — é perfeito. — se assustou quando sentiu uma blusa por sobre seus ombros e notou Natsu sem camisa e a camisa dele por suas costas. Ela o olhou de olhos semicerrados. — você gosta de ficar sem camisa em?!
—Oras se não quiser tamanha roupa incrível, me devolva!- ele tentou pegar a blusa enquanto um sorriso surgia em seus lábios, porém a garota pegou a blusa para si. Ele a olhou com uma sobrancelha em pé. — pensei que não quisesse, já que minha pele desnuda parece lhe... Incomodar bastante. — Natsu exibia um sorriso safado no rosto e a loira piscou os olhos com a fala dele e olhou instintivamente para o peitoral em forma. — pode olhar o quanto quiser, eu não costumo ser tão benevolente, mas por você faço esse sacrifício. — ela revirou os olhos se levantando e empurrou-o de leve o fazendo gargalhar.
— Imbecil!- ela não conseguiu conter o sorriso. Tirou suas botas as deixando no canto e depois retirou o espartilho com os olhos do rosado em si. Ela o olhava com a face neutra e foi abrindo lentamente as cordas do vestido. Ele arregalou os olhos surpreso quando ela desceu uma alça expondo o ombro. — o que foi? Vai querer ficar olhando?- ela o olhou com uma sobrancelha levantada, e dissera de modo sarcástico. Ele tossiu sem graça se virando de costas sentindo seu rosto esquentar. Sentia seu coração bater acelerado e pensamentos impuros surgirem, bufou passando as mãos nos cabelos de modo frustrado. Lucy deu um sorrisinho satisfeito, ponto para ela. Vestiu a blusa dele e guiou-se até a ponta do lago e pulou na água logo depois usando o encantamento para ficar em sua verdadeira forma.
Natsu se virou a olhando na água tão radiante e bonita sobre sol que parecia querer disputar com a luz própria dela. Ela o olhava nos olhos, com apenas a metade do rosto para fora da água. Seus cabelos brilhavam junto da pequena tiara que ela usava.
—Você quer que eu me retire?- ele questionou apontando para trás sem jeito. Ela apenas deu de ombros, ainda estava com camisa dele e ele não achava nem um pouco ruim.
—Só se quiser. — a verdade era que ele não queria então ele foi até a umas pedras próximas à cachoeira e pulou na água respingando em direção a ela que gargalhou. Depois emergiu próximo a ela, suas ônix tão concentradas nela em um intensidade que só os dois conheciam.
—Preciso ser sincero com você... — ela piscou os olhos surpresa, seu coração dera um salto enquanto ele a olhava sério. – eu... odeio nadar de calças. — ela não sabia se respirava aliviada ou desapontada. Revirou os olhos e depois gargalhou junto dele.
—Como foi parar na Fairy Tail?- ela perguntou enquanto eles nadavam um ao lado do outro.
—Makarov me encontrou quando eu havia sido... — ele a olhou meio apreensivo. – atacado pelas sereias, eu estava ferido e desacordado quando ele me encontrou e me levou para o navio e cuidou de mim, desde então tem sido minha família. — ela sorriu observando como seu rosto iluminava ao falar daquilo. — Gray e eu havíamos entrado na mesma época e há Erza um pouco antes, ela que nós “ajudou” a se adaptar.- ele fez aspas com as mãos no ajudou. E Lucy sorriu. — brigávamos quase o dia inteiro, mas era divertido.
—Acho que essa parte não mudou muito. — ela falou sorrindo e ele sorriu de volta.
—Foi a melhor coisa que me acontecera em anos. — ela sentiu um aperto por ele. Que apenas abaixou a cabeça. — por isso faço tudo por eles, eles são as únicas coisas que eu tenho. – Lucy sorriu o confortando e ele levou a mão até a dela, por baixo da água e a segurou, ficou olhando as mãos enquanto ela olhava para ele o analisando, cada detalhe.
—É muito bonita a união de vocês. — ela disse sincera. Recordava-se de cada momento presenciado naquele navio, todos importantes e memoráveis. Cada um de certa forma a ensinando alguma coisa.
—A Fairy Tail me mostrou que para ser uma família, não precisa necessariamente ser de sangue. Você pode passar anos com um parente de sangue e não ser tão significante e especial quanto estar com um amigo em um dia. — ele a olhou. — às vezes uma pessoa pode surgi do nada e lhe ajudar mais do que espera e imaginava. — ela assentiu concordando. Sabia perfeitamente do que ele estava dizendo, passou anos com um pai que só maltratava e agora tinha amigos que se importavam com ele. De certa forma Lucy também se sentia assim, tudo com as sereias era tão frio e ali caloroso. Porém havia algo no olhar de Natsu, algo além, como se ele dissesse mais que aquilo. E pelo batimento de seu coração, ela havia entendido. – família é muito mais que laços sanguíneos.
