Le Banquet

12 Capítulo 11 - Toujours là


Notas iniciais
Oi, coisinhas mais fofas! Então, olha que coisa esquisita: eu acordei de bom-humor numa segunda-feira, dá pra acreditar? Acho que é doença, haha. Espero que não seja contagioso!
Então, esse é o meu capítulo favorito de toda a fic até agora, espero que vocês amem tanto quanto eu!
Troquei de user e de foto, mas ainda sou eu e ainda amo vocês :D

Gerard está vendado e Frank está logo atrás dele. Frank está sendo sensual e tenta persuadir silenciosamente os desejos profundos que julga que Gerard guarda por ele. Você pode pensar que eles já ultrapassaram um nível, que estão próximos o suficiente para trocarem carícias, porque os quadris de Frank pressionam os de Gerard de vez em quando, mas é sem querer. Isso não passa de mais uma fase que Frank deu a Gerard, e essa consiste em estar apto a cozinhar de olhos fechados.

Gerard está se saindo melhor do que Frank imaginaria, mas como está de olhos vendados, o convence de que está tudo um desastre, para poder ficar mais próximo e segurar em suas mãos para ajudá-lo com o molho.

A sua ideia de dar a Gerard um tempo para não distraí-lo não tinha funcionado, porque já não conseguia mais tirá-lo do pensamento e seu rendimento havia caído em todas as outras atividades, porque tudo o que fazia em seus dias era ansiar pelas aulas que daria, pensar no que poderia fazer para ajudá-lo, em atividades que despertariam seu desejo por cozinhar – e por ele. E Gerard? Ah, Gerard continuava tentando se desvencilhar das peças que sua mente o pregava. Suas bochechas ficavam quentes só de pensar que veria Frank outra vez, e que possivelmente iria flertar com ele, encostar nele de propósito, dizer coisas que o encabulavam. Não sabia se odiava a ideia ou se derretia. Conseguia se sentir desejado com Frank por perto; só não sabia se isso era bom.

Assim Frank chegou nessa ideia: a de despertar os sentidos.

Essa era a última semana de Gerard, e ele estava se esforçando, então aceitou o desafio.

E então era assim: Gerard com uma venda preta sobre os olhos, um pouco perdido no começo, mas depois se acostumando com a sensação e usando dos outros sentidos para ter sucesso na sua missão, justo como Frank queria. Já haviam cortado os temperos que usariam — o que foi o mais difícil, porque Frank temia que ele se cortasse, o que felizmente não aconteceu -, e colocado a massa cozinhar, porque era dia de macarrão ao molho pesto com queijo gorgonzola e mignon grelhado (que Frank faria, porque não queria Gerard se queimando).

Agora Frank havia abandonado sua carne por alguns segundos para dizer para Gerard, a voz sempre rouca como quem acaba de acordar, o sotaque que não deixava de arranhar sua garganta:

“Vou te contar um segredo: esse é meu cheiro favorito de toda a cozinha. Existem cheiros mais elaborados e complexos, mas sempre vou preferir o cheiro da cebola dourando na manteiga... É bom, não é? Consegue sentir?”

“Sim, consigo...” disse respirando bem fundo, sorvendo o cheiro lentamente enquanto mexia, as mãos de Frank nas suas, mornas.

“Pode colocar o manjericão.”

E assim o fez.

Frank continuou ora concentrado em sua carne, ora vendo Gerard, que parecia se divertir com tudo aquilo. Quando havia terminado seu molho, e misturado ao macarrão, estava pronto para tirar sua venda. Frank o impediu.

“Qual seria o sentido disso tudo se você não provasse o que fez ainda vendado?” E riu fraco, o levando até a mesa que havia arrumado furtivamente entre suas já muitas tarefas. Gerard apenas murmurou algo.

“E como vou ver o que estou comendo?”

“Você não vai. Eu vou dar a você, como um bebê.” Disse se aproximando com a cadeira, já tendo servido os dois em apenas um prato.

