Le Chant des Sirènes
33 Capítulo XXXII
Notas iniciais
Capítulo XXXII
O vento batia em seu rosto lhe prestigiando com um frescor, no dia que estava particularmente mais quente e incômodo que os outros. Colocou a mão no bolso da calça enquanto se guiava para voltar ao hotel, havia passado o dia resolvendo alguns assuntos. Makarov queria fazer de sua casa uma casa para a Fairy Tail, para quando atracassem o navio ali, ficassem nela. A ideia lhe pareceu muito vantajosa e agradável. Então fora decidido que começariam uma construção no local, com a ajuda de todos talvez finalizassem bem rápido.
Ele não havia visto Lucy o dia inteiro, não que estivesse fugindo da loira, apenas não ocorrerá deles se encontrarem estando tão ocupado e ela tendo que ficar o resto do dia na piscina natural. Era necessário que ela ficasse para que não obtivesse problemas futuros. E ele achou melhor deixá-la por conta disso enquanto resolvesse suas pendências.
Sua mente traiçoeira começou a reviver os momentos em que passara com a sereia, desde quando se viram pela primeira vez até agora. Sentia vergonha pela maneira esdrúxula que havia a tratado no começo, mesmo que ele obtivesse seus motivos não fora certo o que ele fez ou a maneira que se referia a ela. E esse sentimento piorava quando Lucy agia de maneira contrária com ele, sendo doce e gentil mesmo depois de tudo que ele lhe fez. Ele não tinha certeza se perdoaria da mesma maneira como ela, se fosse consigo. Contudo a sereia apenas agiu de maneira mais madura em relação a tudo, nunca abaixara a cabeça para ele e sempre o colocou no lugar, que mesmo que ficasse irritado na época, hoje ele vê como uma qualidade dela. Seria bem melhor se ela o tratasse mal ou agisse com frieza e devolvesse tudo na mesma moeda, seria mais fácil para ele, não se apegar a ela, mas não, ela agiu exatamente ao contrário o deixando com esse pesado sentimento de culpa. Lucy o surpreendia cada vez mais, ela era boa demais. E ele não conhecia essa bondade que tocava o seu coração.
Obtinha certo apresso pela sereia e a considerava uma amiga e parte da tripulação, ela havia provado mais do que merecedora de fazer parte da Fairy Tail. De maneira quase imperceptível Lucy havia tocado a Fairy Tail e deixado seu espaço ali. Eles nunca mais seriam o mesmo depois dela.
Soltou o ar enquanto entrava em um beco para seguir seu caminho, a lua iluminava a noite escura e silenciosa. Ele sentiu um pressentimento como se estivesse sendo seguido e que algo estava errado. Parou no lugar olhando para trás em busca do intruso, contudo não encontrara nada além da rua quieta. Quieta até demais, não havia ninguém e nem ao menos um ruído se era ouvido, ele sabia que era tarde, porém não deixou de ligar seu sentindo de alerta. Quando se virou para frente para continuar sua caminhada, notou um homem parado pouco a frente de si.
—Pensou que sairia impune?- o homem disse numa voz grossa. Seus olhos vermelhos atentos a cada movimento do rosado que ainda o olhava impassível. Os cabelos brancos até os ombros balançavam conforme o vento passava.
—Quem é você mesmo?- o rosado falou entediado e o outro apenas o olhou de olhos arregalados. Não era possível uma pessoa possuir a memória de um peixe deste modo, ou apenas ser asno a esse ponto.
— Você me surpreende cada vez mais Natsu Dragneel.- o homem sorriu ladino de maneira fria. O rosado observou e notou se tratar de Zero, o capitão da Oracion Seis. Manteve-se quieto sem demonstrar muita importância ao caso. — eu preciso lhe dar o troco por ter destruído minha barraca, e roubado minhas escamas. — arregalou os olhos levemente surpreso ao saber que era ele quem estava por trás do que havia acontecido com Lucy, fechou os punhos em ódio, e sua face que antes era impassível dessa vez havia se transformado em uma feição de raiva e desagrado.