—É sobre respeito e cumplicidade. — ela falou baixo e um sorriso surgiu nos lábios dele. – é sobre estar perto um do outro quando necessário...
—É sobre apoiar um ao outro. — ele completou antes que ela terminasse, piscou os olhos surpresa. Tinham uma conexão forte que os faziam compreender um ao outro de uma maneira inexplicável aos olhos dos outros.
—Natsu, aí está você!- a voz de Happy surgiu atraindo a atenção dos dois que se afastaram sem graça. O bichano sobrevoava sobre eles. — estão te chamando lá na fogueira.
—Está bem, estou indo!- o rosado olhou para ela que olhava para a água. — fique o tempo que for necessário Lucy. — ela assentiu e ele saiu com o gato azul.
Ainda sentia o seu coração bater forte, olhou para suas mãos que tremiam levemente e ela as fechou em punho. Não compreendia bem o que estava acontecendo consigo, nunca havia se sentindo dessa forma antes e temia tanto o que aquilo poderia significar. Olhou para o céu que já escurecia e fechou os olhos pedindo que a ajudasse. Por um momento sentiu um vazio no peito, e teve medo, medo de ferir aquilo que lhe parecia tão bem e certo. Ela não podia, não deveria. A maldição que por anos ela achou ser insignificante, por um momento a assustou.
Decidiu nadar para tirar a sensação do peito e tais pensamentos, mergulhou fundo se deliciando da sensação que apenas a água poderia lhe proporcionar. Foi até o mais fundo que aquele lago podia lhe ofertar, e ficou lá apenas apreciando a água gelada fechando os olhos e encostando-se ao fundo, peixes nadavam ao redor de si e o barulho da água caindo na cachoeira de modo abafado a fazia se acalmar e por alguns minutos fechou os olhos. Não havia notado o quão cansada estava, até pegar no sono ali.
Ela não sabia onde estava, no entanto sentia um calor conhecido próximo de si e aquilo foi o suficiente para procurar incansavelmente por ele. E ao sentir os braços dele ao redor de si, ela tirou proveito de cada segundo que pareciam eternos. Levantou o rosto e ele a olhava profundamente como sempre, a mão dele subiu até sua bochecha fazendo um carinho onde ela fechou os olhos se deliciando por alguns segundos e ele encostou sua testa na dela, os narizes roçaram um no outro e então os tão sonhados e esperados lábios se chocaram causando uma explosão de sentimentos em seus seres. Ele pediu passagem com a língua e ela sem forças para negar, e nem queria, permitiu que ela entrasse em contato com sua, e a sensação que obtiveram depois fora algo grandioso demais para se colocar em palavras. Era como se uma recarga elétrica passasse por cada parte do seu corpo reanimando cada célula, como se cada átomo de mim necessitasse dele, era uma química sem igual. Mas feito uma flor no inverno, ele arregalou os olhos se afastando e então a vida estava sendo sugada de seu corpo, enquanto sua pele apodrecia e a vida deixava seus olhos.
Ela acordou em um susto e sentia o coração bater forte, seus olhos ardiam em lágrimas. Lágrimas? Mas ela não chorava certo? Tocou sua bochecha e fechou os olhos respirando fundo tentando se acalmar. Fora um sonho terrível que causará uma dor real e profunda em seu peito. Acalmou-se ou ao menos tentou já que seu coração parecia se recordar de cada mínimo detalhe, desde os lábios macios dele até a vida se esvaindo de seus olhos. Emergiu e ficou um tempo sentada debaixo da cachoeira, já havia anoitecido e as estrelas brilhavam no céu como pedras sobre um tecido escuro. Olhava para as estrelas com o pensamento longe e se concentrava nos pontos brilhantes que a causavam certa calma, enquanto tentava dispersar o que havia sentido.
Quando olhou para frente notou um corpo se aproximar da água e entrar na água a observando. Ela notou o tecido fino que cobria o corpo pálido e o cabelo castanho claro que caia em cascata sobre seus ombros, os olhos azuis. Lucy arregalou os olhos ao notar de quem se tratava e saiu da cascata de água indo até a garota.
