Le Banquet

2 Capítulo 1 - La Découverte


Notas iniciais
Decidi postar mais um hoje! Yay
Os capítulos serão quase sempre do tamanho desse e terão os nomes das músicas do Yann Tiersen, que em sua maioria são músicas instrumentais, se vocês se interessarem, procurem no youtube, eu gosto bastante! Ele fez a trilha sonora do filme O fabuloso destino de Amelie Poulain (que inclusive é a minha foto do perfil e é um filme lindo), e mimimi!
Vamos à fic!

Frank então parou em frente ao charmoso restaurante Twelve Madison Park. Colocou as mãos no bolso de sua calça e dobrou um pouco o suéter que vestia, porque estava fazendo um pouco mais calor do que imaginou. Assim, ostentoso, em frente a um parque, impressionava aos que passavam e era o restaurante mais procurado entre os casais da cidade. Mal ganhara sua terceira estrela num guia local renomado, e já começara sua leve decadência. As reclamações, em geral, vinham dos pratos, que já não agradavam o paladar dos clientes requintados que costumavam ficar por 2 semanas na fila de espera, e exigiam a comida ao nível do que pagavam por ela.

Depois de entrar e dizer quais eram as suas intenções ali, foi levado pelo maître até a cozinha — já que o horário de movimento havia acabado e as mesas estavam vazias -, onde foi recebido por dois sub-chefs, bem como outros cozinheiros. Assim, conversou com quem parecia ser a pessoa mais habilitada para ver seu currículo, já que foi ele quem o conduziu ao pequeno escritório que ficava próximo à cozinha, apresentando-se como o sub-chefe Bob.

Sentou-se, e esperou o loiro grande de todas as maneiras, que muito sorridente conversava sobre amenidades enquanto analisava o papel em suas mãos. Conversaram também sobre vários outros assuntos, descobrindo algumas coisas em comum, e acabaram por se entender muito bem.

“Ora, Frank”, falou, ainda sorrindo. “Vejo que estudou em Le Cordon Bleu, isso é muito legal. Poucos tem essa oportunidade. E trabalhou em ótimos restaurantes, também. Confesso estar impressionado! Mas precisamos ir aos fatos.”

“Oh, sim! Me orgulho muito disso, foi muito bom ter estado em Paris...” disse, polido, concentrado em impressionar na sua entrevista.

“Acho que, ao chegar até aqui já deve ter conhecimento do porquê estarmos procurando um novo chef, não é? O nosso chef está com alguns problemas, digamos... De inspiração.” Bob lhe disse com um suspiro pesaroso. “Cara, aquele homem é muito bom na cozinha, é um disperdício esse lapso que está durando alguns meses agora. Mas ele ainda não acostumou-se com a ideia de que não consegue mais cozinhar. Seus pratos ficam com gosto de queimado, seus legumes estão sempre passados e a carne, sempre com muito sangue ao passo que os clientes pedem de forma totalmente diferente. Ele simplesmente perdeu...” Deixou a frase no ar.

Frank assustou-se ligeiramente. Isso era algo que ouvia ser falado com certa frequência. Cozinheiros que se perdem, e não conseguem mais acertar os pratos que podiam fazer algemados e com vendas (e era impossível pensar nisso de forma não-sexual), perdem o ponto da carne e fazem bagunça na cozinha. Geralmente essa perda era ocasionada por muito estresse, Frank não sabia muito bem. O que sabia é que por mais que o chef mande os seus subordinados fazerem os pratos, esses deveriam ter a sua cara, o seu gosto. Coisa que, nesse restaurante, devia ter sido perdida, perdendo também alguns clientes importantes.

“Garanto que essa fase vai passar”, disse somente, não realmente se importando.

“Pois bem, Frank. Preciso te dizer apenas duas coisas. A primeira é que você precisa passar por um teste na cozinha, o que você já devia estar esperando.” Frank assentiu. Bob pareceu embaraçado com o que iria falar a seguir, revelando que realmente estava quando disse: “E também... Também teríamos que fingir que você é um sub-chefe, já que Gerard não gostaria da história de ser substituído. O salário seria ligeiramente menor, também. Mas apenas por um tempo.” Falou finalmente, sem manter contato visual.

“O... quê? O quê? Eu acho que não... E como faríamos pra fingir que não estou agindo como o chef na presença dele?” Falou apenas isso, mas o que passava na sua cabeça também tinha a ver com prestígio, dinheiro e a reputação que queria construir.

“Nós apenas faríamos o prato do jeito que deve ser feito, e quem coloca o tempero principal é você. Você terá o prestígio que deseja assim que nos acertarmos com ele.” Disse como se lesse os pensamentos de Frank.

“Bob, isso não me parece certo...”

“É, Frank, eu sei! Apenas... Não temos outra saída! Gerard ser demitido não é uma saída, e continuar como está, muito menos. Precisamos disso.” Admitiu francamente, agora olhando Frank nos olhos, deixando transparecer seus sentimentos, que incluíam um grande pesar e um pouco de vergonha.

Frank saiu do restaurante, depois de ter preparado um magnífico prato com carne de cordeiro e batatas, que, apesar de um prato pouco elaborado, tinha o tempero esperado por todos os cozinheiros do restaurante. Falou também com o dono do estabelecimento, que ao que soube não aparecia muito no local, se preocupando em cuidar somente da parte burocrática do estabelecimento. Eles não tinham dúvidas de que Frank seria o escolhido dentre alguns poucos que também procuraram o restaurante (eram muitas as exigências para trabalhar no local). Mas Frank tinha muitas.

