Le Chant des Sirènes
48 Capítulo XLVII
Notas iniciais
Capítulo XLVII
Antes do mundo, existia apenas o Caos e somente ele que perdurava pelo espaço como uma massa esmagadora que consumia tudo. Até que Gaia foi criada e dela sucedesse o início de uma nova história, a história do mundo, com guerras de titãs, e logo após, entre os mesmo e os deuses.
Mesmo que muitos anos houvessem passado e consequentemente todos estivessem se esquecido sobre o início dos tempos, e novas religiões com novos Deuses surgissem. O passado era algo na qual não poderia se interceder e mudar, o Caos existiu e ainda existe. E olhando o portal de Léo, era como se olhasse o próprio caos em sua massa de escuridão.
O portal do espírito demonstrava apenas à escuridão e tudo aquilo que a compunha, sentimentos como tristeza e solidão ou os monstros que se escondiam entre as sombras aguardando o momento exato para lhe assustarem.
Léo era a representação do sol, da luz, do calor reconfortante que uma juba de leão poderia transmitir e sendo assim, seu portal representava seu poder e sua alma. Consumido e cego pelas trevas o portal havia se tornado aquilo que seu dono era no atual momento, preso a escuridão que parecia nunca ter fim. Um sentimento de tristeza enchia o peito da sereia em saber que o espírito estava se sentindo assim por anos, sozinho em meio à luz negra e gélida.
Eles haviam parado o navio em uma praia de areia negra que parecia levar a um coliseu e era somente aquilo que conseguiam ver, mediante a falta de iluminação do lugar, era quase impossível dar um passo sem tropeçar em alguma coisa ou cair na pegajosa areia. De fato estavam em desvantagem por essa questão, as tochas que ascenderam ainda lhe eram escassas.
Sombras negras começaram a surgir por todo o local e parecia lhes consumir, ela se preencheu e não permitiu que algo pudesse ser visto além dela mesma. A loira esticou os dedos tocando a névoa fria, parecia uma nuvem negra com raios violetas ao redor de si, dando pequenas voltagens apenas para iluminar o local e mostrar a quão gigantesca era. Assim que ela foi se dispersando e sumindo do local, os marujos olharam ao redor estranhando o acontecimento estranho e repentino. Fizeram questão de conferir cada parte de seus corpos ou a de seus amigos para ter a certeza de que nada havia acontecido, tudo parecia estar perfeitamente igual, até notarem estarem em um lugar diferente do que estavam antes. Mesmo que a visão fosse escassa, ainda era possível notar que aquela floresta era feito um pântano onde seus pés pisavam em uma água gosmenta e escura, não era de fato a mesma que estavam a poucos segundos atrás.
—O que diabos aconteceu?- Gajeel soltou exasperado, seus dedos longos e com calos seguiram até a mão delicada e pequena da garota de cabelos azuis, que ao sentir o toque quente em contato com sua pele o olhou em busca de alguma coisa que indicasse o motivo de suas ações, contudo, não encontrará nada além de sua atenção predisposta ao perigo que poderia a espreitar por ali. Abaixou os olhos apenas para olhar as mãos unidas em contraste ou em como aquele simples contato, lhe causava tamanhas sensações, e através disso, ela tinha a certeza que não teria medo, desde que ele estivesse ali com ela, mesmo que não admitisse isso em voz alta.
Os olhos castanhos extremamente compenetrados avaliavam cada milímetro daquele local, sentia os pelos de sua nuca arrepiar em um claro aviso de que algo estava errado. Uma sensação esquisita e tão pouco conhecida insistia em percorrer cada centímetro de sua pele, que vinha de seu estômago até os dedos do pé, lhe causando uma impressão de vazio. Engoliu em seco em uma tentativa de se dispersar daquilo e se concentrar no momento, era necessário que ela ficasse em alerta para proteger seus amigos. Mas por que no fundo, ela sentia uma sensação de que dessa vez não conseguiria? Apenas aquele pensamento a quase fez morrer de desespero, não poderia se dar ao luxo de pensar aquilo ou ao menos não tentar, deveria conseguir independente de qualquer coisa.
Assim que notou que faltava alguma coisa ali, especificamente alguém, seu coração deu um salto em desespero, algo que ela nunca pensou em sentir. Virou a cabeça diversas vezes com os olhos focados no lugar escuro em busca dele, de sua cabeleireira distinta.
—NATSU!- gritou atraindo a atenção dos outros que parecerem então, notar a falta do garoto. Lucy saiu correndo olhando em cada canto em busca do mesmo, seu coração parecia bater apertado cada vez mais e sua respiração parecia pesada.