Gerard soltou um muxoxo.

“Precisamos disso?”

“Sim, precisamos.”

“Então tudo bem.” Gerard sempre dizia, porque sabia que Frank nunca lhe daria uma explicação plausível para nenhuma de suas sugestões que eram sempre mandamentos e intimações disfarçadas. Estava em suas mãos nesses momentos, e em muitos outros que não havia tomado conhecimento.

Começou enrolando o macarrão no garfo e servindo a Gerard, achando engraçado quando ele ficou buscando o garfo assim que sentiu o cheiro próximo. Era isso mesmo que queria.

“E aí?” Perguntou quando Gerard comia um pouco do macarrão.

“Prove você mesmo.”

Frank estava surpreso. Estava realmente bom.

Frank o fez cheirar tudo antes que comesse, assim como quando estavam cozinhando, o estendia coisas para que lhe dissesse o que era. E estavam se divertindo muito um com o outro, mesmo que Gerard ainda estivesse um pouco constrangido com o último encontro. Na verdade Frank sempre o deixava constrangido. Não era necessário falar nada. Seu olhar era obsceno, inquisitivo, violador. Ainda assim surpreendia Gerard ainda mais nas suas palavras.

Gerard sabia que ele o queria.

E fingia que não, por achar mais cômodo. Mexer nesse tipo de sentimento tiraria de sua zona de conforto, da sua personalidade, dos seus objetivos. Da sua auto-piedade. Já havia saído do casulo que criou, quase obrigado por Frank, e honestamente não queria virar borboleta. Em todos os sentidos da palavra. Mas Frank era impositor, era presente e não o deixava sem cogitar todas as hipóteses quando estava junto a ele.

Lhe causava arrepios.

E o pior: sorrisos. Não podia os conter, por mais que tentasse.

Assim sendo, chegou a sobremesa. Frank fez mistério, tentou Gerard, que sentia um cheiro leve, mas impossível de se distinguir ao cheiro de Frank, que estava muito próximo. Frank brincava, lhe lambusava o nariz, as bochechas.

“Sinta Gerard. Diga o que sente...”

“Sinto você me incomodando, Frank. Sinto que está próximo e que você é irritante!” Disse somente, levemente risonho e emburrado. O outro apenas ria da situação.

“Não, bobo. Diga as sensações.”

“Ok. É... Quente e frio, ao mesmo tempo. E é pastoso.”

“Certo. E o cheiro, consegue senti-lo?”

“Não.” Disse apenas. Não queria ter que dizer o resto do que sentia. Que o cheiro de Frank era bom. Que sentia uma leveza no estômago. Que sentia seu coração batendo diferentes compassos quando ele se aproximava. Que o que sentia era confuso e estranho, novo. Que Frank havia lhe influenciado a ser diferente. Mas Frank mesmo disse para descrever apenas as sensações, então se limitou a isso.

“Você arrisca a dizer o que é, antes de provar?”

“Absolutamente não!”

“Novato.”

“Ei!”

E sendo assim, colocou na boca de Gerard sem mais delongas. Gerard provou, e pensou um pouco.

“Qual é! Qual é o gosto? Vamos.”

“Ah, é crème brulèe! Era óbvio!”

“Sim. Meus parabéns.” Disse, zombando Gerard pela demora.

“Sim, sim. Apenas me dê mais.”

E Frank deu. Mas não era a sobremesa, e sim seus próprios lábios, num contato tão rápido que Gerard nem pôde distinguir ou realizar o que estava acontecendo. Depois se perguntou se teria sido mesmo um beijo ou foi sua imaginação. Apenas Frank sabia. Antes que pudesse saber do que se tratava, Frank logo lhe deu mais do creme.

Quando tirou a venda, demorou para acostumar-se com a luz.

Estava desnorteado. Zonzo. Extasiado.


Notas finais
Ah! se esse capítulo tiver uma boa recepção, posto outro ainda hojeeee!
xo