Notas iniciais
Oiii gente, como eu disse mais um capitulo fresquinho. Gostaria de pedir perdão pela demora, por esse hiato forçado, mas a questão é que tive um começo de ano difícil que me faltou cabeça e tempo para escrever, por isso não estou na ativa, por isso não irei prometer capítulos frequentes, mas esforçarei. Obrigado por terem paciência e por favor, não desista de mim, tem muita coisa bacana para acontecer, as coisas tá só começando, enfim, não vão embora, por favor. Espero que gostem do capitulo de hoje e qualquer erro me perdoem! ps: depois irei responder que ainda não respondi nos comentários +18

Capítulo LXVI

Quando se passa tanto tempo vivendo no inferno, você aprende a lidar com os demônios. Mesmo há muitos anos atrás, sobrevivia aquele que era mais forte, não restando alternativa além daquela, caso desejasse não se tornar um verme ao chão.

O mundo era de pessoas gananciosas que sabiam o valor da vida, e do que deveria sacrificar para obter o que se desejava. Desejo em si era algo abstrato demais, aos homens mal fadados a viver na miséria. Sua vida toda fora assim, até mesmo após a morte ele precisou se alimentar de carne podre se quisesse se manter vivo e principalmente, temido.

Há muitos anos atrás, ele havia morrido e abandonado sua casca humana, frágil e grotesca como fora o decorrer de sua vida. A lâmina do ceifador tocou-lhe o pescoço, no entanto, se transformara em milhares de estilhaços pelo ar. Seu pescoço no fim se manteve intacto.

Precisou sentir a morte absorver seus poros e tampá-los, correr por entre suas veias e então secá-las, sentir a respiração em uma última inspiração antes de não poder fazê-lo mais. Para logo em seguida, seu corpo ser preenchido por um corpo estranho a qual não estava adaptado a receber, sentiu a dor do processo de adaptação, e somente assim ele finalmente se sentiu vivo.

Poder, puro e cru preenchia seu corpo de modo que seus dedos tremiam ansiando para liberá-lo naqueles seres inferiores que desejaram sua morte. E fora o que ele fez, despejou o poder da morte banhando o chão com o sangue de humanos fétidos, enquanto se alimentava de suas carnes e embebia de seus sangues. O gosto de ferro e cheiro metálico era um manjar para o seu estômago vazio após tantos dias de tortura.

Tornou-se mais forte, um demônio em carne osso, sem possessão ou influência. Tornou-se a própria morte enquanto amaldiçoava a sua amada, com a flor empapada de seu próprio sangue que logo após se tornara o veneno das sereias.

Conseguia observar similaridades no monstro que se alimentava de seus escravos, e que inutilmente seus marujos tentavam lutar. Não era uma luta ganha, não contra um ser que possuía o poder de torturar tanto a mente quanto o corpo de imortais.

O que mais atraia a atenção na criatura era seu tamanho exageradamente grande, que transpassava o navio e os observava com tédio pelos olhos avermelhados e fundos. O rosto era tapado por uma espécie de máscara de ossos com dentes pontiagudos que tocavam o queixo duplo. A pele era formada por escamas e pernas de polvo, com dez tentáculos e braços com garras imensas que davam a impressão de perfurarem o ar de tão afiadas. O cheiro pútrido preenchia o local o qual a morte se felicitava dos novos companheiros.

No entanto, o demônio da morte permanência em pé frente ao leme observando a criatura, que era distraída de seu real objetivo. Alguns dos seus mais confiáveis homens caminhavam pela água lamacenta em busca do elixir. Sabia que no momento que o objeto fosse percebido fora do lugar, não demoraria em que o monstro os torturasse. E antecedendo isso, Zeref caminhou em direção à criatura que pousou os olhos naquele que carregava uma áurea negra e maligna ao redor de si.

