Le Chant des Sirènes
16 Capítulo XV
Notas iniciais
Capítulo XVII
Fraco, inútil, eram essas as palavras que Gray sentia que o melhor definia, Diante de seu estado deplorável e do que havia feito. O moreno não se orgulhava, na verdade imaginava que não conseguiria encarar seus amigos tão cedo... Principalmente ela, aquela que sempre esteve ao seu lado, Gray havia ferido a única coisa boa em sua vida e temia das consequências daqueles atos, seu coração doía por ferir um de seus amigos, por ter sido tão fraco ao ponto de permitir que a sombra o possuísse mesmo que tivesse sido por minutos, ele fora inútil, fora fraco, qualquer punição não parecia ser suficiente diante de seu pecado.
Guiou os olhos escuros até a azulada que dormia em um sono profundo, um sono que ela não havia acordado desde aquele momento. Gray também havia ficado um tempo inconsciente, mas acordara antes da garota, ele estava dolorido, mas estava bem, a azulada estava bem e não corria risco de vida segundo Wendy.
“Ela vai ficar bem, Lucy disse que ela está perfeitamente bem.” A mais nova o tentará acalmar, mas o grande buraco que sentia era profundo demais para simples palavras diminuírem ou acabasse com seu desgosto, ele esperaria até ver com os seus próprios olhos a azulada se levantar e ver por seus olhos que ela realmente estava bem.
Gray agradecia a Lucy, a sereia estava cada vez mais conquistando o seu coração, ele não sabia o que seria dele ou de Juvia se a sereia não os tivesse salvado a tempo, ele tinha uma divida eterna á sereia.
— Está parecendo que comeu um peixe podre!- o moreno se virou e viu o gato alado sobrevoando olhando com uma careta para o moreno. Gray tinha uma expressão inexpressiva no rosto, parecia mais abatido que o normal.
—O que está fazendo aqui? Não deveria estar com o idiota do capitão?- o gato sentou sobre as pernas de Juvia e deu um sorriso.
— Eu não quero atrapalhar o casal. — Gray uniu as sobrancelhas obviamente não estando no mesmo raciocínio que o gato, para o moreno, Happy deveria ficar junto para garantir que aqueles dois não se matassem. — mas aparentemente atrapalhei outro. — o exceed colocou as patinhas azuis na boca tapando sua risadinha, fazendo o outro revirar os olhos.
—Parece que foi você quem comeu peixe podre, que história é essa de casal? Esqueceu que a Lucy é uma sereia e mesmo se não fosse não acho que Natsu seria uma primeira opção. — o gato o olhou.
— E por acaso seria você?- Gray arregalou os olhos e começou a engasgar enquanto o gato o ignorou. – idaí que ela e uma sereia, eles fazem um casal bonito.
—Gato idiota, ser um casal bonito não é a única coisa necessária para se ter um relacionamento.- o gato revirou os olhos.
—Falou o cara que pegou quase Fiore inteira, mas não sabe lidar quando o assunto é Juv...- antes que o gato completasse a frase, o moreno já tampara a boca do bichano.
—Voltando ao assunto principal, Lucy e Natsu se odeiam. — em sua cabeça aquilo não fazia sentido.
—Gray, Gray, você e muito lerdo, demorou anos para perceber que Juvia gostava de você. — o moreno esbugalhou os olhos. — e eu sou muito experiente em relacionamentos. — o gato azul fez uma pose, e o outro revirou os olhos.
—Experiente? Será? Pois seu relacionamento com a Charles nunca foi para frente, e você disse que Mirajane namoraria o Freed.- o gato colocou a mão no peito como se estivesse ofendido.- e disse que Lisanna ficaria com Laxus.
—Não precisa tocar na ferida, a Charles apenas está se fazendo de difícil para vivermos mais intensamente. — Gray negou com a cabeça rindo soprado. — quanto a esses outros casais, eu não tenho culpa se a coisa se inverteu, e que Lisanna gostasse de Natsu.
—Todo mundo sempre soube que Laxus era doido com a Mira, e que Lissana gostava de Natsu, só que o esquentadinho é um babaca e apenas dorme com ela. — Happy balançou as mãozinhas.
—Lisanna não gosta mais dele, eles são só amigos agora, acho que ela percebeu que Natsu foge de relacionamentos.
—E por que diabos você está empurrando a Lucy para ele? Se bem que ele pode vir a falecer então eu realmente não me importo, apenas com a Lucy. — o jovem se sentou esparramado na cadeira com os braços cruzados sobre o peito e o gato balançou a cabeça.