—Eu vou te matar seu desgraçado!- ele fora direto em suas palavras e sua voz era carregada de um ódio quase palpável. Zero gargalhou achando graça da reação do garoto.
—Quão ingênuo você é!- dito isso os outros apareceram atrás de Natsu e ao lado de Zero. Estavam em seis enquanto Natsu estava sozinho, mas aquilo de fato não era problema para ele, então não dera muita importância ao caso.
—Não tem coragem de lutar sozinho comigo? Precisa chamar sua corja?- Natsu falou sarcástico olhando o homem que apenas sorriu sem demonstrar se importar com a ofensa do garoto.
— Você precisa reconhecer quando é hora de recuar. — então Zero surgiu rapidamente na frente do rosado e retirou sua espada da bainha a guiando em direção a Natsu, que se abaixou recuando do ataque observando a lâmina passar a milímetros de sua pele. Retirou sua espada da bainha e bateu na de Zero e o barulho das duas colidindo fora impactante na rua silenciosa.
O capitão da Oracion Seis retirou outra espada da bainha e a guiou para acertar no rosado que repelia o ataque das duas. De repente Cobra surgiu atrás de si usando sua espada para lhe atacar, porém Natsu desviou fazendo com que a espada de Cobra colidisse com a de Zero. Natsu girou a perna acertando a costela de Cobra com força e usou sua espada para repelir o ataque de Angel que surgira tentando acerta-lo. Quando deu por si estava lutando contra os seis em uma luta corporal e com ataques furtivos com a espada. Zero aproveitou uma brecha e fincou sua espada acima do peitoral de Natsu. Raccer aproveitou o momento e usou sua espada para atacá-lo, contudo o rosado a segurou com a mão o fazendo o olhar surpreso. Ele olhou enraivecido para Zero a sua frente enquanto sentia o sangue escorrer de sua mão direita enquanto a lâmina cortava sua pele.
Ele chutou Zero e depois girou fincando sua espada na perna de Raccer que gritou soltando sua espada no chão, depois usou a espada do mesmo para acertar Midnight que ia em sua direção, mas cairá com tudo no chão com impacto forte da espada em seu abdômen. Segurou a espada que estava em seu peito e a retirou enquanto olhava para Zero a sua frente. Quando Angel se aproximou com um punhal, ele a segurou pelo punho a virando e a depositando na frente de si, a apanhou pela cintura enquanto o outro braço agarrava o punho dela em direção à própria garganta com o punhal.
—Você quer que eu corte a garganta dela?- Natsu falou grave olhando para o homem a sua frente, ele estava blefando, não a machucaria. Cobra parou onde estava assim como os outros, porém o capitão apenas deu uma risada.
—Faça!- Natsu arregalou os olhos surpreso. Como ele poderia não se importar com seus marujos? Aquilo só fez o ter mais nojo e ódio daquele homem. Empurrou Angel para longe, não sem antes de roubar o punhal e ameaçar atirar em Zero. — você precisa saber com quem está lidando. — dito isso Natsu pressentiu uma energia carregada e extremamente pesada no ar. Seu coração bateu acelerado com aquilo, algo parecia lhe chamar, como sempre. Uma força invisível o jogou na parede o pressionando com força, Zero se aproximou e usou um punhal negro para perfurar a pele de Natsu e fora fincando cada vez mais fundo. — eu irei arrancar sua cabeça e oferecer como troféu. — ele subiu o punhal perfurando mais o abdômen, o rosado o olhou irritado e gemendo de dor, mas também de ódio.
—Então, terá de entrar na fila. — Zero se virou observando um garoto loiro juntamente de mais algumas pessoas. Natsu reconheceu ser Sting que o olhou em um olhar questionador, porém preocupado.
—Não se intrometa onde não lhe foi chamado, indigente. — Sting deu de ombros e sorriu olhando o homem.
