Le Chant des Sirènes
64 Capítulo LXIII
Notas iniciais
Capítulo LXIII
A noite estava na penumbra com a luz do luar iluminando a clareira, a qual estava sendo o local de confronto entre os olhares. Não ousaram desviar a atenção e se encararam por longos segundos, irredutíveis em suas intenções.
—Vamos Jellal, me responda! – soou firme, os punhos serrados aonde suas unhas perfuravam a pele fina. Não conseguia acreditar que o amigo seria um possível traidor.
Os outros dois presentes se entreolharam em uma conversa silenciosa, aquela descoberta impactaria drasticamente na missão. Contudo, o azulado não pretendia mentir para a ruiva quando tudo estava tão visível. Suspirou jogando o cigarro ao chão o amassando com o solado da bota em seguida.
—Eu vou indo!- Ultear compreendeu sua deixa e que Jellal deveria obter aquela conversa sozinho, e era ele quem deveria decidir o que dizer.
—Não ouse sair daqui!- a voz era tão fria quanto um gelo o olhar, no entanto, exibia um fogo crepitante. Erza estava irritada, e nunca era algo bom quando isso ocorria. A morena lançou um olhar para o homem ao lado que apenas assentiu em concordância, e ela se virou para iniciar sua caminhada. A ruiva ousou avançar em direção à garota, mas fora impedida pelo azulado que entrou em sua frente. – me dê um motivo para não arrebentar sua cara? – falou entredentes o encarando com um ódio visível no olhar, aquilo o incomodou, contudo, não deixou se abalar. Deveria ser racional.
—Não é o que está pensando!- falou calmo se mantendo a voz da razão, porém, aquilo serviu apenas de incentivo para irrita-la mais.
—Então o que é? Por que me parece que está repassando informações confidenciais a sua noiva!- semicerrou os olhos descrentes o encarando, os lábios tremiam sob a irritação. – independente do quão apaixonado esteja, não se deve apunhalar os amigos!- cuspiu com grosseria ao homem que suspirou.
—Eu não contei sobre Natsu!- ela riu de escárnio sobre as palavras do azulado. — eu repassei que Zeref estaria vivo, para que ela conseguisse mais informações através das suas fontes!
—Isso não diminuiu a veracidade do que fez!- o encarou em choque. A seu ver, aquilo era inaceitável.
—Eu sei, no entanto, faria quantas vezes fosse necessário!- arregalou os olhos marrons feito os troncos de árvores no outono. Sempre vividos e brilhantes, estavam opacos com lampejo de tristeza e decepção. E ele se odiou por aquilo. – você pode não acreditar, porém, estou fazendo isso para proteger a todos nós! – semicerrou os olhos o encarando, a sua face demonstrava sua insatisfação, contudo, ele permanecia neutro a tudo, como se fosse insignificante e desnecessário o que ela estava fazendo.
Lançou lhe um olhar decepcionado antes de se virar e retirar do local a passos duros e firmes, a terra abaixo de si sofria o resultado de sua insatisfação, e se sentia uma covarde por não possuir coragem em despejar seu descontentamento no amigo ou repassar a Makarov o que havia acontecido.
Quanto a Jellal, a encarava com um olhar chateado a observando se afastar até sumir de sua visão. Sentia-se frustrado por não poder dizer os seus motivos pelas suas ações consideradas inaceitáveis a vista da garota. Esperava que obtivesse a coragem de dizer a verdade a ela algum dia.
**
Na mitologia acreditava-se que fora o titã Prometeu quem havia criado os humanos, quando em um momento de paz e reflexão enquanto se sentava próximo ao lago, utilizou da argila para criar formas de algo que ele tirara por base dos titãs. No entanto, eram menores e mais frágeis, e após o sopro da vida as criações de argila tomaram vida através dele. Alguns diziam que fora o sangue de Urano que escorria por sobre a terra a qual se encontrava na argila, que os deram vida, de todo forma aquele fora o inicio da humanidade.