—Que seja eu gosto de unir casais, por exemplo, a Erza fica legal com um cara como Bickslow. – Gray uniu as sobrancelhas e olhava meio incrédulo para o pequeno peludo, talvez apenas na pequena cabeça de Happy, esses casais fizessem sentido, apenas revirou os olhos sem dar muito importância ao felino.
—Gg..rra.. yy- o corpo do moreno se paralisou com um formigamento por todo seu corpo lhe trazendo de volta a realidade, olhou com os olhos esbugalhados para a azulada que abria os olhos lentamente, e ele se aproximou mais, tocando na cabeça dela.
—Juvia? Você está bem?- ele estava desesperado e nem ao menos conseguia se manter calmo como fazia na maioria das vezes. Os olhos azuis e pálidos se direcionaram ao garoto, e um brilho quase cegante se fez em meio aquele azul límpido dos olhos de Juvia.
—Gray!- ela deu um sorriso de morder as orelhas e tentou se levantar não tendo muito sucesso, então Gray a ajudou ficar encostada na cabeceira da cama. Juvia estava mais pálida que o normal, mas aparentemente estava bem. — o que aconte... — antes que ela terminasse a frase, seus olhos se arregalaram e ela olhou Gray, e depois para a própria barriga a tocando, para ter certeza que estava bem. — mas... Eu... Nós... Como?
—Acho que vou deixar vocês a sós!- Happy que até então estava quieto olhando tudo, saiu sobrevoando para fora, os deixando sozinhos.
—Juvia. — Gray soltou o ar pesadamente sobre os olhos atento da azulada. — você se lembra do que aconteceu?- ela assentiu olhando com preocupação para o outro, e antes que ela dissesse algo, o moreno fora mais rápido, já prevendo sua pergunta. — eu estou bem, Lucy conseguiu salvar a nós dois. — Juvia abriu um grande sorriso com os olhos marejados e olhava para suas mãos cutucando suas unhas bem feitas. — me desculpa Juvia!- o moreno sentia um grande aperto no coração, e quando a outra levantou o olhar com lágrimas teimosas que escorriam de seus olhos, ele perderá o ar por segundos, mas a jovem só o olhou sem entender muito.
—Não precisa pedir desculpas, não foi você!- ela sorriu e pegou a mão dele apertando com delicadeza.
—Não Juvia, eu fui fraco, e por conta da minha fraqueza, você se feriu. — ele tirou as mãos dela e colocou as suas sobre seus joelhos.
— Gray!- ele ficou com os olhos no chão, sem coragem de olha-la, então ela levou as mãos até o rosto o obrigando a olha-la. — ser fraco não faz de você uma pessoa horrível, faz de você humano, e isso é a única coisa que nós diferencia desses monstros, a nossa humanidade. — Gray olhava a face bonita e delicada da azulada. — por favor, não se culpe, não perca sua humanidade, não busque a perfeição, nós erramos Gray, nós morremos, nós cuidamos um do outro, e eu sempre irei cuidar de você!- Gray arregalou levemente os olhos e se afastou. Ele sempre fazia isso, se recuava sem saber como reagir, ele sabia que Juvia gostava dele, mas ele tinha medo desse sentimento e se refugia para si mesmo. — o que importa é que estamos bem, todos!- ela olhou animada para o moreno. — eu quero ver a Lucy!
—Eu também, mas até onde eu sei, ela estava cuidando de Natsu. — Juvia assentiu compreendendo e os dois permaneceram ali. Em certa tensão, olhando um para o outro é as vezes desviavam, em silêncio, mas várias coisas em suas mentes, por fim, sorriram um para o outro, felizes por estarem vivos, por ver o outro Bem.
***
Natsu havia encostado Lucy na banheira e deixado sua cabeça encostada na borda, à sereia dormia com o rosto singelo e angelical, suas feridas já haviam sido curadas e ele permaneceu ali, apenas a observando, vendo o peito dela subir e descer lentamente, mostrando que ela respirava devagar e calmamente. Sua atenção foi para a porta onde alguém batia, após sua permissão, Wendy entrou e sorriu para o rosado.
—Olá Capitão, como está?- ela abraçou Natsu, que retribui e sorriu. Wendy considerava o rosado como seu irmão mais velho, ele sempre cuidou e a protegeu, ela tinha uma grande consideração com ele.
—Eu estou bem Wendy. — a azulada se guiou até a loira na banheira e sentou sobre os joelhos, tocando a testa e as bochechas da loira, depois pegou um pano da cesta que trouxera e fizera uma compressa e colocava no rosto da sereia.
— Ela é tão boa, não é?- Natsu se aproximou com uma sobrancelha em pé. — eu nunca vi alguém como ela, mesmo machucada ela não descansou sem antes curar cada um desse navio, ela nem ao menos se preocupou consigo mesma. Mesmo quando ela não tinha obrigação, ela nós ajudou. — Natsu nada dizia, apenas refletia nas palavras da azulada com os olhos sobre a loira. Wendy pegou algumas flores e colocou na água com a sereia.