O ar se tornou seco, impossibilitando que os marujos conseguissem respirar, como se a humildade do ar tivesse sido evaporado e desaparecido. Como se o tempo houvesse parado quando em uma velocidade que pareceu ilusório aos olhares humanos, o homem de preto socou o corpo gosmento e escamoso da criatura. O corpo chocou-se com força entre as árvores e o local que a pele havia sido tocada, se tornou corrosiva. A pele caia em crostas negras e fétidas na água, o ferimento parecia se abrir cada vez mais que o ácido demoníaco entrava pelos poros do ser.

Um grito ensurdecedor soou daquele que havia se sentindo ofendido ao receber um ataque de um ser inferior a si. E mesmo com os ossos expostos pelo ataque, à criatura não demonstrava sentir dor ou qualquer sentimento relacionado ao sofrimento, apenas raiva alimentava seus poros ao lançar um tentáculo em direção ao demônio com suas garras compridas e afiadas.

Deitando o corpo para trás, o homem fugiu do ataque e um combate corpo a corpo fora iniciado. Os ataques de Zeref causavam deterioração aonde tocavam, e as garras da criatura perfurava a pele quebrando os ossos no processo. Um conjunto de fatores que levava todos a crer que era uma disputa acirrada em que talvez o local fosse destruído ao pó e ainda assim, não haveria um vencedor. E quando tal conclusão estava prestes a se concretizar, um tentáculo espinhento se agarrou ao corpo de Zeref o prendendo em meio às farpas que se infiltravam em sua pele se volvendo em meio aos músculos, perfurando cada centímetro de pele.

O silêncio se perdurou pelo local, o choque se espalhou pela face de cada ser presente. Os marujos observavam estupefata a tortura de seu mestre que sempre se mostrou um ser de exímio poder. Havia então, um ser mais forte do que o demônio da morte?

Entretanto, um único som foi preenchido pela área, somente o ruído dos ossos de seu corpo sendo quebrado e do líquido espesso e viscoso se embrenhando entre o tentáculo e pingando ao lago em gotículas em tom escarlate, era se ouvido. A criatura pareceu se intrigar com o fato de que aquele ser em específico não ousava gritar ou implorar como todos costumavam fazer. Estava acostumado com declarações piedosas e aclamações vergonhosas enquanto torturava seus inimigos, mas não com o silêncio, e aquilo o enraiveceu, se sentiu humilhado mais do que se Zeref houvesse lhe batido.

—Para que você pudesse me ferir, eu teria de sentir alguma coisa. – a voz grossa e firme soou em meio à quietação. – o que não é o caso. – ergueu os olhos em tons vermelhos sangue e encarou a criatura com desprezo. – não a nada mais que possa ser destruído em mim!- a névoa negra que saia de seus poros parecia venenosa, corroendo o tentáculo que o prendia.

Vicyon não era um ser imortal, apenas um monstro que se mantinha vivo por muito tempo roubando vidas, eram aquelas almas que o faziam viver por tanto tempo. E não havia nada mais que a morte apreciasse do que almas de seres que já viveram por sobre a terra antes de virar ossos por debaixo dela. E o demônio da morte se deleitaria de cada uma delas.

A escuridão se apossou do local, antes da morte tomar a alma de cada um daqueles que tocaram sua névoa tentados a irem em direção as trevas. Os marujos calejados da magnitude do poder de seu mestre se esconderam tempo o suficiente para saírem ilesos, antes dos corpos caírem sem vida no chão e o cheiro de morte preenchesse o local. O corpo de Vicyon caiu ao chão como a ninharia que sua presença representava.

—Conseguiram o elixir?- questionou com a voz baixa, porém, alta o suficiente para que o grupo que ficara por conta da caçada pudesse ouvir.

—Sim!- a voz de Kyoka tremeluziu por alguns segundos observando os corpos ao chão, incluindo os de sua tripulação. O homem se virou para voltar ao navio com a indiferença exposta na face. – mas meu senhor, os homens…

—Posso conseguir outros!- fora sua resposta indiferente antes de bater à porta de sua cabine atrás de si.