Perguntou-se como fora para o titã recriar os seres pequenos e miúdos, e se imaginou como ele. Ao passar o dedo delicadamente por sobre pele a qual se assemelhava a mais fina ceda do império. Tomou um caminho da costela em direção a cintura, passeando por sobre a camada delicada que se arrepiava no processo.
Sentia-se como um artista avaliando sua obra com extrema admiração. Os fios loiros escorriam por sobre o tecido vermelho feito o ouro brilhando no sangue puro, a pele acetinada e pálida como a lua possuía pequenas marcas na pele, consequência do amor que sentiram na noite anterior, e os lábios rosados entreabertos respirando o ar puro enquanto seu consciente se agraciava de um sonho satisfatório. Ele era um maldito sortudo e não possuía dúvidas disso.
Jamais pensou que pudesse ser preenchido com sentimentos como os que sentiam com a presença daquela garota. Era indiscutível o poder que ela possuía sobre ele sem ao menos ter consciência disso. Nunca se julgou alguém digno de amar e muito menos que pudesse vir a sentir tal sentimento, seu coração sempre parece pútrido demais para vivenciar algo tão benigno e puro.
A noite anterior serviu apenas para enfatizar o quão preso estava. Lucy estava equivocada ao dizer que ele a havia feito sua ontem, contudo, ela que havia o feito dela, para sempre. Natsu Dragneel estava completamente preso a Lucy Heartfilia.
Aproximou o rosto do pescoço alvo e exposto, o cheiro doce era de longe o seu preferido. Beijou-lhe a pele, depositando selares com os lábios pelo local e apreciando a pele se arrepiar em seguida. Sua mão segurou a cintura fina com firmeza a trazendo para mais perto de si, aonde ele ansiava para que ela sempre permanecesse.
As pálpebras piscaram levemente antes de se abrirem por completo, e sua visão se focou no homem a sua frente com um sorriso que irradiava seu ser. Aqueceu-se apenas com aquela visão, sua mente se recordava de cada um dos momentos vividos e de maneira instintiva seu corpo inteiro se arrepiou.
—Bom dia!- sua face estava completamente vermelha, enquanto os olhos castanhos não possuíam a coragem necessária de encarar os de jade a sua frente.
O que fora um bálsamo a si, observa-la tímida e ao mesmo tempo tão entregue aos mínimos toques de seu corpo.
—Por que estas tímida meu amor?- beijou-lhe a bochecha demoradamente, e o coração dela retumbou. – depois de ontem a noite, não deveria se sentir assim!- segurou a cintura com firmeza e a sereia engoliu em seco de maneira nervosa.
—Natsu!- tentou soar irritada, contudo, a voz trêmula a fizera perder o argumento. Arriscou fugir das mãos na tentativa de se livrar do momento constrangedor, todavia, fora impedida pelo corpo forte sobre si.
—Aonde vai? Por que não continuamos o que fizemos ontem?- arregalou os olhos arrancando uma risada do rosado em resposta, que se agraciava das reações dela. Era um deleite irrita-la.
Os olhos se fixaram um no outro por alguns segundos, como se as palavras se sobressaíssem antes de saírem dos lábios, como uma promessa silenciosa do toque que sucederia.
E então, os lábios dele tocaram os seus em um encontro de veludos, silencioso e preciso. E como se o corpo fosse ligado a uma energia direta a qual percorrera por cada milímetro de pele. Havia um desejo insaciável com um gosto de promessa eterna.
—Natsu, me desculpe!- a voz dela soou baixo após o beijo, quando as testas se tocaram. Os verdes a encararam com um brilho de curiosidade e incompreensão. – eu fiz coisas que te desagradaram!- estava temerosa, e mesmo que desejasse adiar tal conversa, não poderia fazê-lo por mais tempo. Contudo, o rosado apenas negou com a cabeça segurando o rosto dela com a sua mão, acariciando a pele com o polegar deixando um rastro de arrepios pelo local.