—Espere Lucy!- Erza tentou ir atrás da amiga, contudo, novamente a névoa estava ali lhes impedindo de ver mais a frente, e tão rápido quanto surgiu, ela se foi e com ela o pântano que estavam antes. Estavam em uma floresta escura de árvores grandes, com extensas raízes, de extremidades que saiam pelo solo. -Lucy?- olhou ao redor em busca da loira, porém, assim como o capitão, a sereia não se encontrava ali. – o que está acontecendo?
—É a magia de Léo. – Levy olhou ao redor enquanto a ruiva tinha a atenção atraída à amiga. – a sua luz, tem poder de criar ilusões sejam elas através das mentes das pessoas ou no cenário todo. No caso, as névoas estão tomando forma no ambiente e nem ao menos vamos notar.
—E como resolvemos isso?- Jellal questionou com as mãos firmes em sua espada a espera de qualquer ataque repentino.
—Não resolvemos, não tem como lutar contra algo que você não pode tocar. – ditou sincera, contudo, a constatação lhe dava um gosto amargo na boca. – dizem que o portal de Léo poderia ser considerado o próprio céu ou inferno dependendo de quem estava nele, ele consegue entrar em seu subconsciente e ver coisas que você nunca contou a alguém, ou fazer você sentir coisas inimagináveis. – os amigos ao redor tinham os olhos arregalados com as descobertas que não eram nem um pouco agradáveis.
Um rugido alto que ousou tremer a copa das árvores, atraiu a atenção de todos com os olhos atentos ao o que poderia ser aquilo. Séria o espírito? O próprio Leo decidiu lhes conceder a morte pelo dono do portal. Mesmo que o coração de todos batessem em um ritmo acelerado no qual era música para aqueles que estavam à espreita, eles não deixavam a mostra o quão incomodado estavam com a situação, não era do feitio da Fairy Tail demonstrar as fraquezas.
Os passos silenciosos e extremamente calculados do monstro, não podiam ser ouvidos aos ouvidos humanos. Os seres escusados, nem ao menos poderiam imaginar o que lhes aguardava o maior pecado que poderiam ter cometido fora ter entrado no reino de Leo sem a devida permissão do mesmo, e, portanto, sofreriam as devidas consequências de seus atos imprudentes e ineptos.
A juba escura do animal surgiu em meia à floresta assim como seu pelo dourado e olhos vermelhos grandes, os olhavam como um caçador avalia sua presa. O animal era extremamente alto e as pequenas pessoas abaixo de si, lhe pareciam míseras formigas inúteis e esmagáveis.
—Ataquem!- Makarov gritou em plenos pulmões, pressentia o pior com a aproximação do animal. Flechas e lanças começaram a serem disparadas em direção ao grande leão juntamente de um grito de guerra, um grito de força e esperança. Entretanto, as espadas não chegavam a perfurar a pele que parecia estar revestida de alguma proteção, pois nenhuma lâmina o perfurava. Os ataques pareciam terem instigado o animal que iniciou sua corrida em direção aos pequenos seres desprezíveis, seu corpo grande batia nas árvores que sacudiam e caiam no chão devido ao impacto.
A pequena azulada estava paralisada com os olhos arregalados avaliando a criatura, sua mão tremia ao pensar que sua constatação estava certa. Ela sentiu medo, medo por seus amigos e por aquilo que estava os esperando.
—Não... É... O... Leo. – o moreno de piercing se virou para a garota notando o choque em seu rosto, e aquilo foi o suficiente para lhe deixar em alerta. – é o leão de nemeia. – falou baixo, contudo, ele a ouviu, e no exato momento que se virou o Leão já havia se aproximado o suficiente do grupo e com apenas uma pata, mandou vários marujos longe em direção ao tronco duro das árvores onde os galhos os prenderam feito cobras peçonhentas e os quebrarem ao meio, em um inesquecível terror.
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Ela não sabia ao certo como havia ido parar ali, contudo, não possuía tempo e disposição para pensar a respeito, então apenas tentava se soltar das algemas pesadas de ferro que prendia seus membros. Seus braços estavam para cima presos, igualmente nos pés aonde a impossibilitava de mexer. Sentia como se sua vitalidade e poder estivesse sendo drenada pelas correntes grossas e por isso não conseguia utilizar de seu poder para solta-las, se sentia como na vez que havia sido capturada por Zero.