— Para que isso?
—Sereias têm ligações com a natureza, elas são responsáveis por manter o equilíbrio. A natureza lhe ajuda a se recuperar lhe dando energia. — o rosado assentiu, enquanto a azulada se levantava com um sorriso no rosto. — ela precisa de um tempo para recuperar as energias, deixe ela na água com as flores, logo ela vai acordar. — Wendy sairá dando um beijo na bochecha de Natsu que ficará olhando a loira, por alguma razão seus olhos não se desgrudava dela e sua mente apenas pensava nas palavras de Wendy, e ela estava certa, Lucy era diferente de tudo que já vira e principalmente do que ele imaginava que ela seria.
Virou-se dando as costas a loira e foi em busca de uma roupa, tinha que resolver uns assuntos sobre as armas que usariam e ficar naquele quarto o estava de certa forma o deixando sufocado. Vestiu sua roupa sem se importar se a loira poderia acordar e flagrar sua nudez, mas ele sabia que ela não acordaria agora. Saiu da cabine evitando olha-la, mesmo que seu corpo já o enganava e queria checar mais uma vez. Foi até Erza que gritava algo sobre arrumar as velas e limpar canhões, a ruiva o olhou de cima abaixo para ter certeza que ele estava bem.
—Erza, vou ao mercado negro com Makarov e Gildarts, você e Laxus fiquem de olho em tudo até eu voltar. — a ruiva confirmou rapidamente. — peça Mira para ficar de olho na Lucy, ela está em minha cabine. — mais uma confirmação de cabeça, e Natsu se guiou até Makarov e Gildarts que o seguiu para a terra firme, indo em direção ao mercado negro.
O mercado negro era onde se podia conseguir qualquer coisa que fosse do mundo sobrenatural, feiticeiros vendendo seus feitiços. Sua localização era no meio da floresta, protegido por magia, escondido do Conselho e do Reino de Fiore. Quando os três passaram pelo lacrima mágico, entraram em um local cheio, movimentado de vários tipos de espécies, de piratas, feiticeiros, bárbaros, cada um na busca pelo seu equipamento mágico, ou magia.
Natsu passou em meio a várias tendas com poções, espadas, escudos, um mico de duas cabeças que pulava agitado na jaula, mas as armas que ele queria estavam em outro local e ele sabia bem aonde ir, se guiou até uma tenda que ficava num canto mais afastado. Encostou-se ao balcão olhando a silhueta da mulher que mexia em algumas poções de costas para o rosado, e escondida sobre uma longa capa.
—Sentiu minha falta?- o sorriso sarcástico e a voz maliciosa, fez a mulher sorrir e se virar para o capitão. A mulher possuía cabelos negros e cacheados que iam até abaixo de seu quadril, a pele negra brilhava sobre a luz fraca do local, os olhos dourados eram feito uma águia, os lábios grossos, ela se aproximou do balcão e o rosado não deixou de olhar o corpo magro e esguio.
—É eu tenho certeza, que não está aqui por que sentiu minha falta. — Natsu sorriu e ela se aproximou tocando o queixo dele. Á essa hora Makarov e Gildarts já olhavam outras tendas. — levando em conta das armas que está querendo, eu já tenho uma ideia do que vai fazer. — a feiticeira não podia ler mentes, mas via memorias, ela entrava no mais profundo de seu subconsciente. Era impossível esconder algo dela. — armas mágicas para combater magia. — ela deu um sorriso de lado. — não acredito que pegou uma sereia celestial.
—Você sabe do que sou capaz. — além do sorriso malicioso a voz do rosado havia saído completamente carregada de segundas intenções.
—Você ao menos sabe a lenda da qual você está se aventurando?
—Eu já sei sobre essa Lenda!- Natsu revirou os olhos com sua impaciência evidente.
—Sabe sobre a lenda das sereias celestiais?- Natsu levantou uma sobrancelha, e a feiticeira sorriu de ladino. — levando em conta sua reação, você não sabe. — ela se aproximou e fez uma cúpula mágica, onde ficaram apenas os dois, para que ninguém pudesse ouvi-los, ou eles ouvirem alguém, apenas se ouvia um barulho de Cachoeira e pássaros cantando suas cantigas, sons que o rosado tinha certeza de não estarem ali. — Acnologia usou sete sereias para que pudesse esconder seu tesouro. — o rosado não conseguiu disfarçar seu olhar de espanto. Havia muitas lendas, algumas se escondiam por baixo das falsas mentiras contadas por marujos para cidadãos assustados em busca de algo solido para acreditarem, mas a lenda do tesouro dos dragões era tão perversa que fazia muitos nem ao menos pensar em procurar mais sobre ela, ouviam-se poucas coisas sobre ela, mas nenhuma parecia real ou tão chocante com o que a feiticeira havia acabado de falar.
