Laços do coração

1 Capítulo único - Laços do coração


Notas iniciais
*A fanart do capítulo foi salva no Pinterest por "pandorachan.skyrock.com".

Laços do coração

— Sabe, Seiya... – Shun falou com um sorriso enquanto brincava com Kouga em seu colo — Ele se parece um pouco com você. Tem o mesmo cabelo rebelde – o cavaleiro de Andrômeda riu, fazendo o pequeno Kouga rir junto e agitar as mãozinhas no ar.

— E nós todos sabemos que você é quem mais vai ajudar Saori a cuidar dele – Shiryu falou – Se acabar ficando muito parecido com você, vai ser um excelente defensor de Atena quando crescer.

— Vocês acham isso? – Seiya perguntou, deixando Kouga agarrar seu polegar enquanto murmurava algo que ainda era impossível entender.

— Se for teimoso como ele, será imortal – Ikki falou, fazendo todos rirem, até Saori, que os observa com um dos sorrisos mais lindos que já tinham visto em seu rosto.

— Seiya será um bom pai. Eu sempre imaginei que ele seria se tivesse filhos, e tenho certeza que estou certo – Hyoga comentou, deixando Seiya sem jeito, mas o antigo cavaleiro de Pegasu acabou sorrindo.

— Eu não tenho a menor ideia de como começar isso, mas vou fazer tudo que puder pra protegê-lo. E você pode me dar umas dicas, Shiryu.

— Claro que sim. Eu e Shunrei ficaremos felizes em ajudar. E quando for possível nós traremos Ryuho pra brincar com ele.

— Isso será maravilhoso – Saori falou – Assim os dois poderão experimentar um pouco da felicidade de uma vida normal e simples, como devia ser para todas as crianças.

Os seis estavam sentados no chão do jardim do santuário, entre os milhares de flores belas e coloridas do lugar, após Saori ter anunciado a todos os cavaleiros que ela criaria e protegeria Kouga para que crescesse no caminho da luz.

— Saori... Você pretende procurar pela irmã gêmea dele? – Shun perguntou.

— Isso é uma questão difícil, Shun... É claro que vamos ficar atentos a qualquer pista que nos leve a ela e nos permita resgatá-la, mas Marte está envolvido e não sabemos pra onde a levou. Portanto é vital que tenhamos muita cautela. Nossa prioridade agora é cuidar e proteger Kouga.

— E todos nós estaremos aqui pra protegê-lo junto com você – Seiya garantiu, olhando com a mesma força e carinho de todos os anos em que estiveram juntos.

Saori sorriu, sabendo que nenhum deles, especialmente Seiya, a deixaria sozinha nessa missão.

******

Kouga já estava com eles há dois meses, e além de Seiya ser o protetor pessoal de Saori, a ajudava diariamente com os cuidados com o menino. Seus encontros e proximidade não eram um problema ou um segredo, uma vez que todos no santuário conheciam a história dos dois e o quanto eram importantes um para o outro. A própria Saori já discutira o assunto com os demais cavaleiros, que apoiaram sua deusa. Afinal, antes de ser Atena, ela era a humana Saori, e seu relacionamento com Seiya só a deixava ainda mais forte, protetora e sábia. O cavaleiro de ouro de Sagitário sorriu ao pensar nisso.

Subiu o restante das escadas até o quarto de Saori, que às vezes compartilhavam, especialmente agora que cuidavam de Kouga juntos. Agradeceu mentalmente por Tatsumi não estar à vista para atrasá-lo com seu instinto super protetor por Saori, e parou em frente à porta antes de entrar, ouvindo-a rir, provavelmente brincando com Kouga. Ele sorriu e soube imediatamente que ela já percebera sua presença.

— Entre, Seiya.

Algo na voz dela parecia diferente, alguma emoção que ele não conseguiu identificar. A preocupação cruzou seu rosto quando tocou a maçaneta. Saori tinha apresentado sintomas incomuns ultimamente, e Seiya se perguntava se a luta contra Marte ainda a estava afetando. Abriu a porta e entrou antes que o mordomo pudesse aparecer e vê-lo, e olhou para Saori, sentada em sua cama com Kouga, ficando chocado com a cena que viu.

Ela lhe deu um sorriso e ergueu as sobrancelhas, como se já aceitasse bem a situação estranha. Seiya sentiu seu rosto aquecer com todas as emoções que sentiu, e ficou mudo a observando. Saori riu baixinho enquanto o olhava.

— Está tudo bem, venha aqui – ela lhe disse.

— S-saori... – murmurou – Então... Era isso?

— Sim. Também fiquei surpresa. Eu falei com Eiri como você sugeriu.

Seiya sentou devagar ao lado dela na cama, ainda observando chocado sua deusa amamentando o bebê que eles vinham criando juntos. Kouga parecia dormir, mas o movimento de suas mãozinhas indicava o contrário. Saori o segurava como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, e de fato era, para os dois. O coração de Seiya bateu mais forte, e então ele percebeu. Finalmente percebeu que eles haviam se tornado muito mais que tutores para aquela criança, e finalmente descobriu qual era a sensação de ter um filho.

Ele tirou os sapatos e arrastou-se para o lado dos dois, apoiando sua cabeça na de Saori, e cobrindo a mão que ela usava para apoiar a cabeça de Kouga.

— Então era isso? As dores que você sentiu?

