Le Banquet
20 Capítulo 19 - Les Jours Heureux
Notas iniciais
“Não é novidade que a fama do Twelve Madison Park não estava nada boa. A fila de espera que enfrentávamos não codizia com o atendimento prestado, e ao provar seus pratos, não entendíamos o porquê das três estrelas do restaurante. Mas digo tudo isso em passado, porque trago uma novidade. Ao chegar no Twelve Madison, fui atendido de imediato. O áurea do lugar estava diferente. E brilhante. A música era diferente, e eu jurei ter ouvido risos vindos da cozinha, o que me animou por imediato. Fiz o pedido de uma pasta com um molho novo, promessa do restaurante. Em princípo, quase recusei. Misturava aspargos e limão. Alho e outras especiarias. E, imaginem só, framboesas. O acompanhamento era uma salada caprese com um diferencial: molho teriaki. E o tradicional congrio nero grelhado.
Confesso que provei à contragosto. Eu também já sabia da má fama, como bom crítico de restaurantes que sou. Aliás, fui eu quem acrescentei a ultima estrela ao restaurante, me arrependendo logo depois.
Mas tudo me surpreendeu. Estamos acostumados com o normal, o natural. O que nós faríamos. Nunca procuramos saber quais combinações dão certo, por mais esquisitas que nos possam parecer.Temos medo de experimentar. SIM! Nós, que só comemos para nos sustentarmos e deveríamos ser obrigados a ter cara e coragem para o novo, também cambaleamos as vezes. Temos medo.
Mas ao provar esse tal molho, pude ter uma sensação que poucas coisas me provocaram até hoje. É de uma leveza surpreendente, derretendo imediatamente na boca, me deixou meio zonzo. Pode parecer piegas, clichê ou o que for. Estou estupefato. Pude comer no Twelve Madison que visitei há anos, não esse novo, cheio de más críticas.
Provei o novo com gosto de velho.
Com gosto de quando tinha coragem de provar tudo que me viesse à frente, sem medo algum, sem receios, porque não me importava com as críticas. Só queria novos sabores, novas cores, perfumes e, porque não, novos ares.
Respirei o novo ar desse restaurante, que sobe novamente para uma de minhas escolhas favoritas, mesmo tendo que esperar a oportunidade de ter uma mesa. Decidi parabenizar o provável novo chef, e ao chegar à cozinha me deparei com dois chefs. Um era novo, sim. Mas o outro era um amigo de longa data, o que me deixava boquiaberto e acrescentando estrelas ao restaurante há tempos atrás. Esse mesmo, que você andou criticando. Gerard Way. Ele estava lá com a mais nova promessa dessa cidade, Frank Iero. E você pode pensar que dois chefs em conjunto podem fazer besteira, pois tem ideias diferentes. E muito ego.
Pensou errado. A associação de sabores que esses dois criaram com esse molho, e alguns outros pratos que terei a oportunidade de provar em breve é uma das melhores combinações que tive a felicidade de provar ultimamente.
Algo novo e ao mesmo tempo não.
Era isso que esperava.
E é por isso que hoje acrescento mais meia estrela ao restaurante que volta a me fazer suspirar.”
Era isso que estava escrito num jornal de importante circulação que ditava as estrelas de cada restaurante. Frank leu em voz alta, a voz embargada e imersa em seu sotaque francês, em cima de uma cadeira para toda a cozinha, que comemorava, afoita.
Estavam se encaminhando ao auge outra vez, e tudo estava voltando a dar certo. A cozinha realmente estava mais alegre agora que Gerard tinha perdido a cara amarrada, rendida aos encantos de um pequeno com uma personalidade imponente e sorriso infinito. Contando, agora fazia seis meses que haviam se conhecido. E muita coisa mudou.
Porém Frank continuava assim: displicente, malicioso, narcisista. E isso só encantava mais Gerard, que começou a tomar atitudes, chamar Frank para ir ao cinema ver filmes de terror mesmo que os odiasse e usasse como desculpas para ficar mais perto de Frank; fora que as sessões eram mais vazias e podiam aproveitar a companhia um do outro. Os dois colaboravam para pratos novos, levavam um enorme Jubarte para longos passeios, se divertiam juntos.
Gerard ainda sentia seu coração dar piruetas quando Frank aparecia para buscá-lo para algum passeio, ou quando o provocava, com aqueles olhos, os lábios corados... O deixava maluco.
Achou que quando se rendesse, essas coisas não mais fariam efeito, essa corrente elétrica que passava nos seus olhares, esse magnetismo, essa vontade desenfreada de estar perto, o tocando, o abraçando e beijando, fazendo círculos imaginários em sua camisa, acariciando seus cabelos finos, mordendo seus lábios... Achou que seria imune a isso se acabasse por aceitar Frank em sua vida, mas só fez pior. Agora tinha mais vontades, mais perdições e mais desafios do que poderia contar.
-x-
Frank apareceu de surpresa, ventindo calças rasgadas, camiseta branca e jaqueta de couro, como um pequeno rebelde. Havia vindo de carro, pois já estava anoitecendo. Mas seu desespero na direção era o mesmo, ainda não tendo vencido o medo de dirigir. Convidou Way para ir à loja de discos, pois queria aumentar sua coleção. Gerard concordou prontamente, mas foram caminhando, porque a loja ficava próxima de sua casa. Frank gostava de caminhar com o vento gelado batendo contra seu rosto, a respiração ficando irritada por isso. Mas ele estava esquisito, Gerard notou. Distante.
Ainda assim não conversaram sobre isso até Frank receber uma ligação, quando já estavam escolhendo os discos que preferiam levar.
“E aí?” Frank dizia ao telefone, longe de Gerard. “Já foi decidido? Está tudo certo?” Dizia, o cenho franzido, os lábios formando uma linha reta. “Tem certeza? Quanto tempo? Uma semana?” Pausa. “Ok, isso é ótimo. Muito obrigado.”
E voltou a fuçar nos discos, tentando achar mais alguns. Pegou Revolver, dos Beatles. Gerard se aproximou, apoiando seu queixo nos ombros de Frank, que havia aliviado a feição tensa, e agora exibia um pequeno sorriso. Estava tudo certo.
“Frankie, quem era no telefone?” Perguntou, suave. Não queria parecer invasivo.
“Está com ciúmes, bonitinho?” Disse, o sorriso aumentando.
“Não...”
“Era sobre o trabalho.” Disse, vago. Esse não era Frank. Ele é o tipo de pessoa que contava tudo, com detalhes até demais, sem esconder coisa alguma. Gerard não insistiu. Mas sabia que havia algo de estranho. Deu um beijo breve próximo ao sorriso de Frank.
Do outro lado da rua, uma mulher de cabelos castanhos bagunçados num coque esvoaçante abraçava seu próprio corpo num suéter cinza grande demais para si. Tinha os olhos cerrados, e imaginava se o que estava vendo estava mesmo acontecendo.
Notas finais
Já avisei a vocês que a partir de agora passa tudo bem rápiido, né? Acho que no capítulo final vocês nem vão saber o que os atingiu, de tão rápido que as coisas acontecem, mas eu gosto do fim!
Enfim, beijinho pra vocês ♥
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