Laços de Matrimônio

1 Capitulo único - Dor é a única saida


Notas iniciais
Hi pippous u-u Espero que gostem. Modéstia parte eu gostei muito dela XD Ah, eu recomendo que escutem essas músicas ao lerem ela; https://www.youtube.com/watch?v=odatDWByonw https://www.youtube.com/watch?v=PJGpsL_XYQI

Oh, como o amor dói, como o amor dói.

Talvez não para você, mas sim, para mim doeu. E como dói. Como é ilusório, nos faz acreditar em coisas que não existem, nos faz acreditar que somos felizes, que somos fortes. Que não existem tristezas.

Como fui enganada, pelo meu próprio coração. Coração traiçoeiro, me fez acreditar cegamente no meu amor. Tola, uma grande tola eu fui.

Pobre de mim. Pobre de quem um dia amou, pobre de quem amará alguém. Pobres almas, condenadas a isso. Condenadas a amar, condenadas a serem enganadas, por si mesmas. Pelo pobre coração que possuem. Quando perceberem será tarde demais, caíram na desgraça. Mas não enxergaram a própria desgraça.

Há tempo para alguns, sim, para alguns. Apenas alguns, que não enxergaram a ilusão, criada por todos. Todos cooperando pela ilusão, que nos faz amar. Ilusão que faz com que nos entreguemos. Nos entreguemos por completo, todo nosso ser.

Que tristeza, que me abate. Só me sobrou isso, a carcaça. A pobre carcaça de quem um dia amou. Uma infeliz carcaça. Com nada além de tristeza, uma tristeza incurável.

Riam de mim, podem rir. Pobre alma condenada a um destino tão cruel. Não existe destino, não. Traçamos nossa própria história. Jogamos, é tudo uma aposta, é um jogo de azar, a vida não passa de um jogo.

Façam suas apostas! Apostem tudo o que têm nesse jogo que estão criando! Cada escolha é uma aposta diferente. Façam valer a pena, como eu. E acabem como eu, uma alma suja, condenada ao sofrimento eterno.

Não existe outro culpado senão eu.

Eu cultivei o amor, eu criei ilusões para mim mesma. Apostei tudo, tudo numa pessoa.

E como a vida não é gentil, nem um pouco gentil. Ela nos cobra, o que perdemos. E quando a cobrança vem, ah, não escaparam. Ai de vocês, pobres almas perdidas.

Já esqueci meu nome, mas lembro-me, do dia. Lembro-me das ilusões criadas.

Naquele momento era a mulher mais feliz do mundo. Meu sorriso naquele momento resplandecia naquela pequena capela. Por toda minha vida esperava aquele momento, desde criança o imaginava seu casamento. Não queria nada grande, não era como outras mulheres que imaginavam grandes festas, muitos convidados, mesas fartas com muita comida.

Eu era simples, o que quisera em toda minha vida, era um casamento com seu amor, não qualquer pessoa. Não, me casaria apenas por amor a alguém.

Queria alguém que lhe proporcionasse novos sentimentos, alguém que a deixaria nas nuvens. E essa pessoa, esse homem, por quem me apaixonara, estava a poucos metros à frente.

Eu estava indo em sua direção, um véu branco cobria-me o rosto. Um simples vestido branco fora dado por minha mãe. Usado no dia do casamento da mesma.

Estava segurando um buquê de peônias, um buquê improvisado. Já que minha tia tem um pequeno jardim em sua casa, a poucos quilômetros da capela.

O som do piano enchia meus ouvidos como a melodia mais linda que eu um dia ouvira. Oh, ainda me lembro da música. Oh, como era melodiosa.
Não havia muitas pessoas, minha família era bastante pequena. Mamãe, tia junto do marido e dois primos.

Mas dali para frente eu passaria a usar outro sobrenome, um que se orgulharia de dizer. Mal me lembro do nome, não consigo, faz tantos anos, tantos anos.

Mas me lembro do que sentia, de todos aqueles sentimentos ilusórios que sentia naquele momento. A mais tola, pobre da minha alma.

Como me orgulhava de tudo. Como me sentia viva ao saber que passaria o resto da vida ao lado daquele homem. O homem da sua vida, meu próprio príncipe encantado.

Rio alto, como rio alto ao me lembrar de tolices como estas. Tolices de uma jovem sonhadora. Ingênua, pobre de conhecimentos. Pobre de tudo, menos de amor. Amor ilusório que enchia minhas veias. Preenchia minha alma.

Ao passar do tempo tudo era perfeito. Tudo era perfeito aos meus olhos, mas como tudo estava perfeito? Nada é perfeito. Mas era como eu enxergava, a cada beijo, a cada caricia.