—Michelle?- ela perguntou surpresa à garota que entrou mais na água para chegar até a sereia. — o que faz aqui?
—Eu lhe ia fazer a mesma pergunta. — ela falou seria olhando a loira que engoliu em seco. — estava por perto, quando senti sua presença. Não acreditei ao notar o navio de piratas. — ela fez uma cara de nojo. — porém tive de vir conferir para ter certeza.
—São inofensivos. — Lucy falou meio irritada e a outra olhou desconfiada.
—Onde esteve?- Lucy olhou para o lado incomodada. – o que está fazendo tão próxima de humanos?
—Eu estive nadando por aí, como sempre faço. — ela disse simplesmente. — eles não sabem quem sou, os enfeiticei para que me trouxessem aqui. – a garota ainda a olhava desconfiada, porém deixou para lá. Sabia muito bem que Lucy era forte o suficiente para se cuidar sozinha.
—Você precisa voltar para o palácio!- Lucy a olhou surpresa. — está tudo um caos, sereias sendo mortas com escamas sendo arrancadas, animais morrendo, o oceano poluído por uma crosta negra, o equilíbrio está pendido. — a loira engoliu em seco com as falas da outra sereia. Michelle a olhou nos olhos. — Atlantic precisa de você!- a sereia sentiu seu coração se apertar sem saber o que fazer.
—Eu... Eu. — Michelle a olhou com os olhos semicerrados não compreendendo a hesitação da loira.
—Qual o problema?- a loira ficou quieta e a outra apenas balançou a cabeça. — Lucy, precisamos de você. Sei que ficou com raiva por tudo o que a aconteceu a sua mãe, mas seu lugar é lá. — ela disse séria. — Anfitrite só permitiu que nadasse livremente por ai, por que ela sente que se não permitisse você os abandonaria para sempre. — ela engoliu em seco olhando para suas mãos. — mas você é a única que pode nos ajudar!- Lucy assentiu sem dizer nada e a outra sorriu tocando seu ombro. — eu só... Achei que deveria te dizer. – ela se virou se guiando para fora. — siga seu coração, mas não esqueça seu dever. — e com isso ela sumiu em meio à mata se guiando de volta para o mar deixando a loira sozinha com seus pensamentos.
Seu coração se apertava sem saber o que fazer, ela devia voltar, mas devia abandonar a Fairy Tail? Ela não queria isso, mas também não queria deixar suas irmãs sozinhas. Estava enfrentando um dilema interno no qual ainda não havia respostas. Tinha dois compromissos dos quais ela não queria ficar em falta com nenhum. Então outro barulho chamou sua atenção e quando olhou para o lado, Natsu surgiu em meio à mata com a mesma calça, porém com outra blusa já que ela ainda estava com a dele. Ela forçou um sorriso enquanto ele se aproximava quieto. Sentou se na beira do lago e a olhou.
—Você deveria ir!- ela piscou os olhos sem entender o que ele quis dizer, teria ele ouvido? Ela o olhou surpresa. — eu ouvi. — ela abriu levemente os lábios. — você deveria ir ajudá-las.
—E quanto a vocês? Eu também firmei um compromisso com vocês. — ela argumentou, e ele apenas balançou a cabeça.
—O nosso pode esperar. — ele a olhou nos olhos, parecia estar angustiado em uma luta interna igual a ela. — você deve ajudá-las, afinal são sua família, e você também sabe que deve. — ela ficou quieta. — por que você nunca se perdoaria se apenas ignorasse isso, por que você não é assim, nunca negaria ajuda a quem necessita ainda mais suas irmãs. — ela engoliu em seco, Natsu parecia a conhecer melhor do que ela mesma.
—Eu irei voltar!- ela disse se aproximando e tocando a mão dele, ele a entrelaçou com a dele e deu um sorriso sem mostrar os dentes.
—Estarei esperando. — e ele esperaria, não por que precisava dela para o tesouro, mas sim por que a queria ter por perto. Ela brilhou fazendo o encantamento e voltando a forma humana e ele a ajudou sair segurando suas mãos. Quando colocou os pés na grama olhou para os pés sem coragem de encará-lo. O sonho passava em sua cabeça em uma retrospectiva horrível e angustiante. Ele levou a mão até o queixo dela e levantou seu rosto para olha-la. – onde quer que esteja eu estarei com você. — ele recitou o lema da Fairy Tail e ela sorriu, olhando em seus olhos, o sonho a fazia ter medo, porém seus olhos verdes musgo passavam uma confiança que lhe dava coragem para enfrentar qualquer coisa que fosse. A frase de Michelle ecoou em sua cabeça. “Siga seu coração, mas não se esqueça do seu dever”. Aquela frase parecia servir para tantas coisas que a deixava irritada um pouco.