— Não me venha com suas historias Morgana, eu não tenho tempo para isso. — O rosado tinha feição fechada no rosto, era obvio que ele estava impaciente, mas em seu olhar era visível uma centelha de curiosidade, e através dessa centelha que Morgana sorriu de lado, já ciente de que o rosado não negaria ouvir suas palavras.
— Eu ia te dizer a historia real, e sobre o perigo que enfrentam, mas já que não quer saber, vou lhe entregar o que deseja e poderá ir. — ela se virou andando lentamente ate o baú, contando mentalmente, enquanto o rosado socou o balcão.
—Espera! Do que está falando?- ela se virou sorrindo enquanto o olhava de cima a baixo, o pirata era mesmo um pedaço de mau caminho, ela passou a língua pelos lábios grossos, o rosado a olhou com as sobrancelhas levantadas e depois um sorriso presunçoso surgiu em sua face. — quer me devorar Morgana?- ela o ignorou e se apoiou no balcão, o rosado olhou descaradamente para os seios medianos, já que ela o estava secando, por que ele não poderia fazer o mesmo?
— Você sabe que os portões do zodíaco são como um equilíbrio entre o mundo espiritual e o nosso mundo certo?- Natsu assentiu. — os portões são como um caminho que os espíritos têm de passar para chegar ao paraíso ou as profundezas do tártaro. — Natsu fez um sinal com a mão para que ela acelerasse afinal todos já sabiam dessa historia, mas a feiticeira apenas levantou a mão em um pedido silencioso que ele a escutasse. — alguns não conseguem achar o caminho e ficam presos lá, mas dizem que e um lugar de luz, era um lugar onde as almas tinham a chance de se redimir. Onde pagavam seus pecados. Os espíritos estelares de cada portal tinham sua missão, impedir que almas fugissem de suas obrigações e orienta-los, mas o rei dos espíritos queria que eles pudessem sair do mundo espiritual para que conseguissem atuar no mundo terreno, mas ele precisava de uma chave para tal feito, sem que o equilíbrio fosse desfeito, então ele fez um acordo com a deusa dos mares.
—Anfitrite!-a voz de Natsu era como um sussurro em um sopro de vida.
—Exato, a Deusa lhe ofereceu algumas de suas sereias que tinham corações puros, para receber o poder da luz, o poder celestial. — a feiticeira tinha uma cara séria e olhava atenta para o pirata que parecia divagar como se pudesse ver as imagens surgindo em sua mente. — um acordo foi feito, e as sereias celestiais nasceram, era mais fortes, mais puras, mais bonitas, como um anjo com o poder do demônio. Elas tinham a missão de proteger os portais e os espíritos, abriam para que eles pudessem resolver assuntos espirituais no plano terreno, e usassem o poder dos espíritos para manter o equilíbrio. Mas foi então que o inesperado ocorreu. — Natsu a olhou fundo em seus olhos. — aparentemente nem mesmo as sereias tinham poder o suficiente para abrir os portais, então varias sereias eram responsáveis por vários portais. — Natsu arregalou os olhos, e antes que abrisse os lábios para falar algo, a feiticeira fora mais rápida. — o equilíbrio entre o mundo espiritual e o terreno, através das sereias, os dois poderiam viver na paz, afinal se a balança tende a pender para um lado, o desequilíbrio ocorre afetando os dois lados. — as sobrancelhas rosadas estavam unidas em questionamento, sua mente processava cada palavra com delicadeza, ele não queria perder nada. — Acnologia a criança criada por dragões, desejou mais que apenas a compaixão dos grandes imortais, decidiu roubar o poder dos dragões, mas ele sabia que era arriscado, mas não daria a ninguém só ele poderia ter, a sua cobiça e ganancia o fez ir aonde nenhum humano havia habitado o mundo espiritual. Ele sabia que lá seria o único lugar onde nem mesmo os dragões poderiam entrar então ele sequestrou sereias as obrigando a abrir um portal com as doze chaves do zodíaco, ninguém ate hoje sabe aonde esse portal dá, mas cego pelo ganancia Acnologia não se importou e forçou seres da luz a ir contra sua natureza, usando o poder da luz para o mal, ele usou três sereias para abrir o portal. — Natsu já não sabia mais como reagir ao que Morgana dizia. — é como dizem, não coloque um enorme poder em um receptáculo frágil, as sereias não conseguiam controlar o poder que era imenso, e quando a magia toma conta ela deteriora seu corpo, levando sua vida, as três sereias morreram e com isso. Acnologia não satisfeito sequestrou mais sereias para esconder as chaves nos portais, usava as sereias para abri-los, mas novamente elas não tinham poder o suficiente e morriam no terceiro portal que elas abriam. Acnologia manchou o mundo espiritual com sua ganancia e trevas que o acompanhavam, fez servas da luz se matarem para um proposito egoísta, ele manchou de trevas todos os portões de luz, e hoje o mundo espiritual está manchado de trevas e demônios, espíritos consumidos pelo ódio e rancor, a balança não esta mais equilibrada.