Minha noite de núpcias havia sido como imaginei. Ele fora carinhoso comigo, não deixou me machucar. Sim, doeu, mas a cada toque, a cada investida. Ele olhava em meus olhos, e aquele olhar me acalmava. Aquele olhar me dizia que podia suportar, que ele me amava. E eu suportei a dor, porque o amava. Porque era tudo para mim.

Ele não me deixou ter medo. A noite que eu temia tanto, que eu tanto sentia medo. Acabou sendo a melhor da minha vida. Vida...

Oh, não sei como consigo ainda falar sobre algo. Algo que está tão distante de mim. Algo que se perdeu a tempos. Escapou-se de mim.

Mas ele me fez me sentir assim, ele me fez meus dias bons. Todos os meus dias mais felizes, todos os meus melhores dias. Foram ao seu lado.

É irônico que meus piores dias, meus dias mais sombrios, mais tristes.

Meus maiores sofrimentos. Foram ao lado dele também.

Ele proporcionou, a minha pobre alma ingênua, as melhores coisas, e as piores coisas que já me aconteceram. Tudo por ele, mas ele não fora o verdadeiro culpado.

Não o culpo pelas minhas escolhas, não. Sou culpada por cada ato que deixei passar, que não impedi, não o fiz.

Morávamos num bosque, não me lembro do nome... O lugar. A única coisa que me lembro, é que havia macieiras. Ah, colher maçãs era meu passatempo favorito.

No começo era ao menos. Depois não pude mais...

Ele não deixava, ele não queria. Eu queria agrada-lo, então o obedecia. Eu o amava, faria tudo, para continuar com ele. Junto daqueles olhos Castanhos claros.

Faria tudo, e o fiz.

– Você não irá sair de casa, não quero que mulher minha fique perambulando

por ai. – Dizia ele numa voz que eu mal reconhecia.

O homem que estava na minha frente e o homem com quem casei são a mesma pessoa. Mas não, não podia ser verdade. Era algo que não queria acreditar, eu mesma causei isso.

Tudo passa. Isso irá passar, isso que estavam em minha mente. Deixei de lado a parte racional de mim mesma, esqueci dela. A joguei no lixo e quis viver a ilusão, que tudo aquilo iria melhora.

Eu dizia que estava feliz, dizia que aquilo era o melhor para mim. Dizia todos os dias quando acordava. Dizia todas as vezes que ele queria sexo. Dizia toda vez que ele gritava comigo. Eu estava feliz, não existia dor, não existia sofrimento ali.

Apenas duas pessoas que se amavam. Que estavam juntas porque se amavam.

Todo dia antes de dormir, agradecia a Deus, pelo meu marido. Por tê-lo. Pela vida feliz que eu estava tendo. Nunca reclamei, só pedia a Deus, mais e mais amor na minha vida..

E foi isso que ele o fez.

Eu estava grávida. Eu sabia, e fiquei tão feliz. Oh, como fiquei feliz ao saber que estava esperando um bebe. Tão feliz quanto no dia em que me casei. Eu disse ao meu amor, que estava esperando um bebe. Ele olhou em meus olhos, e me lançou um sorriso sincero.

Ele estava feliz, ele estava tão feliz quanto eu. Meu marido, meu amor. Amor para toda vida, estava feliz, por eu ter lhe dado um filho.
Ele não gritava mais comigo, ele era atencioso. Ele me ajudava. Meu príncipe...

Que ingenuidade a minha, totalmente simplória diante das situações.
Ele queria um menino. Ele falava a todo momento, como queria um filho homem, como eu tinha que lhe dar um filho homem. Queria lhe ensinar a caçar, a trabalhar com a lenha. Queria um companheiro.

Para mim não importava, eu o amaria de qualquer forma.

– Estais louca? – ele me dissera. – Não fale asneiras, você terá um menino, nada mais.

Apenas abaixei minha cabeça concordando. Não queria deixa-lo triste, ou com raiva.

Eu orei a Deus. Como eu orava, pedindo e implorando por um menino. Queria meu esposo feliz. Queria poder faze-lo feliz.

Mas dessa vez, não atendeu meu pedido.

Eu dei a luz a uma menina, oh minha menina. Queria tanto lembrar-me de ti. Minha pequena boneca, minha linda princesa.

Nascera com os cabelos dourados. Tão branca quanto a neve em pleno inverno, não imaginava, como havia conseguido um anjo tão lindo quanto minha querida.

Ele não escondeu sua decepção. Não escondeu, não gostava dela. Sempre que chorava ele me mandava a fazer ficar calada.

E eu tentava ao máximo faze-la ficar quieta.

Minha pequena.. Como gostaria de segura-la uma ultima vez, apenas fazer ela dormir. Faze-la ninar. Como dói, como dói ao lembrar de como cantava.

Cantava sempre para faze-la dormir. Como dói.