—Não me importo com isso!- a voz firme atraiu sua atenção e fora quase instintivo não se sentir surpresa com a reação dele. – não se isso for afasta-la de mim!- fechou os olhos respirando fundo o cheiro que acalmava cada terminação de seu ser.
A sereia não conseguiu refrear o coração que bateu acelerado e a respiração que soltou logo em seguida. O alívio preencheu o seu ser acalmando seus nervos, avisando-os que nada os afastariam desde que não permitissem.
Possuía consciência de que ficar ao lado daquele homem seria laborioso, e que a batalha que enfrentariam para isso ocorrer, mal havia se iniciado. Contudo, dentre todas as opções que possuía abandona-lo não estava entre elas.
O amor era uma batalha difícil, entretanto, viver sem amor, era mais árduo ainda.
**
A manhã havia surgido com novas expectativas e idealizações, o dia parecia melhor que o anterior para alguns respectivos marujos. Para outros, no entanto, se assemelhava a um martírio.
—Decidiu pela marca original?- ergueu os olhos para a garota de longos cabelos albinos à frente. Assentiu com um sorriso no rosto, enquanto esticava a mão direita sobre o balcão.
Naquele dia Lucy obteria sua marca da Fairy Tail, para que não surgissem especulações de quem ela seria. Natsu estava preocupado com aquele fato desde o encontro inesperado e desagradável com Ivan, contudo, devido à correria dos acontecimentos aquele momento apenas foi se postergando. E ao fim, ela havia decidido usar a marca de verdade, não apenas uma falsa, pois a Fairy Tail era importante para ela e jamais pretendia se esquecer deles e de tudo que havia vivido.
A albina depositou uma espécie de carimbo mágico na mão da garota, e após um pequeno brilho a marca se encontrava perfeitamente desenhada em sua pele. O formato de uma fada com uma calda em uma tonalidade rosa claro. A sereia ergueu a mão observando como um simples desenho poderia possuir imenso significado. O sentimento de felicidade que a preencheu fora arrebatante, sentiu como se após muito tempo de procura houvesse conseguido sua verdadeira paz e principalmente, família.
—Ficou bonita!- levou os olhos à ruiva que se sentou a banqueta ao lado. Seus olhos pareciam vagos e os ombros caídos para uma sempre animada Erza.
—Também gostei, o significado da cor é bem óbvio!- Mira falou com um sorriso travesso nos lábios e consequentemente deixando a loira constrangida com as bochechas coradas, feito o cabelo da amiga ao lado.
—Não tem nada haver!- se defendeu, contudo, não repassando a confiança necessária e apenas revirou os olhos ignorando a mulher que deu uma risada voltando a limpar a bagunça dos marujos. Observou a postura desanimada de Erza e se preocupou com o que poderia ter acontecido. – está tudo bem? – a mulher suspirou antes de responder, decidindo o que diria.
—Sim... Na verdade não!- a loira a encarou com preocupação se aproximando.
—O que aconteceu?- Questionou baixo imaginando que ela não gostaria de dizer em bom tom o que havia acontecido. Erza gostava de repassar uma imagem de pessoa inabalável, para que seus amigos sempre vissem nela, um abrigo.
—Eu ouvi Jellal contando a noiva dele sobre o que descobrimos com as moiras! – sua voz fora baixa e não olhou aos olhos castanhos ao proferi-las. Lucy sentiu o impacto das palavras mesmo assim, e arregalou os olhos em choque. O sentimento de preocupação fora instantâneo.
—Por que ele fez isso?- suspirou passando as mãos nos cabelos longos e vermelhos feitos sangue, frustrada por não saber a resposta daquela pergunta.
—Ele disse que ela possuía contatos, que poderiam nos repassar algumas informações cruciais, falou que não entrou em muitos detalhes como o que Natsu era, e quem é o filho de Zeref. – por alguns segundos a loira se permitiu suspirar aliviada. A sua preocupação inicial havia sido aplacada, no entanto, aquilo não diminuía a importância do que havia ocorrido. – independente disso, ele não deveria dizer isso a ninguém, não importa quem seja!- falou com mais firmeza em sua voz. – não sabemos quais são as intenções das outras pessoas ou como essas informações podem impactar!