O quão ferido um homem fora para que seus sentimentos fossem extintos o suficiente para que nem mesmo a tortura psicológica o ferisse.

Não era obstante de que Zeref deveria ser um homem temido.

**

A primeira coisa que constatou, era que estava na água, era um lugar frio e escuro como se estivesse nas profundezas do mar egeu aonde a luz não se refletia, e consequentemente não houvesse algas para oxidar as partículas orgânicas para produzirem o oxigênio dissolvido. O que tornava o ar quase impossível de ser respirado através de suas brânquias, o seu corpo não era adaptado para viver sem oxigênio como as espécies anaeróbicas. No entanto, seu corpo parecia paralisado, sendo forçado a permanecer na escuridão e ao ar escasso.

—Quanto mais você vai se sacrificar perante aos outros? – olhou ao redor em busca de quem poderia ser aquela voz fina e esganiçada, como se a pessoa houvesse passado tempo demais gritando até que suas cordas vocais estivessem prejudicas o suficiente para proferir qualquer palavra que fosse. – quanto mais de si você vai perder?— como uma canção cantada à voz prosseguiu. – o amor não deveria ser uma necessidade Lucy Heartfilia, você não deveria ser tão dependente daquele que diz amar. – sentiu sua pele se arrepiar como em um pressentimento ruim. – agora ele tem o pode de te destruir. — a voz parecia cada vez mais próxima, como se estivesse sendo sussurrada ao seu ouvido, porém, não havia nada ali. – vocês serão destruídos por aquilo que mais amam!

Ergueu o corpo em um sobressalto assim que acordou, sua respiração estava pesada como se houvesse passado tempo demais a prendendo. Sua roupa grudava ao corpo húmido devido ao suor e o calafrio presente em sua espinha era um claro aviso de que aquele sonho fora mais real do que gostaria que fosse.

Como uma maldição irritada por ter sido ludibriada, encarregada de atormentá-los até que em fim, obtivesse o que desejava. O que lhe fora tomado, suas vidas.

—Ei, você está bem?- o rosado questionou se sentando ao seu lado na cama, contudo, assim que a mão foi erguida para tocá-la, a loira se encolheu para fugir do toque, como se causasse dor. Observou de olhos arregalados a sereia encolhida na cama e abaixou a mão, disfarçando como aquilo o havia surpreendido e o magoado. – hum. — um pigarrou soou de seus lábios antes de prosseguir. – aconteceu alguma coisa? – os olhos castanhos como as folhas do outono observaram o homem a sua frente e depois a mesa com livro a qual ele permanecera por horas lendo para aprender a se controlar, ela o estava ajudando até cair no sono como se houvesse caído de um penhasco.

—Não, foi apenas um sonho!- respondeu simplória, não entrando em detalhes guardando para si como sempre costumava fazer. Ela sabia que devia contá-lo, que não havia necessidade de carregar o fardo sempre sozinha e que ele sempre estaria com ela, porém, não conseguia se impedir de agir de tal modo. Ela não queria contar a Natsu, independente de quais fossem as razões para fazê-lo.

A sereia poderia ser alguém de difícil compreensão aos outros, contudo, não para ele. Natsu havia aprendido a ler Lucy como um historiador lia runas, era algo que ele sempre saberia fazer, não obstante o quanto ela tentasse disfarçar. E naquele momento ele soube que ela estava mentindo e aquilo o chateou mais do que deveria.

—Você não precisa guardar tudo para si, pensei que já houvéssemos falado sobre isso. – ela não o olhou nos olhos e ele desejou poder toca-la, seus dedos formigaram para tocar a pele macia e sedosa. O cheiro de baunilha e coco estavam impregnados no quarto o enfeitiçando, porém, a indiferença dela o impedia de tomar qualquer atitude.