—Nosso mundo ainda esta normal, você não disse que o desequilíbrio afetaria os dois mundos?- o rosado questionou confuso, e por algum motivo que ele não sabia, ele sentia um frio na espinha e um claro sinal de que ele não estava gostando do rumo da historia.
—Será que esta mesmo Natsu?- ela deu um sorriso de lado e antes que ele fizesse mais perguntas, ela prosseguiu com á historia. — Para que ninguém obtivesse o tesouro, Acnologia matou sereias celestiais para que ninguém pudesse abrir mais os portais.
—Como? Acnologia era um humano, ele nunca poderia ir contra as sereias. — a feiticeira o olhou de lado com seu sorriso sem mostrar os dentes.
—A luta entre as trevas e a luz não e de hoje, o tesouro dos dragões tem haver com isso. Ninguém sabe ao certo, mas ele sabia o ponto fraco das sereias e fez disso sua arma, e ele não estava exatamente sozinho, mas de qualquer modo, ainda e um mistério como ele dizimou um dos seres mais forte. — ela o olhou com uma sobrancelha e pé. — muitos tiveram a mesma ideia que você em ir atrás do tesouro. Alguns usavam sereias normais que morriam antes mesmo de abrir o portal, ou usava as sereias celestiais que sobraram, mas ficavam eternamente presos na sombra. — Natsu apertou os olhos sem entender. — elas não tinham poder o suficiente para lutar com os espíritos, e acabavam morrendo e os humanos presos no portal, ate que se transformavam em almas perdidas. — o frio subiu pela espinha do capitão. — as chaves voltavam para onde foram posta como se nunca tivessem sido tocadas, na verdade nenhum deles passou do primeiro portal. — ela olhou para Natsu que estava inexpressivo, mas sua face parecia ter perdido a cor por um momento. — Natsu, a sereia que esta com você é a ultima, não sei o que esta pensando, mas esta colocando todos em risco, pois se a sereia não tiver o controle sobre o poder, vocês podem ficar eternamente presos.
***
Sua cabeça estava a mil enquanto voltava para seu navio, as armas que precisavam estavam sendo levadas, mas ele já nem sabia mais se as usariam afinal eles realmente estava correndo o enorme risco. Ele não sabia sobre a lenda e sinceramente não se importava com o que ela significava, ele não se importava com Acnologia ou o maldito equilíbrio, ele era é e sempre fora o egoísta Natsu Dragneel, nunca dera a mínima quando diziam que era uma missão suicida. Ele achava que fosse pelas trevas dos portais que todos tinham tanto medo, mas aparentemente havia mais coisas, e sua mente se negava a aceitar que ele teria que desistir de sua gloria, de jogar na cara de cada maldito que duvidara de si e sua tripulação.
Com os pensamentos em um vendável, Natsu pisava duro ate sua cabine, ele estava irritado e queria tirar certa historia a limpo com a sereia. Encontrou Mira saindo de sua cabine e ela deu um sorriso calmo e aconchegante a ele.
—Ah Natsu, Lucy já acordou, eu dei uma blusa sua para ela usar ate ir para o tanque. — ela desfez o sorriso ao notar a cara fechada do rosado.- Capitão?
—Obrigado Mira, agora se me dê licença. — ele entrou batendo a porta com força e teve uma visão que o deixou meio paralisado, como se por um segundo ele esquecesse qual seu destino e razão de estar tão nervoso, olhando a loira com os cabelos húmidos enquanto ajeitava a camisa branca dele no corpo. A blusa ia ate as coxas grossas e definidas, ela levantou o olhar para ele e sua face estava angelical como sempre, a boca rosada e os olhos castanhos o analisando, mas que diabos, por que ela tinha que ser tão linda? Ele fechou os olhos voltando ao ponto inicial e se aproximou a passos duros ate a loira, com seus punhos fechados e a cara ranzinza. — Então quer dizer que se você não suportar o poder você morre, e leva todos nós?- sua voz sairá tão fria que poderia fazer qualquer um arrepiar, mas a sereia não era qualquer um, seus olhos arregalaram levemente.
—Como...