—Certamente!- concordou com um suspiro e observou a amiga tensa. – porém, não acho que ele tenha feito com intenções malignas. – Erza a encarou como se o que houvesse dito fosse um ultraje.
—Não procure justificativas Lucy!- soou frustrada. Às vezes a bondade da amiga era exagerada e sobressaia a razão.
—Não estou!- devolveu firme. – estou tentando compreender os motivos dele. – falou com uma voz mais amaciada para a amiga. – converse com ele Erza, entenda o que aconteceu e depois decida as consequências. – a olhou de canto ainda incerta sobre o que a sereia havia dito. Soltou um suspiro exagerado ao fim.
—Farei isso, e caso ele não me diga, repassarei a Makarov!- a loira assentiu em concordância com a ideia. A ruiva a olhou antes de fazer o questionamento que a estava a corroendo. – quando pretende contar a ele? – a sereia tinha consciência sobre o que a amiga estava dizendo, e aquilo lhe causou certo desconforto.
—Pretende dizer hoje, não é uma coisa que deva ficar escondida!- suspirou deitando a cabeça no balcão em desânimo. A ruiva sorriu pela primeira vez desde que havia entrado no salão, e levou as mãos aos cabelos dourados os acariciando.
—Vai dar tudo certo!- ela desejava piamente que as palavras de Erza se tornassem reais.
Admitia que não desejava repassar a informação sem uma solução prévia, no entanto, não poderia esconder algo com demasiada importância do rosado, não seria justo e muito menos o correto a se fazer. Natsu tinha o direito de descobrir quem era e ele mesmo deveria decidir como lutaria por si.
Como um aviso dos Deuses, uma pequena azulada se aproximou sorridente se sentando ao lado disponível da sereia aparentemente abalada. Ergueu uma sobrancelha a ruiva em questionamento e recebeu apenas um dar de ombros em resposta.
—Lu-chan, obtive uma conversa com Makarov ontem e acho que podemos ter encontrado uma solução temporária para o problema de Natsu!- como uma rapidez sobre-humana, o tronco da loira foi erguido e os olhos castanhos encaravam a amiga em expectativa.
—O que? – Levy deu uma risada da empolgação da garota. – o que descobriu?
—Digamos que me baseie em Hades, e na sua capacidade de controlar a magia negra. – uma luz de compreensão brilhou nos olhos da sereia. – eu pensei a respeito, depois do que as Moiras haviam dito e procurei saber mais sobre Hades. – as duas a encaravam a espera das informações que seriam repassadas. – descobri que se trata de um homem comum que dominou a magia negra através de estudos com a alquimia. – colocou um grosso livro sobre a bancada. Possuía um aspecto envelhecido e cor negra. – sobretudo, a magia negra foi originada do próprio caos, dizem que é a parte que ainda vive as escondidas. O caos foi o inicio de tudo, contudo, a magia negra que o perdurara era perigosa o suficiente para demônios assustarem os deuses e por consequência de tornou uma magia antiga, esquecida, pois é maléfica demais para se obtiver controle. – abriu o livro em uma página a qual estava marcada com uma folha seca. – no entanto, descobri que através de estudos avançados, alguns alquimistas obtiveram êxito. E pensei que Natsu pudesse treinar sua magia dessa mesma forma. – os olhos castanhos se arregalaram surpresos com um brilho de expectativa que era visível a quilômetros.
—Você fora extremamente engenhosa Levy!- as bochechas da pequena coraram em um tom vermelho vivo. – é incrível, muito obrigada!- sorriu em agradecimento e a azulada apenas balançou as mãos como se não fosse nada.
—Não foi nada demais!- empurrou o livro em direção à sereia que o observou com cuidado. Era desgastado com páginas amareladas pelo tempo e rasuras na capa escura. – começar com esse livro pode ser um grande passo. – Assentiu segurando o grosso objeto entre as mãos. – você havia dito que conhecendo sua natureza, ele conseguiria se controlar, então, como sabemos qual é a magia que ele tem, poderíamos pesquisar sobre.