—Nem tudo está relacionado a você Natsu!- piscou os olhos em surpresa pelas palavras secas, a máscara de indiferença da sereia estava emposta mesmo que ela já não há usasse algum tempo. – as pessoas nem sempre estão disposta a falar, deveria respeitar isso. – se ergueu para se retirar do local, todavia, ele segurou seu pulso para impedi-la, mas ela retirou o braço como se o toque queimasse sua pele.

—Mas que merda Lucy, o que está acontecendo?- a olhou embasbacado enquanto segurava o pulso com os olhos perdidos. – eu fiz alguma coisa, se foi…

—Pelos deuses Natsu, o mundo não gira em torno de você!- as órbitas verdes se arregalaram tamanha fora o susto, que poderiam saltar para fora. A loira sentiu como se um punhal a tivesse empalado no peito, ao observar a face chateada dele. – eu só… preciso respirar um pouco. – passou por ele deixando seu rastro de perfume para trás, e quando a porta fora fechada atrás de si, o rosado permaneceu paralisado observando o nada em específico.

Sua mão tremeu, e seu corpo correu até a porta para ir atrás dela, porém, ao segurar a maçaneta que pareceu queimar entre os dedos, desistiu se sentando ao chão e observando sua mão a qual ela havia despregado como se fosse algo corrosivo. Descobrir o que ele era estava sendo demais para ela?

Enquanto isso, a loira descera as escadas correndo e passou por todos sem se importar com quem a chamava e caminhou em direção ao mar que ficava na parte de trás da casa, parou apenas quando sentiu seus pés afundarem na areia macia.

Segurou o colar de Anfitrite que estava em seu pescoço na tentativa de se acalmar, contudo, ao levar os dedos ao pescoço, tocaram o singelo colar de estrelas que Natsu a havia dado quando ainda não sabiam o quanto estavam apaixonados um pelo outro.

—Droga!- soltou os braços que caíram ao lado do corpo e respirou fundo olhando para o céu.

O que estava acontecendo com ela afinal? Estava tudo bem antes, passou a tarde o ensinando como controlar seu poder e depois da porcaria do pesadelo se sentia estranha na presença dele, como se estivesse sufocada.

—Lu-chan!- se virou ao ouvir a voz da azulada que a encarava com curiosidade. – o que aconteceu?- se aproximou da amiga a olhando com uma sobrancelha em pé.

—Eu não sei Levy... — suspirou passando as mãos nos cabelos. – eu apenas estava pensando… que se foi certo eu e Natsu termos nos envolvido. – não se importou de expor seu segredo à amiga, porém, a outra não parecia surpresa. – parece demais… é como se minha vida estivesse entrelaçada a dele… tudo depende dele, isso não me parece certo. — soltou o ar como se assim pudesse aliviar o peso em seu coração.

—Está tudo bem Lucy!- sorriu ao observar à amiga, tocou-lhe delicadamente no braço. – você apenas não está acostumada a sentir as coisas nessa proporção.

—É como se estivesse exposta!- a azulada deu um sorriso sem mostrar os dentes.

—Isso que é gostar de alguém Lu, você fica exposto para aquela pessoa tanto para lhe ferir quanto para lhe fazer feliz. – acariciou a bochecha da sereia que tinha os olhas castanhos atordoados. – porém, é você quem decidi como ela irá afetá-la, é você quem dá esse poder. — forneceu um sorriso sincero para a loira. — não é errado se sentir assim, errado é passar a vida toda sem sentir nada. — piscou os olhos a observando, Levy era tão jovem, mas tão inteligente. – a vida é difícil demais para passá-la sozinha Lucy, ter alguém com quem compartilha-la não é um fardo e sim uma dádiva. — assentiu abaixando a cabeça, envergonhada por suas atitudes anteriormente. – não se sinta mal por sentir demais, sinta pena daqueles que não sentem nada.

