Le Chant des Sirènes
46 Capítulo XLV
Notas iniciais
Capítulo XLV
Ela estava sentada na cama enquanto ficava com os joelhos junto do peito, e os abraçava colocando a cabeça sobre eles pensativa. Estava se sentindo mal pela discussão que havia tido com Natsu, detestava esse acontecimento, porém, não seria eles se não acontecesse.
Havia conversado com Porlyusica que a deixou mais a par da situação deixando bem explícito o perigo, também havia conversado com o mestre que a havia explicado sobre as facções seguidores de magia negra, como a Oracion Seis, e lhe contando sobre os acontecimentos que os fizeram se preocupar com sua segurança. A maioria já havia ido visitá-la, até a rosada impedir que mais pessoas entrasse alegando que ela necessitava de descanso, porém, a verdade era que ela notou que a sereia não estava bem e fez isso para que ela tivesse um pouco de paz.
Levou a mão até o colar que ele a havia dado e ficou o segurando, enquanto divaga em pensamentos com vontade de sair e ir atrás dele, entretanto o conhecia o suficiente para saber que quando ele ficava nervoso, precisava de seu tempo para extravasar e se acalmar, falar com ele estando daquele jeito, seria só jogar mais combustível no fogo, e ela não queria isso. A porta se abriu e ela olhou esperançosa que fosse ele, porém, era Gray que se sentou na cadeira ao lado e ela sorriu para o amigo.
—Como está se sentindo?- ele questionou a olhando para ter certeza que não havia nada mais, ainda estava assustado com todo o acontecimento.
—Estou bem!- ela sorriu para confortá-lo e mostrá-lo que estava mesmo bem. Ainda era difícil de acreditar que esteve próxima da morte, parecia irreal. Havia agradecido a senhora de cabelos róseas, estava com uma dívida eterna com ela. Gray olhou para a amiga olhando para o nada segurando o colar de estrelas.
—Ele não sabe lidar com isso. – ela piscou os olhos olhando para o moreno. – ele fica frustrado quando não consegui lidar com uma situação, e todo o acontecimento o deixou nervoso, não só ele, como todo mundo. – ela se sentia triste por tudo que havia acontecido. – ele só tem medo de te perder. – ela engoliu em seco abaixando a cabeça.- só que ele não sabe fazer as coisas sem ficar nervoso.
—Não, ele estava certo. – ela ficou olhando para suas mãos sobre o colo. – e que é meio irreal para mim, tudo isso, é difícil mudar isso, eu estou acostumada a lidar com as coisas sozinhas.
—Entendo, mas só lembre que agora você tem a gente, não precisa lidar com isso sozinha. – ele a puxou para um abraço no qual recebeu de bom grado, Gray era como um irmão, uma figura muito importante para ela.
—Aonde ele foi? – perguntou quando se soltaram do abraço.
—Ele disse que iria treinar. – ela uniu as sobrancelhas. – tem um espaço aqui que praticamos, mas ele pode ter saído para arranjar briga também. – ela o olhou de olhos arregalados e ele riu. – o melhor treinamento é o que acontece de verdade. – ela ainda o olhava chocada quando a porta fora aberta atraindo a atenção do dois, e então o rosado entrou ficando parado na metade do caminho a olhando. Ele estava com a camisa preta semi aberta, e seus punhos estavam com alguns machucados e sujos de sangue, e havia também um pequeno corte na bochecha. Ela o olhou de olhos e boca arregalados. – eu vou voltar para lá. – Gray se levantou se retirando deixando os dois sozinhos, quando o moreno fechou a porta atrás de si ela o olhou chocada.
—O que acont...- antes que ela terminasse de questionar, ele foi até ela em passos firmes e a abraçou. – Natsu!- soltou surpresa e então o abraçando de volta. – onde você se meteu?- ela se afastou apenas para olhar o rosto dele que se sentou na cama. – você brigou?- ela segurou o rosto dele olhando o machucado.
—Me desculpa!- ele soltou a fazendo olhar em seus olhos. – não devia ter gritado com você, e só que...