—Não posso permitir que mate meu amigo, ainda tenho uma luta para vencer com ele. — Sting sorriu e tirou sua espada da bainha, feito seguido pelos seus companheiros. Yukino se aproximou jogando dois potes no chão onde ela esticou a mão no ar e dois homens vestidos de guerreiros medievais com a aparência pútrida surgiram do chão e sacaram suas espadas em forma de ataque. Natsu aproveitou o momento de distração e foi lutando contra a força que o impedia, e fincou com força o punhal que estava em sua mão no olho de Zero que berrou ao sentir a lâmina perfurar seu globo ocular. O homem berrou irritado enquanto uma sombra surgia ao redor de si, todos observavam assustados. – Yukino, agora!- A garota assentiu e guiou os guerreiros para atacarem e depois jogou outra porção no chão deixando uma névoa no local.
Uma luta se iniciou contra a Oracion Seis, e Natsu fora libertado do que lhe prendia, contudo mal havia recomposto a compostura quando Zero surgiu com uma névoa negra ao redor de si e empurrou Natsu contra a parede e guiou o braço direito para acerta-lo, mas o rosado se esquivou o fazendo bater na parede, depois chutou Zero que mal se moveu e segurou a perna do rosado o jogando novamente na parede com força e a quebrando com o corpo do garoto que caiu no chão. Ele ainda tinha as sombras ao redor de si que era possível vê-las até mesmo na névoa. Ele arrancou a blusa enquanto seus músculos contraíram e aumentaram e seu olho atingido pelo punhal sangrava enquanto ficava coberto com as trevas, como se elas entrassem ali como um verme se aproveitando da carne pútrida. Natsu se levantou e foi para cima atacando o homem e o socou no peito, contudo ele não pareceu sentir o efeito do ataque, mas o rosado não se deteve. Natsu possuía uma força fora do comum e usou isso ao seu favor quando Zero ia lhe socar o rosto, mas fora mais rápido esquivando e segurando o braço do homem e girou o corpo o quebrando enquanto Zero gritava em resposta. Sting apareceu e jogou uma espada para Natsu que tentou cortar o braço do homem, mas fora impedido quando o mesmo o jogou no chão com a maldita força invisível e rápido lhe chutou as costelas, pelo barulho e a dor ele teve fora confirmação de que havia quebrado alguma costela. Sting girou sua espada para atacar, porém fora impedido pelo homem que usou seu próprio braço para defender o ataque, a lâmina perfurou a pele do braço que Natsu havia quebrado, o sangue escorria pingando no chão em contraste com cinza das pedras. Contudo o homem não demonstrava reação alguma diante do ferimento, apenas mantinha seu olhar sisudo.
O loiro olhou a pele perfurada e retirou a lâmina para atacá-lo novamente, mas o homem de cabelos brancos desviou e segurou o punho de Sting lhe dando um soco no rosto e Natsu veio com sua espada para acertar Zero pelo lado que o olho estava ferido, ou seja, onde ele obtinha um ponto cego, porém fora impedido por Zero, como se algo lhe estivesse guiando. Natsu se surpreendera enquanto Sting mobilizava Zero por trás e o rosado se posicionou e o socou no rosto repetidas vezes. Quando Sting o afastou Natsu deu uma rasteira no homem o derrubando e subindo sobre si e voltou com os socos com força e agilidade. Ele era tão rápido que nem estava dando trégua para Zero fugir, era naqueles momentos que ele sentia uma força dentro de si, algo querendo ser liberto e ele sentia desejo de atender ao pedido. Sua raiva o consumia e as sombras de Zero iam se agarrando em sua mão como cobras peçonhentas se arrastando em sua pele. Os olhos de Natsu pareciam perder o foco enquanto ele tinha exclusivamente um desejo.
—Natsu!- Sting o chamou, mas ele não pareceu ouvir e continuou com seu serviço. Ele levou as mãos até o pescoço de Zero onde ele apertou com força sentindo a sensação de poder sobre si e sorriu ladino com aquilo.
—O que é você?- Zero pronunciou com dificuldade pelas mãos não o permitirem respirar. Sting olhou para Zero e encarou Natsu depois.