Você é meu raio de sol, meu único raio de sol

Você me faz feliz, quando o céu está nublado

Você nunca saberá, querida, o quanto eu te amo

Por favor, não leve meu raio de sol para longe.


Uma ultima vez, como pode uma mãe não cantar a ultima vez uma música para sua filha? Oh, se existe realmente um Deus, ele foi cruel. Não merecia tal destino. Não.

Minha pequena cresceu, forte. Como minha menina cresceu, junto com os cabelos dourados lindos. Mas sofreu, sofreu tanto ou mais quanto eu. Minha menina, onde está minha menina? Como irei recuperar você?

Alguém viu minha menina? Não. Ninguém a viu.

Pobre menina minha.

Meu marido, como pude deixa-lo fazer, como pude ser tão ignorante em tal situação?

Ela era linda, queria tanto abraçar o pai. Ela o amava, mas não era reciproco. Ele tinha raiva da minha menina, tinha ciúme. Queria um menino, e eu não consegui lhe dar um.

– Mamãe! Mamãe! – Minha menina gritava. Não por muito tempo.

Eu chorava, eu gritava para não o fazer. Mas ele o fez, ele tirou minha menina de mim. Ele me deixou só.

A levou ao lago.

Minha menina... Sentiu muita dor. Minha pequena, meu único raio de sol. Minha alegria. Minha vida. Ele tirou de mim, a afogou. Afogou junto com a parte de mim, a parte de mim que estava sã.

Sinto sua dor agora, sinto a dor da minha menina. Com água enchendo-lhe os pulmões. Incapaz de respirar, não podendo se salvar sozinha.

Seu corpo boiava na agua. Seu pequeno corpo. Não era possível.

Peguei aquele corpo, já sem vida. Abracei, eu o abracei sem poder fazer nada. Sem conseguir pronunciar uma palavra sequer. Aos prantos, apenas querendo minha menina.

– Deus, traga minha menina. Por favor, minha menina! Deus por favor, eu lhe imploro. Minha menina não, minha menina não!

Não, meu pedido não foi atendido, não foi.
Ele me obrigou a deixar seu corpo, a deixar seu corpo lá, que ele cuidaria dele.

– Foi, preciso. Foi preciso. – Dizia ele.

Meu raio de sol se foi. Eu morri junto, morri por dentro.

Naquele dia eu morri, minha morte não foi depois. Eu já estava morta.
E tudo piorou, mas eu não me importava. Não me importava com os gritos, com a brutalidade que ele fazia sexo. Eu não queria, eu não queria aquilo, mas ele forçava.

Mas eu nem me importava, aquilo era tão importante quanto os socos. Usando a violência sobre mim, usando sobre mim.

Meu amor, meu príncipe. Era ele ali, ele quem me batia.

O tempo, passou, o tempo passava e eu nem percebia.

Nunca mais havia visto minha família, nunca mais. Ninguém me visitava.
Minha mãe? Só soube que ela faleceu, quando achei uma carta. Dentro de um casaco do meu amor.

A carta havia sido enviada a muito tempo. Minha mãe falecera, e eu não sabia.

Li a carta e não aguentei, cai ao chão. Não aguentei aquilo. Não podia aguentar mais aquilo.

Mas fora tarde demais. Tarde demais para mim, para minha menina.

Ele chegara em casa.

Disse a ele sobre a carta, o questionando. Ele mal respondeu, com raiva me atingiu com um tapa no rosto, e eu cai no chão.

– Chega! – Eu gritei.

Havia tirado a ultima lasca de força que havia restado em mim, a ultima força. Que tentei dar um basta, não queria mais. Queria acabar.

Olhei para ele. Lembro-me de sua expressão, nunca a esquecerei.

Seus olhos castanhos claros que um dia foram lindos ao meu ver, estavam queimando em fúria. Parecia o próprio demônio em minha frente. Essa expressão me fez teme-lo. Teme-lo como nunca havia temido antes.

Corri, dele. Não sei como, já estava sem forças a para isso.

Não olhava o caminho, não. Apenas corria.

Cheguei ao ponto de partida. Começo de tudo, a pequena capela em que casei.

Já abandonada.

Não me importava, apenas entrei por uma das janelas que consegui abrir.

Deitei-me em um dos bancos de madeira antigos ali e chorei.

Estava molhada de suor, mesmo com o frio que fazia. Meu vestido havia sujado. Não sabia o que fazer, minha tia morava perto dali. Mas eu nunca mais havia a visto.

Foi quando ouço um estrondo vindo da porta. Meu coração que havia desacelerado por completo, acelera outra vez.

Quem eu mais temia, só pode ser ele. Estou cansada demais para correr.
Não corro, fico parada. Esperando, o que quer que seja. Eu fiz aquilo, eu fui a única culpada, e o que me reservava era apenas minha culpa. Amar, que fraqueza humana. Que doce fraqueza.