—Está tudo bem, você teve seus motivos.- ele negou com a cabeça e antes que pudesse falar algo, ela prosseguiu. – eu lhe devo desculpas, eu não estou acostumada com as pessoas querendo cuidar de mim e me proteger.- ela olhou para ele passando a mão em seu rosto. – eu sempre me arrisquei antes por que achava que minha vida não tinha valor e que ninguém sentiria minha falta, então não haveria problema, porém, agora eu não posso ser egoísta e me arriscar quando tem tantas pessoas me esperando. – ela sorriu para ele. – eu não posso me ferir, para não ferir aqueles que eu gosto. Me desculpa?- ela deu um pequeno sorriso e então ele a puxou para um abraço.
—Sua vida vale, é muito. – ele colocou a cabeça no pescoço dela sentindo seu cheiro. – nunca mais se arrisque, se não, não a irei a perdoar. – ela assentiu sorrindo e passando a mão nos cabelos róseas dele. Eles ficaram por um tempo se abraçando até ela arredar para que ele deitasse ao seu lado, e abraçasse sua cintura com a cabeça em seu peito enquanto ela passava a mão nos cabelos dele.
— Eu era muito unida com minha mãe quando era criança. – ele ficou quieto apenas a deixando contar, já que ela quase nunca falava de si mesmo, ele iria apenas ouvir. – eu era péssima na aula de magia. – ela deu uma risada irônica.- como eu sentia o olhar de desgosto das outras sereias, eu me sentia pressionada e não conseguia controlar o poder. As sereias nunca gostaram do fato de que sereias haviam sido ofertadas para as estrelas, elas não gostavam que misturassem as raças, principalmente depois de todas terem morrido por conta de Acnologia, eu não sei bem, mas elas não gostavam de mim, e para piorar a situação eu sempre fui diferente delas, então todos do reino me achavam estranha, e não gostavam do fato de que eu fosse a princesa, não me achavam digna. – ele apenas ficou a ouvindo. – para ser sincera eu não me importava, mesmo quando elas chegavam a me agredir usando magia, rindo por eu não conseguir controlar o meu poder, ou quando falavam coisas pelas minhas costas. Eu não me importava, por que eu tinha minha mãe que gostava de mim, independente de como eu era, mesmo que eu não fosse a sereia perfeita, eu era a pessoa perfeita para minha mãe. – ela sentia um aperto apenas de lembrar. – quando eu tinha sete anos ela me levou pela primeira vez em terra firme, ela usou o encanto em mim, eu nem ao menos precisei me transformar sozinha, por isso nem havia doído nem nada. Ela me levou para um lugar chamado bosque das fadas, era o lugar preferido dela, ela dizia que quando era humana ia lá para caçar fadas, foi onde ela conheceu... Zeref pela primeira vez também. Então ela me levou lá, que também se transformou o meu lugar favorito, lembro de conhecer um garoto humano, não lembro direito dele, mas foi meu primeiro contato humano, me lembro de não sentir medo e sim confiança nele. – o rosado piscou os olhos como se algo viesse em sua mente.- acho que minha mãe já tinha consciência de que aquela seria nossa última vez juntas, já que no outro dia ela foi exilada. – ela engoliu em seco e ele a abraçou firme a passando força. – lembro que foi aí que eu consegui controlar meu poder, foi quando me disseram que eu permitia que minhas emoções tomassem conta de mim, por isso não conseguia ter controle sobre o poder, disseram que eu deveria desligar tudo e muito menos sentir chateada por uma traidora, que não importava o laço que eu tivesse com ela, um exilado não passava de um nada. – ela fechou os olhos por alguns segundos. – eles me reprimiram e me impediram de sentir a partida de minha mãe, eu sei que naquele dia, uma coisa em mim morreu, então consegui ser o boneco de cera deles, controlei o poder e também fui atrás do respeito deles, fiz me respeitarem, eu não faço as coisas por que quero exibir aos outros, e sim por que eu queria provar que merecia o respeito deles. Eu me forcei ser a melhor de todas, para que nunca mais me fosse dito o que eu deveria ou não fazer. – levantou a cabeça para olhá-la e ela sorriu para ele. – obrigada por me permitir ser quem sou, sem precisar lhe provar nada.