—Eu vou te matar pelo que ordenou fazer. — o loiro não compreendeu o que o rosado falava e se assustará com a voz extremamente grossa e fria do amigo. Mas Zero sabia bem do que ele dizia.
—Por q..ue se.. Importa?- Zero levou a mão tentando retirar aquelas que o impedia de respirar, toda via não conseguia nem ao menos mover um centímetro, contudo usou aquela força invisível para aliviar a pressão. — e por conta da tal garota?- Natsu apertou mais sem dificuldade de lutar contra aquela força que agora parecia somente um vento fraco. Sting olhou com uma ruga na testa para o homem ao chão, segurou firme sua espada. — irei arrancar a pele dela na sua frente.
—Você não vai encostar-se a ela. — a maneira que Natsu havia dito tais palavras, fora de uma maneira tão fria e tenebrosa que era possível causar arrepios em quem ouvisse.
—Soube que ela é linda. Curioso o fato dela se importar com as escamas. — Zero estava vermelho, pois não estava conseguindo impedir Natsu. Sting piscou os olhos ao perceber de quem estavam falando, só poderia ser uma pessoa.
— Vou arrancar seu outro olho, junto da sua pele para você sentir como é arrancar uma coisa a força do corpo de outro ser vivo. — Natsu tinha um olhar escuro e maquiavélico. Zero até mesmo ficará surpreso, e o rosado arrebatou as mãos do pescoço somente para apanhar sua espada, e a fincou na intenção de acertar o homem abaixo de si, contudo a lâmina acertou o chão de pedra e onde estava Zero restava apenas uma sombra que desaparecerá aos poucos junto dele.
A névoa fora sumindo aos poucos e restaram ali apenas os marujos da tripulação da Sabertooth. Natsu permaneceu parado ainda segurando sua espada que estava fincada no chão rochoso. Os olhos azuis de Sting olhavam curioso para o amigo no chão com a cabeça abaixada, ele observou a lâmina encravada, e teria ficado surpreso se não soubesse como Natsu era. Aproximou-se devagar e se abaixou na altura do rosado que mantinha a cabeça abaixada e o punho fechado com firmeza no cabo da espada.
—Natsu?- ele chamou baixo, porém o rosado nem se moveu e permaneceu na mesma posição. — você está bem?- o rosado soltou a espada tremendo um pouco e olhou para o loiro e desviou os olhos. – sabe que mesmo você sendo um idiota, eu sou seu amigo e você ainda é alguém quem eu me inspiro. — o rosado o olhou de olhos arregalados. – me desculpe pelo que disse sobre a Lucy. — ele abaixou a cabeça constrangido. — e sobre o que disse de você. — Natsu bufou e passou a mão no cabelo.
—Deixa isso para lá, eu não me importo com o que diga de mim. — ele se levantou e retirou a espada do chão na mesma facilidade que havia colocado. Sting se levantou e olhou o rosado que o olhava profundamente. — mas nunca mais diga aquilo dela. — Sting assentiu e coçou a cabeça envergonhado, ele sabia que havia agido errado em meio ao ciúme e inveja que havia sentido do amigo. O que tornava tudo pior. — eu mereço, ela não. — ele guardou sua espada na bainha. — se gosta dela...
—Eu gosto!- Natsu virou o rosto para o lado respirando fundo. — sei que parece algo ridículo sendo que a vi apenas três vezes. — Natsu concordou o olhando em uma careta de deboche. — talvez seja o encanto que ela possui sobre os humanos, a questão e que nossa amizade é importante, e não quero perder isso.
—Tudo bem, você está certo!- Natsu deu um sorriso ladino voltando ao Natsu de sempre e olhou para os outros ao redor. — obrigado pessoal!- eles acenaram com a cabeça e ele se virou para o loiro. — obrigado novamente!- ele e Sting fizeram um comprimento com as mãos.
—Você já me ajudou mais vezes. — o loiro fez um pigarro e olhou para o amigo. — então, por que aqueles caras envolvido com magia negra estavam atrás de você? E mais importante, por que usaram Lucy de ameaça? Eles sabem dela?