—Isso foi certeiro!- Erza soou sincera olhando por cima do ombro da loira para observar as páginas com grandes quantidades de textos.
—Lucy!- virou encontrando o senhor de estatura baixa a encarando com seriedade. – acho melhor repassarmos as informações nesse momento. – um frio percorreu sua espinha. – aparentemente, Levy lhe contou a solução prévia. – concordou de imediato e o homem assentiu cruzando os braços. – então vamos!- se virou para caminhar em direção as escadas e a sereia olhou uma última vez para as amigas que sorriram para lhe repassar força.
A cada passo em direção ao escritório que era utilizado para realizar reuniões, sentia-se ansiosa imaginando em como aquilo poderia acarretar na vida de Natsu.
A porta de madeira foi aberta e o local estava abarrotado de vozes das três pessoas presentes que consistiam em Gildarts sentado de maneira preguiçosa na poltrona, Gray em pé apoiado na parede enquanto fumava um charuto, e então, a pessoa que fez seu coração dar um salto. Natsu estava sentado em sua poltrona disposta ao centro e assim que notou a presença dela, seu olhar obteve um lampejo de um brilho de felicidade e um sorriso ladino emoldou em seus lábios quando seus olhos percorreram por todo o corpo, pousando demoradamente nas marcas do pescoço que ela inutilmente tentou esconder. Automaticamente seu rosto se aqueceu assim como seu corpo com lembranças vivas que perduravam em sua mente, seu corpo ainda experimentava o resultado, e mesmo estando um pouco dolorida, não conseguia deixar de se sentir feliz e completa.
—Calem a boca agora!- Makarov falou após se sentar em uma cadeira relativamente alta e lançar um olhar em direção ao rosado que ainda se mantinha vidrado na garota à frente. – Natsu, precisamos falar sobre o que foi descoberto!- uma carranca surgiu na face do mesmo e se mexeu desconfortável no assento.
—Estou ouvindo!- sua voz denotava que ele se sentia levemente irritado com o assunto. Falar deliberadamente sobre seu pai, ainda lhe era um incômodo o qual ele não havia conseguido superar.
—Descobrimos muitas coisas nesse meio tempo. – a voz da sereia era suave assim como sua expressão. Aquilo era o suficiente para acalmar seu coração assim que a olhou. – decidimos encontrar as moiras para contatar um espírito que possuía conhecimento sobre seu passado, para confirmar as informações repassadas por Igneel. – os olhos se arregalaram levemente, e um tom de incompreensão era visível. – eu contatei sua mãe Natsu!- a respiração dele se prendeu e ela apertou os punhos, temerosa que ele se irritasse com a intromissão dela outra vez. – e ela me contou uma história interessante... Aparentemente ela e Igneel fora um casamento arranjado pelo próprio, ela não gostava dele, e então, pouco tempo depois acabou por conhecer um homem a qual descobriu o amor, e desse sentimento... Nasceu você!
—O que?- a perplexidade estava estampada em toda sua face. – está dizendo que Igneel não é meu pai?- não sabia definir o que estava sentindo, era uma mistura entre o alívio por aquele crápula não ser seu pai, e chateação por ter sido enganado por todo esse tempo, com uma pitada de frustração em saber que buscou por anos a afeição de um maldito que jamais poderia aceita-lo.
—Sim!- fora Makarov quem respondera e lançou um olhar ao jovem. – descobrimos que seu pai é o Zeref!- O rosado soltou uma risada irônica, descrente do que havia ouvido.
—Até aonde sei, mortos não tem filhos!- o deboche escorria de seus lábios como mel, porém, sentia uma sensação de adrenalina correr por seu corpo. Aquilo o deixava ansioso.