—Não interessa! Você pode morrer é isso?- ela abaixou a cabeça pensando em como organizar as palavras certas. — e nós ficamos presos.
—Não!- sua voz sairá mais alto do que pretendia, mas ela ignorou olhando fundo nos olhos do maior.- eu nunca deixaria isso acontecer, eu tiraria vocês de lá, mesmo que fosse a ultima coisa que eu faça.- ele a olhou com os olhos apertados.
— Então e verdade? Você pode não suportar o poder?- por algum motivo aquilo o incomodava, e com o suspiro da loira, a sensação não melhorara.
— Eu consigo Natsu, eu sei que consigo!- ele via em seus olhos a determinação e certeza que ela dizia as palavras.
—Você esta se sacrificando!- ela pareceu não importar muito, mesmo que em seus olhos ele visse o contrario. — eu não entendia, mas agora eu entendo. — ela o olhou confusa. — o porquê de você estar ajudando a gente, você poderia ter acabado com a gente e fugido, mas não, você permaneceu, e só depois de ver o que fez com Aries eu tive certeza. — os olhos da sereia o avaliavam atentamente, tentando não demonstrar nenhuma emoção. — você esta tentando salvar os espíritos e todos aquelas almas perdidas. — ela arregalou os olhos e os lábios. — você sempre salva todos, por que está sempre salvando todos?- sua voz controlada para não gritar.
— Eu sou responsável por manter o equilíbrio, não posso permitir que eles continuassem a sofrer essa agonia, eu não poderia viver sabendo que eu posso salva-los e não fizesse nada. — ela soltou fortemente o ar dos pulmões e desviou rapidamente os olhos do olhar verde musgo inquisidor. — eu criei certa afeição pela tripulação, eu jamais permitiria que um deles se ferisse.
—E você não percebe que isso pode te matar?- ele perguntou irônico. — POR QUE, QUER SEMPRE FAZER TUDO SOZINHA? POR QUE NUNCA OLHA PARA SI MESMA?- já não se contendo o rosado gritou, assustando a sereia que o olhava espantada. Aquele jeito, a pureza, aquilo o irritava tanto, para um garoto que crescera conhecendo apenas a dor e a tristeza, ver algo bom e puro o deixava sem reação.
—Eu consigo Natsu, Ninguém vai morrer!- ela o olhava com convicção.- você sabia dos perigos quando embarcou nessa estrada.- ele olhou trincando os dentes.- eu não permitirei ninguém se ferir.
—Faça o que quiser!- ele saiu batendo a porta com força, ele não sabia lidar com ela, com a pureza, com a bondade, era tão estranho para ele, seu coração amargurado não estava acostumado aquilo.
—Natsu?- Makarov o olhava com uma sobrancelha branca em pé.
—Eu definitivamente não sei lidar com ela!- Ele fechou os olhos por alguns segundos. — EU NÃO SEI LIDAR COM ISSO. — Makarov o olhava intrigado, ele notara delicadamente que a sereia estava tocando Natsu de alguma forma.
***
Três dias, foram exatos três dias de espera para que todos estivessem totalmente recuperados e Lucy pudesse recuperar suas forças no tanque. O clima estranho entre ela e o rosado ainda estava ali bem palpável, eles não se falaram nos últimos dias, nem quando o assunto era sobre o portal. Natsu evitava a todo instante olhar a sereia em seu tanque, mas seus olhos eram traiçoeiros e sempre acabavam nela como um imã, e sua mente o enganava com as palavras da sereia "Você não é um monstro", ele não sabia como e o porquê aquelas palavras causou grande impacto nele, ele queria não se importar, ele queria voltar ao Natsu do inicio, que não tinha e nem queria dar nada de bom a uma sereia, ele ainda, mantinha seu ódio pelas sereias, mas a loira de certo modo era diferente, ela o intrigava e não gostava nem um pouco da sensação de paz que ela o proporcionava e isso de certo modo o fazia ficar irritado e consequentemente grosso.
Com a sereia não era diferente, Natsu ainda era um enigma para ela, humanos era fáceis de ler e suas áureas sempre diziam algo sobre si, mas não o temeroso capitão, ele a deixava intrigada, era nítido que ele tivera um passado marcado de dor e sofrimento, e aquilo ali era apenas uma casca que ele usava como proteção, mesmo que ele negasse, ela ainda via sobre essa casca, pouco mais via, por mais que ele gritasse e demostrasse ódio, ela via algo de bom nos olhos dele. Ficara tentada a ir falar com ele nos últimos dias, mas ele a ignorava completamente e por mais que ele a evitasse ela ainda procurava por respostas do passado do rosado, ela sentia que todos mereciam ter seu momento de paz e felicidade, e após ver as lembranças dele, ela sabia que tinha mais coisas por trás.