—Não, espero que não. — o loiro o olhou com as sobrancelhas unidas. — foram eles que atacaram ela daquela vez. — Sting pareceu entender e piscou os olhos surpresos. — ele veio dar o troco. — Natsu revirou os olhos e o loiro o observou.
—E você está bem?- ele não referia apenas aos machucados, mas também a como ele havia chegado, até o ponto que ele havia ido de quase perder a consciência. Sting era o único além de sua tripulação que sabia que Natsu era anormal.
—Vou ficar!
***
As mãozinhas pequenas estavam fechadas em forma de concha enquanto dos lábios saiam orações e pedidos silenciosos. De joelhos na sacada do hotel, Wendy fazia sua oração diária e agradecia pela vida, e claro, pedia proteção, aos seus amigos que sempre faziam questão de se envolverem em brigas e qualquer outra coisa que violasse as leis. Principalmente o capitão, que mais parecia um ímã de problemas, sempre sendo testado para ver até que ponto ele suportaria se mantiver são.
—Obrigado por me deixar ficar com vocês!- Wendy se levantou após terminar e voltou ao quarto vendo Erza juntamente de Juvia. Ela sorriu para a outra azulada que sorriu de volta. — olá Wendy!
—Oi Juvia, está tudo bem?- Wendy questionou se sentando em sua cama enquanto as outras duas também se acomodavam nas outras camas.
—Sim, esqueci minha chave no quarto e Ever havia saído e ainda não voltou. — a pequena assentiu compreendendo e depois olhou para a ruiva que estava mais calada que o habitual, desde que eles chegaram ela estava assim e Wendy ainda não havia conseguido arrancar nem uma sílaba do que poderia ser o motivo, nem mesmo no festival Erza parecia tão animada como costumava ser.
—E você Erza?- a ruiva piscou os olhos voltando a prestar a atenção nas duas que a olhavam curiosa. Charles deitou na cama ao lado de Wendy que fez carinho em sua gata.
—O que tem eu?- ela perguntou dando um sorriso falso.
—Está tudo bem? Está estranha esses dias. — Juvia questionou demonstrando que não havia sido apenas Wendy que havia reparado. – aconteceu alguma coisa?
— Estou sim, não aconteceu nada. — ela dera um sorriso, mas o olhar que recebera das amigas fora um olhar de descrença, não haviam acreditado nas palavras da ruiva. — estou apenas pensativa.
—E por causa de Jellal?- Juvia perguntou direta fazendo Wendy a olhar de olhos arregalados. Erza ficou corada e abaixou a cabeça triste. Wendy mandava um sinal silencioso com o olhar para a azulada mais velha. — o que?- ela sussurrou para a pequena que revirou os olhos. — acho que sei como deve estar se sentindo. — as falas de Juvia atraíram a atenção de Erza.- me sinto confusa e... Exausta.
—Eu disse para Jellal se afastar de mim. — todos a olharam surpresas, até mesmo a gata branca. O que de fato era algo a se surpreender, Erza e Jellal eram como unha e carne. — eu me sinto confusa e ele tem uma namorada, então é melhor assim. Pois não achava justo comigo.
— E de fato não era!- Erza piscou os olhos meio abobada com Wendy. — ele não pode continuar te prometendo coisas se não pode estar cem por cento com você. Sei que são amigos, mas você gosta dele e vai sempre esperar que ele possa retribuir. — a ruiva abaixou a cabeça tímida e Juvia olhava chocada para a mais nova. — não é justo com você, você tem direito de querer uma pessoa que esteja inteiramente com você. Não está errada em querer isso. Em desejar o mínimo.
—Meus Deuses!- Juvia falou perplexa e Wendy a olhou sem graça. — como pode ser tão madura assim?
—É só... O que eu acho. — ela deu um sorriso tímido. — todas essas lendas de amor, me fazem perceber que sempre todos eram inteiramente entregue um ao outro, acho que é assim que deve ser. — as outras assentiram tristes por saber que a realidade era diferente para elas. — vocês duas não devem se sentir mal por gostar de alguém. Se for para ser vai ser.