A neblina escura ao redor a impedia de obter uma visão clara do ambiente no qual se encontrava, tudo o que sabia era que era um recinto extremamente quente que fazia com que o suor escorresse por sua testa e os cabelos loiros grudassem em sua testa. Como se estivesse em um palco e a cortina fossem retirados, a névoa negra se afastou o suficiente para então notar que se encontrava no centro do coliseu, contudo, o que estava a sua frente que a fez gelar por inteira.
—Natsu!- tentou o chamar na esperança de que o garoto estivesse bem, porém, não houve nenhuma resposta. Ele se encontrava do mesmo modo que ela, preso em correntes e aparentemente desmaiado e o sangue que escorria pelo metal a fazia constatar que aquilo o estava ferindo. A loira sentiu o coração apertar com cena, e engoliu em seco. – Natsu, por favor, me escute!- falou em mais uma tentativa esperançosa, apenas pedia aos Deuses que ele não estivesse morto.
—Ele não pode te ouvir!- virou o rosto para a direita aonde uma silhueta se aproximava devagar e de maneira majestosa, usava uma armadura completamente dourada com adornos negros, o longo cabelo ruivo tinha a aparecia de uma juba de leão assim como as orelhas e garras, os olhos eram vermelhos e assim como o restante exalavam uma áurea extremamente carregada. – nesse momento, ele está passando pelo o mais profundo do seu subconsciente.
—O que fez com ele?- falou entredentes lhe lançando todo o ódio que sentia percorrer em suas veias, porém, o espírito se limitou a rir, como se achasse engraçado a situação da sereia.
—Você sabia que um ser só pode alcança a glória depois de passar pelo próprio inferno?- ele levantou os lábios em um sorriso. – o céu não era uma entrada que os humanos faziam após a morte, depois que morriam eles tinha de se contentar com os rios do tártaro e uma não garantida vida pós-morte. – ele se aproximou lento e olhava tudo com extremo tédio, como se nada valesse seu valioso tempo. – e apenas aquelas que foram boas almas, poderiam passar para a próxima vida, contudo, os Deuses decidiram serem mais benevolentes e concederam um lugar ao céu aqueles que se igualava a bons samaritanos, uma vida de paz após sua passagem na terra e uma chance de escolha se queria voltar para baixo, ou servir os Deuses do céu. – a loira permaneceu quieta o olhando de olhos apertados. – sendo assim os portões do zodíaco foram criados com esse intuito, de prepararem as almas, e cada portal possui seu dever, pois eles acreditavam que apenas as almas que passassem por eles, poderiam seguir para o céu. – ele se aproximou do corpo do rosado e aquilo a deixou em alerta. – e para seguir ao céu, as almas têm de ficarem longe de qualquer sentimento ruim ou coisas consideradas superficiais no paraíso, e para isso, no meu portão, elas são testadas em seu subconsciente. – a névoa negra em sua mão se transformou em uma lâmina, no qual ele usou para fincar no abdômen do garoto.
—NÃO!- ela berrou ao ver o rosado gemer de olhos fechados. – deixe o ir!- o espírito a olhou curioso, uma sobrancelha ruiva estava erguida em questionamento.
—Mesmo que isso ocorra diante dos meus olhos, eu não consigo acreditar. – sorrio de modo diabólico. – consigo ver, você se importa com esse humano, mais do que com você mesma. – ficou quieta. – ridículo!- deu uma risada. – sabia que ele pode até mesmo lhe matar? Esse garoto vai ser sua destruição. – piscou os olhos castanhos sem compreender as palavras do outro.
—O que está dizendo?- questionou firme assim como seu olhar para com o ruivo. Deveria ser firme pelos outros, por ele.
—O que lhe faz pensar que eu lhe diria?- sorriu sínico e deitou a cabeça para o lado. – não se preocupe Lucy Heartfilia, eu farei questão de lhe mostrar. – ela sentiu a pele arrepiar em um aviso de que algo ruim aconteceria. – vou mostrar que estar apaixonada por esse garoto é sua ruina. — dito isso, dois leões negros feito da névoa escura e olhos vermelhos surgiram do chão como trevas a espreita, e ao se virarem para o garoto ao lado do mestre, o atacaram feito um animal indefeso e incapaz de fugir das garras das feras que perfuravam sua pele a arrancando feito uma casca inutilizada, as presas grandes fincaram na carne fazendo o rosado berrar com os olhos fechados na agonia mental e real.