**
Dez anos atrás
Ela estava muito feliz que pela primeira vez havia ido conhecer a superfície, e estava junto da sua pessoa preferida, aquele com certeza era o dia favorito de Lucy, ela nunca o esqueceria.
Estava andando para apanhar flores para um buquê para sua mãe, a mesma a havia intimado que ela não fosse muito longe, a pequena amava flores e amava dar elas as pessoas que gostava. Estava atenta as flores, quando ouviu um barulho, se virou para trás apenas para confirmar que não estava tão longe de sua mãe. Lucy era uma garota muito sapeca e mesmo assim sua mãe confiava em deixá-la sair para pegar as flores, sua mãe não era como os outros que não confiavam nada a ela. Ela ouviu novamente o barulho e sendo curiosa como sempre, se guiou até o arbusto que havia escutado o som, e quando se aproximou acabou por trombar em alguma coisa que saia do arbusto e então os dois foram ao chão, caindo de bunda.
—Ai, mas o que é isso?- o pequeno garoto questionou e ao olhar para a garotinha de cabelos loiros e olhos achocolatados, ele arregalou os olhos e sentiu o coração bater rápido por um minuto. – uma... fada? Você é uma fada? Você brilha como uma fada!- ela olhou de olhos semicerrados para o garotinho que tinha cabelos rosas e olhos verde musgo. Se aproximou do pequeno que arregalou os olhos e corou com a aproximação.
—Seu cabelo parece picolé de morango.- ela não havia ficado com medo do garoto, pelo contrário, havia sentindo um sensação muito segura e acalentadora pelo pequeno.
—O que ?- questionou e ao notar que ela ia levar a mão até o seu cabelo, ele empurrou levemente a mão dela. – não toque no meu cabelo por favor, mamãe acabou de escová-lo. – o garotinho falou pomposo.
—Está horrível!- olhou chocado para a garota, com tamanha absurdez, era a coisa mais chocante que havia ouvido no dia.
—Oh, como ousa!- ele falou fingindo estar ofendido e ela piscava os olhos castanhos. – você não entende sobre chiqueza.
—O que é isso? Chiqueiro?- ela questionou sentando ao lado do garotinho.
— É onde vive os porcos.- ele arregalou os olhos depois. – não é chiqueiro é chiqueza!- ele falou pausadamente, porém, ela apenas o olhava com os olhos brilhantes. – é quando uma pessoa é muito bem arrumada. – coisa que ele não era nem um pouco.
—Eu prefiro assim.- então ela levou as mãozinhas até o cabelo dele bagunçando os fios róseos, os deixando desgrenhados. O garotinho arregalou os olhos e ficou corado com a aproximação da menina. – pronto, agora está mais bonito.- ele piscou os olhos a olhando que sorria. – eu até me casaria com você.- ele arregalou os olhos completamente chocado.
—Você tá doida? Eu só tenho nove anos. – ele disse como se fosse óbvio.
—Eu tenho sete, podemos casar quando formos grandes.- ela abriu um grande sorriso e ele a olhava desconfiado. – o que?
—Você é estranha!- o sorriso rapidamente sumiu de seu rosto, se lembrando de como todos a chamavam, claro, era apenas aquilo que ela era.- mas um estranha bom. – o olhou surpresa enquanto ele pegava uma flor azul e colocava atrás da orelha dela e sorriu. – agora está mais linda, azul combina com você, por que é da cor do céu e você parece uma estrela. – ela o olhou encantada. – eu sou o Natsu e você?
—Lucy! Cadê você?- ela ouviu a voz de sua mãe a chamando e então se sentiu triste por alguns minutos e olhou para o garotinho que parecia sentir o mesmo.
—Tenho de ir. – ela se levantou e ele sorriu para ela antes dela pegar o buquê e voltar para sua mãe, mas com o coração aquecido pelo seu primeiro contato humano.
