Laços na quietude
5 O perigo está no ar
Notas iniciais
Tormund
Tormund seguiu em silêncio Brienne durante algum tempo. A rua estava escura, somente as luzes noturnas iluminavam. Durante todo o caminho se perguntava para onde ela estava indo. Porque havia saído de noite? Foi tirado de seus pensamentos quando Brienne parou perto de um poste de luz, bem debaixo da faixa de luz amarelada. A luz a deixava em destaque. Parecia querer ser vista em contraste com o escuro da noite. Tormund o observava camuflado usando a noite como capa.
Brienne ficou um tempo em pé. Olhou no relógio umas duas vezes. Parecia esperar alguém e muito impaciente pela demora desse alguém. Pelo nervosismo dela notou que não se tratava de um amigo. Devia ser alguém que havia ido para aquele encontro tão escondido como ela. Seria um informante ou algo do tipo? No que ela estaria metida?
Tormund viu quando um homem de moto estacionou próximo de onde ela estava. O homem usava óculos escuros e um boné. Mais suspeito impossível. Era obvio que queria ocultar a sua identidade. Tudo se tornava cada vez mais misterioso. Ele devia ter um motivo muito grande para querer se ocultar ainda mais, pois a noite já tratava de esconde os rostos. Ao descer da moto notou que ele carregava um envelopedi na mão. Apenas notou isso quando ele passou na faixa de luz.
Houve um cumprimento rápido e Brienne pegou rapidamente o envelope, o dobrou e guardou. Sussurraram algumas palavras. Tormund não conseguiu ouvir bem, pois obviamente eles não queriam ser ouvidos, mas no momento da despedida viu claramente o homem fazer sinal para que ela tivesse cuidado. Motivos para isso não faltavam.
Brienne seguia rapidamente de volta para o hospital. Dessa vez parecia ter mais cuidado. Tormund percebeu os passos estranhos que se aproximavam primeiro do que Brienne. Estava sendo seguida e ele tinha apenas poucos minutos, ou até mesmo segundos, para agir. Ainda bem que havia a seguido.
Osha
Rickon era somente diversão. Parecia ter se esquecido dos problemas que assolavam sua família, porém ela não havia esquecido. Estava com um olho no garoto e outro no movimento. Lugares muito movimentados eram seguros por ter muita gente, poderiam passar despercebidos, mas também podia ser perigoso pelo mesmo motivo. Algum inimigo poderia se perder no meio da multidão e atacar no momento certo. Tinha que ter cuidado.
O menino havia comido pipoca e algodão doce, mas puxava na manga da blusa dela querendo comer churros e chocolate quente. Ela estava tão perdida em seus pensamentos que demorou a atende-lo. Ele a puxou novamente. A cada dia gostava mais dele. Se pegava algumas noites pensando que seria ótimo o ter como filho realmente.
—Você já não acha que comeu muito?-perguntou com um sorriso disfarçando o nervosismo. Ainda olhando para trás. Segurou o garoto pelo pulso quando passaram por um lugar mais movimentado, todo cuidado era muito pouco.
—Quero ir na roda-gigante!-gritou uma criança que passou por eles, acompanhada dos pais. Rickon os acompanhou com o olhar. Osha não sabia porque, suspeitava que tinha a ver com a saudade dos pais. Aquele garotinho com os pais o lembrou do que ele tinha perdido. Resolveu fazer algo. Falou rapidamente que seria uma boa ideia eles irem em algum brinquedo.
—Em que brinquedo quer ir?
—Quero ir na roda-gigante.-disse o garoto pegando na sua mão. Sentiu que a mão dele estava gordurosa e pegajosa da pipoca doce que havia comido. Queria que a vida dele fosse tão doce quanto as coisas que comeu.
A fila para a roda-gigante estava imensa, todos pareciam ter tido a mesma ideia. Quando chegou a vez deles subirem Osha logo descobriu o porque. Era uma sensação mágica ver tudo aquilo do alto. E o vento batendo aumentava a sensação. Se sentiu agradecida pelo menino ter querido ir naquele brinquedo. Estava perdida em seus pensamentos quando Rickon falou:
—Queria que meus irmãos estivessem aqui. Eles gostariam, menos o Bran. Ele ficou com medo de altura desde aquela vez que quase caiu...-o menino falava olhando para baixo, talvez para que ela não visse que chorava ou porque apreciava a vista mesmo.
Osha sentia falta de Bran também, queria ter o trazido junto. Seria melhor ter os dois juntos. O menino não se sentiria tão sozinho. Gostava muito de Bran também, mas gostava mais de Rickon. E a cada dia gostava mais. Como uma mãe ama um filho. Talvez não o devolvesse quando chegasse a hora...
—Um dia vamos todos juntos em uma roda gigante que nem essa.
O menino já parecia distraído com outra coisa, olhava para alguém lá embaixo. O bom é que crianças esquecem a dor rápido e logo se distraem com outras coisas. Quem dera os adultos fossem assim também...
—Eu acho que conheço eles.
—Eles quem?-não fazia a mínima ideia do que ele estava falando.
—Aquele casal com a criança ali embaixo. Acho que conheço eles.-fez uma pausa e continuou- E acho que eles me conhecem também.
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