**

Mesmo que passasse horas lendo cada uma das letras descritas nas páginas, jamais conseguiria assimila-las. Não quando sua cabeça estava em outro lugar, mais especificamente em uma pessoa. Jazia algumas horas que Lucy havia saído de seu quarto como se houvesse a peste presente, o que talvez fosse à realidade, levando em conta que ele era a prole de um demônio. Trazia a desgraça do mesmo modo.

—Desisto dessa merda!- empurrou o livro e se ergueu da cadeira, decidido a descer e beber até esquecer quem era o que seria de grande ajuda. Quem sabe até saísse para alguma taberna, aquele cheiro estava por todo o local e ele não queria ter de observar Lucy, feliz com todos, mas longe dele.

Talvez ele fosse mais egoísta e possessivo do que imaginava, pois jamais obteve alguém antes para comparar. Todavia, acreditava piamente que não estava ligado a ele em si, mas na pessoa. Era inteiramente por ser Lucy que ele agia daquele modo, impensado e desesperado como um filho da puta necessitado.

Fechou a porta de seu quarto e desceu as escadas, e antes mesmo de chegar ao segundo andar sabia que ela estaria ali. O cheiro, o arrepio que causou em sua pele como em um aviso premeditado, o deixou ciente de sua presença. Ao erguer o rosto observou a loira vir apressada a qual estancou no lugar ao nota-lo parado. Pensou em se retirar para o quarto, mas por que faria aquilo? Ele não era a merda de um frouxo.

Continuou caminhando com sua melhor expressão de indiferença, e ao passar ao lado dela, por míseros segundos seus dedos esbarraram com os dela em um contato supérfluo que causara um extremo estrago em seu coração. Seus batimentos aceleraram tanto que pensou que ela poderia ouvir, e sua boca se tornou seca quando seu corpo inteiro se aqueceu. Entretanto, tão rápido quanto surgira, desapareceu. As mãos se soltaram e ele continuou seu caminho a ignorando.

Os olhos castanhos estavam paralisados e em choque, seu coração parecia sangrar ao receber a indiferença dele, mas ela havia feito o mesmo não é?

—Natsu!- se virou o chamando, porém, ele permaneceu a ignorando. — ei espera!- correu até ele e o segurou pelo punho, porém ele o tirou com brutalidade.

—O que foi? Agora decidiu falar? Pensei que o mundo não girasse em torno de mim!- suspirou pesarosa antes de olhar nos olhos injetados de raiva. – você precisa me deixar saber se estiver insuportável lidar com um demônio. — o olhou em choque.

—O que?- o questionou perplexa. — isso não tem nada haver com você…

—Percebi você deixou bem exposto!- a interrompeu e ela suspirou exasperada. Ok, ela merecia aquilo.

—Não foi isso o que eu quis dizer. — observou o rosto irritado do rosado, o maxilar marcado, os olhos que estavam escuros e profundos, os cabelos róseos caindo por sobre a testa. Ficara sem ar por alguns segundos apenas o observando. — o que você é não importa para mim, isso não muda o que eu sinto, jamais vai mudar!-soou convicta, e seus olhos cruzaram um com o outro e era como se faíscas se soltassem apenas daquele olhar. Era sempre tudo tão intenso que não sabiam assimilar. – e só que às vezes é muito para absorver, eu não estou acostumada a me sentir assim Natsu, passei minha vida toda achando que era errado ter sentimentos… eu não sei fazer isso, eu não sei como…

As palavras se perderam em seus lábios grossos quando ele a empurrou com certa brutalidade na parede, o ar pareceu lhe faltar quando a testa dele tocou a sua, como se um choque de temperatura ocorresse ao toque quente da pele dele com a fria dela. Mãos grossas e calejadas tocaram-lhe a face com tamanha adoração que ela ousou se questionar se era uma deusa. E para ele ela era.