Eu fui uma tola, e continuo sendo uma tola. Porque o homem que acabou de quebrar a porta. Que está vindo em minha direção, com uma machado em mãos.

Com os olhos brilhando em um louco ódio, esse homem. Sim, eu ainda amo ele.

Criando ilusões, apenas ilusões. No meu próprio leito de morte.

Mesmo quando ele grita, eu nem lembro-me do que disse.

Mesmo quando levanta os braços junto com o machado e parte para cima de mim.

Mesmo quando o machado desce com a força dos seus braços. Me atingindo na cabeça, com o sangue espirrando nos bancos, e minha vida indo embora. Eu tenho certeza de uma coisa.

Vivi com minha ilusão, e morri com minha ilusão.

Tenham pena de mim, pobre alma. Alma nascida para sofrer, sem descanso. Sem descanso algum na morte. Apenas a solidão e o sofrimento me acompanhando.

Como dói, como dói. Uma dor que não passa.

Continuo aqui, no mesmo lugar, continuo na capela.

Ouço passos, ouço vozes vindo. Vejo um casal, um casal entrando.

Parecem se amar, a moça pega na mão do rapaz e o puxa para beija-lo.
Que ilusão, que bela ilusão os dois estão criando. O que eu posso fazer? Posso acabar com a ilusão deles, posso não prolongar o que eles iram sofrer no futuro.

Vou até eles, sim eu vou.

A jogo contra a parede mais próxima. Os dois gritam, seu braço direito e sua cabeça se chocam contra ela.

Um grito de dor agonizante. Braço quebrado.

O rapaz tenta ajuda-la.

– Não tente nada. – Grito a eles – A ilusão acaba aqui.

Levanto o objeto mais próximo, uma faca velha ali. O lanço na barriga dele.

Tão jovens, tão tolos. Não darei as chances de serem iludidos como eu fui.

A menina tenta se arrastar para fora de lá. Afinal o que eles vieram fazer aqui?

Puxo seus cabelos castanhos e bato seu rosto na parede. E de novo, e de novo e de novo.

Sangue espirra do seu rosto enquanto grita, tentando escapar. Não me satisfaço até estar com seu rosto desfigurado. E totalmente morta.

Jogo seu corpo no chão, e o sangue se espalha aonde a joguei.

O rapaz havia andado até a saída.

– Não há saída jovem, chega de sofrer.

As portas e janelas velhas se fecham. Não há escapatória aqui.

Quebro os vidros de uma das janelas. Pego os um por um e jogo nele.

Enquanto o vejo agonizando a cada pedaço entrando em sua carne. Sim, agonize. Como eu agonizei.

Homens merecem isso, homens merecem o dobro do sofrimento.
Corto cada parte do seu lindo rosto. Arranco a pele de seu rosto.

– P-por favor... – Ele balbucia. O sangue está escorrendo por sua face e em seu ferimento na barriga.

Não existe clemencia nesse mundo, e eu não iria fornecer a minha.

Tenho algo especial para ele, uma coisa muito especial.

O machado vem até ele, sim. Sinto como se estivesse saboreando algo.

Vem até seu pescoço.. A cada aproximação sinto um prazer.

E por fim cai em sua costela, e outra vez em seu pescoço. E outra partindo sua cabeça.

Oh o sangue, sim aquele sangue espalhando. O ultimo grito antes da vida sair do corpo. Eu passo a mão pelo sangue, o bebo.

Que sabor...

Mas algo me chama atenção. Não no corpo do rapaz e sim do da menina.

Chego até ela, me agacho e minhas mãos vão a sua barriga.

Não! Não pode ser!

Há uma criança naquele ventre..

Não podia ter feito isso, não, isso não. E era uma menina, não sei como. Mas sei, ela esperava uma menina.

Choro alto. Mas não há lágrimas em meu rosto. Mas sinto a dor, sinto a dor.

Minha menina..

Nunca irei ter paz? Nunca. Pobre de mim.

Pego a moça e seguro seu corpo junto do meu. Abraço forte.

Me desculpe...

Naquela capela, só ouço minha voz solitária. Meu sofrimento eterno e canto alto.

Você é meu raio de sol, meu único raio de sol

Você me faz feliz quando o céu está nublado

Você nunca saberá, querida, o quanto eu te amo

Por favor, não leve meu raio de sol para longe.


Canto, até a criança que estava no ventre da moça. Até minha menina, adormecer e não acordar.

Notas finais
O que acharam? u-u comentem please XD Chocolate para todos que comentarem ;3 E quem leu com as músicas que recomendei, sim sim eu amo EVANESCENCE E para quem quer saber a música que ela canta para filha, é essa aqui T.T https://www.youtube.com/watch?v=cGa3zFRqDn4
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!