Voltaram para onde todos estavam comemorando e os dois trocaram um olhar silencioso. Natsu foi até Max e Nab que tocavam um violão recitando uma canção e pediu para que parassem.
—Pessoal, a atenção de vocês por um momento. — demorou um pouco para se calarem, porém bastou um grito de Erza e todos ficaram quietos. — a nossa missão do tesouro dos dragões vai ser adiada por um tempo. — um burburinho se iniciou e todos olhavam sem compreender, não conseguiam imaginar o que pudesse fazer Natsu adiar algo que ele mais almejava. — Lucy terá de voltar para a casa, por que precisam dela. — ele olhou para a sereia. — e ela precisa ir. – eles ficaram em silêncio por um tempo olhando tristes para a loira.
—Não me olhem com essa cara, irei voltar!- ela tentou sorrir, mas não obtivera muito êxito. A primeira a se levantar fora Erza indo até a loira e a abraçando.
—Não se preocupe conosco, faça o que tiver de fazer. — Erza se soltou do abraço para olha-la. — apenas... Volte. — Lucy sorriu assentindo. Depois Gray a puxou para um abraço apertado e depositou um beijo em sua testa.
—Tome cuidado!- a olhou sério e ela sorriu para ele e concordou. Depois veio Wendy, Juvia, Levy, até que se despedisse de todos. Um por um. Era um sentimento ruim, pois todos ali sabiam que mesmo que ela quisesse, não havia a plena certeza de que ela voltaria. Ela não sabia por quanto tempo fosse necessário que ficasse ou que conseguisse voltar. Depois de abraçar todos ela chegou até o rosado indecisa de como agir, contudo ele a puxou pela cintura a abraçando forte contra si. Fechou os olhos e depositou a cabeça na curvatura de do pescoço dela e deu um beijo em seu ombro e apreciou a pele se arrepiar em resposta. Ela fechou os olhos com a sensação de tê-lo tão próximo de si.
—Venha comigo!- ele a segurou pela mão a levando de volta para o navio dentro de sua cabine. Depois pegou uma caixinha onde dentro havia um colar no qual ele levou até ela, colocando na palma de sua mão. O coração do mar, o colar de Anfitrite. – você precisa voltar com ele. — ela assentiu e o olhou nos olhos antes de ir com a mão no cinto onde estavam as chaves do zodíaco, as retirou e entregou em sua mão, ele a olhava de olhos arregalados.
—Vão questionar como as consegui. — ele assentiu compreendendo e olhou para as chaves em sua mão. — e você é a única pessoa no qual eu confio em deixá-las. — ele a olhou nos olhos. — logo irei voltar. – ela sorriu para ele. Natsu dera um sorriso forçado, estava extremamente desconfortável com a situação, parecia que algo em si estava sendo rasgado.
Depois todos estavam no navio enquanto Lucy subia na proa do navio. Ainda estava com a blusa do rosado na qual ela não fez muita questão devolver e nem ele de pedir de volta. Virou-se olhando a todos ali. Homens, mulheres, crianças que de modo delicado e imperceptível haviam criado um vínculo especial com ela, em seu coração todos estavam guardados. Ela sorriu para eles e olhou para ele. Seu coração palpitava e ela deu um sorriso delicado e nada disse, não era necessário, ele sabia. E então se virou subindo na madeira, fechou os olhos respirando fundo e então levou os braços acima da cabeça com o colar em suas mãos, e então pulou caindo com destreza no mar. Todos foram até a beira olhar e um brilho dourado estava no local que ela havia mergulhado, e logo depois ela emergiu acenando para eles no qual gritaram seu nome a encorajando e então ela mergulhou fundo, sumindo na imensidão azul. Todos foram quietos indo para seus cantos, silenciosos. Natsu permanecera parado olhando para onde ela havia ido e por um segundo esperou que ela voltasse, porém sabia que ela não poderia.
—Ela vai voltar!- Gray bateu em suas costas dando apoio.
Ele soltou o ar que mal havia notado estar prendendo. Ele sabia que ela voltaria, porém também sabia que muitas coisas a poderiam a impedir. Natsu só havia notado a imensidão que o separava de Lucy ao olha-la voltar para o mar.
Fim!
“Você sempre... vai querer com mais intensidade aquilo que não pode ter.”
—Newton-
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