Os olhos observavam um ao outro tão próximo, e ali eles compreendiam mais do que se mil palavras fossem descritas. Por vezes as ações valiam mais do que as palavras as quais sempre pareciam faltosas para expressar o que sentiam.

—Eu sei amor, eu sei!- sussurrou as palavras que tocaram sua face, fechou os olhos antes de levar as mãos à camisa dele e a segurar com força entre os dedos. – mas porra, nunca mais se afaste do meu toque, eu sinto que poderia morrer se ficasse sem lhe sentir. – beijou-lhe a testa com tamanho carinho que Lucy pensou que jamais fora amada assim antes, e talvez nunca houvesse de fato sido. – você tem meu coração em suas mãos Lucy, e cabe a você fazer o que quiser com ele, eu não me importo, desde que você o tenha e fique comigo. — seus lábios roçaram os delas causando uma quentura por onde tocavam como o rastro de uma chama ardente, mas invisível.

Quando pareceu insuportável mais resistir, ele a beijou com força, exigindo e tomando tudo que ela pudesse lhe fornecer. O beijo não era lento e muito menos cálido, era como se ele a devorasse e descontasse suas frustrações em seus lábios tentadores. Segurou com firmeza sua nuca, entrelaçando os dedos nos fios dourados e os segurando com certa brusquidão antes de com a outra mão erguer o corpo dela, forçando a cruzar as pernas em volta de sua cintura.

—Você é minha Lucy!- desceu os beijos para seu pescoço, não menos necessitado mordia e sugava a carne macia como um animal. E ele se deleitaria do corpo dela. – eu necessito de você tal como preciso de ar, e dane-se como isso pode soar!- desceu a mão pelo seu corpo até adentrar em meio a suas pernas e acariciar sua intimidade por cima do tecido fino da calcinha, e consequentemente a fazendo soltar um gemido baixo, os olhos verdes a olhavam com apreciação. – e agora vou te mostrar como você me pertence. — arregalou os olhos quando ele desceu até que se agachasse no chão e ergueu suas pernas colocando as cochas em seus ombros.

—Natsu… — tentou afastá-lo olhando horrorizada pelos lados em busca de alguém que os pudessem avista-los. Contudo, antes que qualquer outra palavra de impedimento fosse proferida sentiu a língua dele perpassar por toda sua intimidade. -Ah…

Fechou os olhos e encostou a cabeça na parede, tentou não soltar o peso nele, mas parecia difícil se controlar quando a língua dele fazia magia em sua intimidade. As mãos grossas apertaram suas cochas de tal forma que apareceriam marcas na manhã seguinte. E quando tudo parecia demais para suportar, ele concentrou sua língua em seu clitóris e levou os dedos a sua intimidade e encontrou o ponto de prazer que fez seus dedos dos pés se encolherem e seu corpo inteiro se arrepiar com o prazer que a atingiu.

Abaixou o rosto derrotada, formando uma cortina dourada com seus cabelos ao redor de seus rostos. Os olhos verdes musgos brilhavam como estrelas na noite mais estrelada, antes de lamber cada resquício de prazer em si. Com o rosto próximo ele a observou antes de passar a língua nos lábios úmidos e ela o encarar embasbacada.

—Sua boceta tem gosto de céu amor!- o olhou horrorizada e excitada com as palavras, porém, antes que pudesse dizer algo, ele se levantou e se posicionou em meio às suas pernas antes de erguê-las, e as prender em sua cintura novamente. – você é o mais perto do céu que alguém como eu pode alcançar. — fora tempo apenas de abrir sua braguilha da calça e preenchê-la logo depois. — e vou amar te corromper anjo, por que você é minha para fazer o que quiser!- arremeteu com mais força dentro de si e um gemido alto saiu de seus lábios.