— Sim. Eu fiquei impressionada quando Eiri me disse, não sabia que isso era possível. Isso prova perfeitamente como os laços entre mãe e filho estão muito além do sangue. Ela disse que pode acontecer com mães adotivas, que os sentimentos liberam substâncias no corpo que estimulam a produção de leite para o bebê adotivo.

Seiya riu baixinho, e seus olhos se encheram de lágrimas com a emoção.

— Quando isso começou?

— Ontem à noite. Não era muito, mas aumentou hoje de manhã. Ela disse que pode levar muito mais tempo... Ela sugeriu que talvez por...

— Por você ser quem é e ter o cosmo que tem, pode ter acelerado o processo? – Seiya perguntou.

— Sim. Eu fiquei preocupada, mas ela disse que isso é muito comum com mães de bebês adotivos, e que não haveria problema algum em alimentá-lo assim, que seria até mais saudável pra ele. E querendo ou não, é inegável o que nos tornamos pra ele nesses dois meses, apesar de todos nos ajudarem.

— Tem razão — Seiya lhe disse, beijando seus cabelos e sorrindo, ainda com o nariz mergulhado nos fios lilases.

Saori riu e decidiu não conter as lágrimas de emoção e felicidade que deixaram seus olhos. Seiya a deixou chorar, sabendo que não era por sofrimento, mas logo alarmou-se quando seu sorriso ficou sério.

— Apesar do quanto me sinto feliz... Tenho medo que isso torne tudo mais difícil um dia. Sempre pensei em como isso seria se pudéssemos ter uma vida normal. E agora aqui estamos, ainda que o perigo continue rondando nossas vidas, estamos vivendo como se não houvesse nada de errado agora.

— Querida... – Seiya lhe disse baixinho – Você é o ser mais amoroso que existe nesse planeta. Acho que seria impossível não se apegar a Kouga assim, e ele não se apegar a você. Apesar do futuro e de tudo que sabemos que pode acontecer... Ele é apenas um bebê agora, e ele precisa disso. Vamos viver, como se não houvesse amanhã e nem Marte. Como se aqui, só com nós três, essa vida normal existisse. Não há nada de errado nisso. E como eu prometi muitas vezes antes, eu vou proteger você pra sempre, e Kouga também. E você não imagina o quanto me sinto feliz e orgulhoso por você ter me escolhido como pai dele.

Saori o encarou sem ação, deixando novas lágrimas caírem ao ouvir Seiya se intitulando como "pai", pai do bebê que estavam protegendo e criando juntos, pai do filho deles, ainda que não tivesse seu sangue. Ela sorriu, e Seiya sorriu de volta. O cavaleiro de Sagitário entrelaçou os dedos da mão livre em seu cabelo e a puxou delicadamente para um beijo, que durou até que ela se acalmasse. Quando se separaram, Seiya beijou sua testa demoradamente, antes de voltar a abraçar os dois e observar Kouga se alimentar.

— Os outros precisam saber disso?

— Talvez... Mas não ainda. Contaremos só a nossos amigos mais próximos.

Seiya imediatamente soube que ela falava de Shunrei, Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki.

— Isso não importa agora. Vamos aproveitar esse momento – Saori lhe disse.

Seiya sorriu ao assentir silenciosamente e também não impediu as lágrimas que escaparam de seus olhos.

— Ainda dói?

— Não – ela respondeu – Parou de doer quando o alimentei.

Seiya os abraçou um pouco mais forte, e Saori suspirou em contentamento, não querendo que aquele momento acabasse nunca mais.

Notas finais
Só por curiosidade: As informações que Saori cita sobre o ocorrido são reais. Isso acontece bastante, embora às vezes seja necessária ajuda de medicamentos para induzir a lactação em mães adotivas. NOTA: Eu não sou muito fã de Saint Seiya Omega. Especialmente pela morte de alguns personagens, que achei ridículas e exageradas, e fiquei com a sensação de "mataram só porque quiseram mesmo". Apesar do Omega não ser continuação oficial do clássico e do Next Dimension. A maior evidência que vi disso é que o deus do tempo do ND não é o mesmo do Omega. Enquanto que Chronos é neutro/suspeito e dá uma chance a Saori, ainda que dificultando as coisas pra ela, Saturno é contra Atena. E outra queixa que tenho sobre isso é que não consigo olhar pra Saturno sem pensar que ele é uma mistura de Miro de Escorpião + Saga/Kanon de Gêmeos + Olhos do Clã Uchiha. xD Não parece uma aparência muito criativa. E o que foi aquela morte de Seiya?! *face palm eterno* Ele sobreviveu a tudo que já sabemos, incluindo uma hemorragia terrível e envenenamento (simultaneamente) no início do clássico, e a espada de Hades que deixou ele inválido por anos (ainda que, lembrando, não seja canon aqui), e morre com três lâminas de energia que atravessaram ele... E ainda temos aquela cena clássica do protagonista falar tudo que quer, dizer uma frase bonita em homenagem a outras obras da série, e só depois morrer. Faça-me o favor, Omega!! Ainda não assisti esse anime completo, mas essas são algumas das principais coisas que me desagradam. NO ENTANTO... Me comovo facilmente com os laços afetivos entre os personagens e essa one-shot fofa da relação de Seiya e Saori com Kouga bebê surgiu na minha cabeça sem eu nem precisar pensar. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!