Atualmente
—Eu estou morrendo, aonde você está me levando?- a loira questionou enquanto subia o pequeno morro. O rosado havia a chamado para levá-la a um lugar assim que ela ficou melhor.
—Se continuar reclamando, eu irei a empurrar para voltar rolando. – ela lhe chutou a bunda arrancando uma risada do mesmo. – vem!- ele esticou a mão para ela pegar que o olhou e então sorriu segurando sua mão.
—Você deveria me carregar, ainda estou indisposta.- ela falou suspirando.
—Você é pesada!- ela o olhou chocada. – e anda logo.- ele foi para atrás dela a empurrando pelas costas e começou a correr enquanto ela gritava mandando ele parar. – vai sobe!- se agachou rindo da garota que o olhou desconfiada e ele se virou para ela. – anda, antes que eu mude de ideia. – e quando ia se levantar ela se agarrou as suas costas o fazendo rir e então segurar nas cochas dela a segurando firme. E voltaram ao seu caminho. – eu quero uma retribuição por isso depois, obviamente não vai sair de graça, que eu não sou burro de carga. – ela gargalhou e deu um beijo na bochecha dele. – não me convenceu. – ela apenas revirou os olhos.
Depois de alguns minutos já estavam chegando no local e ela já havia descido do colo dele , e agora andavam de mãos dadas, ela olhava o local e sentia um sentimento de nostalgia, como se já tivesse ido lá.
—Que lugar é esse?- ele sorriu e então se virou para olhá-la.
—O bosque das fadas.- ela o olhou de olhos arregalados. – é aqui em Magnolia. – e então eles chegaram aonde estavam os cristais espalhados por todo o local e brilhavam de várias cores com a luz da lua refletida, e havia uma pequeno lago. – eles costumam dizer que aqui é onde as fadas vivem, por isso esse nome. – ela olhava tudo abismada, era seu lugar favorito. – quando eu era pequeno eu vim aqui atrás de uma fada, e acabei esbarrando em uma garota loira. – se virou olhando para ele, e então suas lembranças daquele dia surgiram em sua mente como um flash e o olhou chocada.
—Era você?- ela colocou as mãos na boca surpresa com toda situação, e ele deu um sorriso e confirmou com a cabeça.
—Sim!- sorriu abismada.- você sabia que por sua causa eu peguei trauma de pentear o cabelo?- ele falou ofendido e ela gargalhou.
—Sabia que azul é minha cor favorita por que é a cor do céu?- ela sorriu o olhando, ele sorriu e levou as mãos atrás da cabeça. Era engraçado como as coisas são, Natsu havia sido seu primeiro contato humano. – e você fica bem melhor com o cabelo assim. – falou sorrindo enquanto colocava os braços ao redor do pescoço dele o abraçando.
—Só acredito por que a menina mais linda que eu já vi, disse isso. – ele levou as mãos até a cintura dela a abraçando e a trazendo para mais perto. – parece que nossos destinos já foram cruzados a muito tempo atrás. – ela sorriu confirmando. – espero que lhe trazendo aqui, lhe deixe mais próxima de sua mãe, funciona quando vou em lugares que ia com a minha.- sorriu emocionada.- e agora eu sou o encarregado de lhe deixar com boas memórias aqui. – sorriu quando ele disse a frase que ela havia dito a ele no dia que se beijaram pela primeira vez.
E então, ele se aproximou tocando seus lábios nos dela, sentindo o gosto e o veludo que ele tanto amava. Beijar Lucy era como uma nova descoberta, sempre que seus lábios tocavam os dela, era como se uma porta de sensações dentro de si fosse aberta e descobrisse tanto coisa que lhe era desconhecida. Quando ela lhe deu passagem com a língua, era como se uma explosão de sentimentos fossem sentidos e toda a pele se arrepiava. Era como se sentissem que iam a terra e ao céu ao mesmo tempo.