Tomou os lábios dela para si, e se embebedou de cada um de seus declínios de prazer. As mãos firmes desceram de sua cintura para segurar sua bunda a trazendo com força contra si, e em determinado momento a fazendo subir e erguer o corpo contra o dele, rebolando contra suas mãos fortes. Os olhos dele se tornaram nublados antes de beija-la com fome e a segurar com mais alento para que fosse mais rápido, e alcançasse o prazer que aquele momento poderia ofertar.

E juntos gemeram contra a boca um do outro quando o ápice lhe atingiu os corpos, se prenderam um ao outro com firmeza, incapazes de se afastarem.

—Nunca mais se afaste de mim novamente amor!- segurou o rosto dela com carinho antes de depositar um beijo singelo em seus lábios. Limitou-se a apenas assentir incapacitada de dizer qualquer outra coisa, não que fosse necessário, seus olhos diziam tudo.

Eventualmente eles se acostumariam e aprenderiam a lidar com aquilo que estavam os consumindo, no entanto, até esse dia advir, eles iam se colidindo um com o outro até não restar mais nada a se questionar.

**

O palácio de Poseidon estava silencioso àquela noite como se antecedesse algo ruim. O mar estava calmo por sob a superfície, no entanto, abaixo dele estava um caos com segredos sussurrados no escuro da noite quando se pensava que ninguém mais estava ouvindo. E tais murmúrios falavam a respeito de uma afronta de uma sereia que havia ousado enganar a maldição, aquela que jamais havia sido desfeita até então.

Tal relato fora prontamente extinguido da fonte, um soldado que fora responsável por vigiar a sereia havia dado com a língua nos dente e pagou o preço por tal desacato. Os burburinhos sessaram, entretanto, todos ainda se questionavam a veracidade das informações, mas sem coragem de expressar a opinião, ninguém queria enfrentar a deusa que sempre demonstrava calma, mas como o mar, poderia ser destrutiva quando queria.

—Mandou-me chamar minha deusa?- questionou ao adentrar a sala e observar Anfitrite parada em frente a uma grande janela que dava a vista de seu jardim e seus robalos. Virou-se e observou a sereia de longos cabelos castanhos que permanecia com a cabeça baixa aguardando o pronunciamento de sua deusa. Seria tão mais fácil se todos fossem assim, soubessem o momento exato de falar.

—Sim!- se aproximou da sereia e lançou um olhar para o golfinho encolhido no canto. — mandei chamá-la para fazer algumas perguntas sobre Lucy, afinal vocês são melhores amigas. — a garota se limitou a apenas a assentir, mas temia o que viria a ser interrogado. – como bem sabe Lucy nunca se deu bem com as outras sereias e você foi à única que ela manteve contato, imagino que ela tenha contado a você segredos que ela não inquiriria a mais ninguém. – engoliu em seco, mas não demonstrara o nervosismo. – você sabe por que Lucy não está no palácio?

—Por que ela está em uma missão de limpar os portais minha deusa!- respondeu o que as poucas pessoas sabiam a respeito da missão a qual foi ofertado desde o início a loira.

—E não a nenhum outro motivo além desse?- levantou uma sobrancelha e observou a mulher de profundos olhos azuis tempestuosos naquele momento. — Lucy não lhe falou acerca de certa tripulação?- seu coração bateu um pouco acelerado naquele momento, temeu que a deusa desconfiasse de algo.

—Ela me disse que estava os usando para entrar no portal. — respondeu sucinta e Anfitrite se limitou a gargalhar e a sereia a olhou em incompreensão.

—Esse seria o caso se fosse qualquer outra sereia, mas não Lucy.- olhou com seriedade para a garota. – Lucy não colocaria os humanos em risco por benefício próprio, então sejamos sinceras Michelle, diga-me a verdade. — abriu a boca para dizer algo, porém, nada foi dito e escolheu o silêncio. — mandei que a vigiassem, pois eu percebi que ela estava passando bastante tempo na superfície. – os olhos se arregalaram levemente. – inicialmente pelo que me foi relatado, eu interpretei que fosse isso que você disse, no entanto. — lançou um olhar duro para a sereia, ela estava com ódio da situação. — recebi alguns relatos interessantes a respeito da relação dela com esses humanos. – se aproximou até ficar alguns centímetros de distância de Michelle. – diga-me, ela se apaixonou por algum humano? – afastou após o susto.