—PARE, POR FAVOR!- a loira berrou entre pulmões, incapaz de continuar a ver a tortura que se ocorria em sua frente, seus olhos se enchiam de água que desciam pesadas por seu rosto, enquanto debatia o corpo de modo desesperador para se desprender das correntes que agora feriam a pele a deixando na carne viva devido ao contato rígido. Leo apenas observava intrigado o desespero da garota, as lágrimas, todo o conjunto que a fazia parecer uma fraca diante de sua espécie.
—Curioso você chorar por um humano, logo a raça que é inimiga da sua. – sorriu ladino satisfeito com o desespero dela se deparando com as sombras entrando pelas feridas do garoto que deitou a cabeça para trás. – sereias não choram, não imaginei que seria tão fraca Lucy, esperava mais, confesso.
—Vai à merda seu desgraçado!- o olhou com todo o ódio que conseguia transparecer. – pouco me importa o que pensa de mim. – estava cansada de fingir o que não era, estava cansada de não permitir ninguém se aproximar por medo de perder alguém como perdeu sua mãe, como foi inútil e não a conseguiu salvar, havia prometido a si mesma que nunca mais permitiria que isso acontecesse nunca mais alguém que se machucaria.
O leão apenas sorriu ladino, como se estivesse gostado da resposta, aquilo pareceu o instigar a testar à loira, a levá-la ao desgaste emocional a ponto de se arrepender pela escolha estúpida de se unir ao humano. Com isso em mente, apenas levou as mãos até os cabelos róseos o segurando com firmeza e então com sua mão esquerda fincou as garras afiadas no peito do garoto, perfurando a pele até chegar ao coração e olhar maligno para a loira que se viu em desespero. Depois de apertar o orgão pulsante e passar sua névoa escura pela ferida, ele retirou a mão ensanguentada da pele e sorriu satisfeito a olhando antes de sumir feito fumaça juntamente daquilo que os prendia. Natsu caiu desacordado no chão e a loira saiu correndo quando se foi liberta, não compreendia o que o espírito estava planejando, porém, não poderia pensar nisso agora. Sua preocupação era o garoto extremamente ferido ao chão.
—Natsu!- sua voz havia saído baixa e trêmula, deixando bem visível como estava frágil diante da situação. Levou as mãos trêmulas até o corpo e ao toca-lo sentiu que o corpo que emanava sempre um calor acima do normal, estava frio. – por favor!- virou o corpo delicadamente o deixando de barriga para cima e com o rosto exposto. Os fios róseos caiam por sobre os olhos escondendo o rosto pálido e sem vida, as feridas pelo corpo a fez se sentir caindo em um abismo sem fim. – não!- olhou as mãos com sangue e com os olhos em lagrimas, levou os dedos até o rosto dele. – por favor, isso não pode estar acontecendo. – chorou desesperada com o corpo completamente trêmulo, e ali ela percebeu, ela não era forte, era extremamente fraca, não havia conseguido salva-lo e por consequência ele estava daquele modo e agora não estava conseguindo tomar outra iniciativa, pensar racionalmente como a antiga Lucy faria. Contudo, ela apenas deitou a cabeça no peitoral dele e chorou colocando para fora tudo o que pedia desesperadamente para sair, e ela permitiu. Não sabia por quanto tempo ficou daquele modo, apenas se absteve a tudo e voltou à realidade quando um barulho chamou sua atenção, a pele estava sendo regenerada, de modo lento, porém, inumanamente impossível, Natsu estava se curando, ao menos da ferida do peito e por um segundo um sorriso de felicidade e empolgação surgiu em seus lábios ao ouvir lentamente o bater de seu coração. – Natsu!- não escondeu a felicidade quando o garoto sentou, mesmo com as feridas dos leões exposta, ele não demonstrava alguma dor. Não conseguia disfarçar o quão feliz ela estava diante daquilo, era como se algo a puxasse de volta do precipício.
O capitão por outra vez se manteve de cabeça baixa, e quando ele levantou o rosto, ela viu que no lugar dos orbes verdes musgo, estava um preto que parecia sugar cada sentimento bom de sua alma. O olho complemente preto se virou para ela que não conseguiu demonstrar outra reação além de choque. E com agilidade e rapidez inumana, ele levou sua mão ao pescoço dela a jogando com força no chão que rachou com o impacto. Natsu estava bem, contudo, não era mais ele que estava ali.