Não era necessário palavras para serem ditas, pois cada sensação e ação estavam ali para serem ditas no lugar das palavras que sempre lhes pareciam faltar. Era pouco para expressar o que sentiam um pelo outro, forte demais para ser explicado para aqueles que fossem de leigos a maiores experts do assunto. Nem eles mesmo sabiam o que estavam sentindo, o que sabiam era que era bom e fariam de tudo para lutar por isso.
Encostaram a testa um no outro quando o ar lhes faltou, ela levou a mão até o rosto dele o acariciando ainda de olhos fechados inerte a tudo, apenas permitido apreciar a sensação que apenas ele lhe causava .
Pior do que sentir tudo era não sentir nada, e ela não se arrependia nem um pouco de ser diferente das outras sereias, por se permitir sentir, pois se não, nunca vivenciaria aquilo e ela não se importaria de reviver quantas vezes fosse, desde que ela sentisse aquilo e tivesse ele, ela não se importaria de fazer mil fazes o que havia feito para chegar até ele.
— Você beija bem, até poderia me casar com você!- ela falou arrancando uma risada dele.
—Tá doida? Eu só tenho dezenove anos. – ela sorriu com as falas dele se recordando de quando se encontraram pela primeira vez. – vem cá!- ele segurou a mão dela a levando até o lago e lá dentro haviam peixes que brilhavam e eram de várias formas e tamanhos.
—Uau, que lindo!- ela falou maravilhada. – eu não me lembrava disso.
—Não me admira, com essa memória de peixe, até esqueceu de mim, o que é impossível depois que me vêem pela primeira vez. – ela revirou os olhos enquanto ele apenas dava seu costumeiro sorriso de lado. – não acredita? Pode questionar as garotas da taberna do Diabo. – ela o olhou de olhos arregalados e deu um tapa nele que apenas sorriu satisfeito, e deu um beijo na bochecha dela. – preciso tirar proveito dessa situação.
—Você é ridículo!- ela falou cruzando os braços.- se quiser posso lhe falar do Sting também. – ele ficou sério na hora e ela sorriu. – Pimenta nos olhos dos outros, é refresco né?!- ele revirou os olhos e ela sorriu vitoriosa. – aliás, completamente sem nexo você ter sentido ciúmes dele.
—Ah sem nexo por que você não viu como ele te olhava. – ele falou sério. – sem falar que... Ele era bem melhor que eu, as chances de você sentir algo por ele, eram bem maiores. – o sorriso sumiu de seu rosto ao ouvir as falas dele e em como ele parecia incomodado com aquilo. – sendo sincero Lucy, era impossível que alguém como você fosse sentir alguma coisa por mim.
—O que? Por que?- ela não compreendia o que ele dizia, na visão dela, era o contrário, não havia como não sentir nada por ele.
—Por que você tinha todos os motivos para me odiar, sem falar que perto de você eu sou o próprio demônio. – ela o olhou séria.
—Pare com isso, nunca mais diga essas coisas!- ela falou firme. – nunca mais se menospreze, você não é nada disso e eu muito menos. – ele colocou as mãos no bolso da calça e ficou chutando o chão, atento em suas botas. – eu gosto de você exatamente pelo que você é. – a olhou com os olhos arregalados de surpresa, era a primeira vez que Lucy dizia em voz alta o que sentia por ele. Mesmo que não fosse necessário, já que ações valiam mais que palavras e ela vinha demonstrando bastante, ver ali, ela dizendo pelos lábios que ele tanto amava, ele descobriu o quão necessário e bom, era ouvir aquilo.
**
Odiava o fato de ter de recorrer a um seguidor dos deuses, contudo, um sonho havia o incomodado e decidiu por recorrer ao oráculo para lhe responder. Ele preferia ignorar o fato de que estava, em um templo sagrado e dedicado ao deus Apolo junto de seus sacerdotes.
Olhou para a mulher que parecia estar em uma espécie de transe antes de lhe dizer suas previsões.
— A muito tempo atrás um amor surgiu, porém, devido as circunstâncias eles se separaram. E agora um novo amor surgiu. – ele uniu as sobrancelhas sem compreender. – os dois jovens a de se unir e lutar contra tudo, eles serão maiores que aquilo que deseja.