—Segundo o que as Moiras disseram, ele não morreu. – piscou os olhos observando a sereia dizer as informações com cautela. – acontece que no momento da condenação, ele orou rogando pela ajuda do deus do submundo e esse acabou atendendo seu pedido o salvando. – permaneceu quieto escutando. O maxilar estava rígido pela tensão. – ele transformou Zeref em um ser imortal e por consequência ele perdeu sua humanidade e valor da vida, se transformando em um demônio da morte. – os punhos estavam cerrados e a face inexpressível. – como ele não tem corpo astral, não precisa roubar a vitalidade dos humanos e consequentemente sua cria também não, por isso você nasceu sem problemas no parto... Você é um híbrido!
—Já fui chamado de várias coisas, porém, filho do capeta é a primeira vez!- debochou com um sorriso falso no rosto. O seu incômodo era visível e estava usando do humor ácido para disfarçar.
— Isso é sério Natsu!- Makarov ditou com seriedade e o outro socou a mesa com força o encarando com uma nítida irritação.
—Quer que eu acredite nessa lorota?- quase berrou com os dentes serrados. As veias de seus punhos estavam exaltadas devida a força que ele empunhava nos punhos serrados.
—É verídico!- o velho senhor não se abalou e falou simplista. Lançando um olhar significativo.
—Uma porra que é!- levantou empurrando com brusquidão a cadeira para trás a qual bateu com força na parede. Lucy arregalou os olhos observando a respiração do rosado se tornar pesada, como se ele tivesse com dificuldade de respirar.
—Natsu, isso não muda o fato de quem você é!- Gildarts falou com seriedade e a voz mais mansa. Para que ficasse subtendida sua intenção.
—Não, agora só está nítido que sou a porra de um monstro!- socou a parede ao lado a rachando logo em seguida. A madeira contorceu e lascas se soltaram quando o punho foi retirado.
A sereia não esperou por mais indícios de seu surto inicial, e correu rapidamente para ficar a frente dele. Segurou à face do mesmo o obrigando a olha-la, a pele estava tão quente que poderia derreter a sua até os ossos, contudo, não se incomodou com aquilo.
Por um momento o verde jade se assemelhou a pequenas brasas que crepitavam no fogo, com minúsculas partículas de um dourado caminhando para um vermelho vivido na íris dos olhos dele.
—Não, você é o Natsu!- falou com firmeza encarando profundamente os verdes que se tornaram opacos e frigidos. – e nada é capaz de mudar isso!- acariciou a pele húmida de suor, depositando todo seu amor e carinho para aquele homem a sua frente.
—Lucy... — sua voz se tornou mais branda e uma calma instantânea pareceu o atingir. Não se importava comais nada, desde que ela ainda estivesse consigo mantendo aquele olhar.
Tão logo, uma dor excruciante lhe atingiu no cérebro como se o mesmo estivesse sendo esmagado e um zunido alto explodisse em seus ouvidos. Fora quase impossível interromper o grito de dor que soou de seus lábios, seu corpo se envolveu em uma dor que tremia pelos músculos que convulsionavam.
Assemelhava a milhões de agulhas minúsculas adentrando ao seu sangue e perfurando cada um de seus órgãos os aquecendo em seguida até que tornasse insuportável o calor dentro de si. Não havia uma região que não estava sendo afetada, contudo, a cabeça parecia ser a majoritária tornando sua visão turva e boca tremula.
—Natsu!- exclamou em desespero se abaixando ao lado dele quando o corpo se contorceu ao chão, tentou toca-lo, porém, a pele estava aquecida como brasa queimando sua pele fornecendo uma ardência logo em seguida. Trouxe a mão para si em instinto, e observou a pele avermelhada com pequenas bolhas ao redor.
Observou estática ele gritar agonizado, tremendo o corpo com lágrimas de sangue escorrendo por seus olhos e igualmente aos ouvidos. Pela primeira vez, um sentimento de horror lhe atingiu ao ponto de seu corpo travar e não consegui reagir de outra maneira a não ser ficar parada.