—Não sei sobre o que está falando!- falou firme e a paciência que geralmente era abundante da deusa, se extinguiu com a resposta invasiva da castanha.

—Você sabe bem o que acontece quando uma sereia ama alguém, você mais do que ninguém deveria tê-la impedido Michelle!- brandiu irritada, cutucando a ferida não cicatrizada da jovem. – Lucy não é como as outras sereias, ela sempre sentiu emoções diferentemente do vazio frio comum das sereias, mas ela não está preparada para algo assim. – apertou os olhos. – ela pensa que pode viver em meio aos humanos, mas não é essa a vida dela, não é esse o destino dela!

—Quem deveria decidir isso é ela!- olhou estupefata pelo desacato da mulher, mas Michelle estava irritada demais para se importar. — por que são vocês quem comandam as nossas vidas?

—Por que esse é o propósito das sereias!- soltou de maneira nervosa. – vocês existem para me servir, e a maldição é uma consequência das suas existências. – seus olhos cintilaram com algo que fez os presentes se arrepiar. – você sabe o que vai ocorrer? Esse amor vai destruir ela, vai ser a causa da derrota dela, por que a maldição jamais vai se satisfizer, e vai destruí-los aos poucos até que um corrompa o outro, esse sentimento não tem sobreviver em seus corações, não com corações tão jovens e inocentes. — os olhos de Michelle se arregalaram. — você pensa que a maldição está quebrada apenas por ele não ter morrido?- sorriu maligna, Delfim se encolheu no canto, culpado por não ter conseguido ocultar o envolvimento da sereia com o humano. – eu sou a própria maldição! – virou-se em direção a saída deixando a sereia paralisada.

—O que vai fazer?- questionou antes que ela segurasse na maçaneta, e sem ao menos se virar para lhe responder, soltou as palavras que causaram calafrios em seus braços.

—Vou lembrar eles do que acontece quando enfrentam os deuses!

Fim!

“Minhas grandes tristezas neste mundo têm sido as tristezas de Heathcliff: ele é a minha finalidade de viver. Se tudo mais perecesse e ele ficasse, isto bastaria para que eu continuasse a viver.”

—Emily Brontë-

Notas finais
FIIIIM! Mds, aconteceu coisa demais aqui, vamos por partes kkk Bom, creio eu que todos tem uma imagem de que a Lucy e super forte, ela é mesmo, mas acontece que até então ela só estava no meio de humanos, não teve com que fazer uma comparação, então agora vocês tem uma noção que Zeref também é bem poderoso. Segundo, ninguém entendeu o surto da Lucy, mas a questão e que ela não esta sabendo lidar com as emoções dela gente, então vai ter momentos em que os dois vão se sentir assim até se acostumarem, é tudo muito novo para eles, Natsu é um homem vivido que já teve experiências e ainda assim não sabe como reagir, imagina a Lucy que tem 17 anos sem nenhuma carga emotiva ou de relacionamento na bagagem, mas no fim deu tudo certo. E queria dizer que as cenas hot não serão recorrentes para não ficarem maçantes, mas que elas irão acontecer e vai variar do momento para algo mais culto a algo mais cru hehe E agora para o momento que tudo mundo deve tá encomendando meu caixão, com raiva por que os dois não tem paz, mas algo similar a isso msm kkk Aparentemente Anfitrite não é tão boazinha assim, e não vai lidar bem com essa afronta. E como eles vão reagir a esse sentimento que é muito forte, tem ideias? Espero que tenham gostado, e comentem muito, adoro ler o que vcs estão achando. Arigatou e Beijocas! I.C.S