—É a Mavis?- ele questionou sem saber exatamente o por que, mas obtinha necessidade em saber se era ela a pessoa da previsão.
—A jovem sereia foi exilada ao tentar fazer um acordo com as moiras. – arregalou os olhos surpreso. – ela tentou fazer com que a sua semente pudesse viver uma vida como uma humana comum, porém, a deusa descobriu e se sentiu traída, ela e todos do reino dos mares se sentiram, todos sabem, menos a própria filha. – ele levantou uma sobrancelha tentando raciocinar com o que havia escutado.
—É a filha de Mavis?- ele questionou chegando ao centro da discussão.
—É a filha daquela que abriu a maldição, junto do filho daquele que morreu por ela. – ele arregalou os olhos completamente surpreso. – seu filho que você não sabia da existência com a humana Mayi, se apaixonou pela filha de Mavis. – seu corpo inteiro paralisou com a informação que havia acabado de receber. – seu filho é a única coisa além da sereia celestial, que pode lhe destruir, Zeref.
Se virou saindo daquele lugar em passos rápidos, seu corpo inteiro parecia estar em combustão e uma carga parecia percorrer cada pele de seu corpo, e então como fumaça ele desapareceu de onde estava para então surgir no navio da Grimoire Heart. O homem de cabelos brancos ao notar a presença do outro em sua sala, arregalou os olhos e fez uma reverência. Podia sentir de longe o ódio do homem e a áurea negra ao seu redor.
—Meu senhor, o que o trás...- antes que pudesse terminar de dizer as palavras o punho de Zeref acertou o rosto o derrubando, para então o pegar pela gola da blusa e o jogar com força contra a parede.
—VOCÊ SABIA DISSO? SABIA QUE A HUMANA ESTAVA GRÁVIDA?- Hades arregalou os olhos com as falas do outro. – Eu me lembro de pedir para que cuidasse dela.
—E..e..uu cuidei!- ele mentiu, porém, o outro já sabia disso. – mas a criança está morta meu senhor, não a nada para se preocupar.
—ELE ESTÁ VIVO! – o senhor arregalou os olhos surpreso.
—Impossível, Mard Geer o matou!- Hades disse temendo por sua vida diante do olhar do outro. Se lembrava bem de quando havia entrado em conflito com Mard Geer, que havia lhe dito que tinha tentado matar a criança.
—Então como o oráculo disse que ele está vivo?!- ele falou firme. – estou rodeado de mentirosos. – então ele fez com que Mard Geer surgisse como fumaça na sala, ele tinha face inexpressiva e quieta, sempre que era chamado por seu mestre ele surgia assim. Entretanto, tamanha fora sua surpresa ao vê-lo em cima de Hades com um olhar mortal. – que tal você me dizer por que não matou a criança filho da humana, para que eu pense em uma morte menos dolorosa a vocês dois. – o homem de cabelos pretos arregalou os olhos e então olhou para Hades que confirmou com a cabeça.
— Ele tem a parte demoníaca selada, não será um problema para o senhor. – ele o olhou irritado e ia avançar no homem quando ele prosseguiu. – ele pode vir a ser útil meu senhor, independente de tudo, ele lhe deve obediência pela parte demoníaca, você pode controlá-lo. – Zeref o olhou de olhos semicerrados.
—Eu quero ele morto!- ele falou firme e friamente. – assim como eu quero aquela garota morta!
—Isso o senhor irá ter meu senhor, o poder dela está aumentando, aguardarei o momento certo e então você a terá para si. – ele se virou para Hades.
—Então acho bom você não falhar dessa vez, e aproveite que os dois estão juntos, e quando achá-los, mate-os, mas se possível um na frente do outro.- dito isso ele saiu sumindo feito fumaça.
Fim.
"Ele está sempre, sempre, no meu pensamento. Não por prazer, tal como eu não sou um prazer para mim própria, mas como parte de mim mesma, como eu própria."
—Emily Brontë-
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