Os dois mais velhos correram até o garoto que soltava uma fumaça pela pele fumegante, como se uma redoma de calor fosse feita ao redor do rosado impedindo que os outros se aproximassem. Makarov retirou a seringa do bolso para direciona-la ao pescoço exposto do homem, porém, o vidro explodiu devido ao calor exposto, e o líquido esbranquiçado evaporou antes de atingir o chão. O cheiro amargo atingiu o olfato dos presentes.
—Mas que porcaria!- o senhor falou irritado retirando outra seringa do bolso, está sendo de metal e segurou com firmeza antes de direcionar ao pescoço de Natsu.
—O que é isso?- Questionou quase sem voz, mas com uma sensação sobrepujando o pavor em uma necessidade de se aproximar. Contudo, fora impedida por Gray que a puxou para si abraçando seu corpo inerte. – o que é isso?- percebeu que estava gritando quando sua garganta doeu e os braços se debatiam contra o corpo que a segurava.
—Calma Lucy!- Gray segurou seu rosto contra o peitoral a abraçando em uma tentativa de acalma-la.
A seringa fora fincada com certa rigidez contra a pele do pescoço de Natsu, e foi necessário que o líquido adentrasse com precisão na corrente sanguínea, pois o metal já estava se retorcendo devido o calor.
Aos poucos a loira foi se acalmando quando percebeu que ele estava melhorando. Permaneceu parada, completamente inerte contra os braços do amigo que acariciava seus cabelos. Em um determinado momento Natsu parou de tremer e a respiração pareceu se acalmar, até sua consciência se esvaísse e seu corpo caísse desacordado no chão.
Gray a soltou devagar até que ela engatinhou até o rosado o puxando contra seu corpo, depositando a cabeça dele sobre seu colo. Acariciou os cabelos róseos com as mãos tremulas, a qual utilizou para limpar os resquícios de sangue em seu rosto.
Apenas se deu conta de que estava chorando, quando as gotículas transparentes caíram no rosto descordado do homem. Levou a mão até suas bochechas húmidas as secando, e se sujando com o sangue dele no processo.
—O que aconteceu?- sua voz quase não saíra, todavia, eles a ouvira com nitidez antes de lhe responder.
—Esse fora apenas mais um, dentre os outros surtos que ele teve. – a resposta de Gildarts fez seu coração se apertar incomodada com aquilo. Não havia presenciado um surto de Natsu, e jamais imaginou que fosse algo como aquilo. O pavor ainda percorria em sua pele.
—O que tinha na seringa?- levou os olhos avermelhados em direção aos homens, enquanto abraçava com força o corpo do rosado contra si. Como se temesse que ele fosse desaparecer ou voltar repentinamente com a dor.
—Porlyusica receitou ópio para servir de analgésico a ele, sendo assim o medicamento agiria como um alucinógeno que o acalma. – arregalou os olhos surpresa com o que havia sido dito.
—Estavam o drogando?- não conseguiu disfarçar o asco na voz, talvez não desejasse esconder o quão aquilo a desagradou.
—Era melhor do que deixá-lo preso a correntes!- sua expressão fora para um completo choque assim como de Gray que os encarou sem compreender. – fazemos o que tinha que fazer! – a loira respirou fundo fechando os olhos.
Tinha consciência que todos buscaram resolver o problema com o que tinham. No entanto, era terrível que Natsu vinha a ser tratado como um prisioneiro e seu único meio de controle era uma droga que poderia causar deterioração e dependência.
Aquilo causou um desconforto em seu coração que se apertou após presenciar como ele estava sofrendo. O abraçou encostando a cabeça contra a dele permitindo as lágrimas escorrerem de seu rosto, enquanto silenciosamente pedia aos céus que tudo desse certo.
Há quem diga que sereias não choram há quem diga que elas não possuíam sentimentos, há quem diga que jamais poderiam amar. No entanto, aquele que observasse Lucy Heartfilia naquele momento, saberia que era mais do que possível. Ele havia se tornando a coisa mais essencial em sua vida, como também havia se tornado sua maior fragilidade.
Fim!
“Você é um risco que me arisco, por te amar. Um amor perigoso, que não me assusta nenhum pouco.”
—Eraldo Costa-
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