—Oh não, eu não gosto mais do Gray, já desencanei. — todas olharam com caras de tédio para Juvia que engoliu em seco, ninguém ali acreditava naquilo.
—E quem falou em Gray?- Charles perguntou com um sorriso ladino, deixando a azulada completamente vermelha. – por favor, vocês são boas demais para ficarem se lamentando por garotos.
—Não estou me lamentando. — Erza se defendeu, mas nem ela mesma sentia firmeza em suas palavras. — não me importo como Jellal está o que importa é que eu estou bem. — ela endireitou a postura. — e eu não preciso de nenhum garoto para ser feliz. — elas concordaram e depois gargalharam. — e você Wendy?-. A azulada piscou os olhos surpresa, não esperava que o assunto viesse até ela. — e o Romeu em?!- ela revirou os olhos.
—Deve está em algum quarto desse hotel. — elas gargalharam novamente já dissipando o clima de antes, ele já não existia mais. E elas perceberam que se tivessem uns aos outros, enquanto ainda tivesse alguém para contar. Os restos eram apenas mínimos detalhes.
***
Natsu já havia chegado a seu quarto e se guiou até a uma cumbuca de água para jogar em seus machucados no peito e no abdômen. Nem ao menos demostrou alguma reação quando o líquido tocou a ferida e depois pegou um uísque que havia no quarto e jogou um pouco para desinfetar. Apenas comprimiu os lábios quando o álcool entrou em contato com a pele exposta. Olhou pelo espelho e notou a região das costelas rocha por estarem quebradas. Fez uma careta, toda via ignorou indo até a cumbuca novamente para dessa vez jogar um pouco da água no rosto, ele ainda podia sentir aquela sensação correndo por seu corpo e isso fazia sua mão tremer em resposta.
Colocou as mãos sobre o móvel enquanto abaixava a cabeça e respirava fundo fechando os olhos, se concentrou nas palavras de sua mãe para não permitir se deixar levar. Podia sentir as vozes em seu ouvido o convidando em sussurros para mergulhar no desconhecido e se deixar levar por aquilo que parecia tão convidativo e ao mesmo tempo perturbador. Apertou com força a beirada do móvel e sentiu a madeira ranger. Ele ouviu a porta abrir, mas não se virou.
—O que aconteceu?- a voz dela fez tudo se dissipar como uma fumaça, ele levantou a cabeça surpreso e respirou fundo se acalmando. — você... Está bem?- ela questionou ao notar como ele estava, e então ele se virou para ela a olhando e um sorriso mínimo surgiu em seu lábio. Ela não brincou quando disse que era a luz em meio às trevas.
—Sim! Está tudo bem?- ele questionou com uma sobrancelha em pé, imaginando o porquê de ela ter entrado de uma vez no quarto.
—Happy me contou que você chegou machucado e estranho. — ele bufou passando as mãos no cabelo.
—Gato fofoqueiro. — Lucy se aproximou devagar o fazendo se afastar um pouco até encostar-se ao móvel e fechou a blusa. Lucy piscou os olhos e parou no local surpresa e indecisa se devia se aproximar. Ele se sentiu mal ao notar o olhar cabisbaixo dela, ele apenas não queria preocupa-la. – não é nada, fora apenas uma briga. — ela revirou os olhos enquanto ele fechou os braços sobre o peito atraindo a atenção dela até ali, onde notou a mancha de sangue e por instinto se aproximou tentando abrir a blusa do rosado. — ei, está me assediando. — ele tentou fechar a blusa e ela o ignorou abrindo e notando tanto os machucados quanto as costelas roxas. Ela o olhou irritada. — sei que meu corpo é irresistível, mas vai se afastando. — ela ainda mantinha o mesmo olhar. — vai, vai. — ele colocou as mãos no ombro dela sentindo a pele meio fria em contraste com sua que parecia estar pelando. — você devia estar na água. — ele falou meio bravo, mas não conseguindo manter a postura por muito tempo sob o olhar dela.