***
O mar estava calmo e o navio da Fairy Tail silencioso, todos apenas olhavam para a loira na proa do navio, seus olhos variava de curiosidade a admiração, atentos a qualquer movimento da sereia. Lucy espirou o ar fortemente e fechou os olhos segurando firmemente a chave de Taurus, abaixo da constelação do espirito a sereia recitou as frases da portadora dos portais.
— Eu tenho o poder da luz e das estrelas, e agora eu as invoco! Portão do Touro abra-te. Taurus!- um silêncio incomodo surgiu até as aguas do mar começarem a ficar fortes fazendo os marujos se firmarem em algo, a chave de Taurus tinha um brilho quase cegante, e como se algo tivesse se partindo, um barulho alto e estridente surgiu fazendo todos taparem os ouvidos depois o portal dourado surgiu do mar e lentamente fora se abrindo, os marujos podiam sentir uma energia maligna emergi daquele lugar e a visão que eles tinham não era bela e não os incitava a entrar.
—VAMOS LÁ MARUJOS, EU QUERO TODOS VOCÊS VIVOS!- o rosado falou olhando diretamente a loira, e ela não sabia se levava aquilo como um ultimato. Como resposta, todos gritaram animados e devotos a aquilo que acreditavam cegamente, de que eles podiam tudo, e quando o navio passou para o portal que se fechou logo atrás, nenhum deles demonstrou se abalar nem quando almas os olhavam e os incitava a se aproximar, nem quando a escuridão do local era tanta e com apenas uma lua escura que iluminava fracamente. O portal tinha a energia de sempre, extremamente pesada e no meio das florestas eles viam olhos brancos e vermelhos os olhando causando um calafrio.
—Podemos fazer duas equipes, uma para ir até Taurus e a outra para ficar no navio. — muitos se entreolharam, nenhum queria ser da primeira equipe, Aries fora o suficiente para todos quererem evitar um espirito nervoso.
Acabou que o primeiro grupo fora constituído por poucas pessoas, Erza, Gray, Laxus, Mira, Jellal,Gajjel, Lily e Juvia e obviamente Natsu e Lucy. O restante ficaria no navio sob o comando de Makrov e Gildarts, eles só esperavam que o espirito não aparecesse quando Lucy não estivesse lá, todos sabiam que só ela poderia lutar com Taurus, mesmo que tivessem com suas espadas magicas.
—Natsu!- o rosado se virou para o pequeno bichano azul, que o olhava preocupado. — eu quero ir...
—Não Happy!- o capitão o cortara antes de terminar sua fala. — fique aqui e proteja todos, eu preciso de você aqui!- ele deu um sorriso animador para o bichano e acariciou os pelos azuis da cabeça de Happy.
—Então nos vemos mais tarde meu amigo!- Natsu assentiu se virando e indo atrás dos outros, mas não sem antes levantar o dedo indicador em sua mensagem silenciosa, e todos o retribuíram.
A equipe seguira para o único caminho que tinha no meio daquela imensa floresta negra, eles podiam ouvir e sentir vozes pedia socorro outras chamavam para que entrassem na escuridão do local, e quando eles olhavam para a floresta podiam ver pessoas no meio delas, sujas de sangue e sujeira com olhar quase morto, elas os olhavam como se fosse uma luz em meio à escuridão. Fazia com que os pelos de cada um se arrepiar, eles sentiam medo atravessarem ate mesmo seus ossos, seus corpos tremiam, e seu olhar não desfocava da floresta.
—Não olhem para a floresta, tem muitas almas nelas. — Lucy virou o rosto para olha-los- eles fariam de tudo para ter seus corpos e fazerem passar por uma terrível agonia. — Gray engoliu em seco, ele mais como ninguém sabia o que era aquilo. — mesmo que tenham medo, evitem demonstrar, demônios e espíritos só tomam seu corpo se você tiver em um desequilíbrio emocional, eles utilizam da sua fraqueza e piores medos e traumas, para conseguirem o que querem, não deixe que eles vejam através de vocês, foquem em algo que lhe de forças e se mantenham firme. — Lucy olhava para frente, para o caminho escuro, os outros a seguiam quietos, ninguém duvida da sereia.
—O que exatamente devemos esperar desse Taurus?- Gajjel perguntou segurando firme seus machados de um metal encantando.
— Ele e o espirito da força, e o espírito mais forte em questão de força física, mas não é muito racional, agora ninguém sabe como ele está.
—Mais forte? Tem alguma hierarquia ou algo do tipo?- Laxus perguntou tirando a duvida que todos estavam.