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No mito antigo, diziam que o grande leão que aterrorizava Nemeia por algum tempo, era filho do terrível monstro Tifon no qual já havia entrado em batalha contra o Deus do trovão, e da igualmente temerosa, Equidna que possuía o corpo metade humano e o restante de serpente. O leão possuía um revestimento ao redor de sua pele, que não permitia que nenhuma espada pudesse perfura-la, o herói o qual havia matado era Hércules que encurralou o monstro e o sufocou com seus próprios braços e assim o matando, e assim que conseguiu cumprir com sua missão o herói arrancou a pele do animal no qual ele usou como uma capa que o protegia de ataques inimigos. Dizem que Zeus colocou o leão nos céus o transformando em uma constelação do zodíaco, a constelação do leão.
Não era algo tão chocante encontrar o espírito do leão no portal, afinal ele era a constelação do leão, contudo, não era quem comandava. Ele estava apenas instituído como um peão em meio aos outros no tabuleiro de Leo.
—Como ferimos essa coisa?- Gray questionou exasperado segurando com firmeza a espada em mãos, a frente de Juvia a protegendo de qualquer ataque inoportuno.
—Hercules usou a própria garra do animal para arrancar a pele, é a única coisa que pode perfurar sua pele. – Levy falou assustada com o animal que enfrentavam. – ele sufocou o animal, porém, não acho que alguém aqui consiga fazer isso.
—E acha que vai ser fácil conseguir arrancar as garras desse monstro? – Cana não conseguiu disfarçar o tom irônico na voz, não que quisesse ser grossa, apenas queria ser realista mediante a situação. – sem falar que isso é o espírito da coisa, quem garante que vai funcionar? Não podemos nos basear em mitos.
—Mas é a única coisa que temos. – Erza ditou firme enquanto sua cabeça criava uma estratégia de ataque.
—Talvez, podemos conseguir enforcar o animal. – Gildarts falou atraindo os olhares até si. – vamos passar as cordas pelo pescoço dele e puxar todos juntos. – o grupo se entreolhou em uma silenciosa mensagem, alguns discordavam com a ideia absurda, contudo, outros tinham a plena certeza de que conseguiriam.
—Isso pode funcionar!- Erza se virou para a albina mais velha. – você está com a corrente enfeitiçada do mercado negro?- a outra assentiu retirando a corrente prateada do cinto e estendendo a ruiva. – como ela não arrebenta, pode ser mais útil que uma corda, afinal a pele do leão pode desgasta a corda. – piscaram chocados com a capacidade de raciocínio da ruiva, era a pessoa mais inteligente e eficaz para estar no comando e defender os outros. – Mira, Ever, Juvia preciso da ajuda de vocês para passar a corrente no pescoço do animal. – as mulheres assentiram em determinação. – o restante vai distrair o leão, mas não façam nada que os coloquem em perigo, apenas não devem permitir que ele perceba nossa presença.
Os marujos assentiram sucintos e com a determinação que apenas a Fairy Tail conseguia ter. Eles conseguiam e poderiam lutar com qualquer coisa que viesse a surgir, pois valorizavam demais a vida para perdê-la facilmente. E com isso em mente, correram em direção ao animal com um pensamento de que conseguiria se livrar do mesmo logo depois. Às quatro garotas se guiaram cada uma para uma árvores próximas ao leão, pois usariam disso para passar a corrente pelo pescoço do animal. Juvia estava preparando para escalar a sua árvore designada quando uma mão firme segurou a sua e a puxou para junto de um corpo, frio, porém, agradável.
—Por favor, tome cuidado!- foi apenas aquilo que saiu de seus lábios, contudo, era o suficiente para que todo seu corpo se eletrizasse e então ele levasse os lábios até os dela em um beijo rápido, porém, bastante significativo.
—Você também!- ela falou e o moreno assentiu com um sorriso no rosto, antes de voltar ao seu posto de origem.
A corrente enfeitiçada por um bruxo era inquebrável e poderia se esticar a indeterminada distância. Contudo, eles não sabiam dizer se aquelas qualificações atenderiam ao grande leão de Nemeia, porém, era sua única esperança. Em uma altura adequada as garotas amarraram suas cinturas nos troncos com força utilizando uma corda, se aproximaram da ponta em posição, apenas aguardando o momento adequado. Elas se entreolharam e assentiram apenas para confirmar que estavam todas prontas e a espreita para o momento exato, e então, ele surgiu como um vento fresco no verão, o animal ficou abaixo das quatro árvores e nesse exato momento Erza e Mira pularam cada uma segurando uma ponta da corrente, a ruiva foi por baixo do pescoço dele e a albina por cima e então passaram as pontas para as próximas que seguraram firme antes de repetir o mesmo movimento, e antes que o animal pudesse perceber o que ocorria, a albina pulou segurando junto de Ever e a ruiva junto de Juvia até o chão aterrissando com certa destreza até os amigos correrem até elas de cada lado da cabeça do leão e então todos puxarem com força, juntos, para a esquerda e direita. O grande leão berrou esganiçado tentando se soltar daquilo que o prendia, contudo, seus inimigos não desistiam com facilidade e mesmo que não pudessem medir força com o monstro, puxavam com todas as suas forças.