—Você não está em condições de exigir nada. — ela o empurrou para encostar mais no móvel e retirou a blusa dele, enquanto ele permanecia quieto a observando. Lucy avaliou o machucado do peito. — foi uma com uma cimitarra. — ela não pergunta, mas ele assentiu. — onde afinal você brigou?- ela o olhou com as mãos na cintura.
—A Oracion Seis veio atrás de mim. — ela piscou os olhos surpresa. Ele foi sincero, não queria e nem conseguiria mentir para ela. — Sting apareceu e me ajudou, foram embora com o rabinho estre as pernas. — Lucy se afastou e passou a mão no cabelo, aquilo a deixava incomodada por que a fazia se lembrar daquilo. Das escamas. — Lucy...
—Senta na cama, por favor, vou te ajudar. — ele assentiu indo até o móvel e ela pegou algumas coisas e se aproximou e primeiro limpou o machucado o desinfetando. Natsu já havia feito aquilo, mal feito, do seu jeito, mas havia. Contudo, a deixou continuar com o serviço, gostava de observá-la enquanto fazia aquilo. A concentração que ela continha, mordendo o lábio enquanto fazia o que devia. — vai doer um pouco. — ela levou as mãos sob a cabeça dele e fechou os olhos recitando alguma coisa baixa enquanto uma luz branca surgia de sua mão, e de pouco Natsu sentiu sua costela sendo posta no lugar enquanto fazia uma careta de dor, depois a ferida tanto do peitoral quanto do abdômen sumiram, e até mesmo as pequenas escoriações da briga com Sting havia sido curadas. Ele a olhou surpreso quando ela a abriu os olhos e dera um pequeno sorriso. — dei um jeito de concentrar apenas a magia de cura invés de usar o poder de luz junto, agora não te machuca mais. — ela abriu um sorriso singelo, ela estava genuína e verdadeiramente feliz. Natsu sentiu seu peito aquecer com aquilo e sorriu de volta olhando para o rosto angelical.
Assim que Lucy foi se afastar, tropeçou no pé de Natsu e com isso ia cair desajeitadamente em uma brincadeira maléfica do destino, mas fora impedida de chegar ao chão por Natsu que a segurou pela cintura acabando por trazer ela mais próximo de si. O corpo dela chocou contra o seu e ela colocou as mãos em seu peitoral em apoio, seus corpos tão próximos um ao outro os fazendo sentir uma ligação extremamente forte os aproximando, era como imãs se juntando. O corpo dele chamava o dela e vise versa. Os olhos castanhos piscaram ao notar o rosto dele tão próximo de si, os narizes encostavam-se em um carinho imperceptível, mas não para a pele que se arrepiava inteira com o toque. Os olhos dele tão intenso sobre si olhando fundo em sua alma e ela na dele, Lucy olhou por todo o rosto dele como se quisesse memorizar cada traço que ele tinha, para guardar para si. E também da sensação quente que apenas seu corpo possuía a atraindo para o perigo que o fogo obtinha.
A respiração que saia de seus lábios batia contra os seus e ela mordeu o lábio nervosa, o fazendo levar os olhos para aquele ponto específico. Era um martírio está tão próximo dela e ainda assim tão distante, ele levou a mão até o rosto dela colocando o cabelo por detrás de sua orelha e depois depositou a mão no rosto e aproximou sua testa na dela e ela levou a mão no pescoço dele sentindo pele por pele. Fecharam os olhos com a sensação, respiraram fundo sentindo o cheiro um do outro. Natsu afastou o suficiente apenas para beijar a testa dela.
—Obrigado!- ele disse voltando à posição de anterior, e agora abriu os olhos olhando a pele agora corada de perto. E ali ele agradecia muito mais que apenas uma cura era muitas palavras ditas silenciosamente pelo simples toque. Era um desejo secreto. Era um decreto entre os dois. Era um pedido silencioso.
Fim!
“O amor é formado de uma só alma, habitando em dois corpos.”
—Aristóteles-
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