Disse então que ligaria pela noite para dar uma resposta, porque a questão era um pouco urgente – eles queriam a contratação antes que o outro chef voltasse de uma viagem, que duraria ainda um mês e alguns dias. E leva-se tempo para adaptação e tudo o mais.

Frank sentou em um banco no parque em frente ao restaurante, enquando observava crianças soltando bolhas de sabão e cachorros grandes de pelo dourado correndo atrás de gravetos. O dia estava ensolarado, e apenas uma leve brisa bagunçava seus cabelos finos. Já era fim de tarde, ele ficou pensando sobre a proposta, avaliando prós e contras numa balança mental. Não chegou a conclusão nenhuma e decidiu ir caminhando para sua casa que ficava apenas à 14 quarteirões do restaurante.

Decidiu pensar sobre isso mais tarde, então ficou pensando que deveria ter um cachorro, pois seu apartamento tinha um terraço grande e espaçoso, e ele precisava de uma companhia, já que não estava disposto a conhecer algum americano. Achava que, nem se quisessem, teriam o charme dos parisienses, e além do mais estava disposto a se arranjar profissionalmente antes de ter o coração partido outra vez. E assim, nessa corrente de pensamentos, chegou àquele que estava lhe intrigando. Já havia ido em outros restaurantes e nenhum o agradara, nenhum parecia disposto a lhe dar o valor merecido. Mas a entrevista de hoje... Ele sentiu pena do chef que havia perdido a inspiração. Não parecia justo.

O quê? Eles iriam moldá-lo e depois descartar o chef? Ou iriam apenas manter os dois nessa eterna mentira? Não conseguia apoiar isso, e nem queria.

Parou nessa vertente de pensamentos já em casa, em frente ao espelho, depois de um banho longo. Observava como sua pele estava descansada e levemente bronzeada com alguns desenhos tomando conta dos braços e torso — desenhos os quais não se arrependia, embora as pessoas o julgassem com certa frequência, mas não que isso atrapalhasse o tipo de emprego que escolheu -, seus olhos perdidos num redemoínho verde e marrom, sem sinais de olheira abaixo deles, seu cabelo castanho caindo levemente sobre os olhos. Nunca esteve tão bem, notou. E ligou para Bob. Queria a resposta de suas perguntas, e depois diria a sua resposta.

“Ei, Frank! Bom que ligou! Já tem uma resposta?” Perguntou, com um tom que Frank jurou ser ansiedade.

“Na verdade, Bob, apenas perguntas” E riu. “O que vocês planejam fazer? Sabe, não podemos continuar mentindo para... O outro chef, como é seu nome?”

“Gerard”

“Isso, Gerard. Não podemos mentir pra ele para sempre. Uma hora eu, como chef, vou querer meu mérito! Meu ego precisa ser massageado.” Disso rindo levemente, sendo acompanhado pela voz do outro lado da linha.

“Sabemos disso, Frank. Com o tempo iremos te colocar como chef junto à Gerard, pois o movimento aumentou mesmo, e precisamos de mais um. Mas se o seu ego precisa ser massageado, o de Gerard ainda mais, pense nisso. Ele ficaria muito puto se colocassem alguém para substituí-lo, então vamos apenas colocar você como sub-chef por enquanto, deixaremos ele acostumar com a sua presença, pra depois os colocarmos lado à lado. Tenho certeza que Gerard voltará a cozinhar. O que acha?” Ficou algum tempo em silêncio, esperando uma resposta que nunca vinha. Alguns poucos minutos se passaram. “E então?”

“Tudo bem, eu topo.”

Não sabia se tinha tomado a decisão correta.

Tentou colocar na cabeça que sim.

Sim.

Sim, essa era a decisão correta.

“Obrigado, Frank!” Bob falava com a voz surpresa. “Pode começar quando?”

“Que tal amanhã, bem cedo? Vou à feira pegar os melhores ingredientes, aqui também é preciso subornar feirantes para conseguir os melhores? E depois vou ao restaurante.” Bob riu.

“Sim, leve mais que o dinheiro das verduras. E ótimo! Nos encontramos às 9?”

“9 é perfeito.”

“Obrigado outra vez, Frank!” Tenho certeza de que será muito bom trabalhar com você. Obrigado.” Agradeceu sinceramente diversas vezes, e desligou.

Ainda era cedo, então Frank preparou para si alguma coisa e comeu, vendo algum filme bobo que passava na tv. Sentado no sofá mais confortável que conseguiu encontrar em Nova York (o sofá e a cozinha eram suas prioridades na casa), pensou nas reviravoltas de sua vida, em estar de novo nessa cidade que não trazia lembranças exatamente boas, estando disposto a reescrever um futuro novo. No outro dia, entraria numa rotina cansativa e prazerosa, que já conhecia muito bem mas havia feito questão de abandoná-la por esses dias em que esteve ali. Estava na cidade que nunca dormia dormindo mais de 10 horas por dia, e a vida era boa assim, mas estava começando a lhe causar tédio.

Se sentiu um pouco sozinho.

Imaginou novamente que gostaria de ter um cachorro.

Lembrou que precisava de sexo.

Tentou pensar em seu novo emprego.

E dormiu.


Notas finais
O restaurante original é o Eleven Madison Park, não achei correto colocar exatamente o mesmo nome, haha mas ele realmente tem três estrelas e é um restaurante lindo, aqui uma imagem pra vocês, por dentro: http://static.glamurama.uol.com.br/2012/05/eleven.jpg
Obrigada! Fico contente com os reviews e espero que gostem!
xo