Entretanto, o leão queria dificultar a situação para os pequenos humanos incômodos. Passou o braço em direção aos humanos e quando estava próximo o suficiente da pequena garota de cabelos azuis, Gajeel entrou na frente levando a patada de garras profundas em seu abdômen aonde o monstro o saiu arrastando no chão.
—GAJEEL!- Levy berrou em plenos pulmões e por um segundo se esqueceu de segurar a corda e quase a largou para correr até o amigo, mas o grito de Erza para prosseguir a fez permanecer, mesmo que sua vontade fosse correr até o moreno.
Ele não se importava em se colocar em risco para proteger aqueles que amavam, principalmente se essa pessoa fosse Levy Mcgarden. O ferimento era fundo e ele poderia jurar que havia perfurado seus órgãos e ossos, talvez dessa vez o brutamonte não suportasse a briga. Entretanto, nem mesmo aquilo o faria desistir e com isso em mente, pegou sua espada para então passar na garra do animal as arrancando. O leão berrou esganiçado e levantou a pata em dor e ele aproveitou o momento para retirar as garras de sua pele e jogar em direção aos amigos, não se importando com o sangue jorrando de si, ou da alucinante dor.
Erza, Gray, Laxus, Gildarts e Jellal pegaram as garras antes de correrem e subirem as árvores para então pularem em direção ao animal o perfurando com gigantesca garra e só pararam quando caíram no chão após descer ferindo a pele do leão, que logo em seguida caiu desacordado no chão. Haviam conseguido, mas ninguém conseguiu ou ousou comemorar, não quando era possível ouvir o som do choro de Levy por cima do corpo de Gajeel.
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Não havia nada pior do que quando você se julgava incapaz e desmerecia qualquer uma de suas conquistas, era difícil manter firme quando nem você mesmo acreditava em si. Contudo, quando você passava anos de sua vida ouvindo que era um monstro, é exatamente isso que você acaba acreditando. Natsu Dragneel nunca se julgou um homem incrível, pelo contrário, sempre achou que seus atos nunca valeriam de nada, não quando seu pecado era grande demais para sobressai-lo. O menino havia matado a própria mãe e não importava o que fizesse nada anularia esse fato, de que ele era um monstro. E anos depois, esse monstro havia despertado.
Os dedos apertaram com firmeza a pele delicada e alva da sereia, ela conseguia sentir que a mão dele era como uma brasa queimando sua pele, enquanto a impedia de respirar.
—Na..tsu!- estava desacreditada da situação ainda, tudo aconteceu muito rápido e foi quase impossível de seu cérebro raciocinar, que Natsu havia sido consumido pelas trevas. Segurou o cilindro dourado na mão frente a sua barriga e então o usou para transformar em uma lança no qual o empurrou para se afastar dela, ferindo o abdômen dele.
Mal havia se erguido tossindo sem parar, o rosado segurou sua espada flamejantes nas mãos e avançou para cima da loira que usou a lança para impedir o ataque. O barulho dos metais chocando um no outro fora alto, e foi ouvido por todo o coliseu, vazio e escuro. Natsu empurrou a espada contra ela que segurava firme a lança, contudo, uma lâmina comum não teria chance contra uma lâmina desenvolvida por um Deus, e com isso, a espada de Natsu partiu ao meio com o impacto. Entretanto, o garoto logo em seguida usou a lâmina cortada para fincar na cintura da loira, e toda aquela névoa negra que estava ao redor dela foi se esgueirando pela ferida. Os olhos castanhos olharam dentro das órbitas negras e o frio que sentiu no lugar, não era comum. Levantou o pé direito e chutou o abdômen dele para afastá-lo, depois arrancou a espada em seu corpo e jogou longe, rodou a lança nas mãos e olhou para o rosado que já corria em sua direção para o próximo ataque. Iniciaram uma luta corporal, e por mais que fosse ilógica Lucy não estava com intenção de ferir Natsu, apenas usava ataque para repelir os dele ou para imobiliza-lo, não conseguiria ferir ele, não quando ela sabia que ele não estava consciente, sua mente havia sofrido uma tortura do qual ela não conseguiria se quer imaginar. Contudo, o rosado não parecia com o mesmo pensamento, e lhe direcionava ataques que poderiam ser fatais a um humano comum.