—Não exatamente, os espíritos estelares são nivelados em questão de poder, mas alguns se sobressaem sobre os outros. — todos se entreolharam. — o espirito líder e o espirito do leão Léo, ele e o mais forte em questão de poder, pois ele tem o poder regulus o poder da luz, logo depois vem Aquárius à controladora dos mares, Capricórnio o espirito da habilidade, depois vem Taurus e Virgo. Cada um tem algo que eles se sobressaem mais que os outros, mas o poder deles está no mesmo nível digamos, mas de todos esses tem um pequeno detalhe a mais.- o olhar de todos deixava nítido que tinham um pouco de medo do que poderia vir a acontecer, mas no fundo eles acreditavam que podia conseguir e isso já era o suficiente. Natsu por outro lado não demonstrava nada, apenas observava à loira e seus pensamentos variavam da lenda até o momento real em questão. Eles pararam em frente a uma porta de um grande muro de pedra. — o labirinto do Touro!- Lucy falou olhando o símbolo em cima da porta, exatamente igual sua chave.
—O que? Esta me dizendo que isso daí, leva a um labirinto?- Gajeel falou não conseguindo segurar sua surpresa, ele olhava de olhos arregalados a loira que estava de costas a ele.
—Sim, no portal de Taurus existe um labirinto que leva ate ele. — ela se virou para os presentes. — a grande possibilidade de nos perdemos lá dentro e separarmos. — eles engoliram em seco. — podemos acabar nós perdermos em meio a uma ilusão, aconteça o que acontecer não deem ouvidos as vozes, como eu disse eles usaram de seus medos e se separarem podem ficar frágeis.- ela olhou para cada um ali e pousou demoradamente no rosado.- eu protegerei vocês, e quanto a Taurus eu irei atrai-lo para mim.- antes que alguém pudesse retrucar ou falar algo a sereia já entrava na escuridão do labirinto e os outros a seguiram para não ficarem perdidos. O lugar era pior que lá fora eles quase podiam sentir as vozes bem em seus pescoços, causando uma sensação de pavor e arrepiando a todos, tentavam a todo custo manterem os olhos focados na frente para que não perdessem de vista.
Erza estava tentando se concentrar, mas ela podia ver os olhos no meio daquela fumaça escura a observando de cima, segurava firme sua espada e tentava não tremer, aquele lugar estava causando coisas que ela já não sentia faz tempo, olhou para frente se concentrando no cabelo azul de Jellal e tentou focar em como aquilo estranhamente a acalmava, os cabelos desalinhados e arrepiados de um jeito que ficava charmoso no garoto, e foi nisso que ela tentou focar, mas como uma fumaça, Jellal e os outros desapareceram dando lugar a uma parede de pedras. Seu coração deu um solavanco sentia seus dedos tremerem com as vozinhas que a chamavam junto do calafrio que sentia na espinha. Seus olhos vagaram cada canto do labirinto em busca de seus amigos e não via nada além da escuridão e os malditos olhos não humanos a avaliando
—Não, não!- Erza fechou os olhos com força em busca de uma paz mental que a tirasse daquele inferno, por que ela estava assustada?
—Erza!- a ruiva paralisou, abriu os olhos devagar em busca da voz que parecia familiar, o calafrio que a fez sentir não fora um bom sinal. — Erza!- ela se virou lentamente sentindo uma presença em suas costas. Arregalou os olhos com a figura a sua frente, era ela mesma quando criança, o cabelo caia sob os olhos de modo que formava uma cortina vermelha impedindo de ver os olhos infantis, a cabeça abaixada como ela costumava ficar, a roupa simples e rasgada, os pés sujos e descalços e cheio das pequenas feridas que os cascalhos faziam. Seu coração batia acelerado, a criança tombou a cabeça de lado e levantou os olhos totalmente negros em sem vida para a versão mais velha, depois ela correu e a ruiva por impulso fora atrás, ela ouvia risadinhas infantis juntamente de uma criança correndo por entre as paredes do labirinto.
—Erza, cadê você?- a ruiva paralisou ao ouvir aquela voz de modo cantado, seu coração começou a bater em uma frequência forte, seu corpo tremia enquanto ela escutava aquela voz que já a atormentava há muito tempo. — eu vou te encontrar!- e então ela fugiu se escondeu entre uma parede agachada, ela ouvia a voz dele a chamando via sua sombra passando a procurando, tampou os olhos e encolheu as pernas em uma pequena tentativa de se esconder, ela tentava normalizar sua respiração e suas lagrimas que insistiam em descer, e ela nem lembrava de quando elas começaram a descer. Era como se ele pudesse sentir o cheiro de medo e isso a apavorava mais. — Achei você!- e então ele surgiu em sua frente com os olhos vazios como a morte, e um grito surgiu da garota, como em um último pedido de socorro.
Fim!
"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar."
—William Shakespeare-
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