A sereia passou a perna pelo pescoço dele e deu uma cambalhota o derrubando no processo, rolou para o lado e antes que pudesse prever ele se levantou com rapidez e direcionou um chute bem no rosto dela, pode sentir o osso de seu maxilar trincar, ele subiu em cima deixando as pernas a cada lado do quadril e direcionou os punhos em direção ao rosto dela que impediu o ataque com os braços fechados à frente do rosto. Esticou o braço direito para o lado e as sombras ao seu redor o transformou em uma lâmina grande e afiada, o choque expandiu no rosto da loira que não conseguiu expressar outra reação, se não, aquela. Levou a espada próximo ao pescoço dela que engoliu em seco sentindo a lâmina fazer um pequeno ferimento na pele imaculada. Ele aproximou o rosto inexpressivo, frio, completamente diferente do Natsu que ela conhecia. A outra mão dele foi até o ferimento na barriga e a tocou com força, como se chamas a queimasse por sobre a pele, fechou os olhos com força sentindo a dor daquele pequeno movimento e quando abriu os olhos o olhou nos olhos.
—Natsu, me escute!- falou baixo e de modo delicado. – eu sei que não quer fazer isso. – apertou os dedos na bainha da espada e a pressionou mais contra a pele, e a sereia não demonstrou qualquer reação. – você não é um monstro, e você não está sozinho!- seus olhos umedecidos por conta da dor do ferimento por toda a situação. – eu estou aqui com você, e não importa o que acontecer, eu nunca irei te deixar!- a respiração dele ficou pesada e os dedos delicados dela se guiaram até o rosto dele, em um contato que ele não pareceu receber de bom grado, contudo, não o repeliu. – volta para mim. – acariciou o rosto dele e quase gritou quando ele queimou mais ainda o ferimento, que já latejava e dava bolhas, sentia as sombras entrando por ele feito uma cobra peçonhenta. Mesmo com toda a dor, não se importou em levantar o rosto aprofundando a lamina na pele e então levar os lábios até os dele.
O coração batia tão rápido que a qualquer momento sentia que ele poderia parar, contudo, podia sentir que ele passava pelo mesmo. Ele poderia ser a ruína dela, mas a certeza que tinha era que, ela também era a dele. Quando abriu os olhos viu que ele ainda mantinha os dele fechados, contudo, assim que ele os abriu, lá estava, o verde musgo que ela tanto gostava. Sorriu aliviada, a lâmina foi jogada longe e a mão que queimava a pele se afastou. Ele piscava os olhos ainda atordoado com tudo que havia acontecido, porém, assim que seus olhos pousaram na loira, ele tremeu apenas em notar as feridas graves esparramadas pelo corpo dela. O aperto que sentiu no peito não era nada comparado ao que ele merecia, era ele o causador daquelas feridas, mesmo que suas lembranças estivessem turvas, ele sabia.
—Intrigante!- o rosado se virou com um olhar extremamente ácido para o espírito que estava parado os observando com certa curiosidade. – deveria ter sido eu mesmo a eliminar você, Lucy, minha intenção era deixar as coisas mais interessantes, e foi de fato o que aconteceu, contudo, agora não me parece muito útil.
—Seu desgraçado!- o capitão da Fairy Tail se levantou irritado e correu até o espírito que apenas sorria ladino, aquele simples garoto inútil, nunca teria chances contra si, o líder dos espíritos do zodíaco. Entretanto, tamanha fora sua surpresa quando o punho fechado do outro acertou seu rosto o tacando contra a parede de pedras, o rosado surgiu a sua frente com a névoa ao redor de si, flamejando como chamas negras. O espírito arregalou os olhos surpreso que sua própria nevoa estava ao redor do humano, com uma força imaginária as atraindo. – vai se arrepender do que fez!- ditou firme antes de levar o punho no pescoço do leão e o apertar com força, a temperatura elevada do corpo do capitão fazia a armadura dourada do espírito derreter.
Porém, o espírito não deixaria as coisas fáceis para o humano inútil. Usou o seu poder do regulus mirando na barriga do rosado e o jogou longe, toda via, o garoto pousou seu corpo em uma posição pronto para o próximo ataque. O leão retirou sua espada da bainha que consistia em duas lâminas interligadas, Natsu encarou aquilo como um desafio e fez uma lâmina da névoa negra e correu em direção ao leão que fez o mesmo movimento. Quando as lâminas se chocaram uma com a outra resultou em um impacto que alçou voou pelas areias ao redor deles. A sereia encarava tudo em extremo choque e quando tentou se levantar, acabou fazendo uma careta devido ao ferimento, o que a fazia se questionar em como Natsu estava conseguindo lutar com aqueles ferimentos.
—Me arrepender você diz? Apenas lhe mostrei sua verdadeira natureza, e meu caro, ela é escura. – Leo chutou o peitoral de Natsu e depois girou o corpo acertando a espada no braço dele, porém, o rosado repeliu a lâmina com a sua e apontou em direção ao espírito que usou a sua lâmina duplicada para posicionar a do garoto no meio e gira o corpo o jogando no chão. – a única pessoa que vai se arrepender aqui, é você, Natsu Dragneel, por ousar pensar que poderia me enfrentar. – as sombras ao redor de Leo tomaram forma como vários galhos que percorrem até o braço e pernas do humano, fincando neles com força e depois o jogando na parede e quebrando as colunas com o corpo inútil aos seus olhos.
Depois um rugido alto de um leão na neblina negra do céu, atraiu a atenção do garoto, que mal teve tempo de se proteger antes do leão descer até ele com enorme boca aberta e o abocanhar dentro das névoas que o acertaram em cheio, rasgando e queimando sua pele com os raios violetas.
A sereia se levantou ignorando a dor do ferimento e posicionou uma flecha aonde acertou a mão erguida de Leo, que estava controlando o leão de trevas. O espírito gritou com a dor e se virou irritado para a sereia que logo tratou de lançar seu tridente nele, acertando seu abdômen. As mãos com grandes garras tentaram remover o objeto do ferimento, mas não obteve sucesso, apenas ela poderia remover, assim como a Excalibur, não era qualquer um que poderia mover aquele objeto.
Estando concentrada em mirar mais uma flecha no espírito, a loira nem notou que abaixo de seus pés se encontravam várias sombras que logo a fechou em uma esfera negra de névoa. O ar era rarefeito e carregado de veneno de magia negra, e ela logo sentiu seus pulmões reclamarem. Levou as mãos até o pescoço buscando um ar que não estivesse contaminado.
O espírito sorriu satisfeito, entretanto, o sorriso logo se desfez ao notar o leão de nevoa ser desfeito como se tivesse evaporado, e no lugar surgir o rosado de cabeça baixa com a nevoa perdurando ao redor de si. Mal teve tempo de raciocinar o que estava acontecendo, pois tão rápido quanto um raio, Natsu correu até ele e socou com força na região do abdômen do espírito. A armadura foi retorcida com a força do impacto, e derretida com a temperatura elevada. O corpo se chocou contra a parede de pedras que por ventura rachou, foi o suficiente para distrair o espírito e Lucy cair no chão com a bolha desfeita. Puxou todo o ar que pode e tossiu descompassada, e ao levantar os olhos e ver Natsu fincando a lâmina negra no corpo do espírito, ela soube que era o momento de intervir.
Havia uma magia antiga que os seres celestiais utilizavam dela, não exigia muito do poder de quem a conjurava, pois fazia uso da essência da pessoa, contudo, não era todos que a conseguia fazer.
A pureza que o sentimento de felicidade e amor poderia lhe proporcionar, era isso que era utilizado para conjurar a magia, contudo, Lucy não obtinha conhecimento desses sentimentos, até o momento. Ela acreditava que agora ela possuía experiência e memórias boas o suficiente para conseguir. Fechou os olhos e se concentrou em cada memória boa que possuía desde que havia entrado na Fairy Tail, nos momentos com Natsu e naquilo que apenas ele poderia fazê-la sentir. Quando abriu os olhos, o círculo mágico estava envolta da íris castanhas, e uma luz dourada brilhava ao redor de si afastando toda a névoa negra.
— αγάπη!- apenas aquela palavra foi dita antes de uma grande luz iluminar todo o local.
Os sentimentos de uma boa memória, isso sim, era mais forte que qualquer sentimento ruim ou escuridão, e seu sentimento por aquele garoto, eram fortes o suficiente para conjurar a magia.
Fim.
“Mas como sabem pode-se encontrar a felicidade mesmo nas horas mais sombrias, se a pessoa se lembrar de acender a luz.”
—Alvo Dumbledore-
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